Poemas neste tema
Emoções e Sentimentos
Luiza Neto Jorge
Do Medo I
Do Medo I
É de ti que eu sou irmã
por ti fui trocada em criança
quando as estrelas semearam a noite
(Ficávamos chorando de medo
se o laço branco da trança não desse
para a escuridão toda do quarto)
Tenho os silêncios que me emprestaste
e na cidade que levantámos há pouco
(não destruiremos nunca)
habitam os pais
com os não irmãos mortos à nascença
que o eco de um flauta eternizou
no cais dos barcos pequenos de papel
somos irmãos de ninguém
ancorámos com amarras de dúvida
é nosso irmão o medo do poente
a porta azul da morte
Em redor em redor de nós
a solidão voou borboleta negra de metal
caiu enforcado público na gravata verde
(a mesma solidão que cega
os arcos concêntricos das pupilas)
desde a rua ao bolor dos corpos poetas
da porta esquecida sem número
à mulher vendida aos ventos da noite
sem nevoeiros asfixiamos nítidos
nos passeios nos fatos nas cadeiras
nas cúpulas nos clarins
e sentes contigo os corpos das mulheres
de bruços sobre o dia
renascidos maduros os limites da carne
Há nebulosas de anos sem sentido
que vimos aprendendo o amor
há um embrião de veia
há uma veia atávica vermelha
nos mil séculos anteriores ao homem
Quando nos será possível um suicídio exacto
em casas impossíveis
em ondas impossíveis
em (integralmente areia) desertos impossíveis?
Nasceu o sol na erva a erva nos degraus
os degraus desceram ao horizonte
de Quarta Dimensão
É de ti que eu sou irmã
por ti fui trocada em criança
quando as estrelas semearam a noite
(Ficávamos chorando de medo
se o laço branco da trança não desse
para a escuridão toda do quarto)
Tenho os silêncios que me emprestaste
e na cidade que levantámos há pouco
(não destruiremos nunca)
habitam os pais
com os não irmãos mortos à nascença
que o eco de um flauta eternizou
no cais dos barcos pequenos de papel
somos irmãos de ninguém
ancorámos com amarras de dúvida
é nosso irmão o medo do poente
a porta azul da morte
Em redor em redor de nós
a solidão voou borboleta negra de metal
caiu enforcado público na gravata verde
(a mesma solidão que cega
os arcos concêntricos das pupilas)
desde a rua ao bolor dos corpos poetas
da porta esquecida sem número
à mulher vendida aos ventos da noite
sem nevoeiros asfixiamos nítidos
nos passeios nos fatos nas cadeiras
nas cúpulas nos clarins
e sentes contigo os corpos das mulheres
de bruços sobre o dia
renascidos maduros os limites da carne
Há nebulosas de anos sem sentido
que vimos aprendendo o amor
há um embrião de veia
há uma veia atávica vermelha
nos mil séculos anteriores ao homem
Quando nos será possível um suicídio exacto
em casas impossíveis
em ondas impossíveis
em (integralmente areia) desertos impossíveis?
Nasceu o sol na erva a erva nos degraus
os degraus desceram ao horizonte
de Quarta Dimensão
1 927
José Augusto Seabra
Sangria
"Como grandes lágrimas de sangue escorrem folhas dos ramos" (George Bacovia)
A árvore dessangra, assim, lágrima a lágrima, crucificando os ramos entre as folhas,
tão magra como a neve pingando seus últimos coágulos
A árvore dessangra, assim, lágrima a lágrima, crucificando os ramos entre as folhas,
tão magra como a neve pingando seus últimos coágulos
1 094
Luiza Neto Jorge
O Poema
I
Esclarecendo que o poema
é um duelo agudíssimo
quero eu dizer um dedo
agudíssimo claro
apontado ao coração do homem
falo
com uma agulha de sangue
a coser-me todo o corpo
à garganta
e a esta terra imóvel
onde já a minha sombra
é um traço de alarme
II
Piso do poema
chão de areia
Digo na maneira
mais crua e mais
intensa
de medir o poema
pela medida inteira
o poema em milímetro
de madeira
ou apodrece o poema
ou se alteia
ou se despedaça
a mão ateia
ou cinco seis astros
se percorre
antes que o deserto
mate a fome
de Terra Imóvel
Esclarecendo que o poema
é um duelo agudíssimo
quero eu dizer um dedo
agudíssimo claro
apontado ao coração do homem
falo
com uma agulha de sangue
a coser-me todo o corpo
à garganta
e a esta terra imóvel
onde já a minha sombra
é um traço de alarme
II
Piso do poema
chão de areia
Digo na maneira
mais crua e mais
intensa
de medir o poema
pela medida inteira
o poema em milímetro
de madeira
ou apodrece o poema
ou se alteia
ou se despedaça
a mão ateia
ou cinco seis astros
se percorre
antes que o deserto
mate a fome
de Terra Imóvel
4 204
Luiza Neto Jorge
O Corpo Insurrecto
Sendo com o seu ouro,
aurífero, o corpo é insurrecto.Consome-se,
combustível,no sexo, boca e recto.Ainda antes que
pegueaos cinco sentidos a chama,por um aceso
acessoda imaginaçãoateiam-se à camaou a sítio
algures,terra de ninguém,(quem desliza é o espaçopara o
corpo que vem),labaredas taisque, lume,
crepitamnos ciclos mais extremos,nas résteas mais
íntimas,as glândulas, esponjasque os corpos
apoiam,zonas aquáticasonde os órgãos boiam.No
amor, dizendo acto de o sagrar,apertado o corpo do
recém-nascidono ovo solar,há ainda um outrocorpo
incluido,mas um corpo aquémde ser são ou podre,um
repuxo, um magma,substância solta,com
pulmões.Neste amor equívoco(ou respiração),sendo um
corpo humano,sendo outro mais alto,suspenso da
morte,mortalmente intenso,mais alto e mais denso,mais
talhado é o golpequando o põem em práticacom
desassossego na respiraçãoe o sossego cru de
quem,tendo o corpo nu,a carne ardida,lhe pede o
ladrãoa bolsa ou a vida.
de Terra Imóvel
aurífero, o corpo é insurrecto.Consome-se,
combustível,no sexo, boca e recto.Ainda antes que
pegueaos cinco sentidos a chama,por um aceso
acessoda imaginaçãoateiam-se à camaou a sítio
algures,terra de ninguém,(quem desliza é o espaçopara o
corpo que vem),labaredas taisque, lume,
crepitamnos ciclos mais extremos,nas résteas mais
íntimas,as glândulas, esponjasque os corpos
apoiam,zonas aquáticasonde os órgãos boiam.No
amor, dizendo acto de o sagrar,apertado o corpo do
recém-nascidono ovo solar,há ainda um outrocorpo
incluido,mas um corpo aquémde ser são ou podre,um
repuxo, um magma,substância solta,com
pulmões.Neste amor equívoco(ou respiração),sendo um
corpo humano,sendo outro mais alto,suspenso da
morte,mortalmente intenso,mais alto e mais denso,mais
talhado é o golpequando o põem em práticacom
desassossego na respiraçãoe o sossego cru de
quem,tendo o corpo nu,a carne ardida,lhe pede o
ladrãoa bolsa ou a vida.
de Terra Imóvel
1 816
Luiza Neto Jorge
O Corpo Insurrecto
Sendo com o seu ouro,
aurífero, o corpo é insurrecto.Consome-se,
combustível,no sexo, boca e recto.Ainda antes que
pegueaos cinco sentidos a chama,por um aceso
acessoda imaginaçãoateiam-se à camaou a sítio
algures,terra de ninguém,(quem desliza é o espaçopara o
corpo que vem),labaredas taisque, lume,
crepitamnos ciclos mais extremos,nas résteas mais
íntimas,as glândulas, esponjasque os corpos
apoiam,zonas aquáticasonde os órgãos boiam.No
amor, dizendo acto de o sagrar,apertado o corpo do
recém-nascidono ovo solar,há ainda um outrocorpo
incluido,mas um corpo aquémde ser são ou podre,um
repuxo, um magma,substância solta,com
pulmões.Neste amor equívoco(ou respiração),sendo um
corpo humano,sendo outro mais alto,suspenso da
morte,mortalmente intenso,mais alto e mais denso,mais
talhado é o golpequando o põem em práticacom
desassossego na respiraçãoe o sossego cru de
quem,tendo o corpo nu,a carne ardida,lhe pede o
ladrãoa bolsa ou a vida.
de Terra Imóvel
aurífero, o corpo é insurrecto.Consome-se,
combustível,no sexo, boca e recto.Ainda antes que
pegueaos cinco sentidos a chama,por um aceso
acessoda imaginaçãoateiam-se à camaou a sítio
algures,terra de ninguém,(quem desliza é o espaçopara o
corpo que vem),labaredas taisque, lume,
crepitamnos ciclos mais extremos,nas résteas mais
íntimas,as glândulas, esponjasque os corpos
apoiam,zonas aquáticasonde os órgãos boiam.No
amor, dizendo acto de o sagrar,apertado o corpo do
recém-nascidono ovo solar,há ainda um outrocorpo
incluido,mas um corpo aquémde ser são ou podre,um
repuxo, um magma,substância solta,com
pulmões.Neste amor equívoco(ou respiração),sendo um
corpo humano,sendo outro mais alto,suspenso da
morte,mortalmente intenso,mais alto e mais denso,mais
talhado é o golpequando o põem em práticacom
desassossego na respiraçãoe o sossego cru de
quem,tendo o corpo nu,a carne ardida,lhe pede o
ladrãoa bolsa ou a vida.
de Terra Imóvel
1 816
Murillo Mendes
O Exilado
Meu corpo está cansado de suportar a máquina do mundo.
Os sentidos em alarme gritam:
O demônio tem mais poder que Deus.
Preciso vomitar a vida em sangue
Com tudo o que amaldiçoei e o que amei.
Passam ao largo os navios celestes
E os lírios do campo têm veneno.
Nem Job na sua desgraça
Estava despido como eu.
Eu vi a criança negar a graça divina
Vi o meu retrato de condenado em todos os tempos
E a multidão me apontando como o falso profeta.
Espero a tempestade de fogo
Mais do que um sinal de vida
Os sentidos em alarme gritam:
O demônio tem mais poder que Deus.
Preciso vomitar a vida em sangue
Com tudo o que amaldiçoei e o que amei.
Passam ao largo os navios celestes
E os lírios do campo têm veneno.
Nem Job na sua desgraça
Estava despido como eu.
Eu vi a criança negar a graça divina
Vi o meu retrato de condenado em todos os tempos
E a multidão me apontando como o falso profeta.
Espero a tempestade de fogo
Mais do que um sinal de vida
2 224
Murillo Mendes
O Exilado
Meu corpo está cansado de suportar a máquina do mundo.
Os sentidos em alarme gritam:
O demônio tem mais poder que Deus.
Preciso vomitar a vida em sangue
Com tudo o que amaldiçoei e o que amei.
Passam ao largo os navios celestes
E os lírios do campo têm veneno.
Nem Job na sua desgraça
Estava despido como eu.
Eu vi a criança negar a graça divina
Vi o meu retrato de condenado em todos os tempos
E a multidão me apontando como o falso profeta.
Espero a tempestade de fogo
Mais do que um sinal de vida
Os sentidos em alarme gritam:
O demônio tem mais poder que Deus.
Preciso vomitar a vida em sangue
Com tudo o que amaldiçoei e o que amei.
Passam ao largo os navios celestes
E os lírios do campo têm veneno.
Nem Job na sua desgraça
Estava despido como eu.
Eu vi a criança negar a graça divina
Vi o meu retrato de condenado em todos os tempos
E a multidão me apontando como o falso profeta.
Espero a tempestade de fogo
Mais do que um sinal de vida
2 224
Jorge Melícias
Há a boca pisada de pedras,
e o remorso
é uma parede mordida pelo eco.
A mulher fechou-se no quarto
com a noite entre as mãos.
Está funda na casa.
Mas partidas todas as lâmpadas
a cegueira é ainda uma forma de ver.
de Iniciação ao Remorso(1998)
é uma parede mordida pelo eco.
A mulher fechou-se no quarto
com a noite entre as mãos.
Está funda na casa.
Mas partidas todas as lâmpadas
a cegueira é ainda uma forma de ver.
de Iniciação ao Remorso(1998)
1 170
Jorge Melícias
Há a boca pisada de pedras,
e o remorso
é uma parede mordida pelo eco.
A mulher fechou-se no quarto
com a noite entre as mãos.
Está funda na casa.
Mas partidas todas as lâmpadas
a cegueira é ainda uma forma de ver.
de Iniciação ao Remorso(1998)
é uma parede mordida pelo eco.
A mulher fechou-se no quarto
com a noite entre as mãos.
Está funda na casa.
Mas partidas todas as lâmpadas
a cegueira é ainda uma forma de ver.
de Iniciação ao Remorso(1998)
1 170
Jorge Melícias
Há a boca pisada de pedras,
e o remorso
é uma parede mordida pelo eco.
A mulher fechou-se no quarto
com a noite entre as mãos.
Está funda na casa.
Mas partidas todas as lâmpadas
a cegueira é ainda uma forma de ver.
de Iniciação ao Remorso(1998)
é uma parede mordida pelo eco.
A mulher fechou-se no quarto
com a noite entre as mãos.
Está funda na casa.
Mas partidas todas as lâmpadas
a cegueira é ainda uma forma de ver.
de Iniciação ao Remorso(1998)
1 170
William Carlos Williams
Danse Russe
If when my wife is sleeping
and the baby and Kathleen
are sleeping
and the sun is a flame-white disc
in silken mists
above shining trees,-
if I in my north room
dance naked, grotesquely
before my mirror
waving my shirt round my head
and singing softly to myself:
"I am lonely, lonely,
I was born to be lonely,
I am best so!"
If I admire my arms, my face,
my shoulders, flanks, buttocks
against the yellow drawn shades,-
Who shall say I am not
the happy genius of my household?
and the baby and Kathleen
are sleeping
and the sun is a flame-white disc
in silken mists
above shining trees,-
if I in my north room
dance naked, grotesquely
before my mirror
waving my shirt round my head
and singing softly to myself:
"I am lonely, lonely,
I was born to be lonely,
I am best so!"
If I admire my arms, my face,
my shoulders, flanks, buttocks
against the yellow drawn shades,-
Who shall say I am not
the happy genius of my household?
1 174
William Carlos Williams
Danse Russe
If when my wife is sleeping
and the baby and Kathleen
are sleeping
and the sun is a flame-white disc
in silken mists
above shining trees,-
if I in my north room
dance naked, grotesquely
before my mirror
waving my shirt round my head
and singing softly to myself:
"I am lonely, lonely,
I was born to be lonely,
I am best so!"
If I admire my arms, my face,
my shoulders, flanks, buttocks
against the yellow drawn shades,-
Who shall say I am not
the happy genius of my household?
and the baby and Kathleen
are sleeping
and the sun is a flame-white disc
in silken mists
above shining trees,-
if I in my north room
dance naked, grotesquely
before my mirror
waving my shirt round my head
and singing softly to myself:
"I am lonely, lonely,
I was born to be lonely,
I am best so!"
If I admire my arms, my face,
my shoulders, flanks, buttocks
against the yellow drawn shades,-
Who shall say I am not
the happy genius of my household?
1 174
W. H. Auden
Funeral Blues
Stop all the clocks, cut off the telephone,
Prevent the dog from barking with a juicy bone,
Silence the pianos and with muffled drum
Bring out the coffin, let the mourners come.
Let aeroplanes circle moaning overhead
Scribbling on the sky the message He Is Dead,
Put crepe bows round the white necks of the public doves,
Let the traffic policemen wear black cotton gloves.
He was my North, my South, my East and West,
My working week and my Sunday rest,
My noon, my midnight, my talk, my song;
I thought that love would last for ever; I was wrong.
The stars are not wanted now: put out every one;
Pack up the moon and dismantle the sun;
Pour away the ocean and sweep up the wood,
For nothing now can ever come to any good.
Prevent the dog from barking with a juicy bone,
Silence the pianos and with muffled drum
Bring out the coffin, let the mourners come.
Let aeroplanes circle moaning overhead
Scribbling on the sky the message He Is Dead,
Put crepe bows round the white necks of the public doves,
Let the traffic policemen wear black cotton gloves.
He was my North, my South, my East and West,
My working week and my Sunday rest,
My noon, my midnight, my talk, my song;
I thought that love would last for ever; I was wrong.
The stars are not wanted now: put out every one;
Pack up the moon and dismantle the sun;
Pour away the ocean and sweep up the wood,
For nothing now can ever come to any good.
3 058
Juan-Eduardo
Ni la luz
de la luna
La noche enferma
duerme lejos del río.No me escuches,
no me oigas llorar cuando amanece.
Dime:¿has tocado mis ojos
con tus dedos de hielo?
Es que estoy enterrado;
no pises nunca el césped,
no pises la tristeza,
ni la luz de la Luna
cuando pone lejanos los caminos.
Muchacha,
no me escuches,no.No me escuches.
La noche enferma
duerme lejos del río.No me escuches,
no me oigas llorar cuando amanece.
Dime:¿has tocado mis ojos
con tus dedos de hielo?
Es que estoy enterrado;
no pises nunca el césped,
no pises la tristeza,
ni la luz de la Luna
cuando pone lejanos los caminos.
Muchacha,
no me escuches,no.No me escuches.
932
Juan-Eduardo
Ni la luz
de la luna
La noche enferma
duerme lejos del río.No me escuches,
no me oigas llorar cuando amanece.
Dime:¿has tocado mis ojos
con tus dedos de hielo?
Es que estoy enterrado;
no pises nunca el césped,
no pises la tristeza,
ni la luz de la Luna
cuando pone lejanos los caminos.
Muchacha,
no me escuches,no.No me escuches.
La noche enferma
duerme lejos del río.No me escuches,
no me oigas llorar cuando amanece.
Dime:¿has tocado mis ojos
con tus dedos de hielo?
Es que estoy enterrado;
no pises nunca el césped,
no pises la tristeza,
ni la luz de la Luna
cuando pone lejanos los caminos.
Muchacha,
no me escuches,no.No me escuches.
932
Juan-Eduardo
Ni la luz
de la luna
La noche enferma
duerme lejos del río.No me escuches,
no me oigas llorar cuando amanece.
Dime:¿has tocado mis ojos
con tus dedos de hielo?
Es que estoy enterrado;
no pises nunca el césped,
no pises la tristeza,
ni la luz de la Luna
cuando pone lejanos los caminos.
Muchacha,
no me escuches,no.No me escuches.
La noche enferma
duerme lejos del río.No me escuches,
no me oigas llorar cuando amanece.
Dime:¿has tocado mis ojos
con tus dedos de hielo?
Es que estoy enterrado;
no pises nunca el césped,
no pises la tristeza,
ni la luz de la Luna
cuando pone lejanos los caminos.
Muchacha,
no me escuches,no.No me escuches.
932
Jorge Melícias
À beira das salinas os homens declinam,
as cabeças como cometas fulminantes.
De longe a longe vêm os filhos,
trazem a solidão como um metal aceso nas costas
trazem um enxame de dardos.
E a memória é um pulso atravessado.
Quando partem fecham atrás de si as portas,
e os homens voltam a sentar-se sobre as estacas
e brilham.
de A Luz nos Pulmões(2000)
De longe a longe vêm os filhos,
trazem a solidão como um metal aceso nas costas
trazem um enxame de dardos.
E a memória é um pulso atravessado.
Quando partem fecham atrás de si as portas,
e os homens voltam a sentar-se sobre as estacas
e brilham.
de A Luz nos Pulmões(2000)
909
Jorge Melícias
À beira das salinas os homens declinam,
as cabeças como cometas fulminantes.
De longe a longe vêm os filhos,
trazem a solidão como um metal aceso nas costas
trazem um enxame de dardos.
E a memória é um pulso atravessado.
Quando partem fecham atrás de si as portas,
e os homens voltam a sentar-se sobre as estacas
e brilham.
de A Luz nos Pulmões(2000)
De longe a longe vêm os filhos,
trazem a solidão como um metal aceso nas costas
trazem um enxame de dardos.
E a memória é um pulso atravessado.
Quando partem fecham atrás de si as portas,
e os homens voltam a sentar-se sobre as estacas
e brilham.
de A Luz nos Pulmões(2000)
909
Jorge Melícias
A mulher borda
violentamente
o ventre contra o chão.
É este o centro do círculo da loucura,
e a luz está toda nos dedos.
O crime tem a idade do mundo,diz,
e recomeça a coser os pulsos
filho a filho.
A loucura é agora uma mão
cheia de sal
voltada para dentro.
Nenhum vaso se entorna
já em seu nome,
e sobre a mesa
os frutos estão fechados como pedras.
de Iniciação ao Remorso(1998)
o ventre contra o chão.
É este o centro do círculo da loucura,
e a luz está toda nos dedos.
O crime tem a idade do mundo,diz,
e recomeça a coser os pulsos
filho a filho.
A loucura é agora uma mão
cheia de sal
voltada para dentro.
Nenhum vaso se entorna
já em seu nome,
e sobre a mesa
os frutos estão fechados como pedras.
de Iniciação ao Remorso(1998)
854
Jorge Melícias
A mulher borda
violentamente
o ventre contra o chão.
É este o centro do círculo da loucura,
e a luz está toda nos dedos.
O crime tem a idade do mundo,diz,
e recomeça a coser os pulsos
filho a filho.
A loucura é agora uma mão
cheia de sal
voltada para dentro.
Nenhum vaso se entorna
já em seu nome,
e sobre a mesa
os frutos estão fechados como pedras.
de Iniciação ao Remorso(1998)
o ventre contra o chão.
É este o centro do círculo da loucura,
e a luz está toda nos dedos.
O crime tem a idade do mundo,diz,
e recomeça a coser os pulsos
filho a filho.
A loucura é agora uma mão
cheia de sal
voltada para dentro.
Nenhum vaso se entorna
já em seu nome,
e sobre a mesa
os frutos estão fechados como pedras.
de Iniciação ao Remorso(1998)
854
Daniel Faria
Calculo uma doença difícil e definitiva
Calculo uma doença difícil e definitiva
Um sono que não se apaga no sono,ou melhor
Um verso parado no meio de um poema.
Imagino o poeta sem dormir e parado como um verso
No meio do poema.Imagino o poema sem dormir.
Tenta explicá-lo,compará-lo a Noé na arca
Saudoso de colocar de novo os pés descalços sobre a terra.
Penso que os animais saem de dentro das palavras
E vêm ter comigo
Que querem ter um nome como no princípio
Que querem beber.
Tu não sabes como te chamas,não sabes o nome das plantas
Esqueceste o nome dos teus irmãos
E nem mesmo a tua mãe te traz uma palavra á boca.
faço a inclinação de quem encosta o rosto ao focinho dos bichos
Com saudades do calor de uma voz que chama.
Nem mesmo eu sei dizer que terra firma lhes peço
Que alicerces fundos cavam quando pousam
As patas muito mansas sobre mim.
de Dos Líquidos (2000)
Um sono que não se apaga no sono,ou melhor
Um verso parado no meio de um poema.
Imagino o poeta sem dormir e parado como um verso
No meio do poema.Imagino o poema sem dormir.
Tenta explicá-lo,compará-lo a Noé na arca
Saudoso de colocar de novo os pés descalços sobre a terra.
Penso que os animais saem de dentro das palavras
E vêm ter comigo
Que querem ter um nome como no princípio
Que querem beber.
Tu não sabes como te chamas,não sabes o nome das plantas
Esqueceste o nome dos teus irmãos
E nem mesmo a tua mãe te traz uma palavra á boca.
faço a inclinação de quem encosta o rosto ao focinho dos bichos
Com saudades do calor de uma voz que chama.
Nem mesmo eu sei dizer que terra firma lhes peço
Que alicerces fundos cavam quando pousam
As patas muito mansas sobre mim.
de Dos Líquidos (2000)
1 620
Daniel Faria
Calculo uma doença difícil e definitiva
Calculo uma doença difícil e definitiva
Um sono que não se apaga no sono,ou melhor
Um verso parado no meio de um poema.
Imagino o poeta sem dormir e parado como um verso
No meio do poema.Imagino o poema sem dormir.
Tenta explicá-lo,compará-lo a Noé na arca
Saudoso de colocar de novo os pés descalços sobre a terra.
Penso que os animais saem de dentro das palavras
E vêm ter comigo
Que querem ter um nome como no princípio
Que querem beber.
Tu não sabes como te chamas,não sabes o nome das plantas
Esqueceste o nome dos teus irmãos
E nem mesmo a tua mãe te traz uma palavra á boca.
faço a inclinação de quem encosta o rosto ao focinho dos bichos
Com saudades do calor de uma voz que chama.
Nem mesmo eu sei dizer que terra firma lhes peço
Que alicerces fundos cavam quando pousam
As patas muito mansas sobre mim.
de Dos Líquidos (2000)
Um sono que não se apaga no sono,ou melhor
Um verso parado no meio de um poema.
Imagino o poeta sem dormir e parado como um verso
No meio do poema.Imagino o poema sem dormir.
Tenta explicá-lo,compará-lo a Noé na arca
Saudoso de colocar de novo os pés descalços sobre a terra.
Penso que os animais saem de dentro das palavras
E vêm ter comigo
Que querem ter um nome como no princípio
Que querem beber.
Tu não sabes como te chamas,não sabes o nome das plantas
Esqueceste o nome dos teus irmãos
E nem mesmo a tua mãe te traz uma palavra á boca.
faço a inclinação de quem encosta o rosto ao focinho dos bichos
Com saudades do calor de uma voz que chama.
Nem mesmo eu sei dizer que terra firma lhes peço
Que alicerces fundos cavam quando pousam
As patas muito mansas sobre mim.
de Dos Líquidos (2000)
1 620