Poemas neste tema
Vida e Existência
Marina Colasanti
MESSA AL DOM
L'antico gesto
la medesima lama
e la testa che vola
nella porta di bronzo
del Manzú.
Ruzzolano le teste
dalla storia
dai quadri
dagli affreschi
E mozze
ci raccontano chi siamo.
Salzburg 1995
la medesima lama
e la testa che vola
nella porta di bronzo
del Manzú.
Ruzzolano le teste
dalla storia
dai quadri
dagli affreschi
E mozze
ci raccontano chi siamo.
Salzburg 1995
1 032
Allen Ginsberg
O retorno de Kral Majales
Nestas bodas de prata muito cabelo se foi da minha cabeça e eu sou o Rei de Maio
E entretanto eu sou o Rei de Maio meus uivos e proclamações atualmente estão expostos pelo FCC
nas ondas elétricas do ar da América das 6 da manhã à meia-noite
Então Rei de Maio eu retorno pelo do Céu voando para reclamar minha coroa de papel
E eu sou o Rei de Maio com alta pressão sangüínea, diabete, gota, paralisia facial, pedra nos rins e calmos óculos de grau
E visto a coroa pirada da não ignorância da não sabedoria e mais ainda do não medo da não
esperança na gravata capitalista picada e nos macacões comunistas
Sem rir da perda do planeta nos próximo cem anos
E eu sou o Rei de Maio que voltou com um diamante tão grande quanto o universo uma mente vazia
E eu sou o Rei de Maio carente de afeto bouzerant na primavera com uma débil prática de meditação
E eu sou Rei de Maio Professor de Inglês Com Boa Distinção do Brooklyn cantando
Tudo se foi tudo se foi tudo se foi demais tudo se foi céu-alto agora velha mente então Ah!
25 Abril de 1990
E entretanto eu sou o Rei de Maio meus uivos e proclamações atualmente estão expostos pelo FCC
nas ondas elétricas do ar da América das 6 da manhã à meia-noite
Então Rei de Maio eu retorno pelo do Céu voando para reclamar minha coroa de papel
E eu sou o Rei de Maio com alta pressão sangüínea, diabete, gota, paralisia facial, pedra nos rins e calmos óculos de grau
E visto a coroa pirada da não ignorância da não sabedoria e mais ainda do não medo da não
esperança na gravata capitalista picada e nos macacões comunistas
Sem rir da perda do planeta nos próximo cem anos
E eu sou o Rei de Maio que voltou com um diamante tão grande quanto o universo uma mente vazia
E eu sou o Rei de Maio carente de afeto bouzerant na primavera com uma débil prática de meditação
E eu sou Rei de Maio Professor de Inglês Com Boa Distinção do Brooklyn cantando
Tudo se foi tudo se foi tudo se foi demais tudo se foi céu-alto agora velha mente então Ah!
25 Abril de 1990
1 266
Allen Ginsberg
O retorno de Kral Majales
Nestas bodas de prata muito cabelo se foi da minha cabeça e eu sou o Rei de Maio
E entretanto eu sou o Rei de Maio meus uivos e proclamações atualmente estão expostos pelo FCC
nas ondas elétricas do ar da América das 6 da manhã à meia-noite
Então Rei de Maio eu retorno pelo do Céu voando para reclamar minha coroa de papel
E eu sou o Rei de Maio com alta pressão sangüínea, diabete, gota, paralisia facial, pedra nos rins e calmos óculos de grau
E visto a coroa pirada da não ignorância da não sabedoria e mais ainda do não medo da não
esperança na gravata capitalista picada e nos macacões comunistas
Sem rir da perda do planeta nos próximo cem anos
E eu sou o Rei de Maio que voltou com um diamante tão grande quanto o universo uma mente vazia
E eu sou o Rei de Maio carente de afeto bouzerant na primavera com uma débil prática de meditação
E eu sou Rei de Maio Professor de Inglês Com Boa Distinção do Brooklyn cantando
Tudo se foi tudo se foi tudo se foi demais tudo se foi céu-alto agora velha mente então Ah!
25 Abril de 1990
E entretanto eu sou o Rei de Maio meus uivos e proclamações atualmente estão expostos pelo FCC
nas ondas elétricas do ar da América das 6 da manhã à meia-noite
Então Rei de Maio eu retorno pelo do Céu voando para reclamar minha coroa de papel
E eu sou o Rei de Maio com alta pressão sangüínea, diabete, gota, paralisia facial, pedra nos rins e calmos óculos de grau
E visto a coroa pirada da não ignorância da não sabedoria e mais ainda do não medo da não
esperança na gravata capitalista picada e nos macacões comunistas
Sem rir da perda do planeta nos próximo cem anos
E eu sou o Rei de Maio que voltou com um diamante tão grande quanto o universo uma mente vazia
E eu sou o Rei de Maio carente de afeto bouzerant na primavera com uma débil prática de meditação
E eu sou Rei de Maio Professor de Inglês Com Boa Distinção do Brooklyn cantando
Tudo se foi tudo se foi tudo se foi demais tudo se foi céu-alto agora velha mente então Ah!
25 Abril de 1990
1 266
Allen Ginsberg
O retorno de Kral Majales
Nestas bodas de prata muito cabelo se foi da minha cabeça e eu sou o Rei de Maio
E entretanto eu sou o Rei de Maio meus uivos e proclamações atualmente estão expostos pelo FCC
nas ondas elétricas do ar da América das 6 da manhã à meia-noite
Então Rei de Maio eu retorno pelo do Céu voando para reclamar minha coroa de papel
E eu sou o Rei de Maio com alta pressão sangüínea, diabete, gota, paralisia facial, pedra nos rins e calmos óculos de grau
E visto a coroa pirada da não ignorância da não sabedoria e mais ainda do não medo da não
esperança na gravata capitalista picada e nos macacões comunistas
Sem rir da perda do planeta nos próximo cem anos
E eu sou o Rei de Maio que voltou com um diamante tão grande quanto o universo uma mente vazia
E eu sou o Rei de Maio carente de afeto bouzerant na primavera com uma débil prática de meditação
E eu sou Rei de Maio Professor de Inglês Com Boa Distinção do Brooklyn cantando
Tudo se foi tudo se foi tudo se foi demais tudo se foi céu-alto agora velha mente então Ah!
25 Abril de 1990
E entretanto eu sou o Rei de Maio meus uivos e proclamações atualmente estão expostos pelo FCC
nas ondas elétricas do ar da América das 6 da manhã à meia-noite
Então Rei de Maio eu retorno pelo do Céu voando para reclamar minha coroa de papel
E eu sou o Rei de Maio com alta pressão sangüínea, diabete, gota, paralisia facial, pedra nos rins e calmos óculos de grau
E visto a coroa pirada da não ignorância da não sabedoria e mais ainda do não medo da não
esperança na gravata capitalista picada e nos macacões comunistas
Sem rir da perda do planeta nos próximo cem anos
E eu sou o Rei de Maio que voltou com um diamante tão grande quanto o universo uma mente vazia
E eu sou o Rei de Maio carente de afeto bouzerant na primavera com uma débil prática de meditação
E eu sou Rei de Maio Professor de Inglês Com Boa Distinção do Brooklyn cantando
Tudo se foi tudo se foi tudo se foi demais tudo se foi céu-alto agora velha mente então Ah!
25 Abril de 1990
1 266
Allen Ginsberg
O retorno de Kral Majales
Nestas bodas de prata muito cabelo se foi da minha cabeça e eu sou o Rei de Maio
E entretanto eu sou o Rei de Maio meus uivos e proclamações atualmente estão expostos pelo FCC
nas ondas elétricas do ar da América das 6 da manhã à meia-noite
Então Rei de Maio eu retorno pelo do Céu voando para reclamar minha coroa de papel
E eu sou o Rei de Maio com alta pressão sangüínea, diabete, gota, paralisia facial, pedra nos rins e calmos óculos de grau
E visto a coroa pirada da não ignorância da não sabedoria e mais ainda do não medo da não
esperança na gravata capitalista picada e nos macacões comunistas
Sem rir da perda do planeta nos próximo cem anos
E eu sou o Rei de Maio que voltou com um diamante tão grande quanto o universo uma mente vazia
E eu sou o Rei de Maio carente de afeto bouzerant na primavera com uma débil prática de meditação
E eu sou Rei de Maio Professor de Inglês Com Boa Distinção do Brooklyn cantando
Tudo se foi tudo se foi tudo se foi demais tudo se foi céu-alto agora velha mente então Ah!
25 Abril de 1990
E entretanto eu sou o Rei de Maio meus uivos e proclamações atualmente estão expostos pelo FCC
nas ondas elétricas do ar da América das 6 da manhã à meia-noite
Então Rei de Maio eu retorno pelo do Céu voando para reclamar minha coroa de papel
E eu sou o Rei de Maio com alta pressão sangüínea, diabete, gota, paralisia facial, pedra nos rins e calmos óculos de grau
E visto a coroa pirada da não ignorância da não sabedoria e mais ainda do não medo da não
esperança na gravata capitalista picada e nos macacões comunistas
Sem rir da perda do planeta nos próximo cem anos
E eu sou o Rei de Maio que voltou com um diamante tão grande quanto o universo uma mente vazia
E eu sou o Rei de Maio carente de afeto bouzerant na primavera com uma débil prática de meditação
E eu sou Rei de Maio Professor de Inglês Com Boa Distinção do Brooklyn cantando
Tudo se foi tudo se foi tudo se foi demais tudo se foi céu-alto agora velha mente então Ah!
25 Abril de 1990
1 266
Marina Colasanti
TARDE E CASA VAZIA
O pudim amorna
sobre a grade do forno
o cheiro de canela deita-se
entre frestas.
Há um silêncio na casa
um zumbido de inseto
e o sangue que lateja
na cabeça.
No casulo da rede
o corpo
falsamente dormido
arrasta leve a mão para a virilha.
E não há mais silêncio
nem ruídos
somente esse querer
que chama
e que se atende.
sobre a grade do forno
o cheiro de canela deita-se
entre frestas.
Há um silêncio na casa
um zumbido de inseto
e o sangue que lateja
na cabeça.
No casulo da rede
o corpo
falsamente dormido
arrasta leve a mão para a virilha.
E não há mais silêncio
nem ruídos
somente esse querer
que chama
e que se atende.
1 000
Marina Colasanti
POR UMA LUZ
O que foi que te fez
Modigliani
você que sempre preferiu mulher
despida
despida não apenas por sem roupa
despida porque vestida por sua forma
apenas
o que foi que te fez
e em que momento
pintar a cabeça
o retrato
a metafórica lembrança de
Madame Pompadour?
O chapéu emplumado
o enviesado rosto
o busto
e ao alto
grafito
inscrito
o nome da Marquesa.
Logo você
que depurava a linha em busca
da pureza.
Terá sido um deboche?
ou a força irresistivel de uma luz
pousada sobre a pele cor de fruta
sobre a pele maçã
obrigando tua mão a retratar
em toda a sua volúpia
a cortesã?
Modigliani
você que sempre preferiu mulher
despida
despida não apenas por sem roupa
despida porque vestida por sua forma
apenas
o que foi que te fez
e em que momento
pintar a cabeça
o retrato
a metafórica lembrança de
Madame Pompadour?
O chapéu emplumado
o enviesado rosto
o busto
e ao alto
grafito
inscrito
o nome da Marquesa.
Logo você
que depurava a linha em busca
da pureza.
Terá sido um deboche?
ou a força irresistivel de uma luz
pousada sobre a pele cor de fruta
sobre a pele maçã
obrigando tua mão a retratar
em toda a sua volúpia
a cortesã?
1 093
Allen Ginsberg
Crepúsculo “S.S. Azemour”
Enquanto a laranja luz-do-ocaso cai numa velha ideia
Eu atravesso minha mão na página
sentindo por fora o confuso estranho ser que Eu sou por dentro
E procuro uma cabeça disto — Seraphim
avanço em flash lampejo através da tempestade de éter
Mensageiros chegam chifrudos barbados da esfera Magnética
Rádios que desaparecem recebem galáxias anciãs
Rodas da imensidão espelhadas em cada direção
Anúncio passando de Invisível para Invisível
A cauda do dragão-Eternidade perdida pelo olho
Morte estranha, nascimentos esquecidos, vozes chamando no passado
“Eu era” que saúda “Eu sou” que escreve agora “Eu serei”
Exércitos marcham sempre e sempre no velho campo de batalha —
Que poderes sentam em suas tendas redondas e decretam a Eterna Vitória?
Eu sento em minha mesa e escrevo a mensagem sem-fim de mim mesmo para minha própria mão.
Marselha-Tanger, 1961.
Eu atravesso minha mão na página
sentindo por fora o confuso estranho ser que Eu sou por dentro
E procuro uma cabeça disto — Seraphim
avanço em flash lampejo através da tempestade de éter
Mensageiros chegam chifrudos barbados da esfera Magnética
Rádios que desaparecem recebem galáxias anciãs
Rodas da imensidão espelhadas em cada direção
Anúncio passando de Invisível para Invisível
A cauda do dragão-Eternidade perdida pelo olho
Morte estranha, nascimentos esquecidos, vozes chamando no passado
“Eu era” que saúda “Eu sou” que escreve agora “Eu serei”
Exércitos marcham sempre e sempre no velho campo de batalha —
Que poderes sentam em suas tendas redondas e decretam a Eterna Vitória?
Eu sento em minha mesa e escrevo a mensagem sem-fim de mim mesmo para minha própria mão.
Marselha-Tanger, 1961.
702
Allen Ginsberg
Crepúsculo “S.S. Azemour”
Enquanto a laranja luz-do-ocaso cai numa velha ideia
Eu atravesso minha mão na página
sentindo por fora o confuso estranho ser que Eu sou por dentro
E procuro uma cabeça disto — Seraphim
avanço em flash lampejo através da tempestade de éter
Mensageiros chegam chifrudos barbados da esfera Magnética
Rádios que desaparecem recebem galáxias anciãs
Rodas da imensidão espelhadas em cada direção
Anúncio passando de Invisível para Invisível
A cauda do dragão-Eternidade perdida pelo olho
Morte estranha, nascimentos esquecidos, vozes chamando no passado
“Eu era” que saúda “Eu sou” que escreve agora “Eu serei”
Exércitos marcham sempre e sempre no velho campo de batalha —
Que poderes sentam em suas tendas redondas e decretam a Eterna Vitória?
Eu sento em minha mesa e escrevo a mensagem sem-fim de mim mesmo para minha própria mão.
Marselha-Tanger, 1961.
Eu atravesso minha mão na página
sentindo por fora o confuso estranho ser que Eu sou por dentro
E procuro uma cabeça disto — Seraphim
avanço em flash lampejo através da tempestade de éter
Mensageiros chegam chifrudos barbados da esfera Magnética
Rádios que desaparecem recebem galáxias anciãs
Rodas da imensidão espelhadas em cada direção
Anúncio passando de Invisível para Invisível
A cauda do dragão-Eternidade perdida pelo olho
Morte estranha, nascimentos esquecidos, vozes chamando no passado
“Eu era” que saúda “Eu sou” que escreve agora “Eu serei”
Exércitos marcham sempre e sempre no velho campo de batalha —
Que poderes sentam em suas tendas redondas e decretam a Eterna Vitória?
Eu sento em minha mesa e escrevo a mensagem sem-fim de mim mesmo para minha própria mão.
Marselha-Tanger, 1961.
702
Marina Colasanti
INSTRUMENTO SEM SOM
Tua nuca macha
cachos
e os músculos das costas
cordas
retesadas em curva
que as unhas tangem,
calada música
vibrando
em minhas coxas.
cachos
e os músculos das costas
cordas
retesadas em curva
que as unhas tangem,
calada música
vibrando
em minhas coxas.
1 272
Marina Colasanti
NO APARTAMENTO EM COLÔNIA
Um silêncio alemão
naquela casa
um edredom dobrado sobre a cama
e lá fora o verão.
Havia cisnes no lago que eu não via
uma fêmea no choco
uma mansa alegria
andando em bicicletas.
E na janela em frente
ao sol da tarde
vinha um pássaro negro
bicar negras cerejas
enquanto no tapete serpejavam
longos fios de cabelos japoneses.
Colona 1952
naquela casa
um edredom dobrado sobre a cama
e lá fora o verão.
Havia cisnes no lago que eu não via
uma fêmea no choco
uma mansa alegria
andando em bicicletas.
E na janela em frente
ao sol da tarde
vinha um pássaro negro
bicar negras cerejas
enquanto no tapete serpejavam
longos fios de cabelos japoneses.
Colona 1952
1 051
Allen Ginsberg
Guru
A lua é que desaparece
E as estrelas que se escondem, não Eu
É a Cidade que esvai, Eu fico
calçados esquecidos,
de calções invisíveis
O som um sino que chama
Primrose Hill. Maio, 1965.
E as estrelas que se escondem, não Eu
É a Cidade que esvai, Eu fico
calçados esquecidos,
de calções invisíveis
O som um sino que chama
Primrose Hill. Maio, 1965.
624
Marina Colasanti
Pietá
Foi com os dedos
com a lingua suave e áspera
dos dedos
não com o duro osso
que Michelangelo poliu
o corpo do Cristo
morto
o morto
corpo do Cristo.
Mármore feito mel
favo escorrendo
na doçura da carne
abandonada.
Inútil é teu esforço
Buonarroti
tentando erguer
o Cristo
pelos braços.
Teu rijo rosto envolto
no capuz
teu patético olhar
já traem o que bem sabes,
que a vida
a vida que o deixou
você só lhe dará esculpindo-lhe a morte.
com a lingua suave e áspera
dos dedos
não com o duro osso
que Michelangelo poliu
o corpo do Cristo
morto
o morto
corpo do Cristo.
Mármore feito mel
favo escorrendo
na doçura da carne
abandonada.
Inútil é teu esforço
Buonarroti
tentando erguer
o Cristo
pelos braços.
Teu rijo rosto envolto
no capuz
teu patético olhar
já traem o que bem sabes,
que a vida
a vida que o deixou
você só lhe dará esculpindo-lhe a morte.
1 115
Marina Colasanti
Pietá
Foi com os dedos
com a lingua suave e áspera
dos dedos
não com o duro osso
que Michelangelo poliu
o corpo do Cristo
morto
o morto
corpo do Cristo.
Mármore feito mel
favo escorrendo
na doçura da carne
abandonada.
Inútil é teu esforço
Buonarroti
tentando erguer
o Cristo
pelos braços.
Teu rijo rosto envolto
no capuz
teu patético olhar
já traem o que bem sabes,
que a vida
a vida que o deixou
você só lhe dará esculpindo-lhe a morte.
com a lingua suave e áspera
dos dedos
não com o duro osso
que Michelangelo poliu
o corpo do Cristo
morto
o morto
corpo do Cristo.
Mármore feito mel
favo escorrendo
na doçura da carne
abandonada.
Inútil é teu esforço
Buonarroti
tentando erguer
o Cristo
pelos braços.
Teu rijo rosto envolto
no capuz
teu patético olhar
já traem o que bem sabes,
que a vida
a vida que o deixou
você só lhe dará esculpindo-lhe a morte.
1 115
Marina Colasanti
Pietá
Foi com os dedos
com a lingua suave e áspera
dos dedos
não com o duro osso
que Michelangelo poliu
o corpo do Cristo
morto
o morto
corpo do Cristo.
Mármore feito mel
favo escorrendo
na doçura da carne
abandonada.
Inútil é teu esforço
Buonarroti
tentando erguer
o Cristo
pelos braços.
Teu rijo rosto envolto
no capuz
teu patético olhar
já traem o que bem sabes,
que a vida
a vida que o deixou
você só lhe dará esculpindo-lhe a morte.
com a lingua suave e áspera
dos dedos
não com o duro osso
que Michelangelo poliu
o corpo do Cristo
morto
o morto
corpo do Cristo.
Mármore feito mel
favo escorrendo
na doçura da carne
abandonada.
Inútil é teu esforço
Buonarroti
tentando erguer
o Cristo
pelos braços.
Teu rijo rosto envolto
no capuz
teu patético olhar
já traem o que bem sabes,
que a vida
a vida que o deixou
você só lhe dará esculpindo-lhe a morte.
1 115
Marina Colasanti
PISANELLO, AL LOUVRE
La Principessa Estense
che hai ritratta
su un fondo di farfalle
e di fioretti
cosa pensava mentre stava in posa?
Sorride appena appena
lo sguardo basso
il volto quasi chino
l'espressione serena.
Era sposa da poco
Margherita
di nome fiore anch'essa
e in piena fioritura
nessun vento la sfiora
la morte non l'adombra
sebbene sia vicina
Offre il profilo
e attende che il futuro
la prenda
Cicco il futuro alla sua fronte alta
alla gola di stelo passerà oltre
consegnandola al nulla
E a salvarla
sara solo il ritratto.
che hai ritratta
su un fondo di farfalle
e di fioretti
cosa pensava mentre stava in posa?
Sorride appena appena
lo sguardo basso
il volto quasi chino
l'espressione serena.
Era sposa da poco
Margherita
di nome fiore anch'essa
e in piena fioritura
nessun vento la sfiora
la morte non l'adombra
sebbene sia vicina
Offre il profilo
e attende che il futuro
la prenda
Cicco il futuro alla sua fronte alta
alla gola di stelo passerà oltre
consegnandola al nulla
E a salvarla
sara solo il ritratto.
1 056
Marina Colasanti
Gardênias e um espelho
As cinco e vinte e cinco
uma luz sem relógio
lança-se de viés contra a vidraça
e estilhaça
as quatro flores brancas
frente ao espelho.
Prata despetalada
breves cacos
suspensos.
Cego o seu corte
já se desfaz a luz
e sem espada
a sombra cicatriza.
Rola decapitado o sol
atrás do monte.
Na sala o espelho è poço
de noturnas areias
que lento traga as flores
recompostas.
uma luz sem relógio
lança-se de viés contra a vidraça
e estilhaça
as quatro flores brancas
frente ao espelho.
Prata despetalada
breves cacos
suspensos.
Cego o seu corte
já se desfaz a luz
e sem espada
a sombra cicatriza.
Rola decapitado o sol
atrás do monte.
Na sala o espelho è poço
de noturnas areias
que lento traga as flores
recompostas.
1 119
Marina Colasanti
DIA NÃO PASSA SEM
Há trinta anos decido
o que vai ser o jantar
e dia não passa sem
que eu apalpe frutas
suspenda guelras
ou arranque folhas podres das verduras.
Ponho frango na mesa
e porco e vaca
arrumados com graça nas travessas
mas na cozinha testo
o fio da faca
e afundo a ponta
procurando juntas.
Tenho sangue nas mãos
e sumo e leite.
Trago as unhas vedadas com farinha.
E nas palmas abertas
como pratos
vêm as bocas vorazes da família
sempre buscar comida
e mais comida
sempre matar sua fome
inesgotável.
o que vai ser o jantar
e dia não passa sem
que eu apalpe frutas
suspenda guelras
ou arranque folhas podres das verduras.
Ponho frango na mesa
e porco e vaca
arrumados com graça nas travessas
mas na cozinha testo
o fio da faca
e afundo a ponta
procurando juntas.
Tenho sangue nas mãos
e sumo e leite.
Trago as unhas vedadas com farinha.
E nas palmas abertas
como pratos
vêm as bocas vorazes da família
sempre buscar comida
e mais comida
sempre matar sua fome
inesgotável.
1 103
Marina Colasanti
CINCO MÁRTIRES E UM CALIFA
Duas cimitarras e cinco
gargantas
cinco cabeças colhidas
no tênue caule dos corpos
cinco frades no Marrocos
e o Miramolim
que olha.
As vestes sobrepostas
se fundem na folhagem
fino fio de sangue borda as papoulas.
Os pés nus nas sandálias
encontram seu caminho.
gargantas
cinco cabeças colhidas
no tênue caule dos corpos
cinco frades no Marrocos
e o Miramolim
que olha.
As vestes sobrepostas
se fundem na folhagem
fino fio de sangue borda as papoulas.
Os pés nus nas sandálias
encontram seu caminho.
1 092
Marina Colasanti
COLEÇÃO ALBERTINA OU A FELICIDADE DE PAPEL
Que serena se põe a minha alma
nessa poltrona preta entre colunas.
Do espelho em frente
meu contorno confuso pela falta de óculos
me diz que ainda estou bem
embora encasacada.
Ecos chegam e passam
sem dar por mim
um tilintar de chaves se entrelaça
com a visão que guardo de um desenho
com o bater de saltos sobre a escada
e sons viajantes vêm de sala em sala
bater de portas
vozes
chamados
abafados relatos que o curador não vê
nem inclui no catálogo
legados que se aninham
na moldura de um quadro
na franja espessa da tapeçaria
esperando o esvaziar-se do museu
para calar-se enfim
ou fazer-se poeira.
Viena 1995
nessa poltrona preta entre colunas.
Do espelho em frente
meu contorno confuso pela falta de óculos
me diz que ainda estou bem
embora encasacada.
Ecos chegam e passam
sem dar por mim
um tilintar de chaves se entrelaça
com a visão que guardo de um desenho
com o bater de saltos sobre a escada
e sons viajantes vêm de sala em sala
bater de portas
vozes
chamados
abafados relatos que o curador não vê
nem inclui no catálogo
legados que se aninham
na moldura de um quadro
na franja espessa da tapeçaria
esperando o esvaziar-se do museu
para calar-se enfim
ou fazer-se poeira.
Viena 1995
1 112
Marina Colasanti
PROTESI
Tante invasioni
ho avute
nella bocca
di ferri gomma tubi
e lingue altrui.
Ora una placca
mi incollano sui denti
e mi rassegno.
Fra mesi
ci saró abituata
e scorderó
che con quell' oro
in bocca
non sono nata.
ho avute
nella bocca
di ferri gomma tubi
e lingue altrui.
Ora una placca
mi incollano sui denti
e mi rassegno.
Fra mesi
ci saró abituata
e scorderó
che con quell' oro
in bocca
non sono nata.
1 097
Marina Colasanti
PROTESI
Tante invasioni
ho avute
nella bocca
di ferri gomma tubi
e lingue altrui.
Ora una placca
mi incollano sui denti
e mi rassegno.
Fra mesi
ci saró abituata
e scorderó
che con quell' oro
in bocca
non sono nata.
ho avute
nella bocca
di ferri gomma tubi
e lingue altrui.
Ora una placca
mi incollano sui denti
e mi rassegno.
Fra mesi
ci saró abituata
e scorderó
che con quell' oro
in bocca
non sono nata.
1 097
Marina Colasanti
A mão de quem
Se tua boca, Holoferne
essa tua boca aberta pelo espanto
ou pelo último grito
pudesse falar
talvez me dissessem quem
te cortou a cabeça
se Judite
ou Caravaggio.
Foi ela mesma que empunhou a espada
abrindo passo ao sangue
rijo jato
sobre o branco lençol
ou foi o pincel que a fez surgir das sombras
para seu próprio horror
com a mão armada?
Os dedos de Judite seguram teus cabelos
leves como um afago
e não terão força, não
não terão
para amparar o peso da cabeça.
Pobre Judite, pálida assassina
a quem morte repugna.
afasta o rosto e quase se surpreende
ao ver que a espada a leva
no seu corte
Tomba ao fundo
entre os dois
um rubro pano
que Caravaggio quis
talhado em carne.
Na orelha de Judite
pende a pérola em gota
o leve laço.
E Merisi olha a cena
pelos olhos da aia
à espera de que o desejado se cumpra
e lhe caiba
sem culpa
a colheita do crime.
essa tua boca aberta pelo espanto
ou pelo último grito
pudesse falar
talvez me dissessem quem
te cortou a cabeça
se Judite
ou Caravaggio.
Foi ela mesma que empunhou a espada
abrindo passo ao sangue
rijo jato
sobre o branco lençol
ou foi o pincel que a fez surgir das sombras
para seu próprio horror
com a mão armada?
Os dedos de Judite seguram teus cabelos
leves como um afago
e não terão força, não
não terão
para amparar o peso da cabeça.
Pobre Judite, pálida assassina
a quem morte repugna.
afasta o rosto e quase se surpreende
ao ver que a espada a leva
no seu corte
Tomba ao fundo
entre os dois
um rubro pano
que Caravaggio quis
talhado em carne.
Na orelha de Judite
pende a pérola em gota
o leve laço.
E Merisi olha a cena
pelos olhos da aia
à espera de que o desejado se cumpra
e lhe caiba
sem culpa
a colheita do crime.
921
Allen Ginsberg
Saudações Cosmipolitas
para o Struga Festival Golden Wreath Laureates & International Bards, 1986
Levante-se contra governos, contra Deus.
Mantenha-se irresponsável.
Diga somente o que sabemos e imaginamos.
Absolutos são coerções.
Mudança é absoluto.
Mente ordinária inclui percepções eternas.
Observe o que é vívido.
Noticie o que você noticia.
Apanhe-se em pleno pensar.
Vivência é auto-seleção.
Se não mostramos ninguém, somos livres para não escrever nada.
Lembrar o futuro.
Consulte somente a si mesmo.
Não beba a si mesmo até a morte.
Duas moléculas se chocando requerem um observador para virarem dados científicos.
O instrumento de medida determina a aparência do mundo dos fenômenos segundo Einstein.
O universo é subjetivo.
Walt Whitman celebrou a Persona.
Somos observadores, instrumentos de medida, olho, sujeito, Persona.
Universo é Persona.
Dentro do crânio é tão vasto quanto fora do crânio.
Mente é muito mais que espaço.
“Cada um em sua cama falava para si mesmo sozinho, sem fazer barulho.”
Primeira idéia, melhor idéia.
A mente é simétrica, a Arte é simétrica.
Máxima informação, mínimo número de sílabas.
Sintaxe condensada, o som é sólido.
Fragmentos intensos de idioma falado, melhor.
Consoantes em volta de vogais fazem sentido.
Saboreie as vogais, aprecie as consoantes.
A subjetividade é conhecida pelo que ela vê.
Os outros podem medir suas visões pelo que nós vemos.
O candor é o fim da paranóia.
Kral Majales
25 de junho de 1986
Boulder; Colorado
Levante-se contra governos, contra Deus.
Mantenha-se irresponsável.
Diga somente o que sabemos e imaginamos.
Absolutos são coerções.
Mudança é absoluto.
Mente ordinária inclui percepções eternas.
Observe o que é vívido.
Noticie o que você noticia.
Apanhe-se em pleno pensar.
Vivência é auto-seleção.
Se não mostramos ninguém, somos livres para não escrever nada.
Lembrar o futuro.
Consulte somente a si mesmo.
Não beba a si mesmo até a morte.
Duas moléculas se chocando requerem um observador para virarem dados científicos.
O instrumento de medida determina a aparência do mundo dos fenômenos segundo Einstein.
O universo é subjetivo.
Walt Whitman celebrou a Persona.
Somos observadores, instrumentos de medida, olho, sujeito, Persona.
Universo é Persona.
Dentro do crânio é tão vasto quanto fora do crânio.
Mente é muito mais que espaço.
“Cada um em sua cama falava para si mesmo sozinho, sem fazer barulho.”
Primeira idéia, melhor idéia.
A mente é simétrica, a Arte é simétrica.
Máxima informação, mínimo número de sílabas.
Sintaxe condensada, o som é sólido.
Fragmentos intensos de idioma falado, melhor.
Consoantes em volta de vogais fazem sentido.
Saboreie as vogais, aprecie as consoantes.
A subjetividade é conhecida pelo que ela vê.
Os outros podem medir suas visões pelo que nós vemos.
O candor é o fim da paranóia.
Kral Majales
25 de junho de 1986
Boulder; Colorado
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