Poemas neste tema
Vida e Existência
Reinaldo Ferreira
Introdução aos poemas infernais
Já me não basta morrer;
Tanto me falta a certeza
Que paro todo de ser
Na Vida sem mim ilesa.
Morrer é pouco. Destrói
A ordem do que, disperso
Apenas, logo constrói.
- Constante do Universo... -
Mas o mais ? Essa energia
Contínua, que permanece,
Elo de nós, dia a dia...
Não sei pensar que ela cesse.
Nem sei, de tanto que a sinto
- Alma não, que não a creio... -
Se sou sincero ou se minto,
Ébrio do próprio receio.
Tanto me falta a certeza
Que paro todo de ser
Na Vida sem mim ilesa.
Morrer é pouco. Destrói
A ordem do que, disperso
Apenas, logo constrói.
- Constante do Universo... -
Mas o mais ? Essa energia
Contínua, que permanece,
Elo de nós, dia a dia...
Não sei pensar que ela cesse.
Nem sei, de tanto que a sinto
- Alma não, que não a creio... -
Se sou sincero ou se minto,
Ébrio do próprio receio.
1 940
Reinaldo Ferreira
Introdução aos poemas infernais
Já me não basta morrer;
Tanto me falta a certeza
Que paro todo de ser
Na Vida sem mim ilesa.
Morrer é pouco. Destrói
A ordem do que, disperso
Apenas, logo constrói.
- Constante do Universo... -
Mas o mais ? Essa energia
Contínua, que permanece,
Elo de nós, dia a dia...
Não sei pensar que ela cesse.
Nem sei, de tanto que a sinto
- Alma não, que não a creio... -
Se sou sincero ou se minto,
Ébrio do próprio receio.
Tanto me falta a certeza
Que paro todo de ser
Na Vida sem mim ilesa.
Morrer é pouco. Destrói
A ordem do que, disperso
Apenas, logo constrói.
- Constante do Universo... -
Mas o mais ? Essa energia
Contínua, que permanece,
Elo de nós, dia a dia...
Não sei pensar que ela cesse.
Nem sei, de tanto que a sinto
- Alma não, que não a creio... -
Se sou sincero ou se minto,
Ébrio do próprio receio.
1 940
Renato Castelo Branco
O Instante
É um instante
esta sensação
de ter sido sempre,
de ser sempre.
Esta sensação
de ser poeira e cosmos,
finito e infinito,
segundo e eternidade.
É um instante
esta sensação
de momento já vivido,
de poesia já escrita,
de palavra enunciada,
De ser Verbo e plasma,
de além,
de ressurreição.
É um instante de glória,
esta sensação
de ter sido sempre,
de ser sempre.
Esta sensação
de ser poeira e cosmos,
finito e infinito,
segundo e eternidade.
É um instante
esta sensação
de momento já vivido,
de poesia já escrita,
de palavra enunciada,
De ser Verbo e plasma,
de além,
de ressurreição.
É um instante de glória,
1 151
Renato Castelo Branco
O Instante
É um instante
esta sensação
de ter sido sempre,
de ser sempre.
Esta sensação
de ser poeira e cosmos,
finito e infinito,
segundo e eternidade.
É um instante
esta sensação
de momento já vivido,
de poesia já escrita,
de palavra enunciada,
De ser Verbo e plasma,
de além,
de ressurreição.
É um instante de glória,
esta sensação
de ter sido sempre,
de ser sempre.
Esta sensação
de ser poeira e cosmos,
finito e infinito,
segundo e eternidade.
É um instante
esta sensação
de momento já vivido,
de poesia já escrita,
de palavra enunciada,
De ser Verbo e plasma,
de além,
de ressurreição.
É um instante de glória,
1 151
Renato Castelo Branco
O Instante
É um instante
esta sensação
de ter sido sempre,
de ser sempre.
Esta sensação
de ser poeira e cosmos,
finito e infinito,
segundo e eternidade.
É um instante
esta sensação
de momento já vivido,
de poesia já escrita,
de palavra enunciada,
De ser Verbo e plasma,
de além,
de ressurreição.
É um instante de glória,
esta sensação
de ter sido sempre,
de ser sempre.
Esta sensação
de ser poeira e cosmos,
finito e infinito,
segundo e eternidade.
É um instante
esta sensação
de momento já vivido,
de poesia já escrita,
de palavra enunciada,
De ser Verbo e plasma,
de além,
de ressurreição.
É um instante de glória,
1 151
Sânzio de Azevedo
Se Procuro
Para José Valdivino
Se procuro no cérebro as imagens
que em meu olhar, há tempos, embebi,
ouço o ranger de dentes de engrenagens
a triburar os sonhos que perdi...
O que é que vim fazer nestas paragens?
Que tempestade me arrojou aqui?
Por que não me lancei noutras viagens
Já que deixei a terra onde nasci?
Tive a ambição dos nômades nos olhos!
Hoje, nem sei, cercado por escolhos,
que tempestade me arrojou aqui!
E vivo agora assim, perdido e absorto,
entre a saudade do primeiro porto
e a tentação das terras que não vi!
Se procuro no cérebro as imagens
que em meu olhar, há tempos, embebi,
ouço o ranger de dentes de engrenagens
a triburar os sonhos que perdi...
O que é que vim fazer nestas paragens?
Que tempestade me arrojou aqui?
Por que não me lancei noutras viagens
Já que deixei a terra onde nasci?
Tive a ambição dos nômades nos olhos!
Hoje, nem sei, cercado por escolhos,
que tempestade me arrojou aqui!
E vivo agora assim, perdido e absorto,
entre a saudade do primeiro porto
e a tentação das terras que não vi!
1 080
Rosemberg Cariry
Tambor de Criola
São Luiz. Luzir da lua.
Entre ruínas — fogueiras.
Os olhinhos de São Benedito
abençoando seus filhos,
tão pobrezinhos, tão simples,
que de dia até se matam
de trabalhar, de rezar,
mas de noite... deixa está!
São anjos belos, orixás,
são músculos e rebeldia,
batucando os tambores
que reacendem nos deuses
as luxúrias adormecidas
A lua bem que espia
e levanta a sua saia,
tecendo rendas nas águas
que se derramam na areia.
Sem vergonha, espia...
Os homens mais do que homens
são ritmo, fôlego, tesão,
entre as pernas o tambor,
nervo duro e inquieto,
descomunal em tamanho,
que se anuncia em batuque
virando pelo avesso
a face da outra face
do que é religião.
Matracas desesperadas
quebram os selos do pudor
para que os corpos se liberem
e urrem feito uma onça
nas cachoeiras do cio.
Entre ruínas — fogueiras.
Os olhinhos de São Benedito
abençoando seus filhos,
tão pobrezinhos, tão simples,
que de dia até se matam
de trabalhar, de rezar,
mas de noite... deixa está!
São anjos belos, orixás,
são músculos e rebeldia,
batucando os tambores
que reacendem nos deuses
as luxúrias adormecidas
A lua bem que espia
e levanta a sua saia,
tecendo rendas nas águas
que se derramam na areia.
Sem vergonha, espia...
Os homens mais do que homens
são ritmo, fôlego, tesão,
entre as pernas o tambor,
nervo duro e inquieto,
descomunal em tamanho,
que se anuncia em batuque
virando pelo avesso
a face da outra face
do que é religião.
Matracas desesperadas
quebram os selos do pudor
para que os corpos se liberem
e urrem feito uma onça
nas cachoeiras do cio.
1 342
Renato Castelo Branco
O Esperado
para meu neto Rodrigo
Só agora você chegou
de uma espera de milênios.
Só agora você chegou
de regiões ignotas
perdido em mundos misteriosos.
Só agora você chegou
do fundo da História
para preencher seu lugar
entre nós.
Mas eu lhe esperava
desde o começo da vida,
elo a ser preenchido
em infinita cadeia
de ancestrais.
Agora você está aqui
conosco
parte de nossa vida
e de nossa eternidade.
Só agora você chegou
de uma espera de milênios.
Só agora você chegou
de regiões ignotas
perdido em mundos misteriosos.
Só agora você chegou
do fundo da História
para preencher seu lugar
entre nós.
Mas eu lhe esperava
desde o começo da vida,
elo a ser preenchido
em infinita cadeia
de ancestrais.
Agora você está aqui
conosco
parte de nossa vida
e de nossa eternidade.
937
Raul Machado
Lágrimas de Cera
Quando Estela morreu choravam tanto!
Chovia tanto nessa madrugada!
— Era o pranto dos seus, casado ao pranto
Da Natureza — mãe desventurada
Ninguém podia ver-lhe o rosto santo,
A fronte nívea, a pálpebra cerrada,
Que não sentisse logo, em cada canto
Dos olhos uma lágrima engastada !
Ah! ... não credes, bem sei, porque não vistes!
Mas, quando ela morreu, chorava tudo!
Até dois círios, lânguidos e tristes,
Acendidos à sua cabeceira,
Iam chorando, no seu pranto mudo,
Um rosário de lágrimas de cera!
Chovia tanto nessa madrugada!
— Era o pranto dos seus, casado ao pranto
Da Natureza — mãe desventurada
Ninguém podia ver-lhe o rosto santo,
A fronte nívea, a pálpebra cerrada,
Que não sentisse logo, em cada canto
Dos olhos uma lágrima engastada !
Ah! ... não credes, bem sei, porque não vistes!
Mas, quando ela morreu, chorava tudo!
Até dois círios, lânguidos e tristes,
Acendidos à sua cabeceira,
Iam chorando, no seu pranto mudo,
Um rosário de lágrimas de cera!
1 726
Rosemberg Cariry
Sexta-Feira
Entre pedras escaldadas
negro lençol de poeira
Gertrudes pariu um filho
como se fosse uma ovelha
Nem por isso houve festa
quebrou-se o monótono ritmo
dos enxadecos no chão
Nesta terra tantos morram
que outros serão paridos
serão servidos na mesa
tantos braços escravos
quanto as léguas
das sesmarias sem-fim
Aqui a vida estrebucha
corpo humano é queimado
como lenha da caldeira
Liberdade se contorce
espezinhada pelas botas
do senhor doutor coronel
negro lençol de poeira
Gertrudes pariu um filho
como se fosse uma ovelha
Nem por isso houve festa
quebrou-se o monótono ritmo
dos enxadecos no chão
Nesta terra tantos morram
que outros serão paridos
serão servidos na mesa
tantos braços escravos
quanto as léguas
das sesmarias sem-fim
Aqui a vida estrebucha
corpo humano é queimado
como lenha da caldeira
Liberdade se contorce
espezinhada pelas botas
do senhor doutor coronel
984
Rosalina Coelho Lisboa
S Luís
Na caravela real, que o mar verde balança,
Entre adeuses febris da multidão em terra,
E êneos choques casuais de petrechos de guerra,
Embarca a fina flor da nobreza de França.
O velame se enfuna a um vento de bonança,
E essa legião de heróis, que o destino desterra,
Na ambição de lutar e de vencer, encerra
Em páreas e troféus a guerreira esperança.
Na fé, que lhe enche o olhar e lhe ilumina o aspeito,
Um homem sobressai de soberano porte;
Traz da cruz, na loriga, o símbolo perfeito:
— É el-rei S. Luís, que vai, abroquelado e forte,
O orgulho à fronte, o gládio à mão, o escudo ao peito,
Cavaleiro de Deus, à conquista da morte!
Entre adeuses febris da multidão em terra,
E êneos choques casuais de petrechos de guerra,
Embarca a fina flor da nobreza de França.
O velame se enfuna a um vento de bonança,
E essa legião de heróis, que o destino desterra,
Na ambição de lutar e de vencer, encerra
Em páreas e troféus a guerreira esperança.
Na fé, que lhe enche o olhar e lhe ilumina o aspeito,
Um homem sobressai de soberano porte;
Traz da cruz, na loriga, o símbolo perfeito:
— É el-rei S. Luís, que vai, abroquelado e forte,
O orgulho à fronte, o gládio à mão, o escudo ao peito,
Cavaleiro de Deus, à conquista da morte!
485
Rosalina Coelho Lisboa
S Luís
Na caravela real, que o mar verde balança,
Entre adeuses febris da multidão em terra,
E êneos choques casuais de petrechos de guerra,
Embarca a fina flor da nobreza de França.
O velame se enfuna a um vento de bonança,
E essa legião de heróis, que o destino desterra,
Na ambição de lutar e de vencer, encerra
Em páreas e troféus a guerreira esperança.
Na fé, que lhe enche o olhar e lhe ilumina o aspeito,
Um homem sobressai de soberano porte;
Traz da cruz, na loriga, o símbolo perfeito:
— É el-rei S. Luís, que vai, abroquelado e forte,
O orgulho à fronte, o gládio à mão, o escudo ao peito,
Cavaleiro de Deus, à conquista da morte!
Entre adeuses febris da multidão em terra,
E êneos choques casuais de petrechos de guerra,
Embarca a fina flor da nobreza de França.
O velame se enfuna a um vento de bonança,
E essa legião de heróis, que o destino desterra,
Na ambição de lutar e de vencer, encerra
Em páreas e troféus a guerreira esperança.
Na fé, que lhe enche o olhar e lhe ilumina o aspeito,
Um homem sobressai de soberano porte;
Traz da cruz, na loriga, o símbolo perfeito:
— É el-rei S. Luís, que vai, abroquelado e forte,
O orgulho à fronte, o gládio à mão, o escudo ao peito,
Cavaleiro de Deus, à conquista da morte!
485
Raimundo Fontenele
Poética
curvos e curvas
sopram mais que males
no cordão dos ares
da verdade nua
nua e crua como
a palidez do sono
quando a natureza
dos pés à cabeça
nos pergunta: como?
palha gralha linda
calvo favo aceso
lâmpada do nada
sobre o pó desfeito
de um chão fugido
por bicar um pássaro
maçã tarde e calma
Ah! eu adormeço...
longe e longo tomo
um farol sumido
nos confins da noite
grito, coração, que grito?
fala para a ala
dúbio alvorecer
fala parasia
antes de morrer
do capim dourado
morivigerando
no verdor da lua
salta o sol de quando
tudo era na erva
o fluxo de existir
vida-taça, gota
do ser no devir.
sopram mais que males
no cordão dos ares
da verdade nua
nua e crua como
a palidez do sono
quando a natureza
dos pés à cabeça
nos pergunta: como?
palha gralha linda
calvo favo aceso
lâmpada do nada
sobre o pó desfeito
de um chão fugido
por bicar um pássaro
maçã tarde e calma
Ah! eu adormeço...
longe e longo tomo
um farol sumido
nos confins da noite
grito, coração, que grito?
fala para a ala
dúbio alvorecer
fala parasia
antes de morrer
do capim dourado
morivigerando
no verdor da lua
salta o sol de quando
tudo era na erva
o fluxo de existir
vida-taça, gota
do ser no devir.
982
Raimundo Fontenele
Poética
curvos e curvas
sopram mais que males
no cordão dos ares
da verdade nua
nua e crua como
a palidez do sono
quando a natureza
dos pés à cabeça
nos pergunta: como?
palha gralha linda
calvo favo aceso
lâmpada do nada
sobre o pó desfeito
de um chão fugido
por bicar um pássaro
maçã tarde e calma
Ah! eu adormeço...
longe e longo tomo
um farol sumido
nos confins da noite
grito, coração, que grito?
fala para a ala
dúbio alvorecer
fala parasia
antes de morrer
do capim dourado
morivigerando
no verdor da lua
salta o sol de quando
tudo era na erva
o fluxo de existir
vida-taça, gota
do ser no devir.
sopram mais que males
no cordão dos ares
da verdade nua
nua e crua como
a palidez do sono
quando a natureza
dos pés à cabeça
nos pergunta: como?
palha gralha linda
calvo favo aceso
lâmpada do nada
sobre o pó desfeito
de um chão fugido
por bicar um pássaro
maçã tarde e calma
Ah! eu adormeço...
longe e longo tomo
um farol sumido
nos confins da noite
grito, coração, que grito?
fala para a ala
dúbio alvorecer
fala parasia
antes de morrer
do capim dourado
morivigerando
no verdor da lua
salta o sol de quando
tudo era na erva
o fluxo de existir
vida-taça, gota
do ser no devir.
982
Raimundo Fontenele
Poética
curvos e curvas
sopram mais que males
no cordão dos ares
da verdade nua
nua e crua como
a palidez do sono
quando a natureza
dos pés à cabeça
nos pergunta: como?
palha gralha linda
calvo favo aceso
lâmpada do nada
sobre o pó desfeito
de um chão fugido
por bicar um pássaro
maçã tarde e calma
Ah! eu adormeço...
longe e longo tomo
um farol sumido
nos confins da noite
grito, coração, que grito?
fala para a ala
dúbio alvorecer
fala parasia
antes de morrer
do capim dourado
morivigerando
no verdor da lua
salta o sol de quando
tudo era na erva
o fluxo de existir
vida-taça, gota
do ser no devir.
sopram mais que males
no cordão dos ares
da verdade nua
nua e crua como
a palidez do sono
quando a natureza
dos pés à cabeça
nos pergunta: como?
palha gralha linda
calvo favo aceso
lâmpada do nada
sobre o pó desfeito
de um chão fugido
por bicar um pássaro
maçã tarde e calma
Ah! eu adormeço...
longe e longo tomo
um farol sumido
nos confins da noite
grito, coração, que grito?
fala para a ala
dúbio alvorecer
fala parasia
antes de morrer
do capim dourado
morivigerando
no verdor da lua
salta o sol de quando
tudo era na erva
o fluxo de existir
vida-taça, gota
do ser no devir.
982
Ribamar Feitosa
Cantiga de Ninar Mamãe
Dorme, mamãe,
do meu coração,
o bicho papão
não vem te comer.
Dorme, mamãe,
que eu vou vigiar
e a cuca
maluca
não vem te pegar.
Dorme, mamãe,
não tenhas mais medo
de tudo e de nada,
de bruxa malvada
que faz a careta,
de bois perigosos
de cara bem preta.
Dorme, mamãe,
é tão bom ver você
nesta cama deitada.
Eu sou pequenina,
mas posso ficar
um instante acordada.
Dorme, mamãe,
um anjo chegou
e, devagar,
nos beijou.
E você, mamãezinha,
mais bonita ficou.
do meu coração,
o bicho papão
não vem te comer.
Dorme, mamãe,
que eu vou vigiar
e a cuca
maluca
não vem te pegar.
Dorme, mamãe,
não tenhas mais medo
de tudo e de nada,
de bruxa malvada
que faz a careta,
de bois perigosos
de cara bem preta.
Dorme, mamãe,
é tão bom ver você
nesta cama deitada.
Eu sou pequenina,
mas posso ficar
um instante acordada.
Dorme, mamãe,
um anjo chegou
e, devagar,
nos beijou.
E você, mamãezinha,
mais bonita ficou.
729
Renato Castelo Branco
Retorno
Um dia voltarei a ser terra
e de meu seio brotarão
flores agrestes.
Um dia voltarei a ser húmus
e nutrirei velhas árvores
de rubros frutos.
Um dia voltarei a ser pó
e água
e seiva.
E viverei em rochas,
raízes vegetais,
vagas do oceano.
Um dia eu serei
o que já fui.
e de meu seio brotarão
flores agrestes.
Um dia voltarei a ser húmus
e nutrirei velhas árvores
de rubros frutos.
Um dia voltarei a ser pó
e água
e seiva.
E viverei em rochas,
raízes vegetais,
vagas do oceano.
Um dia eu serei
o que já fui.
1 693
Renato Castelo Branco
Retorno
Um dia voltarei a ser terra
e de meu seio brotarão
flores agrestes.
Um dia voltarei a ser húmus
e nutrirei velhas árvores
de rubros frutos.
Um dia voltarei a ser pó
e água
e seiva.
E viverei em rochas,
raízes vegetais,
vagas do oceano.
Um dia eu serei
o que já fui.
e de meu seio brotarão
flores agrestes.
Um dia voltarei a ser húmus
e nutrirei velhas árvores
de rubros frutos.
Um dia voltarei a ser pó
e água
e seiva.
E viverei em rochas,
raízes vegetais,
vagas do oceano.
Um dia eu serei
o que já fui.
1 693
Renato Castelo Branco
Retorno
Um dia voltarei a ser terra
e de meu seio brotarão
flores agrestes.
Um dia voltarei a ser húmus
e nutrirei velhas árvores
de rubros frutos.
Um dia voltarei a ser pó
e água
e seiva.
E viverei em rochas,
raízes vegetais,
vagas do oceano.
Um dia eu serei
o que já fui.
e de meu seio brotarão
flores agrestes.
Um dia voltarei a ser húmus
e nutrirei velhas árvores
de rubros frutos.
Um dia voltarei a ser pó
e água
e seiva.
E viverei em rochas,
raízes vegetais,
vagas do oceano.
Um dia eu serei
o que já fui.
1 693
Renato Castelo Branco
Retorno
Um dia voltarei a ser terra
e de meu seio brotarão
flores agrestes.
Um dia voltarei a ser húmus
e nutrirei velhas árvores
de rubros frutos.
Um dia voltarei a ser pó
e água
e seiva.
E viverei em rochas,
raízes vegetais,
vagas do oceano.
Um dia eu serei
o que já fui.
e de meu seio brotarão
flores agrestes.
Um dia voltarei a ser húmus
e nutrirei velhas árvores
de rubros frutos.
Um dia voltarei a ser pó
e água
e seiva.
E viverei em rochas,
raízes vegetais,
vagas do oceano.
Um dia eu serei
o que já fui.
1 693
Rogério Bessa
Soneto da Amada
vou perdido e achado em ti
em tempo partida do mundo sem tempo
tempo de omissão de todos os cuidados
para o mundo da tua presença
vou achado e perdido em ti
duas vidas solam um só tempo
vida de mãos dadas
de morno amor de seios
vou perdido e achado em ti
dormindo no sem tempo
à sombra do eterno
vou durmo esqueço à sombra em ti a
árvore de natal está linda
perdido e achado caminho e não ando.
em tempo partida do mundo sem tempo
tempo de omissão de todos os cuidados
para o mundo da tua presença
vou achado e perdido em ti
duas vidas solam um só tempo
vida de mãos dadas
de morno amor de seios
vou perdido e achado em ti
dormindo no sem tempo
à sombra do eterno
vou durmo esqueço à sombra em ti a
árvore de natal está linda
perdido e achado caminho e não ando.
962
Renato Castelo Branco
Brasil
Não te verei, Brasil,
a grande pátria dos trópicos.
Não te verei, remido,
igualares o sonho
dos teus artistas e dos teus poetas.
Não te verei
abençoado por teus filhos,
Canaã prometida,
terra que mana leite e mel.
Mas estarei presente à tua glória
no sangue dos meus filhos
e dos netos dos meus netos.
a grande pátria dos trópicos.
Não te verei, remido,
igualares o sonho
dos teus artistas e dos teus poetas.
Não te verei
abençoado por teus filhos,
Canaã prometida,
terra que mana leite e mel.
Mas estarei presente à tua glória
no sangue dos meus filhos
e dos netos dos meus netos.
1 058
Rogério Bessa
Elegia do Coentro
o canteiro não o faz mais verde
namoram-lhe as sementes os pássaros
cuidado de mulher o ajeita
do vento que o entortou
vegetal de vida útil e breve
que nasce verde e verde morre
não lhe será longa a vida
as folhas amarelecendo
coentro, tempero de alguns
destempero de si próprio
utilidade verde da vida
brevidade verde de si mesmo.
namoram-lhe as sementes os pássaros
cuidado de mulher o ajeita
do vento que o entortou
vegetal de vida útil e breve
que nasce verde e verde morre
não lhe será longa a vida
as folhas amarelecendo
coentro, tempero de alguns
destempero de si próprio
utilidade verde da vida
brevidade verde de si mesmo.
1 612
Rogério Bessa
Elegia do Coentro
o canteiro não o faz mais verde
namoram-lhe as sementes os pássaros
cuidado de mulher o ajeita
do vento que o entortou
vegetal de vida útil e breve
que nasce verde e verde morre
não lhe será longa a vida
as folhas amarelecendo
coentro, tempero de alguns
destempero de si próprio
utilidade verde da vida
brevidade verde de si mesmo.
namoram-lhe as sementes os pássaros
cuidado de mulher o ajeita
do vento que o entortou
vegetal de vida útil e breve
que nasce verde e verde morre
não lhe será longa a vida
as folhas amarelecendo
coentro, tempero de alguns
destempero de si próprio
utilidade verde da vida
brevidade verde de si mesmo.
1 612