Poemas neste tema
Vida e Existência
Mário Hélio
24-IV (Espaçonavegavelar)
num acúmulo de horas vejo coisa rodopiar
através de cabeça por se desvendar
através do espaçoar
do mar
num acúmulo de oras vejo rosto corar
vejo a prece do medo do modo do homem gritar
através do escaçomar
do ar
num acúmulo de ras tos nareia domar
vejo gente morrendo ao se procurar
anular
num acúmulo de ascosturandoobarcomopodeumsóhomem
tanta coisa desvendar?
através de cabeça por se desvendar
através do espaçoar
do mar
num acúmulo de oras vejo rosto corar
vejo a prece do medo do modo do homem gritar
através do escaçomar
do ar
num acúmulo de ras tos nareia domar
vejo gente morrendo ao se procurar
anular
num acúmulo de ascosturandoobarcomopodeumsóhomem
tanta coisa desvendar?
625
Mário Hélio
24-IV (Espaçonavegavelar)
num acúmulo de horas vejo coisa rodopiar
através de cabeça por se desvendar
através do espaçoar
do mar
num acúmulo de oras vejo rosto corar
vejo a prece do medo do modo do homem gritar
através do escaçomar
do ar
num acúmulo de ras tos nareia domar
vejo gente morrendo ao se procurar
anular
num acúmulo de ascosturandoobarcomopodeumsóhomem
tanta coisa desvendar?
através de cabeça por se desvendar
através do espaçoar
do mar
num acúmulo de oras vejo rosto corar
vejo a prece do medo do modo do homem gritar
através do escaçomar
do ar
num acúmulo de ras tos nareia domar
vejo gente morrendo ao se procurar
anular
num acúmulo de ascosturandoobarcomopodeumsóhomem
tanta coisa desvendar?
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Mário Hélio
13-III(Quid Novi)
a velhice das plantas
acostumadas a serem o que são
sem perguntarem o que são?
quid novi?
o ovni que sobrevvvvou rapidamente a mente
da cidade sumiu depois com o vazio?
quid novi?
o velho sempre argumentar-se que há de novo?
a velha olhada no espelho
depois estilhaçado e volvido ao que era antes
de ser?
quid novi? a morte aditiva? a vida minutiva?
quid novi? a velocidade? a passivilidade? as idades
todas?
e depois de tantotempo perdido em procurar ven-
cer o tempo constatar que não há tempo nunca houve
quid novi?
a morte?
morremos todo dia e não percebemos
eu não sei porque nos preocupamos
tu não existes insistes
ecoas coas asas ásperas do nada
entretanto sentimorste presente
irreconhecível irrepreensível.
não falas com ninguém, te ouvimos.
quem dera fôssemos eli-
eli-
minando tudo
e não restasse morte
pra manchar ávida a vida.
quid novi?
nada há,
e passa a existir
ao se negar.
acostumadas a serem o que são
sem perguntarem o que são?
quid novi?
o ovni que sobrevvvvou rapidamente a mente
da cidade sumiu depois com o vazio?
quid novi?
o velho sempre argumentar-se que há de novo?
a velha olhada no espelho
depois estilhaçado e volvido ao que era antes
de ser?
quid novi? a morte aditiva? a vida minutiva?
quid novi? a velocidade? a passivilidade? as idades
todas?
e depois de tantotempo perdido em procurar ven-
cer o tempo constatar que não há tempo nunca houve
quid novi?
a morte?
morremos todo dia e não percebemos
eu não sei porque nos preocupamos
tu não existes insistes
ecoas coas asas ásperas do nada
entretanto sentimorste presente
irreconhecível irrepreensível.
não falas com ninguém, te ouvimos.
quem dera fôssemos eli-
eli-
minando tudo
e não restasse morte
pra manchar ávida a vida.
quid novi?
nada há,
e passa a existir
ao se negar.
877
Mário Hélio
13-III(Quid Novi)
a velhice das plantas
acostumadas a serem o que são
sem perguntarem o que são?
quid novi?
o ovni que sobrevvvvou rapidamente a mente
da cidade sumiu depois com o vazio?
quid novi?
o velho sempre argumentar-se que há de novo?
a velha olhada no espelho
depois estilhaçado e volvido ao que era antes
de ser?
quid novi? a morte aditiva? a vida minutiva?
quid novi? a velocidade? a passivilidade? as idades
todas?
e depois de tantotempo perdido em procurar ven-
cer o tempo constatar que não há tempo nunca houve
quid novi?
a morte?
morremos todo dia e não percebemos
eu não sei porque nos preocupamos
tu não existes insistes
ecoas coas asas ásperas do nada
entretanto sentimorste presente
irreconhecível irrepreensível.
não falas com ninguém, te ouvimos.
quem dera fôssemos eli-
eli-
minando tudo
e não restasse morte
pra manchar ávida a vida.
quid novi?
nada há,
e passa a existir
ao se negar.
acostumadas a serem o que são
sem perguntarem o que são?
quid novi?
o ovni que sobrevvvvou rapidamente a mente
da cidade sumiu depois com o vazio?
quid novi?
o velho sempre argumentar-se que há de novo?
a velha olhada no espelho
depois estilhaçado e volvido ao que era antes
de ser?
quid novi? a morte aditiva? a vida minutiva?
quid novi? a velocidade? a passivilidade? as idades
todas?
e depois de tantotempo perdido em procurar ven-
cer o tempo constatar que não há tempo nunca houve
quid novi?
a morte?
morremos todo dia e não percebemos
eu não sei porque nos preocupamos
tu não existes insistes
ecoas coas asas ásperas do nada
entretanto sentimorste presente
irreconhecível irrepreensível.
não falas com ninguém, te ouvimos.
quem dera fôssemos eli-
eli-
minando tudo
e não restasse morte
pra manchar ávida a vida.
quid novi?
nada há,
e passa a existir
ao se negar.
877
Mário Hélio
13-III(Quid Novi)
a velhice das plantas
acostumadas a serem o que são
sem perguntarem o que são?
quid novi?
o ovni que sobrevvvvou rapidamente a mente
da cidade sumiu depois com o vazio?
quid novi?
o velho sempre argumentar-se que há de novo?
a velha olhada no espelho
depois estilhaçado e volvido ao que era antes
de ser?
quid novi? a morte aditiva? a vida minutiva?
quid novi? a velocidade? a passivilidade? as idades
todas?
e depois de tantotempo perdido em procurar ven-
cer o tempo constatar que não há tempo nunca houve
quid novi?
a morte?
morremos todo dia e não percebemos
eu não sei porque nos preocupamos
tu não existes insistes
ecoas coas asas ásperas do nada
entretanto sentimorste presente
irreconhecível irrepreensível.
não falas com ninguém, te ouvimos.
quem dera fôssemos eli-
eli-
minando tudo
e não restasse morte
pra manchar ávida a vida.
quid novi?
nada há,
e passa a existir
ao se negar.
acostumadas a serem o que são
sem perguntarem o que são?
quid novi?
o ovni que sobrevvvvou rapidamente a mente
da cidade sumiu depois com o vazio?
quid novi?
o velho sempre argumentar-se que há de novo?
a velha olhada no espelho
depois estilhaçado e volvido ao que era antes
de ser?
quid novi? a morte aditiva? a vida minutiva?
quid novi? a velocidade? a passivilidade? as idades
todas?
e depois de tantotempo perdido em procurar ven-
cer o tempo constatar que não há tempo nunca houve
quid novi?
a morte?
morremos todo dia e não percebemos
eu não sei porque nos preocupamos
tu não existes insistes
ecoas coas asas ásperas do nada
entretanto sentimorste presente
irreconhecível irrepreensível.
não falas com ninguém, te ouvimos.
quem dera fôssemos eli-
eli-
minando tudo
e não restasse morte
pra manchar ávida a vida.
quid novi?
nada há,
e passa a existir
ao se negar.
877
Mário Hélio
13-III(Quid Novi)
a velhice das plantas
acostumadas a serem o que são
sem perguntarem o que são?
quid novi?
o ovni que sobrevvvvou rapidamente a mente
da cidade sumiu depois com o vazio?
quid novi?
o velho sempre argumentar-se que há de novo?
a velha olhada no espelho
depois estilhaçado e volvido ao que era antes
de ser?
quid novi? a morte aditiva? a vida minutiva?
quid novi? a velocidade? a passivilidade? as idades
todas?
e depois de tantotempo perdido em procurar ven-
cer o tempo constatar que não há tempo nunca houve
quid novi?
a morte?
morremos todo dia e não percebemos
eu não sei porque nos preocupamos
tu não existes insistes
ecoas coas asas ásperas do nada
entretanto sentimorste presente
irreconhecível irrepreensível.
não falas com ninguém, te ouvimos.
quem dera fôssemos eli-
eli-
minando tudo
e não restasse morte
pra manchar ávida a vida.
quid novi?
nada há,
e passa a existir
ao se negar.
acostumadas a serem o que são
sem perguntarem o que são?
quid novi?
o ovni que sobrevvvvou rapidamente a mente
da cidade sumiu depois com o vazio?
quid novi?
o velho sempre argumentar-se que há de novo?
a velha olhada no espelho
depois estilhaçado e volvido ao que era antes
de ser?
quid novi? a morte aditiva? a vida minutiva?
quid novi? a velocidade? a passivilidade? as idades
todas?
e depois de tantotempo perdido em procurar ven-
cer o tempo constatar que não há tempo nunca houve
quid novi?
a morte?
morremos todo dia e não percebemos
eu não sei porque nos preocupamos
tu não existes insistes
ecoas coas asas ásperas do nada
entretanto sentimorste presente
irreconhecível irrepreensível.
não falas com ninguém, te ouvimos.
quem dera fôssemos eli-
eli-
minando tudo
e não restasse morte
pra manchar ávida a vida.
quid novi?
nada há,
e passa a existir
ao se negar.
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Mário Hélio
19-IX(Impulso)
o algo hediondo que as mulheres abominavam
era a pureza
oculta e incolor.
tudo cede um certo impulso ao nada,
todas as palavrasestãosoltas
por isso seguindo um autoimpulso peço-te
que não anoiteças mais
-- a última vez não me senti feliz
em ver-te estrelada e enluarada
te negavas o fio da razão.
o chão que pisas talvez um dia sejardim.
tu não choras choves, teus olhos são sóis enfurnados,
tua bocaverna úmida, teu sexo cratera mágica.
sigo a um certo impulso de amar-te,
não te amo por amor sigo a um impulso,
se te amodeio a medo e por mais que fantasies
este ódioamor contínuo continuo dizendo
que trovejas trevas retrocedendo torrentes
constantes espaços que se movem
és uma miniatura do exterior que absorvo,
átomos seguindo determinadas pulsações,
sóis e não olhos, cratera arguta não sexo
e o resto em ti são espasmos convulsos
meros impulsos
era a pureza
oculta e incolor.
tudo cede um certo impulso ao nada,
todas as palavrasestãosoltas
por isso seguindo um autoimpulso peço-te
que não anoiteças mais
-- a última vez não me senti feliz
em ver-te estrelada e enluarada
te negavas o fio da razão.
o chão que pisas talvez um dia sejardim.
tu não choras choves, teus olhos são sóis enfurnados,
tua bocaverna úmida, teu sexo cratera mágica.
sigo a um certo impulso de amar-te,
não te amo por amor sigo a um impulso,
se te amodeio a medo e por mais que fantasies
este ódioamor contínuo continuo dizendo
que trovejas trevas retrocedendo torrentes
constantes espaços que se movem
és uma miniatura do exterior que absorvo,
átomos seguindo determinadas pulsações,
sóis e não olhos, cratera arguta não sexo
e o resto em ti são espasmos convulsos
meros impulsos
722
Mário Hélio
19-IX(Impulso)
o algo hediondo que as mulheres abominavam
era a pureza
oculta e incolor.
tudo cede um certo impulso ao nada,
todas as palavrasestãosoltas
por isso seguindo um autoimpulso peço-te
que não anoiteças mais
-- a última vez não me senti feliz
em ver-te estrelada e enluarada
te negavas o fio da razão.
o chão que pisas talvez um dia sejardim.
tu não choras choves, teus olhos são sóis enfurnados,
tua bocaverna úmida, teu sexo cratera mágica.
sigo a um certo impulso de amar-te,
não te amo por amor sigo a um impulso,
se te amodeio a medo e por mais que fantasies
este ódioamor contínuo continuo dizendo
que trovejas trevas retrocedendo torrentes
constantes espaços que se movem
és uma miniatura do exterior que absorvo,
átomos seguindo determinadas pulsações,
sóis e não olhos, cratera arguta não sexo
e o resto em ti são espasmos convulsos
meros impulsos
era a pureza
oculta e incolor.
tudo cede um certo impulso ao nada,
todas as palavrasestãosoltas
por isso seguindo um autoimpulso peço-te
que não anoiteças mais
-- a última vez não me senti feliz
em ver-te estrelada e enluarada
te negavas o fio da razão.
o chão que pisas talvez um dia sejardim.
tu não choras choves, teus olhos são sóis enfurnados,
tua bocaverna úmida, teu sexo cratera mágica.
sigo a um certo impulso de amar-te,
não te amo por amor sigo a um impulso,
se te amodeio a medo e por mais que fantasies
este ódioamor contínuo continuo dizendo
que trovejas trevas retrocedendo torrentes
constantes espaços que se movem
és uma miniatura do exterior que absorvo,
átomos seguindo determinadas pulsações,
sóis e não olhos, cratera arguta não sexo
e o resto em ti são espasmos convulsos
meros impulsos
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Mário Hélio
8 - VIII (Révora)
eu pensei que não seria o único
a penetrar sorrateiro em tua alcova
e beber o lume e a lama de tantos corpos.
nós estávamos um pouco tristes,
e nus sabíamos os últimos puros.
o suor saía dos teus poros,
e eu já para ti algum escudo
quando a luz da escuridão nos envolvia.
e tu volvias, amiga.
eu não sabia que vias poesia em tudo.
teu lábio, contudo, emudecia, umedecia-se de orvalho,
e nós estávamos mudos.
foi quando o anjo singular da fantasia
despiu-se mostrando-se todo.
e então em um ato sublime
também te deitaste em mim
como um jardim em espinhos.
tu não sabes que este não é o caminho?
não atinavas, estavas sozinha, e eu, sozinho,
brincando com a tua agonia.
eu não sabia que vias poesia em tudo.
mas o que esse tudo abrangia?
a mim? a nós? ou ao que me iludo
adaptando-me moldando-me à alegria
que existia sempre? sempre até quando?
e ser preciso morrer de vez em quando
e ser preciso precisar-te que preciso
e aguardo-te, e guardo teu riso no meu viso
que sem ter mais o que espelhar
vai-se espelhando narciso.
eu vi um vulto sem saber que via,
sem saber que vias poesia em tudo.
veneno doce que bebido mata
mas que embebido só numa canastra
arde e maltrata só.
mas que importa toda parafasia
ou monomania de dois nomes
se é substantivo poesia
e tudo é indefinido pronome?
a penetrar sorrateiro em tua alcova
e beber o lume e a lama de tantos corpos.
nós estávamos um pouco tristes,
e nus sabíamos os últimos puros.
o suor saía dos teus poros,
e eu já para ti algum escudo
quando a luz da escuridão nos envolvia.
e tu volvias, amiga.
eu não sabia que vias poesia em tudo.
teu lábio, contudo, emudecia, umedecia-se de orvalho,
e nós estávamos mudos.
foi quando o anjo singular da fantasia
despiu-se mostrando-se todo.
e então em um ato sublime
também te deitaste em mim
como um jardim em espinhos.
tu não sabes que este não é o caminho?
não atinavas, estavas sozinha, e eu, sozinho,
brincando com a tua agonia.
eu não sabia que vias poesia em tudo.
mas o que esse tudo abrangia?
a mim? a nós? ou ao que me iludo
adaptando-me moldando-me à alegria
que existia sempre? sempre até quando?
e ser preciso morrer de vez em quando
e ser preciso precisar-te que preciso
e aguardo-te, e guardo teu riso no meu viso
que sem ter mais o que espelhar
vai-se espelhando narciso.
eu vi um vulto sem saber que via,
sem saber que vias poesia em tudo.
veneno doce que bebido mata
mas que embebido só numa canastra
arde e maltrata só.
mas que importa toda parafasia
ou monomania de dois nomes
se é substantivo poesia
e tudo é indefinido pronome?
670
Lyad de Almeida
Haicai
Favela. A lua
faz das latas dos barracos
finas pratarias.
Finados.
Sacrifício das flores
para embelezar a morte.
faz das latas dos barracos
finas pratarias.
Finados.
Sacrifício das flores
para embelezar a morte.
858
Loyola Rodrigues
Menino no Mundo
O homem no mundo é sempre um menino
tão perdido em meio ao mundo vão;
o homem no mundo cumpre o destino
de andar buscando em vão a razão.
O homem no mundo é pois descontente:
perde o que tem, não acha o que busca,
ora se perde na escuridão,
ora é a luz fortíssima que o ofusca.
Umas vezes rindo, outras chorando,
tão perdido em meio ao mundo vão,
o homem no mundo cumpre o destino
de buscar a idade da razão.
O homem no mundo é sempre um menino
tão perdido em meio ao mundo vão.
tão perdido em meio ao mundo vão;
o homem no mundo cumpre o destino
de andar buscando em vão a razão.
O homem no mundo é pois descontente:
perde o que tem, não acha o que busca,
ora se perde na escuridão,
ora é a luz fortíssima que o ofusca.
Umas vezes rindo, outras chorando,
tão perdido em meio ao mundo vão,
o homem no mundo cumpre o destino
de buscar a idade da razão.
O homem no mundo é sempre um menino
tão perdido em meio ao mundo vão.
914
Loyola Rodrigues
Menino no Mundo
O homem no mundo é sempre um menino
tão perdido em meio ao mundo vão;
o homem no mundo cumpre o destino
de andar buscando em vão a razão.
O homem no mundo é pois descontente:
perde o que tem, não acha o que busca,
ora se perde na escuridão,
ora é a luz fortíssima que o ofusca.
Umas vezes rindo, outras chorando,
tão perdido em meio ao mundo vão,
o homem no mundo cumpre o destino
de buscar a idade da razão.
O homem no mundo é sempre um menino
tão perdido em meio ao mundo vão.
tão perdido em meio ao mundo vão;
o homem no mundo cumpre o destino
de andar buscando em vão a razão.
O homem no mundo é pois descontente:
perde o que tem, não acha o que busca,
ora se perde na escuridão,
ora é a luz fortíssima que o ofusca.
Umas vezes rindo, outras chorando,
tão perdido em meio ao mundo vão,
o homem no mundo cumpre o destino
de buscar a idade da razão.
O homem no mundo é sempre um menino
tão perdido em meio ao mundo vão.
914
Loyola Rodrigues
Menino no Mundo
O homem no mundo é sempre um menino
tão perdido em meio ao mundo vão;
o homem no mundo cumpre o destino
de andar buscando em vão a razão.
O homem no mundo é pois descontente:
perde o que tem, não acha o que busca,
ora se perde na escuridão,
ora é a luz fortíssima que o ofusca.
Umas vezes rindo, outras chorando,
tão perdido em meio ao mundo vão,
o homem no mundo cumpre o destino
de buscar a idade da razão.
O homem no mundo é sempre um menino
tão perdido em meio ao mundo vão.
tão perdido em meio ao mundo vão;
o homem no mundo cumpre o destino
de andar buscando em vão a razão.
O homem no mundo é pois descontente:
perde o que tem, não acha o que busca,
ora se perde na escuridão,
ora é a luz fortíssima que o ofusca.
Umas vezes rindo, outras chorando,
tão perdido em meio ao mundo vão,
o homem no mundo cumpre o destino
de buscar a idade da razão.
O homem no mundo é sempre um menino
tão perdido em meio ao mundo vão.
914
Luciano Matheus Tamiozzo
Deixo-me Perder
Deixo-me perder
No azul de teus olhos,
Na tua pele rosada,
Nos teus cabelos aloirados.
Deixo-me perder
Nos teus lábios rubros,
Nas tuas mãos macias,
No calor de teu abraço.
Deixo-me perder
Em pensamentos
E palavras.
Deixo-me perder
Num olhar
Até ti.
No azul de teus olhos,
Na tua pele rosada,
Nos teus cabelos aloirados.
Deixo-me perder
Nos teus lábios rubros,
Nas tuas mãos macias,
No calor de teu abraço.
Deixo-me perder
Em pensamentos
E palavras.
Deixo-me perder
Num olhar
Até ti.
1 012
Luiz Nogueira Barros
Do Lírio e da Estrela
De certezas foi a ponte construída.
E a estação, de aromas benfazejos,
fazia antesonhar a flor
nutrida do silêncio da procura.
Calmo rio, teu profundo olhar
ainda refletia lembranças delicadas
dos verdes vales dos caminhos que,
arriscando paisagens proseguiste,
trazendo em teu ventre o intocado
lírio para a festa das fronteiras
da madrugada consumida em chamas.
E quando despertamos era noite ainda:
e o lírio feito estrela já brilhava
- incorporado ao céu das nossas vidas.
E a estação, de aromas benfazejos,
fazia antesonhar a flor
nutrida do silêncio da procura.
Calmo rio, teu profundo olhar
ainda refletia lembranças delicadas
dos verdes vales dos caminhos que,
arriscando paisagens proseguiste,
trazendo em teu ventre o intocado
lírio para a festa das fronteiras
da madrugada consumida em chamas.
E quando despertamos era noite ainda:
e o lírio feito estrela já brilhava
- incorporado ao céu das nossas vidas.
904
Luiz Moraes
A Morte de Nel
Virgem santa ignorância
onde só viram o ABC,
De doença estoporada
Muitos lá vivem a morrer.
Foi mais um fato concreto
Pois muitos viram de perto
o que aqui vou descrever.
Lá pras bandas onde nasci
Morava um NEL bom de cana,
Uma mulher e três filhos
Em uma pobre choupana.
Se houvesse todo dia
Aguardente ele bebia
Como achava isso bacana.
Um dia uma simples febre
Causando-lhe alguma dor,
Falaram logo é mulesta
Com o ramo de estopor,
Se escapar fica imperfeito
Aí só pode dar jeito
Se for um bom benzedor.
Vá chamar seu Filomeno
Pra benzer não tem melhor,
Tem também João Cachoeira
Que curou a minha vó,
Corre depressa menino
Se não achar trás Orcino
Que o homem já está pior.
Um dos mateiro confirma
Isso é mulesta do ar,
Só cristé de pino roxo
Bota água pra mornar
Enquanto o remédio apronta
Azeite e dez pílula contra
Dão logo pra ele tomar.
Depois de tudo tomado
Ele foi se esmorecendo,
Todo comê vinha fora
E a barriga crescendo,
Deram outra misturada
Não demorou a zoada
Meu Deus, o NEL tá morrendo!
E assim muitos perecem
Enganados pela crença,
Sob o mal sem lenitivo
Onde a cura é uma sentença.
De purgante e de cristé
Intoxicaram mané
Sem acertar com a doença.
onde só viram o ABC,
De doença estoporada
Muitos lá vivem a morrer.
Foi mais um fato concreto
Pois muitos viram de perto
o que aqui vou descrever.
Lá pras bandas onde nasci
Morava um NEL bom de cana,
Uma mulher e três filhos
Em uma pobre choupana.
Se houvesse todo dia
Aguardente ele bebia
Como achava isso bacana.
Um dia uma simples febre
Causando-lhe alguma dor,
Falaram logo é mulesta
Com o ramo de estopor,
Se escapar fica imperfeito
Aí só pode dar jeito
Se for um bom benzedor.
Vá chamar seu Filomeno
Pra benzer não tem melhor,
Tem também João Cachoeira
Que curou a minha vó,
Corre depressa menino
Se não achar trás Orcino
Que o homem já está pior.
Um dos mateiro confirma
Isso é mulesta do ar,
Só cristé de pino roxo
Bota água pra mornar
Enquanto o remédio apronta
Azeite e dez pílula contra
Dão logo pra ele tomar.
Depois de tudo tomado
Ele foi se esmorecendo,
Todo comê vinha fora
E a barriga crescendo,
Deram outra misturada
Não demorou a zoada
Meu Deus, o NEL tá morrendo!
E assim muitos perecem
Enganados pela crença,
Sob o mal sem lenitivo
Onde a cura é uma sentença.
De purgante e de cristé
Intoxicaram mané
Sem acertar com a doença.
1 054
Luiz Moraes
A Morte de Nel
Virgem santa ignorância
onde só viram o ABC,
De doença estoporada
Muitos lá vivem a morrer.
Foi mais um fato concreto
Pois muitos viram de perto
o que aqui vou descrever.
Lá pras bandas onde nasci
Morava um NEL bom de cana,
Uma mulher e três filhos
Em uma pobre choupana.
Se houvesse todo dia
Aguardente ele bebia
Como achava isso bacana.
Um dia uma simples febre
Causando-lhe alguma dor,
Falaram logo é mulesta
Com o ramo de estopor,
Se escapar fica imperfeito
Aí só pode dar jeito
Se for um bom benzedor.
Vá chamar seu Filomeno
Pra benzer não tem melhor,
Tem também João Cachoeira
Que curou a minha vó,
Corre depressa menino
Se não achar trás Orcino
Que o homem já está pior.
Um dos mateiro confirma
Isso é mulesta do ar,
Só cristé de pino roxo
Bota água pra mornar
Enquanto o remédio apronta
Azeite e dez pílula contra
Dão logo pra ele tomar.
Depois de tudo tomado
Ele foi se esmorecendo,
Todo comê vinha fora
E a barriga crescendo,
Deram outra misturada
Não demorou a zoada
Meu Deus, o NEL tá morrendo!
E assim muitos perecem
Enganados pela crença,
Sob o mal sem lenitivo
Onde a cura é uma sentença.
De purgante e de cristé
Intoxicaram mané
Sem acertar com a doença.
onde só viram o ABC,
De doença estoporada
Muitos lá vivem a morrer.
Foi mais um fato concreto
Pois muitos viram de perto
o que aqui vou descrever.
Lá pras bandas onde nasci
Morava um NEL bom de cana,
Uma mulher e três filhos
Em uma pobre choupana.
Se houvesse todo dia
Aguardente ele bebia
Como achava isso bacana.
Um dia uma simples febre
Causando-lhe alguma dor,
Falaram logo é mulesta
Com o ramo de estopor,
Se escapar fica imperfeito
Aí só pode dar jeito
Se for um bom benzedor.
Vá chamar seu Filomeno
Pra benzer não tem melhor,
Tem também João Cachoeira
Que curou a minha vó,
Corre depressa menino
Se não achar trás Orcino
Que o homem já está pior.
Um dos mateiro confirma
Isso é mulesta do ar,
Só cristé de pino roxo
Bota água pra mornar
Enquanto o remédio apronta
Azeite e dez pílula contra
Dão logo pra ele tomar.
Depois de tudo tomado
Ele foi se esmorecendo,
Todo comê vinha fora
E a barriga crescendo,
Deram outra misturada
Não demorou a zoada
Meu Deus, o NEL tá morrendo!
E assim muitos perecem
Enganados pela crença,
Sob o mal sem lenitivo
Onde a cura é uma sentença.
De purgante e de cristé
Intoxicaram mané
Sem acertar com a doença.
1 054
Leopoldo Neto
Coreaú
Coreaú , minha terra querida
Do mesmo nome, te banha um rio ,
Onde muito tomei banho e senti frio ,
Na aurora da minha vida !...
És tu bela, és forte, mas traída ,
Por alguém que há muito, viste nascer
Mas , ainda tem , quem te dê guarida
Para quem te traiu , te ver crescer !...
És tão bela, que trouxeste inspiração ,
Para com versos, partidos do coração
Teu filho humilde te ofertar.
Estes versos, são para ti, terra nobre
De um filho , que nasceu em berço pobre...
Mas não te traiu , nem te trairá jamais !...
Do mesmo nome, te banha um rio ,
Onde muito tomei banho e senti frio ,
Na aurora da minha vida !...
És tu bela, és forte, mas traída ,
Por alguém que há muito, viste nascer
Mas , ainda tem , quem te dê guarida
Para quem te traiu , te ver crescer !...
És tão bela, que trouxeste inspiração ,
Para com versos, partidos do coração
Teu filho humilde te ofertar.
Estes versos, são para ti, terra nobre
De um filho , que nasceu em berço pobre...
Mas não te traiu , nem te trairá jamais !...
1 316
Leopoldo Neto
Coreaú
Coreaú , minha terra querida
Do mesmo nome, te banha um rio ,
Onde muito tomei banho e senti frio ,
Na aurora da minha vida !...
És tu bela, és forte, mas traída ,
Por alguém que há muito, viste nascer
Mas , ainda tem , quem te dê guarida
Para quem te traiu , te ver crescer !...
És tão bela, que trouxeste inspiração ,
Para com versos, partidos do coração
Teu filho humilde te ofertar.
Estes versos, são para ti, terra nobre
De um filho , que nasceu em berço pobre...
Mas não te traiu , nem te trairá jamais !...
Do mesmo nome, te banha um rio ,
Onde muito tomei banho e senti frio ,
Na aurora da minha vida !...
És tu bela, és forte, mas traída ,
Por alguém que há muito, viste nascer
Mas , ainda tem , quem te dê guarida
Para quem te traiu , te ver crescer !...
És tão bela, que trouxeste inspiração ,
Para com versos, partidos do coração
Teu filho humilde te ofertar.
Estes versos, são para ti, terra nobre
De um filho , que nasceu em berço pobre...
Mas não te traiu , nem te trairá jamais !...
1 316
Luiz Nogueira Barros
Do partir e do voltar
Partir. Voltar.
Outra vez partir
e outra vez voltar,
compõem somente
um quadro natural
do tentar-viver.
Se mais, talvez,
estranha sinfonia
de aflitos pés
buscando o tom da vida
com riscos de não ouvi-lo.
E assim,
para uma existência machucada
o sonho pode acabar numa única saída:
esquecer roteiros e apagar paisagens...
Outra vez partir
e outra vez voltar,
compõem somente
um quadro natural
do tentar-viver.
Se mais, talvez,
estranha sinfonia
de aflitos pés
buscando o tom da vida
com riscos de não ouvi-lo.
E assim,
para uma existência machucada
o sonho pode acabar numa única saída:
esquecer roteiros e apagar paisagens...
948
Luiz Nogueira Barros
Do partir e do voltar
Partir. Voltar.
Outra vez partir
e outra vez voltar,
compõem somente
um quadro natural
do tentar-viver.
Se mais, talvez,
estranha sinfonia
de aflitos pés
buscando o tom da vida
com riscos de não ouvi-lo.
E assim,
para uma existência machucada
o sonho pode acabar numa única saída:
esquecer roteiros e apagar paisagens...
Outra vez partir
e outra vez voltar,
compõem somente
um quadro natural
do tentar-viver.
Se mais, talvez,
estranha sinfonia
de aflitos pés
buscando o tom da vida
com riscos de não ouvi-lo.
E assim,
para uma existência machucada
o sonho pode acabar numa única saída:
esquecer roteiros e apagar paisagens...
948
Luiz de Aquino
Mudanças
Mudanças
Eu tenho uma vaga lembrança
deste prédio, desta casa.
Fui feliz aqui, eu sei,
mas me lembro pouco de ter estado aqui,
me lembro pouco de ter-te assim
tão próxima
e até de ter sido feliz.
Eu tenho uma vaga lembrança
de ter estado aqui
mas gosto de estar aqui.
E te convido para estar comigo
sempre
para estar comigo ao meu lado,
do meu lado,
onde estou daqui para sempre.
Eu tenho uma vaga lembrança
deste prédio, desta casa.
Fui feliz aqui, eu sei,
mas me lembro pouco de ter estado aqui,
me lembro pouco de ter-te assim
tão próxima
e até de ter sido feliz.
Eu tenho uma vaga lembrança
de ter estado aqui
mas gosto de estar aqui.
E te convido para estar comigo
sempre
para estar comigo ao meu lado,
do meu lado,
onde estou daqui para sempre.
976
Leny Mara Souza
Homem Luz
Surgiu você...
Criança...
Homem...
Carinho...
Afeto...
Interiormente conseguindo
Com que meu ser
Seja centelhas de luzes ardentes,
Infiltrando dentro
Do meu íntimo de mulher.
Você...
Como o sol que brilha os dias
Penetrou...
Sufocou...
Explodiu...
Dando a evasão de
Todos os meus desejos de mulher.
Surja... Surja...
Seja como o sol que ilumina
Toda uma existência
Neste mundo selvagem.
Criança...
Homem...
Carinho...
Afeto...
Interiormente conseguindo
Com que meu ser
Seja centelhas de luzes ardentes,
Infiltrando dentro
Do meu íntimo de mulher.
Você...
Como o sol que brilha os dias
Penetrou...
Sufocou...
Explodiu...
Dando a evasão de
Todos os meus desejos de mulher.
Surja... Surja...
Seja como o sol que ilumina
Toda uma existência
Neste mundo selvagem.
905