Poemas neste tema
Vida e Existência
H. Masuda Goga
Inverno
Na Praça da Sé,
tomando sol os idosos
sem falar nem ler.
Cipós-de-são-joão
rebentados pelas rodas
dum carro de boi...
tomando sol os idosos
sem falar nem ler.
Cipós-de-são-joão
rebentados pelas rodas
dum carro de boi...
916
Anderson Guerra
Conjunto Vazio
Será que um dia
vou poder estar
entre vocês, meus amigos,
sem explicar a que vim e
porque vivo?
Verei a interrogação
no campo morto
e sem tempo das línguas caducas?
Vivo e permaneço inquieto.
Não fosse a Providência
quem seria meu sofrimento?
Porque padeceria de angústia
se com sangue
eu limpasse a consciência?
Maldita interrogação!
vou poder estar
entre vocês, meus amigos,
sem explicar a que vim e
porque vivo?
Verei a interrogação
no campo morto
e sem tempo das línguas caducas?
Vivo e permaneço inquieto.
Não fosse a Providência
quem seria meu sofrimento?
Porque padeceria de angústia
se com sangue
eu limpasse a consciência?
Maldita interrogação!
864
Hélio Pellegrino
LHomme Révolté
Venho de um negro tempo irredutível,
anterior a mim.
Vou para um negro tempo desmedido,
infinito campo de ébano
onde me apagarei.
De uma escarpa a outra,
transfixado entre negro e negror,
danço — centelha breve — o meu furor.
anterior a mim.
Vou para um negro tempo desmedido,
infinito campo de ébano
onde me apagarei.
De uma escarpa a outra,
transfixado entre negro e negror,
danço — centelha breve — o meu furor.
1 338
Hélio Pellegrino
LHomme Révolté
Venho de um negro tempo irredutível,
anterior a mim.
Vou para um negro tempo desmedido,
infinito campo de ébano
onde me apagarei.
De uma escarpa a outra,
transfixado entre negro e negror,
danço — centelha breve — o meu furor.
anterior a mim.
Vou para um negro tempo desmedido,
infinito campo de ébano
onde me apagarei.
De uma escarpa a outra,
transfixado entre negro e negror,
danço — centelha breve — o meu furor.
1 338
Hélio Pellegrino
LHomme Révolté
Venho de um negro tempo irredutível,
anterior a mim.
Vou para um negro tempo desmedido,
infinito campo de ébano
onde me apagarei.
De uma escarpa a outra,
transfixado entre negro e negror,
danço — centelha breve — o meu furor.
anterior a mim.
Vou para um negro tempo desmedido,
infinito campo de ébano
onde me apagarei.
De uma escarpa a outra,
transfixado entre negro e negror,
danço — centelha breve — o meu furor.
1 338
Helena Ortiz
Os Que Não
como é que eu ia saber
que era teu último abraço
e que a tranquilidade
com que te foste
era apenas a de quem
afinal
desvenda o mistério?
Aqui ficaram os que não vêem
não percebem
não ouvem
não respondam
que era teu último abraço
e que a tranquilidade
com que te foste
era apenas a de quem
afinal
desvenda o mistério?
Aqui ficaram os que não vêem
não percebem
não ouvem
não respondam
893
Henriqueta Lisboa
É Estranho
É estranho que, após o pranto
vertido em rios sobre os mares,
venha pousar-te no ombro
o pássaro das ilhas, ó náufrago.
É estranho que, depois das trevas
semeadas por sobre as valas,
teus sentidos se adelgacem
diante das clareiras, ó cego.
É estranho que, depois de morto,
rompidos os esteios da alma
e descaminhado o corpo,
homem, tenhas reino mais alto.
(da obra Flor da Morte)
vertido em rios sobre os mares,
venha pousar-te no ombro
o pássaro das ilhas, ó náufrago.
É estranho que, depois das trevas
semeadas por sobre as valas,
teus sentidos se adelgacem
diante das clareiras, ó cego.
É estranho que, depois de morto,
rompidos os esteios da alma
e descaminhado o corpo,
homem, tenhas reino mais alto.
(da obra Flor da Morte)
2 168
Henriqueta Lisboa
É Estranho
É estranho que, após o pranto
vertido em rios sobre os mares,
venha pousar-te no ombro
o pássaro das ilhas, ó náufrago.
É estranho que, depois das trevas
semeadas por sobre as valas,
teus sentidos se adelgacem
diante das clareiras, ó cego.
É estranho que, depois de morto,
rompidos os esteios da alma
e descaminhado o corpo,
homem, tenhas reino mais alto.
(da obra Flor da Morte)
vertido em rios sobre os mares,
venha pousar-te no ombro
o pássaro das ilhas, ó náufrago.
É estranho que, depois das trevas
semeadas por sobre as valas,
teus sentidos se adelgacem
diante das clareiras, ó cego.
É estranho que, depois de morto,
rompidos os esteios da alma
e descaminhado o corpo,
homem, tenhas reino mais alto.
(da obra Flor da Morte)
2 168
Iacyr Anderson Freitas
Elegia
o inverno quer ficar contigo
neste jardim,
onde um velho dorme.
ainda não são seis horas
e a nuvem
que outrora te acusava
some no azul, desfeita
por teu brilho
que envelhece,
é certo,
sem o alarde
dos ventos mesmos
de outrora.
o que procura estar contigo
não te envolve:
espera, agudo, neste jardim
inaugural
entre formigas,
jornais
e o que resta de setembro.
vives uma infância transitória
e teus cabelos cingem,
na cintura, o esboço
de um adeus
que a tua própria ausência configura.
neste jardim,
onde um velho dorme.
ainda não são seis horas
e a nuvem
que outrora te acusava
some no azul, desfeita
por teu brilho
que envelhece,
é certo,
sem o alarde
dos ventos mesmos
de outrora.
o que procura estar contigo
não te envolve:
espera, agudo, neste jardim
inaugural
entre formigas,
jornais
e o que resta de setembro.
vives uma infância transitória
e teus cabelos cingem,
na cintura, o esboço
de um adeus
que a tua própria ausência configura.
847
Gonçalo Soares da Franca
Epitáfio
A que vês, ó caminhante,
(em desenganos da vida)
fixa Estrela hoje luzida,
Luminar ontem errante,
a golpes dois num instante
deve a mudança, em que gira;
ao ponto da morte expira,
mas tanto sem sobressalto,
que acertou alvo tão alto,
porque pôs tão Alta a mira.
(em desenganos da vida)
fixa Estrela hoje luzida,
Luminar ontem errante,
a golpes dois num instante
deve a mudança, em que gira;
ao ponto da morte expira,
mas tanto sem sobressalto,
que acertou alvo tão alto,
porque pôs tão Alta a mira.
703
Gonçalo Soares da Franca
Epitáfio
A que vês, ó caminhante,
(em desenganos da vida)
fixa Estrela hoje luzida,
Luminar ontem errante,
a golpes dois num instante
deve a mudança, em que gira;
ao ponto da morte expira,
mas tanto sem sobressalto,
que acertou alvo tão alto,
porque pôs tão Alta a mira.
(em desenganos da vida)
fixa Estrela hoje luzida,
Luminar ontem errante,
a golpes dois num instante
deve a mudança, em que gira;
ao ponto da morte expira,
mas tanto sem sobressalto,
que acertou alvo tão alto,
porque pôs tão Alta a mira.
703
Hemetério Cabrinha
De onde Venho?
Da grande Fôrça universal procedo
E venho de outras vidas, de outros mundos;
Por indisíveis dédalos profundos
Inconscientemente me enveredo.
Às minúsculas formas antecedo:
Da vibração aos corpos mais fecundos.
Transformando-me todos os segundos,
"Mergulhado no cósmico segrêdo".
Sou, para os sábios da moderna ciência,
Um simples animal que tem consciência,
Vivendo apenas entre o berço e a cova...
Entretanto, através do próprio lôdo,
Todo o universo se transforma, todo,
E a própria Eternidade se renova.
E venho de outras vidas, de outros mundos;
Por indisíveis dédalos profundos
Inconscientemente me enveredo.
Às minúsculas formas antecedo:
Da vibração aos corpos mais fecundos.
Transformando-me todos os segundos,
"Mergulhado no cósmico segrêdo".
Sou, para os sábios da moderna ciência,
Um simples animal que tem consciência,
Vivendo apenas entre o berço e a cova...
Entretanto, através do próprio lôdo,
Todo o universo se transforma, todo,
E a própria Eternidade se renova.
1 100
Hemetério Cabrinha
De onde Venho?
Da grande Fôrça universal procedo
E venho de outras vidas, de outros mundos;
Por indisíveis dédalos profundos
Inconscientemente me enveredo.
Às minúsculas formas antecedo:
Da vibração aos corpos mais fecundos.
Transformando-me todos os segundos,
"Mergulhado no cósmico segrêdo".
Sou, para os sábios da moderna ciência,
Um simples animal que tem consciência,
Vivendo apenas entre o berço e a cova...
Entretanto, através do próprio lôdo,
Todo o universo se transforma, todo,
E a própria Eternidade se renova.
E venho de outras vidas, de outros mundos;
Por indisíveis dédalos profundos
Inconscientemente me enveredo.
Às minúsculas formas antecedo:
Da vibração aos corpos mais fecundos.
Transformando-me todos os segundos,
"Mergulhado no cósmico segrêdo".
Sou, para os sábios da moderna ciência,
Um simples animal que tem consciência,
Vivendo apenas entre o berço e a cova...
Entretanto, através do próprio lôdo,
Todo o universo se transforma, todo,
E a própria Eternidade se renova.
1 100
Hemetério Cabrinha
De onde Venho?
Da grande Fôrça universal procedo
E venho de outras vidas, de outros mundos;
Por indisíveis dédalos profundos
Inconscientemente me enveredo.
Às minúsculas formas antecedo:
Da vibração aos corpos mais fecundos.
Transformando-me todos os segundos,
"Mergulhado no cósmico segrêdo".
Sou, para os sábios da moderna ciência,
Um simples animal que tem consciência,
Vivendo apenas entre o berço e a cova...
Entretanto, através do próprio lôdo,
Todo o universo se transforma, todo,
E a própria Eternidade se renova.
E venho de outras vidas, de outros mundos;
Por indisíveis dédalos profundos
Inconscientemente me enveredo.
Às minúsculas formas antecedo:
Da vibração aos corpos mais fecundos.
Transformando-me todos os segundos,
"Mergulhado no cósmico segrêdo".
Sou, para os sábios da moderna ciência,
Um simples animal que tem consciência,
Vivendo apenas entre o berço e a cova...
Entretanto, através do próprio lôdo,
Todo o universo se transforma, todo,
E a própria Eternidade se renova.
1 100
Gregório de Matos
Ao Braço do Mesmo Menino Jesus Quando Appareceo
O todo sem a parte não é todo,
A parte sem o todo não é parte,
Mas se a parte o faz todo, sendo parte,
Não se diga, que é parte, sendo todo.
Em todo o Sacramento está Deus todo,
E todo assiste inteiro em qualquer parte,
E feito em partes todo em toda a parte,
Em qualquer parte sempre fica o todo.
O braço de Jesus não seja parte,
Pois que feito Jesus em partes todo,
Assiste cada parte em sua parte.
Não se sabendo parte deste todo,
Um braço, que lhe acharam, sendo parte,
Nos disse as partes todas deste todo.
A parte sem o todo não é parte,
Mas se a parte o faz todo, sendo parte,
Não se diga, que é parte, sendo todo.
Em todo o Sacramento está Deus todo,
E todo assiste inteiro em qualquer parte,
E feito em partes todo em toda a parte,
Em qualquer parte sempre fica o todo.
O braço de Jesus não seja parte,
Pois que feito Jesus em partes todo,
Assiste cada parte em sua parte.
Não se sabendo parte deste todo,
Um braço, que lhe acharam, sendo parte,
Nos disse as partes todas deste todo.
1 958
Humberto Fialho Guedes
Poema — Canto
Cantarei a forma exata do teu gesto
projetado na memória;
a tua sombra,
na presença de detalhes onde habito.
Cantarei as nuas palmas
(onde moram os ventos)
na certeza dos teus sonhos nos espaços.
Cantarei mares e ilhas
portos
adeuses em gestos e saudades.
O teu silêncio cantarei nos olhos
revendo o pôr do sol num cais de pedra.
E me farei tranqüilo na escuta
dos sons que anunciem teu retorno.
Cantarei, mais do que nunca, a tua imagem
preenchendo auroras e desejos;
as mãos em formas pressentidas,
o rosto esculpido em falas e sorrisos.
Cantarei a forma exata do teu gesto
projetado na memória;
teu corpo branco envolto em brumas
de sonoras lembranças onde eu me recolho.
projetado na memória;
a tua sombra,
na presença de detalhes onde habito.
Cantarei as nuas palmas
(onde moram os ventos)
na certeza dos teus sonhos nos espaços.
Cantarei mares e ilhas
portos
adeuses em gestos e saudades.
O teu silêncio cantarei nos olhos
revendo o pôr do sol num cais de pedra.
E me farei tranqüilo na escuta
dos sons que anunciem teu retorno.
Cantarei, mais do que nunca, a tua imagem
preenchendo auroras e desejos;
as mãos em formas pressentidas,
o rosto esculpido em falas e sorrisos.
Cantarei a forma exata do teu gesto
projetado na memória;
teu corpo branco envolto em brumas
de sonoras lembranças onde eu me recolho.
1 096
Gregório de Matos
A Nossa Senhora da Madre de Deus Indo Lá o Poeta
Venho, Madre de Deus, ao Vosso monte
E reverente em vosso altar sagrado,
Vendo o Menino em berço argenteado
O sol vejo nascer desse Horizonte.
Oh quanto o verdadeiro Faetonte
Lusbel, e seu exército danado
Se irrita, de que um braço limitado
Exceda na soltura a Alcidemonte.
Quem vossa devoção não enriquece?
A virtude, Senhora, é muito rica,
E a virtude sem vós tudo empobrece.
Não me espanto, que quem vos sacrifica
Essa hóstia do altar, que vos ofrece,
Que vós o enriqueçais, se a vós a aplica.
E reverente em vosso altar sagrado,
Vendo o Menino em berço argenteado
O sol vejo nascer desse Horizonte.
Oh quanto o verdadeiro Faetonte
Lusbel, e seu exército danado
Se irrita, de que um braço limitado
Exceda na soltura a Alcidemonte.
Quem vossa devoção não enriquece?
A virtude, Senhora, é muito rica,
E a virtude sem vós tudo empobrece.
Não me espanto, que quem vos sacrifica
Essa hóstia do altar, que vos ofrece,
Que vós o enriqueçais, se a vós a aplica.
2 495
Helena Parente Cunha
Quem
quem me habita provisória
nesta paisagem súbita
onde sou?
quem chora pranto antigo
nos meus olhos contemporâneos
desta viagem?
quem fui quando passei
aqui tão longe
de onde sou agora?
nesta paisagem súbita
onde sou?
quem chora pranto antigo
nos meus olhos contemporâneos
desta viagem?
quem fui quando passei
aqui tão longe
de onde sou agora?
1 094
Helena Parente Cunha
Quem
quem me habita provisória
nesta paisagem súbita
onde sou?
quem chora pranto antigo
nos meus olhos contemporâneos
desta viagem?
quem fui quando passei
aqui tão longe
de onde sou agora?
nesta paisagem súbita
onde sou?
quem chora pranto antigo
nos meus olhos contemporâneos
desta viagem?
quem fui quando passei
aqui tão longe
de onde sou agora?
1 094
Helena Parente Cunha
Quem
quem me habita provisória
nesta paisagem súbita
onde sou?
quem chora pranto antigo
nos meus olhos contemporâneos
desta viagem?
quem fui quando passei
aqui tão longe
de onde sou agora?
nesta paisagem súbita
onde sou?
quem chora pranto antigo
nos meus olhos contemporâneos
desta viagem?
quem fui quando passei
aqui tão longe
de onde sou agora?
1 094
Homero Prates
O Diamante
Ó divinos Heróis! que uma eterna auriflama
Atrai para o esplendor da noite merencória!
Este é o Inferno de luz que a vossa febre aclama
Em gritos de loucura e em gritos de vitória.
Nele, como num mar de luz fiava e ilusória,
Encheis a Taça de ouro... E o vosso olhar se inflama!
Bebei! que é o vosso sangue e esta é a divina chama
Da ara branca e imortal da Beleza e da Glória.
Ó agonia sublime! Ó jardim dos tormentos
Divinos! onde, ó Luz, nos meus olhos deliras,
Como uma águia ferida entre dois firmamentos!
Olha-os! Morrem cantando, ó Beleza, que passas!
E os Heróis, para os céus soerguendo as grandes liras,
Tombam num resplendor de flamas e de taças.
Atrai para o esplendor da noite merencória!
Este é o Inferno de luz que a vossa febre aclama
Em gritos de loucura e em gritos de vitória.
Nele, como num mar de luz fiava e ilusória,
Encheis a Taça de ouro... E o vosso olhar se inflama!
Bebei! que é o vosso sangue e esta é a divina chama
Da ara branca e imortal da Beleza e da Glória.
Ó agonia sublime! Ó jardim dos tormentos
Divinos! onde, ó Luz, nos meus olhos deliras,
Como uma águia ferida entre dois firmamentos!
Olha-os! Morrem cantando, ó Beleza, que passas!
E os Heróis, para os céus soerguendo as grandes liras,
Tombam num resplendor de flamas e de taças.
1 140
Helena Parente Cunha
Retrato
de agora a mil horas
o meu retrato
ainda estará aqui
quem aparece
onde pareço?
pouso de passagem
na fotografia
atrás do quadro
que me contorna
desapareço
quem comparece
na própria face?
poso de novo
(me encontra pronta
cada hora que mil)
de agora a mil horas
quem perece
no meu retrato?
o meu retrato
ainda estará aqui
quem aparece
onde pareço?
pouso de passagem
na fotografia
atrás do quadro
que me contorna
desapareço
quem comparece
na própria face?
poso de novo
(me encontra pronta
cada hora que mil)
de agora a mil horas
quem perece
no meu retrato?
1 519
Helena Parente Cunha
Retrato
de agora a mil horas
o meu retrato
ainda estará aqui
quem aparece
onde pareço?
pouso de passagem
na fotografia
atrás do quadro
que me contorna
desapareço
quem comparece
na própria face?
poso de novo
(me encontra pronta
cada hora que mil)
de agora a mil horas
quem perece
no meu retrato?
o meu retrato
ainda estará aqui
quem aparece
onde pareço?
pouso de passagem
na fotografia
atrás do quadro
que me contorna
desapareço
quem comparece
na própria face?
poso de novo
(me encontra pronta
cada hora que mil)
de agora a mil horas
quem perece
no meu retrato?
1 519
Helena Parente Cunha
Retrato
de agora a mil horas
o meu retrato
ainda estará aqui
quem aparece
onde pareço?
pouso de passagem
na fotografia
atrás do quadro
que me contorna
desapareço
quem comparece
na própria face?
poso de novo
(me encontra pronta
cada hora que mil)
de agora a mil horas
quem perece
no meu retrato?
o meu retrato
ainda estará aqui
quem aparece
onde pareço?
pouso de passagem
na fotografia
atrás do quadro
que me contorna
desapareço
quem comparece
na própria face?
poso de novo
(me encontra pronta
cada hora que mil)
de agora a mil horas
quem perece
no meu retrato?
1 519