Poemas neste tema
Vida e Existência
Fanny Luíza Dupré
Verão
Sobe a piracema
desafiando a correnteza
do rio caudaloso.
Vestibular...
Entra para a faculdade
o candidato cego.
desafiando a correnteza
do rio caudaloso.
Vestibular...
Entra para a faculdade
o candidato cego.
858
Fernando Batinga de Mendonça
Dois Momentos da Infância
1.
pesquisam o sangue
dentro do seu ventre
remexem a carne
pele nervo e osso.
arrancam o filho
do fundo colo escuro
trazido pelo fio
na ponta das agulhas.
— e em resto os meninos
são pedaços
para quem o silêncio
não rompeu.
2.
no centro das paredes
do ventre vão exato
momentos de pesquisa
meninos que se calam.
instalam serpentina
no leito colo escuro
paredes que se fecham
nas portas de platina.
— e nos muros os meninos
se procuram
nas paredes que se fecham
de metal.
pesquisam o sangue
dentro do seu ventre
remexem a carne
pele nervo e osso.
arrancam o filho
do fundo colo escuro
trazido pelo fio
na ponta das agulhas.
— e em resto os meninos
são pedaços
para quem o silêncio
não rompeu.
2.
no centro das paredes
do ventre vão exato
momentos de pesquisa
meninos que se calam.
instalam serpentina
no leito colo escuro
paredes que se fecham
nas portas de platina.
— e nos muros os meninos
se procuram
nas paredes que se fecham
de metal.
992
Fernando Cereja
Cheiros de Flores
os cheiros de flores
confundem meu nariz
e boca
queria comer a
primavera
mastigar flor por flor
e ver se o verão
nasceria em mim.
confundem meu nariz
e boca
queria comer a
primavera
mastigar flor por flor
e ver se o verão
nasceria em mim.
952
Fábio Afonso de Almeida
Espere
Espere, que na noite mais profunda,
Os furores do anseio tirarão meu sono
E aflito, correrei sem rumo
Na busca frenética de mim mesmo.
As horas, desfiando em silêncio,
Irão esfriar meu corpo cansado, a sofrer
Os tremores convulsos da ausência da carne,
Transformados, na dor, em gozo estranho.
A alma solitária, em vôo sem rumo,
Estará confusa pelo nada do ato estéril,
E se debaterá como um manto incontrolado,
Estendido ao fragor da tempestade.
Nessas noites incontroláveis de solidão,
O Espirito, como uma criança abandonada,
Procura perdidamente o corpo que o abriga
E juntos, cristalizam uma lágrima mansa.
Que rola sem rumor, enquanto quente
E única. Mas ao multiplicar-se sem controle
Em gigantescas torrentes de estrépida revolta
Tornará também impossível seu sono de pedra.
Os furores do anseio tirarão meu sono
E aflito, correrei sem rumo
Na busca frenética de mim mesmo.
As horas, desfiando em silêncio,
Irão esfriar meu corpo cansado, a sofrer
Os tremores convulsos da ausência da carne,
Transformados, na dor, em gozo estranho.
A alma solitária, em vôo sem rumo,
Estará confusa pelo nada do ato estéril,
E se debaterá como um manto incontrolado,
Estendido ao fragor da tempestade.
Nessas noites incontroláveis de solidão,
O Espirito, como uma criança abandonada,
Procura perdidamente o corpo que o abriga
E juntos, cristalizam uma lágrima mansa.
Que rola sem rumor, enquanto quente
E única. Mas ao multiplicar-se sem controle
Em gigantescas torrentes de estrépida revolta
Tornará também impossível seu sono de pedra.
868
Fernanda Benevides
Flagrante
Eu não tinha este ar preocupado.
O coração sofrido.
A alma dilacerada.
Eu não tinha este este olhar perdido.
Esta dor da vida.
Estas mágoas...
Eu não sabia o que era solidão.
Esta sede de afeto.
Esta fome de emoção.
Eu não tinha este sabor amargo.
Este fel.
Este travo.
Eu não tinha esta face.
Serei eu?...
( in, QUANDO AS MUSAS CANTAM)
Fortaleza - Ce, 1990
O coração sofrido.
A alma dilacerada.
Eu não tinha este este olhar perdido.
Esta dor da vida.
Estas mágoas...
Eu não sabia o que era solidão.
Esta sede de afeto.
Esta fome de emoção.
Eu não tinha este sabor amargo.
Este fel.
Este travo.
Eu não tinha esta face.
Serei eu?...
( in, QUANDO AS MUSAS CANTAM)
Fortaleza - Ce, 1990
952
Fernanda Benevides
Flagrante
Eu não tinha este ar preocupado.
O coração sofrido.
A alma dilacerada.
Eu não tinha este este olhar perdido.
Esta dor da vida.
Estas mágoas...
Eu não sabia o que era solidão.
Esta sede de afeto.
Esta fome de emoção.
Eu não tinha este sabor amargo.
Este fel.
Este travo.
Eu não tinha esta face.
Serei eu?...
( in, QUANDO AS MUSAS CANTAM)
Fortaleza - Ce, 1990
O coração sofrido.
A alma dilacerada.
Eu não tinha este este olhar perdido.
Esta dor da vida.
Estas mágoas...
Eu não sabia o que era solidão.
Esta sede de afeto.
Esta fome de emoção.
Eu não tinha este sabor amargo.
Este fel.
Este travo.
Eu não tinha esta face.
Serei eu?...
( in, QUANDO AS MUSAS CANTAM)
Fortaleza - Ce, 1990
952
Fernanda Benevides
Rememorando
Revejo saudosa
um ontem bonito,
repleto de sonhos, quimeras, fantasias.
Revejo as manhãs primaveris
em que o sol me despertava
e da cama saltava cheia de viço.
Revejo as tardes crepusculares
em que o coração disparava
ao vislumbrar a lua que surgia;
em que meus olhos acendiam
ante o olhar das estrelas...
Revejo aquelas noites tumultuosas
em que rompia as amarras
e corria, ofegante, ao teu encalço.
Ah! Sentia-me um pássaro!
Rememorando um doce passado,
diluído, transformado,
revejo retalhos bonitos
dos quais não posso olvidar
e chego mesmo a suspirar...
um ontem bonito,
repleto de sonhos, quimeras, fantasias.
Revejo as manhãs primaveris
em que o sol me despertava
e da cama saltava cheia de viço.
Revejo as tardes crepusculares
em que o coração disparava
ao vislumbrar a lua que surgia;
em que meus olhos acendiam
ante o olhar das estrelas...
Revejo aquelas noites tumultuosas
em que rompia as amarras
e corria, ofegante, ao teu encalço.
Ah! Sentia-me um pássaro!
Rememorando um doce passado,
diluído, transformado,
revejo retalhos bonitos
dos quais não posso olvidar
e chego mesmo a suspirar...
835
Fernanda Benevides
Rememorando
Revejo saudosa
um ontem bonito,
repleto de sonhos, quimeras, fantasias.
Revejo as manhãs primaveris
em que o sol me despertava
e da cama saltava cheia de viço.
Revejo as tardes crepusculares
em que o coração disparava
ao vislumbrar a lua que surgia;
em que meus olhos acendiam
ante o olhar das estrelas...
Revejo aquelas noites tumultuosas
em que rompia as amarras
e corria, ofegante, ao teu encalço.
Ah! Sentia-me um pássaro!
Rememorando um doce passado,
diluído, transformado,
revejo retalhos bonitos
dos quais não posso olvidar
e chego mesmo a suspirar...
um ontem bonito,
repleto de sonhos, quimeras, fantasias.
Revejo as manhãs primaveris
em que o sol me despertava
e da cama saltava cheia de viço.
Revejo as tardes crepusculares
em que o coração disparava
ao vislumbrar a lua que surgia;
em que meus olhos acendiam
ante o olhar das estrelas...
Revejo aquelas noites tumultuosas
em que rompia as amarras
e corria, ofegante, ao teu encalço.
Ah! Sentia-me um pássaro!
Rememorando um doce passado,
diluído, transformado,
revejo retalhos bonitos
dos quais não posso olvidar
e chego mesmo a suspirar...
835
Fábio Afonso de Almeida
Sebastiana e a Pedrap
Todo o dia que amanhece
Com chuva ou com sol, sempre acontece
Sebastiana devagarinho, como um anjo
Chega `a nascente da água mineral
Rác, rác, rác, rác
Sebastiana raspa o pé na pedra
O pé raspa a pedra de Sebastiana
(Será que a pedra tem espírito?)
Sebastiana, sim, tem a pedra preferida
Áspera, redonda e oferecida
Pedaço de rocha primitiva e úmida
De uma razão qualquer que desconheço
Testemunho o encontro todos os dias
Nas brumas das manhãs tão frias
E fico cismando, como de hábito
Sobre fatos pretéritos e misteriosos
Quando na terra primeva do planalto central
Entre raios e abalos sísmicos de força brutal
Feios dinossauros passearam pelo parque
E a água fria brotou da rocha
Cristalina e pura, correu por milhões de anos
No santuário mágico do poço dos anjos
Alvoradas e arrebóis sem conta se sucederam
O tempo hipnotizado se liquefez em eras...
No fundo do poço desde sempre e agora
A pedra, fico pensando, esperou a hora
De passar a magia destas eras
A quem, no fundo, sempre soubesse
Alguém como Sebastiana, de outras vidas
(Imagino que tão antigas e sofridas)
Para trazer a manhã sempre calma
Deste suceder infinito, presente para mim
Sebastiana rala o pé na pedra
O pé rala a pedra de Sebastiana
O tempo vira água pura e pedra
Como se não existisse
Ou como se fosse Sebastiana...
Rác, rác, rác, rác....
Com chuva ou com sol, sempre acontece
Sebastiana devagarinho, como um anjo
Chega `a nascente da água mineral
Rác, rác, rác, rác
Sebastiana raspa o pé na pedra
O pé raspa a pedra de Sebastiana
(Será que a pedra tem espírito?)
Sebastiana, sim, tem a pedra preferida
Áspera, redonda e oferecida
Pedaço de rocha primitiva e úmida
De uma razão qualquer que desconheço
Testemunho o encontro todos os dias
Nas brumas das manhãs tão frias
E fico cismando, como de hábito
Sobre fatos pretéritos e misteriosos
Quando na terra primeva do planalto central
Entre raios e abalos sísmicos de força brutal
Feios dinossauros passearam pelo parque
E a água fria brotou da rocha
Cristalina e pura, correu por milhões de anos
No santuário mágico do poço dos anjos
Alvoradas e arrebóis sem conta se sucederam
O tempo hipnotizado se liquefez em eras...
No fundo do poço desde sempre e agora
A pedra, fico pensando, esperou a hora
De passar a magia destas eras
A quem, no fundo, sempre soubesse
Alguém como Sebastiana, de outras vidas
(Imagino que tão antigas e sofridas)
Para trazer a manhã sempre calma
Deste suceder infinito, presente para mim
Sebastiana rala o pé na pedra
O pé rala a pedra de Sebastiana
O tempo vira água pura e pedra
Como se não existisse
Ou como se fosse Sebastiana...
Rác, rác, rác, rác....
792
Fábio Afonso de Almeida
Sebastiana e a Pedrap
Todo o dia que amanhece
Com chuva ou com sol, sempre acontece
Sebastiana devagarinho, como um anjo
Chega `a nascente da água mineral
Rác, rác, rác, rác
Sebastiana raspa o pé na pedra
O pé raspa a pedra de Sebastiana
(Será que a pedra tem espírito?)
Sebastiana, sim, tem a pedra preferida
Áspera, redonda e oferecida
Pedaço de rocha primitiva e úmida
De uma razão qualquer que desconheço
Testemunho o encontro todos os dias
Nas brumas das manhãs tão frias
E fico cismando, como de hábito
Sobre fatos pretéritos e misteriosos
Quando na terra primeva do planalto central
Entre raios e abalos sísmicos de força brutal
Feios dinossauros passearam pelo parque
E a água fria brotou da rocha
Cristalina e pura, correu por milhões de anos
No santuário mágico do poço dos anjos
Alvoradas e arrebóis sem conta se sucederam
O tempo hipnotizado se liquefez em eras...
No fundo do poço desde sempre e agora
A pedra, fico pensando, esperou a hora
De passar a magia destas eras
A quem, no fundo, sempre soubesse
Alguém como Sebastiana, de outras vidas
(Imagino que tão antigas e sofridas)
Para trazer a manhã sempre calma
Deste suceder infinito, presente para mim
Sebastiana rala o pé na pedra
O pé rala a pedra de Sebastiana
O tempo vira água pura e pedra
Como se não existisse
Ou como se fosse Sebastiana...
Rác, rác, rác, rác....
Com chuva ou com sol, sempre acontece
Sebastiana devagarinho, como um anjo
Chega `a nascente da água mineral
Rác, rác, rác, rác
Sebastiana raspa o pé na pedra
O pé raspa a pedra de Sebastiana
(Será que a pedra tem espírito?)
Sebastiana, sim, tem a pedra preferida
Áspera, redonda e oferecida
Pedaço de rocha primitiva e úmida
De uma razão qualquer que desconheço
Testemunho o encontro todos os dias
Nas brumas das manhãs tão frias
E fico cismando, como de hábito
Sobre fatos pretéritos e misteriosos
Quando na terra primeva do planalto central
Entre raios e abalos sísmicos de força brutal
Feios dinossauros passearam pelo parque
E a água fria brotou da rocha
Cristalina e pura, correu por milhões de anos
No santuário mágico do poço dos anjos
Alvoradas e arrebóis sem conta se sucederam
O tempo hipnotizado se liquefez em eras...
No fundo do poço desde sempre e agora
A pedra, fico pensando, esperou a hora
De passar a magia destas eras
A quem, no fundo, sempre soubesse
Alguém como Sebastiana, de outras vidas
(Imagino que tão antigas e sofridas)
Para trazer a manhã sempre calma
Deste suceder infinito, presente para mim
Sebastiana rala o pé na pedra
O pé rala a pedra de Sebastiana
O tempo vira água pura e pedra
Como se não existisse
Ou como se fosse Sebastiana...
Rác, rác, rác, rác....
792
Fábio Afonso de Almeida
Pequena Biografia
Nascimento: Patrocínio M.G.
Data: 13/05/48
Escolaridade: Graduação em Economia (UFMG); Mestrado em Economia Regional (CEDEPLAR, UFMG), Doutorado: Economia (UNICAMP).
Hobbies: Natureza, natação, música (qquer gênero, desde que romântica)
Leitura: Poesia em português, literatura nacional e internacional, História Antiga e Contemporânea, revistas do tipo Super Interessante, Terra e National Geografic.
Trabalho: Embrapa, setor de estudos e projetos estratégicos.
Cidade e endereços: Brasília, D.F., à SQN 415, Bloco D, Apto. 202, CEP 70878-040; E-mail: [email protected]; Home page http://www.geocities.com/athens/9407.
Condição Civil: Separado judicialmente
Data: 13/05/48
Escolaridade: Graduação em Economia (UFMG); Mestrado em Economia Regional (CEDEPLAR, UFMG), Doutorado: Economia (UNICAMP).
Hobbies: Natureza, natação, música (qquer gênero, desde que romântica)
Leitura: Poesia em português, literatura nacional e internacional, História Antiga e Contemporânea, revistas do tipo Super Interessante, Terra e National Geografic.
Trabalho: Embrapa, setor de estudos e projetos estratégicos.
Cidade e endereços: Brasília, D.F., à SQN 415, Bloco D, Apto. 202, CEP 70878-040; E-mail: [email protected]; Home page http://www.geocities.com/athens/9407.
Condição Civil: Separado judicialmente
732
Fernanda Benevides
Afagando Sonhos
Meu coração afaga sonhos.
Sonhos despedaçados.
Coisas do passado
acariciam o presente.
Abraço ilusões vãs.
Lembranças fazem cócegas na
memória,
até quando, não sei...
Afagando sonhos, alimento a alma.
Sacio a sede das madrugadas...
Sonhos despedaçados.
Coisas do passado
acariciam o presente.
Abraço ilusões vãs.
Lembranças fazem cócegas na
memória,
até quando, não sei...
Afagando sonhos, alimento a alma.
Sacio a sede das madrugadas...
831
Fernanda Botelho
Amnésia
Posso pedir, em vão, a luz de mil estrelas:
penas obtenho este desenho pardo
que a lâmpada de vinte e cinco velas
estende no meu quarto.
Posso pedir, em vão, a melodia, a cor
e uma satisfação imediata e firme:
(a lúbrica face do despertador
é quem me prende e oprime).
E peço, em vão, uma palavra exata,
uma fórmula sonora que resuma
este desespero de não esperar nada,
esta esperança real em coisa alguma.
E nada consigo, por muito que peça!
E tamanha ambição de nada vale!
Que eu fui deusa e tive uma amnésia,
esqueci quem era e acordei mortal.
penas obtenho este desenho pardo
que a lâmpada de vinte e cinco velas
estende no meu quarto.
Posso pedir, em vão, a melodia, a cor
e uma satisfação imediata e firme:
(a lúbrica face do despertador
é quem me prende e oprime).
E peço, em vão, uma palavra exata,
uma fórmula sonora que resuma
este desespero de não esperar nada,
esta esperança real em coisa alguma.
E nada consigo, por muito que peça!
E tamanha ambição de nada vale!
Que eu fui deusa e tive uma amnésia,
esqueci quem era e acordei mortal.
1 760
Fernando Batinga de Mendonça
Infância
(fragmento)
e rompo de repente
o tenso véu e denso
emerjo à flor do lixo:
e luto com os mendigos
na luta envelhecida
das coisas esquecidas
ferrugem pó e vidro.
e assim pelos monturos
recolho e participo
pedaços de objetos
brinquedos que fabrico
reinando neste reino
que faço e me detrito.
e rompo de repente
o tenso véu e denso
emerjo à flor do lixo:
e luto com os mendigos
na luta envelhecida
das coisas esquecidas
ferrugem pó e vidro.
e assim pelos monturos
recolho e participo
pedaços de objetos
brinquedos que fabrico
reinando neste reino
que faço e me detrito.
986
Fábio Afonso de Almeida
Minutos
Espaços Vivenciados amesquinham
Em torno de sólidos egocentrismos
E excrecências pontiagudas de realidade
Desnudam-se ante o revoluteio incessante
Da possibilidade dos atos e fatos,
Mesmo que as circunstâncias pareçam sempre
Uma concreta e coerente parede.
Oh! Minha alma rude e insensata
Sangra-se ante a dureza branca e Iógica
Do limite incontestável deste muro!
Embora sinta a liquidez mágica
E probabilística destes interiores,
Pensa como pode e bate inutilmente
No fatalismo justo das perspectivas,
Enrolando, passo a passo, os minutos
De um tempo próprio e sem tempo.
Em torno de sólidos egocentrismos
E excrecências pontiagudas de realidade
Desnudam-se ante o revoluteio incessante
Da possibilidade dos atos e fatos,
Mesmo que as circunstâncias pareçam sempre
Uma concreta e coerente parede.
Oh! Minha alma rude e insensata
Sangra-se ante a dureza branca e Iógica
Do limite incontestável deste muro!
Embora sinta a liquidez mágica
E probabilística destes interiores,
Pensa como pode e bate inutilmente
No fatalismo justo das perspectivas,
Enrolando, passo a passo, os minutos
De um tempo próprio e sem tempo.
934
Fábio Afonso de Almeida
Minutos
Espaços Vivenciados amesquinham
Em torno de sólidos egocentrismos
E excrecências pontiagudas de realidade
Desnudam-se ante o revoluteio incessante
Da possibilidade dos atos e fatos,
Mesmo que as circunstâncias pareçam sempre
Uma concreta e coerente parede.
Oh! Minha alma rude e insensata
Sangra-se ante a dureza branca e Iógica
Do limite incontestável deste muro!
Embora sinta a liquidez mágica
E probabilística destes interiores,
Pensa como pode e bate inutilmente
No fatalismo justo das perspectivas,
Enrolando, passo a passo, os minutos
De um tempo próprio e sem tempo.
Em torno de sólidos egocentrismos
E excrecências pontiagudas de realidade
Desnudam-se ante o revoluteio incessante
Da possibilidade dos atos e fatos,
Mesmo que as circunstâncias pareçam sempre
Uma concreta e coerente parede.
Oh! Minha alma rude e insensata
Sangra-se ante a dureza branca e Iógica
Do limite incontestável deste muro!
Embora sinta a liquidez mágica
E probabilística destes interiores,
Pensa como pode e bate inutilmente
No fatalismo justo das perspectivas,
Enrolando, passo a passo, os minutos
De um tempo próprio e sem tempo.
934
Félix Aires
Trovas
Longe, a gaivota voando,
é um til perdido nos ares...
E eu viajo, me recordando
da bênção dos teus olhares!
Por tua beleza tanta
se enflora meu pensamento,
e a boca da noite canta
as melodias do vento.
Da mais pura filigrana,
com esse encanto de lenda,
tu és uma trova humana
vestida de seda e renda.
Quando ela chega, seu riso
é um lírio abrindo a corola
e então nascem de improviso
flores ao pé da viola.
Que lindo o mar! Nestas rotas
vejo as velas nos folguedo!
Alva toalha de gaivotas
sobre a mesa dos rochedos!
Da caboclinha bonita
armam-se os seios seguros,
que são dois frutos maduros
dentro de um ramo de chita!
é um til perdido nos ares...
E eu viajo, me recordando
da bênção dos teus olhares!
Por tua beleza tanta
se enflora meu pensamento,
e a boca da noite canta
as melodias do vento.
Da mais pura filigrana,
com esse encanto de lenda,
tu és uma trova humana
vestida de seda e renda.
Quando ela chega, seu riso
é um lírio abrindo a corola
e então nascem de improviso
flores ao pé da viola.
Que lindo o mar! Nestas rotas
vejo as velas nos folguedo!
Alva toalha de gaivotas
sobre a mesa dos rochedos!
Da caboclinha bonita
armam-se os seios seguros,
que são dois frutos maduros
dentro de um ramo de chita!
964
Urhacy Faustino
Inventário de safras
Ceifar o trigo;
ordenhar a vaca;
moer café.
Beneficiar o pão;
manipular o leite;
extrair a essência.
Preparar a mesa, da manhã.
II
Observar lua propícia,
plantar, na certa colher:
arroz, feijão, hortaliças e flores -
não esquecer: colibri precisa comer.
Tratar bem galo e suas galinhas,
pra ter ovos e despertador.
E rezas para agradecer farturas
no almoço e no jantar.
III
Noite,
piar de coruja, longe.
Um silêncio quase,
não fosse o ruminar dos animais.
Pirilampo que se perdeu do pasto,
faz-se estrela única,
no teto do quarto escuro.
IV
Cão amigo,
para ladrar estranhos.
Gatos no telhado —
aquecedores de pés em noites de inverno.
Livros, muitos deles,
espalhados nos cantos certos da casa.
E uma avó, cheia de histórias,
na mesa de cabeceira,
para os dias de preguiça.
ordenhar a vaca;
moer café.
Beneficiar o pão;
manipular o leite;
extrair a essência.
Preparar a mesa, da manhã.
II
Observar lua propícia,
plantar, na certa colher:
arroz, feijão, hortaliças e flores -
não esquecer: colibri precisa comer.
Tratar bem galo e suas galinhas,
pra ter ovos e despertador.
E rezas para agradecer farturas
no almoço e no jantar.
III
Noite,
piar de coruja, longe.
Um silêncio quase,
não fosse o ruminar dos animais.
Pirilampo que se perdeu do pasto,
faz-se estrela única,
no teto do quarto escuro.
IV
Cão amigo,
para ladrar estranhos.
Gatos no telhado —
aquecedores de pés em noites de inverno.
Livros, muitos deles,
espalhados nos cantos certos da casa.
E uma avó, cheia de histórias,
na mesa de cabeceira,
para os dias de preguiça.
835
Fernando Batinga de Mendonça
Soneto
para Carlos Cunha
vi planícies ampliadas
e formas verdes, completas
— nas estradas já traçadas
não mais cor, facões trafegam.
vi enxadas, dinamites
vi balões, os exilados
vi azul das explosões
ouvi céus encarcerados
vi silêncio decomposto
que não sendo lentamente,
mas que é em plano oposto.
vi das coisas se faltando:
o de fora, perfeição
o de dentro, se buscando.
vi planícies ampliadas
e formas verdes, completas
— nas estradas já traçadas
não mais cor, facões trafegam.
vi enxadas, dinamites
vi balões, os exilados
vi azul das explosões
ouvi céus encarcerados
vi silêncio decomposto
que não sendo lentamente,
mas que é em plano oposto.
vi das coisas se faltando:
o de fora, perfeição
o de dentro, se buscando.
1 002
Fahed Daher
Deus os abençoe
Fernando José De Paula.: Quando recebi o seu convite
comunicação da sua formatura estava diante da escultura
alegoria à medicina, a caveira tentando tomar a
paciente que o médico teimosamente procura tomar das
màos da morte e imediatamente compus este soneto
que dedico a você-, na sua formatura e que através de
você dedico a todos os seus colegas.
Desencarnados- secos - descarnados,
duros e gastos ossos da caveira,
as mãos em garra ,de qualquer maneira
querendo arrebatar o adoentado.
Força que atua em hora derradeira,
fatal destino,vida do passado,
no nauseabundo odor do fermentado,
apodrecido -trágica esterqueira-
Do outro lado a glória,o sol, a vida
serena e forte, na disputa dura,
a medicina enfrenta , atrevida,
o mal e a morte, rebuscando a ciência
no profundo ideal e na Fé pura
de ser obra de Deus por excelência.
comunicação da sua formatura estava diante da escultura
alegoria à medicina, a caveira tentando tomar a
paciente que o médico teimosamente procura tomar das
màos da morte e imediatamente compus este soneto
que dedico a você-, na sua formatura e que através de
você dedico a todos os seus colegas.
Desencarnados- secos - descarnados,
duros e gastos ossos da caveira,
as mãos em garra ,de qualquer maneira
querendo arrebatar o adoentado.
Força que atua em hora derradeira,
fatal destino,vida do passado,
no nauseabundo odor do fermentado,
apodrecido -trágica esterqueira-
Do outro lado a glória,o sol, a vida
serena e forte, na disputa dura,
a medicina enfrenta , atrevida,
o mal e a morte, rebuscando a ciência
no profundo ideal e na Fé pura
de ser obra de Deus por excelência.
860
Fahed Daher
Deus os abençoe
Fernando José De Paula.: Quando recebi o seu convite
comunicação da sua formatura estava diante da escultura
alegoria à medicina, a caveira tentando tomar a
paciente que o médico teimosamente procura tomar das
màos da morte e imediatamente compus este soneto
que dedico a você-, na sua formatura e que através de
você dedico a todos os seus colegas.
Desencarnados- secos - descarnados,
duros e gastos ossos da caveira,
as mãos em garra ,de qualquer maneira
querendo arrebatar o adoentado.
Força que atua em hora derradeira,
fatal destino,vida do passado,
no nauseabundo odor do fermentado,
apodrecido -trágica esterqueira-
Do outro lado a glória,o sol, a vida
serena e forte, na disputa dura,
a medicina enfrenta , atrevida,
o mal e a morte, rebuscando a ciência
no profundo ideal e na Fé pura
de ser obra de Deus por excelência.
comunicação da sua formatura estava diante da escultura
alegoria à medicina, a caveira tentando tomar a
paciente que o médico teimosamente procura tomar das
màos da morte e imediatamente compus este soneto
que dedico a você-, na sua formatura e que através de
você dedico a todos os seus colegas.
Desencarnados- secos - descarnados,
duros e gastos ossos da caveira,
as mãos em garra ,de qualquer maneira
querendo arrebatar o adoentado.
Força que atua em hora derradeira,
fatal destino,vida do passado,
no nauseabundo odor do fermentado,
apodrecido -trágica esterqueira-
Do outro lado a glória,o sol, a vida
serena e forte, na disputa dura,
a medicina enfrenta , atrevida,
o mal e a morte, rebuscando a ciência
no profundo ideal e na Fé pura
de ser obra de Deus por excelência.
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Urhacy Faustino
ad immortalitatem
para Mário Quintana
Agora que pertence à Grande Constelação,
do outro lado da vida,
ele ri
da estrela terrena que era.
Agora que pertence à Grande Constelação,
do outro lado da vida,
ele ri
da estrela terrena que era.
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Fábio Afonso de Almeida
Fraude
Participe da grande cartada,
Início e fim de todos os sonhos,
Estampa virtual da matéria,
Idéias semi-sólidas do cérebro.
Pegue, sinta, não acredite,
Chore a perda inexistente,
Exulte-se com o prêmio que finda
Na escala irreal da existência.
Fixe a imagem que desmancha
Detenha o tempo que foge.
Sinta a inverdade do vazio,
Segure a geléia das formas.
Assim que se sentir esgotado,
Não creia no corpo cansado.
Mude sua própria natureza,
Que a morte também é uma fraude.
Início e fim de todos os sonhos,
Estampa virtual da matéria,
Idéias semi-sólidas do cérebro.
Pegue, sinta, não acredite,
Chore a perda inexistente,
Exulte-se com o prêmio que finda
Na escala irreal da existência.
Fixe a imagem que desmancha
Detenha o tempo que foge.
Sinta a inverdade do vazio,
Segure a geléia das formas.
Assim que se sentir esgotado,
Não creia no corpo cansado.
Mude sua própria natureza,
Que a morte também é uma fraude.
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