Poemas neste tema
Sociedade e Mundo
Pero da Ponte
Em Almoeda Vi Estar
Em almoeda vi estar
hoj'um ric'hom'e diss'assi:
- Quem quer um ric'home comprar?
E nunca i comprador vi
que o quisesse nem em dom,
ca diziam todos que nom
daria[m] um soldo por si.
E deste ric'home quem quer
vos pod'a verdade dizer:
pois nom há prês nẽum mester,
quem querrá i o seu perder?
Ca el nom faz nẽum lavor
de que nulh'hom'haja sabor,
nem sab'adubar de comer.
E u forom polo vender,
preguntarom-no em gram sem:
- Ric'hom', que sabedes fazer?
E o ric'home disse: - Rem;
nom amo custa nem missom,
mais compro mui de coraçom
herdade, se mi a vend'alguém.
E pois el diss'esta razom,
nom houv'i molher nem barom
que por el dar quisesse rem.
hoj'um ric'hom'e diss'assi:
- Quem quer um ric'home comprar?
E nunca i comprador vi
que o quisesse nem em dom,
ca diziam todos que nom
daria[m] um soldo por si.
E deste ric'home quem quer
vos pod'a verdade dizer:
pois nom há prês nẽum mester,
quem querrá i o seu perder?
Ca el nom faz nẽum lavor
de que nulh'hom'haja sabor,
nem sab'adubar de comer.
E u forom polo vender,
preguntarom-no em gram sem:
- Ric'hom', que sabedes fazer?
E o ric'home disse: - Rem;
nom amo custa nem missom,
mais compro mui de coraçom
herdade, se mi a vend'alguém.
E pois el diss'esta razom,
nom houv'i molher nem barom
que por el dar quisesse rem.
355
Pero da Ponte
Em Almoeda Vi Estar
Em almoeda vi estar
hoj'um ric'hom'e diss'assi:
- Quem quer um ric'home comprar?
E nunca i comprador vi
que o quisesse nem em dom,
ca diziam todos que nom
daria[m] um soldo por si.
E deste ric'home quem quer
vos pod'a verdade dizer:
pois nom há prês nẽum mester,
quem querrá i o seu perder?
Ca el nom faz nẽum lavor
de que nulh'hom'haja sabor,
nem sab'adubar de comer.
E u forom polo vender,
preguntarom-no em gram sem:
- Ric'hom', que sabedes fazer?
E o ric'home disse: - Rem;
nom amo custa nem missom,
mais compro mui de coraçom
herdade, se mi a vend'alguém.
E pois el diss'esta razom,
nom houv'i molher nem barom
que por el dar quisesse rem.
hoj'um ric'hom'e diss'assi:
- Quem quer um ric'home comprar?
E nunca i comprador vi
que o quisesse nem em dom,
ca diziam todos que nom
daria[m] um soldo por si.
E deste ric'home quem quer
vos pod'a verdade dizer:
pois nom há prês nẽum mester,
quem querrá i o seu perder?
Ca el nom faz nẽum lavor
de que nulh'hom'haja sabor,
nem sab'adubar de comer.
E u forom polo vender,
preguntarom-no em gram sem:
- Ric'hom', que sabedes fazer?
E o ric'home disse: - Rem;
nom amo custa nem missom,
mais compro mui de coraçom
herdade, se mi a vend'alguém.
E pois el diss'esta razom,
nom houv'i molher nem barom
que por el dar quisesse rem.
355
Pero da Ponte
Em Almoeda Vi Estar
Em almoeda vi estar
hoj'um ric'hom'e diss'assi:
- Quem quer um ric'home comprar?
E nunca i comprador vi
que o quisesse nem em dom,
ca diziam todos que nom
daria[m] um soldo por si.
E deste ric'home quem quer
vos pod'a verdade dizer:
pois nom há prês nẽum mester,
quem querrá i o seu perder?
Ca el nom faz nẽum lavor
de que nulh'hom'haja sabor,
nem sab'adubar de comer.
E u forom polo vender,
preguntarom-no em gram sem:
- Ric'hom', que sabedes fazer?
E o ric'home disse: - Rem;
nom amo custa nem missom,
mais compro mui de coraçom
herdade, se mi a vend'alguém.
E pois el diss'esta razom,
nom houv'i molher nem barom
que por el dar quisesse rem.
hoj'um ric'hom'e diss'assi:
- Quem quer um ric'home comprar?
E nunca i comprador vi
que o quisesse nem em dom,
ca diziam todos que nom
daria[m] um soldo por si.
E deste ric'home quem quer
vos pod'a verdade dizer:
pois nom há prês nẽum mester,
quem querrá i o seu perder?
Ca el nom faz nẽum lavor
de que nulh'hom'haja sabor,
nem sab'adubar de comer.
E u forom polo vender,
preguntarom-no em gram sem:
- Ric'hom', que sabedes fazer?
E o ric'home disse: - Rem;
nom amo custa nem missom,
mais compro mui de coraçom
herdade, se mi a vend'alguém.
E pois el diss'esta razom,
nom houv'i molher nem barom
que por el dar quisesse rem.
355
Pero da Ponte
Que Bem Se Soub'acompanhar
Que bem se soub'acompanhar
Nostro Senhor esta sazom!
Que filhou tam bom companhom,
de qual vos eu quero contar:
rei dom Fernando, tam de prez,
que tanto bem no mundo fez
e que conquis de mar a mar!
Tal companhom foi Deus filhar
no bom rei, a que Deus perdom,
que jamais nom disse de nom
a nulh'hom[e] por lh'algo dar,
e que sempre fez o melhor;
por en x'o quis Nostro Senhor
põer consigo par a par!
E quant'home em ele mais falar,
tant'achará melhor razom:
ca, dos reis que forom nem som
no mundo por bom prez ganhar,
este rei foi o melhor rei,
que soub'eixalçar nossa Lei
e a dos mouros abaixar!
Mais u Deus pera si levar
quis o bom rei, i log'entom
se nembrou de nós, poilo bom
rei dom Afonso nos foi dar
por senhor. E bem nos cobrou:
ca, se nos bom senhor levou,
mui bom senhor nos foi leixar!
E Deus bom senhor nos levou!
Mais, pois nos tam bom rei leixou,
nom nos devemos a queixar.
Mais façamos tal oraçom:
que Deus, que prês mort'e paixom,
o mande muito bem reinar.
Amen! Aleluia!
Nostro Senhor esta sazom!
Que filhou tam bom companhom,
de qual vos eu quero contar:
rei dom Fernando, tam de prez,
que tanto bem no mundo fez
e que conquis de mar a mar!
Tal companhom foi Deus filhar
no bom rei, a que Deus perdom,
que jamais nom disse de nom
a nulh'hom[e] por lh'algo dar,
e que sempre fez o melhor;
por en x'o quis Nostro Senhor
põer consigo par a par!
E quant'home em ele mais falar,
tant'achará melhor razom:
ca, dos reis que forom nem som
no mundo por bom prez ganhar,
este rei foi o melhor rei,
que soub'eixalçar nossa Lei
e a dos mouros abaixar!
Mais u Deus pera si levar
quis o bom rei, i log'entom
se nembrou de nós, poilo bom
rei dom Afonso nos foi dar
por senhor. E bem nos cobrou:
ca, se nos bom senhor levou,
mui bom senhor nos foi leixar!
E Deus bom senhor nos levou!
Mais, pois nos tam bom rei leixou,
nom nos devemos a queixar.
Mais façamos tal oraçom:
que Deus, que prês mort'e paixom,
o mande muito bem reinar.
Amen! Aleluia!
343
Pero da Ponte
Que Bem Se Soub'acompanhar
Que bem se soub'acompanhar
Nostro Senhor esta sazom!
Que filhou tam bom companhom,
de qual vos eu quero contar:
rei dom Fernando, tam de prez,
que tanto bem no mundo fez
e que conquis de mar a mar!
Tal companhom foi Deus filhar
no bom rei, a que Deus perdom,
que jamais nom disse de nom
a nulh'hom[e] por lh'algo dar,
e que sempre fez o melhor;
por en x'o quis Nostro Senhor
põer consigo par a par!
E quant'home em ele mais falar,
tant'achará melhor razom:
ca, dos reis que forom nem som
no mundo por bom prez ganhar,
este rei foi o melhor rei,
que soub'eixalçar nossa Lei
e a dos mouros abaixar!
Mais u Deus pera si levar
quis o bom rei, i log'entom
se nembrou de nós, poilo bom
rei dom Afonso nos foi dar
por senhor. E bem nos cobrou:
ca, se nos bom senhor levou,
mui bom senhor nos foi leixar!
E Deus bom senhor nos levou!
Mais, pois nos tam bom rei leixou,
nom nos devemos a queixar.
Mais façamos tal oraçom:
que Deus, que prês mort'e paixom,
o mande muito bem reinar.
Amen! Aleluia!
Nostro Senhor esta sazom!
Que filhou tam bom companhom,
de qual vos eu quero contar:
rei dom Fernando, tam de prez,
que tanto bem no mundo fez
e que conquis de mar a mar!
Tal companhom foi Deus filhar
no bom rei, a que Deus perdom,
que jamais nom disse de nom
a nulh'hom[e] por lh'algo dar,
e que sempre fez o melhor;
por en x'o quis Nostro Senhor
põer consigo par a par!
E quant'home em ele mais falar,
tant'achará melhor razom:
ca, dos reis que forom nem som
no mundo por bom prez ganhar,
este rei foi o melhor rei,
que soub'eixalçar nossa Lei
e a dos mouros abaixar!
Mais u Deus pera si levar
quis o bom rei, i log'entom
se nembrou de nós, poilo bom
rei dom Afonso nos foi dar
por senhor. E bem nos cobrou:
ca, se nos bom senhor levou,
mui bom senhor nos foi leixar!
E Deus bom senhor nos levou!
Mais, pois nos tam bom rei leixou,
nom nos devemos a queixar.
Mais façamos tal oraçom:
que Deus, que prês mort'e paixom,
o mande muito bem reinar.
Amen! Aleluia!
343
Pero da Ponte
Um Dia Fui Cavalgar
Um dia fui cavalgar
de Burgos contra Carrion
e saiu-m'a convidar
no caminh'um infançom;
e tanto me convidou
que houvi logo a jantar
com el, mal que mi pesou.
U m'eu de Burgos parti,
log'a Deus m'encomendei
e log'a El proug'assi
que um infançom achei;
e tanto me convidou
que houvi a jantar log'i
com el, mal que mi pesou.
E se eu de coraçom
roguei Deus, baratei bem:
ca em pouca de sazom
aque m'um infançom vem;
e tanto me convidou
que houvi a jantar entom
com el, mal que mi pesou.
E nunca já comerei
com'entom com el comi;
mais, u eu com el topei,
quisera-m'ir, e el i
atanto me convidou
que, sem meu grado, jantei
com el, mal que mi pesou.
de Burgos contra Carrion
e saiu-m'a convidar
no caminh'um infançom;
e tanto me convidou
que houvi logo a jantar
com el, mal que mi pesou.
U m'eu de Burgos parti,
log'a Deus m'encomendei
e log'a El proug'assi
que um infançom achei;
e tanto me convidou
que houvi a jantar log'i
com el, mal que mi pesou.
E se eu de coraçom
roguei Deus, baratei bem:
ca em pouca de sazom
aque m'um infançom vem;
e tanto me convidou
que houvi a jantar entom
com el, mal que mi pesou.
E nunca já comerei
com'entom com el comi;
mais, u eu com el topei,
quisera-m'ir, e el i
atanto me convidou
que, sem meu grado, jantei
com el, mal que mi pesou.
522
Pero da Ponte
D'um Tal Ric'home Vos Quero Contar
D'um tal ric'home vos quero contar
que noutro dia a Segóvia chegou,
de como foi a vila refeçar,
pois o ric'home na vila entrou:
ca o manjar que ante davam i
por dez soldos ou por maravedi,
log'esse dia cinc soldos tornou.
Ric'home foi que nos Deus enviou,
que nos nom quis assi desamparar,
que nos a vila assi refeçou,
poilo ric'home veo no logar;
ca nunca eu tam gram miragre vi:
polo açougue refeçar assi,
mentr'o ric'home mandara comprar.
E a Deus devemos graças a dar
deste ric'home que nos presentou,
de mais em ano que era tam car'
com'este foi que ogano passou;
ca, pois este ric'hom'entrou aqui,
nunca maa careza entrou i,
mentr'o ric'home na corte morou.
que noutro dia a Segóvia chegou,
de como foi a vila refeçar,
pois o ric'home na vila entrou:
ca o manjar que ante davam i
por dez soldos ou por maravedi,
log'esse dia cinc soldos tornou.
Ric'home foi que nos Deus enviou,
que nos nom quis assi desamparar,
que nos a vila assi refeçou,
poilo ric'home veo no logar;
ca nunca eu tam gram miragre vi:
polo açougue refeçar assi,
mentr'o ric'home mandara comprar.
E a Deus devemos graças a dar
deste ric'home que nos presentou,
de mais em ano que era tam car'
com'este foi que ogano passou;
ca, pois este ric'hom'entrou aqui,
nunca maa careza entrou i,
mentr'o ric'home na corte morou.
660
Pero da Ponte
D'um Tal Ric'home Vos Quero Contar
D'um tal ric'home vos quero contar
que noutro dia a Segóvia chegou,
de como foi a vila refeçar,
pois o ric'home na vila entrou:
ca o manjar que ante davam i
por dez soldos ou por maravedi,
log'esse dia cinc soldos tornou.
Ric'home foi que nos Deus enviou,
que nos nom quis assi desamparar,
que nos a vila assi refeçou,
poilo ric'home veo no logar;
ca nunca eu tam gram miragre vi:
polo açougue refeçar assi,
mentr'o ric'home mandara comprar.
E a Deus devemos graças a dar
deste ric'home que nos presentou,
de mais em ano que era tam car'
com'este foi que ogano passou;
ca, pois este ric'hom'entrou aqui,
nunca maa careza entrou i,
mentr'o ric'home na corte morou.
que noutro dia a Segóvia chegou,
de como foi a vila refeçar,
pois o ric'home na vila entrou:
ca o manjar que ante davam i
por dez soldos ou por maravedi,
log'esse dia cinc soldos tornou.
Ric'home foi que nos Deus enviou,
que nos nom quis assi desamparar,
que nos a vila assi refeçou,
poilo ric'home veo no logar;
ca nunca eu tam gram miragre vi:
polo açougue refeçar assi,
mentr'o ric'home mandara comprar.
E a Deus devemos graças a dar
deste ric'home que nos presentou,
de mais em ano que era tam car'
com'este foi que ogano passou;
ca, pois este ric'hom'entrou aqui,
nunca maa careza entrou i,
mentr'o ric'home na corte morou.
660
Matilde Campilho
Explicação do Sopro
Século XXI. Certos homens se fecham em quartos de hotel porque nos lugares anônimos é muito possível ficar encostado numa parede branca vendo a água correr no chão do chu veiro. Dois rapazinhos pegam as bicicletas e pedalam quatro centos e vinte quilômetros até achar a costa. Ao alcançá-la, tiram suas roupas e não mergulham: só encostam a zona lombar na areia e repetem até ao infinito a ladainha da tabuada do sete. Um bombeiro termina seu turno de vinte e quatro horas e entra no boteco junto à estátua de São Tarso. Pede um conjunto de sete pães de queijo e nos espaços entre cada um dos pães ele fica procurando por algum pedaço da túnica de Deus. O motorista do ônibus sabe perfeitamente que dentro da mala da senhora de rosto limpo tem uma caixa de joias que contém uma caixa de medicamentos que contém uma caixa de anel que contém uma bala. O tocador de kalimba está muito consciente de que hoje o mantra nasce da mistura de um cântico de procissão com o latir do cachorro, e está consciente também de que todo o desenho acha sua acústica perfeita nas pequenas eremitas. Aquele que pinta a natureza, o ladrão de ossos, sabe que deve empreender seu trabalho em posição horizontal, de corpo muito junto ao chão. E se por acaso o observarmos no processo por mais de sete minutos, podemos reparar que sua caixa torácica constantemente toca a tela, sempre na mesma cadência. A moça de vinte e sete anos ainda está sentada ao toucador, de frente para o próprio rosto, absolutamente indecisa sobre qual dos objetos escolher. Entre o batom alaranjado, a carabina calibre 12, o pó de arroz e o crucifixo em miniatura vai uma distância de dois passos a galope.
1 328
Pero da Ponte
O Que Valença Conquereu
O que Valença conquereu
por sempre mais valenç'haver,
Valença se quer manteer
e sempr'em valença entendeu.
E de Valença é senhor,
pois el mantém prez e loor
e prês Valença por valer.
E per valença sempre obrou
por haver Valença, de pram;
e por valença lhi diram
que bem Valença gaanhou.
E o bom rei Valença tem
que, pois prez e valor mantém,
rei de Valença lhi diram.
Ca Deus lhi deu esforç'e sem
por sobre Valença reinar,
e lhi fez Valença acabar
com quanta valença convém.
El rei que Valença conquis,
que de valença est bem fiz
e per valença quer obrar,
rei de razom, rei de bom sem,
rei de prez, rei de todo bem
est, e rei d'Aragon, de pram!
por sempre mais valenç'haver,
Valença se quer manteer
e sempr'em valença entendeu.
E de Valença é senhor,
pois el mantém prez e loor
e prês Valença por valer.
E per valença sempre obrou
por haver Valença, de pram;
e por valença lhi diram
que bem Valença gaanhou.
E o bom rei Valença tem
que, pois prez e valor mantém,
rei de Valença lhi diram.
Ca Deus lhi deu esforç'e sem
por sobre Valença reinar,
e lhi fez Valença acabar
com quanta valença convém.
El rei que Valença conquis,
que de valença est bem fiz
e per valença quer obrar,
rei de razom, rei de bom sem,
rei de prez, rei de todo bem
est, e rei d'Aragon, de pram!
596
Pero da Ponte
O Que Valença Conquereu
O que Valença conquereu
por sempre mais valenç'haver,
Valença se quer manteer
e sempr'em valença entendeu.
E de Valença é senhor,
pois el mantém prez e loor
e prês Valença por valer.
E per valença sempre obrou
por haver Valença, de pram;
e por valença lhi diram
que bem Valença gaanhou.
E o bom rei Valença tem
que, pois prez e valor mantém,
rei de Valença lhi diram.
Ca Deus lhi deu esforç'e sem
por sobre Valença reinar,
e lhi fez Valença acabar
com quanta valença convém.
El rei que Valença conquis,
que de valença est bem fiz
e per valença quer obrar,
rei de razom, rei de bom sem,
rei de prez, rei de todo bem
est, e rei d'Aragon, de pram!
por sempre mais valenç'haver,
Valença se quer manteer
e sempr'em valença entendeu.
E de Valença é senhor,
pois el mantém prez e loor
e prês Valença por valer.
E per valença sempre obrou
por haver Valença, de pram;
e por valença lhi diram
que bem Valença gaanhou.
E o bom rei Valença tem
que, pois prez e valor mantém,
rei de Valença lhi diram.
Ca Deus lhi deu esforç'e sem
por sobre Valença reinar,
e lhi fez Valença acabar
com quanta valença convém.
El rei que Valença conquis,
que de valença est bem fiz
e per valença quer obrar,
rei de razom, rei de bom sem,
rei de prez, rei de todo bem
est, e rei d'Aragon, de pram!
596
Pero da Ponte
O Que Valença Conquereu
O que Valença conquereu
por sempre mais valenç'haver,
Valença se quer manteer
e sempr'em valença entendeu.
E de Valença é senhor,
pois el mantém prez e loor
e prês Valença por valer.
E per valença sempre obrou
por haver Valença, de pram;
e por valença lhi diram
que bem Valença gaanhou.
E o bom rei Valença tem
que, pois prez e valor mantém,
rei de Valença lhi diram.
Ca Deus lhi deu esforç'e sem
por sobre Valença reinar,
e lhi fez Valença acabar
com quanta valença convém.
El rei que Valença conquis,
que de valença est bem fiz
e per valença quer obrar,
rei de razom, rei de bom sem,
rei de prez, rei de todo bem
est, e rei d'Aragon, de pram!
por sempre mais valenç'haver,
Valença se quer manteer
e sempr'em valença entendeu.
E de Valença é senhor,
pois el mantém prez e loor
e prês Valença por valer.
E per valença sempre obrou
por haver Valença, de pram;
e por valença lhi diram
que bem Valença gaanhou.
E o bom rei Valença tem
que, pois prez e valor mantém,
rei de Valença lhi diram.
Ca Deus lhi deu esforç'e sem
por sobre Valença reinar,
e lhi fez Valença acabar
com quanta valença convém.
El rei que Valença conquis,
que de valença est bem fiz
e per valença quer obrar,
rei de razom, rei de bom sem,
rei de prez, rei de todo bem
est, e rei d'Aragon, de pram!
596
Pero da Ponte
Aos Mouros Que Aqui Som
Aos mouros que aqui som
Dom Álvaro rem nom lhis dá,
mais manda-lhis filhar raçom
da cachaça, e dar-lhis [nom] há
do al que na cozinh'houver;
mais o mouro que mi crever
a cachaça nom filhará.
Mais, se lha derem, log'entom
aos cães a deitará,
e direi-vos por qual razom:
ca nunca xe lhi cozerá;
e a cachaça nom há mester,
pois que se [lhi] nom cozer
a quanta lenha no mund'há.
Nen'os mouros, a meu cuidar,
poila virem, non'a querrám;
mais, se a quiserem filhar,
direi-vos como lhi farám:
i-la-am logo remolhar,
ca assi soem adubar
a cachaça, quando lha dam.
Dom Álvaro rem nom lhis dá,
mais manda-lhis filhar raçom
da cachaça, e dar-lhis [nom] há
do al que na cozinh'houver;
mais o mouro que mi crever
a cachaça nom filhará.
Mais, se lha derem, log'entom
aos cães a deitará,
e direi-vos por qual razom:
ca nunca xe lhi cozerá;
e a cachaça nom há mester,
pois que se [lhi] nom cozer
a quanta lenha no mund'há.
Nen'os mouros, a meu cuidar,
poila virem, non'a querrám;
mais, se a quiserem filhar,
direi-vos como lhi farám:
i-la-am logo remolhar,
ca assi soem adubar
a cachaça, quando lha dam.
1 002
Pero da Ponte
D'um Tal Ric'home Ouç'eu Dizer
D'um tal ric'home ouç'eu dizer
que est mui ric'hom'assaz,
de quant'em gram requeza jaz;
mais esto nom poss'eu creer,
mais creo-mi al, per boa fé:
quem d'amigos mui prob[e] é
nom pode mui rico seer.
De mais, quem há mui gram poder
de fazer alg'e o nom faz,
mais de viver porque lhi praz?
Pois que nom val nem quer valer
[c]om grand'estança, que prol lh'há?
Ca, pois d'amigos mal está,
nom pode bõa estanç'haver.
Ca, pois hom'é de tal convém
por que todos lhi querem mal,
o Demo lev'o que lhi val
sa requeza! De mais a quem
nom presta a outrem nem a si,
de mal conhocer per est i
quem tal home por rico tem.
E direi-vos del outra rem
e nom acharedes end'al:
pois el diz que lhi nom en chal
de dizerem del mal nem bem,
jamais del nom atenderei
bom feit[o], e sempr'o terrei
por cousa que nom vai nem vem.
Mas, pero lh'eu grand'haver sei,
que há el mais do que eu hei,
pois s'end'el nom ajuda rem?
que est mui ric'hom'assaz,
de quant'em gram requeza jaz;
mais esto nom poss'eu creer,
mais creo-mi al, per boa fé:
quem d'amigos mui prob[e] é
nom pode mui rico seer.
De mais, quem há mui gram poder
de fazer alg'e o nom faz,
mais de viver porque lhi praz?
Pois que nom val nem quer valer
[c]om grand'estança, que prol lh'há?
Ca, pois d'amigos mal está,
nom pode bõa estanç'haver.
Ca, pois hom'é de tal convém
por que todos lhi querem mal,
o Demo lev'o que lhi val
sa requeza! De mais a quem
nom presta a outrem nem a si,
de mal conhocer per est i
quem tal home por rico tem.
E direi-vos del outra rem
e nom acharedes end'al:
pois el diz que lhi nom en chal
de dizerem del mal nem bem,
jamais del nom atenderei
bom feit[o], e sempr'o terrei
por cousa que nom vai nem vem.
Mas, pero lh'eu grand'haver sei,
que há el mais do que eu hei,
pois s'end'el nom ajuda rem?
743
Pero da Ponte
D'um Tal Ric'home Ouç'eu Dizer
D'um tal ric'home ouç'eu dizer
que est mui ric'hom'assaz,
de quant'em gram requeza jaz;
mais esto nom poss'eu creer,
mais creo-mi al, per boa fé:
quem d'amigos mui prob[e] é
nom pode mui rico seer.
De mais, quem há mui gram poder
de fazer alg'e o nom faz,
mais de viver porque lhi praz?
Pois que nom val nem quer valer
[c]om grand'estança, que prol lh'há?
Ca, pois d'amigos mal está,
nom pode bõa estanç'haver.
Ca, pois hom'é de tal convém
por que todos lhi querem mal,
o Demo lev'o que lhi val
sa requeza! De mais a quem
nom presta a outrem nem a si,
de mal conhocer per est i
quem tal home por rico tem.
E direi-vos del outra rem
e nom acharedes end'al:
pois el diz que lhi nom en chal
de dizerem del mal nem bem,
jamais del nom atenderei
bom feit[o], e sempr'o terrei
por cousa que nom vai nem vem.
Mas, pero lh'eu grand'haver sei,
que há el mais do que eu hei,
pois s'end'el nom ajuda rem?
que est mui ric'hom'assaz,
de quant'em gram requeza jaz;
mais esto nom poss'eu creer,
mais creo-mi al, per boa fé:
quem d'amigos mui prob[e] é
nom pode mui rico seer.
De mais, quem há mui gram poder
de fazer alg'e o nom faz,
mais de viver porque lhi praz?
Pois que nom val nem quer valer
[c]om grand'estança, que prol lh'há?
Ca, pois d'amigos mal está,
nom pode bõa estanç'haver.
Ca, pois hom'é de tal convém
por que todos lhi querem mal,
o Demo lev'o que lhi val
sa requeza! De mais a quem
nom presta a outrem nem a si,
de mal conhocer per est i
quem tal home por rico tem.
E direi-vos del outra rem
e nom acharedes end'al:
pois el diz que lhi nom en chal
de dizerem del mal nem bem,
jamais del nom atenderei
bom feit[o], e sempr'o terrei
por cousa que nom vai nem vem.
Mas, pero lh'eu grand'haver sei,
que há el mais do que eu hei,
pois s'end'el nom ajuda rem?
743
Pero da Ponte
Noutro Dia, Em Carrion
Noutro dia, em Carrion,
queria[m] um salmom vender,
e chegou i um infançom;
e, tanto que o foi veer,
creceu-lhi del tal coraçom
que diss'a um seu hom'entom:
- Peixota quer'hoj'eu comer.
Ca muit'há já que nom comi
salmom, que sempre desejei;
mais, pois que o ach'ora aqui,
já custa nom recearei,
que hoj'eu nom cômia, de pram,
bem da peixota e do pam,
que muit'há que bem nom ceei.
Mais, pois aqui salmom achei,
querrei hoj'eu mui bem cear,
ca nom sei u mi o acharei,
des que me for deste logar;
e do salmom que ora vi,
ante que x'o levem dali,
vai-m'ũa peixota comprar.
Nom quer'eu custa recear,
pois salmom fresco acho, Sinher!
Mais quero ir bem del assũar
por enviar a mia molher
(que morre por el outrossi)
da balea que vej'aqui;
e depois quite quem poder!
queria[m] um salmom vender,
e chegou i um infançom;
e, tanto que o foi veer,
creceu-lhi del tal coraçom
que diss'a um seu hom'entom:
- Peixota quer'hoj'eu comer.
Ca muit'há já que nom comi
salmom, que sempre desejei;
mais, pois que o ach'ora aqui,
já custa nom recearei,
que hoj'eu nom cômia, de pram,
bem da peixota e do pam,
que muit'há que bem nom ceei.
Mais, pois aqui salmom achei,
querrei hoj'eu mui bem cear,
ca nom sei u mi o acharei,
des que me for deste logar;
e do salmom que ora vi,
ante que x'o levem dali,
vai-m'ũa peixota comprar.
Nom quer'eu custa recear,
pois salmom fresco acho, Sinher!
Mais quero ir bem del assũar
por enviar a mia molher
(que morre por el outrossi)
da balea que vej'aqui;
e depois quite quem poder!
618
Pero da Ponte
Noutro Dia, Em Carrion
Noutro dia, em Carrion,
queria[m] um salmom vender,
e chegou i um infançom;
e, tanto que o foi veer,
creceu-lhi del tal coraçom
que diss'a um seu hom'entom:
- Peixota quer'hoj'eu comer.
Ca muit'há já que nom comi
salmom, que sempre desejei;
mais, pois que o ach'ora aqui,
já custa nom recearei,
que hoj'eu nom cômia, de pram,
bem da peixota e do pam,
que muit'há que bem nom ceei.
Mais, pois aqui salmom achei,
querrei hoj'eu mui bem cear,
ca nom sei u mi o acharei,
des que me for deste logar;
e do salmom que ora vi,
ante que x'o levem dali,
vai-m'ũa peixota comprar.
Nom quer'eu custa recear,
pois salmom fresco acho, Sinher!
Mais quero ir bem del assũar
por enviar a mia molher
(que morre por el outrossi)
da balea que vej'aqui;
e depois quite quem poder!
queria[m] um salmom vender,
e chegou i um infançom;
e, tanto que o foi veer,
creceu-lhi del tal coraçom
que diss'a um seu hom'entom:
- Peixota quer'hoj'eu comer.
Ca muit'há já que nom comi
salmom, que sempre desejei;
mais, pois que o ach'ora aqui,
já custa nom recearei,
que hoj'eu nom cômia, de pram,
bem da peixota e do pam,
que muit'há que bem nom ceei.
Mais, pois aqui salmom achei,
querrei hoj'eu mui bem cear,
ca nom sei u mi o acharei,
des que me for deste logar;
e do salmom que ora vi,
ante que x'o levem dali,
vai-m'ũa peixota comprar.
Nom quer'eu custa recear,
pois salmom fresco acho, Sinher!
Mais quero ir bem del assũar
por enviar a mia molher
(que morre por el outrossi)
da balea que vej'aqui;
e depois quite quem poder!
618
Pero da Ponte
Garcia López D'elfaro
Garcia López d'Elfaro,
direi-vos que m'agravece:
que vosso dom é mui caro
e vosso dom é rafece.
O vosso dom é mui caro pera quen'o há d'haver,
o vosso dom é rafec[e] a quen'o há de vender.
Por caros teemos panos
que home pedir nom ousa;
e, poilos tragem dous anos
rafeces som, por tal cousa.
O vosso dom é mui caro pera quen'o há d'haver,
o vosso dom é rafec[e] a quen'o há de vender.
Esto nunca eu cuidara:
que ũa cousa senlheira
podesse seer [tam] cara
e rafec'em tal maneira.
O vosso dom é mui caro pera quen'o há d'haver,
o vosso dom é rafec[e] a quen'o há de vender.
direi-vos que m'agravece:
que vosso dom é mui caro
e vosso dom é rafece.
O vosso dom é mui caro pera quen'o há d'haver,
o vosso dom é rafec[e] a quen'o há de vender.
Por caros teemos panos
que home pedir nom ousa;
e, poilos tragem dous anos
rafeces som, por tal cousa.
O vosso dom é mui caro pera quen'o há d'haver,
o vosso dom é rafec[e] a quen'o há de vender.
Esto nunca eu cuidara:
que ũa cousa senlheira
podesse seer [tam] cara
e rafec'em tal maneira.
O vosso dom é mui caro pera quen'o há d'haver,
o vosso dom é rafec[e] a quen'o há de vender.
648
Pero da Ponte
Quem a Sa Filha Quiser Dar
Quem a sa filha quiser dar
mester, com que sábia guarir,
a Maria Doming'há-de ir,
que a saberá bem mostrar;
e direi-vos que lhi fará:
ante d'um mês lh'amostrará
como sábia mui bem ambrar.
Ca me lhi vej'eu ensinar
ũa sa filha e nodrir;
e quem sas manhas bem cousir
aquesto pode bem jurar:
que des Paris atẽes acá
molher de seus dias nom há
que tam bem s'acorde d'ambrar.
E quem d'haver houver sabor
nom ponha sa filh'a tecer,
nem a cordas nem a coser,
mentr'esta mestra aqui for,
que lhi mostrará tal mester,
por que seja rica molher,
ergo se lhi minguar lavor.
E será en mais sabedor,
por estas artes aprender;
demais, quanto quiser saber,
sabê-lo pode mui melhor;
e pois tod'esto bem souber,
guarrá assi como poder;
de mais, guarrá per seu lavor.
mester, com que sábia guarir,
a Maria Doming'há-de ir,
que a saberá bem mostrar;
e direi-vos que lhi fará:
ante d'um mês lh'amostrará
como sábia mui bem ambrar.
Ca me lhi vej'eu ensinar
ũa sa filha e nodrir;
e quem sas manhas bem cousir
aquesto pode bem jurar:
que des Paris atẽes acá
molher de seus dias nom há
que tam bem s'acorde d'ambrar.
E quem d'haver houver sabor
nom ponha sa filh'a tecer,
nem a cordas nem a coser,
mentr'esta mestra aqui for,
que lhi mostrará tal mester,
por que seja rica molher,
ergo se lhi minguar lavor.
E será en mais sabedor,
por estas artes aprender;
demais, quanto quiser saber,
sabê-lo pode mui melhor;
e pois tod'esto bem souber,
guarrá assi como poder;
de mais, guarrá per seu lavor.
366
Pero da Ponte
Quem a Sa Filha Quiser Dar
Quem a sa filha quiser dar
mester, com que sábia guarir,
a Maria Doming'há-de ir,
que a saberá bem mostrar;
e direi-vos que lhi fará:
ante d'um mês lh'amostrará
como sábia mui bem ambrar.
Ca me lhi vej'eu ensinar
ũa sa filha e nodrir;
e quem sas manhas bem cousir
aquesto pode bem jurar:
que des Paris atẽes acá
molher de seus dias nom há
que tam bem s'acorde d'ambrar.
E quem d'haver houver sabor
nom ponha sa filh'a tecer,
nem a cordas nem a coser,
mentr'esta mestra aqui for,
que lhi mostrará tal mester,
por que seja rica molher,
ergo se lhi minguar lavor.
E será en mais sabedor,
por estas artes aprender;
demais, quanto quiser saber,
sabê-lo pode mui melhor;
e pois tod'esto bem souber,
guarrá assi como poder;
de mais, guarrá per seu lavor.
mester, com que sábia guarir,
a Maria Doming'há-de ir,
que a saberá bem mostrar;
e direi-vos que lhi fará:
ante d'um mês lh'amostrará
como sábia mui bem ambrar.
Ca me lhi vej'eu ensinar
ũa sa filha e nodrir;
e quem sas manhas bem cousir
aquesto pode bem jurar:
que des Paris atẽes acá
molher de seus dias nom há
que tam bem s'acorde d'ambrar.
E quem d'haver houver sabor
nom ponha sa filh'a tecer,
nem a cordas nem a coser,
mentr'esta mestra aqui for,
que lhi mostrará tal mester,
por que seja rica molher,
ergo se lhi minguar lavor.
E será en mais sabedor,
por estas artes aprender;
demais, quanto quiser saber,
sabê-lo pode mui melhor;
e pois tod'esto bem souber,
guarrá assi como poder;
de mais, guarrá per seu lavor.
366
Pero da Ponte
Marinha López, Oimais, a Seu Grado
Marinha López, oimais, a seu grado,
se quiser Deus, será bõa molher;
e se algum feito fez desaguisado,
non'o fará jamais, se Deus quiser;
e direi-vos como se quer guardar:
quer-s'ir ali em cas Dom Lop'andar,
u lhi semelha logar apartado.
E bem creede que est apartado
pera ela, que folia nom quer,
ca nom veerá i mais nulh'homem nado
de mil cavaleiros, se nom quiser;
e pois se quer de folia leixar,
de pram Deus lhi mostrou aquel logar:
i pode bem remiir seu pecado.
E pois bem quer remiir seu pecado,
logar achou qual havia mester,
u nom saberá parte nem mandado
de nulh'home, se d'alhur nom veer;
pero se pobr'ou coitado passar
per aquel porto, sabê-lo-á albergar
e, de mais, dar-lh'alberg'endõado.
se quiser Deus, será bõa molher;
e se algum feito fez desaguisado,
non'o fará jamais, se Deus quiser;
e direi-vos como se quer guardar:
quer-s'ir ali em cas Dom Lop'andar,
u lhi semelha logar apartado.
E bem creede que est apartado
pera ela, que folia nom quer,
ca nom veerá i mais nulh'homem nado
de mil cavaleiros, se nom quiser;
e pois se quer de folia leixar,
de pram Deus lhi mostrou aquel logar:
i pode bem remiir seu pecado.
E pois bem quer remiir seu pecado,
logar achou qual havia mester,
u nom saberá parte nem mandado
de nulh'home, se d'alhur nom veer;
pero se pobr'ou coitado passar
per aquel porto, sabê-lo-á albergar
e, de mais, dar-lh'alberg'endõado.
617
Pero da Ponte
Marinha López, Oimais, a Seu Grado
Marinha López, oimais, a seu grado,
se quiser Deus, será bõa molher;
e se algum feito fez desaguisado,
non'o fará jamais, se Deus quiser;
e direi-vos como se quer guardar:
quer-s'ir ali em cas Dom Lop'andar,
u lhi semelha logar apartado.
E bem creede que est apartado
pera ela, que folia nom quer,
ca nom veerá i mais nulh'homem nado
de mil cavaleiros, se nom quiser;
e pois se quer de folia leixar,
de pram Deus lhi mostrou aquel logar:
i pode bem remiir seu pecado.
E pois bem quer remiir seu pecado,
logar achou qual havia mester,
u nom saberá parte nem mandado
de nulh'home, se d'alhur nom veer;
pero se pobr'ou coitado passar
per aquel porto, sabê-lo-á albergar
e, de mais, dar-lh'alberg'endõado.
se quiser Deus, será bõa molher;
e se algum feito fez desaguisado,
non'o fará jamais, se Deus quiser;
e direi-vos como se quer guardar:
quer-s'ir ali em cas Dom Lop'andar,
u lhi semelha logar apartado.
E bem creede que est apartado
pera ela, que folia nom quer,
ca nom veerá i mais nulh'homem nado
de mil cavaleiros, se nom quiser;
e pois se quer de folia leixar,
de pram Deus lhi mostrou aquel logar:
i pode bem remiir seu pecado.
E pois bem quer remiir seu pecado,
logar achou qual havia mester,
u nom saberá parte nem mandado
de nulh'home, se d'alhur nom veer;
pero se pobr'ou coitado passar
per aquel porto, sabê-lo-á albergar
e, de mais, dar-lh'alberg'endõado.
617
Fernão Garcia Esgaravunha
Esta Ama, Cuj'é Joam Coelho
Esta ama, cuj'é Joam Coelho,
per bõas manhas que soub'aprender,
cada u for, achará bom conselho:
ca sabe bem fiar e bem tecer
e talha mui bem bragas e camisa;
e nunca vistes molher de sa guisa
que mais límpia vida sábia fazer.
Ante, hoj'é das molheres preçadas
que nós sabemos em nosso logar,
ca lava bem e faz bõas queijadas
e sabe bem moer e amassar
e sabe muito de bõa leiteira.
Esto nom dig'eu por bem que lhi queira,
mais porque est assi, a meu cuidar.
E seu marido, de crastar verrões
nom lh'acham par, de Burgos a Carrion,
nem [a] ela de capar galiões
fremosament', assi Deus mi perdom.
Tod'esto faz; e cata bem argueiro
e escanta bem per olh'e per calheiro
e sabe muito bõa escantaçom.
Nom acharedes em toda Castela,
graças a Deus, de que mi agora praz,
melhor ventrulho nem melhor morcela
do que a ama com sa mão faz;
e al faz bem, como diz seu marido:
faz bom souriç'e lava bem transido
e deita bem galinha choca assaz.
per bõas manhas que soub'aprender,
cada u for, achará bom conselho:
ca sabe bem fiar e bem tecer
e talha mui bem bragas e camisa;
e nunca vistes molher de sa guisa
que mais límpia vida sábia fazer.
Ante, hoj'é das molheres preçadas
que nós sabemos em nosso logar,
ca lava bem e faz bõas queijadas
e sabe bem moer e amassar
e sabe muito de bõa leiteira.
Esto nom dig'eu por bem que lhi queira,
mais porque est assi, a meu cuidar.
E seu marido, de crastar verrões
nom lh'acham par, de Burgos a Carrion,
nem [a] ela de capar galiões
fremosament', assi Deus mi perdom.
Tod'esto faz; e cata bem argueiro
e escanta bem per olh'e per calheiro
e sabe muito bõa escantaçom.
Nom acharedes em toda Castela,
graças a Deus, de que mi agora praz,
melhor ventrulho nem melhor morcela
do que a ama com sa mão faz;
e al faz bem, como diz seu marido:
faz bom souriç'e lava bem transido
e deita bem galinha choca assaz.
673
Fernão Garcia Esgaravunha
Esta Ama, Cuj'é Joam Coelho
Esta ama, cuj'é Joam Coelho,
per bõas manhas que soub'aprender,
cada u for, achará bom conselho:
ca sabe bem fiar e bem tecer
e talha mui bem bragas e camisa;
e nunca vistes molher de sa guisa
que mais límpia vida sábia fazer.
Ante, hoj'é das molheres preçadas
que nós sabemos em nosso logar,
ca lava bem e faz bõas queijadas
e sabe bem moer e amassar
e sabe muito de bõa leiteira.
Esto nom dig'eu por bem que lhi queira,
mais porque est assi, a meu cuidar.
E seu marido, de crastar verrões
nom lh'acham par, de Burgos a Carrion,
nem [a] ela de capar galiões
fremosament', assi Deus mi perdom.
Tod'esto faz; e cata bem argueiro
e escanta bem per olh'e per calheiro
e sabe muito bõa escantaçom.
Nom acharedes em toda Castela,
graças a Deus, de que mi agora praz,
melhor ventrulho nem melhor morcela
do que a ama com sa mão faz;
e al faz bem, como diz seu marido:
faz bom souriç'e lava bem transido
e deita bem galinha choca assaz.
per bõas manhas que soub'aprender,
cada u for, achará bom conselho:
ca sabe bem fiar e bem tecer
e talha mui bem bragas e camisa;
e nunca vistes molher de sa guisa
que mais límpia vida sábia fazer.
Ante, hoj'é das molheres preçadas
que nós sabemos em nosso logar,
ca lava bem e faz bõas queijadas
e sabe bem moer e amassar
e sabe muito de bõa leiteira.
Esto nom dig'eu por bem que lhi queira,
mais porque est assi, a meu cuidar.
E seu marido, de crastar verrões
nom lh'acham par, de Burgos a Carrion,
nem [a] ela de capar galiões
fremosament', assi Deus mi perdom.
Tod'esto faz; e cata bem argueiro
e escanta bem per olh'e per calheiro
e sabe muito bõa escantaçom.
Nom acharedes em toda Castela,
graças a Deus, de que mi agora praz,
melhor ventrulho nem melhor morcela
do que a ama com sa mão faz;
e al faz bem, como diz seu marido:
faz bom souriç'e lava bem transido
e deita bem galinha choca assaz.
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