Poemas neste tema
Sociedade e Mundo
Gregório de Matos
A Cosme Moura Rolim
Um Rolim de Monai Bonzo Bramá
Primaz de Greparia do Pegu,
Que sem ser do Pequim, por ser do Açu,
Quer ser filho do Sol nascendo cá.
Tenha embora um Avô nascido lá,
Cá tem três para as partes do Cairu,
Chama-se o principal Paraguaçu
Descendente este tal de um Guinamá.
Que é fidalgo nos ossos, cremos nós.
Que nisto consistia o mor brasão
Daqueles, que comiam seus avós.
E como isto lhe vem por geração,
Tem tomado por timbre em seus teirós
Morder, aos que provêm de outra Nação.
In: MATOS, Gregório de. Obra poética. Org. James Amado. Prep. e notas Emanuel Araújo. Apres. Jorge Amado. 3.ed. Rio de Janeiro: Record, 1992.
NOTA: Rolim: emissário ou embaixador, entre os povos do Extremo Oriente. Observe-se aqui um trocadilho com o nome próprio; bonzo bramá: sacerdote budista de Bramá (Birmânia); greparia: coletivo de grepo, sacerdote de Pegu, cidade sagrada na baixa Birmâni
Primaz de Greparia do Pegu,
Que sem ser do Pequim, por ser do Açu,
Quer ser filho do Sol nascendo cá.
Tenha embora um Avô nascido lá,
Cá tem três para as partes do Cairu,
Chama-se o principal Paraguaçu
Descendente este tal de um Guinamá.
Que é fidalgo nos ossos, cremos nós.
Que nisto consistia o mor brasão
Daqueles, que comiam seus avós.
E como isto lhe vem por geração,
Tem tomado por timbre em seus teirós
Morder, aos que provêm de outra Nação.
In: MATOS, Gregório de. Obra poética. Org. James Amado. Prep. e notas Emanuel Araújo. Apres. Jorge Amado. 3.ed. Rio de Janeiro: Record, 1992.
NOTA: Rolim: emissário ou embaixador, entre os povos do Extremo Oriente. Observe-se aqui um trocadilho com o nome próprio; bonzo bramá: sacerdote budista de Bramá (Birmânia); greparia: coletivo de grepo, sacerdote de Pegu, cidade sagrada na baixa Birmâni
2 210
Gregório de Matos
A Cosme Moura Rolim
Um Rolim de Monai Bonzo Bramá
Primaz de Greparia do Pegu,
Que sem ser do Pequim, por ser do Açu,
Quer ser filho do Sol nascendo cá.
Tenha embora um Avô nascido lá,
Cá tem três para as partes do Cairu,
Chama-se o principal Paraguaçu
Descendente este tal de um Guinamá.
Que é fidalgo nos ossos, cremos nós.
Que nisto consistia o mor brasão
Daqueles, que comiam seus avós.
E como isto lhe vem por geração,
Tem tomado por timbre em seus teirós
Morder, aos que provêm de outra Nação.
In: MATOS, Gregório de. Obra poética. Org. James Amado. Prep. e notas Emanuel Araújo. Apres. Jorge Amado. 3.ed. Rio de Janeiro: Record, 1992.
NOTA: Rolim: emissário ou embaixador, entre os povos do Extremo Oriente. Observe-se aqui um trocadilho com o nome próprio; bonzo bramá: sacerdote budista de Bramá (Birmânia); greparia: coletivo de grepo, sacerdote de Pegu, cidade sagrada na baixa Birmâni
Primaz de Greparia do Pegu,
Que sem ser do Pequim, por ser do Açu,
Quer ser filho do Sol nascendo cá.
Tenha embora um Avô nascido lá,
Cá tem três para as partes do Cairu,
Chama-se o principal Paraguaçu
Descendente este tal de um Guinamá.
Que é fidalgo nos ossos, cremos nós.
Que nisto consistia o mor brasão
Daqueles, que comiam seus avós.
E como isto lhe vem por geração,
Tem tomado por timbre em seus teirós
Morder, aos que provêm de outra Nação.
In: MATOS, Gregório de. Obra poética. Org. James Amado. Prep. e notas Emanuel Araújo. Apres. Jorge Amado. 3.ed. Rio de Janeiro: Record, 1992.
NOTA: Rolim: emissário ou embaixador, entre os povos do Extremo Oriente. Observe-se aqui um trocadilho com o nome próprio; bonzo bramá: sacerdote budista de Bramá (Birmânia); greparia: coletivo de grepo, sacerdote de Pegu, cidade sagrada na baixa Birmâni
2 210
Gregório de Matos
A Cosme Moura Rolim
Um Rolim de Monai Bonzo Bramá
Primaz de Greparia do Pegu,
Que sem ser do Pequim, por ser do Açu,
Quer ser filho do Sol nascendo cá.
Tenha embora um Avô nascido lá,
Cá tem três para as partes do Cairu,
Chama-se o principal Paraguaçu
Descendente este tal de um Guinamá.
Que é fidalgo nos ossos, cremos nós.
Que nisto consistia o mor brasão
Daqueles, que comiam seus avós.
E como isto lhe vem por geração,
Tem tomado por timbre em seus teirós
Morder, aos que provêm de outra Nação.
In: MATOS, Gregório de. Obra poética. Org. James Amado. Prep. e notas Emanuel Araújo. Apres. Jorge Amado. 3.ed. Rio de Janeiro: Record, 1992.
NOTA: Rolim: emissário ou embaixador, entre os povos do Extremo Oriente. Observe-se aqui um trocadilho com o nome próprio; bonzo bramá: sacerdote budista de Bramá (Birmânia); greparia: coletivo de grepo, sacerdote de Pegu, cidade sagrada na baixa Birmâni
Primaz de Greparia do Pegu,
Que sem ser do Pequim, por ser do Açu,
Quer ser filho do Sol nascendo cá.
Tenha embora um Avô nascido lá,
Cá tem três para as partes do Cairu,
Chama-se o principal Paraguaçu
Descendente este tal de um Guinamá.
Que é fidalgo nos ossos, cremos nós.
Que nisto consistia o mor brasão
Daqueles, que comiam seus avós.
E como isto lhe vem por geração,
Tem tomado por timbre em seus teirós
Morder, aos que provêm de outra Nação.
In: MATOS, Gregório de. Obra poética. Org. James Amado. Prep. e notas Emanuel Araújo. Apres. Jorge Amado. 3.ed. Rio de Janeiro: Record, 1992.
NOTA: Rolim: emissário ou embaixador, entre os povos do Extremo Oriente. Observe-se aqui um trocadilho com o nome próprio; bonzo bramá: sacerdote budista de Bramá (Birmânia); greparia: coletivo de grepo, sacerdote de Pegu, cidade sagrada na baixa Birmâni
2 210
Walmir Ayala
33 [Um grito nos porões
Um grito nos porões
lembra que somos outro;
que estamos no outro, na dor,
como a vara
na raiz dividida.
Livres manipulamos
uma rede invisível
onde dedos e nervos
debatem-se ofegantes.
Um grito nos desperta quando sequer dormíamos,
ou quando estremecida a pele celebrava
o orvalho e a aragem.
Grito
que nos dói, corrompido
de injustiçado jugo.
Alguém que já não canta ao nosso lado grita,
e o canto se perverte.
In: AYALA, Walmir. Os reinos e as vestes. Pref. Lélia Coelho Frota. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1986. (Poesia brasileira)
lembra que somos outro;
que estamos no outro, na dor,
como a vara
na raiz dividida.
Livres manipulamos
uma rede invisível
onde dedos e nervos
debatem-se ofegantes.
Um grito nos desperta quando sequer dormíamos,
ou quando estremecida a pele celebrava
o orvalho e a aragem.
Grito
que nos dói, corrompido
de injustiçado jugo.
Alguém que já não canta ao nosso lado grita,
e o canto se perverte.
In: AYALA, Walmir. Os reinos e as vestes. Pref. Lélia Coelho Frota. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1986. (Poesia brasileira)
1 157
Walmir Ayala
33 [Um grito nos porões
Um grito nos porões
lembra que somos outro;
que estamos no outro, na dor,
como a vara
na raiz dividida.
Livres manipulamos
uma rede invisível
onde dedos e nervos
debatem-se ofegantes.
Um grito nos desperta quando sequer dormíamos,
ou quando estremecida a pele celebrava
o orvalho e a aragem.
Grito
que nos dói, corrompido
de injustiçado jugo.
Alguém que já não canta ao nosso lado grita,
e o canto se perverte.
In: AYALA, Walmir. Os reinos e as vestes. Pref. Lélia Coelho Frota. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1986. (Poesia brasileira)
lembra que somos outro;
que estamos no outro, na dor,
como a vara
na raiz dividida.
Livres manipulamos
uma rede invisível
onde dedos e nervos
debatem-se ofegantes.
Um grito nos desperta quando sequer dormíamos,
ou quando estremecida a pele celebrava
o orvalho e a aragem.
Grito
que nos dói, corrompido
de injustiçado jugo.
Alguém que já não canta ao nosso lado grita,
e o canto se perverte.
In: AYALA, Walmir. Os reinos e as vestes. Pref. Lélia Coelho Frota. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1986. (Poesia brasileira)
1 157
Moacyr Felix
Quinteto no Outono
(2a. versão)
A Fátima Pires dos Santos
I
Escrever um poema não é brincar
de ser com palavras e sons
sobre a brancura sem defesa
do papel ou da vida que não foi vivida.
No fundo dos becos sem saída
é que o poema se encontra
lado a lado com as mortes
inumeráveis e indefinidas
na mão que o escreve.
Morre e transforma-te!
Não há outro caminho:
o poema é sempre uma autópsia.
II
No lixo da praça os ossos do mundo
brilham como luas doentes.
No lixo da praça o poeta
quer ser apenas um homem
com uma canção nos gatilhos
de uma revolução necessária.
No lixo da praça os ossos do mundo
brilham como luas doentes
à espera da poesia, cadela
feroz e machucada, cadela
que ao poeta se amarra
sobre o represar da vida
mais forte que as voragens
do desejo de matar-se.
No lixo da praça, o poeta e a sua poesia
perambulam entre os ossos do mundo
a violência do sol aprisionada nas luas.
III
No fundo do prato havia um rosto.
Eu nunca pude decifrá-lo;
sua velocidade era diferente da minha,
nessas horas a minha esperança era
um pano velho que nem mais vestia
a fadiga da vida espantada.
No fundo do prato em meu país os ratos
usavam a cara dos poderosos
e comiam e comiam este rosto.
Um rosto que jamais sumia
diariamente enterrado e recomposto
no rosto de cada morte operária
dentro de cada coisa que eu via.
No fundo do prato havia um rosto
que eu nunca pude decifrar.
Além de mim, no entanto, ele era meu rosto, o rosto
em que nem sequer me encontrei
como quem cumpre, de fato, a sua própria lei.
(...)
In: FÉLIX, Moacyr. Antologia poética. Rio de Janeiro: J. Olympio, 1993.
NOTA: Poema composto de 5 parte
A Fátima Pires dos Santos
I
Escrever um poema não é brincar
de ser com palavras e sons
sobre a brancura sem defesa
do papel ou da vida que não foi vivida.
No fundo dos becos sem saída
é que o poema se encontra
lado a lado com as mortes
inumeráveis e indefinidas
na mão que o escreve.
Morre e transforma-te!
Não há outro caminho:
o poema é sempre uma autópsia.
II
No lixo da praça os ossos do mundo
brilham como luas doentes.
No lixo da praça o poeta
quer ser apenas um homem
com uma canção nos gatilhos
de uma revolução necessária.
No lixo da praça os ossos do mundo
brilham como luas doentes
à espera da poesia, cadela
feroz e machucada, cadela
que ao poeta se amarra
sobre o represar da vida
mais forte que as voragens
do desejo de matar-se.
No lixo da praça, o poeta e a sua poesia
perambulam entre os ossos do mundo
a violência do sol aprisionada nas luas.
III
No fundo do prato havia um rosto.
Eu nunca pude decifrá-lo;
sua velocidade era diferente da minha,
nessas horas a minha esperança era
um pano velho que nem mais vestia
a fadiga da vida espantada.
No fundo do prato em meu país os ratos
usavam a cara dos poderosos
e comiam e comiam este rosto.
Um rosto que jamais sumia
diariamente enterrado e recomposto
no rosto de cada morte operária
dentro de cada coisa que eu via.
No fundo do prato havia um rosto
que eu nunca pude decifrar.
Além de mim, no entanto, ele era meu rosto, o rosto
em que nem sequer me encontrei
como quem cumpre, de fato, a sua própria lei.
(...)
In: FÉLIX, Moacyr. Antologia poética. Rio de Janeiro: J. Olympio, 1993.
NOTA: Poema composto de 5 parte
1 392
Moacyr Felix
Quinteto no Outono
(2a. versão)
A Fátima Pires dos Santos
I
Escrever um poema não é brincar
de ser com palavras e sons
sobre a brancura sem defesa
do papel ou da vida que não foi vivida.
No fundo dos becos sem saída
é que o poema se encontra
lado a lado com as mortes
inumeráveis e indefinidas
na mão que o escreve.
Morre e transforma-te!
Não há outro caminho:
o poema é sempre uma autópsia.
II
No lixo da praça os ossos do mundo
brilham como luas doentes.
No lixo da praça o poeta
quer ser apenas um homem
com uma canção nos gatilhos
de uma revolução necessária.
No lixo da praça os ossos do mundo
brilham como luas doentes
à espera da poesia, cadela
feroz e machucada, cadela
que ao poeta se amarra
sobre o represar da vida
mais forte que as voragens
do desejo de matar-se.
No lixo da praça, o poeta e a sua poesia
perambulam entre os ossos do mundo
a violência do sol aprisionada nas luas.
III
No fundo do prato havia um rosto.
Eu nunca pude decifrá-lo;
sua velocidade era diferente da minha,
nessas horas a minha esperança era
um pano velho que nem mais vestia
a fadiga da vida espantada.
No fundo do prato em meu país os ratos
usavam a cara dos poderosos
e comiam e comiam este rosto.
Um rosto que jamais sumia
diariamente enterrado e recomposto
no rosto de cada morte operária
dentro de cada coisa que eu via.
No fundo do prato havia um rosto
que eu nunca pude decifrar.
Além de mim, no entanto, ele era meu rosto, o rosto
em que nem sequer me encontrei
como quem cumpre, de fato, a sua própria lei.
(...)
In: FÉLIX, Moacyr. Antologia poética. Rio de Janeiro: J. Olympio, 1993.
NOTA: Poema composto de 5 parte
A Fátima Pires dos Santos
I
Escrever um poema não é brincar
de ser com palavras e sons
sobre a brancura sem defesa
do papel ou da vida que não foi vivida.
No fundo dos becos sem saída
é que o poema se encontra
lado a lado com as mortes
inumeráveis e indefinidas
na mão que o escreve.
Morre e transforma-te!
Não há outro caminho:
o poema é sempre uma autópsia.
II
No lixo da praça os ossos do mundo
brilham como luas doentes.
No lixo da praça o poeta
quer ser apenas um homem
com uma canção nos gatilhos
de uma revolução necessária.
No lixo da praça os ossos do mundo
brilham como luas doentes
à espera da poesia, cadela
feroz e machucada, cadela
que ao poeta se amarra
sobre o represar da vida
mais forte que as voragens
do desejo de matar-se.
No lixo da praça, o poeta e a sua poesia
perambulam entre os ossos do mundo
a violência do sol aprisionada nas luas.
III
No fundo do prato havia um rosto.
Eu nunca pude decifrá-lo;
sua velocidade era diferente da minha,
nessas horas a minha esperança era
um pano velho que nem mais vestia
a fadiga da vida espantada.
No fundo do prato em meu país os ratos
usavam a cara dos poderosos
e comiam e comiam este rosto.
Um rosto que jamais sumia
diariamente enterrado e recomposto
no rosto de cada morte operária
dentro de cada coisa que eu via.
No fundo do prato havia um rosto
que eu nunca pude decifrar.
Além de mim, no entanto, ele era meu rosto, o rosto
em que nem sequer me encontrei
como quem cumpre, de fato, a sua própria lei.
(...)
In: FÉLIX, Moacyr. Antologia poética. Rio de Janeiro: J. Olympio, 1993.
NOTA: Poema composto de 5 parte
1 392
Tomás Antônio Gonzaga
Lira V
Eu não sou, minha Nise, pegureiro,
que viva de guardar alheio gado;
nem sou pastor grosseiro,
dos frios gelos e do Sol queimado,
que veste as pardas lãs do seu cordeiro.
Graças, ó Nise bela,
graças à minha Estrela!
A Cresso não igualo no tesouro;
mas deu-me a sorte com que honrado viva.
Não cinjo coroa d'ouro;
mas Povos mando, e na testa altiva
verdeja a Coroa do Sagrado Louro.
Graças, ó Nise bela,
graças à minha Estrela!
Maldito seja aquele, que só trata
de contar, escondido, a vil riqueza,
que, cego, se arrebata
em buscar nos Avós a vã nobreza,
com que aos mais homens, seus iguais, abata.
Graças, ó Nise bela,
graças à minha Estrela!
As fortunas, que em torno de mim vejo,
por falsos bens, que enganam, não reputo;
mas antes mais desejo:
não para me voltar soberbo em bruto,
por ver-me grande, quando a mão te beijo.
Graças, ó Nise bela,
graças à minha Estrela!
Pela Ninfa, que jaz vertida em Louro,
o grande Deus Apolo não delira?
Jove, mudado em Touro
e já mudado em velha não suspira?
Seguir aos Deuses nunca foi desdouro.
Graças, ó Nise bela,
graças à minha Estrela!
Pretendam Anibais honrar a História,
e cinjam com a mão, de sangue cheia,
os louros da vitória;
eu revolvo os teus dons na minha idéia:
só dons que vêm do céu são minha glória
Graças, ó Nise bela,
graças à minha Estrela!
Publicado no livro Marília de Dirceu: Terceira Parte (1812).
In: GONZAGA, Tomás Antônio. Obras completas. Ed. crít. M. Rodrigues Lapa. São Paulo: Ed. Nacional, 1942. (Livros do Brasil, 5
que viva de guardar alheio gado;
nem sou pastor grosseiro,
dos frios gelos e do Sol queimado,
que veste as pardas lãs do seu cordeiro.
Graças, ó Nise bela,
graças à minha Estrela!
A Cresso não igualo no tesouro;
mas deu-me a sorte com que honrado viva.
Não cinjo coroa d'ouro;
mas Povos mando, e na testa altiva
verdeja a Coroa do Sagrado Louro.
Graças, ó Nise bela,
graças à minha Estrela!
Maldito seja aquele, que só trata
de contar, escondido, a vil riqueza,
que, cego, se arrebata
em buscar nos Avós a vã nobreza,
com que aos mais homens, seus iguais, abata.
Graças, ó Nise bela,
graças à minha Estrela!
As fortunas, que em torno de mim vejo,
por falsos bens, que enganam, não reputo;
mas antes mais desejo:
não para me voltar soberbo em bruto,
por ver-me grande, quando a mão te beijo.
Graças, ó Nise bela,
graças à minha Estrela!
Pela Ninfa, que jaz vertida em Louro,
o grande Deus Apolo não delira?
Jove, mudado em Touro
e já mudado em velha não suspira?
Seguir aos Deuses nunca foi desdouro.
Graças, ó Nise bela,
graças à minha Estrela!
Pretendam Anibais honrar a História,
e cinjam com a mão, de sangue cheia,
os louros da vitória;
eu revolvo os teus dons na minha idéia:
só dons que vêm do céu são minha glória
Graças, ó Nise bela,
graças à minha Estrela!
Publicado no livro Marília de Dirceu: Terceira Parte (1812).
In: GONZAGA, Tomás Antônio. Obras completas. Ed. crít. M. Rodrigues Lapa. São Paulo: Ed. Nacional, 1942. (Livros do Brasil, 5
3 890
Tomás Antônio Gonzaga
Lira V
Eu não sou, minha Nise, pegureiro,
que viva de guardar alheio gado;
nem sou pastor grosseiro,
dos frios gelos e do Sol queimado,
que veste as pardas lãs do seu cordeiro.
Graças, ó Nise bela,
graças à minha Estrela!
A Cresso não igualo no tesouro;
mas deu-me a sorte com que honrado viva.
Não cinjo coroa d'ouro;
mas Povos mando, e na testa altiva
verdeja a Coroa do Sagrado Louro.
Graças, ó Nise bela,
graças à minha Estrela!
Maldito seja aquele, que só trata
de contar, escondido, a vil riqueza,
que, cego, se arrebata
em buscar nos Avós a vã nobreza,
com que aos mais homens, seus iguais, abata.
Graças, ó Nise bela,
graças à minha Estrela!
As fortunas, que em torno de mim vejo,
por falsos bens, que enganam, não reputo;
mas antes mais desejo:
não para me voltar soberbo em bruto,
por ver-me grande, quando a mão te beijo.
Graças, ó Nise bela,
graças à minha Estrela!
Pela Ninfa, que jaz vertida em Louro,
o grande Deus Apolo não delira?
Jove, mudado em Touro
e já mudado em velha não suspira?
Seguir aos Deuses nunca foi desdouro.
Graças, ó Nise bela,
graças à minha Estrela!
Pretendam Anibais honrar a História,
e cinjam com a mão, de sangue cheia,
os louros da vitória;
eu revolvo os teus dons na minha idéia:
só dons que vêm do céu são minha glória
Graças, ó Nise bela,
graças à minha Estrela!
Publicado no livro Marília de Dirceu: Terceira Parte (1812).
In: GONZAGA, Tomás Antônio. Obras completas. Ed. crít. M. Rodrigues Lapa. São Paulo: Ed. Nacional, 1942. (Livros do Brasil, 5
que viva de guardar alheio gado;
nem sou pastor grosseiro,
dos frios gelos e do Sol queimado,
que veste as pardas lãs do seu cordeiro.
Graças, ó Nise bela,
graças à minha Estrela!
A Cresso não igualo no tesouro;
mas deu-me a sorte com que honrado viva.
Não cinjo coroa d'ouro;
mas Povos mando, e na testa altiva
verdeja a Coroa do Sagrado Louro.
Graças, ó Nise bela,
graças à minha Estrela!
Maldito seja aquele, que só trata
de contar, escondido, a vil riqueza,
que, cego, se arrebata
em buscar nos Avós a vã nobreza,
com que aos mais homens, seus iguais, abata.
Graças, ó Nise bela,
graças à minha Estrela!
As fortunas, que em torno de mim vejo,
por falsos bens, que enganam, não reputo;
mas antes mais desejo:
não para me voltar soberbo em bruto,
por ver-me grande, quando a mão te beijo.
Graças, ó Nise bela,
graças à minha Estrela!
Pela Ninfa, que jaz vertida em Louro,
o grande Deus Apolo não delira?
Jove, mudado em Touro
e já mudado em velha não suspira?
Seguir aos Deuses nunca foi desdouro.
Graças, ó Nise bela,
graças à minha Estrela!
Pretendam Anibais honrar a História,
e cinjam com a mão, de sangue cheia,
os louros da vitória;
eu revolvo os teus dons na minha idéia:
só dons que vêm do céu são minha glória
Graças, ó Nise bela,
graças à minha Estrela!
Publicado no livro Marília de Dirceu: Terceira Parte (1812).
In: GONZAGA, Tomás Antônio. Obras completas. Ed. crít. M. Rodrigues Lapa. São Paulo: Ed. Nacional, 1942. (Livros do Brasil, 5
3 890
Tomás Antônio Gonzaga
Lira V
Eu não sou, minha Nise, pegureiro,
que viva de guardar alheio gado;
nem sou pastor grosseiro,
dos frios gelos e do Sol queimado,
que veste as pardas lãs do seu cordeiro.
Graças, ó Nise bela,
graças à minha Estrela!
A Cresso não igualo no tesouro;
mas deu-me a sorte com que honrado viva.
Não cinjo coroa d'ouro;
mas Povos mando, e na testa altiva
verdeja a Coroa do Sagrado Louro.
Graças, ó Nise bela,
graças à minha Estrela!
Maldito seja aquele, que só trata
de contar, escondido, a vil riqueza,
que, cego, se arrebata
em buscar nos Avós a vã nobreza,
com que aos mais homens, seus iguais, abata.
Graças, ó Nise bela,
graças à minha Estrela!
As fortunas, que em torno de mim vejo,
por falsos bens, que enganam, não reputo;
mas antes mais desejo:
não para me voltar soberbo em bruto,
por ver-me grande, quando a mão te beijo.
Graças, ó Nise bela,
graças à minha Estrela!
Pela Ninfa, que jaz vertida em Louro,
o grande Deus Apolo não delira?
Jove, mudado em Touro
e já mudado em velha não suspira?
Seguir aos Deuses nunca foi desdouro.
Graças, ó Nise bela,
graças à minha Estrela!
Pretendam Anibais honrar a História,
e cinjam com a mão, de sangue cheia,
os louros da vitória;
eu revolvo os teus dons na minha idéia:
só dons que vêm do céu são minha glória
Graças, ó Nise bela,
graças à minha Estrela!
Publicado no livro Marília de Dirceu: Terceira Parte (1812).
In: GONZAGA, Tomás Antônio. Obras completas. Ed. crít. M. Rodrigues Lapa. São Paulo: Ed. Nacional, 1942. (Livros do Brasil, 5
que viva de guardar alheio gado;
nem sou pastor grosseiro,
dos frios gelos e do Sol queimado,
que veste as pardas lãs do seu cordeiro.
Graças, ó Nise bela,
graças à minha Estrela!
A Cresso não igualo no tesouro;
mas deu-me a sorte com que honrado viva.
Não cinjo coroa d'ouro;
mas Povos mando, e na testa altiva
verdeja a Coroa do Sagrado Louro.
Graças, ó Nise bela,
graças à minha Estrela!
Maldito seja aquele, que só trata
de contar, escondido, a vil riqueza,
que, cego, se arrebata
em buscar nos Avós a vã nobreza,
com que aos mais homens, seus iguais, abata.
Graças, ó Nise bela,
graças à minha Estrela!
As fortunas, que em torno de mim vejo,
por falsos bens, que enganam, não reputo;
mas antes mais desejo:
não para me voltar soberbo em bruto,
por ver-me grande, quando a mão te beijo.
Graças, ó Nise bela,
graças à minha Estrela!
Pela Ninfa, que jaz vertida em Louro,
o grande Deus Apolo não delira?
Jove, mudado em Touro
e já mudado em velha não suspira?
Seguir aos Deuses nunca foi desdouro.
Graças, ó Nise bela,
graças à minha Estrela!
Pretendam Anibais honrar a História,
e cinjam com a mão, de sangue cheia,
os louros da vitória;
eu revolvo os teus dons na minha idéia:
só dons que vêm do céu são minha glória
Graças, ó Nise bela,
graças à minha Estrela!
Publicado no livro Marília de Dirceu: Terceira Parte (1812).
In: GONZAGA, Tomás Antônio. Obras completas. Ed. crít. M. Rodrigues Lapa. São Paulo: Ed. Nacional, 1942. (Livros do Brasil, 5
3 890
Cruz e Sousa
Escravocratas
Oh! trânsfugas do bem que sob o manto régio
manhosos, agachados — bem como um crocodilo,
viveis sensualmente à luz dum privilégio
na pose bestial dum cágado tranqüilo.
Eu rio-me de vós e cravo-vos as setas
ardentes do olhar — formando uma vergasta
dos raios mil do sol, das iras dos poetas,
e vibro-vos à espinha — enquanto o grande basta
O basta gigantesco, imenso, extraordinário —
da branca consciência — o rútilo sacrário
no tímpano do ouvido — audaz me não soar.
Eu quero em rude verso altivo adamastórico,
vermelho, colossal, d'estrépito, gongórico,
castrar-vos como um touro — ouvindo-vos urrar!
Publicado no livro Obra completa (1961). Poema integrante da série O Livro Derradeiro.
In: SOUSA, Cruz e. Poesia completa. Introd. Maria Helena Camargo Régis. Florianópolis: Fundação Catarinense de Cultura, 1981
manhosos, agachados — bem como um crocodilo,
viveis sensualmente à luz dum privilégio
na pose bestial dum cágado tranqüilo.
Eu rio-me de vós e cravo-vos as setas
ardentes do olhar — formando uma vergasta
dos raios mil do sol, das iras dos poetas,
e vibro-vos à espinha — enquanto o grande basta
O basta gigantesco, imenso, extraordinário —
da branca consciência — o rútilo sacrário
no tímpano do ouvido — audaz me não soar.
Eu quero em rude verso altivo adamastórico,
vermelho, colossal, d'estrépito, gongórico,
castrar-vos como um touro — ouvindo-vos urrar!
Publicado no livro Obra completa (1961). Poema integrante da série O Livro Derradeiro.
In: SOUSA, Cruz e. Poesia completa. Introd. Maria Helena Camargo Régis. Florianópolis: Fundação Catarinense de Cultura, 1981
4 394
Cruz e Sousa
Escravocratas
Oh! trânsfugas do bem que sob o manto régio
manhosos, agachados — bem como um crocodilo,
viveis sensualmente à luz dum privilégio
na pose bestial dum cágado tranqüilo.
Eu rio-me de vós e cravo-vos as setas
ardentes do olhar — formando uma vergasta
dos raios mil do sol, das iras dos poetas,
e vibro-vos à espinha — enquanto o grande basta
O basta gigantesco, imenso, extraordinário —
da branca consciência — o rútilo sacrário
no tímpano do ouvido — audaz me não soar.
Eu quero em rude verso altivo adamastórico,
vermelho, colossal, d'estrépito, gongórico,
castrar-vos como um touro — ouvindo-vos urrar!
Publicado no livro Obra completa (1961). Poema integrante da série O Livro Derradeiro.
In: SOUSA, Cruz e. Poesia completa. Introd. Maria Helena Camargo Régis. Florianópolis: Fundação Catarinense de Cultura, 1981
manhosos, agachados — bem como um crocodilo,
viveis sensualmente à luz dum privilégio
na pose bestial dum cágado tranqüilo.
Eu rio-me de vós e cravo-vos as setas
ardentes do olhar — formando uma vergasta
dos raios mil do sol, das iras dos poetas,
e vibro-vos à espinha — enquanto o grande basta
O basta gigantesco, imenso, extraordinário —
da branca consciência — o rútilo sacrário
no tímpano do ouvido — audaz me não soar.
Eu quero em rude verso altivo adamastórico,
vermelho, colossal, d'estrépito, gongórico,
castrar-vos como um touro — ouvindo-vos urrar!
Publicado no livro Obra completa (1961). Poema integrante da série O Livro Derradeiro.
In: SOUSA, Cruz e. Poesia completa. Introd. Maria Helena Camargo Régis. Florianópolis: Fundação Catarinense de Cultura, 1981
4 394
Cruz e Sousa
Escravocratas
Oh! trânsfugas do bem que sob o manto régio
manhosos, agachados — bem como um crocodilo,
viveis sensualmente à luz dum privilégio
na pose bestial dum cágado tranqüilo.
Eu rio-me de vós e cravo-vos as setas
ardentes do olhar — formando uma vergasta
dos raios mil do sol, das iras dos poetas,
e vibro-vos à espinha — enquanto o grande basta
O basta gigantesco, imenso, extraordinário —
da branca consciência — o rútilo sacrário
no tímpano do ouvido — audaz me não soar.
Eu quero em rude verso altivo adamastórico,
vermelho, colossal, d'estrépito, gongórico,
castrar-vos como um touro — ouvindo-vos urrar!
Publicado no livro Obra completa (1961). Poema integrante da série O Livro Derradeiro.
In: SOUSA, Cruz e. Poesia completa. Introd. Maria Helena Camargo Régis. Florianópolis: Fundação Catarinense de Cultura, 1981
manhosos, agachados — bem como um crocodilo,
viveis sensualmente à luz dum privilégio
na pose bestial dum cágado tranqüilo.
Eu rio-me de vós e cravo-vos as setas
ardentes do olhar — formando uma vergasta
dos raios mil do sol, das iras dos poetas,
e vibro-vos à espinha — enquanto o grande basta
O basta gigantesco, imenso, extraordinário —
da branca consciência — o rútilo sacrário
no tímpano do ouvido — audaz me não soar.
Eu quero em rude verso altivo adamastórico,
vermelho, colossal, d'estrépito, gongórico,
castrar-vos como um touro — ouvindo-vos urrar!
Publicado no livro Obra completa (1961). Poema integrante da série O Livro Derradeiro.
In: SOUSA, Cruz e. Poesia completa. Introd. Maria Helena Camargo Régis. Florianópolis: Fundação Catarinense de Cultura, 1981
4 394
Sousa Caldas
Ode III - Sobre a Necessidade da Revelação
(...)
Antístrofe 3a.
Ó México! ó cidades desgraçadas
Do novo aflito mundo!
Parece-me que vejo inda ensopadas
Em sangue as vossas casas; furibundo
Voraz fogo nos ares estalando,
Os vossos débeis muros arrasando.
Epodo 3o.
Embora cante a fama
A constante invencível fortaleza
De Colombo imortal, do invicto Gama:
A Européia crueza
Manchou depois a sua nobre empresa.
(...)
In: CALDAS, Sousa. Obras poéticas: poesias sacras e profanas. Org. e notas Francisco de Borja Garção-Stockler. Paris: Of. de P.N. Rougeron, 1821. v.
Antístrofe 3a.
Ó México! ó cidades desgraçadas
Do novo aflito mundo!
Parece-me que vejo inda ensopadas
Em sangue as vossas casas; furibundo
Voraz fogo nos ares estalando,
Os vossos débeis muros arrasando.
Epodo 3o.
Embora cante a fama
A constante invencível fortaleza
De Colombo imortal, do invicto Gama:
A Européia crueza
Manchou depois a sua nobre empresa.
(...)
In: CALDAS, Sousa. Obras poéticas: poesias sacras e profanas. Org. e notas Francisco de Borja Garção-Stockler. Paris: Of. de P.N. Rougeron, 1821. v.
989
Sousa Caldas
Ode III - Sobre a Necessidade da Revelação
(...)
Antístrofe 3a.
Ó México! ó cidades desgraçadas
Do novo aflito mundo!
Parece-me que vejo inda ensopadas
Em sangue as vossas casas; furibundo
Voraz fogo nos ares estalando,
Os vossos débeis muros arrasando.
Epodo 3o.
Embora cante a fama
A constante invencível fortaleza
De Colombo imortal, do invicto Gama:
A Européia crueza
Manchou depois a sua nobre empresa.
(...)
In: CALDAS, Sousa. Obras poéticas: poesias sacras e profanas. Org. e notas Francisco de Borja Garção-Stockler. Paris: Of. de P.N. Rougeron, 1821. v.
Antístrofe 3a.
Ó México! ó cidades desgraçadas
Do novo aflito mundo!
Parece-me que vejo inda ensopadas
Em sangue as vossas casas; furibundo
Voraz fogo nos ares estalando,
Os vossos débeis muros arrasando.
Epodo 3o.
Embora cante a fama
A constante invencível fortaleza
De Colombo imortal, do invicto Gama:
A Européia crueza
Manchou depois a sua nobre empresa.
(...)
In: CALDAS, Sousa. Obras poéticas: poesias sacras e profanas. Org. e notas Francisco de Borja Garção-Stockler. Paris: Of. de P.N. Rougeron, 1821. v.
989
Sousa Caldas
Ode III - Sobre a Necessidade da Revelação
(...)
Antístrofe 3a.
Ó México! ó cidades desgraçadas
Do novo aflito mundo!
Parece-me que vejo inda ensopadas
Em sangue as vossas casas; furibundo
Voraz fogo nos ares estalando,
Os vossos débeis muros arrasando.
Epodo 3o.
Embora cante a fama
A constante invencível fortaleza
De Colombo imortal, do invicto Gama:
A Européia crueza
Manchou depois a sua nobre empresa.
(...)
In: CALDAS, Sousa. Obras poéticas: poesias sacras e profanas. Org. e notas Francisco de Borja Garção-Stockler. Paris: Of. de P.N. Rougeron, 1821. v.
Antístrofe 3a.
Ó México! ó cidades desgraçadas
Do novo aflito mundo!
Parece-me que vejo inda ensopadas
Em sangue as vossas casas; furibundo
Voraz fogo nos ares estalando,
Os vossos débeis muros arrasando.
Epodo 3o.
Embora cante a fama
A constante invencível fortaleza
De Colombo imortal, do invicto Gama:
A Européia crueza
Manchou depois a sua nobre empresa.
(...)
In: CALDAS, Sousa. Obras poéticas: poesias sacras e profanas. Org. e notas Francisco de Borja Garção-Stockler. Paris: Of. de P.N. Rougeron, 1821. v.
989
Dante Milano
Salmo Perdido
Creio num deus moderno,
Um deus sem piedade,
Um deus moderno, deus de guerra e não de paz.
Deus dos que matam, não dos que morrem,
Dos vitoriosos, não dos vencidos.
Deus da glória profana e dos falsos profetas.
O mundo não é mais a paisagem antiga,
A paisagem sagrada.
Cidades vertiginosas, edifícios a pique,
Torres, pontes, mastros, luzes, fios, apitos, sinais.
Sonhamos tanto que o mundo não nos reconhece mais,
As aves, os montes, as nuvens não nos reconhecem mais,
Deus não nos reconhece mais.
Publicado no livro Poesias (1948). Poema integrante da série Terra de Ninguém.
In: MILANO, Dante. Poesias. Pref. Ivan Junqueira. Petrópolis: Ed. Firmo, 1994. p.89. (Pedra mágica, 1
Um deus sem piedade,
Um deus moderno, deus de guerra e não de paz.
Deus dos que matam, não dos que morrem,
Dos vitoriosos, não dos vencidos.
Deus da glória profana e dos falsos profetas.
O mundo não é mais a paisagem antiga,
A paisagem sagrada.
Cidades vertiginosas, edifícios a pique,
Torres, pontes, mastros, luzes, fios, apitos, sinais.
Sonhamos tanto que o mundo não nos reconhece mais,
As aves, os montes, as nuvens não nos reconhecem mais,
Deus não nos reconhece mais.
Publicado no livro Poesias (1948). Poema integrante da série Terra de Ninguém.
In: MILANO, Dante. Poesias. Pref. Ivan Junqueira. Petrópolis: Ed. Firmo, 1994. p.89. (Pedra mágica, 1
868
Dante Milano
Salmo Perdido
Creio num deus moderno,
Um deus sem piedade,
Um deus moderno, deus de guerra e não de paz.
Deus dos que matam, não dos que morrem,
Dos vitoriosos, não dos vencidos.
Deus da glória profana e dos falsos profetas.
O mundo não é mais a paisagem antiga,
A paisagem sagrada.
Cidades vertiginosas, edifícios a pique,
Torres, pontes, mastros, luzes, fios, apitos, sinais.
Sonhamos tanto que o mundo não nos reconhece mais,
As aves, os montes, as nuvens não nos reconhecem mais,
Deus não nos reconhece mais.
Publicado no livro Poesias (1948). Poema integrante da série Terra de Ninguém.
In: MILANO, Dante. Poesias. Pref. Ivan Junqueira. Petrópolis: Ed. Firmo, 1994. p.89. (Pedra mágica, 1
Um deus sem piedade,
Um deus moderno, deus de guerra e não de paz.
Deus dos que matam, não dos que morrem,
Dos vitoriosos, não dos vencidos.
Deus da glória profana e dos falsos profetas.
O mundo não é mais a paisagem antiga,
A paisagem sagrada.
Cidades vertiginosas, edifícios a pique,
Torres, pontes, mastros, luzes, fios, apitos, sinais.
Sonhamos tanto que o mundo não nos reconhece mais,
As aves, os montes, as nuvens não nos reconhecem mais,
Deus não nos reconhece mais.
Publicado no livro Poesias (1948). Poema integrante da série Terra de Ninguém.
In: MILANO, Dante. Poesias. Pref. Ivan Junqueira. Petrópolis: Ed. Firmo, 1994. p.89. (Pedra mágica, 1
868
Inácio José de Alvarenga Peixoto
Ao mundo esconde o Sol seus resplendores
Ao mundo esconde o Sol seus resplendores,
e a mão da Noite embrulha os horizontes;
não cantam aves, não murmuram fontes,
não fala Pã na boca dos pastores.
Atam as Ninfas, em lugar de flores,
mortais ciprestes sobre as tristes frontes;
erram chorando nos desertos montes,
sem arcos, sem aljavas, os Amores.
Vênus, Palas e as filhas da Memória,
deixando os grandes templos esquecidos,
não se lembram de altares nem de glória.
Andam os elementos confundidos:
ah, Jônia, Jônia, dia de vitória
sempre o mais triste foi para os vencidos!
In: LAPA, M. Rodrigues. Vida e obra de Alvarenga Peixoto. Rio de Janeiro: INL, 196
e a mão da Noite embrulha os horizontes;
não cantam aves, não murmuram fontes,
não fala Pã na boca dos pastores.
Atam as Ninfas, em lugar de flores,
mortais ciprestes sobre as tristes frontes;
erram chorando nos desertos montes,
sem arcos, sem aljavas, os Amores.
Vênus, Palas e as filhas da Memória,
deixando os grandes templos esquecidos,
não se lembram de altares nem de glória.
Andam os elementos confundidos:
ah, Jônia, Jônia, dia de vitória
sempre o mais triste foi para os vencidos!
In: LAPA, M. Rodrigues. Vida e obra de Alvarenga Peixoto. Rio de Janeiro: INL, 196
3 508
Gonçalves Dias
IV
(...)
E nessas cidades, vilas e aldeias, nos seus cais,
praças e chafarizes — vi somente — escravos!
E à porta ou no interior dessas casas mal construídas
e nesses palácios sem elegância — escravos!
E no adro ou debaixo das naves dos templos — de
costas para as imagens sagradas, sem temor, como
sem respeito — escravos!
E nas jangadas mal tecidas — e nas canoas de um
só toro de madeira — escravos; — e por toda a parte
— escravos!!...
Por isto o estrangeiro que chega a algum porto do
vasto império — consulta de novo a sua derrota e
observa atentamente os astros — porque julga que
um vento inimigo o levou às costas d'África.
E conhece por fim que está no Brasil — na terra
da liberdade, na terra ataviada de primores e esclarecida
por um céu estrelado e magnífico!
Mas grande parte da sua população é escrava —
mas a sua riqueza consiste nos escravos — mas o
sorriso — o deleite do seu comerciante — do seu
agrícola — e o alimento de todos os seus habitantes
é comprado à custa do sangue do escravo!
E nos lábios do estrangeiro, que aporta ao Brasil,
desponta um sorriso irônico e despeitoso — e ele diz
consigo, que a terra — da escravidão — não pode
durar muito; porque ele é crente, e sabe que os
homens são feitos do mesmo barro — sujeitos às
mesmas dores e às mesmas necessidades.
Poema integrante da série Capítulo I.
In: DIAS, Gonçalves. Meditação. Rio de Janeiro: H. Garnier, 1909. p.10-1
E nessas cidades, vilas e aldeias, nos seus cais,
praças e chafarizes — vi somente — escravos!
E à porta ou no interior dessas casas mal construídas
e nesses palácios sem elegância — escravos!
E no adro ou debaixo das naves dos templos — de
costas para as imagens sagradas, sem temor, como
sem respeito — escravos!
E nas jangadas mal tecidas — e nas canoas de um
só toro de madeira — escravos; — e por toda a parte
— escravos!!...
Por isto o estrangeiro que chega a algum porto do
vasto império — consulta de novo a sua derrota e
observa atentamente os astros — porque julga que
um vento inimigo o levou às costas d'África.
E conhece por fim que está no Brasil — na terra
da liberdade, na terra ataviada de primores e esclarecida
por um céu estrelado e magnífico!
Mas grande parte da sua população é escrava —
mas a sua riqueza consiste nos escravos — mas o
sorriso — o deleite do seu comerciante — do seu
agrícola — e o alimento de todos os seus habitantes
é comprado à custa do sangue do escravo!
E nos lábios do estrangeiro, que aporta ao Brasil,
desponta um sorriso irônico e despeitoso — e ele diz
consigo, que a terra — da escravidão — não pode
durar muito; porque ele é crente, e sabe que os
homens são feitos do mesmo barro — sujeitos às
mesmas dores e às mesmas necessidades.
Poema integrante da série Capítulo I.
In: DIAS, Gonçalves. Meditação. Rio de Janeiro: H. Garnier, 1909. p.10-1
4 681
Gonçalves Dias
IV
(...)
E nessas cidades, vilas e aldeias, nos seus cais,
praças e chafarizes — vi somente — escravos!
E à porta ou no interior dessas casas mal construídas
e nesses palácios sem elegância — escravos!
E no adro ou debaixo das naves dos templos — de
costas para as imagens sagradas, sem temor, como
sem respeito — escravos!
E nas jangadas mal tecidas — e nas canoas de um
só toro de madeira — escravos; — e por toda a parte
— escravos!!...
Por isto o estrangeiro que chega a algum porto do
vasto império — consulta de novo a sua derrota e
observa atentamente os astros — porque julga que
um vento inimigo o levou às costas d'África.
E conhece por fim que está no Brasil — na terra
da liberdade, na terra ataviada de primores e esclarecida
por um céu estrelado e magnífico!
Mas grande parte da sua população é escrava —
mas a sua riqueza consiste nos escravos — mas o
sorriso — o deleite do seu comerciante — do seu
agrícola — e o alimento de todos os seus habitantes
é comprado à custa do sangue do escravo!
E nos lábios do estrangeiro, que aporta ao Brasil,
desponta um sorriso irônico e despeitoso — e ele diz
consigo, que a terra — da escravidão — não pode
durar muito; porque ele é crente, e sabe que os
homens são feitos do mesmo barro — sujeitos às
mesmas dores e às mesmas necessidades.
Poema integrante da série Capítulo I.
In: DIAS, Gonçalves. Meditação. Rio de Janeiro: H. Garnier, 1909. p.10-1
E nessas cidades, vilas e aldeias, nos seus cais,
praças e chafarizes — vi somente — escravos!
E à porta ou no interior dessas casas mal construídas
e nesses palácios sem elegância — escravos!
E no adro ou debaixo das naves dos templos — de
costas para as imagens sagradas, sem temor, como
sem respeito — escravos!
E nas jangadas mal tecidas — e nas canoas de um
só toro de madeira — escravos; — e por toda a parte
— escravos!!...
Por isto o estrangeiro que chega a algum porto do
vasto império — consulta de novo a sua derrota e
observa atentamente os astros — porque julga que
um vento inimigo o levou às costas d'África.
E conhece por fim que está no Brasil — na terra
da liberdade, na terra ataviada de primores e esclarecida
por um céu estrelado e magnífico!
Mas grande parte da sua população é escrava —
mas a sua riqueza consiste nos escravos — mas o
sorriso — o deleite do seu comerciante — do seu
agrícola — e o alimento de todos os seus habitantes
é comprado à custa do sangue do escravo!
E nos lábios do estrangeiro, que aporta ao Brasil,
desponta um sorriso irônico e despeitoso — e ele diz
consigo, que a terra — da escravidão — não pode
durar muito; porque ele é crente, e sabe que os
homens são feitos do mesmo barro — sujeitos às
mesmas dores e às mesmas necessidades.
Poema integrante da série Capítulo I.
In: DIAS, Gonçalves. Meditação. Rio de Janeiro: H. Garnier, 1909. p.10-1
4 681
Gonçalves Dias
IV
(...)
E nessas cidades, vilas e aldeias, nos seus cais,
praças e chafarizes — vi somente — escravos!
E à porta ou no interior dessas casas mal construídas
e nesses palácios sem elegância — escravos!
E no adro ou debaixo das naves dos templos — de
costas para as imagens sagradas, sem temor, como
sem respeito — escravos!
E nas jangadas mal tecidas — e nas canoas de um
só toro de madeira — escravos; — e por toda a parte
— escravos!!...
Por isto o estrangeiro que chega a algum porto do
vasto império — consulta de novo a sua derrota e
observa atentamente os astros — porque julga que
um vento inimigo o levou às costas d'África.
E conhece por fim que está no Brasil — na terra
da liberdade, na terra ataviada de primores e esclarecida
por um céu estrelado e magnífico!
Mas grande parte da sua população é escrava —
mas a sua riqueza consiste nos escravos — mas o
sorriso — o deleite do seu comerciante — do seu
agrícola — e o alimento de todos os seus habitantes
é comprado à custa do sangue do escravo!
E nos lábios do estrangeiro, que aporta ao Brasil,
desponta um sorriso irônico e despeitoso — e ele diz
consigo, que a terra — da escravidão — não pode
durar muito; porque ele é crente, e sabe que os
homens são feitos do mesmo barro — sujeitos às
mesmas dores e às mesmas necessidades.
Poema integrante da série Capítulo I.
In: DIAS, Gonçalves. Meditação. Rio de Janeiro: H. Garnier, 1909. p.10-1
E nessas cidades, vilas e aldeias, nos seus cais,
praças e chafarizes — vi somente — escravos!
E à porta ou no interior dessas casas mal construídas
e nesses palácios sem elegância — escravos!
E no adro ou debaixo das naves dos templos — de
costas para as imagens sagradas, sem temor, como
sem respeito — escravos!
E nas jangadas mal tecidas — e nas canoas de um
só toro de madeira — escravos; — e por toda a parte
— escravos!!...
Por isto o estrangeiro que chega a algum porto do
vasto império — consulta de novo a sua derrota e
observa atentamente os astros — porque julga que
um vento inimigo o levou às costas d'África.
E conhece por fim que está no Brasil — na terra
da liberdade, na terra ataviada de primores e esclarecida
por um céu estrelado e magnífico!
Mas grande parte da sua população é escrava —
mas a sua riqueza consiste nos escravos — mas o
sorriso — o deleite do seu comerciante — do seu
agrícola — e o alimento de todos os seus habitantes
é comprado à custa do sangue do escravo!
E nos lábios do estrangeiro, que aporta ao Brasil,
desponta um sorriso irônico e despeitoso — e ele diz
consigo, que a terra — da escravidão — não pode
durar muito; porque ele é crente, e sabe que os
homens são feitos do mesmo barro — sujeitos às
mesmas dores e às mesmas necessidades.
Poema integrante da série Capítulo I.
In: DIAS, Gonçalves. Meditação. Rio de Janeiro: H. Garnier, 1909. p.10-1
4 681
Gonçalves Dias
IV
(...)
E nessas cidades, vilas e aldeias, nos seus cais,
praças e chafarizes — vi somente — escravos!
E à porta ou no interior dessas casas mal construídas
e nesses palácios sem elegância — escravos!
E no adro ou debaixo das naves dos templos — de
costas para as imagens sagradas, sem temor, como
sem respeito — escravos!
E nas jangadas mal tecidas — e nas canoas de um
só toro de madeira — escravos; — e por toda a parte
— escravos!!...
Por isto o estrangeiro que chega a algum porto do
vasto império — consulta de novo a sua derrota e
observa atentamente os astros — porque julga que
um vento inimigo o levou às costas d'África.
E conhece por fim que está no Brasil — na terra
da liberdade, na terra ataviada de primores e esclarecida
por um céu estrelado e magnífico!
Mas grande parte da sua população é escrava —
mas a sua riqueza consiste nos escravos — mas o
sorriso — o deleite do seu comerciante — do seu
agrícola — e o alimento de todos os seus habitantes
é comprado à custa do sangue do escravo!
E nos lábios do estrangeiro, que aporta ao Brasil,
desponta um sorriso irônico e despeitoso — e ele diz
consigo, que a terra — da escravidão — não pode
durar muito; porque ele é crente, e sabe que os
homens são feitos do mesmo barro — sujeitos às
mesmas dores e às mesmas necessidades.
Poema integrante da série Capítulo I.
In: DIAS, Gonçalves. Meditação. Rio de Janeiro: H. Garnier, 1909. p.10-1
E nessas cidades, vilas e aldeias, nos seus cais,
praças e chafarizes — vi somente — escravos!
E à porta ou no interior dessas casas mal construídas
e nesses palácios sem elegância — escravos!
E no adro ou debaixo das naves dos templos — de
costas para as imagens sagradas, sem temor, como
sem respeito — escravos!
E nas jangadas mal tecidas — e nas canoas de um
só toro de madeira — escravos; — e por toda a parte
— escravos!!...
Por isto o estrangeiro que chega a algum porto do
vasto império — consulta de novo a sua derrota e
observa atentamente os astros — porque julga que
um vento inimigo o levou às costas d'África.
E conhece por fim que está no Brasil — na terra
da liberdade, na terra ataviada de primores e esclarecida
por um céu estrelado e magnífico!
Mas grande parte da sua população é escrava —
mas a sua riqueza consiste nos escravos — mas o
sorriso — o deleite do seu comerciante — do seu
agrícola — e o alimento de todos os seus habitantes
é comprado à custa do sangue do escravo!
E nos lábios do estrangeiro, que aporta ao Brasil,
desponta um sorriso irônico e despeitoso — e ele diz
consigo, que a terra — da escravidão — não pode
durar muito; porque ele é crente, e sabe que os
homens são feitos do mesmo barro — sujeitos às
mesmas dores e às mesmas necessidades.
Poema integrante da série Capítulo I.
In: DIAS, Gonçalves. Meditação. Rio de Janeiro: H. Garnier, 1909. p.10-1
4 681
Edimilson de Almeida Pereira
Retratos de Família - 7 - Intina, Juventina Paula
Segredo não se conta, ê.
Uma pedra cai na água
um ramo molha o cabelo.
No rosário dormem meninos
com os olhos de Zambi.
No silêncio mora, auê.
A coroa de Nossa Senhora
é maior.
No rosário dormem meninos
com os olhos de Zambi.
Sá Rainha Conga
gira no escuro
O segredo, ê.
Sá Rainha Conga não conta
quantos meninos dormem.
No rosário de Nossa Senhora
moram os olhos de Zambi.
Publicado no livro Árvore dos arturos & Outros poemas (1988). Poema integrante da série Árvore dos Arturos.
In: PEREIRA, Edimilson de Almeida. Corpo vivido: reunião poética. Juiz de Fora: Ed. D'Lira; Belo Horizonte: Mazza Ed., 1992. p.13
Uma pedra cai na água
um ramo molha o cabelo.
No rosário dormem meninos
com os olhos de Zambi.
No silêncio mora, auê.
A coroa de Nossa Senhora
é maior.
No rosário dormem meninos
com os olhos de Zambi.
Sá Rainha Conga
gira no escuro
O segredo, ê.
Sá Rainha Conga não conta
quantos meninos dormem.
No rosário de Nossa Senhora
moram os olhos de Zambi.
Publicado no livro Árvore dos arturos & Outros poemas (1988). Poema integrante da série Árvore dos Arturos.
In: PEREIRA, Edimilson de Almeida. Corpo vivido: reunião poética. Juiz de Fora: Ed. D'Lira; Belo Horizonte: Mazza Ed., 1992. p.13
1 220