Poemas neste tema
Sociedade e Mundo
Luís Vianna
CONTRACULTURA
Ah!
Que saudade tenho,
Deste tempo que não vivi.
Paz e amor,
“No War”,
“World Free”.
Tempo lindo
Da utopia possível.
Política “out”,
Cultura “in”.
Psicodélico mundo colorido.
Comunidades de mãos dadas.
O mundo todo e todo mundo,
Unidos.
Juventude fiel à filosofia “drop out”,
Regado aos
Bill Haley e outros mais,
No “only you”, “rock around the clock”
E mais algumas
Sentados na grama
Fumando umas...
O sonho acabou?
The dream is over?
Não, ele só se reciclou.
30/05/2001
Que saudade tenho,
Deste tempo que não vivi.
Paz e amor,
“No War”,
“World Free”.
Tempo lindo
Da utopia possível.
Política “out”,
Cultura “in”.
Psicodélico mundo colorido.
Comunidades de mãos dadas.
O mundo todo e todo mundo,
Unidos.
Juventude fiel à filosofia “drop out”,
Regado aos
Bill Haley e outros mais,
No “only you”, “rock around the clock”
E mais algumas
Sentados na grama
Fumando umas...
O sonho acabou?
The dream is over?
Não, ele só se reciclou.
30/05/2001
730
Felipe Vianna
IDEOLOGIA
Arma vil,
És tu,
Droga sutil;
Dopadora de homens
É a ideologia
Que te faz concordar
Com o contento descontente.
Ganhas pouco,
Isto te aborrece?
Mas és feliz,
No que parece;
Pois a ideologia
Te empurra a felicidade a seco
Em comprimidos de tarja preta
Duma caixa que diz:
“Tens emprego,
Milhares não têm;
Agradeça a Deus. ”
Droga de ideologia,
Droga que dopa o homem.
Como pode
A sociedade alimentar-se
De seus próprios resíduos,
Sem nem mesmo reciclá-los.
Ideologia,
Alimento podre,
Que mantém os ricos ricos
E os pobres pobres.
30/05/2001
És tu,
Droga sutil;
Dopadora de homens
É a ideologia
Que te faz concordar
Com o contento descontente.
Ganhas pouco,
Isto te aborrece?
Mas és feliz,
No que parece;
Pois a ideologia
Te empurra a felicidade a seco
Em comprimidos de tarja preta
Duma caixa que diz:
“Tens emprego,
Milhares não têm;
Agradeça a Deus. ”
Droga de ideologia,
Droga que dopa o homem.
Como pode
A sociedade alimentar-se
De seus próprios resíduos,
Sem nem mesmo reciclá-los.
Ideologia,
Alimento podre,
Que mantém os ricos ricos
E os pobres pobres.
30/05/2001
756
Felipe Vianna
IDEOLOGIA
Arma vil,
És tu,
Droga sutil;
Dopadora de homens
É a ideologia
Que te faz concordar
Com o contento descontente.
Ganhas pouco,
Isto te aborrece?
Mas és feliz,
No que parece;
Pois a ideologia
Te empurra a felicidade a seco
Em comprimidos de tarja preta
Duma caixa que diz:
“Tens emprego,
Milhares não têm;
Agradeça a Deus. ”
Droga de ideologia,
Droga que dopa o homem.
Como pode
A sociedade alimentar-se
De seus próprios resíduos,
Sem nem mesmo reciclá-los.
Ideologia,
Alimento podre,
Que mantém os ricos ricos
E os pobres pobres.
30/05/2001
És tu,
Droga sutil;
Dopadora de homens
É a ideologia
Que te faz concordar
Com o contento descontente.
Ganhas pouco,
Isto te aborrece?
Mas és feliz,
No que parece;
Pois a ideologia
Te empurra a felicidade a seco
Em comprimidos de tarja preta
Duma caixa que diz:
“Tens emprego,
Milhares não têm;
Agradeça a Deus. ”
Droga de ideologia,
Droga que dopa o homem.
Como pode
A sociedade alimentar-se
De seus próprios resíduos,
Sem nem mesmo reciclá-los.
Ideologia,
Alimento podre,
Que mantém os ricos ricos
E os pobres pobres.
30/05/2001
756
Felipe Vianna
IDEOLOGIA
Arma vil,
És tu,
Droga sutil;
Dopadora de homens
É a ideologia
Que te faz concordar
Com o contento descontente.
Ganhas pouco,
Isto te aborrece?
Mas és feliz,
No que parece;
Pois a ideologia
Te empurra a felicidade a seco
Em comprimidos de tarja preta
Duma caixa que diz:
“Tens emprego,
Milhares não têm;
Agradeça a Deus. ”
Droga de ideologia,
Droga que dopa o homem.
Como pode
A sociedade alimentar-se
De seus próprios resíduos,
Sem nem mesmo reciclá-los.
Ideologia,
Alimento podre,
Que mantém os ricos ricos
E os pobres pobres.
30/05/2001
És tu,
Droga sutil;
Dopadora de homens
É a ideologia
Que te faz concordar
Com o contento descontente.
Ganhas pouco,
Isto te aborrece?
Mas és feliz,
No que parece;
Pois a ideologia
Te empurra a felicidade a seco
Em comprimidos de tarja preta
Duma caixa que diz:
“Tens emprego,
Milhares não têm;
Agradeça a Deus. ”
Droga de ideologia,
Droga que dopa o homem.
Como pode
A sociedade alimentar-se
De seus próprios resíduos,
Sem nem mesmo reciclá-los.
Ideologia,
Alimento podre,
Que mantém os ricos ricos
E os pobres pobres.
30/05/2001
756
Felipe Vianna
IDEOLOGIA
Arma vil,
És tu,
Droga sutil;
Dopadora de homens
É a ideologia
Que te faz concordar
Com o contento descontente.
Ganhas pouco,
Isto te aborrece?
Mas és feliz,
No que parece;
Pois a ideologia
Te empurra a felicidade a seco
Em comprimidos de tarja preta
Duma caixa que diz:
“Tens emprego,
Milhares não têm;
Agradeça a Deus. ”
Droga de ideologia,
Droga que dopa o homem.
Como pode
A sociedade alimentar-se
De seus próprios resíduos,
Sem nem mesmo reciclá-los.
Ideologia,
Alimento podre,
Que mantém os ricos ricos
E os pobres pobres.
30/05/2001
És tu,
Droga sutil;
Dopadora de homens
É a ideologia
Que te faz concordar
Com o contento descontente.
Ganhas pouco,
Isto te aborrece?
Mas és feliz,
No que parece;
Pois a ideologia
Te empurra a felicidade a seco
Em comprimidos de tarja preta
Duma caixa que diz:
“Tens emprego,
Milhares não têm;
Agradeça a Deus. ”
Droga de ideologia,
Droga que dopa o homem.
Como pode
A sociedade alimentar-se
De seus próprios resíduos,
Sem nem mesmo reciclá-los.
Ideologia,
Alimento podre,
Que mantém os ricos ricos
E os pobres pobres.
30/05/2001
756
Felipe Vianna
IDEOLOGIA
Arma vil,
És tu,
Droga sutil;
Dopadora de homens
É a ideologia
Que te faz concordar
Com o contento descontente.
Ganhas pouco,
Isto te aborrece?
Mas és feliz,
No que parece;
Pois a ideologia
Te empurra a felicidade a seco
Em comprimidos de tarja preta
Duma caixa que diz:
“Tens emprego,
Milhares não têm;
Agradeça a Deus. ”
Droga de ideologia,
Droga que dopa o homem.
Como pode
A sociedade alimentar-se
De seus próprios resíduos,
Sem nem mesmo reciclá-los.
Ideologia,
Alimento podre,
Que mantém os ricos ricos
E os pobres pobres.
30/05/2001
És tu,
Droga sutil;
Dopadora de homens
É a ideologia
Que te faz concordar
Com o contento descontente.
Ganhas pouco,
Isto te aborrece?
Mas és feliz,
No que parece;
Pois a ideologia
Te empurra a felicidade a seco
Em comprimidos de tarja preta
Duma caixa que diz:
“Tens emprego,
Milhares não têm;
Agradeça a Deus. ”
Droga de ideologia,
Droga que dopa o homem.
Como pode
A sociedade alimentar-se
De seus próprios resíduos,
Sem nem mesmo reciclá-los.
Ideologia,
Alimento podre,
Que mantém os ricos ricos
E os pobres pobres.
30/05/2001
756
Francisco Matos Paoli
Verdor que salta
Iminência, celeste iminência
de dias que são pássaros,
de pássaros que são veias.
Frescas corolas que se imantam
além de meu abismo.
Um ritmo aparte que suaviza
a ausência em que me encontro.
Algo como uma dor que corta a distância
do céu.
Terei um novo ser.
Um ritmo apogístico que me faz livre
de todos os augúrios da terra.
Verdor incontido.
Verdor que salta
até alcançar o triunfo
do que tem sido em mim
a noite plena.
de dias que são pássaros,
de pássaros que são veias.
Frescas corolas que se imantam
além de meu abismo.
Um ritmo aparte que suaviza
a ausência em que me encontro.
Algo como uma dor que corta a distância
do céu.
Terei um novo ser.
Um ritmo apogístico que me faz livre
de todos os augúrios da terra.
Verdor incontido.
Verdor que salta
até alcançar o triunfo
do que tem sido em mim
a noite plena.
968
Manuel Machado
Cantares
Vinho, sentimentos, guitarra e poesia
fazem os cantares da pátria minha.
Cantares...
Quem disse cantares disse Andaluzia.
À sombra fresca da velha parreira,
um moço dedilha a guitarra...
Cantares...
Algo que acaricia e algo que dilacera
"A nota aguda" que canta e o "baixo que chora...
E o tempo calado se vai hora após hora.
Cantares...
São marcas fatais da raça moura.
Não importa a vida, que já está perdida,
e, depois de tudo, que é isso, a vida?...
Cantares...
Cantando a dor, a dor se esquece.
Mãe, dor, sorte, dor, mãe, morte,
olhos pretos, negros, e negra a sorte...
Cantares...
Neles a alma da alma se verte.
Cantares. Cantares da pátria minha,
quem disse cantares disse Andaluzia.
Cantares...
Não tem mais notas a guitarra minha.
fazem os cantares da pátria minha.
Cantares...
Quem disse cantares disse Andaluzia.
À sombra fresca da velha parreira,
um moço dedilha a guitarra...
Cantares...
Algo que acaricia e algo que dilacera
"A nota aguda" que canta e o "baixo que chora...
E o tempo calado se vai hora após hora.
Cantares...
São marcas fatais da raça moura.
Não importa a vida, que já está perdida,
e, depois de tudo, que é isso, a vida?...
Cantares...
Cantando a dor, a dor se esquece.
Mãe, dor, sorte, dor, mãe, morte,
olhos pretos, negros, e negra a sorte...
Cantares...
Neles a alma da alma se verte.
Cantares. Cantares da pátria minha,
quem disse cantares disse Andaluzia.
Cantares...
Não tem mais notas a guitarra minha.
1 254
Manuel Machado
Cantares
Vinho, sentimentos, guitarra e poesia
fazem os cantares da pátria minha.
Cantares...
Quem disse cantares disse Andaluzia.
À sombra fresca da velha parreira,
um moço dedilha a guitarra...
Cantares...
Algo que acaricia e algo que dilacera
"A nota aguda" que canta e o "baixo que chora...
E o tempo calado se vai hora após hora.
Cantares...
São marcas fatais da raça moura.
Não importa a vida, que já está perdida,
e, depois de tudo, que é isso, a vida?...
Cantares...
Cantando a dor, a dor se esquece.
Mãe, dor, sorte, dor, mãe, morte,
olhos pretos, negros, e negra a sorte...
Cantares...
Neles a alma da alma se verte.
Cantares. Cantares da pátria minha,
quem disse cantares disse Andaluzia.
Cantares...
Não tem mais notas a guitarra minha.
fazem os cantares da pátria minha.
Cantares...
Quem disse cantares disse Andaluzia.
À sombra fresca da velha parreira,
um moço dedilha a guitarra...
Cantares...
Algo que acaricia e algo que dilacera
"A nota aguda" que canta e o "baixo que chora...
E o tempo calado se vai hora após hora.
Cantares...
São marcas fatais da raça moura.
Não importa a vida, que já está perdida,
e, depois de tudo, que é isso, a vida?...
Cantares...
Cantando a dor, a dor se esquece.
Mãe, dor, sorte, dor, mãe, morte,
olhos pretos, negros, e negra a sorte...
Cantares...
Neles a alma da alma se verte.
Cantares. Cantares da pátria minha,
quem disse cantares disse Andaluzia.
Cantares...
Não tem mais notas a guitarra minha.
1 254
Jorge Luis Borges
Jactância de quietude
Escrituras de luz embestem a sombra, mais prodigiosa que meteoros.
A alta cidade irreconhecível se faz violenta sobre o campo.
Seguro da minha vida e da minha morte, vejo aos ambiciosos e quisesse
entendê-los.
Seu dia é ávido como o laço no ar.
Sua noite é trégua da ira no ferro, pronto em acometer.
Falam de humanidade.
Minha humanidade está em sentir que somos vozes de uma mesma
penúria.
Falam de pátria.
Minha pátria é um palpitado de violão, uns retratos e uma velha
espada,
a oração evidente do salgueiro nos entardeceres.
O tempo está vivendo-me.
Mais silencioso que minha sombra, cruzo o tumulto da sua levantada
cobiça.
Eles são imprescindíveis, únicos, merecedores do amanhã. Meu
nome é alguém e qualquer.
Seu verso é um requerimento de alheia admiração.
Eu solicito do meu verso que não me contradiga, e é muito.
Que não seja persistência de formosura, mas sim de certeza
espiritual.
Eu solicito do meu verso que os caminhos e a solidão o testemunhem.
Gostosamente ociosa a fé, passou beirando meu viver.
Passou com lentidão, como quem vem de tão longe que não espera
chegar.
Retirado do livro Luna de enfrente, 1925
A alta cidade irreconhecível se faz violenta sobre o campo.
Seguro da minha vida e da minha morte, vejo aos ambiciosos e quisesse
entendê-los.
Seu dia é ávido como o laço no ar.
Sua noite é trégua da ira no ferro, pronto em acometer.
Falam de humanidade.
Minha humanidade está em sentir que somos vozes de uma mesma
penúria.
Falam de pátria.
Minha pátria é um palpitado de violão, uns retratos e uma velha
espada,
a oração evidente do salgueiro nos entardeceres.
O tempo está vivendo-me.
Mais silencioso que minha sombra, cruzo o tumulto da sua levantada
cobiça.
Eles são imprescindíveis, únicos, merecedores do amanhã. Meu
nome é alguém e qualquer.
Seu verso é um requerimento de alheia admiração.
Eu solicito do meu verso que não me contradiga, e é muito.
Que não seja persistência de formosura, mas sim de certeza
espiritual.
Eu solicito do meu verso que os caminhos e a solidão o testemunhem.
Gostosamente ociosa a fé, passou beirando meu viver.
Passou com lentidão, como quem vem de tão longe que não espera
chegar.
Retirado do livro Luna de enfrente, 1925
1 920
Jorge Luis Borges
Jactância de quietude
Escrituras de luz embestem a sombra, mais prodigiosa que meteoros.
A alta cidade irreconhecível se faz violenta sobre o campo.
Seguro da minha vida e da minha morte, vejo aos ambiciosos e quisesse
entendê-los.
Seu dia é ávido como o laço no ar.
Sua noite é trégua da ira no ferro, pronto em acometer.
Falam de humanidade.
Minha humanidade está em sentir que somos vozes de uma mesma
penúria.
Falam de pátria.
Minha pátria é um palpitado de violão, uns retratos e uma velha
espada,
a oração evidente do salgueiro nos entardeceres.
O tempo está vivendo-me.
Mais silencioso que minha sombra, cruzo o tumulto da sua levantada
cobiça.
Eles são imprescindíveis, únicos, merecedores do amanhã. Meu
nome é alguém e qualquer.
Seu verso é um requerimento de alheia admiração.
Eu solicito do meu verso que não me contradiga, e é muito.
Que não seja persistência de formosura, mas sim de certeza
espiritual.
Eu solicito do meu verso que os caminhos e a solidão o testemunhem.
Gostosamente ociosa a fé, passou beirando meu viver.
Passou com lentidão, como quem vem de tão longe que não espera
chegar.
Retirado do livro Luna de enfrente, 1925
A alta cidade irreconhecível se faz violenta sobre o campo.
Seguro da minha vida e da minha morte, vejo aos ambiciosos e quisesse
entendê-los.
Seu dia é ávido como o laço no ar.
Sua noite é trégua da ira no ferro, pronto em acometer.
Falam de humanidade.
Minha humanidade está em sentir que somos vozes de uma mesma
penúria.
Falam de pátria.
Minha pátria é um palpitado de violão, uns retratos e uma velha
espada,
a oração evidente do salgueiro nos entardeceres.
O tempo está vivendo-me.
Mais silencioso que minha sombra, cruzo o tumulto da sua levantada
cobiça.
Eles são imprescindíveis, únicos, merecedores do amanhã. Meu
nome é alguém e qualquer.
Seu verso é um requerimento de alheia admiração.
Eu solicito do meu verso que não me contradiga, e é muito.
Que não seja persistência de formosura, mas sim de certeza
espiritual.
Eu solicito do meu verso que os caminhos e a solidão o testemunhem.
Gostosamente ociosa a fé, passou beirando meu viver.
Passou com lentidão, como quem vem de tão longe que não espera
chegar.
Retirado do livro Luna de enfrente, 1925
1 920
Jorge Luis Borges
Jactância de quietude
Escrituras de luz embestem a sombra, mais prodigiosa que meteoros.
A alta cidade irreconhecível se faz violenta sobre o campo.
Seguro da minha vida e da minha morte, vejo aos ambiciosos e quisesse
entendê-los.
Seu dia é ávido como o laço no ar.
Sua noite é trégua da ira no ferro, pronto em acometer.
Falam de humanidade.
Minha humanidade está em sentir que somos vozes de uma mesma
penúria.
Falam de pátria.
Minha pátria é um palpitado de violão, uns retratos e uma velha
espada,
a oração evidente do salgueiro nos entardeceres.
O tempo está vivendo-me.
Mais silencioso que minha sombra, cruzo o tumulto da sua levantada
cobiça.
Eles são imprescindíveis, únicos, merecedores do amanhã. Meu
nome é alguém e qualquer.
Seu verso é um requerimento de alheia admiração.
Eu solicito do meu verso que não me contradiga, e é muito.
Que não seja persistência de formosura, mas sim de certeza
espiritual.
Eu solicito do meu verso que os caminhos e a solidão o testemunhem.
Gostosamente ociosa a fé, passou beirando meu viver.
Passou com lentidão, como quem vem de tão longe que não espera
chegar.
Retirado do livro Luna de enfrente, 1925
A alta cidade irreconhecível se faz violenta sobre o campo.
Seguro da minha vida e da minha morte, vejo aos ambiciosos e quisesse
entendê-los.
Seu dia é ávido como o laço no ar.
Sua noite é trégua da ira no ferro, pronto em acometer.
Falam de humanidade.
Minha humanidade está em sentir que somos vozes de uma mesma
penúria.
Falam de pátria.
Minha pátria é um palpitado de violão, uns retratos e uma velha
espada,
a oração evidente do salgueiro nos entardeceres.
O tempo está vivendo-me.
Mais silencioso que minha sombra, cruzo o tumulto da sua levantada
cobiça.
Eles são imprescindíveis, únicos, merecedores do amanhã. Meu
nome é alguém e qualquer.
Seu verso é um requerimento de alheia admiração.
Eu solicito do meu verso que não me contradiga, e é muito.
Que não seja persistência de formosura, mas sim de certeza
espiritual.
Eu solicito do meu verso que os caminhos e a solidão o testemunhem.
Gostosamente ociosa a fé, passou beirando meu viver.
Passou com lentidão, como quem vem de tão longe que não espera
chegar.
Retirado do livro Luna de enfrente, 1925
1 920
Marilina Ross
A praça branca
Recordo quando na praça
vi os filhos com as mães
que cantavam e saltavam
e brincavam de ser grandes
que brincavam de ser grandes
os filhos juntos as mães.
Porém chegou a tormenta
quando terminou o verão
a praça ficou deserta
nem as pombas ficaram
nem as pombas ficaram
Só as mães voltaram
mães que seguem buscando
aos filhos que deixaram
nessa praça brincando
brincando de que já eram livres
brincando, só brincando
brincando de que já eram livres
brincando...só brincando.
vi os filhos com as mães
que cantavam e saltavam
e brincavam de ser grandes
que brincavam de ser grandes
os filhos juntos as mães.
Porém chegou a tormenta
quando terminou o verão
a praça ficou deserta
nem as pombas ficaram
nem as pombas ficaram
Só as mães voltaram
mães que seguem buscando
aos filhos que deixaram
nessa praça brincando
brincando de que já eram livres
brincando, só brincando
brincando de que já eram livres
brincando...só brincando.
978
Marilina Ross
A praça branca
Recordo quando na praça
vi os filhos com as mães
que cantavam e saltavam
e brincavam de ser grandes
que brincavam de ser grandes
os filhos juntos as mães.
Porém chegou a tormenta
quando terminou o verão
a praça ficou deserta
nem as pombas ficaram
nem as pombas ficaram
Só as mães voltaram
mães que seguem buscando
aos filhos que deixaram
nessa praça brincando
brincando de que já eram livres
brincando, só brincando
brincando de que já eram livres
brincando...só brincando.
vi os filhos com as mães
que cantavam e saltavam
e brincavam de ser grandes
que brincavam de ser grandes
os filhos juntos as mães.
Porém chegou a tormenta
quando terminou o verão
a praça ficou deserta
nem as pombas ficaram
nem as pombas ficaram
Só as mães voltaram
mães que seguem buscando
aos filhos que deixaram
nessa praça brincando
brincando de que já eram livres
brincando, só brincando
brincando de que já eram livres
brincando...só brincando.
978
Antonio Machado
Tenho andado muitos caminhos
Tenho andado muitos caminhos
tenho aberto muitas veredas;
tenho navegado em cem mares
e atracado em cem ribeiras
Em todas partes tenho visto
caravanas de tristeza
orgulhosos e melancólicos
borrachos de sombra negra.
E pedantes ao pano
que olham, calam e pensam
que sabem, porque não bebem
o vinho das tabernas
Má gente que caminha
e vai empestando a terra...
E em todas partes tenho visto
pessoas que dançam ou jogam,
quando podem, e lavoram
seus quatro palmos de terra.
Nunca, se chegam a um lugar
perguntam a onde chegam.
Quando caminham, cavalgam
lombos de mula velha.
E não conhecem a pressa
nem mesmo nos dias de festa.
Onde há vinho, bebem vinho,
onde não há vinho, água fresca.
tenho aberto muitas veredas;
tenho navegado em cem mares
e atracado em cem ribeiras
Em todas partes tenho visto
caravanas de tristeza
orgulhosos e melancólicos
borrachos de sombra negra.
E pedantes ao pano
que olham, calam e pensam
que sabem, porque não bebem
o vinho das tabernas
Má gente que caminha
e vai empestando a terra...
E em todas partes tenho visto
pessoas que dançam ou jogam,
quando podem, e lavoram
seus quatro palmos de terra.
Nunca, se chegam a um lugar
perguntam a onde chegam.
Quando caminham, cavalgam
lombos de mula velha.
E não conhecem a pressa
nem mesmo nos dias de festa.
Onde há vinho, bebem vinho,
onde não há vinho, água fresca.
2 254
Antonio Machado
Tenho andado muitos caminhos
Tenho andado muitos caminhos
tenho aberto muitas veredas;
tenho navegado em cem mares
e atracado em cem ribeiras
Em todas partes tenho visto
caravanas de tristeza
orgulhosos e melancólicos
borrachos de sombra negra.
E pedantes ao pano
que olham, calam e pensam
que sabem, porque não bebem
o vinho das tabernas
Má gente que caminha
e vai empestando a terra...
E em todas partes tenho visto
pessoas que dançam ou jogam,
quando podem, e lavoram
seus quatro palmos de terra.
Nunca, se chegam a um lugar
perguntam a onde chegam.
Quando caminham, cavalgam
lombos de mula velha.
E não conhecem a pressa
nem mesmo nos dias de festa.
Onde há vinho, bebem vinho,
onde não há vinho, água fresca.
tenho aberto muitas veredas;
tenho navegado em cem mares
e atracado em cem ribeiras
Em todas partes tenho visto
caravanas de tristeza
orgulhosos e melancólicos
borrachos de sombra negra.
E pedantes ao pano
que olham, calam e pensam
que sabem, porque não bebem
o vinho das tabernas
Má gente que caminha
e vai empestando a terra...
E em todas partes tenho visto
pessoas que dançam ou jogam,
quando podem, e lavoram
seus quatro palmos de terra.
Nunca, se chegam a um lugar
perguntam a onde chegam.
Quando caminham, cavalgam
lombos de mula velha.
E não conhecem a pressa
nem mesmo nos dias de festa.
Onde há vinho, bebem vinho,
onde não há vinho, água fresca.
2 254
Alfonsina Storni
Sabeis algo
Subi, subi, subi. Já estava bem em cima
quando senti um murmuro, era desafio, diatribe?
Escutei: gargalhadas, ironias, insultos.
o que vos pareço uma símia? Oh meus bons estultos:
sabeis de coisas belas?
Eu, fazem séculos que vivo trança que trança estrelas.
quando senti um murmuro, era desafio, diatribe?
Escutei: gargalhadas, ironias, insultos.
o que vos pareço uma símia? Oh meus bons estultos:
sabeis de coisas belas?
Eu, fazem séculos que vivo trança que trança estrelas.
1 145
Rafael Alberti
O mar, o mar
O mar. O mar.
O mar. Só o mar!
Por que me trouxeste, pai
a cidade?
Em sonhos, a marejada
me tira do coração.
Se o quisesses levar.
Pai, por que me trouxeste
aqui?
O mar. Só o mar!
Por que me trouxeste, pai
a cidade?
Em sonhos, a marejada
me tira do coração.
Se o quisesses levar.
Pai, por que me trouxeste
aqui?
1 391
Oscar Cerruto
Cantar
Minha pátria tem montanhas,
não mar.
Ondas de trigo e trigais,
não mar.
Espuma azul os pinheirais
não mar.
Céus de esmalte fundido
não mar.
E o coro rouco do vento
sem mar.
não mar.
Ondas de trigo e trigais,
não mar.
Espuma azul os pinheirais
não mar.
Céus de esmalte fundido
não mar.
E o coro rouco do vento
sem mar.
744
Marilina Ross
E que nunca mais
A desenterrar os vivos e aos mortos enterrar
Sobre areias movediças não se pode caminhar
A desentranhar os leitos dos rios e do mar
para que flutuem os restos da verdade
e que nunca mais
A tirar as teias de aranha que teceu nossa memória
Se negamos o passado repetiremos a história
A levantar, se é preciso, o obelisco e sua praça
Que saia à luz do sol o que ocorreu nessas praias
e que nunca mais
A começar a renascer do pior dos infernos
Busquemos braços amigos no sul do hemisfério
e que nunca mais
Ou logramos entre todos que a pátria grande remonte
ou seremos uma estrela a mais na bandeira do norte.
Sobre areias movediças não se pode caminhar
A desentranhar os leitos dos rios e do mar
para que flutuem os restos da verdade
e que nunca mais
A tirar as teias de aranha que teceu nossa memória
Se negamos o passado repetiremos a história
A levantar, se é preciso, o obelisco e sua praça
Que saia à luz do sol o que ocorreu nessas praias
e que nunca mais
A começar a renascer do pior dos infernos
Busquemos braços amigos no sul do hemisfério
e que nunca mais
Ou logramos entre todos que a pátria grande remonte
ou seremos uma estrela a mais na bandeira do norte.
909
Marilina Ross
E que nunca mais
A desenterrar os vivos e aos mortos enterrar
Sobre areias movediças não se pode caminhar
A desentranhar os leitos dos rios e do mar
para que flutuem os restos da verdade
e que nunca mais
A tirar as teias de aranha que teceu nossa memória
Se negamos o passado repetiremos a história
A levantar, se é preciso, o obelisco e sua praça
Que saia à luz do sol o que ocorreu nessas praias
e que nunca mais
A começar a renascer do pior dos infernos
Busquemos braços amigos no sul do hemisfério
e que nunca mais
Ou logramos entre todos que a pátria grande remonte
ou seremos uma estrela a mais na bandeira do norte.
Sobre areias movediças não se pode caminhar
A desentranhar os leitos dos rios e do mar
para que flutuem os restos da verdade
e que nunca mais
A tirar as teias de aranha que teceu nossa memória
Se negamos o passado repetiremos a história
A levantar, se é preciso, o obelisco e sua praça
Que saia à luz do sol o que ocorreu nessas praias
e que nunca mais
A começar a renascer do pior dos infernos
Busquemos braços amigos no sul do hemisfério
e que nunca mais
Ou logramos entre todos que a pátria grande remonte
ou seremos uma estrela a mais na bandeira do norte.
909
César Vallejo
O pão nosso
Bebe-se o café da manhã...úmida terra
de cemitério cheira a sangue amado.
Cidade de inverno...A mordaz cruzada
de uma carreta que arrastar parece
uma emoção de jejum encadeada!
Quisera-se bater em todas as portas,
e perguntar por não sei quem, e logo
ver aos pobres, e, chorando quietos
dar pedacinhos de pão fresco a todos.
E saquear aos ricos seus vinhedos
com as duas mãos santas
que a um golpe de luz
voaram desencravadas da Cruz!
Pestana matinal, não vos levanteis!
O pão nosso de cada dia dá-nos,
Senhor...!
Todos os meus ossos são alheios
eu talvez os roubei!
Eu vim a dar-me o que acaso esteve
destinado para outro;
e penso que, se não houvesse nascido,
outro pobre tomasse este café!
Eu sou um mau ladrão...Aonde irei!
E nesta hora fria, em que a terra
transcende ao pó humano e é tão triste,
quisesse eu bater em todas as portas,
e suplicar a não sei quem, perdão,
e fazer-lhe pedacinhos de pão fresco
aqui, no forno de meu coração...!
de cemitério cheira a sangue amado.
Cidade de inverno...A mordaz cruzada
de uma carreta que arrastar parece
uma emoção de jejum encadeada!
Quisera-se bater em todas as portas,
e perguntar por não sei quem, e logo
ver aos pobres, e, chorando quietos
dar pedacinhos de pão fresco a todos.
E saquear aos ricos seus vinhedos
com as duas mãos santas
que a um golpe de luz
voaram desencravadas da Cruz!
Pestana matinal, não vos levanteis!
O pão nosso de cada dia dá-nos,
Senhor...!
Todos os meus ossos são alheios
eu talvez os roubei!
Eu vim a dar-me o que acaso esteve
destinado para outro;
e penso que, se não houvesse nascido,
outro pobre tomasse este café!
Eu sou um mau ladrão...Aonde irei!
E nesta hora fria, em que a terra
transcende ao pó humano e é tão triste,
quisesse eu bater em todas as portas,
e suplicar a não sei quem, perdão,
e fazer-lhe pedacinhos de pão fresco
aqui, no forno de meu coração...!
1 400
César Vallejo
O pão nosso
Bebe-se o café da manhã...úmida terra
de cemitério cheira a sangue amado.
Cidade de inverno...A mordaz cruzada
de uma carreta que arrastar parece
uma emoção de jejum encadeada!
Quisera-se bater em todas as portas,
e perguntar por não sei quem, e logo
ver aos pobres, e, chorando quietos
dar pedacinhos de pão fresco a todos.
E saquear aos ricos seus vinhedos
com as duas mãos santas
que a um golpe de luz
voaram desencravadas da Cruz!
Pestana matinal, não vos levanteis!
O pão nosso de cada dia dá-nos,
Senhor...!
Todos os meus ossos são alheios
eu talvez os roubei!
Eu vim a dar-me o que acaso esteve
destinado para outro;
e penso que, se não houvesse nascido,
outro pobre tomasse este café!
Eu sou um mau ladrão...Aonde irei!
E nesta hora fria, em que a terra
transcende ao pó humano e é tão triste,
quisesse eu bater em todas as portas,
e suplicar a não sei quem, perdão,
e fazer-lhe pedacinhos de pão fresco
aqui, no forno de meu coração...!
de cemitério cheira a sangue amado.
Cidade de inverno...A mordaz cruzada
de uma carreta que arrastar parece
uma emoção de jejum encadeada!
Quisera-se bater em todas as portas,
e perguntar por não sei quem, e logo
ver aos pobres, e, chorando quietos
dar pedacinhos de pão fresco a todos.
E saquear aos ricos seus vinhedos
com as duas mãos santas
que a um golpe de luz
voaram desencravadas da Cruz!
Pestana matinal, não vos levanteis!
O pão nosso de cada dia dá-nos,
Senhor...!
Todos os meus ossos são alheios
eu talvez os roubei!
Eu vim a dar-me o que acaso esteve
destinado para outro;
e penso que, se não houvesse nascido,
outro pobre tomasse este café!
Eu sou um mau ladrão...Aonde irei!
E nesta hora fria, em que a terra
transcende ao pó humano e é tão triste,
quisesse eu bater em todas as portas,
e suplicar a não sei quem, perdão,
e fazer-lhe pedacinhos de pão fresco
aqui, no forno de meu coração...!
1 400
César Vallejo
O pão nosso
Bebe-se o café da manhã...úmida terra
de cemitério cheira a sangue amado.
Cidade de inverno...A mordaz cruzada
de uma carreta que arrastar parece
uma emoção de jejum encadeada!
Quisera-se bater em todas as portas,
e perguntar por não sei quem, e logo
ver aos pobres, e, chorando quietos
dar pedacinhos de pão fresco a todos.
E saquear aos ricos seus vinhedos
com as duas mãos santas
que a um golpe de luz
voaram desencravadas da Cruz!
Pestana matinal, não vos levanteis!
O pão nosso de cada dia dá-nos,
Senhor...!
Todos os meus ossos são alheios
eu talvez os roubei!
Eu vim a dar-me o que acaso esteve
destinado para outro;
e penso que, se não houvesse nascido,
outro pobre tomasse este café!
Eu sou um mau ladrão...Aonde irei!
E nesta hora fria, em que a terra
transcende ao pó humano e é tão triste,
quisesse eu bater em todas as portas,
e suplicar a não sei quem, perdão,
e fazer-lhe pedacinhos de pão fresco
aqui, no forno de meu coração...!
de cemitério cheira a sangue amado.
Cidade de inverno...A mordaz cruzada
de uma carreta que arrastar parece
uma emoção de jejum encadeada!
Quisera-se bater em todas as portas,
e perguntar por não sei quem, e logo
ver aos pobres, e, chorando quietos
dar pedacinhos de pão fresco a todos.
E saquear aos ricos seus vinhedos
com as duas mãos santas
que a um golpe de luz
voaram desencravadas da Cruz!
Pestana matinal, não vos levanteis!
O pão nosso de cada dia dá-nos,
Senhor...!
Todos os meus ossos são alheios
eu talvez os roubei!
Eu vim a dar-me o que acaso esteve
destinado para outro;
e penso que, se não houvesse nascido,
outro pobre tomasse este café!
Eu sou um mau ladrão...Aonde irei!
E nesta hora fria, em que a terra
transcende ao pó humano e é tão triste,
quisesse eu bater em todas as portas,
e suplicar a não sei quem, perdão,
e fazer-lhe pedacinhos de pão fresco
aqui, no forno de meu coração...!
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