Poemas neste tema
Sociedade e Mundo
Felipe Vianna
FOME
Aspiramos ao bem do povo
Mas, ao povo nada fazemos.
Com encarecimento peço de novo
Para que tentemos.
O que você ganha?
Não posso explicar;
É uma sensação incrível
Ver a felicidade de chorar.
A ventura de comer,
Matar a fome,
Matar a sede,
São direitos do homem.
Será maravilhoso,
Um mundo igual,
Esta utopia,
Uma anarquia total.
Os donos do mundo,
Conto-os nos dedos.
E por que são?
Espero uma explicação.
07/03/1996
Mas, ao povo nada fazemos.
Com encarecimento peço de novo
Para que tentemos.
O que você ganha?
Não posso explicar;
É uma sensação incrível
Ver a felicidade de chorar.
A ventura de comer,
Matar a fome,
Matar a sede,
São direitos do homem.
Será maravilhoso,
Um mundo igual,
Esta utopia,
Uma anarquia total.
Os donos do mundo,
Conto-os nos dedos.
E por que são?
Espero uma explicação.
07/03/1996
634
Felipe Vianna
FOME
Aspiramos ao bem do povo
Mas, ao povo nada fazemos.
Com encarecimento peço de novo
Para que tentemos.
O que você ganha?
Não posso explicar;
É uma sensação incrível
Ver a felicidade de chorar.
A ventura de comer,
Matar a fome,
Matar a sede,
São direitos do homem.
Será maravilhoso,
Um mundo igual,
Esta utopia,
Uma anarquia total.
Os donos do mundo,
Conto-os nos dedos.
E por que são?
Espero uma explicação.
07/03/1996
Mas, ao povo nada fazemos.
Com encarecimento peço de novo
Para que tentemos.
O que você ganha?
Não posso explicar;
É uma sensação incrível
Ver a felicidade de chorar.
A ventura de comer,
Matar a fome,
Matar a sede,
São direitos do homem.
Será maravilhoso,
Um mundo igual,
Esta utopia,
Uma anarquia total.
Os donos do mundo,
Conto-os nos dedos.
E por que são?
Espero uma explicação.
07/03/1996
634
Felipe Vianna
FOME
Aspiramos ao bem do povo
Mas, ao povo nada fazemos.
Com encarecimento peço de novo
Para que tentemos.
O que você ganha?
Não posso explicar;
É uma sensação incrível
Ver a felicidade de chorar.
A ventura de comer,
Matar a fome,
Matar a sede,
São direitos do homem.
Será maravilhoso,
Um mundo igual,
Esta utopia,
Uma anarquia total.
Os donos do mundo,
Conto-os nos dedos.
E por que são?
Espero uma explicação.
07/03/1996
Mas, ao povo nada fazemos.
Com encarecimento peço de novo
Para que tentemos.
O que você ganha?
Não posso explicar;
É uma sensação incrível
Ver a felicidade de chorar.
A ventura de comer,
Matar a fome,
Matar a sede,
São direitos do homem.
Será maravilhoso,
Um mundo igual,
Esta utopia,
Uma anarquia total.
Os donos do mundo,
Conto-os nos dedos.
E por que são?
Espero uma explicação.
07/03/1996
634
Felipe Vianna
FOME
Aspiramos ao bem do povo
Mas, ao povo nada fazemos.
Com encarecimento peço de novo
Para que tentemos.
O que você ganha?
Não posso explicar;
É uma sensação incrível
Ver a felicidade de chorar.
A ventura de comer,
Matar a fome,
Matar a sede,
São direitos do homem.
Será maravilhoso,
Um mundo igual,
Esta utopia,
Uma anarquia total.
Os donos do mundo,
Conto-os nos dedos.
E por que são?
Espero uma explicação.
07/03/1996
Mas, ao povo nada fazemos.
Com encarecimento peço de novo
Para que tentemos.
O que você ganha?
Não posso explicar;
É uma sensação incrível
Ver a felicidade de chorar.
A ventura de comer,
Matar a fome,
Matar a sede,
São direitos do homem.
Será maravilhoso,
Um mundo igual,
Esta utopia,
Uma anarquia total.
Os donos do mundo,
Conto-os nos dedos.
E por que são?
Espero uma explicação.
07/03/1996
634
Felipe Vianna
FOME
Aspiramos ao bem do povo
Mas, ao povo nada fazemos.
Com encarecimento peço de novo
Para que tentemos.
O que você ganha?
Não posso explicar;
É uma sensação incrível
Ver a felicidade de chorar.
A ventura de comer,
Matar a fome,
Matar a sede,
São direitos do homem.
Será maravilhoso,
Um mundo igual,
Esta utopia,
Uma anarquia total.
Os donos do mundo,
Conto-os nos dedos.
E por que são?
Espero uma explicação.
07/03/1996
Mas, ao povo nada fazemos.
Com encarecimento peço de novo
Para que tentemos.
O que você ganha?
Não posso explicar;
É uma sensação incrível
Ver a felicidade de chorar.
A ventura de comer,
Matar a fome,
Matar a sede,
São direitos do homem.
Será maravilhoso,
Um mundo igual,
Esta utopia,
Uma anarquia total.
Os donos do mundo,
Conto-os nos dedos.
E por que são?
Espero uma explicação.
07/03/1996
634
Felipe Vianna
IDIOSSINCRASIA
Homem,
Quem és tu?
Sem personalidade,
Sem caráter.
Que entre a turba
Exacerbadamente
Idiossincrático se faz.
Do emendado
Ao mais rebelde
Não foge nunca
Desta estirpe social.
II
Quem és tu?
Insurgente idiota
Que, para fugir da rota,
Idiossincrático se faz.
III
Vulgo certo,
Emendado, correto.
Burro de carga
Da ideologia te faz.
11/06/2001
Quem és tu?
Sem personalidade,
Sem caráter.
Que entre a turba
Exacerbadamente
Idiossincrático se faz.
Do emendado
Ao mais rebelde
Não foge nunca
Desta estirpe social.
II
Quem és tu?
Insurgente idiota
Que, para fugir da rota,
Idiossincrático se faz.
III
Vulgo certo,
Emendado, correto.
Burro de carga
Da ideologia te faz.
11/06/2001
988
Felipe Vianna
IDIOSSINCRASIA
Homem,
Quem és tu?
Sem personalidade,
Sem caráter.
Que entre a turba
Exacerbadamente
Idiossincrático se faz.
Do emendado
Ao mais rebelde
Não foge nunca
Desta estirpe social.
II
Quem és tu?
Insurgente idiota
Que, para fugir da rota,
Idiossincrático se faz.
III
Vulgo certo,
Emendado, correto.
Burro de carga
Da ideologia te faz.
11/06/2001
Quem és tu?
Sem personalidade,
Sem caráter.
Que entre a turba
Exacerbadamente
Idiossincrático se faz.
Do emendado
Ao mais rebelde
Não foge nunca
Desta estirpe social.
II
Quem és tu?
Insurgente idiota
Que, para fugir da rota,
Idiossincrático se faz.
III
Vulgo certo,
Emendado, correto.
Burro de carga
Da ideologia te faz.
11/06/2001
988
Rafael Alberti
O mar, o mar
O mar. O mar.
O mar. Só o mar!
Por que me trouxeste, pai
a cidade?
Em sonhos, a marejada
me tira do coração.
Se o quisesses levar.
Pai, por que me trouxeste
aqui?
O mar. Só o mar!
Por que me trouxeste, pai
a cidade?
Em sonhos, a marejada
me tira do coração.
Se o quisesses levar.
Pai, por que me trouxeste
aqui?
1 438
Felipe Vianna
ESPERANÇA
Eu vivo o que eu posso
Pois o que não posso
Não me pertence.
Mas o que eu quero
Pertencer-me-á.
13/09/1998
Pois o que não posso
Não me pertence.
Mas o que eu quero
Pertencer-me-á.
13/09/1998
707
Jorge Luis Borges
Dulcia Linquimus Arva
Minha canção de crioulo final,
pela noite acrescida de relâmpagos
no expresso do Sul
que quebra o fundo e perde os campos.
Uma amizade fizeram meus avós
Com esta distância
E conquistaram a intimidade do Pampa
e ligaram a sua destreza
a terra, o fogo, o ar, a água.
Foram soldados e fazendeiros
e apascentaram o coração com manhãs
e o horizonte igual que um bordão
tocou na profundeza da sua austera jornada.
Sua jornada foi clara como um rio
E era fresca sua tarde como o poço de água do quintal
e em seu viver eram as quatro estações
Como os quatro versos de uma estrofe esperada.
Decifraram intratáveis poeiras
Em carretas ou em cavaladas
e os alegrou o resplendor
Com que aviva o sereno a luz da armadura.
Um batalhou contra os godos,
Outro no Paraguai cansou sua espada;
Todos souberam do abraço do mundo
e foi mulher submissa a seu querer a campanha.
Os outros corações foram serenos
Como janela que da ao campo;
Resplandecentes e altos eram seus dias
Feitos de céu e plano.
Sabedoria de terra adentro a sua,
Da laçada que é comida
E da estrela que é vereda
E do violão ascendido.
Sangue negro de estrofe brotou baixo suas mãos;
Sentiram-se confessos no canto de um pássaro.
Sou um caipira e já não sei dessas coisas,
Sou homem da cidade, do bairro, da rua;
Os bondes distantes me ajudam a tristeza
Com essa queixa longa que soltam na tarde.
Retirado do livro Luna de enfrente, 1925
pela noite acrescida de relâmpagos
no expresso do Sul
que quebra o fundo e perde os campos.
Uma amizade fizeram meus avós
Com esta distância
E conquistaram a intimidade do Pampa
e ligaram a sua destreza
a terra, o fogo, o ar, a água.
Foram soldados e fazendeiros
e apascentaram o coração com manhãs
e o horizonte igual que um bordão
tocou na profundeza da sua austera jornada.
Sua jornada foi clara como um rio
E era fresca sua tarde como o poço de água do quintal
e em seu viver eram as quatro estações
Como os quatro versos de uma estrofe esperada.
Decifraram intratáveis poeiras
Em carretas ou em cavaladas
e os alegrou o resplendor
Com que aviva o sereno a luz da armadura.
Um batalhou contra os godos,
Outro no Paraguai cansou sua espada;
Todos souberam do abraço do mundo
e foi mulher submissa a seu querer a campanha.
Os outros corações foram serenos
Como janela que da ao campo;
Resplandecentes e altos eram seus dias
Feitos de céu e plano.
Sabedoria de terra adentro a sua,
Da laçada que é comida
E da estrela que é vereda
E do violão ascendido.
Sangue negro de estrofe brotou baixo suas mãos;
Sentiram-se confessos no canto de um pássaro.
Sou um caipira e já não sei dessas coisas,
Sou homem da cidade, do bairro, da rua;
Os bondes distantes me ajudam a tristeza
Com essa queixa longa que soltam na tarde.
Retirado do livro Luna de enfrente, 1925
1 877
Jorge Luis Borges
Dulcia Linquimus Arva
Minha canção de crioulo final,
pela noite acrescida de relâmpagos
no expresso do Sul
que quebra o fundo e perde os campos.
Uma amizade fizeram meus avós
Com esta distância
E conquistaram a intimidade do Pampa
e ligaram a sua destreza
a terra, o fogo, o ar, a água.
Foram soldados e fazendeiros
e apascentaram o coração com manhãs
e o horizonte igual que um bordão
tocou na profundeza da sua austera jornada.
Sua jornada foi clara como um rio
E era fresca sua tarde como o poço de água do quintal
e em seu viver eram as quatro estações
Como os quatro versos de uma estrofe esperada.
Decifraram intratáveis poeiras
Em carretas ou em cavaladas
e os alegrou o resplendor
Com que aviva o sereno a luz da armadura.
Um batalhou contra os godos,
Outro no Paraguai cansou sua espada;
Todos souberam do abraço do mundo
e foi mulher submissa a seu querer a campanha.
Os outros corações foram serenos
Como janela que da ao campo;
Resplandecentes e altos eram seus dias
Feitos de céu e plano.
Sabedoria de terra adentro a sua,
Da laçada que é comida
E da estrela que é vereda
E do violão ascendido.
Sangue negro de estrofe brotou baixo suas mãos;
Sentiram-se confessos no canto de um pássaro.
Sou um caipira e já não sei dessas coisas,
Sou homem da cidade, do bairro, da rua;
Os bondes distantes me ajudam a tristeza
Com essa queixa longa que soltam na tarde.
Retirado do livro Luna de enfrente, 1925
pela noite acrescida de relâmpagos
no expresso do Sul
que quebra o fundo e perde os campos.
Uma amizade fizeram meus avós
Com esta distância
E conquistaram a intimidade do Pampa
e ligaram a sua destreza
a terra, o fogo, o ar, a água.
Foram soldados e fazendeiros
e apascentaram o coração com manhãs
e o horizonte igual que um bordão
tocou na profundeza da sua austera jornada.
Sua jornada foi clara como um rio
E era fresca sua tarde como o poço de água do quintal
e em seu viver eram as quatro estações
Como os quatro versos de uma estrofe esperada.
Decifraram intratáveis poeiras
Em carretas ou em cavaladas
e os alegrou o resplendor
Com que aviva o sereno a luz da armadura.
Um batalhou contra os godos,
Outro no Paraguai cansou sua espada;
Todos souberam do abraço do mundo
e foi mulher submissa a seu querer a campanha.
Os outros corações foram serenos
Como janela que da ao campo;
Resplandecentes e altos eram seus dias
Feitos de céu e plano.
Sabedoria de terra adentro a sua,
Da laçada que é comida
E da estrela que é vereda
E do violão ascendido.
Sangue negro de estrofe brotou baixo suas mãos;
Sentiram-se confessos no canto de um pássaro.
Sou um caipira e já não sei dessas coisas,
Sou homem da cidade, do bairro, da rua;
Os bondes distantes me ajudam a tristeza
Com essa queixa longa que soltam na tarde.
Retirado do livro Luna de enfrente, 1925
1 877
Felipe Vianna
REFLEXÕES DE UM ANO SECULAR
Entre lucros e prejuízos
A humanidade vai andando.
Papai Noel vai, Papai Noel vem,
Século vai, século vem.
Como o folhear de um livro
O tempo vai passando.
O que foi escrito, bem ou mau, escrito foi.
Mas folhas brancas estão chegando.
As luzes da ribalta se acendem
Para um novo século entrar,
E que em festejos de amores em corações
Faça a humanidade se encantar.
Que cristalina como a água da fonte
Seja o amor entre os homens,
E belo como o brilho da pérola
Seja este século que nos espera.
São os votos da humanidade
Que almeja, em plena sanidade,
Não ver mais fomes, guerras e atrocidades.
É,...
Chega de falar em desgraças,
Deixemos o passado para os livros de história,
E, vamos escrever a nossa, agora!
Feliz Ano Novo
Feliz Novo Século
21/12/2000
A humanidade vai andando.
Papai Noel vai, Papai Noel vem,
Século vai, século vem.
Como o folhear de um livro
O tempo vai passando.
O que foi escrito, bem ou mau, escrito foi.
Mas folhas brancas estão chegando.
As luzes da ribalta se acendem
Para um novo século entrar,
E que em festejos de amores em corações
Faça a humanidade se encantar.
Que cristalina como a água da fonte
Seja o amor entre os homens,
E belo como o brilho da pérola
Seja este século que nos espera.
São os votos da humanidade
Que almeja, em plena sanidade,
Não ver mais fomes, guerras e atrocidades.
É,...
Chega de falar em desgraças,
Deixemos o passado para os livros de história,
E, vamos escrever a nossa, agora!
Feliz Ano Novo
Feliz Novo Século
21/12/2000
743
Felipe Vianna
LOUCURA
Loucura é:
Mostrar o meu Eu ao teu Tu
E se o teu Tu achar louco o meu Eu
Não permitas, Deus,
Que eu seja o Tu.
Pois, se todo louco é feliz,
Mais vale curtir o éden de minha loucura à
Curtir o teu Tu das jaulas da sociedade.
25/05/2001
Mostrar o meu Eu ao teu Tu
E se o teu Tu achar louco o meu Eu
Não permitas, Deus,
Que eu seja o Tu.
Pois, se todo louco é feliz,
Mais vale curtir o éden de minha loucura à
Curtir o teu Tu das jaulas da sociedade.
25/05/2001
933
Felipe Vianna
LOUCURA
Loucura é:
Mostrar o meu Eu ao teu Tu
E se o teu Tu achar louco o meu Eu
Não permitas, Deus,
Que eu seja o Tu.
Pois, se todo louco é feliz,
Mais vale curtir o éden de minha loucura à
Curtir o teu Tu das jaulas da sociedade.
25/05/2001
Mostrar o meu Eu ao teu Tu
E se o teu Tu achar louco o meu Eu
Não permitas, Deus,
Que eu seja o Tu.
Pois, se todo louco é feliz,
Mais vale curtir o éden de minha loucura à
Curtir o teu Tu das jaulas da sociedade.
25/05/2001
933
Eduardo Alves da Costa
Quero que o saibas
Quero que o saibas, linda Inês:
meu coração é português.
E dentro do peito fareja latidos
da alma que há muito me fugiu.
Ando sem alma, já se vê,
à procura de não sei quê.
Talvez um cheiro, uma cor, um som
- memória do tempo em que eu,
cidadão de Viseu,
vivia na bolsa seminal de meu pai.
O que foi ele buscar no mundo?
O azul profundo que há nos mares
quando se os tem interiores;
novos amores, terras mais vastas.
Não são assim os descobridores?
Pois meu coração é assim:
navegante à deriva, naufrago em mim!
meu coração é português.
E dentro do peito fareja latidos
da alma que há muito me fugiu.
Ando sem alma, já se vê,
à procura de não sei quê.
Talvez um cheiro, uma cor, um som
- memória do tempo em que eu,
cidadão de Viseu,
vivia na bolsa seminal de meu pai.
O que foi ele buscar no mundo?
O azul profundo que há nos mares
quando se os tem interiores;
novos amores, terras mais vastas.
Não são assim os descobridores?
Pois meu coração é assim:
navegante à deriva, naufrago em mim!
1 475
Felipe Vianna
POESIA À POESIA
Rosas, amor, morte, vida,
São as armas da poesia.
Poesia hoje não lida,
Poesia hoje esquecida.
Poesia é um discurso,
Um discurso com muito som.
Se seu ritmo é bonito
É de alguém com muito dom.
Poesia é cultura,
É beleza, é arte pura.
Canto dos pássaros,
Pérola dos poetas.
Na vida das poesias
Tantas vidas se passaram,
Estas vidas já se foram
Mas nas poesias ficaram.
Tão bela quanto a rosa
A poesia ainda é,
Mas hoje, totalmente esquecida
Na conquista da mulher.
Já vou aos poucos findando
Esta poesia de dor,
Dor da ausência da arte
Na presença de um amor.
13/04/1991
São as armas da poesia.
Poesia hoje não lida,
Poesia hoje esquecida.
Poesia é um discurso,
Um discurso com muito som.
Se seu ritmo é bonito
É de alguém com muito dom.
Poesia é cultura,
É beleza, é arte pura.
Canto dos pássaros,
Pérola dos poetas.
Na vida das poesias
Tantas vidas se passaram,
Estas vidas já se foram
Mas nas poesias ficaram.
Tão bela quanto a rosa
A poesia ainda é,
Mas hoje, totalmente esquecida
Na conquista da mulher.
Já vou aos poucos findando
Esta poesia de dor,
Dor da ausência da arte
Na presença de um amor.
13/04/1991
634
Jorge Luis Borges
Jactância de quietude
Escrituras de luz embestem a sombra, mais prodigiosa que meteoros.
A alta cidade irreconhecível se faz violenta sobre o campo.
Seguro da minha vida e da minha morte, vejo aos ambiciosos e quisesse
entendê-los.
Seu dia é ávido como o laço no ar.
Sua noite é trégua da ira no ferro, pronto em acometer.
Falam de humanidade.
Minha humanidade está em sentir que somos vozes de uma mesma
penúria.
Falam de pátria.
Minha pátria é um palpitado de violão, uns retratos e uma velha
espada,
a oração evidente do salgueiro nos entardeceres.
O tempo está vivendo-me.
Mais silencioso que minha sombra, cruzo o tumulto da sua levantada
cobiça.
Eles são imprescindíveis, únicos, merecedores do amanhã. Meu
nome é alguém e qualquer.
Seu verso é um requerimento de alheia admiração.
Eu solicito do meu verso que não me contradiga, e é muito.
Que não seja persistência de formosura, mas sim de certeza
espiritual.
Eu solicito do meu verso que os caminhos e a solidão o testemunhem.
Gostosamente ociosa a fé, passou beirando meu viver.
Passou com lentidão, como quem vem de tão longe que não espera
chegar.
Retirado do livro Luna de enfrente, 1925
A alta cidade irreconhecível se faz violenta sobre o campo.
Seguro da minha vida e da minha morte, vejo aos ambiciosos e quisesse
entendê-los.
Seu dia é ávido como o laço no ar.
Sua noite é trégua da ira no ferro, pronto em acometer.
Falam de humanidade.
Minha humanidade está em sentir que somos vozes de uma mesma
penúria.
Falam de pátria.
Minha pátria é um palpitado de violão, uns retratos e uma velha
espada,
a oração evidente do salgueiro nos entardeceres.
O tempo está vivendo-me.
Mais silencioso que minha sombra, cruzo o tumulto da sua levantada
cobiça.
Eles são imprescindíveis, únicos, merecedores do amanhã. Meu
nome é alguém e qualquer.
Seu verso é um requerimento de alheia admiração.
Eu solicito do meu verso que não me contradiga, e é muito.
Que não seja persistência de formosura, mas sim de certeza
espiritual.
Eu solicito do meu verso que os caminhos e a solidão o testemunhem.
Gostosamente ociosa a fé, passou beirando meu viver.
Passou com lentidão, como quem vem de tão longe que não espera
chegar.
Retirado do livro Luna de enfrente, 1925
1 937
Jorge Luis Borges
Jactância de quietude
Escrituras de luz embestem a sombra, mais prodigiosa que meteoros.
A alta cidade irreconhecível se faz violenta sobre o campo.
Seguro da minha vida e da minha morte, vejo aos ambiciosos e quisesse
entendê-los.
Seu dia é ávido como o laço no ar.
Sua noite é trégua da ira no ferro, pronto em acometer.
Falam de humanidade.
Minha humanidade está em sentir que somos vozes de uma mesma
penúria.
Falam de pátria.
Minha pátria é um palpitado de violão, uns retratos e uma velha
espada,
a oração evidente do salgueiro nos entardeceres.
O tempo está vivendo-me.
Mais silencioso que minha sombra, cruzo o tumulto da sua levantada
cobiça.
Eles são imprescindíveis, únicos, merecedores do amanhã. Meu
nome é alguém e qualquer.
Seu verso é um requerimento de alheia admiração.
Eu solicito do meu verso que não me contradiga, e é muito.
Que não seja persistência de formosura, mas sim de certeza
espiritual.
Eu solicito do meu verso que os caminhos e a solidão o testemunhem.
Gostosamente ociosa a fé, passou beirando meu viver.
Passou com lentidão, como quem vem de tão longe que não espera
chegar.
Retirado do livro Luna de enfrente, 1925
A alta cidade irreconhecível se faz violenta sobre o campo.
Seguro da minha vida e da minha morte, vejo aos ambiciosos e quisesse
entendê-los.
Seu dia é ávido como o laço no ar.
Sua noite é trégua da ira no ferro, pronto em acometer.
Falam de humanidade.
Minha humanidade está em sentir que somos vozes de uma mesma
penúria.
Falam de pátria.
Minha pátria é um palpitado de violão, uns retratos e uma velha
espada,
a oração evidente do salgueiro nos entardeceres.
O tempo está vivendo-me.
Mais silencioso que minha sombra, cruzo o tumulto da sua levantada
cobiça.
Eles são imprescindíveis, únicos, merecedores do amanhã. Meu
nome é alguém e qualquer.
Seu verso é um requerimento de alheia admiração.
Eu solicito do meu verso que não me contradiga, e é muito.
Que não seja persistência de formosura, mas sim de certeza
espiritual.
Eu solicito do meu verso que os caminhos e a solidão o testemunhem.
Gostosamente ociosa a fé, passou beirando meu viver.
Passou com lentidão, como quem vem de tão longe que não espera
chegar.
Retirado do livro Luna de enfrente, 1925
1 937
Jorge Luis Borges
Jactância de quietude
Escrituras de luz embestem a sombra, mais prodigiosa que meteoros.
A alta cidade irreconhecível se faz violenta sobre o campo.
Seguro da minha vida e da minha morte, vejo aos ambiciosos e quisesse
entendê-los.
Seu dia é ávido como o laço no ar.
Sua noite é trégua da ira no ferro, pronto em acometer.
Falam de humanidade.
Minha humanidade está em sentir que somos vozes de uma mesma
penúria.
Falam de pátria.
Minha pátria é um palpitado de violão, uns retratos e uma velha
espada,
a oração evidente do salgueiro nos entardeceres.
O tempo está vivendo-me.
Mais silencioso que minha sombra, cruzo o tumulto da sua levantada
cobiça.
Eles são imprescindíveis, únicos, merecedores do amanhã. Meu
nome é alguém e qualquer.
Seu verso é um requerimento de alheia admiração.
Eu solicito do meu verso que não me contradiga, e é muito.
Que não seja persistência de formosura, mas sim de certeza
espiritual.
Eu solicito do meu verso que os caminhos e a solidão o testemunhem.
Gostosamente ociosa a fé, passou beirando meu viver.
Passou com lentidão, como quem vem de tão longe que não espera
chegar.
Retirado do livro Luna de enfrente, 1925
A alta cidade irreconhecível se faz violenta sobre o campo.
Seguro da minha vida e da minha morte, vejo aos ambiciosos e quisesse
entendê-los.
Seu dia é ávido como o laço no ar.
Sua noite é trégua da ira no ferro, pronto em acometer.
Falam de humanidade.
Minha humanidade está em sentir que somos vozes de uma mesma
penúria.
Falam de pátria.
Minha pátria é um palpitado de violão, uns retratos e uma velha
espada,
a oração evidente do salgueiro nos entardeceres.
O tempo está vivendo-me.
Mais silencioso que minha sombra, cruzo o tumulto da sua levantada
cobiça.
Eles são imprescindíveis, únicos, merecedores do amanhã. Meu
nome é alguém e qualquer.
Seu verso é um requerimento de alheia admiração.
Eu solicito do meu verso que não me contradiga, e é muito.
Que não seja persistência de formosura, mas sim de certeza
espiritual.
Eu solicito do meu verso que os caminhos e a solidão o testemunhem.
Gostosamente ociosa a fé, passou beirando meu viver.
Passou com lentidão, como quem vem de tão longe que não espera
chegar.
Retirado do livro Luna de enfrente, 1925
1 937
Marilina Ross
E que nunca mais
A desenterrar os vivos e aos mortos enterrar
Sobre areias movediças não se pode caminhar
A desentranhar os leitos dos rios e do mar
para que flutuem os restos da verdade
e que nunca mais
A tirar as teias de aranha que teceu nossa memória
Se negamos o passado repetiremos a história
A levantar, se é preciso, o obelisco e sua praça
Que saia à luz do sol o que ocorreu nessas praias
e que nunca mais
A começar a renascer do pior dos infernos
Busquemos braços amigos no sul do hemisfério
e que nunca mais
Ou logramos entre todos que a pátria grande remonte
ou seremos uma estrela a mais na bandeira do norte.
Sobre areias movediças não se pode caminhar
A desentranhar os leitos dos rios e do mar
para que flutuem os restos da verdade
e que nunca mais
A tirar as teias de aranha que teceu nossa memória
Se negamos o passado repetiremos a história
A levantar, se é preciso, o obelisco e sua praça
Que saia à luz do sol o que ocorreu nessas praias
e que nunca mais
A começar a renascer do pior dos infernos
Busquemos braços amigos no sul do hemisfério
e que nunca mais
Ou logramos entre todos que a pátria grande remonte
ou seremos uma estrela a mais na bandeira do norte.
923
Marilina Ross
E que nunca mais
A desenterrar os vivos e aos mortos enterrar
Sobre areias movediças não se pode caminhar
A desentranhar os leitos dos rios e do mar
para que flutuem os restos da verdade
e que nunca mais
A tirar as teias de aranha que teceu nossa memória
Se negamos o passado repetiremos a história
A levantar, se é preciso, o obelisco e sua praça
Que saia à luz do sol o que ocorreu nessas praias
e que nunca mais
A começar a renascer do pior dos infernos
Busquemos braços amigos no sul do hemisfério
e que nunca mais
Ou logramos entre todos que a pátria grande remonte
ou seremos uma estrela a mais na bandeira do norte.
Sobre areias movediças não se pode caminhar
A desentranhar os leitos dos rios e do mar
para que flutuem os restos da verdade
e que nunca mais
A tirar as teias de aranha que teceu nossa memória
Se negamos o passado repetiremos a história
A levantar, se é preciso, o obelisco e sua praça
Que saia à luz do sol o que ocorreu nessas praias
e que nunca mais
A começar a renascer do pior dos infernos
Busquemos braços amigos no sul do hemisfério
e que nunca mais
Ou logramos entre todos que a pátria grande remonte
ou seremos uma estrela a mais na bandeira do norte.
923
Francisco Matos Paoli
Verdor que salta
Iminência, celeste iminência
de dias que são pássaros,
de pássaros que são veias.
Frescas corolas que se imantam
além de meu abismo.
Um ritmo aparte que suaviza
a ausência em que me encontro.
Algo como uma dor que corta a distância
do céu.
Terei um novo ser.
Um ritmo apogístico que me faz livre
de todos os augúrios da terra.
Verdor incontido.
Verdor que salta
até alcançar o triunfo
do que tem sido em mim
a noite plena.
de dias que são pássaros,
de pássaros que são veias.
Frescas corolas que se imantam
além de meu abismo.
Um ritmo aparte que suaviza
a ausência em que me encontro.
Algo como uma dor que corta a distância
do céu.
Terei um novo ser.
Um ritmo apogístico que me faz livre
de todos os augúrios da terra.
Verdor incontido.
Verdor que salta
até alcançar o triunfo
do que tem sido em mim
a noite plena.
978