Poemas neste tema
Sociedade e Mundo
Eduardo Valente da Fonseca
Onde nem tudo o que luz é oiro
Somos talvez até um país rico,
e tivemos Camões, e tivemos pessoa e o infante,
mas a beleza está nos escombros,
e atola-se na areia e morre sem nos ver.
porque se eu abro a minha mão à noite
e nela só vejo as linhas do destino,
de que me vale a história do meu povo?
Sim, é possível que a profética rosa do oriente
ainda venha pelo rio da primavera
ancorar na solidão imensa deste cais.
e tivemos Camões, e tivemos pessoa e o infante,
mas a beleza está nos escombros,
e atola-se na areia e morre sem nos ver.
porque se eu abro a minha mão à noite
e nela só vejo as linhas do destino,
de que me vale a história do meu povo?
Sim, é possível que a profética rosa do oriente
ainda venha pelo rio da primavera
ancorar na solidão imensa deste cais.
1 024
Angela Santos
Parêntesis
Há dias em
que se acorda com a cabeça repleta,
o peito querendo explodir por todos os seus ângulos,
como se ao regressarmos do fundo da noite,
retornássemos da safra de um qualquer campo que existe
num lugar que não sabemos,
onde revisitamos os lugares só possíveis enquanto
o manto da noite cobre a razão, amacia ânsias,
disfarça nas vestes do sonho
medos, limites e nos devolve à luz da manhã,
vindos dessa "terra de ninguém
e do todo", renovados, renascidos,
já que cada dia se morre um pouco, e se
renasce em igual medida.
O pensamento em suas pausas,
deixa então que me sente junto á corrente do coração,
sempre a transbordar.
Há muito que busco esse diálogo que não é
concorrente,
antes cooperante, da razão e das emoções.
Em seus avanços o coração galga as margens
e os limites do espaço
do possível, porque nele não é contido.
Por vezes não sei, se nesses instantes regresso à infância,
ao domínio absoluto do sonho e do imaginário,
ou a um qualquer tipo de consciente demência,
que me induz a surrealizar,
tão certa de ser essa a brecha por onde a minha sanidade mental
e o meu equilíbrio,
obrigatoriamente devem passar.
Não chego nunca a entender
(e para que preciso?)
se é o lado melhor do pensar misturado com o sentir
que ali se mesclam, já que esse é o instante
que nos torna maiores,
e nos faz pairar numa dimensão
onde a rosa dos ventos enlouqueceria
no seu imparávelrodopiar.
Momentos de tudo ser, tudo sentir. Mistura-se o
pretérito, o instante e o que desejamos que venha.
E o que há-de vir virá.
Mesmo se o que quisemos se transmuda e surge como
o que não esperávamos.
Ainda assim, surge o que haveria de vir.
Não vou dar às palavras a toada de
um qualquer "fatum", nem adorná-las de um qualquer determinismo:
se o que esperamos não se revela
com a face do esperado, é
porque confundimos a mascara com o rosto,
ou porque o verdadeiro rosto só o lapidará o tempo.
A luz entra de repente pela janela do meu
habitáculo. Faço de novo um parêntesis no curso
do meu pensamento, no instante em que estava
de novo tentada a parar,
ou pairar sobre os episódios da dimensão
"o que poderia ter sido".
Não quis ficar suspensa
sobre esses momentos em que em rewind surgiam
os momentos em que esperei "acontecer"
e acabei por viver o inesperado.
Suspendo a corrente do pensar,
sentindo esse chamado da luz para as coisas simples.
A nesga de sol me distrai da corrente sem norte
e sem lei , onde mergulho.
Receio, por vezes o destino dos navios que sulcam
os mares de sargaços.
A ousadia me seduz a descer, ou a subir
(como sabê-lo?),
já que se faz caminho ao andar.
É no compasso do passo que é
preciso ficar atenta,
é no movimento invisível das coisas
que tudo se joga e esse só o entende quem está atento
de uma outra forma.
Um dia de sol...é um dia de sol, talvez não seja
melhor nem pior do que um dia de chuva.
Afinal na sua sabedoria umas vezes simples,
chã, outras nem tanto,
Pessoa dizia que ambos são bons porque
existem. Aí reside quiçá a razão de tudo
ter razão de ser.
Mas um dia de sol, faz a diferença:
é que é de luz que vivem meus olhos,
porque é no calor que vibram meus nervos
e é nesse morno caldo em que estão mergulhadas, que sobrevivem
minhas células.
Um dia de sol a descoberto, é um dia de sol e
isso eu sinto-o por dentro de mim,
sem outra explicação.
E eu sei que todos os dias são dias de sol.
Mesmo que não o seja no lugar onde eu esteja.
É que um dia de sol que se descobre diante dos meus olhos,
existe aos meus olhos
e por dentro de mim.
E nada é igual à luz de um sol que se não abriu.
Quem sabe se um dia não velei o sol,
nos templos dos druidas, ou fui simples
adoradora da luz primordial?
Despertar assim, trazendo a cabeça e o peito
repletos de coisas, vagas ou não,
depois de atravessar esse campo imenso
onde se dilui a consciência em alerta,
requer uma espécie de exercício de equilibrista.
O dia nos toma inteiros, nos chamando,
requerendo a nossa atenção permanente.
É o vermelho que aparece ao cruzar de uma rua,
o choro ou riso de uma criança que atravessa nossa parede,
esse imenso mar de gente em que mergulhamos,
o louco vai e vem desse todo indefinido
sem contornos da multidão,
que nos dilui no seu atropelo, onde de repente
não somos mais nós,
somos mais um; as pequenas solicitações do quotidiano,
no encadeamento de actos, escolhas e decisões,
em que a cada momento construímos futuro.
E longe, diluídos na torrente do dia e de suas repetições,
o eco dos sonhos maiores, pacientemente
aguardando a vez na fila de espera.
De esperas e adiamentos se faz o correr da vida.
Porque há momentos e eles surgem do nada.
Não os esperamos e aí estão diante de nós,
puxando-nos para a vivência do inesperado,
vestindo outras vestes e
de um modo tal irreconhecíveis
que nem damos conta de que chegou o que
vivemos a esperar, trazendo em si outras esperas.
E a cabeça, que exige respostas simples se questiona,
sem devolução de resposta e cede, aguardando
um lampejo que chegue pela via da lucidez pressentida.
E é assim que podemos chegar a esse ponto da
existência, cujo estádio se não define claramente,
porque nada necessita de grande clarificação:
as coisas são, tal como são, nem sempre as entendemos,
e aceitar não saber é de algum modo
um certo começo de sabedoria.
Não é indiferença, não é renuncia,
nem resignação,
o que sobrevem ao tumulto do coração,
à rebelião da carne, à fome de querer e não
ter.
Não tem nome porque se dê esse momento,
em que sobre a vida se abre um parêntesis e nele
contido fica talvez o essencial, porque sem resposta.
Quem sabe,
se a elementar razão de todo o resto ser.
que se acorda com a cabeça repleta,
o peito querendo explodir por todos os seus ângulos,
como se ao regressarmos do fundo da noite,
retornássemos da safra de um qualquer campo que existe
num lugar que não sabemos,
onde revisitamos os lugares só possíveis enquanto
o manto da noite cobre a razão, amacia ânsias,
disfarça nas vestes do sonho
medos, limites e nos devolve à luz da manhã,
vindos dessa "terra de ninguém
e do todo", renovados, renascidos,
já que cada dia se morre um pouco, e se
renasce em igual medida.
O pensamento em suas pausas,
deixa então que me sente junto á corrente do coração,
sempre a transbordar.
Há muito que busco esse diálogo que não é
concorrente,
antes cooperante, da razão e das emoções.
Em seus avanços o coração galga as margens
e os limites do espaço
do possível, porque nele não é contido.
Por vezes não sei, se nesses instantes regresso à infância,
ao domínio absoluto do sonho e do imaginário,
ou a um qualquer tipo de consciente demência,
que me induz a surrealizar,
tão certa de ser essa a brecha por onde a minha sanidade mental
e o meu equilíbrio,
obrigatoriamente devem passar.
Não chego nunca a entender
(e para que preciso?)
se é o lado melhor do pensar misturado com o sentir
que ali se mesclam, já que esse é o instante
que nos torna maiores,
e nos faz pairar numa dimensão
onde a rosa dos ventos enlouqueceria
no seu imparávelrodopiar.
Momentos de tudo ser, tudo sentir. Mistura-se o
pretérito, o instante e o que desejamos que venha.
E o que há-de vir virá.
Mesmo se o que quisemos se transmuda e surge como
o que não esperávamos.
Ainda assim, surge o que haveria de vir.
Não vou dar às palavras a toada de
um qualquer "fatum", nem adorná-las de um qualquer determinismo:
se o que esperamos não se revela
com a face do esperado, é
porque confundimos a mascara com o rosto,
ou porque o verdadeiro rosto só o lapidará o tempo.
A luz entra de repente pela janela do meu
habitáculo. Faço de novo um parêntesis no curso
do meu pensamento, no instante em que estava
de novo tentada a parar,
ou pairar sobre os episódios da dimensão
"o que poderia ter sido".
Não quis ficar suspensa
sobre esses momentos em que em rewind surgiam
os momentos em que esperei "acontecer"
e acabei por viver o inesperado.
Suspendo a corrente do pensar,
sentindo esse chamado da luz para as coisas simples.
A nesga de sol me distrai da corrente sem norte
e sem lei , onde mergulho.
Receio, por vezes o destino dos navios que sulcam
os mares de sargaços.
A ousadia me seduz a descer, ou a subir
(como sabê-lo?),
já que se faz caminho ao andar.
É no compasso do passo que é
preciso ficar atenta,
é no movimento invisível das coisas
que tudo se joga e esse só o entende quem está atento
de uma outra forma.
Um dia de sol...é um dia de sol, talvez não seja
melhor nem pior do que um dia de chuva.
Afinal na sua sabedoria umas vezes simples,
chã, outras nem tanto,
Pessoa dizia que ambos são bons porque
existem. Aí reside quiçá a razão de tudo
ter razão de ser.
Mas um dia de sol, faz a diferença:
é que é de luz que vivem meus olhos,
porque é no calor que vibram meus nervos
e é nesse morno caldo em que estão mergulhadas, que sobrevivem
minhas células.
Um dia de sol a descoberto, é um dia de sol e
isso eu sinto-o por dentro de mim,
sem outra explicação.
E eu sei que todos os dias são dias de sol.
Mesmo que não o seja no lugar onde eu esteja.
É que um dia de sol que se descobre diante dos meus olhos,
existe aos meus olhos
e por dentro de mim.
E nada é igual à luz de um sol que se não abriu.
Quem sabe se um dia não velei o sol,
nos templos dos druidas, ou fui simples
adoradora da luz primordial?
Despertar assim, trazendo a cabeça e o peito
repletos de coisas, vagas ou não,
depois de atravessar esse campo imenso
onde se dilui a consciência em alerta,
requer uma espécie de exercício de equilibrista.
O dia nos toma inteiros, nos chamando,
requerendo a nossa atenção permanente.
É o vermelho que aparece ao cruzar de uma rua,
o choro ou riso de uma criança que atravessa nossa parede,
esse imenso mar de gente em que mergulhamos,
o louco vai e vem desse todo indefinido
sem contornos da multidão,
que nos dilui no seu atropelo, onde de repente
não somos mais nós,
somos mais um; as pequenas solicitações do quotidiano,
no encadeamento de actos, escolhas e decisões,
em que a cada momento construímos futuro.
E longe, diluídos na torrente do dia e de suas repetições,
o eco dos sonhos maiores, pacientemente
aguardando a vez na fila de espera.
De esperas e adiamentos se faz o correr da vida.
Porque há momentos e eles surgem do nada.
Não os esperamos e aí estão diante de nós,
puxando-nos para a vivência do inesperado,
vestindo outras vestes e
de um modo tal irreconhecíveis
que nem damos conta de que chegou o que
vivemos a esperar, trazendo em si outras esperas.
E a cabeça, que exige respostas simples se questiona,
sem devolução de resposta e cede, aguardando
um lampejo que chegue pela via da lucidez pressentida.
E é assim que podemos chegar a esse ponto da
existência, cujo estádio se não define claramente,
porque nada necessita de grande clarificação:
as coisas são, tal como são, nem sempre as entendemos,
e aceitar não saber é de algum modo
um certo começo de sabedoria.
Não é indiferença, não é renuncia,
nem resignação,
o que sobrevem ao tumulto do coração,
à rebelião da carne, à fome de querer e não
ter.
Não tem nome porque se dê esse momento,
em que sobre a vida se abre um parêntesis e nele
contido fica talvez o essencial, porque sem resposta.
Quem sabe,
se a elementar razão de todo o resto ser.
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Angela Santos
Parêntesis
Há dias em
que se acorda com a cabeça repleta,
o peito querendo explodir por todos os seus ângulos,
como se ao regressarmos do fundo da noite,
retornássemos da safra de um qualquer campo que existe
num lugar que não sabemos,
onde revisitamos os lugares só possíveis enquanto
o manto da noite cobre a razão, amacia ânsias,
disfarça nas vestes do sonho
medos, limites e nos devolve à luz da manhã,
vindos dessa "terra de ninguém
e do todo", renovados, renascidos,
já que cada dia se morre um pouco, e se
renasce em igual medida.
O pensamento em suas pausas,
deixa então que me sente junto á corrente do coração,
sempre a transbordar.
Há muito que busco esse diálogo que não é
concorrente,
antes cooperante, da razão e das emoções.
Em seus avanços o coração galga as margens
e os limites do espaço
do possível, porque nele não é contido.
Por vezes não sei, se nesses instantes regresso à infância,
ao domínio absoluto do sonho e do imaginário,
ou a um qualquer tipo de consciente demência,
que me induz a surrealizar,
tão certa de ser essa a brecha por onde a minha sanidade mental
e o meu equilíbrio,
obrigatoriamente devem passar.
Não chego nunca a entender
(e para que preciso?)
se é o lado melhor do pensar misturado com o sentir
que ali se mesclam, já que esse é o instante
que nos torna maiores,
e nos faz pairar numa dimensão
onde a rosa dos ventos enlouqueceria
no seu imparávelrodopiar.
Momentos de tudo ser, tudo sentir. Mistura-se o
pretérito, o instante e o que desejamos que venha.
E o que há-de vir virá.
Mesmo se o que quisemos se transmuda e surge como
o que não esperávamos.
Ainda assim, surge o que haveria de vir.
Não vou dar às palavras a toada de
um qualquer "fatum", nem adorná-las de um qualquer determinismo:
se o que esperamos não se revela
com a face do esperado, é
porque confundimos a mascara com o rosto,
ou porque o verdadeiro rosto só o lapidará o tempo.
A luz entra de repente pela janela do meu
habitáculo. Faço de novo um parêntesis no curso
do meu pensamento, no instante em que estava
de novo tentada a parar,
ou pairar sobre os episódios da dimensão
"o que poderia ter sido".
Não quis ficar suspensa
sobre esses momentos em que em rewind surgiam
os momentos em que esperei "acontecer"
e acabei por viver o inesperado.
Suspendo a corrente do pensar,
sentindo esse chamado da luz para as coisas simples.
A nesga de sol me distrai da corrente sem norte
e sem lei , onde mergulho.
Receio, por vezes o destino dos navios que sulcam
os mares de sargaços.
A ousadia me seduz a descer, ou a subir
(como sabê-lo?),
já que se faz caminho ao andar.
É no compasso do passo que é
preciso ficar atenta,
é no movimento invisível das coisas
que tudo se joga e esse só o entende quem está atento
de uma outra forma.
Um dia de sol...é um dia de sol, talvez não seja
melhor nem pior do que um dia de chuva.
Afinal na sua sabedoria umas vezes simples,
chã, outras nem tanto,
Pessoa dizia que ambos são bons porque
existem. Aí reside quiçá a razão de tudo
ter razão de ser.
Mas um dia de sol, faz a diferença:
é que é de luz que vivem meus olhos,
porque é no calor que vibram meus nervos
e é nesse morno caldo em que estão mergulhadas, que sobrevivem
minhas células.
Um dia de sol a descoberto, é um dia de sol e
isso eu sinto-o por dentro de mim,
sem outra explicação.
E eu sei que todos os dias são dias de sol.
Mesmo que não o seja no lugar onde eu esteja.
É que um dia de sol que se descobre diante dos meus olhos,
existe aos meus olhos
e por dentro de mim.
E nada é igual à luz de um sol que se não abriu.
Quem sabe se um dia não velei o sol,
nos templos dos druidas, ou fui simples
adoradora da luz primordial?
Despertar assim, trazendo a cabeça e o peito
repletos de coisas, vagas ou não,
depois de atravessar esse campo imenso
onde se dilui a consciência em alerta,
requer uma espécie de exercício de equilibrista.
O dia nos toma inteiros, nos chamando,
requerendo a nossa atenção permanente.
É o vermelho que aparece ao cruzar de uma rua,
o choro ou riso de uma criança que atravessa nossa parede,
esse imenso mar de gente em que mergulhamos,
o louco vai e vem desse todo indefinido
sem contornos da multidão,
que nos dilui no seu atropelo, onde de repente
não somos mais nós,
somos mais um; as pequenas solicitações do quotidiano,
no encadeamento de actos, escolhas e decisões,
em que a cada momento construímos futuro.
E longe, diluídos na torrente do dia e de suas repetições,
o eco dos sonhos maiores, pacientemente
aguardando a vez na fila de espera.
De esperas e adiamentos se faz o correr da vida.
Porque há momentos e eles surgem do nada.
Não os esperamos e aí estão diante de nós,
puxando-nos para a vivência do inesperado,
vestindo outras vestes e
de um modo tal irreconhecíveis
que nem damos conta de que chegou o que
vivemos a esperar, trazendo em si outras esperas.
E a cabeça, que exige respostas simples se questiona,
sem devolução de resposta e cede, aguardando
um lampejo que chegue pela via da lucidez pressentida.
E é assim que podemos chegar a esse ponto da
existência, cujo estádio se não define claramente,
porque nada necessita de grande clarificação:
as coisas são, tal como são, nem sempre as entendemos,
e aceitar não saber é de algum modo
um certo começo de sabedoria.
Não é indiferença, não é renuncia,
nem resignação,
o que sobrevem ao tumulto do coração,
à rebelião da carne, à fome de querer e não
ter.
Não tem nome porque se dê esse momento,
em que sobre a vida se abre um parêntesis e nele
contido fica talvez o essencial, porque sem resposta.
Quem sabe,
se a elementar razão de todo o resto ser.
que se acorda com a cabeça repleta,
o peito querendo explodir por todos os seus ângulos,
como se ao regressarmos do fundo da noite,
retornássemos da safra de um qualquer campo que existe
num lugar que não sabemos,
onde revisitamos os lugares só possíveis enquanto
o manto da noite cobre a razão, amacia ânsias,
disfarça nas vestes do sonho
medos, limites e nos devolve à luz da manhã,
vindos dessa "terra de ninguém
e do todo", renovados, renascidos,
já que cada dia se morre um pouco, e se
renasce em igual medida.
O pensamento em suas pausas,
deixa então que me sente junto á corrente do coração,
sempre a transbordar.
Há muito que busco esse diálogo que não é
concorrente,
antes cooperante, da razão e das emoções.
Em seus avanços o coração galga as margens
e os limites do espaço
do possível, porque nele não é contido.
Por vezes não sei, se nesses instantes regresso à infância,
ao domínio absoluto do sonho e do imaginário,
ou a um qualquer tipo de consciente demência,
que me induz a surrealizar,
tão certa de ser essa a brecha por onde a minha sanidade mental
e o meu equilíbrio,
obrigatoriamente devem passar.
Não chego nunca a entender
(e para que preciso?)
se é o lado melhor do pensar misturado com o sentir
que ali se mesclam, já que esse é o instante
que nos torna maiores,
e nos faz pairar numa dimensão
onde a rosa dos ventos enlouqueceria
no seu imparávelrodopiar.
Momentos de tudo ser, tudo sentir. Mistura-se o
pretérito, o instante e o que desejamos que venha.
E o que há-de vir virá.
Mesmo se o que quisemos se transmuda e surge como
o que não esperávamos.
Ainda assim, surge o que haveria de vir.
Não vou dar às palavras a toada de
um qualquer "fatum", nem adorná-las de um qualquer determinismo:
se o que esperamos não se revela
com a face do esperado, é
porque confundimos a mascara com o rosto,
ou porque o verdadeiro rosto só o lapidará o tempo.
A luz entra de repente pela janela do meu
habitáculo. Faço de novo um parêntesis no curso
do meu pensamento, no instante em que estava
de novo tentada a parar,
ou pairar sobre os episódios da dimensão
"o que poderia ter sido".
Não quis ficar suspensa
sobre esses momentos em que em rewind surgiam
os momentos em que esperei "acontecer"
e acabei por viver o inesperado.
Suspendo a corrente do pensar,
sentindo esse chamado da luz para as coisas simples.
A nesga de sol me distrai da corrente sem norte
e sem lei , onde mergulho.
Receio, por vezes o destino dos navios que sulcam
os mares de sargaços.
A ousadia me seduz a descer, ou a subir
(como sabê-lo?),
já que se faz caminho ao andar.
É no compasso do passo que é
preciso ficar atenta,
é no movimento invisível das coisas
que tudo se joga e esse só o entende quem está atento
de uma outra forma.
Um dia de sol...é um dia de sol, talvez não seja
melhor nem pior do que um dia de chuva.
Afinal na sua sabedoria umas vezes simples,
chã, outras nem tanto,
Pessoa dizia que ambos são bons porque
existem. Aí reside quiçá a razão de tudo
ter razão de ser.
Mas um dia de sol, faz a diferença:
é que é de luz que vivem meus olhos,
porque é no calor que vibram meus nervos
e é nesse morno caldo em que estão mergulhadas, que sobrevivem
minhas células.
Um dia de sol a descoberto, é um dia de sol e
isso eu sinto-o por dentro de mim,
sem outra explicação.
E eu sei que todos os dias são dias de sol.
Mesmo que não o seja no lugar onde eu esteja.
É que um dia de sol que se descobre diante dos meus olhos,
existe aos meus olhos
e por dentro de mim.
E nada é igual à luz de um sol que se não abriu.
Quem sabe se um dia não velei o sol,
nos templos dos druidas, ou fui simples
adoradora da luz primordial?
Despertar assim, trazendo a cabeça e o peito
repletos de coisas, vagas ou não,
depois de atravessar esse campo imenso
onde se dilui a consciência em alerta,
requer uma espécie de exercício de equilibrista.
O dia nos toma inteiros, nos chamando,
requerendo a nossa atenção permanente.
É o vermelho que aparece ao cruzar de uma rua,
o choro ou riso de uma criança que atravessa nossa parede,
esse imenso mar de gente em que mergulhamos,
o louco vai e vem desse todo indefinido
sem contornos da multidão,
que nos dilui no seu atropelo, onde de repente
não somos mais nós,
somos mais um; as pequenas solicitações do quotidiano,
no encadeamento de actos, escolhas e decisões,
em que a cada momento construímos futuro.
E longe, diluídos na torrente do dia e de suas repetições,
o eco dos sonhos maiores, pacientemente
aguardando a vez na fila de espera.
De esperas e adiamentos se faz o correr da vida.
Porque há momentos e eles surgem do nada.
Não os esperamos e aí estão diante de nós,
puxando-nos para a vivência do inesperado,
vestindo outras vestes e
de um modo tal irreconhecíveis
que nem damos conta de que chegou o que
vivemos a esperar, trazendo em si outras esperas.
E a cabeça, que exige respostas simples se questiona,
sem devolução de resposta e cede, aguardando
um lampejo que chegue pela via da lucidez pressentida.
E é assim que podemos chegar a esse ponto da
existência, cujo estádio se não define claramente,
porque nada necessita de grande clarificação:
as coisas são, tal como são, nem sempre as entendemos,
e aceitar não saber é de algum modo
um certo começo de sabedoria.
Não é indiferença, não é renuncia,
nem resignação,
o que sobrevem ao tumulto do coração,
à rebelião da carne, à fome de querer e não
ter.
Não tem nome porque se dê esse momento,
em que sobre a vida se abre um parêntesis e nele
contido fica talvez o essencial, porque sem resposta.
Quem sabe,
se a elementar razão de todo o resto ser.
827
Fernando Tavares Rodrigues
Corpo
Que não
seja estátua!
Seja às vezes carne
Entre rosa e sangue
Entre forma e fundo.
Saiba ser o fruto
Sem ser só o gomo
Seja vinho novo
Seja apenas sumo.
Seja nevoeiro.
Venha nu, mas venha
Envolto na bruma....
Possa ser mistério...
Seja cais à espera
Seja barco à vela;
Possa ser mar alto
Possa ainda ser espuma.
(Traga o encanto de ser
impossívekl e longinquo
como um postal colorido
de uma cidade qualquer)
Que para além da imagem
Haja madrugada.
Seja uma viagem
Entre tudo e nada.
Como o álcool puro
Quando se evapora
E risca o futuro
Do lado de fora...
seja estátua!
Seja às vezes carne
Entre rosa e sangue
Entre forma e fundo.
Saiba ser o fruto
Sem ser só o gomo
Seja vinho novo
Seja apenas sumo.
Seja nevoeiro.
Venha nu, mas venha
Envolto na bruma....
Possa ser mistério...
Seja cais à espera
Seja barco à vela;
Possa ser mar alto
Possa ainda ser espuma.
(Traga o encanto de ser
impossívekl e longinquo
como um postal colorido
de uma cidade qualquer)
Que para além da imagem
Haja madrugada.
Seja uma viagem
Entre tudo e nada.
Como o álcool puro
Quando se evapora
E risca o futuro
Do lado de fora...
1 095
Fernando Tavares Rodrigues
Rosa dos Ventos
Ao sul de mim existe um porto
Que não se bebe.
Apenas se pressente.
Me embriaga
E , contudo, não se mede.
Mulher cujo perfume só recordo
Na madrugada fria, ainda doente.
A Norte, porém, quando confessa
Vontades que traz apetecidas
Confesso que me aquece, nessa pressa,
Outras mulheres que cria já esquecidas.
A Oeste bastava outra vontade
Para alcançar a praia repetida
Que outro gesto quisera e de vaidade.
Finalmente, a Leste, a despedida,
Abraço que ficou por acabar,
Palavra de começo e de partida
Que o tempo não deixou acreditar...
Que não se bebe.
Apenas se pressente.
Me embriaga
E , contudo, não se mede.
Mulher cujo perfume só recordo
Na madrugada fria, ainda doente.
A Norte, porém, quando confessa
Vontades que traz apetecidas
Confesso que me aquece, nessa pressa,
Outras mulheres que cria já esquecidas.
A Oeste bastava outra vontade
Para alcançar a praia repetida
Que outro gesto quisera e de vaidade.
Finalmente, a Leste, a despedida,
Abraço que ficou por acabar,
Palavra de começo e de partida
Que o tempo não deixou acreditar...
973
Eduardo Valente da Fonseca
Poeta citadino
Talvez vocês não saibam quem foi o Alberto Caeiro,
mas eu vou dizer-vos o que se passa.
Ele era um grande poeta que não tem nada a ver comigo
porque guardava rebanhos e fazia os possíveis para ser simples,
enquanto eu sou um sindicalizado
e faço os possíveis para não morrer atropelado na cidade.
mas eu vou dizer-vos o que se passa.
Ele era um grande poeta que não tem nada a ver comigo
porque guardava rebanhos e fazia os possíveis para ser simples,
enquanto eu sou um sindicalizado
e faço os possíveis para não morrer atropelado na cidade.
1 198
Eduardo Valente da Fonseca
Deve-se amar o perto
O homem
chegou à lua, e ao sol
e ao fundo do mar,
e só Londres tem a população do meu país,
e nisso nem há mal...
mas quando eu vou a Barroselas do Minho
e a D. Felisbina me recebe contente
na Primavera da sua quinta,
eu só penso na D. Felisbina
e amo a sua cabeça branca.
depois vou passear pelos sítios do ano passado,
e cada folha é um universo.
Então o sol esconde-se
e é a vez dos pinheiros serem divinos sob as estrelas.
chegou à lua, e ao sol
e ao fundo do mar,
e só Londres tem a população do meu país,
e nisso nem há mal...
mas quando eu vou a Barroselas do Minho
e a D. Felisbina me recebe contente
na Primavera da sua quinta,
eu só penso na D. Felisbina
e amo a sua cabeça branca.
depois vou passear pelos sítios do ano passado,
e cada folha é um universo.
Então o sol esconde-se
e é a vez dos pinheiros serem divinos sob as estrelas.
954
Cristiane Neder
Queria Experimentar no Seu Corpo
Queria experimentar
todas as alturas do mundo
ao seu lado,
e perder o medo
de andar pelo céu
e conversar com os anjos.
Queria voar
e cair
sem paráquedas
para te abraçar
bem apertado,
e sentir o vento denso
das cordilheiras do Himalaia
e o silêncio e o calor
do Deserto do Saara,
pois no seu corpo
há todos os lugares belos
do mundo juntos
tatuados,
há todas as maravilhas
imaginadas e sonhadas
do planeta terra
na sua mais exata perfeição,
pois por onde você passa
sua pele recebe a energia
de cada lugar especial,
e registra na tua pele
um pouco de cada cultura.
todas as alturas do mundo
ao seu lado,
e perder o medo
de andar pelo céu
e conversar com os anjos.
Queria voar
e cair
sem paráquedas
para te abraçar
bem apertado,
e sentir o vento denso
das cordilheiras do Himalaia
e o silêncio e o calor
do Deserto do Saara,
pois no seu corpo
há todos os lugares belos
do mundo juntos
tatuados,
há todas as maravilhas
imaginadas e sonhadas
do planeta terra
na sua mais exata perfeição,
pois por onde você passa
sua pele recebe a energia
de cada lugar especial,
e registra na tua pele
um pouco de cada cultura.
856
Angela Santos
Entrelinhas
Ali
naquele instante em que não paramos,
não vimos
que não há dias iguais
no seu aparente igual suceder
Um banco de jardim
um sol morno
a tarde que lenta cai,
rodopiando em correrias
uma criança, um cão
e lá longe a linha do horizonte
fundindo tons de azul
Aqui, fixando um sol laranja
dois amantes se entreolham
e tocam num gesto subtil,
seus dedos se enlaçam
e de repente o corpo respira desejo.
E enchem a vida
os quotidianos, vulgares, ínfimos sinais
passamos, e passamos adiante
sem decifrar na superfície do acontecer
que nada se repete,
que não há dias iguais.
naquele instante em que não paramos,
não vimos
que não há dias iguais
no seu aparente igual suceder
Um banco de jardim
um sol morno
a tarde que lenta cai,
rodopiando em correrias
uma criança, um cão
e lá longe a linha do horizonte
fundindo tons de azul
Aqui, fixando um sol laranja
dois amantes se entreolham
e tocam num gesto subtil,
seus dedos se enlaçam
e de repente o corpo respira desejo.
E enchem a vida
os quotidianos, vulgares, ínfimos sinais
passamos, e passamos adiante
sem decifrar na superfície do acontecer
que nada se repete,
que não há dias iguais.
1 029
Angela Santos
Do Livro e do Saber
na Era Comunicacional
Na era da Comunicação
global, do derrube de fronteiras imposto pelas sociedades da informação,
em que o poder prevalecente é o da imagem, coloca-se a questão
de saber que lugar ocupa a palavra escrita e consequentemente o livro,
nas culturas de massificação.
O
acervo de informação à disposição
de uma considerável parte da humanidade, pelo menos da que vive
em sociedades que dispõe de condições que permitem
aos seus cidadãos o acesso aos meios massificados da informação,
não nos pode fazer esquecer que uma outra fatia, não menos
considerável da humanidade, das estepes à Ásia
e ao grande continente africano, permanece analfabeta.
A
universalização e democratização do ensino,
tendo diminuído o fosso entre letrados e iletrados, não
nos conduziu necessariamente a um estágio de maior conhecimento:
a humanidade não se revela mais sábia, apesar de termos
as mais consagradas bibliotecas ao alcance da mão, na comodidade
de nossas casas, os museus mais conceituados do mundo ou os dados mais
recentes da ciência, disponíveis nas redes informáticas
e a que acedemos através de um simples click.
Em
grandes discursos de meras intenções políticas,
os que governam os destinos do mundo elevam suas vozes, tanto em defesa
do ambiente que ao ritmo de poluição a que está
sujeito, acabará sufocando e nós com ele, como da necessidade
de tornar universal o acesso ao conhecimento, e da escola como meio
privilegiado da formação dos indivíduos, portanto
de cidadãos. Educar para a cidadania, implicaria dar de novo
ênfase e importância a determinadas áreas de formação,
que tanto gregos como romanos – para de algum modo apelar a dois dos
grandes pilares de nossa estrutura civilizacional – sublinhavam como
as traves-mestras do edifício educacional do habitante da "polis".
As áreas de formação cívica, ao longo das
ultimas décadas foram sendo despromovidas em favor das áreas
tecnológicas e cientificas, sem sombra de dúvida caminhos
de evolução e progresso, para a humanidade, mas não
os únicos.
Pensar
que no dealbar do um novo milênio, as manchas de pobreza no planeta
se alargam, que o anafabetismo, não foi irradicado, que os nacionalismos
mais ferozes ainda matam, que a carta magna dos Direitos Universais
do Homem, é letra morta, para milhares de homens, mulheres e
crianças que conhecem a condição infra-humana da
existência, deveriam fazer pensar. Progresso é um
conceito que nos traz à memória um processo de eliminação
da bárbarie, e por todo o planeta há sinais de que ela
tende a crescer e de que os conceitos de progresso e evolução
deveriam ser revistos.
Educar
para a cidadania deveria ser o lema de quem dirige os destinos de um
país, porque é no ensino que se aposta positivamente no
futuro, ou pelo contrário o individamos. Progresso está
intimamente ligado a um outro conceito: EDUCAR!
Porque
falamos de ensino, é pertinaz lembrar que em nossas escolas parece
surgir como um verdadeiro drama as relações quase traumáticas
que uma elevada percentagem de alunos vive com algumas disciplinas,
nomeadamente a matemática e a língua materna. De uma forma
geral as pessoas falam cada vez pior, e a formação de
uma mente racional e lógica também se perde, pelas dificuldades
que enfrentam nossos estudantes.
O
sucesso escolar, e a aquisição do conhecimento, que se
realiza durante a passagem pela escola, ou faculdade, está diretamente
ligado à boa preparação dos docentes, que mais
do que ensinar se deveriam preocupar com a capacidade de incutir o gosto
por aprender e o insucesso escolar liga-se quer a fraca preparação
dos professores como á escolha de um conjunto de matérias
ministradas aos vários níveis do ensino que desmotivam
o aluno pela fraca relação que estabelecem entre a escola
e a vida. Motor por excelência da formação dos indivíduos,
a escola veio gradualmente desvalorizando as disciplinas das áreas
ditas cívicas ou humanistas ao longo das últimas décadas
em favor das tecnologias e áreas cientificas. Desde quando a
ética, o conhecimento, formação do indivíduo
para a cidadania, e formação de um espirito abrangente
e critico sobre o seu meio, se revelou incompatível com o ensino
das ciências? Porquê então a excessiva cientifização
do curriculuns escolares em detrimento da formação humanistica
dos alunos? Exigências de uma sociedade, que deixou de colocar
o Homem no seu centro. A crise de valores de que tanto se fala, poderá,
quem sabe de algum modo explicar-se à luz da questão acabada
de colocar.
Uma
sociedade crescendo em globalização, promovendo métodos
de organização cada vez mais uniformizadores, e contraditoriamente
parecendo dar uma ênfase particular ao indivíduo, vem criando
condições para a produção de um homem-padrão,
essencialmente movido pela idéia de sucesso, que se tornou um
dos ícones endeusados de nossos tempos. Os mídia e os
interesses por si veiculados têm operado "maravilhas" no tocante
a esta questão: o bombardeio diário da falácia
de um mundo de bem-estar ao alcance de todos, a velocidade vertiginosa
a que a informação corre sem permitir uma digestão
crítica das mensagens subliminares, a desvirtualização
da função primeira dos meios de comunicação,
informar, vai-nos transformando em meros receptores passivos e prontos
para a filosofia consumista e as sociedades do "Fast".
Mais
do que servir os públicos e informar, a televisão que
dispõe de um meio de incomensurável poder, quer pelos
públicos que atinge, quer pela influencia que exerce sobre eles,
se parece preocupar mais com os picos de audiências. Neste jogo
do vale tudo, a imagem "shock" vence ao knock-out a palavra,
ou não fosse tão popular, e certamente eficaz, a expressão
corrente: "uma imagem vale por mil palavras". Parece, pois, que os meios
que por excelência poderiam estar ao serviço da informação
e formação dos indivíduos, se encontram enredados
numa lógica de sobrevivência, em que os fins justificam
os meios.
Seria
importante lembrar que nossas sociedades e nossas culturas se ergueram
e mantiveram pela palavra: pela oralidade que durante milhares de anos
foi passando de homem a homem, tribo a tribo os conhecimentos dos mais
velhos, a memória e a História ciosamente guardadas pela
escrita, em pedras, papiros, e papel. A palavra, desde os tempos dos
cidadãos livres helênicos ao "corner speacher" do Hide
Park em Londres, tem sido utensílio de explicitação
do mundo, de expressão livre de idéias, de passagem de
testemunhos e de saber ao longo do tempo.
Sabemos
que o domínio da palavra, a capacidade de "manipular" e concatenar
conceitos é sobremaneira revelador de inteligência e que
a verborreia, o lugar comum que nada traduzem de novo, antes
reproduzem a mesmidade e a uniformização, em si mesmos
são empobrecedores. O fenômeno da globalização
e a atual caraterística das sociedades atuais me parecem estar
contribuindo de forma rápida e decisiva para este estado de coisas.
E
é neste contexto das sociedades "Fast", que vamos perdendo a
capacidade de entender a história que perpassa cada contexto
ou conjuntura temporal, e de ao jeito de Janus, com sua cabeça
bifurcada, encarar o futuro sem deixar de olhar para o passado que nos
explica o presente.
É
um momento único na História da
Na era da Comunicação
global, do derrube de fronteiras imposto pelas sociedades da informação,
em que o poder prevalecente é o da imagem, coloca-se a questão
de saber que lugar ocupa a palavra escrita e consequentemente o livro,
nas culturas de massificação.
O
acervo de informação à disposição
de uma considerável parte da humanidade, pelo menos da que vive
em sociedades que dispõe de condições que permitem
aos seus cidadãos o acesso aos meios massificados da informação,
não nos pode fazer esquecer que uma outra fatia, não menos
considerável da humanidade, das estepes à Ásia
e ao grande continente africano, permanece analfabeta.
A
universalização e democratização do ensino,
tendo diminuído o fosso entre letrados e iletrados, não
nos conduziu necessariamente a um estágio de maior conhecimento:
a humanidade não se revela mais sábia, apesar de termos
as mais consagradas bibliotecas ao alcance da mão, na comodidade
de nossas casas, os museus mais conceituados do mundo ou os dados mais
recentes da ciência, disponíveis nas redes informáticas
e a que acedemos através de um simples click.
Em
grandes discursos de meras intenções políticas,
os que governam os destinos do mundo elevam suas vozes, tanto em defesa
do ambiente que ao ritmo de poluição a que está
sujeito, acabará sufocando e nós com ele, como da necessidade
de tornar universal o acesso ao conhecimento, e da escola como meio
privilegiado da formação dos indivíduos, portanto
de cidadãos. Educar para a cidadania, implicaria dar de novo
ênfase e importância a determinadas áreas de formação,
que tanto gregos como romanos – para de algum modo apelar a dois dos
grandes pilares de nossa estrutura civilizacional – sublinhavam como
as traves-mestras do edifício educacional do habitante da "polis".
As áreas de formação cívica, ao longo das
ultimas décadas foram sendo despromovidas em favor das áreas
tecnológicas e cientificas, sem sombra de dúvida caminhos
de evolução e progresso, para a humanidade, mas não
os únicos.
Pensar
que no dealbar do um novo milênio, as manchas de pobreza no planeta
se alargam, que o anafabetismo, não foi irradicado, que os nacionalismos
mais ferozes ainda matam, que a carta magna dos Direitos Universais
do Homem, é letra morta, para milhares de homens, mulheres e
crianças que conhecem a condição infra-humana da
existência, deveriam fazer pensar. Progresso é um
conceito que nos traz à memória um processo de eliminação
da bárbarie, e por todo o planeta há sinais de que ela
tende a crescer e de que os conceitos de progresso e evolução
deveriam ser revistos.
Educar
para a cidadania deveria ser o lema de quem dirige os destinos de um
país, porque é no ensino que se aposta positivamente no
futuro, ou pelo contrário o individamos. Progresso está
intimamente ligado a um outro conceito: EDUCAR!
Porque
falamos de ensino, é pertinaz lembrar que em nossas escolas parece
surgir como um verdadeiro drama as relações quase traumáticas
que uma elevada percentagem de alunos vive com algumas disciplinas,
nomeadamente a matemática e a língua materna. De uma forma
geral as pessoas falam cada vez pior, e a formação de
uma mente racional e lógica também se perde, pelas dificuldades
que enfrentam nossos estudantes.
O
sucesso escolar, e a aquisição do conhecimento, que se
realiza durante a passagem pela escola, ou faculdade, está diretamente
ligado à boa preparação dos docentes, que mais
do que ensinar se deveriam preocupar com a capacidade de incutir o gosto
por aprender e o insucesso escolar liga-se quer a fraca preparação
dos professores como á escolha de um conjunto de matérias
ministradas aos vários níveis do ensino que desmotivam
o aluno pela fraca relação que estabelecem entre a escola
e a vida. Motor por excelência da formação dos indivíduos,
a escola veio gradualmente desvalorizando as disciplinas das áreas
ditas cívicas ou humanistas ao longo das últimas décadas
em favor das tecnologias e áreas cientificas. Desde quando a
ética, o conhecimento, formação do indivíduo
para a cidadania, e formação de um espirito abrangente
e critico sobre o seu meio, se revelou incompatível com o ensino
das ciências? Porquê então a excessiva cientifização
do curriculuns escolares em detrimento da formação humanistica
dos alunos? Exigências de uma sociedade, que deixou de colocar
o Homem no seu centro. A crise de valores de que tanto se fala, poderá,
quem sabe de algum modo explicar-se à luz da questão acabada
de colocar.
Uma
sociedade crescendo em globalização, promovendo métodos
de organização cada vez mais uniformizadores, e contraditoriamente
parecendo dar uma ênfase particular ao indivíduo, vem criando
condições para a produção de um homem-padrão,
essencialmente movido pela idéia de sucesso, que se tornou um
dos ícones endeusados de nossos tempos. Os mídia e os
interesses por si veiculados têm operado "maravilhas" no tocante
a esta questão: o bombardeio diário da falácia
de um mundo de bem-estar ao alcance de todos, a velocidade vertiginosa
a que a informação corre sem permitir uma digestão
crítica das mensagens subliminares, a desvirtualização
da função primeira dos meios de comunicação,
informar, vai-nos transformando em meros receptores passivos e prontos
para a filosofia consumista e as sociedades do "Fast".
Mais
do que servir os públicos e informar, a televisão que
dispõe de um meio de incomensurável poder, quer pelos
públicos que atinge, quer pela influencia que exerce sobre eles,
se parece preocupar mais com os picos de audiências. Neste jogo
do vale tudo, a imagem "shock" vence ao knock-out a palavra,
ou não fosse tão popular, e certamente eficaz, a expressão
corrente: "uma imagem vale por mil palavras". Parece, pois, que os meios
que por excelência poderiam estar ao serviço da informação
e formação dos indivíduos, se encontram enredados
numa lógica de sobrevivência, em que os fins justificam
os meios.
Seria
importante lembrar que nossas sociedades e nossas culturas se ergueram
e mantiveram pela palavra: pela oralidade que durante milhares de anos
foi passando de homem a homem, tribo a tribo os conhecimentos dos mais
velhos, a memória e a História ciosamente guardadas pela
escrita, em pedras, papiros, e papel. A palavra, desde os tempos dos
cidadãos livres helênicos ao "corner speacher" do Hide
Park em Londres, tem sido utensílio de explicitação
do mundo, de expressão livre de idéias, de passagem de
testemunhos e de saber ao longo do tempo.
Sabemos
que o domínio da palavra, a capacidade de "manipular" e concatenar
conceitos é sobremaneira revelador de inteligência e que
a verborreia, o lugar comum que nada traduzem de novo, antes
reproduzem a mesmidade e a uniformização, em si mesmos
são empobrecedores. O fenômeno da globalização
e a atual caraterística das sociedades atuais me parecem estar
contribuindo de forma rápida e decisiva para este estado de coisas.
E
é neste contexto das sociedades "Fast", que vamos perdendo a
capacidade de entender a história que perpassa cada contexto
ou conjuntura temporal, e de ao jeito de Janus, com sua cabeça
bifurcada, encarar o futuro sem deixar de olhar para o passado que nos
explica o presente.
É
um momento único na História da
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Angela Santos
Do Livro e do Saber
na Era Comunicacional
Na era da Comunicação
global, do derrube de fronteiras imposto pelas sociedades da informação,
em que o poder prevalecente é o da imagem, coloca-se a questão
de saber que lugar ocupa a palavra escrita e consequentemente o livro,
nas culturas de massificação.
O
acervo de informação à disposição
de uma considerável parte da humanidade, pelo menos da que vive
em sociedades que dispõe de condições que permitem
aos seus cidadãos o acesso aos meios massificados da informação,
não nos pode fazer esquecer que uma outra fatia, não menos
considerável da humanidade, das estepes à Ásia
e ao grande continente africano, permanece analfabeta.
A
universalização e democratização do ensino,
tendo diminuído o fosso entre letrados e iletrados, não
nos conduziu necessariamente a um estágio de maior conhecimento:
a humanidade não se revela mais sábia, apesar de termos
as mais consagradas bibliotecas ao alcance da mão, na comodidade
de nossas casas, os museus mais conceituados do mundo ou os dados mais
recentes da ciência, disponíveis nas redes informáticas
e a que acedemos através de um simples click.
Em
grandes discursos de meras intenções políticas,
os que governam os destinos do mundo elevam suas vozes, tanto em defesa
do ambiente que ao ritmo de poluição a que está
sujeito, acabará sufocando e nós com ele, como da necessidade
de tornar universal o acesso ao conhecimento, e da escola como meio
privilegiado da formação dos indivíduos, portanto
de cidadãos. Educar para a cidadania, implicaria dar de novo
ênfase e importância a determinadas áreas de formação,
que tanto gregos como romanos – para de algum modo apelar a dois dos
grandes pilares de nossa estrutura civilizacional – sublinhavam como
as traves-mestras do edifício educacional do habitante da "polis".
As áreas de formação cívica, ao longo das
ultimas décadas foram sendo despromovidas em favor das áreas
tecnológicas e cientificas, sem sombra de dúvida caminhos
de evolução e progresso, para a humanidade, mas não
os únicos.
Pensar
que no dealbar do um novo milênio, as manchas de pobreza no planeta
se alargam, que o anafabetismo, não foi irradicado, que os nacionalismos
mais ferozes ainda matam, que a carta magna dos Direitos Universais
do Homem, é letra morta, para milhares de homens, mulheres e
crianças que conhecem a condição infra-humana da
existência, deveriam fazer pensar. Progresso é um
conceito que nos traz à memória um processo de eliminação
da bárbarie, e por todo o planeta há sinais de que ela
tende a crescer e de que os conceitos de progresso e evolução
deveriam ser revistos.
Educar
para a cidadania deveria ser o lema de quem dirige os destinos de um
país, porque é no ensino que se aposta positivamente no
futuro, ou pelo contrário o individamos. Progresso está
intimamente ligado a um outro conceito: EDUCAR!
Porque
falamos de ensino, é pertinaz lembrar que em nossas escolas parece
surgir como um verdadeiro drama as relações quase traumáticas
que uma elevada percentagem de alunos vive com algumas disciplinas,
nomeadamente a matemática e a língua materna. De uma forma
geral as pessoas falam cada vez pior, e a formação de
uma mente racional e lógica também se perde, pelas dificuldades
que enfrentam nossos estudantes.
O
sucesso escolar, e a aquisição do conhecimento, que se
realiza durante a passagem pela escola, ou faculdade, está diretamente
ligado à boa preparação dos docentes, que mais
do que ensinar se deveriam preocupar com a capacidade de incutir o gosto
por aprender e o insucesso escolar liga-se quer a fraca preparação
dos professores como á escolha de um conjunto de matérias
ministradas aos vários níveis do ensino que desmotivam
o aluno pela fraca relação que estabelecem entre a escola
e a vida. Motor por excelência da formação dos indivíduos,
a escola veio gradualmente desvalorizando as disciplinas das áreas
ditas cívicas ou humanistas ao longo das últimas décadas
em favor das tecnologias e áreas cientificas. Desde quando a
ética, o conhecimento, formação do indivíduo
para a cidadania, e formação de um espirito abrangente
e critico sobre o seu meio, se revelou incompatível com o ensino
das ciências? Porquê então a excessiva cientifização
do curriculuns escolares em detrimento da formação humanistica
dos alunos? Exigências de uma sociedade, que deixou de colocar
o Homem no seu centro. A crise de valores de que tanto se fala, poderá,
quem sabe de algum modo explicar-se à luz da questão acabada
de colocar.
Uma
sociedade crescendo em globalização, promovendo métodos
de organização cada vez mais uniformizadores, e contraditoriamente
parecendo dar uma ênfase particular ao indivíduo, vem criando
condições para a produção de um homem-padrão,
essencialmente movido pela idéia de sucesso, que se tornou um
dos ícones endeusados de nossos tempos. Os mídia e os
interesses por si veiculados têm operado "maravilhas" no tocante
a esta questão: o bombardeio diário da falácia
de um mundo de bem-estar ao alcance de todos, a velocidade vertiginosa
a que a informação corre sem permitir uma digestão
crítica das mensagens subliminares, a desvirtualização
da função primeira dos meios de comunicação,
informar, vai-nos transformando em meros receptores passivos e prontos
para a filosofia consumista e as sociedades do "Fast".
Mais
do que servir os públicos e informar, a televisão que
dispõe de um meio de incomensurável poder, quer pelos
públicos que atinge, quer pela influencia que exerce sobre eles,
se parece preocupar mais com os picos de audiências. Neste jogo
do vale tudo, a imagem "shock" vence ao knock-out a palavra,
ou não fosse tão popular, e certamente eficaz, a expressão
corrente: "uma imagem vale por mil palavras". Parece, pois, que os meios
que por excelência poderiam estar ao serviço da informação
e formação dos indivíduos, se encontram enredados
numa lógica de sobrevivência, em que os fins justificam
os meios.
Seria
importante lembrar que nossas sociedades e nossas culturas se ergueram
e mantiveram pela palavra: pela oralidade que durante milhares de anos
foi passando de homem a homem, tribo a tribo os conhecimentos dos mais
velhos, a memória e a História ciosamente guardadas pela
escrita, em pedras, papiros, e papel. A palavra, desde os tempos dos
cidadãos livres helênicos ao "corner speacher" do Hide
Park em Londres, tem sido utensílio de explicitação
do mundo, de expressão livre de idéias, de passagem de
testemunhos e de saber ao longo do tempo.
Sabemos
que o domínio da palavra, a capacidade de "manipular" e concatenar
conceitos é sobremaneira revelador de inteligência e que
a verborreia, o lugar comum que nada traduzem de novo, antes
reproduzem a mesmidade e a uniformização, em si mesmos
são empobrecedores. O fenômeno da globalização
e a atual caraterística das sociedades atuais me parecem estar
contribuindo de forma rápida e decisiva para este estado de coisas.
E
é neste contexto das sociedades "Fast", que vamos perdendo a
capacidade de entender a história que perpassa cada contexto
ou conjuntura temporal, e de ao jeito de Janus, com sua cabeça
bifurcada, encarar o futuro sem deixar de olhar para o passado que nos
explica o presente.
É
um momento único na História da
Na era da Comunicação
global, do derrube de fronteiras imposto pelas sociedades da informação,
em que o poder prevalecente é o da imagem, coloca-se a questão
de saber que lugar ocupa a palavra escrita e consequentemente o livro,
nas culturas de massificação.
O
acervo de informação à disposição
de uma considerável parte da humanidade, pelo menos da que vive
em sociedades que dispõe de condições que permitem
aos seus cidadãos o acesso aos meios massificados da informação,
não nos pode fazer esquecer que uma outra fatia, não menos
considerável da humanidade, das estepes à Ásia
e ao grande continente africano, permanece analfabeta.
A
universalização e democratização do ensino,
tendo diminuído o fosso entre letrados e iletrados, não
nos conduziu necessariamente a um estágio de maior conhecimento:
a humanidade não se revela mais sábia, apesar de termos
as mais consagradas bibliotecas ao alcance da mão, na comodidade
de nossas casas, os museus mais conceituados do mundo ou os dados mais
recentes da ciência, disponíveis nas redes informáticas
e a que acedemos através de um simples click.
Em
grandes discursos de meras intenções políticas,
os que governam os destinos do mundo elevam suas vozes, tanto em defesa
do ambiente que ao ritmo de poluição a que está
sujeito, acabará sufocando e nós com ele, como da necessidade
de tornar universal o acesso ao conhecimento, e da escola como meio
privilegiado da formação dos indivíduos, portanto
de cidadãos. Educar para a cidadania, implicaria dar de novo
ênfase e importância a determinadas áreas de formação,
que tanto gregos como romanos – para de algum modo apelar a dois dos
grandes pilares de nossa estrutura civilizacional – sublinhavam como
as traves-mestras do edifício educacional do habitante da "polis".
As áreas de formação cívica, ao longo das
ultimas décadas foram sendo despromovidas em favor das áreas
tecnológicas e cientificas, sem sombra de dúvida caminhos
de evolução e progresso, para a humanidade, mas não
os únicos.
Pensar
que no dealbar do um novo milênio, as manchas de pobreza no planeta
se alargam, que o anafabetismo, não foi irradicado, que os nacionalismos
mais ferozes ainda matam, que a carta magna dos Direitos Universais
do Homem, é letra morta, para milhares de homens, mulheres e
crianças que conhecem a condição infra-humana da
existência, deveriam fazer pensar. Progresso é um
conceito que nos traz à memória um processo de eliminação
da bárbarie, e por todo o planeta há sinais de que ela
tende a crescer e de que os conceitos de progresso e evolução
deveriam ser revistos.
Educar
para a cidadania deveria ser o lema de quem dirige os destinos de um
país, porque é no ensino que se aposta positivamente no
futuro, ou pelo contrário o individamos. Progresso está
intimamente ligado a um outro conceito: EDUCAR!
Porque
falamos de ensino, é pertinaz lembrar que em nossas escolas parece
surgir como um verdadeiro drama as relações quase traumáticas
que uma elevada percentagem de alunos vive com algumas disciplinas,
nomeadamente a matemática e a língua materna. De uma forma
geral as pessoas falam cada vez pior, e a formação de
uma mente racional e lógica também se perde, pelas dificuldades
que enfrentam nossos estudantes.
O
sucesso escolar, e a aquisição do conhecimento, que se
realiza durante a passagem pela escola, ou faculdade, está diretamente
ligado à boa preparação dos docentes, que mais
do que ensinar se deveriam preocupar com a capacidade de incutir o gosto
por aprender e o insucesso escolar liga-se quer a fraca preparação
dos professores como á escolha de um conjunto de matérias
ministradas aos vários níveis do ensino que desmotivam
o aluno pela fraca relação que estabelecem entre a escola
e a vida. Motor por excelência da formação dos indivíduos,
a escola veio gradualmente desvalorizando as disciplinas das áreas
ditas cívicas ou humanistas ao longo das últimas décadas
em favor das tecnologias e áreas cientificas. Desde quando a
ética, o conhecimento, formação do indivíduo
para a cidadania, e formação de um espirito abrangente
e critico sobre o seu meio, se revelou incompatível com o ensino
das ciências? Porquê então a excessiva cientifização
do curriculuns escolares em detrimento da formação humanistica
dos alunos? Exigências de uma sociedade, que deixou de colocar
o Homem no seu centro. A crise de valores de que tanto se fala, poderá,
quem sabe de algum modo explicar-se à luz da questão acabada
de colocar.
Uma
sociedade crescendo em globalização, promovendo métodos
de organização cada vez mais uniformizadores, e contraditoriamente
parecendo dar uma ênfase particular ao indivíduo, vem criando
condições para a produção de um homem-padrão,
essencialmente movido pela idéia de sucesso, que se tornou um
dos ícones endeusados de nossos tempos. Os mídia e os
interesses por si veiculados têm operado "maravilhas" no tocante
a esta questão: o bombardeio diário da falácia
de um mundo de bem-estar ao alcance de todos, a velocidade vertiginosa
a que a informação corre sem permitir uma digestão
crítica das mensagens subliminares, a desvirtualização
da função primeira dos meios de comunicação,
informar, vai-nos transformando em meros receptores passivos e prontos
para a filosofia consumista e as sociedades do "Fast".
Mais
do que servir os públicos e informar, a televisão que
dispõe de um meio de incomensurável poder, quer pelos
públicos que atinge, quer pela influencia que exerce sobre eles,
se parece preocupar mais com os picos de audiências. Neste jogo
do vale tudo, a imagem "shock" vence ao knock-out a palavra,
ou não fosse tão popular, e certamente eficaz, a expressão
corrente: "uma imagem vale por mil palavras". Parece, pois, que os meios
que por excelência poderiam estar ao serviço da informação
e formação dos indivíduos, se encontram enredados
numa lógica de sobrevivência, em que os fins justificam
os meios.
Seria
importante lembrar que nossas sociedades e nossas culturas se ergueram
e mantiveram pela palavra: pela oralidade que durante milhares de anos
foi passando de homem a homem, tribo a tribo os conhecimentos dos mais
velhos, a memória e a História ciosamente guardadas pela
escrita, em pedras, papiros, e papel. A palavra, desde os tempos dos
cidadãos livres helênicos ao "corner speacher" do Hide
Park em Londres, tem sido utensílio de explicitação
do mundo, de expressão livre de idéias, de passagem de
testemunhos e de saber ao longo do tempo.
Sabemos
que o domínio da palavra, a capacidade de "manipular" e concatenar
conceitos é sobremaneira revelador de inteligência e que
a verborreia, o lugar comum que nada traduzem de novo, antes
reproduzem a mesmidade e a uniformização, em si mesmos
são empobrecedores. O fenômeno da globalização
e a atual caraterística das sociedades atuais me parecem estar
contribuindo de forma rápida e decisiva para este estado de coisas.
E
é neste contexto das sociedades "Fast", que vamos perdendo a
capacidade de entender a história que perpassa cada contexto
ou conjuntura temporal, e de ao jeito de Janus, com sua cabeça
bifurcada, encarar o futuro sem deixar de olhar para o passado que nos
explica o presente.
É
um momento único na História da
728
Angela Santos
Do Livro e do Saber
na Era Comunicacional
Na era da Comunicação
global, do derrube de fronteiras imposto pelas sociedades da informação,
em que o poder prevalecente é o da imagem, coloca-se a questão
de saber que lugar ocupa a palavra escrita e consequentemente o livro,
nas culturas de massificação.
O
acervo de informação à disposição
de uma considerável parte da humanidade, pelo menos da que vive
em sociedades que dispõe de condições que permitem
aos seus cidadãos o acesso aos meios massificados da informação,
não nos pode fazer esquecer que uma outra fatia, não menos
considerável da humanidade, das estepes à Ásia
e ao grande continente africano, permanece analfabeta.
A
universalização e democratização do ensino,
tendo diminuído o fosso entre letrados e iletrados, não
nos conduziu necessariamente a um estágio de maior conhecimento:
a humanidade não se revela mais sábia, apesar de termos
as mais consagradas bibliotecas ao alcance da mão, na comodidade
de nossas casas, os museus mais conceituados do mundo ou os dados mais
recentes da ciência, disponíveis nas redes informáticas
e a que acedemos através de um simples click.
Em
grandes discursos de meras intenções políticas,
os que governam os destinos do mundo elevam suas vozes, tanto em defesa
do ambiente que ao ritmo de poluição a que está
sujeito, acabará sufocando e nós com ele, como da necessidade
de tornar universal o acesso ao conhecimento, e da escola como meio
privilegiado da formação dos indivíduos, portanto
de cidadãos. Educar para a cidadania, implicaria dar de novo
ênfase e importância a determinadas áreas de formação,
que tanto gregos como romanos – para de algum modo apelar a dois dos
grandes pilares de nossa estrutura civilizacional – sublinhavam como
as traves-mestras do edifício educacional do habitante da "polis".
As áreas de formação cívica, ao longo das
ultimas décadas foram sendo despromovidas em favor das áreas
tecnológicas e cientificas, sem sombra de dúvida caminhos
de evolução e progresso, para a humanidade, mas não
os únicos.
Pensar
que no dealbar do um novo milênio, as manchas de pobreza no planeta
se alargam, que o anafabetismo, não foi irradicado, que os nacionalismos
mais ferozes ainda matam, que a carta magna dos Direitos Universais
do Homem, é letra morta, para milhares de homens, mulheres e
crianças que conhecem a condição infra-humana da
existência, deveriam fazer pensar. Progresso é um
conceito que nos traz à memória um processo de eliminação
da bárbarie, e por todo o planeta há sinais de que ela
tende a crescer e de que os conceitos de progresso e evolução
deveriam ser revistos.
Educar
para a cidadania deveria ser o lema de quem dirige os destinos de um
país, porque é no ensino que se aposta positivamente no
futuro, ou pelo contrário o individamos. Progresso está
intimamente ligado a um outro conceito: EDUCAR!
Porque
falamos de ensino, é pertinaz lembrar que em nossas escolas parece
surgir como um verdadeiro drama as relações quase traumáticas
que uma elevada percentagem de alunos vive com algumas disciplinas,
nomeadamente a matemática e a língua materna. De uma forma
geral as pessoas falam cada vez pior, e a formação de
uma mente racional e lógica também se perde, pelas dificuldades
que enfrentam nossos estudantes.
O
sucesso escolar, e a aquisição do conhecimento, que se
realiza durante a passagem pela escola, ou faculdade, está diretamente
ligado à boa preparação dos docentes, que mais
do que ensinar se deveriam preocupar com a capacidade de incutir o gosto
por aprender e o insucesso escolar liga-se quer a fraca preparação
dos professores como á escolha de um conjunto de matérias
ministradas aos vários níveis do ensino que desmotivam
o aluno pela fraca relação que estabelecem entre a escola
e a vida. Motor por excelência da formação dos indivíduos,
a escola veio gradualmente desvalorizando as disciplinas das áreas
ditas cívicas ou humanistas ao longo das últimas décadas
em favor das tecnologias e áreas cientificas. Desde quando a
ética, o conhecimento, formação do indivíduo
para a cidadania, e formação de um espirito abrangente
e critico sobre o seu meio, se revelou incompatível com o ensino
das ciências? Porquê então a excessiva cientifização
do curriculuns escolares em detrimento da formação humanistica
dos alunos? Exigências de uma sociedade, que deixou de colocar
o Homem no seu centro. A crise de valores de que tanto se fala, poderá,
quem sabe de algum modo explicar-se à luz da questão acabada
de colocar.
Uma
sociedade crescendo em globalização, promovendo métodos
de organização cada vez mais uniformizadores, e contraditoriamente
parecendo dar uma ênfase particular ao indivíduo, vem criando
condições para a produção de um homem-padrão,
essencialmente movido pela idéia de sucesso, que se tornou um
dos ícones endeusados de nossos tempos. Os mídia e os
interesses por si veiculados têm operado "maravilhas" no tocante
a esta questão: o bombardeio diário da falácia
de um mundo de bem-estar ao alcance de todos, a velocidade vertiginosa
a que a informação corre sem permitir uma digestão
crítica das mensagens subliminares, a desvirtualização
da função primeira dos meios de comunicação,
informar, vai-nos transformando em meros receptores passivos e prontos
para a filosofia consumista e as sociedades do "Fast".
Mais
do que servir os públicos e informar, a televisão que
dispõe de um meio de incomensurável poder, quer pelos
públicos que atinge, quer pela influencia que exerce sobre eles,
se parece preocupar mais com os picos de audiências. Neste jogo
do vale tudo, a imagem "shock" vence ao knock-out a palavra,
ou não fosse tão popular, e certamente eficaz, a expressão
corrente: "uma imagem vale por mil palavras". Parece, pois, que os meios
que por excelência poderiam estar ao serviço da informação
e formação dos indivíduos, se encontram enredados
numa lógica de sobrevivência, em que os fins justificam
os meios.
Seria
importante lembrar que nossas sociedades e nossas culturas se ergueram
e mantiveram pela palavra: pela oralidade que durante milhares de anos
foi passando de homem a homem, tribo a tribo os conhecimentos dos mais
velhos, a memória e a História ciosamente guardadas pela
escrita, em pedras, papiros, e papel. A palavra, desde os tempos dos
cidadãos livres helênicos ao "corner speacher" do Hide
Park em Londres, tem sido utensílio de explicitação
do mundo, de expressão livre de idéias, de passagem de
testemunhos e de saber ao longo do tempo.
Sabemos
que o domínio da palavra, a capacidade de "manipular" e concatenar
conceitos é sobremaneira revelador de inteligência e que
a verborreia, o lugar comum que nada traduzem de novo, antes
reproduzem a mesmidade e a uniformização, em si mesmos
são empobrecedores. O fenômeno da globalização
e a atual caraterística das sociedades atuais me parecem estar
contribuindo de forma rápida e decisiva para este estado de coisas.
E
é neste contexto das sociedades "Fast", que vamos perdendo a
capacidade de entender a história que perpassa cada contexto
ou conjuntura temporal, e de ao jeito de Janus, com sua cabeça
bifurcada, encarar o futuro sem deixar de olhar para o passado que nos
explica o presente.
É
um momento único na História da
Na era da Comunicação
global, do derrube de fronteiras imposto pelas sociedades da informação,
em que o poder prevalecente é o da imagem, coloca-se a questão
de saber que lugar ocupa a palavra escrita e consequentemente o livro,
nas culturas de massificação.
O
acervo de informação à disposição
de uma considerável parte da humanidade, pelo menos da que vive
em sociedades que dispõe de condições que permitem
aos seus cidadãos o acesso aos meios massificados da informação,
não nos pode fazer esquecer que uma outra fatia, não menos
considerável da humanidade, das estepes à Ásia
e ao grande continente africano, permanece analfabeta.
A
universalização e democratização do ensino,
tendo diminuído o fosso entre letrados e iletrados, não
nos conduziu necessariamente a um estágio de maior conhecimento:
a humanidade não se revela mais sábia, apesar de termos
as mais consagradas bibliotecas ao alcance da mão, na comodidade
de nossas casas, os museus mais conceituados do mundo ou os dados mais
recentes da ciência, disponíveis nas redes informáticas
e a que acedemos através de um simples click.
Em
grandes discursos de meras intenções políticas,
os que governam os destinos do mundo elevam suas vozes, tanto em defesa
do ambiente que ao ritmo de poluição a que está
sujeito, acabará sufocando e nós com ele, como da necessidade
de tornar universal o acesso ao conhecimento, e da escola como meio
privilegiado da formação dos indivíduos, portanto
de cidadãos. Educar para a cidadania, implicaria dar de novo
ênfase e importância a determinadas áreas de formação,
que tanto gregos como romanos – para de algum modo apelar a dois dos
grandes pilares de nossa estrutura civilizacional – sublinhavam como
as traves-mestras do edifício educacional do habitante da "polis".
As áreas de formação cívica, ao longo das
ultimas décadas foram sendo despromovidas em favor das áreas
tecnológicas e cientificas, sem sombra de dúvida caminhos
de evolução e progresso, para a humanidade, mas não
os únicos.
Pensar
que no dealbar do um novo milênio, as manchas de pobreza no planeta
se alargam, que o anafabetismo, não foi irradicado, que os nacionalismos
mais ferozes ainda matam, que a carta magna dos Direitos Universais
do Homem, é letra morta, para milhares de homens, mulheres e
crianças que conhecem a condição infra-humana da
existência, deveriam fazer pensar. Progresso é um
conceito que nos traz à memória um processo de eliminação
da bárbarie, e por todo o planeta há sinais de que ela
tende a crescer e de que os conceitos de progresso e evolução
deveriam ser revistos.
Educar
para a cidadania deveria ser o lema de quem dirige os destinos de um
país, porque é no ensino que se aposta positivamente no
futuro, ou pelo contrário o individamos. Progresso está
intimamente ligado a um outro conceito: EDUCAR!
Porque
falamos de ensino, é pertinaz lembrar que em nossas escolas parece
surgir como um verdadeiro drama as relações quase traumáticas
que uma elevada percentagem de alunos vive com algumas disciplinas,
nomeadamente a matemática e a língua materna. De uma forma
geral as pessoas falam cada vez pior, e a formação de
uma mente racional e lógica também se perde, pelas dificuldades
que enfrentam nossos estudantes.
O
sucesso escolar, e a aquisição do conhecimento, que se
realiza durante a passagem pela escola, ou faculdade, está diretamente
ligado à boa preparação dos docentes, que mais
do que ensinar se deveriam preocupar com a capacidade de incutir o gosto
por aprender e o insucesso escolar liga-se quer a fraca preparação
dos professores como á escolha de um conjunto de matérias
ministradas aos vários níveis do ensino que desmotivam
o aluno pela fraca relação que estabelecem entre a escola
e a vida. Motor por excelência da formação dos indivíduos,
a escola veio gradualmente desvalorizando as disciplinas das áreas
ditas cívicas ou humanistas ao longo das últimas décadas
em favor das tecnologias e áreas cientificas. Desde quando a
ética, o conhecimento, formação do indivíduo
para a cidadania, e formação de um espirito abrangente
e critico sobre o seu meio, se revelou incompatível com o ensino
das ciências? Porquê então a excessiva cientifização
do curriculuns escolares em detrimento da formação humanistica
dos alunos? Exigências de uma sociedade, que deixou de colocar
o Homem no seu centro. A crise de valores de que tanto se fala, poderá,
quem sabe de algum modo explicar-se à luz da questão acabada
de colocar.
Uma
sociedade crescendo em globalização, promovendo métodos
de organização cada vez mais uniformizadores, e contraditoriamente
parecendo dar uma ênfase particular ao indivíduo, vem criando
condições para a produção de um homem-padrão,
essencialmente movido pela idéia de sucesso, que se tornou um
dos ícones endeusados de nossos tempos. Os mídia e os
interesses por si veiculados têm operado "maravilhas" no tocante
a esta questão: o bombardeio diário da falácia
de um mundo de bem-estar ao alcance de todos, a velocidade vertiginosa
a que a informação corre sem permitir uma digestão
crítica das mensagens subliminares, a desvirtualização
da função primeira dos meios de comunicação,
informar, vai-nos transformando em meros receptores passivos e prontos
para a filosofia consumista e as sociedades do "Fast".
Mais
do que servir os públicos e informar, a televisão que
dispõe de um meio de incomensurável poder, quer pelos
públicos que atinge, quer pela influencia que exerce sobre eles,
se parece preocupar mais com os picos de audiências. Neste jogo
do vale tudo, a imagem "shock" vence ao knock-out a palavra,
ou não fosse tão popular, e certamente eficaz, a expressão
corrente: "uma imagem vale por mil palavras". Parece, pois, que os meios
que por excelência poderiam estar ao serviço da informação
e formação dos indivíduos, se encontram enredados
numa lógica de sobrevivência, em que os fins justificam
os meios.
Seria
importante lembrar que nossas sociedades e nossas culturas se ergueram
e mantiveram pela palavra: pela oralidade que durante milhares de anos
foi passando de homem a homem, tribo a tribo os conhecimentos dos mais
velhos, a memória e a História ciosamente guardadas pela
escrita, em pedras, papiros, e papel. A palavra, desde os tempos dos
cidadãos livres helênicos ao "corner speacher" do Hide
Park em Londres, tem sido utensílio de explicitação
do mundo, de expressão livre de idéias, de passagem de
testemunhos e de saber ao longo do tempo.
Sabemos
que o domínio da palavra, a capacidade de "manipular" e concatenar
conceitos é sobremaneira revelador de inteligência e que
a verborreia, o lugar comum que nada traduzem de novo, antes
reproduzem a mesmidade e a uniformização, em si mesmos
são empobrecedores. O fenômeno da globalização
e a atual caraterística das sociedades atuais me parecem estar
contribuindo de forma rápida e decisiva para este estado de coisas.
E
é neste contexto das sociedades "Fast", que vamos perdendo a
capacidade de entender a história que perpassa cada contexto
ou conjuntura temporal, e de ao jeito de Janus, com sua cabeça
bifurcada, encarar o futuro sem deixar de olhar para o passado que nos
explica o presente.
É
um momento único na História da
728
Angela Santos
Do Livro e do Saber
na Era Comunicacional
Na era da Comunicação
global, do derrube de fronteiras imposto pelas sociedades da informação,
em que o poder prevalecente é o da imagem, coloca-se a questão
de saber que lugar ocupa a palavra escrita e consequentemente o livro,
nas culturas de massificação.
O
acervo de informação à disposição
de uma considerável parte da humanidade, pelo menos da que vive
em sociedades que dispõe de condições que permitem
aos seus cidadãos o acesso aos meios massificados da informação,
não nos pode fazer esquecer que uma outra fatia, não menos
considerável da humanidade, das estepes à Ásia
e ao grande continente africano, permanece analfabeta.
A
universalização e democratização do ensino,
tendo diminuído o fosso entre letrados e iletrados, não
nos conduziu necessariamente a um estágio de maior conhecimento:
a humanidade não se revela mais sábia, apesar de termos
as mais consagradas bibliotecas ao alcance da mão, na comodidade
de nossas casas, os museus mais conceituados do mundo ou os dados mais
recentes da ciência, disponíveis nas redes informáticas
e a que acedemos através de um simples click.
Em
grandes discursos de meras intenções políticas,
os que governam os destinos do mundo elevam suas vozes, tanto em defesa
do ambiente que ao ritmo de poluição a que está
sujeito, acabará sufocando e nós com ele, como da necessidade
de tornar universal o acesso ao conhecimento, e da escola como meio
privilegiado da formação dos indivíduos, portanto
de cidadãos. Educar para a cidadania, implicaria dar de novo
ênfase e importância a determinadas áreas de formação,
que tanto gregos como romanos – para de algum modo apelar a dois dos
grandes pilares de nossa estrutura civilizacional – sublinhavam como
as traves-mestras do edifício educacional do habitante da "polis".
As áreas de formação cívica, ao longo das
ultimas décadas foram sendo despromovidas em favor das áreas
tecnológicas e cientificas, sem sombra de dúvida caminhos
de evolução e progresso, para a humanidade, mas não
os únicos.
Pensar
que no dealbar do um novo milênio, as manchas de pobreza no planeta
se alargam, que o anafabetismo, não foi irradicado, que os nacionalismos
mais ferozes ainda matam, que a carta magna dos Direitos Universais
do Homem, é letra morta, para milhares de homens, mulheres e
crianças que conhecem a condição infra-humana da
existência, deveriam fazer pensar. Progresso é um
conceito que nos traz à memória um processo de eliminação
da bárbarie, e por todo o planeta há sinais de que ela
tende a crescer e de que os conceitos de progresso e evolução
deveriam ser revistos.
Educar
para a cidadania deveria ser o lema de quem dirige os destinos de um
país, porque é no ensino que se aposta positivamente no
futuro, ou pelo contrário o individamos. Progresso está
intimamente ligado a um outro conceito: EDUCAR!
Porque
falamos de ensino, é pertinaz lembrar que em nossas escolas parece
surgir como um verdadeiro drama as relações quase traumáticas
que uma elevada percentagem de alunos vive com algumas disciplinas,
nomeadamente a matemática e a língua materna. De uma forma
geral as pessoas falam cada vez pior, e a formação de
uma mente racional e lógica também se perde, pelas dificuldades
que enfrentam nossos estudantes.
O
sucesso escolar, e a aquisição do conhecimento, que se
realiza durante a passagem pela escola, ou faculdade, está diretamente
ligado à boa preparação dos docentes, que mais
do que ensinar se deveriam preocupar com a capacidade de incutir o gosto
por aprender e o insucesso escolar liga-se quer a fraca preparação
dos professores como á escolha de um conjunto de matérias
ministradas aos vários níveis do ensino que desmotivam
o aluno pela fraca relação que estabelecem entre a escola
e a vida. Motor por excelência da formação dos indivíduos,
a escola veio gradualmente desvalorizando as disciplinas das áreas
ditas cívicas ou humanistas ao longo das últimas décadas
em favor das tecnologias e áreas cientificas. Desde quando a
ética, o conhecimento, formação do indivíduo
para a cidadania, e formação de um espirito abrangente
e critico sobre o seu meio, se revelou incompatível com o ensino
das ciências? Porquê então a excessiva cientifização
do curriculuns escolares em detrimento da formação humanistica
dos alunos? Exigências de uma sociedade, que deixou de colocar
o Homem no seu centro. A crise de valores de que tanto se fala, poderá,
quem sabe de algum modo explicar-se à luz da questão acabada
de colocar.
Uma
sociedade crescendo em globalização, promovendo métodos
de organização cada vez mais uniformizadores, e contraditoriamente
parecendo dar uma ênfase particular ao indivíduo, vem criando
condições para a produção de um homem-padrão,
essencialmente movido pela idéia de sucesso, que se tornou um
dos ícones endeusados de nossos tempos. Os mídia e os
interesses por si veiculados têm operado "maravilhas" no tocante
a esta questão: o bombardeio diário da falácia
de um mundo de bem-estar ao alcance de todos, a velocidade vertiginosa
a que a informação corre sem permitir uma digestão
crítica das mensagens subliminares, a desvirtualização
da função primeira dos meios de comunicação,
informar, vai-nos transformando em meros receptores passivos e prontos
para a filosofia consumista e as sociedades do "Fast".
Mais
do que servir os públicos e informar, a televisão que
dispõe de um meio de incomensurável poder, quer pelos
públicos que atinge, quer pela influencia que exerce sobre eles,
se parece preocupar mais com os picos de audiências. Neste jogo
do vale tudo, a imagem "shock" vence ao knock-out a palavra,
ou não fosse tão popular, e certamente eficaz, a expressão
corrente: "uma imagem vale por mil palavras". Parece, pois, que os meios
que por excelência poderiam estar ao serviço da informação
e formação dos indivíduos, se encontram enredados
numa lógica de sobrevivência, em que os fins justificam
os meios.
Seria
importante lembrar que nossas sociedades e nossas culturas se ergueram
e mantiveram pela palavra: pela oralidade que durante milhares de anos
foi passando de homem a homem, tribo a tribo os conhecimentos dos mais
velhos, a memória e a História ciosamente guardadas pela
escrita, em pedras, papiros, e papel. A palavra, desde os tempos dos
cidadãos livres helênicos ao "corner speacher" do Hide
Park em Londres, tem sido utensílio de explicitação
do mundo, de expressão livre de idéias, de passagem de
testemunhos e de saber ao longo do tempo.
Sabemos
que o domínio da palavra, a capacidade de "manipular" e concatenar
conceitos é sobremaneira revelador de inteligência e que
a verborreia, o lugar comum que nada traduzem de novo, antes
reproduzem a mesmidade e a uniformização, em si mesmos
são empobrecedores. O fenômeno da globalização
e a atual caraterística das sociedades atuais me parecem estar
contribuindo de forma rápida e decisiva para este estado de coisas.
E
é neste contexto das sociedades "Fast", que vamos perdendo a
capacidade de entender a história que perpassa cada contexto
ou conjuntura temporal, e de ao jeito de Janus, com sua cabeça
bifurcada, encarar o futuro sem deixar de olhar para o passado que nos
explica o presente.
É
um momento único na História da
Na era da Comunicação
global, do derrube de fronteiras imposto pelas sociedades da informação,
em que o poder prevalecente é o da imagem, coloca-se a questão
de saber que lugar ocupa a palavra escrita e consequentemente o livro,
nas culturas de massificação.
O
acervo de informação à disposição
de uma considerável parte da humanidade, pelo menos da que vive
em sociedades que dispõe de condições que permitem
aos seus cidadãos o acesso aos meios massificados da informação,
não nos pode fazer esquecer que uma outra fatia, não menos
considerável da humanidade, das estepes à Ásia
e ao grande continente africano, permanece analfabeta.
A
universalização e democratização do ensino,
tendo diminuído o fosso entre letrados e iletrados, não
nos conduziu necessariamente a um estágio de maior conhecimento:
a humanidade não se revela mais sábia, apesar de termos
as mais consagradas bibliotecas ao alcance da mão, na comodidade
de nossas casas, os museus mais conceituados do mundo ou os dados mais
recentes da ciência, disponíveis nas redes informáticas
e a que acedemos através de um simples click.
Em
grandes discursos de meras intenções políticas,
os que governam os destinos do mundo elevam suas vozes, tanto em defesa
do ambiente que ao ritmo de poluição a que está
sujeito, acabará sufocando e nós com ele, como da necessidade
de tornar universal o acesso ao conhecimento, e da escola como meio
privilegiado da formação dos indivíduos, portanto
de cidadãos. Educar para a cidadania, implicaria dar de novo
ênfase e importância a determinadas áreas de formação,
que tanto gregos como romanos – para de algum modo apelar a dois dos
grandes pilares de nossa estrutura civilizacional – sublinhavam como
as traves-mestras do edifício educacional do habitante da "polis".
As áreas de formação cívica, ao longo das
ultimas décadas foram sendo despromovidas em favor das áreas
tecnológicas e cientificas, sem sombra de dúvida caminhos
de evolução e progresso, para a humanidade, mas não
os únicos.
Pensar
que no dealbar do um novo milênio, as manchas de pobreza no planeta
se alargam, que o anafabetismo, não foi irradicado, que os nacionalismos
mais ferozes ainda matam, que a carta magna dos Direitos Universais
do Homem, é letra morta, para milhares de homens, mulheres e
crianças que conhecem a condição infra-humana da
existência, deveriam fazer pensar. Progresso é um
conceito que nos traz à memória um processo de eliminação
da bárbarie, e por todo o planeta há sinais de que ela
tende a crescer e de que os conceitos de progresso e evolução
deveriam ser revistos.
Educar
para a cidadania deveria ser o lema de quem dirige os destinos de um
país, porque é no ensino que se aposta positivamente no
futuro, ou pelo contrário o individamos. Progresso está
intimamente ligado a um outro conceito: EDUCAR!
Porque
falamos de ensino, é pertinaz lembrar que em nossas escolas parece
surgir como um verdadeiro drama as relações quase traumáticas
que uma elevada percentagem de alunos vive com algumas disciplinas,
nomeadamente a matemática e a língua materna. De uma forma
geral as pessoas falam cada vez pior, e a formação de
uma mente racional e lógica também se perde, pelas dificuldades
que enfrentam nossos estudantes.
O
sucesso escolar, e a aquisição do conhecimento, que se
realiza durante a passagem pela escola, ou faculdade, está diretamente
ligado à boa preparação dos docentes, que mais
do que ensinar se deveriam preocupar com a capacidade de incutir o gosto
por aprender e o insucesso escolar liga-se quer a fraca preparação
dos professores como á escolha de um conjunto de matérias
ministradas aos vários níveis do ensino que desmotivam
o aluno pela fraca relação que estabelecem entre a escola
e a vida. Motor por excelência da formação dos indivíduos,
a escola veio gradualmente desvalorizando as disciplinas das áreas
ditas cívicas ou humanistas ao longo das últimas décadas
em favor das tecnologias e áreas cientificas. Desde quando a
ética, o conhecimento, formação do indivíduo
para a cidadania, e formação de um espirito abrangente
e critico sobre o seu meio, se revelou incompatível com o ensino
das ciências? Porquê então a excessiva cientifização
do curriculuns escolares em detrimento da formação humanistica
dos alunos? Exigências de uma sociedade, que deixou de colocar
o Homem no seu centro. A crise de valores de que tanto se fala, poderá,
quem sabe de algum modo explicar-se à luz da questão acabada
de colocar.
Uma
sociedade crescendo em globalização, promovendo métodos
de organização cada vez mais uniformizadores, e contraditoriamente
parecendo dar uma ênfase particular ao indivíduo, vem criando
condições para a produção de um homem-padrão,
essencialmente movido pela idéia de sucesso, que se tornou um
dos ícones endeusados de nossos tempos. Os mídia e os
interesses por si veiculados têm operado "maravilhas" no tocante
a esta questão: o bombardeio diário da falácia
de um mundo de bem-estar ao alcance de todos, a velocidade vertiginosa
a que a informação corre sem permitir uma digestão
crítica das mensagens subliminares, a desvirtualização
da função primeira dos meios de comunicação,
informar, vai-nos transformando em meros receptores passivos e prontos
para a filosofia consumista e as sociedades do "Fast".
Mais
do que servir os públicos e informar, a televisão que
dispõe de um meio de incomensurável poder, quer pelos
públicos que atinge, quer pela influencia que exerce sobre eles,
se parece preocupar mais com os picos de audiências. Neste jogo
do vale tudo, a imagem "shock" vence ao knock-out a palavra,
ou não fosse tão popular, e certamente eficaz, a expressão
corrente: "uma imagem vale por mil palavras". Parece, pois, que os meios
que por excelência poderiam estar ao serviço da informação
e formação dos indivíduos, se encontram enredados
numa lógica de sobrevivência, em que os fins justificam
os meios.
Seria
importante lembrar que nossas sociedades e nossas culturas se ergueram
e mantiveram pela palavra: pela oralidade que durante milhares de anos
foi passando de homem a homem, tribo a tribo os conhecimentos dos mais
velhos, a memória e a História ciosamente guardadas pela
escrita, em pedras, papiros, e papel. A palavra, desde os tempos dos
cidadãos livres helênicos ao "corner speacher" do Hide
Park em Londres, tem sido utensílio de explicitação
do mundo, de expressão livre de idéias, de passagem de
testemunhos e de saber ao longo do tempo.
Sabemos
que o domínio da palavra, a capacidade de "manipular" e concatenar
conceitos é sobremaneira revelador de inteligência e que
a verborreia, o lugar comum que nada traduzem de novo, antes
reproduzem a mesmidade e a uniformização, em si mesmos
são empobrecedores. O fenômeno da globalização
e a atual caraterística das sociedades atuais me parecem estar
contribuindo de forma rápida e decisiva para este estado de coisas.
E
é neste contexto das sociedades "Fast", que vamos perdendo a
capacidade de entender a história que perpassa cada contexto
ou conjuntura temporal, e de ao jeito de Janus, com sua cabeça
bifurcada, encarar o futuro sem deixar de olhar para o passado que nos
explica o presente.
É
um momento único na História da
728
Angela Santos
Do Livro e do Saber
na Era Comunicacional
Na era da Comunicação
global, do derrube de fronteiras imposto pelas sociedades da informação,
em que o poder prevalecente é o da imagem, coloca-se a questão
de saber que lugar ocupa a palavra escrita e consequentemente o livro,
nas culturas de massificação.
O
acervo de informação à disposição
de uma considerável parte da humanidade, pelo menos da que vive
em sociedades que dispõe de condições que permitem
aos seus cidadãos o acesso aos meios massificados da informação,
não nos pode fazer esquecer que uma outra fatia, não menos
considerável da humanidade, das estepes à Ásia
e ao grande continente africano, permanece analfabeta.
A
universalização e democratização do ensino,
tendo diminuído o fosso entre letrados e iletrados, não
nos conduziu necessariamente a um estágio de maior conhecimento:
a humanidade não se revela mais sábia, apesar de termos
as mais consagradas bibliotecas ao alcance da mão, na comodidade
de nossas casas, os museus mais conceituados do mundo ou os dados mais
recentes da ciência, disponíveis nas redes informáticas
e a que acedemos através de um simples click.
Em
grandes discursos de meras intenções políticas,
os que governam os destinos do mundo elevam suas vozes, tanto em defesa
do ambiente que ao ritmo de poluição a que está
sujeito, acabará sufocando e nós com ele, como da necessidade
de tornar universal o acesso ao conhecimento, e da escola como meio
privilegiado da formação dos indivíduos, portanto
de cidadãos. Educar para a cidadania, implicaria dar de novo
ênfase e importância a determinadas áreas de formação,
que tanto gregos como romanos – para de algum modo apelar a dois dos
grandes pilares de nossa estrutura civilizacional – sublinhavam como
as traves-mestras do edifício educacional do habitante da "polis".
As áreas de formação cívica, ao longo das
ultimas décadas foram sendo despromovidas em favor das áreas
tecnológicas e cientificas, sem sombra de dúvida caminhos
de evolução e progresso, para a humanidade, mas não
os únicos.
Pensar
que no dealbar do um novo milênio, as manchas de pobreza no planeta
se alargam, que o anafabetismo, não foi irradicado, que os nacionalismos
mais ferozes ainda matam, que a carta magna dos Direitos Universais
do Homem, é letra morta, para milhares de homens, mulheres e
crianças que conhecem a condição infra-humana da
existência, deveriam fazer pensar. Progresso é um
conceito que nos traz à memória um processo de eliminação
da bárbarie, e por todo o planeta há sinais de que ela
tende a crescer e de que os conceitos de progresso e evolução
deveriam ser revistos.
Educar
para a cidadania deveria ser o lema de quem dirige os destinos de um
país, porque é no ensino que se aposta positivamente no
futuro, ou pelo contrário o individamos. Progresso está
intimamente ligado a um outro conceito: EDUCAR!
Porque
falamos de ensino, é pertinaz lembrar que em nossas escolas parece
surgir como um verdadeiro drama as relações quase traumáticas
que uma elevada percentagem de alunos vive com algumas disciplinas,
nomeadamente a matemática e a língua materna. De uma forma
geral as pessoas falam cada vez pior, e a formação de
uma mente racional e lógica também se perde, pelas dificuldades
que enfrentam nossos estudantes.
O
sucesso escolar, e a aquisição do conhecimento, que se
realiza durante a passagem pela escola, ou faculdade, está diretamente
ligado à boa preparação dos docentes, que mais
do que ensinar se deveriam preocupar com a capacidade de incutir o gosto
por aprender e o insucesso escolar liga-se quer a fraca preparação
dos professores como á escolha de um conjunto de matérias
ministradas aos vários níveis do ensino que desmotivam
o aluno pela fraca relação que estabelecem entre a escola
e a vida. Motor por excelência da formação dos indivíduos,
a escola veio gradualmente desvalorizando as disciplinas das áreas
ditas cívicas ou humanistas ao longo das últimas décadas
em favor das tecnologias e áreas cientificas. Desde quando a
ética, o conhecimento, formação do indivíduo
para a cidadania, e formação de um espirito abrangente
e critico sobre o seu meio, se revelou incompatível com o ensino
das ciências? Porquê então a excessiva cientifização
do curriculuns escolares em detrimento da formação humanistica
dos alunos? Exigências de uma sociedade, que deixou de colocar
o Homem no seu centro. A crise de valores de que tanto se fala, poderá,
quem sabe de algum modo explicar-se à luz da questão acabada
de colocar.
Uma
sociedade crescendo em globalização, promovendo métodos
de organização cada vez mais uniformizadores, e contraditoriamente
parecendo dar uma ênfase particular ao indivíduo, vem criando
condições para a produção de um homem-padrão,
essencialmente movido pela idéia de sucesso, que se tornou um
dos ícones endeusados de nossos tempos. Os mídia e os
interesses por si veiculados têm operado "maravilhas" no tocante
a esta questão: o bombardeio diário da falácia
de um mundo de bem-estar ao alcance de todos, a velocidade vertiginosa
a que a informação corre sem permitir uma digestão
crítica das mensagens subliminares, a desvirtualização
da função primeira dos meios de comunicação,
informar, vai-nos transformando em meros receptores passivos e prontos
para a filosofia consumista e as sociedades do "Fast".
Mais
do que servir os públicos e informar, a televisão que
dispõe de um meio de incomensurável poder, quer pelos
públicos que atinge, quer pela influencia que exerce sobre eles,
se parece preocupar mais com os picos de audiências. Neste jogo
do vale tudo, a imagem "shock" vence ao knock-out a palavra,
ou não fosse tão popular, e certamente eficaz, a expressão
corrente: "uma imagem vale por mil palavras". Parece, pois, que os meios
que por excelência poderiam estar ao serviço da informação
e formação dos indivíduos, se encontram enredados
numa lógica de sobrevivência, em que os fins justificam
os meios.
Seria
importante lembrar que nossas sociedades e nossas culturas se ergueram
e mantiveram pela palavra: pela oralidade que durante milhares de anos
foi passando de homem a homem, tribo a tribo os conhecimentos dos mais
velhos, a memória e a História ciosamente guardadas pela
escrita, em pedras, papiros, e papel. A palavra, desde os tempos dos
cidadãos livres helênicos ao "corner speacher" do Hide
Park em Londres, tem sido utensílio de explicitação
do mundo, de expressão livre de idéias, de passagem de
testemunhos e de saber ao longo do tempo.
Sabemos
que o domínio da palavra, a capacidade de "manipular" e concatenar
conceitos é sobremaneira revelador de inteligência e que
a verborreia, o lugar comum que nada traduzem de novo, antes
reproduzem a mesmidade e a uniformização, em si mesmos
são empobrecedores. O fenômeno da globalização
e a atual caraterística das sociedades atuais me parecem estar
contribuindo de forma rápida e decisiva para este estado de coisas.
E
é neste contexto das sociedades "Fast", que vamos perdendo a
capacidade de entender a história que perpassa cada contexto
ou conjuntura temporal, e de ao jeito de Janus, com sua cabeça
bifurcada, encarar o futuro sem deixar de olhar para o passado que nos
explica o presente.
É
um momento único na História da
Na era da Comunicação
global, do derrube de fronteiras imposto pelas sociedades da informação,
em que o poder prevalecente é o da imagem, coloca-se a questão
de saber que lugar ocupa a palavra escrita e consequentemente o livro,
nas culturas de massificação.
O
acervo de informação à disposição
de uma considerável parte da humanidade, pelo menos da que vive
em sociedades que dispõe de condições que permitem
aos seus cidadãos o acesso aos meios massificados da informação,
não nos pode fazer esquecer que uma outra fatia, não menos
considerável da humanidade, das estepes à Ásia
e ao grande continente africano, permanece analfabeta.
A
universalização e democratização do ensino,
tendo diminuído o fosso entre letrados e iletrados, não
nos conduziu necessariamente a um estágio de maior conhecimento:
a humanidade não se revela mais sábia, apesar de termos
as mais consagradas bibliotecas ao alcance da mão, na comodidade
de nossas casas, os museus mais conceituados do mundo ou os dados mais
recentes da ciência, disponíveis nas redes informáticas
e a que acedemos através de um simples click.
Em
grandes discursos de meras intenções políticas,
os que governam os destinos do mundo elevam suas vozes, tanto em defesa
do ambiente que ao ritmo de poluição a que está
sujeito, acabará sufocando e nós com ele, como da necessidade
de tornar universal o acesso ao conhecimento, e da escola como meio
privilegiado da formação dos indivíduos, portanto
de cidadãos. Educar para a cidadania, implicaria dar de novo
ênfase e importância a determinadas áreas de formação,
que tanto gregos como romanos – para de algum modo apelar a dois dos
grandes pilares de nossa estrutura civilizacional – sublinhavam como
as traves-mestras do edifício educacional do habitante da "polis".
As áreas de formação cívica, ao longo das
ultimas décadas foram sendo despromovidas em favor das áreas
tecnológicas e cientificas, sem sombra de dúvida caminhos
de evolução e progresso, para a humanidade, mas não
os únicos.
Pensar
que no dealbar do um novo milênio, as manchas de pobreza no planeta
se alargam, que o anafabetismo, não foi irradicado, que os nacionalismos
mais ferozes ainda matam, que a carta magna dos Direitos Universais
do Homem, é letra morta, para milhares de homens, mulheres e
crianças que conhecem a condição infra-humana da
existência, deveriam fazer pensar. Progresso é um
conceito que nos traz à memória um processo de eliminação
da bárbarie, e por todo o planeta há sinais de que ela
tende a crescer e de que os conceitos de progresso e evolução
deveriam ser revistos.
Educar
para a cidadania deveria ser o lema de quem dirige os destinos de um
país, porque é no ensino que se aposta positivamente no
futuro, ou pelo contrário o individamos. Progresso está
intimamente ligado a um outro conceito: EDUCAR!
Porque
falamos de ensino, é pertinaz lembrar que em nossas escolas parece
surgir como um verdadeiro drama as relações quase traumáticas
que uma elevada percentagem de alunos vive com algumas disciplinas,
nomeadamente a matemática e a língua materna. De uma forma
geral as pessoas falam cada vez pior, e a formação de
uma mente racional e lógica também se perde, pelas dificuldades
que enfrentam nossos estudantes.
O
sucesso escolar, e a aquisição do conhecimento, que se
realiza durante a passagem pela escola, ou faculdade, está diretamente
ligado à boa preparação dos docentes, que mais
do que ensinar se deveriam preocupar com a capacidade de incutir o gosto
por aprender e o insucesso escolar liga-se quer a fraca preparação
dos professores como á escolha de um conjunto de matérias
ministradas aos vários níveis do ensino que desmotivam
o aluno pela fraca relação que estabelecem entre a escola
e a vida. Motor por excelência da formação dos indivíduos,
a escola veio gradualmente desvalorizando as disciplinas das áreas
ditas cívicas ou humanistas ao longo das últimas décadas
em favor das tecnologias e áreas cientificas. Desde quando a
ética, o conhecimento, formação do indivíduo
para a cidadania, e formação de um espirito abrangente
e critico sobre o seu meio, se revelou incompatível com o ensino
das ciências? Porquê então a excessiva cientifização
do curriculuns escolares em detrimento da formação humanistica
dos alunos? Exigências de uma sociedade, que deixou de colocar
o Homem no seu centro. A crise de valores de que tanto se fala, poderá,
quem sabe de algum modo explicar-se à luz da questão acabada
de colocar.
Uma
sociedade crescendo em globalização, promovendo métodos
de organização cada vez mais uniformizadores, e contraditoriamente
parecendo dar uma ênfase particular ao indivíduo, vem criando
condições para a produção de um homem-padrão,
essencialmente movido pela idéia de sucesso, que se tornou um
dos ícones endeusados de nossos tempos. Os mídia e os
interesses por si veiculados têm operado "maravilhas" no tocante
a esta questão: o bombardeio diário da falácia
de um mundo de bem-estar ao alcance de todos, a velocidade vertiginosa
a que a informação corre sem permitir uma digestão
crítica das mensagens subliminares, a desvirtualização
da função primeira dos meios de comunicação,
informar, vai-nos transformando em meros receptores passivos e prontos
para a filosofia consumista e as sociedades do "Fast".
Mais
do que servir os públicos e informar, a televisão que
dispõe de um meio de incomensurável poder, quer pelos
públicos que atinge, quer pela influencia que exerce sobre eles,
se parece preocupar mais com os picos de audiências. Neste jogo
do vale tudo, a imagem "shock" vence ao knock-out a palavra,
ou não fosse tão popular, e certamente eficaz, a expressão
corrente: "uma imagem vale por mil palavras". Parece, pois, que os meios
que por excelência poderiam estar ao serviço da informação
e formação dos indivíduos, se encontram enredados
numa lógica de sobrevivência, em que os fins justificam
os meios.
Seria
importante lembrar que nossas sociedades e nossas culturas se ergueram
e mantiveram pela palavra: pela oralidade que durante milhares de anos
foi passando de homem a homem, tribo a tribo os conhecimentos dos mais
velhos, a memória e a História ciosamente guardadas pela
escrita, em pedras, papiros, e papel. A palavra, desde os tempos dos
cidadãos livres helênicos ao "corner speacher" do Hide
Park em Londres, tem sido utensílio de explicitação
do mundo, de expressão livre de idéias, de passagem de
testemunhos e de saber ao longo do tempo.
Sabemos
que o domínio da palavra, a capacidade de "manipular" e concatenar
conceitos é sobremaneira revelador de inteligência e que
a verborreia, o lugar comum que nada traduzem de novo, antes
reproduzem a mesmidade e a uniformização, em si mesmos
são empobrecedores. O fenômeno da globalização
e a atual caraterística das sociedades atuais me parecem estar
contribuindo de forma rápida e decisiva para este estado de coisas.
E
é neste contexto das sociedades "Fast", que vamos perdendo a
capacidade de entender a história que perpassa cada contexto
ou conjuntura temporal, e de ao jeito de Janus, com sua cabeça
bifurcada, encarar o futuro sem deixar de olhar para o passado que nos
explica o presente.
É
um momento único na História da
728
Angela Santos
Grito
Solte-se
o grito
que dilacere a surdez
dos vivos-mortos
e outros olhos sejam a luz,
a cura
da cegueira que aflige
Estendam-se os braços
ao jeito do desabrochar
eleve-se o canto
que à boca traga o gosto
da palavra Liberdade.
o grito
que dilacere a surdez
dos vivos-mortos
e outros olhos sejam a luz,
a cura
da cegueira que aflige
Estendam-se os braços
ao jeito do desabrochar
eleve-se o canto
que à boca traga o gosto
da palavra Liberdade.
1 021
Angela Santos
Grito
Solte-se
o grito
que dilacere a surdez
dos vivos-mortos
e outros olhos sejam a luz,
a cura
da cegueira que aflige
Estendam-se os braços
ao jeito do desabrochar
eleve-se o canto
que à boca traga o gosto
da palavra Liberdade.
o grito
que dilacere a surdez
dos vivos-mortos
e outros olhos sejam a luz,
a cura
da cegueira que aflige
Estendam-se os braços
ao jeito do desabrochar
eleve-se o canto
que à boca traga o gosto
da palavra Liberdade.
1 021
Angela Santos
Grito
Solte-se
o grito
que dilacere a surdez
dos vivos-mortos
e outros olhos sejam a luz,
a cura
da cegueira que aflige
Estendam-se os braços
ao jeito do desabrochar
eleve-se o canto
que à boca traga o gosto
da palavra Liberdade.
o grito
que dilacere a surdez
dos vivos-mortos
e outros olhos sejam a luz,
a cura
da cegueira que aflige
Estendam-se os braços
ao jeito do desabrochar
eleve-se o canto
que à boca traga o gosto
da palavra Liberdade.
1 021
Angela Santos
Ímpeto
Espraiam-se
os olhos
lonjura de mar que acerca
o infinito
Pendentes no ondear
os sentidos adormecem
a saudade de azul e sal
abrem-se os mastros
ao sol
a nave inteira reflectida
funde-se no movimento das marés,
nas velas e na proa
o ímpeto que a viagem anuncia.
Gasto o momento
de permanências ancoradas
os remos ensaiam o gesto
de asas
rasgando o espaço e o tempo
da demora.
os olhos
lonjura de mar que acerca
o infinito
Pendentes no ondear
os sentidos adormecem
a saudade de azul e sal
abrem-se os mastros
ao sol
a nave inteira reflectida
funde-se no movimento das marés,
nas velas e na proa
o ímpeto que a viagem anuncia.
Gasto o momento
de permanências ancoradas
os remos ensaiam o gesto
de asas
rasgando o espaço e o tempo
da demora.
1 039
Angela Santos
Cântico
Sinto-me,
e sou
em todos os lugares,
todos os tempos
Húmus.. matriz, Isis..
anfíbio largando os mares
animal comendo raízes
mão que se abre para colher frutos
corpo ainda não erecto
que se levanta do chão...
Shiva, Kali, incensos orientais....
arca, diluvio, sargaça ardente
no cume de uma montanha,
eco de uma voz longínqua
mandamentos, mar vermelho
de sangue
Esfinge dos desertos
brisa marinha no rosto.
barco fenício sulcando mares,
pórtico grego, ´"Ágora", coluna romana,
crueldade, circo de Nero.
catacumbas, carne rasgada
cruz exposta, agnus dei
Oração de santo monástico
acesa violência de bárbaros,
"Trevas", medieva luz, busca de eremita.
Navio das descobertas, mares e monstros
dentes podres de escorbuto,
Índias longínquas, astrolábio, estrela polar
marinheiro português
Copérnico, Galileu, metódica dúvida
sem método
ardendo na fogueira dos medos Inquisitoriais
Iluminada revolução, igual, fraterna, liberta,
libertária., sanguinária , Bonnapart
fuga de Bach, Sabat "matter"
Redondela, dança de roda ..campo
seara, camponesa tosca
inocente sagração da vida,
10 de Outubro, sol da terra, Tosltoi, Lenine
amanhãs que não cantaram
ruas de neve vestindo
a morte …. ideologias
Cidade Luz , euforia,
Garçonettes,
Gorges de Sande
Wilde, Monet, Picasso, Gaugin
Comte, Nietsche,
infinito crer, vontade,
Homem, Humanidade
Poder
Cruz gamada, fuzil, horror
Estrela de David, rasgando o peito
Auchewitz...trem humano
rosto da desumanidade.
crematório,
vergonha
culpa
dor
Manhã de Fevereiro,
meu grito recém-nascido.
infância, dor, descoberta
trevas ,luz, alvorecer
caminhada, construção, desconstruçãoeu
a caminho de o ser
e sou
em todos os lugares,
todos os tempos
Húmus.. matriz, Isis..
anfíbio largando os mares
animal comendo raízes
mão que se abre para colher frutos
corpo ainda não erecto
que se levanta do chão...
Shiva, Kali, incensos orientais....
arca, diluvio, sargaça ardente
no cume de uma montanha,
eco de uma voz longínqua
mandamentos, mar vermelho
de sangue
Esfinge dos desertos
brisa marinha no rosto.
barco fenício sulcando mares,
pórtico grego, ´"Ágora", coluna romana,
crueldade, circo de Nero.
catacumbas, carne rasgada
cruz exposta, agnus dei
Oração de santo monástico
acesa violência de bárbaros,
"Trevas", medieva luz, busca de eremita.
Navio das descobertas, mares e monstros
dentes podres de escorbuto,
Índias longínquas, astrolábio, estrela polar
marinheiro português
Copérnico, Galileu, metódica dúvida
sem método
ardendo na fogueira dos medos Inquisitoriais
Iluminada revolução, igual, fraterna, liberta,
libertária., sanguinária , Bonnapart
fuga de Bach, Sabat "matter"
Redondela, dança de roda ..campo
seara, camponesa tosca
inocente sagração da vida,
10 de Outubro, sol da terra, Tosltoi, Lenine
amanhãs que não cantaram
ruas de neve vestindo
a morte …. ideologias
Cidade Luz , euforia,
Garçonettes,
Gorges de Sande
Wilde, Monet, Picasso, Gaugin
Comte, Nietsche,
infinito crer, vontade,
Homem, Humanidade
Poder
Cruz gamada, fuzil, horror
Estrela de David, rasgando o peito
Auchewitz...trem humano
rosto da desumanidade.
crematório,
vergonha
culpa
dor
Manhã de Fevereiro,
meu grito recém-nascido.
infância, dor, descoberta
trevas ,luz, alvorecer
caminhada, construção, desconstruçãoeu
a caminho de o ser
1 067
Angela Santos
Cântico
Sinto-me,
e sou
em todos os lugares,
todos os tempos
Húmus.. matriz, Isis..
anfíbio largando os mares
animal comendo raízes
mão que se abre para colher frutos
corpo ainda não erecto
que se levanta do chão...
Shiva, Kali, incensos orientais....
arca, diluvio, sargaça ardente
no cume de uma montanha,
eco de uma voz longínqua
mandamentos, mar vermelho
de sangue
Esfinge dos desertos
brisa marinha no rosto.
barco fenício sulcando mares,
pórtico grego, ´"Ágora", coluna romana,
crueldade, circo de Nero.
catacumbas, carne rasgada
cruz exposta, agnus dei
Oração de santo monástico
acesa violência de bárbaros,
"Trevas", medieva luz, busca de eremita.
Navio das descobertas, mares e monstros
dentes podres de escorbuto,
Índias longínquas, astrolábio, estrela polar
marinheiro português
Copérnico, Galileu, metódica dúvida
sem método
ardendo na fogueira dos medos Inquisitoriais
Iluminada revolução, igual, fraterna, liberta,
libertária., sanguinária , Bonnapart
fuga de Bach, Sabat "matter"
Redondela, dança de roda ..campo
seara, camponesa tosca
inocente sagração da vida,
10 de Outubro, sol da terra, Tosltoi, Lenine
amanhãs que não cantaram
ruas de neve vestindo
a morte …. ideologias
Cidade Luz , euforia,
Garçonettes,
Gorges de Sande
Wilde, Monet, Picasso, Gaugin
Comte, Nietsche,
infinito crer, vontade,
Homem, Humanidade
Poder
Cruz gamada, fuzil, horror
Estrela de David, rasgando o peito
Auchewitz...trem humano
rosto da desumanidade.
crematório,
vergonha
culpa
dor
Manhã de Fevereiro,
meu grito recém-nascido.
infância, dor, descoberta
trevas ,luz, alvorecer
caminhada, construção, desconstruçãoeu
a caminho de o ser
e sou
em todos os lugares,
todos os tempos
Húmus.. matriz, Isis..
anfíbio largando os mares
animal comendo raízes
mão que se abre para colher frutos
corpo ainda não erecto
que se levanta do chão...
Shiva, Kali, incensos orientais....
arca, diluvio, sargaça ardente
no cume de uma montanha,
eco de uma voz longínqua
mandamentos, mar vermelho
de sangue
Esfinge dos desertos
brisa marinha no rosto.
barco fenício sulcando mares,
pórtico grego, ´"Ágora", coluna romana,
crueldade, circo de Nero.
catacumbas, carne rasgada
cruz exposta, agnus dei
Oração de santo monástico
acesa violência de bárbaros,
"Trevas", medieva luz, busca de eremita.
Navio das descobertas, mares e monstros
dentes podres de escorbuto,
Índias longínquas, astrolábio, estrela polar
marinheiro português
Copérnico, Galileu, metódica dúvida
sem método
ardendo na fogueira dos medos Inquisitoriais
Iluminada revolução, igual, fraterna, liberta,
libertária., sanguinária , Bonnapart
fuga de Bach, Sabat "matter"
Redondela, dança de roda ..campo
seara, camponesa tosca
inocente sagração da vida,
10 de Outubro, sol da terra, Tosltoi, Lenine
amanhãs que não cantaram
ruas de neve vestindo
a morte …. ideologias
Cidade Luz , euforia,
Garçonettes,
Gorges de Sande
Wilde, Monet, Picasso, Gaugin
Comte, Nietsche,
infinito crer, vontade,
Homem, Humanidade
Poder
Cruz gamada, fuzil, horror
Estrela de David, rasgando o peito
Auchewitz...trem humano
rosto da desumanidade.
crematório,
vergonha
culpa
dor
Manhã de Fevereiro,
meu grito recém-nascido.
infância, dor, descoberta
trevas ,luz, alvorecer
caminhada, construção, desconstruçãoeu
a caminho de o ser
1 067
Angela Santos
Meninos
Olho
os meninos que habitam a rua
casa que abriga
quem dentro das casas escoa os restos
da sua alma nua
E nas noites frias
em bando se juntam, sacudindo o frio
que trazem colado à pele e à vida,
Meninos,
perdidos pelas esquinas
nem sabem que existe um tempo adiante
que já não conjugam,
futuro imperfeito cravado nos dias.
E os meninos olham-nos
com seus olhos fundos que nos desafiam
e sentimos medo… não sentimos culpa!
os meninos que habitam a rua
casa que abriga
quem dentro das casas escoa os restos
da sua alma nua
E nas noites frias
em bando se juntam, sacudindo o frio
que trazem colado à pele e à vida,
Meninos,
perdidos pelas esquinas
nem sabem que existe um tempo adiante
que já não conjugam,
futuro imperfeito cravado nos dias.
E os meninos olham-nos
com seus olhos fundos que nos desafiam
e sentimos medo… não sentimos culpa!
1 097
Angela Santos
Meninos
Olho
os meninos que habitam a rua
casa que abriga
quem dentro das casas escoa os restos
da sua alma nua
E nas noites frias
em bando se juntam, sacudindo o frio
que trazem colado à pele e à vida,
Meninos,
perdidos pelas esquinas
nem sabem que existe um tempo adiante
que já não conjugam,
futuro imperfeito cravado nos dias.
E os meninos olham-nos
com seus olhos fundos que nos desafiam
e sentimos medo… não sentimos culpa!
os meninos que habitam a rua
casa que abriga
quem dentro das casas escoa os restos
da sua alma nua
E nas noites frias
em bando se juntam, sacudindo o frio
que trazem colado à pele e à vida,
Meninos,
perdidos pelas esquinas
nem sabem que existe um tempo adiante
que já não conjugam,
futuro imperfeito cravado nos dias.
E os meninos olham-nos
com seus olhos fundos que nos desafiam
e sentimos medo… não sentimos culpa!
1 097
Angela Santos
Humanum
Nada
mais,
além deste humano sentir…
à força de quê
calar a mágoa que nos afoga ?
Humano querer,
simples traço da humanidade,
indelével marca impressa
na verdade de humano
ser.
mais,
além deste humano sentir…
à força de quê
calar a mágoa que nos afoga ?
Humano querer,
simples traço da humanidade,
indelével marca impressa
na verdade de humano
ser.
689
Angela Santos
Eclosão
Cativa
no meu peito
uma ave se abriga
nos meus olhos, crescendo
a fome de cores que não vejo
e nas minhas mãos
que abro ao sol de outono
as sementes por plantar
guardo ainda…
E na corrente sem lei
que o meu sangue percorre,
a força de Eros vive adormecida
esperando o dia ou então o sinal
que o desperte e chame à dança da vida.
no meu peito
uma ave se abriga
nos meus olhos, crescendo
a fome de cores que não vejo
e nas minhas mãos
que abro ao sol de outono
as sementes por plantar
guardo ainda…
E na corrente sem lei
que o meu sangue percorre,
a força de Eros vive adormecida
esperando o dia ou então o sinal
que o desperte e chame à dança da vida.
1 183