Poemas neste tema
Sociedade e Mundo
Angela Santos
Dia
Internacional da Mulher)
Lançaram-nos
ao mundo
Despidas e desarmadas
E aceitamos caladas
Regras, tratados, pré-conceitos
E todos cuidavam saber
De que éramos feitas
E éramos menos
Em seus assentimentos
Fraco sexo, mãe devota
Rosto escondido por detrás dos véus,
Sofrimento e aceitação
Trancados soluços
Almas vexadas dentro de portas
E fomos o que quiseram que fossemos
Anos, dezenas, centenas, milhares deles
E fomos tudo isso, e tudo isso o somos ainda
Não sabendo , quantas de nós, que outra coisa
Somos já
O nosso despertar acordará todos os mágicos
Saberes, sabores, dizeres e sentidos
E ficaremos mais puras, mais perto de ser
Se nos olharmos à luz do que sempre
Havíamos sido sem saber
Viajamos pela História como sombras
Porque a noite era a dimensão que nos refletia
Mas descobrimos o prazer das bacantes
E erguemos nossa taça orgiástica ao sol
nos embriagamos de vida
e na vida mergulhamos
pois da vida criadoras
Os ventos da História
Sopraram mais fortes
E a descoberto, a olho nú
Surgiu a caixa Pandora
À luz do dia que nos furtaram
Clamamos paridade
Que iguais não somos
Antes este modo diverso de ser
E a tempestade atravessou a memória
E arrastou a poeira
Nas regras, tratados e pré-conceitos alojada
Estilhaçando a mentira que nos atava
Escavados os restos mortais,
Do que nunca fomos,
Na minúscula fração de um século
Ainda perguntamos:
- O que haveremos de ser??
Tudo!
Na caminhada infinita da Humanidade
Acabamos de nascer.
Lançaram-nos
ao mundo
Despidas e desarmadas
E aceitamos caladas
Regras, tratados, pré-conceitos
E todos cuidavam saber
De que éramos feitas
E éramos menos
Em seus assentimentos
Fraco sexo, mãe devota
Rosto escondido por detrás dos véus,
Sofrimento e aceitação
Trancados soluços
Almas vexadas dentro de portas
E fomos o que quiseram que fossemos
Anos, dezenas, centenas, milhares deles
E fomos tudo isso, e tudo isso o somos ainda
Não sabendo , quantas de nós, que outra coisa
Somos já
O nosso despertar acordará todos os mágicos
Saberes, sabores, dizeres e sentidos
E ficaremos mais puras, mais perto de ser
Se nos olharmos à luz do que sempre
Havíamos sido sem saber
Viajamos pela História como sombras
Porque a noite era a dimensão que nos refletia
Mas descobrimos o prazer das bacantes
E erguemos nossa taça orgiástica ao sol
nos embriagamos de vida
e na vida mergulhamos
pois da vida criadoras
Os ventos da História
Sopraram mais fortes
E a descoberto, a olho nú
Surgiu a caixa Pandora
À luz do dia que nos furtaram
Clamamos paridade
Que iguais não somos
Antes este modo diverso de ser
E a tempestade atravessou a memória
E arrastou a poeira
Nas regras, tratados e pré-conceitos alojada
Estilhaçando a mentira que nos atava
Escavados os restos mortais,
Do que nunca fomos,
Na minúscula fração de um século
Ainda perguntamos:
- O que haveremos de ser??
Tudo!
Na caminhada infinita da Humanidade
Acabamos de nascer.
1 058
Angela Santos
Dia
Internacional da Mulher)
Lançaram-nos
ao mundo
Despidas e desarmadas
E aceitamos caladas
Regras, tratados, pré-conceitos
E todos cuidavam saber
De que éramos feitas
E éramos menos
Em seus assentimentos
Fraco sexo, mãe devota
Rosto escondido por detrás dos véus,
Sofrimento e aceitação
Trancados soluços
Almas vexadas dentro de portas
E fomos o que quiseram que fossemos
Anos, dezenas, centenas, milhares deles
E fomos tudo isso, e tudo isso o somos ainda
Não sabendo , quantas de nós, que outra coisa
Somos já
O nosso despertar acordará todos os mágicos
Saberes, sabores, dizeres e sentidos
E ficaremos mais puras, mais perto de ser
Se nos olharmos à luz do que sempre
Havíamos sido sem saber
Viajamos pela História como sombras
Porque a noite era a dimensão que nos refletia
Mas descobrimos o prazer das bacantes
E erguemos nossa taça orgiástica ao sol
nos embriagamos de vida
e na vida mergulhamos
pois da vida criadoras
Os ventos da História
Sopraram mais fortes
E a descoberto, a olho nú
Surgiu a caixa Pandora
À luz do dia que nos furtaram
Clamamos paridade
Que iguais não somos
Antes este modo diverso de ser
E a tempestade atravessou a memória
E arrastou a poeira
Nas regras, tratados e pré-conceitos alojada
Estilhaçando a mentira que nos atava
Escavados os restos mortais,
Do que nunca fomos,
Na minúscula fração de um século
Ainda perguntamos:
- O que haveremos de ser??
Tudo!
Na caminhada infinita da Humanidade
Acabamos de nascer.
Lançaram-nos
ao mundo
Despidas e desarmadas
E aceitamos caladas
Regras, tratados, pré-conceitos
E todos cuidavam saber
De que éramos feitas
E éramos menos
Em seus assentimentos
Fraco sexo, mãe devota
Rosto escondido por detrás dos véus,
Sofrimento e aceitação
Trancados soluços
Almas vexadas dentro de portas
E fomos o que quiseram que fossemos
Anos, dezenas, centenas, milhares deles
E fomos tudo isso, e tudo isso o somos ainda
Não sabendo , quantas de nós, que outra coisa
Somos já
O nosso despertar acordará todos os mágicos
Saberes, sabores, dizeres e sentidos
E ficaremos mais puras, mais perto de ser
Se nos olharmos à luz do que sempre
Havíamos sido sem saber
Viajamos pela História como sombras
Porque a noite era a dimensão que nos refletia
Mas descobrimos o prazer das bacantes
E erguemos nossa taça orgiástica ao sol
nos embriagamos de vida
e na vida mergulhamos
pois da vida criadoras
Os ventos da História
Sopraram mais fortes
E a descoberto, a olho nú
Surgiu a caixa Pandora
À luz do dia que nos furtaram
Clamamos paridade
Que iguais não somos
Antes este modo diverso de ser
E a tempestade atravessou a memória
E arrastou a poeira
Nas regras, tratados e pré-conceitos alojada
Estilhaçando a mentira que nos atava
Escavados os restos mortais,
Do que nunca fomos,
Na minúscula fração de um século
Ainda perguntamos:
- O que haveremos de ser??
Tudo!
Na caminhada infinita da Humanidade
Acabamos de nascer.
1 058
Angela Santos
Dia
Internacional da Mulher)
Lançaram-nos
ao mundo
Despidas e desarmadas
E aceitamos caladas
Regras, tratados, pré-conceitos
E todos cuidavam saber
De que éramos feitas
E éramos menos
Em seus assentimentos
Fraco sexo, mãe devota
Rosto escondido por detrás dos véus,
Sofrimento e aceitação
Trancados soluços
Almas vexadas dentro de portas
E fomos o que quiseram que fossemos
Anos, dezenas, centenas, milhares deles
E fomos tudo isso, e tudo isso o somos ainda
Não sabendo , quantas de nós, que outra coisa
Somos já
O nosso despertar acordará todos os mágicos
Saberes, sabores, dizeres e sentidos
E ficaremos mais puras, mais perto de ser
Se nos olharmos à luz do que sempre
Havíamos sido sem saber
Viajamos pela História como sombras
Porque a noite era a dimensão que nos refletia
Mas descobrimos o prazer das bacantes
E erguemos nossa taça orgiástica ao sol
nos embriagamos de vida
e na vida mergulhamos
pois da vida criadoras
Os ventos da História
Sopraram mais fortes
E a descoberto, a olho nú
Surgiu a caixa Pandora
À luz do dia que nos furtaram
Clamamos paridade
Que iguais não somos
Antes este modo diverso de ser
E a tempestade atravessou a memória
E arrastou a poeira
Nas regras, tratados e pré-conceitos alojada
Estilhaçando a mentira que nos atava
Escavados os restos mortais,
Do que nunca fomos,
Na minúscula fração de um século
Ainda perguntamos:
- O que haveremos de ser??
Tudo!
Na caminhada infinita da Humanidade
Acabamos de nascer.
Lançaram-nos
ao mundo
Despidas e desarmadas
E aceitamos caladas
Regras, tratados, pré-conceitos
E todos cuidavam saber
De que éramos feitas
E éramos menos
Em seus assentimentos
Fraco sexo, mãe devota
Rosto escondido por detrás dos véus,
Sofrimento e aceitação
Trancados soluços
Almas vexadas dentro de portas
E fomos o que quiseram que fossemos
Anos, dezenas, centenas, milhares deles
E fomos tudo isso, e tudo isso o somos ainda
Não sabendo , quantas de nós, que outra coisa
Somos já
O nosso despertar acordará todos os mágicos
Saberes, sabores, dizeres e sentidos
E ficaremos mais puras, mais perto de ser
Se nos olharmos à luz do que sempre
Havíamos sido sem saber
Viajamos pela História como sombras
Porque a noite era a dimensão que nos refletia
Mas descobrimos o prazer das bacantes
E erguemos nossa taça orgiástica ao sol
nos embriagamos de vida
e na vida mergulhamos
pois da vida criadoras
Os ventos da História
Sopraram mais fortes
E a descoberto, a olho nú
Surgiu a caixa Pandora
À luz do dia que nos furtaram
Clamamos paridade
Que iguais não somos
Antes este modo diverso de ser
E a tempestade atravessou a memória
E arrastou a poeira
Nas regras, tratados e pré-conceitos alojada
Estilhaçando a mentira que nos atava
Escavados os restos mortais,
Do que nunca fomos,
Na minúscula fração de um século
Ainda perguntamos:
- O que haveremos de ser??
Tudo!
Na caminhada infinita da Humanidade
Acabamos de nascer.
1 058
Angela Santos
Rumores
Sentem-se os rumores
os gestos que anunciam
a liberdade que chega
e se faz anunciar
no tempo em que tudo irrompe
e renasce à flor da terra
E do corpo ressalta a chama
a vivacidade que sai
pelos poros, pelo coração
e uma serenidade fluida se improvisa
nos gestos em tom de azul…
Lembram - se os dias de sol
agosto vivo no meu tempo,
quando só a Primavera
emerge na sagração
E há odes de luz e som
que se derramam dos olhos
que bebem já do futuro
pressentido a cada passo
que leva mais adiante
O teu sonho em mim guardado
como corpo em gestação
este sentir já um só
este cruzar de destino
o mesmo sonho, o mesmo caminho.
os gestos que anunciam
a liberdade que chega
e se faz anunciar
no tempo em que tudo irrompe
e renasce à flor da terra
E do corpo ressalta a chama
a vivacidade que sai
pelos poros, pelo coração
e uma serenidade fluida se improvisa
nos gestos em tom de azul…
Lembram - se os dias de sol
agosto vivo no meu tempo,
quando só a Primavera
emerge na sagração
E há odes de luz e som
que se derramam dos olhos
que bebem já do futuro
pressentido a cada passo
que leva mais adiante
O teu sonho em mim guardado
como corpo em gestação
este sentir já um só
este cruzar de destino
o mesmo sonho, o mesmo caminho.
1 171
Angela Santos
Regresso
Gritámos por liberdade,
exigimos sua vivência,
e quando nos encontramos no centro desse imenso território,
quantas vezes não somos prisioneiros
da liberdade que não sabemos fruir...
a liberdade dos outros
esse umbral onde sempre paramos( ou deveríamos parar)
nos assusta mais ainda, quando do amor falamos...
mais do que a liberdade do outro
tememos que seu voo seja demasiado ousado,
como ave que vai e não regressa ao mesmo lugar.
É na verdade que se desenha nesse voo,
que vale a pena embarcar,
sentir e saber
que a ave, reconhecendo o caminho,
livre regressa ao beiral.
exigimos sua vivência,
e quando nos encontramos no centro desse imenso território,
quantas vezes não somos prisioneiros
da liberdade que não sabemos fruir...
a liberdade dos outros
esse umbral onde sempre paramos( ou deveríamos parar)
nos assusta mais ainda, quando do amor falamos...
mais do que a liberdade do outro
tememos que seu voo seja demasiado ousado,
como ave que vai e não regressa ao mesmo lugar.
É na verdade que se desenha nesse voo,
que vale a pena embarcar,
sentir e saber
que a ave, reconhecendo o caminho,
livre regressa ao beiral.
1 083
Angela Santos
Amor e Sotaque
Tem um
modo de você saber
aquelas coisas
que as palavras complicam
ao jeito doce que você me ensinou,
com minhas mãos,
meus quadris
minhas coxas,
minha boca,
meu sexo extático
se diluindo no seu
como é fácil dizer: amor.
E nesse cocktail
de línguas e sotaques
coco e pitangas
caipiras e fado,
negros e brancos
ourixás, samba e axé
Pessoa e Quintana
Verde vermelho
Azul amarelo.
Nós
no final misturando ainda
tu com você.
modo de você saber
aquelas coisas
que as palavras complicam
ao jeito doce que você me ensinou,
com minhas mãos,
meus quadris
minhas coxas,
minha boca,
meu sexo extático
se diluindo no seu
como é fácil dizer: amor.
E nesse cocktail
de línguas e sotaques
coco e pitangas
caipiras e fado,
negros e brancos
ourixás, samba e axé
Pessoa e Quintana
Verde vermelho
Azul amarelo.
Nós
no final misturando ainda
tu com você.
1 093
Angela Santos
Urgencia
Hoje é
decretado o estado de urgencia!
Ordens, decretos, leis
só aqueles emanadas da suprema
e soberana instancia
que é a Vida
Viver! A urgência é máxima!
Ao som de fanfaras e gritos
pelas cidades se anuncia:
clepsidras e ampulhetas esgotaram
a espera desmedida
e a eminente derrocada
dos romanos coliseus de nossa era
está prevista
A vida de saltimbanco
É decretada lei,
A terra inteira é nossa
e a profissão o perigo
de quem arrisca e ousa
desafiar o que venha
sem rede entre ele
e o chão
Anarquicamente viver
pelas ordens que emanam
do órgão que nos comanda
que nos anima e exalta
cuja voz é uma cadencia
que trespassa a mão pousada
no lado esquerdo do peito
Amar anarquicamente
pelas leis que o amor ditar
com seu curso e seus desvios,
amar os cambiantes do amor
que derruba o dever ser
e os moldes que nos tolhem
em busca da forma única
que é contida e contém
quando o amor é maior
e iguala a própria vida.
Passar o cabo da esperança
urge a hora da utopia.
além- eu, além- nós
além-leis, além limites,
romper diques, abrir comportas
a golpes reinventar
neste chão outros caminhos.
Cansamos,
este presente absurdo,
de pactuar e anuir,
de engolir nosso vómito
de estancar nossa raiva
de sufocar nosso grito
Cansamos!!!!!!!
decretado o estado de urgencia!
Ordens, decretos, leis
só aqueles emanadas da suprema
e soberana instancia
que é a Vida
Viver! A urgência é máxima!
Ao som de fanfaras e gritos
pelas cidades se anuncia:
clepsidras e ampulhetas esgotaram
a espera desmedida
e a eminente derrocada
dos romanos coliseus de nossa era
está prevista
A vida de saltimbanco
É decretada lei,
A terra inteira é nossa
e a profissão o perigo
de quem arrisca e ousa
desafiar o que venha
sem rede entre ele
e o chão
Anarquicamente viver
pelas ordens que emanam
do órgão que nos comanda
que nos anima e exalta
cuja voz é uma cadencia
que trespassa a mão pousada
no lado esquerdo do peito
Amar anarquicamente
pelas leis que o amor ditar
com seu curso e seus desvios,
amar os cambiantes do amor
que derruba o dever ser
e os moldes que nos tolhem
em busca da forma única
que é contida e contém
quando o amor é maior
e iguala a própria vida.
Passar o cabo da esperança
urge a hora da utopia.
além- eu, além- nós
além-leis, além limites,
romper diques, abrir comportas
a golpes reinventar
neste chão outros caminhos.
Cansamos,
este presente absurdo,
de pactuar e anuir,
de engolir nosso vómito
de estancar nossa raiva
de sufocar nosso grito
Cansamos!!!!!!!
906
Angela Santos
Urgencia
Hoje é
decretado o estado de urgencia!
Ordens, decretos, leis
só aqueles emanadas da suprema
e soberana instancia
que é a Vida
Viver! A urgência é máxima!
Ao som de fanfaras e gritos
pelas cidades se anuncia:
clepsidras e ampulhetas esgotaram
a espera desmedida
e a eminente derrocada
dos romanos coliseus de nossa era
está prevista
A vida de saltimbanco
É decretada lei,
A terra inteira é nossa
e a profissão o perigo
de quem arrisca e ousa
desafiar o que venha
sem rede entre ele
e o chão
Anarquicamente viver
pelas ordens que emanam
do órgão que nos comanda
que nos anima e exalta
cuja voz é uma cadencia
que trespassa a mão pousada
no lado esquerdo do peito
Amar anarquicamente
pelas leis que o amor ditar
com seu curso e seus desvios,
amar os cambiantes do amor
que derruba o dever ser
e os moldes que nos tolhem
em busca da forma única
que é contida e contém
quando o amor é maior
e iguala a própria vida.
Passar o cabo da esperança
urge a hora da utopia.
além- eu, além- nós
além-leis, além limites,
romper diques, abrir comportas
a golpes reinventar
neste chão outros caminhos.
Cansamos,
este presente absurdo,
de pactuar e anuir,
de engolir nosso vómito
de estancar nossa raiva
de sufocar nosso grito
Cansamos!!!!!!!
decretado o estado de urgencia!
Ordens, decretos, leis
só aqueles emanadas da suprema
e soberana instancia
que é a Vida
Viver! A urgência é máxima!
Ao som de fanfaras e gritos
pelas cidades se anuncia:
clepsidras e ampulhetas esgotaram
a espera desmedida
e a eminente derrocada
dos romanos coliseus de nossa era
está prevista
A vida de saltimbanco
É decretada lei,
A terra inteira é nossa
e a profissão o perigo
de quem arrisca e ousa
desafiar o que venha
sem rede entre ele
e o chão
Anarquicamente viver
pelas ordens que emanam
do órgão que nos comanda
que nos anima e exalta
cuja voz é uma cadencia
que trespassa a mão pousada
no lado esquerdo do peito
Amar anarquicamente
pelas leis que o amor ditar
com seu curso e seus desvios,
amar os cambiantes do amor
que derruba o dever ser
e os moldes que nos tolhem
em busca da forma única
que é contida e contém
quando o amor é maior
e iguala a própria vida.
Passar o cabo da esperança
urge a hora da utopia.
além- eu, além- nós
além-leis, além limites,
romper diques, abrir comportas
a golpes reinventar
neste chão outros caminhos.
Cansamos,
este presente absurdo,
de pactuar e anuir,
de engolir nosso vómito
de estancar nossa raiva
de sufocar nosso grito
Cansamos!!!!!!!
906
Angela Santos
Puros Sangue
Desgarra-se
do meu peito
sem freio o potro selvagem
e galopa ao compasso
do que em mim te quer e pensa...
Que de sentir e saber
é seu galope, seu trote
e à vista do puro sangue,
que em teu peito saltita
se desgarra mais ainda.
Esses dois potros selvagens,
se reconhecem no cheiro,
no galope que os parelha,
no fogo, na crina ao vento...
Selvagens potros de fogo
exaltam na liberdade
centelhas de uma outra vida....
Pégasos da nossa memória
centauros foram um dia
Livres e soltos
no teu e no meu peito desgarram,
potros de fogo, selvagens
do nosso ser a medida.
do meu peito
sem freio o potro selvagem
e galopa ao compasso
do que em mim te quer e pensa...
Que de sentir e saber
é seu galope, seu trote
e à vista do puro sangue,
que em teu peito saltita
se desgarra mais ainda.
Esses dois potros selvagens,
se reconhecem no cheiro,
no galope que os parelha,
no fogo, na crina ao vento...
Selvagens potros de fogo
exaltam na liberdade
centelhas de uma outra vida....
Pégasos da nossa memória
centauros foram um dia
Livres e soltos
no teu e no meu peito desgarram,
potros de fogo, selvagens
do nosso ser a medida.
1 112
Eduardo Valente da Fonseca
Ó vagarosa noite
Ó vagarosa noite a vir de manso
profunda e densa pela cidade toda.
A estas horas onde em outros lados
floresce amoroso o sol por sobre terras?
Ó alegria de me ser em tudo.
ó humildes irmãos do grande mundo
deitados sobre o sonho como quem
aguarda o belo tempo de haver tudo!
profunda e densa pela cidade toda.
A estas horas onde em outros lados
floresce amoroso o sol por sobre terras?
Ó alegria de me ser em tudo.
ó humildes irmãos do grande mundo
deitados sobre o sonho como quem
aguarda o belo tempo de haver tudo!
1 023
Eduardo Valente da Fonseca
Onde nem tudo o que luz é oiro
Somos talvez até um país rico,
e tivemos Camões, e tivemos pessoa e o infante,
mas a beleza está nos escombros,
e atola-se na areia e morre sem nos ver.
porque se eu abro a minha mão à noite
e nela só vejo as linhas do destino,
de que me vale a história do meu povo?
Sim, é possível que a profética rosa do oriente
ainda venha pelo rio da primavera
ancorar na solidão imensa deste cais.
e tivemos Camões, e tivemos pessoa e o infante,
mas a beleza está nos escombros,
e atola-se na areia e morre sem nos ver.
porque se eu abro a minha mão à noite
e nela só vejo as linhas do destino,
de que me vale a história do meu povo?
Sim, é possível que a profética rosa do oriente
ainda venha pelo rio da primavera
ancorar na solidão imensa deste cais.
1 034
Eduardo Valente da Fonseca
Onde nem tudo o que luz é oiro
Somos talvez até um país rico,
e tivemos Camões, e tivemos pessoa e o infante,
mas a beleza está nos escombros,
e atola-se na areia e morre sem nos ver.
porque se eu abro a minha mão à noite
e nela só vejo as linhas do destino,
de que me vale a história do meu povo?
Sim, é possível que a profética rosa do oriente
ainda venha pelo rio da primavera
ancorar na solidão imensa deste cais.
e tivemos Camões, e tivemos pessoa e o infante,
mas a beleza está nos escombros,
e atola-se na areia e morre sem nos ver.
porque se eu abro a minha mão à noite
e nela só vejo as linhas do destino,
de que me vale a história do meu povo?
Sim, é possível que a profética rosa do oriente
ainda venha pelo rio da primavera
ancorar na solidão imensa deste cais.
1 034
Cristiane Neder
Em Uma Só Unidade
Bis,
heteros,
homos,
todos nós somos
nos dias de cio.
Animais
todos sexuais.
Raça pura
destilada em outras misturas.
Animais
pensantes,
fabricantes,
da origem dos habitantes.
Bis,
heteros,
homos,
é o que somos
em uma só unidade.
heteros,
homos,
todos nós somos
nos dias de cio.
Animais
todos sexuais.
Raça pura
destilada em outras misturas.
Animais
pensantes,
fabricantes,
da origem dos habitantes.
Bis,
heteros,
homos,
é o que somos
em uma só unidade.
919
Cristiane Neder
Em Uma Só Unidade
Bis,
heteros,
homos,
todos nós somos
nos dias de cio.
Animais
todos sexuais.
Raça pura
destilada em outras misturas.
Animais
pensantes,
fabricantes,
da origem dos habitantes.
Bis,
heteros,
homos,
é o que somos
em uma só unidade.
heteros,
homos,
todos nós somos
nos dias de cio.
Animais
todos sexuais.
Raça pura
destilada em outras misturas.
Animais
pensantes,
fabricantes,
da origem dos habitantes.
Bis,
heteros,
homos,
é o que somos
em uma só unidade.
919
Joaquim Pessoa
Perguntas
Onde estavas
tu quando fiz vinte anos
E tinha uma boca de anjo pálido?
Em que sítio estavas quando o Che foi estampado
Nas camisolas das teen-agers de todos os estados da América?
Em que covil ou gruta esconderam as suas armas
Para com elas fazer posters cinzeiros e emblemas?
Onde te encontravas quando lançaram mão a isto?
E atrás de quê te ocultavas quando
Mataram Luther King para justificar sei lá que agressões
Ao mesmo tempo que viamos Música no Coração
Mastigando chiclets numa matinée do cinema Condes?
Por onde andavas que não viste os corações brancos
Retalhados na Coreia e no Vietname
Nem ouviste nenhuma das canções de Bob Dylon
Virando também as costas quando arrasaram Wiriammu
E enterraram vivas
Mulheres e crianças em nome
De uma pátria una e indivisível?
Que caminho escolheram os teus passos no momento em que
Foram enforcados os guerrilheiros negros da África do Sul
Ou Alende terminou o seu último discurso?
Ainda estavas presente quando Victor Jara
Pronunciou as últimas palavras?
E nem uma vez por acaso assististe
Às chacinas do Esquadrão da Morte?
Fugiste de Dachau e Estalinegrado?
Não puseste os pés em Auschwitz?
Que diabo andaste a fazer o tempo todo
Que ninguém te encontrou em lugar algum.
tu quando fiz vinte anos
E tinha uma boca de anjo pálido?
Em que sítio estavas quando o Che foi estampado
Nas camisolas das teen-agers de todos os estados da América?
Em que covil ou gruta esconderam as suas armas
Para com elas fazer posters cinzeiros e emblemas?
Onde te encontravas quando lançaram mão a isto?
E atrás de quê te ocultavas quando
Mataram Luther King para justificar sei lá que agressões
Ao mesmo tempo que viamos Música no Coração
Mastigando chiclets numa matinée do cinema Condes?
Por onde andavas que não viste os corações brancos
Retalhados na Coreia e no Vietname
Nem ouviste nenhuma das canções de Bob Dylon
Virando também as costas quando arrasaram Wiriammu
E enterraram vivas
Mulheres e crianças em nome
De uma pátria una e indivisível?
Que caminho escolheram os teus passos no momento em que
Foram enforcados os guerrilheiros negros da África do Sul
Ou Alende terminou o seu último discurso?
Ainda estavas presente quando Victor Jara
Pronunciou as últimas palavras?
E nem uma vez por acaso assististe
Às chacinas do Esquadrão da Morte?
Fugiste de Dachau e Estalinegrado?
Não puseste os pés em Auschwitz?
Que diabo andaste a fazer o tempo todo
Que ninguém te encontrou em lugar algum.
1 839
Joaquim Pessoa
Perguntas
Onde estavas
tu quando fiz vinte anos
E tinha uma boca de anjo pálido?
Em que sítio estavas quando o Che foi estampado
Nas camisolas das teen-agers de todos os estados da América?
Em que covil ou gruta esconderam as suas armas
Para com elas fazer posters cinzeiros e emblemas?
Onde te encontravas quando lançaram mão a isto?
E atrás de quê te ocultavas quando
Mataram Luther King para justificar sei lá que agressões
Ao mesmo tempo que viamos Música no Coração
Mastigando chiclets numa matinée do cinema Condes?
Por onde andavas que não viste os corações brancos
Retalhados na Coreia e no Vietname
Nem ouviste nenhuma das canções de Bob Dylon
Virando também as costas quando arrasaram Wiriammu
E enterraram vivas
Mulheres e crianças em nome
De uma pátria una e indivisível?
Que caminho escolheram os teus passos no momento em que
Foram enforcados os guerrilheiros negros da África do Sul
Ou Alende terminou o seu último discurso?
Ainda estavas presente quando Victor Jara
Pronunciou as últimas palavras?
E nem uma vez por acaso assististe
Às chacinas do Esquadrão da Morte?
Fugiste de Dachau e Estalinegrado?
Não puseste os pés em Auschwitz?
Que diabo andaste a fazer o tempo todo
Que ninguém te encontrou em lugar algum.
tu quando fiz vinte anos
E tinha uma boca de anjo pálido?
Em que sítio estavas quando o Che foi estampado
Nas camisolas das teen-agers de todos os estados da América?
Em que covil ou gruta esconderam as suas armas
Para com elas fazer posters cinzeiros e emblemas?
Onde te encontravas quando lançaram mão a isto?
E atrás de quê te ocultavas quando
Mataram Luther King para justificar sei lá que agressões
Ao mesmo tempo que viamos Música no Coração
Mastigando chiclets numa matinée do cinema Condes?
Por onde andavas que não viste os corações brancos
Retalhados na Coreia e no Vietname
Nem ouviste nenhuma das canções de Bob Dylon
Virando também as costas quando arrasaram Wiriammu
E enterraram vivas
Mulheres e crianças em nome
De uma pátria una e indivisível?
Que caminho escolheram os teus passos no momento em que
Foram enforcados os guerrilheiros negros da África do Sul
Ou Alende terminou o seu último discurso?
Ainda estavas presente quando Victor Jara
Pronunciou as últimas palavras?
E nem uma vez por acaso assististe
Às chacinas do Esquadrão da Morte?
Fugiste de Dachau e Estalinegrado?
Não puseste os pés em Auschwitz?
Que diabo andaste a fazer o tempo todo
Que ninguém te encontrou em lugar algum.
1 839
Joaquim Pessoa
Perguntas
Onde estavas
tu quando fiz vinte anos
E tinha uma boca de anjo pálido?
Em que sítio estavas quando o Che foi estampado
Nas camisolas das teen-agers de todos os estados da América?
Em que covil ou gruta esconderam as suas armas
Para com elas fazer posters cinzeiros e emblemas?
Onde te encontravas quando lançaram mão a isto?
E atrás de quê te ocultavas quando
Mataram Luther King para justificar sei lá que agressões
Ao mesmo tempo que viamos Música no Coração
Mastigando chiclets numa matinée do cinema Condes?
Por onde andavas que não viste os corações brancos
Retalhados na Coreia e no Vietname
Nem ouviste nenhuma das canções de Bob Dylon
Virando também as costas quando arrasaram Wiriammu
E enterraram vivas
Mulheres e crianças em nome
De uma pátria una e indivisível?
Que caminho escolheram os teus passos no momento em que
Foram enforcados os guerrilheiros negros da África do Sul
Ou Alende terminou o seu último discurso?
Ainda estavas presente quando Victor Jara
Pronunciou as últimas palavras?
E nem uma vez por acaso assististe
Às chacinas do Esquadrão da Morte?
Fugiste de Dachau e Estalinegrado?
Não puseste os pés em Auschwitz?
Que diabo andaste a fazer o tempo todo
Que ninguém te encontrou em lugar algum.
tu quando fiz vinte anos
E tinha uma boca de anjo pálido?
Em que sítio estavas quando o Che foi estampado
Nas camisolas das teen-agers de todos os estados da América?
Em que covil ou gruta esconderam as suas armas
Para com elas fazer posters cinzeiros e emblemas?
Onde te encontravas quando lançaram mão a isto?
E atrás de quê te ocultavas quando
Mataram Luther King para justificar sei lá que agressões
Ao mesmo tempo que viamos Música no Coração
Mastigando chiclets numa matinée do cinema Condes?
Por onde andavas que não viste os corações brancos
Retalhados na Coreia e no Vietname
Nem ouviste nenhuma das canções de Bob Dylon
Virando também as costas quando arrasaram Wiriammu
E enterraram vivas
Mulheres e crianças em nome
De uma pátria una e indivisível?
Que caminho escolheram os teus passos no momento em que
Foram enforcados os guerrilheiros negros da África do Sul
Ou Alende terminou o seu último discurso?
Ainda estavas presente quando Victor Jara
Pronunciou as últimas palavras?
E nem uma vez por acaso assististe
Às chacinas do Esquadrão da Morte?
Fugiste de Dachau e Estalinegrado?
Não puseste os pés em Auschwitz?
Que diabo andaste a fazer o tempo todo
Que ninguém te encontrou em lugar algum.
1 839
Eduardo Valente da Fonseca
Deve-se amar o perto
O homem
chegou à lua, e ao sol
e ao fundo do mar,
e só Londres tem a população do meu país,
e nisso nem há mal...
mas quando eu vou a Barroselas do Minho
e a D. Felisbina me recebe contente
na Primavera da sua quinta,
eu só penso na D. Felisbina
e amo a sua cabeça branca.
depois vou passear pelos sítios do ano passado,
e cada folha é um universo.
Então o sol esconde-se
e é a vez dos pinheiros serem divinos sob as estrelas.
chegou à lua, e ao sol
e ao fundo do mar,
e só Londres tem a população do meu país,
e nisso nem há mal...
mas quando eu vou a Barroselas do Minho
e a D. Felisbina me recebe contente
na Primavera da sua quinta,
eu só penso na D. Felisbina
e amo a sua cabeça branca.
depois vou passear pelos sítios do ano passado,
e cada folha é um universo.
Então o sol esconde-se
e é a vez dos pinheiros serem divinos sob as estrelas.
958
Angela Santos
Cântico
Sinto-me,
e sou
em todos os lugares,
todos os tempos
Húmus.. matriz, Isis..
anfíbio largando os mares
animal comendo raízes
mão que se abre para colher frutos
corpo ainda não erecto
que se levanta do chão...
Shiva, Kali, incensos orientais....
arca, diluvio, sargaça ardente
no cume de uma montanha,
eco de uma voz longínqua
mandamentos, mar vermelho
de sangue
Esfinge dos desertos
brisa marinha no rosto.
barco fenício sulcando mares,
pórtico grego, ´"Ágora", coluna romana,
crueldade, circo de Nero.
catacumbas, carne rasgada
cruz exposta, agnus dei
Oração de santo monástico
acesa violência de bárbaros,
"Trevas", medieva luz, busca de eremita.
Navio das descobertas, mares e monstros
dentes podres de escorbuto,
Índias longínquas, astrolábio, estrela polar
marinheiro português
Copérnico, Galileu, metódica dúvida
sem método
ardendo na fogueira dos medos Inquisitoriais
Iluminada revolução, igual, fraterna, liberta,
libertária., sanguinária , Bonnapart
fuga de Bach, Sabat "matter"
Redondela, dança de roda ..campo
seara, camponesa tosca
inocente sagração da vida,
10 de Outubro, sol da terra, Tosltoi, Lenine
amanhãs que não cantaram
ruas de neve vestindo
a morte …. ideologias
Cidade Luz , euforia,
Garçonettes,
Gorges de Sande
Wilde, Monet, Picasso, Gaugin
Comte, Nietsche,
infinito crer, vontade,
Homem, Humanidade
Poder
Cruz gamada, fuzil, horror
Estrela de David, rasgando o peito
Auchewitz...trem humano
rosto da desumanidade.
crematório,
vergonha
culpa
dor
Manhã de Fevereiro,
meu grito recém-nascido.
infância, dor, descoberta
trevas ,luz, alvorecer
caminhada, construção, desconstruçãoeu
a caminho de o ser
e sou
em todos os lugares,
todos os tempos
Húmus.. matriz, Isis..
anfíbio largando os mares
animal comendo raízes
mão que se abre para colher frutos
corpo ainda não erecto
que se levanta do chão...
Shiva, Kali, incensos orientais....
arca, diluvio, sargaça ardente
no cume de uma montanha,
eco de uma voz longínqua
mandamentos, mar vermelho
de sangue
Esfinge dos desertos
brisa marinha no rosto.
barco fenício sulcando mares,
pórtico grego, ´"Ágora", coluna romana,
crueldade, circo de Nero.
catacumbas, carne rasgada
cruz exposta, agnus dei
Oração de santo monástico
acesa violência de bárbaros,
"Trevas", medieva luz, busca de eremita.
Navio das descobertas, mares e monstros
dentes podres de escorbuto,
Índias longínquas, astrolábio, estrela polar
marinheiro português
Copérnico, Galileu, metódica dúvida
sem método
ardendo na fogueira dos medos Inquisitoriais
Iluminada revolução, igual, fraterna, liberta,
libertária., sanguinária , Bonnapart
fuga de Bach, Sabat "matter"
Redondela, dança de roda ..campo
seara, camponesa tosca
inocente sagração da vida,
10 de Outubro, sol da terra, Tosltoi, Lenine
amanhãs que não cantaram
ruas de neve vestindo
a morte …. ideologias
Cidade Luz , euforia,
Garçonettes,
Gorges de Sande
Wilde, Monet, Picasso, Gaugin
Comte, Nietsche,
infinito crer, vontade,
Homem, Humanidade
Poder
Cruz gamada, fuzil, horror
Estrela de David, rasgando o peito
Auchewitz...trem humano
rosto da desumanidade.
crematório,
vergonha
culpa
dor
Manhã de Fevereiro,
meu grito recém-nascido.
infância, dor, descoberta
trevas ,luz, alvorecer
caminhada, construção, desconstruçãoeu
a caminho de o ser
1 076
Angela Santos
Cântico
Sinto-me,
e sou
em todos os lugares,
todos os tempos
Húmus.. matriz, Isis..
anfíbio largando os mares
animal comendo raízes
mão que se abre para colher frutos
corpo ainda não erecto
que se levanta do chão...
Shiva, Kali, incensos orientais....
arca, diluvio, sargaça ardente
no cume de uma montanha,
eco de uma voz longínqua
mandamentos, mar vermelho
de sangue
Esfinge dos desertos
brisa marinha no rosto.
barco fenício sulcando mares,
pórtico grego, ´"Ágora", coluna romana,
crueldade, circo de Nero.
catacumbas, carne rasgada
cruz exposta, agnus dei
Oração de santo monástico
acesa violência de bárbaros,
"Trevas", medieva luz, busca de eremita.
Navio das descobertas, mares e monstros
dentes podres de escorbuto,
Índias longínquas, astrolábio, estrela polar
marinheiro português
Copérnico, Galileu, metódica dúvida
sem método
ardendo na fogueira dos medos Inquisitoriais
Iluminada revolução, igual, fraterna, liberta,
libertária., sanguinária , Bonnapart
fuga de Bach, Sabat "matter"
Redondela, dança de roda ..campo
seara, camponesa tosca
inocente sagração da vida,
10 de Outubro, sol da terra, Tosltoi, Lenine
amanhãs que não cantaram
ruas de neve vestindo
a morte …. ideologias
Cidade Luz , euforia,
Garçonettes,
Gorges de Sande
Wilde, Monet, Picasso, Gaugin
Comte, Nietsche,
infinito crer, vontade,
Homem, Humanidade
Poder
Cruz gamada, fuzil, horror
Estrela de David, rasgando o peito
Auchewitz...trem humano
rosto da desumanidade.
crematório,
vergonha
culpa
dor
Manhã de Fevereiro,
meu grito recém-nascido.
infância, dor, descoberta
trevas ,luz, alvorecer
caminhada, construção, desconstruçãoeu
a caminho de o ser
e sou
em todos os lugares,
todos os tempos
Húmus.. matriz, Isis..
anfíbio largando os mares
animal comendo raízes
mão que se abre para colher frutos
corpo ainda não erecto
que se levanta do chão...
Shiva, Kali, incensos orientais....
arca, diluvio, sargaça ardente
no cume de uma montanha,
eco de uma voz longínqua
mandamentos, mar vermelho
de sangue
Esfinge dos desertos
brisa marinha no rosto.
barco fenício sulcando mares,
pórtico grego, ´"Ágora", coluna romana,
crueldade, circo de Nero.
catacumbas, carne rasgada
cruz exposta, agnus dei
Oração de santo monástico
acesa violência de bárbaros,
"Trevas", medieva luz, busca de eremita.
Navio das descobertas, mares e monstros
dentes podres de escorbuto,
Índias longínquas, astrolábio, estrela polar
marinheiro português
Copérnico, Galileu, metódica dúvida
sem método
ardendo na fogueira dos medos Inquisitoriais
Iluminada revolução, igual, fraterna, liberta,
libertária., sanguinária , Bonnapart
fuga de Bach, Sabat "matter"
Redondela, dança de roda ..campo
seara, camponesa tosca
inocente sagração da vida,
10 de Outubro, sol da terra, Tosltoi, Lenine
amanhãs que não cantaram
ruas de neve vestindo
a morte …. ideologias
Cidade Luz , euforia,
Garçonettes,
Gorges de Sande
Wilde, Monet, Picasso, Gaugin
Comte, Nietsche,
infinito crer, vontade,
Homem, Humanidade
Poder
Cruz gamada, fuzil, horror
Estrela de David, rasgando o peito
Auchewitz...trem humano
rosto da desumanidade.
crematório,
vergonha
culpa
dor
Manhã de Fevereiro,
meu grito recém-nascido.
infância, dor, descoberta
trevas ,luz, alvorecer
caminhada, construção, desconstruçãoeu
a caminho de o ser
1 076
Fernando Namora
Cantar D'Amigo
Estrangeiro!
talharam-nos em redor fossos, limites
e o cerco das fronteiras.
Estrangeiro! Ninguém entendeu, e nem tu, estrangeiro,
que entre nós não existem cordilheiras.
Ficaste de mãos desastradas, indiferentes,
quando a minha vida roçou a tua vida.
De olhos parados, indiferentes,
quando passei a teu lado.
Estrangeiro! Ficou-me esse desperdício de um adeus
que as tuas mãos frias não disseram,
nem os teus olhos vidrados,
nem a tua boca selada,
mas que eu pressenti, como alguém á beira de um cais,
ao ver sair barcos com gente que nos é estranha,
agitando lenços estranhos
alguém que sofre por nada.
Iludimos a vida, amigo!
E como para ultrapassar as fronteiras
os fossos,
as ironias
bastaria um só olhar!...
Não, estrangeiro! Vamos misturar o sangue dos rios
o abismo dos mapas
fazer qualquer coisa! misturar, misturar.
talharam-nos em redor fossos, limites
e o cerco das fronteiras.
Estrangeiro! Ninguém entendeu, e nem tu, estrangeiro,
que entre nós não existem cordilheiras.
Ficaste de mãos desastradas, indiferentes,
quando a minha vida roçou a tua vida.
De olhos parados, indiferentes,
quando passei a teu lado.
Estrangeiro! Ficou-me esse desperdício de um adeus
que as tuas mãos frias não disseram,
nem os teus olhos vidrados,
nem a tua boca selada,
mas que eu pressenti, como alguém á beira de um cais,
ao ver sair barcos com gente que nos é estranha,
agitando lenços estranhos
alguém que sofre por nada.
Iludimos a vida, amigo!
E como para ultrapassar as fronteiras
os fossos,
as ironias
bastaria um só olhar!...
Não, estrangeiro! Vamos misturar o sangue dos rios
o abismo dos mapas
fazer qualquer coisa! misturar, misturar.
2 632
Fernando Namora
Cantar D'Amigo
Estrangeiro!
talharam-nos em redor fossos, limites
e o cerco das fronteiras.
Estrangeiro! Ninguém entendeu, e nem tu, estrangeiro,
que entre nós não existem cordilheiras.
Ficaste de mãos desastradas, indiferentes,
quando a minha vida roçou a tua vida.
De olhos parados, indiferentes,
quando passei a teu lado.
Estrangeiro! Ficou-me esse desperdício de um adeus
que as tuas mãos frias não disseram,
nem os teus olhos vidrados,
nem a tua boca selada,
mas que eu pressenti, como alguém á beira de um cais,
ao ver sair barcos com gente que nos é estranha,
agitando lenços estranhos
alguém que sofre por nada.
Iludimos a vida, amigo!
E como para ultrapassar as fronteiras
os fossos,
as ironias
bastaria um só olhar!...
Não, estrangeiro! Vamos misturar o sangue dos rios
o abismo dos mapas
fazer qualquer coisa! misturar, misturar.
talharam-nos em redor fossos, limites
e o cerco das fronteiras.
Estrangeiro! Ninguém entendeu, e nem tu, estrangeiro,
que entre nós não existem cordilheiras.
Ficaste de mãos desastradas, indiferentes,
quando a minha vida roçou a tua vida.
De olhos parados, indiferentes,
quando passei a teu lado.
Estrangeiro! Ficou-me esse desperdício de um adeus
que as tuas mãos frias não disseram,
nem os teus olhos vidrados,
nem a tua boca selada,
mas que eu pressenti, como alguém á beira de um cais,
ao ver sair barcos com gente que nos é estranha,
agitando lenços estranhos
alguém que sofre por nada.
Iludimos a vida, amigo!
E como para ultrapassar as fronteiras
os fossos,
as ironias
bastaria um só olhar!...
Não, estrangeiro! Vamos misturar o sangue dos rios
o abismo dos mapas
fazer qualquer coisa! misturar, misturar.
2 632
Angela Santos
Do Livro e do Saber
na Era Comunicacional
Na era da Comunicação
global, do derrube de fronteiras imposto pelas sociedades da informação,
em que o poder prevalecente é o da imagem, coloca-se a questão
de saber que lugar ocupa a palavra escrita e consequentemente o livro,
nas culturas de massificação.
O
acervo de informação à disposição
de uma considerável parte da humanidade, pelo menos da que vive
em sociedades que dispõe de condições que permitem
aos seus cidadãos o acesso aos meios massificados da informação,
não nos pode fazer esquecer que uma outra fatia, não menos
considerável da humanidade, das estepes à Ásia
e ao grande continente africano, permanece analfabeta.
A
universalização e democratização do ensino,
tendo diminuído o fosso entre letrados e iletrados, não
nos conduziu necessariamente a um estágio de maior conhecimento:
a humanidade não se revela mais sábia, apesar de termos
as mais consagradas bibliotecas ao alcance da mão, na comodidade
de nossas casas, os museus mais conceituados do mundo ou os dados mais
recentes da ciência, disponíveis nas redes informáticas
e a que acedemos através de um simples click.
Em
grandes discursos de meras intenções políticas,
os que governam os destinos do mundo elevam suas vozes, tanto em defesa
do ambiente que ao ritmo de poluição a que está
sujeito, acabará sufocando e nós com ele, como da necessidade
de tornar universal o acesso ao conhecimento, e da escola como meio
privilegiado da formação dos indivíduos, portanto
de cidadãos. Educar para a cidadania, implicaria dar de novo
ênfase e importância a determinadas áreas de formação,
que tanto gregos como romanos – para de algum modo apelar a dois dos
grandes pilares de nossa estrutura civilizacional – sublinhavam como
as traves-mestras do edifício educacional do habitante da "polis".
As áreas de formação cívica, ao longo das
ultimas décadas foram sendo despromovidas em favor das áreas
tecnológicas e cientificas, sem sombra de dúvida caminhos
de evolução e progresso, para a humanidade, mas não
os únicos.
Pensar
que no dealbar do um novo milênio, as manchas de pobreza no planeta
se alargam, que o anafabetismo, não foi irradicado, que os nacionalismos
mais ferozes ainda matam, que a carta magna dos Direitos Universais
do Homem, é letra morta, para milhares de homens, mulheres e
crianças que conhecem a condição infra-humana da
existência, deveriam fazer pensar. Progresso é um
conceito que nos traz à memória um processo de eliminação
da bárbarie, e por todo o planeta há sinais de que ela
tende a crescer e de que os conceitos de progresso e evolução
deveriam ser revistos.
Educar
para a cidadania deveria ser o lema de quem dirige os destinos de um
país, porque é no ensino que se aposta positivamente no
futuro, ou pelo contrário o individamos. Progresso está
intimamente ligado a um outro conceito: EDUCAR!
Porque
falamos de ensino, é pertinaz lembrar que em nossas escolas parece
surgir como um verdadeiro drama as relações quase traumáticas
que uma elevada percentagem de alunos vive com algumas disciplinas,
nomeadamente a matemática e a língua materna. De uma forma
geral as pessoas falam cada vez pior, e a formação de
uma mente racional e lógica também se perde, pelas dificuldades
que enfrentam nossos estudantes.
O
sucesso escolar, e a aquisição do conhecimento, que se
realiza durante a passagem pela escola, ou faculdade, está diretamente
ligado à boa preparação dos docentes, que mais
do que ensinar se deveriam preocupar com a capacidade de incutir o gosto
por aprender e o insucesso escolar liga-se quer a fraca preparação
dos professores como á escolha de um conjunto de matérias
ministradas aos vários níveis do ensino que desmotivam
o aluno pela fraca relação que estabelecem entre a escola
e a vida. Motor por excelência da formação dos indivíduos,
a escola veio gradualmente desvalorizando as disciplinas das áreas
ditas cívicas ou humanistas ao longo das últimas décadas
em favor das tecnologias e áreas cientificas. Desde quando a
ética, o conhecimento, formação do indivíduo
para a cidadania, e formação de um espirito abrangente
e critico sobre o seu meio, se revelou incompatível com o ensino
das ciências? Porquê então a excessiva cientifização
do curriculuns escolares em detrimento da formação humanistica
dos alunos? Exigências de uma sociedade, que deixou de colocar
o Homem no seu centro. A crise de valores de que tanto se fala, poderá,
quem sabe de algum modo explicar-se à luz da questão acabada
de colocar.
Uma
sociedade crescendo em globalização, promovendo métodos
de organização cada vez mais uniformizadores, e contraditoriamente
parecendo dar uma ênfase particular ao indivíduo, vem criando
condições para a produção de um homem-padrão,
essencialmente movido pela idéia de sucesso, que se tornou um
dos ícones endeusados de nossos tempos. Os mídia e os
interesses por si veiculados têm operado "maravilhas" no tocante
a esta questão: o bombardeio diário da falácia
de um mundo de bem-estar ao alcance de todos, a velocidade vertiginosa
a que a informação corre sem permitir uma digestão
crítica das mensagens subliminares, a desvirtualização
da função primeira dos meios de comunicação,
informar, vai-nos transformando em meros receptores passivos e prontos
para a filosofia consumista e as sociedades do "Fast".
Mais
do que servir os públicos e informar, a televisão que
dispõe de um meio de incomensurável poder, quer pelos
públicos que atinge, quer pela influencia que exerce sobre eles,
se parece preocupar mais com os picos de audiências. Neste jogo
do vale tudo, a imagem "shock" vence ao knock-out a palavra,
ou não fosse tão popular, e certamente eficaz, a expressão
corrente: "uma imagem vale por mil palavras". Parece, pois, que os meios
que por excelência poderiam estar ao serviço da informação
e formação dos indivíduos, se encontram enredados
numa lógica de sobrevivência, em que os fins justificam
os meios.
Seria
importante lembrar que nossas sociedades e nossas culturas se ergueram
e mantiveram pela palavra: pela oralidade que durante milhares de anos
foi passando de homem a homem, tribo a tribo os conhecimentos dos mais
velhos, a memória e a História ciosamente guardadas pela
escrita, em pedras, papiros, e papel. A palavra, desde os tempos dos
cidadãos livres helênicos ao "corner speacher" do Hide
Park em Londres, tem sido utensílio de explicitação
do mundo, de expressão livre de idéias, de passagem de
testemunhos e de saber ao longo do tempo.
Sabemos
que o domínio da palavra, a capacidade de "manipular" e concatenar
conceitos é sobremaneira revelador de inteligência e que
a verborreia, o lugar comum que nada traduzem de novo, antes
reproduzem a mesmidade e a uniformização, em si mesmos
são empobrecedores. O fenômeno da globalização
e a atual caraterística das sociedades atuais me parecem estar
contribuindo de forma rápida e decisiva para este estado de coisas.
E
é neste contexto das sociedades "Fast", que vamos perdendo a
capacidade de entender a história que perpassa cada contexto
ou conjuntura temporal, e de ao jeito de Janus, com sua cabeça
bifurcada, encarar o futuro sem deixar de olhar para o passado que nos
explica o presente.
É
um momento único na História da
Na era da Comunicação
global, do derrube de fronteiras imposto pelas sociedades da informação,
em que o poder prevalecente é o da imagem, coloca-se a questão
de saber que lugar ocupa a palavra escrita e consequentemente o livro,
nas culturas de massificação.
O
acervo de informação à disposição
de uma considerável parte da humanidade, pelo menos da que vive
em sociedades que dispõe de condições que permitem
aos seus cidadãos o acesso aos meios massificados da informação,
não nos pode fazer esquecer que uma outra fatia, não menos
considerável da humanidade, das estepes à Ásia
e ao grande continente africano, permanece analfabeta.
A
universalização e democratização do ensino,
tendo diminuído o fosso entre letrados e iletrados, não
nos conduziu necessariamente a um estágio de maior conhecimento:
a humanidade não se revela mais sábia, apesar de termos
as mais consagradas bibliotecas ao alcance da mão, na comodidade
de nossas casas, os museus mais conceituados do mundo ou os dados mais
recentes da ciência, disponíveis nas redes informáticas
e a que acedemos através de um simples click.
Em
grandes discursos de meras intenções políticas,
os que governam os destinos do mundo elevam suas vozes, tanto em defesa
do ambiente que ao ritmo de poluição a que está
sujeito, acabará sufocando e nós com ele, como da necessidade
de tornar universal o acesso ao conhecimento, e da escola como meio
privilegiado da formação dos indivíduos, portanto
de cidadãos. Educar para a cidadania, implicaria dar de novo
ênfase e importância a determinadas áreas de formação,
que tanto gregos como romanos – para de algum modo apelar a dois dos
grandes pilares de nossa estrutura civilizacional – sublinhavam como
as traves-mestras do edifício educacional do habitante da "polis".
As áreas de formação cívica, ao longo das
ultimas décadas foram sendo despromovidas em favor das áreas
tecnológicas e cientificas, sem sombra de dúvida caminhos
de evolução e progresso, para a humanidade, mas não
os únicos.
Pensar
que no dealbar do um novo milênio, as manchas de pobreza no planeta
se alargam, que o anafabetismo, não foi irradicado, que os nacionalismos
mais ferozes ainda matam, que a carta magna dos Direitos Universais
do Homem, é letra morta, para milhares de homens, mulheres e
crianças que conhecem a condição infra-humana da
existência, deveriam fazer pensar. Progresso é um
conceito que nos traz à memória um processo de eliminação
da bárbarie, e por todo o planeta há sinais de que ela
tende a crescer e de que os conceitos de progresso e evolução
deveriam ser revistos.
Educar
para a cidadania deveria ser o lema de quem dirige os destinos de um
país, porque é no ensino que se aposta positivamente no
futuro, ou pelo contrário o individamos. Progresso está
intimamente ligado a um outro conceito: EDUCAR!
Porque
falamos de ensino, é pertinaz lembrar que em nossas escolas parece
surgir como um verdadeiro drama as relações quase traumáticas
que uma elevada percentagem de alunos vive com algumas disciplinas,
nomeadamente a matemática e a língua materna. De uma forma
geral as pessoas falam cada vez pior, e a formação de
uma mente racional e lógica também se perde, pelas dificuldades
que enfrentam nossos estudantes.
O
sucesso escolar, e a aquisição do conhecimento, que se
realiza durante a passagem pela escola, ou faculdade, está diretamente
ligado à boa preparação dos docentes, que mais
do que ensinar se deveriam preocupar com a capacidade de incutir o gosto
por aprender e o insucesso escolar liga-se quer a fraca preparação
dos professores como á escolha de um conjunto de matérias
ministradas aos vários níveis do ensino que desmotivam
o aluno pela fraca relação que estabelecem entre a escola
e a vida. Motor por excelência da formação dos indivíduos,
a escola veio gradualmente desvalorizando as disciplinas das áreas
ditas cívicas ou humanistas ao longo das últimas décadas
em favor das tecnologias e áreas cientificas. Desde quando a
ética, o conhecimento, formação do indivíduo
para a cidadania, e formação de um espirito abrangente
e critico sobre o seu meio, se revelou incompatível com o ensino
das ciências? Porquê então a excessiva cientifização
do curriculuns escolares em detrimento da formação humanistica
dos alunos? Exigências de uma sociedade, que deixou de colocar
o Homem no seu centro. A crise de valores de que tanto se fala, poderá,
quem sabe de algum modo explicar-se à luz da questão acabada
de colocar.
Uma
sociedade crescendo em globalização, promovendo métodos
de organização cada vez mais uniformizadores, e contraditoriamente
parecendo dar uma ênfase particular ao indivíduo, vem criando
condições para a produção de um homem-padrão,
essencialmente movido pela idéia de sucesso, que se tornou um
dos ícones endeusados de nossos tempos. Os mídia e os
interesses por si veiculados têm operado "maravilhas" no tocante
a esta questão: o bombardeio diário da falácia
de um mundo de bem-estar ao alcance de todos, a velocidade vertiginosa
a que a informação corre sem permitir uma digestão
crítica das mensagens subliminares, a desvirtualização
da função primeira dos meios de comunicação,
informar, vai-nos transformando em meros receptores passivos e prontos
para a filosofia consumista e as sociedades do "Fast".
Mais
do que servir os públicos e informar, a televisão que
dispõe de um meio de incomensurável poder, quer pelos
públicos que atinge, quer pela influencia que exerce sobre eles,
se parece preocupar mais com os picos de audiências. Neste jogo
do vale tudo, a imagem "shock" vence ao knock-out a palavra,
ou não fosse tão popular, e certamente eficaz, a expressão
corrente: "uma imagem vale por mil palavras". Parece, pois, que os meios
que por excelência poderiam estar ao serviço da informação
e formação dos indivíduos, se encontram enredados
numa lógica de sobrevivência, em que os fins justificam
os meios.
Seria
importante lembrar que nossas sociedades e nossas culturas se ergueram
e mantiveram pela palavra: pela oralidade que durante milhares de anos
foi passando de homem a homem, tribo a tribo os conhecimentos dos mais
velhos, a memória e a História ciosamente guardadas pela
escrita, em pedras, papiros, e papel. A palavra, desde os tempos dos
cidadãos livres helênicos ao "corner speacher" do Hide
Park em Londres, tem sido utensílio de explicitação
do mundo, de expressão livre de idéias, de passagem de
testemunhos e de saber ao longo do tempo.
Sabemos
que o domínio da palavra, a capacidade de "manipular" e concatenar
conceitos é sobremaneira revelador de inteligência e que
a verborreia, o lugar comum que nada traduzem de novo, antes
reproduzem a mesmidade e a uniformização, em si mesmos
são empobrecedores. O fenômeno da globalização
e a atual caraterística das sociedades atuais me parecem estar
contribuindo de forma rápida e decisiva para este estado de coisas.
E
é neste contexto das sociedades "Fast", que vamos perdendo a
capacidade de entender a história que perpassa cada contexto
ou conjuntura temporal, e de ao jeito de Janus, com sua cabeça
bifurcada, encarar o futuro sem deixar de olhar para o passado que nos
explica o presente.
É
um momento único na História da
732
Angela Santos
Do Livro e do Saber
na Era Comunicacional
Na era da Comunicação
global, do derrube de fronteiras imposto pelas sociedades da informação,
em que o poder prevalecente é o da imagem, coloca-se a questão
de saber que lugar ocupa a palavra escrita e consequentemente o livro,
nas culturas de massificação.
O
acervo de informação à disposição
de uma considerável parte da humanidade, pelo menos da que vive
em sociedades que dispõe de condições que permitem
aos seus cidadãos o acesso aos meios massificados da informação,
não nos pode fazer esquecer que uma outra fatia, não menos
considerável da humanidade, das estepes à Ásia
e ao grande continente africano, permanece analfabeta.
A
universalização e democratização do ensino,
tendo diminuído o fosso entre letrados e iletrados, não
nos conduziu necessariamente a um estágio de maior conhecimento:
a humanidade não se revela mais sábia, apesar de termos
as mais consagradas bibliotecas ao alcance da mão, na comodidade
de nossas casas, os museus mais conceituados do mundo ou os dados mais
recentes da ciência, disponíveis nas redes informáticas
e a que acedemos através de um simples click.
Em
grandes discursos de meras intenções políticas,
os que governam os destinos do mundo elevam suas vozes, tanto em defesa
do ambiente que ao ritmo de poluição a que está
sujeito, acabará sufocando e nós com ele, como da necessidade
de tornar universal o acesso ao conhecimento, e da escola como meio
privilegiado da formação dos indivíduos, portanto
de cidadãos. Educar para a cidadania, implicaria dar de novo
ênfase e importância a determinadas áreas de formação,
que tanto gregos como romanos – para de algum modo apelar a dois dos
grandes pilares de nossa estrutura civilizacional – sublinhavam como
as traves-mestras do edifício educacional do habitante da "polis".
As áreas de formação cívica, ao longo das
ultimas décadas foram sendo despromovidas em favor das áreas
tecnológicas e cientificas, sem sombra de dúvida caminhos
de evolução e progresso, para a humanidade, mas não
os únicos.
Pensar
que no dealbar do um novo milênio, as manchas de pobreza no planeta
se alargam, que o anafabetismo, não foi irradicado, que os nacionalismos
mais ferozes ainda matam, que a carta magna dos Direitos Universais
do Homem, é letra morta, para milhares de homens, mulheres e
crianças que conhecem a condição infra-humana da
existência, deveriam fazer pensar. Progresso é um
conceito que nos traz à memória um processo de eliminação
da bárbarie, e por todo o planeta há sinais de que ela
tende a crescer e de que os conceitos de progresso e evolução
deveriam ser revistos.
Educar
para a cidadania deveria ser o lema de quem dirige os destinos de um
país, porque é no ensino que se aposta positivamente no
futuro, ou pelo contrário o individamos. Progresso está
intimamente ligado a um outro conceito: EDUCAR!
Porque
falamos de ensino, é pertinaz lembrar que em nossas escolas parece
surgir como um verdadeiro drama as relações quase traumáticas
que uma elevada percentagem de alunos vive com algumas disciplinas,
nomeadamente a matemática e a língua materna. De uma forma
geral as pessoas falam cada vez pior, e a formação de
uma mente racional e lógica também se perde, pelas dificuldades
que enfrentam nossos estudantes.
O
sucesso escolar, e a aquisição do conhecimento, que se
realiza durante a passagem pela escola, ou faculdade, está diretamente
ligado à boa preparação dos docentes, que mais
do que ensinar se deveriam preocupar com a capacidade de incutir o gosto
por aprender e o insucesso escolar liga-se quer a fraca preparação
dos professores como á escolha de um conjunto de matérias
ministradas aos vários níveis do ensino que desmotivam
o aluno pela fraca relação que estabelecem entre a escola
e a vida. Motor por excelência da formação dos indivíduos,
a escola veio gradualmente desvalorizando as disciplinas das áreas
ditas cívicas ou humanistas ao longo das últimas décadas
em favor das tecnologias e áreas cientificas. Desde quando a
ética, o conhecimento, formação do indivíduo
para a cidadania, e formação de um espirito abrangente
e critico sobre o seu meio, se revelou incompatível com o ensino
das ciências? Porquê então a excessiva cientifização
do curriculuns escolares em detrimento da formação humanistica
dos alunos? Exigências de uma sociedade, que deixou de colocar
o Homem no seu centro. A crise de valores de que tanto se fala, poderá,
quem sabe de algum modo explicar-se à luz da questão acabada
de colocar.
Uma
sociedade crescendo em globalização, promovendo métodos
de organização cada vez mais uniformizadores, e contraditoriamente
parecendo dar uma ênfase particular ao indivíduo, vem criando
condições para a produção de um homem-padrão,
essencialmente movido pela idéia de sucesso, que se tornou um
dos ícones endeusados de nossos tempos. Os mídia e os
interesses por si veiculados têm operado "maravilhas" no tocante
a esta questão: o bombardeio diário da falácia
de um mundo de bem-estar ao alcance de todos, a velocidade vertiginosa
a que a informação corre sem permitir uma digestão
crítica das mensagens subliminares, a desvirtualização
da função primeira dos meios de comunicação,
informar, vai-nos transformando em meros receptores passivos e prontos
para a filosofia consumista e as sociedades do "Fast".
Mais
do que servir os públicos e informar, a televisão que
dispõe de um meio de incomensurável poder, quer pelos
públicos que atinge, quer pela influencia que exerce sobre eles,
se parece preocupar mais com os picos de audiências. Neste jogo
do vale tudo, a imagem "shock" vence ao knock-out a palavra,
ou não fosse tão popular, e certamente eficaz, a expressão
corrente: "uma imagem vale por mil palavras". Parece, pois, que os meios
que por excelência poderiam estar ao serviço da informação
e formação dos indivíduos, se encontram enredados
numa lógica de sobrevivência, em que os fins justificam
os meios.
Seria
importante lembrar que nossas sociedades e nossas culturas se ergueram
e mantiveram pela palavra: pela oralidade que durante milhares de anos
foi passando de homem a homem, tribo a tribo os conhecimentos dos mais
velhos, a memória e a História ciosamente guardadas pela
escrita, em pedras, papiros, e papel. A palavra, desde os tempos dos
cidadãos livres helênicos ao "corner speacher" do Hide
Park em Londres, tem sido utensílio de explicitação
do mundo, de expressão livre de idéias, de passagem de
testemunhos e de saber ao longo do tempo.
Sabemos
que o domínio da palavra, a capacidade de "manipular" e concatenar
conceitos é sobremaneira revelador de inteligência e que
a verborreia, o lugar comum que nada traduzem de novo, antes
reproduzem a mesmidade e a uniformização, em si mesmos
são empobrecedores. O fenômeno da globalização
e a atual caraterística das sociedades atuais me parecem estar
contribuindo de forma rápida e decisiva para este estado de coisas.
E
é neste contexto das sociedades "Fast", que vamos perdendo a
capacidade de entender a história que perpassa cada contexto
ou conjuntura temporal, e de ao jeito de Janus, com sua cabeça
bifurcada, encarar o futuro sem deixar de olhar para o passado que nos
explica o presente.
É
um momento único na História da
Na era da Comunicação
global, do derrube de fronteiras imposto pelas sociedades da informação,
em que o poder prevalecente é o da imagem, coloca-se a questão
de saber que lugar ocupa a palavra escrita e consequentemente o livro,
nas culturas de massificação.
O
acervo de informação à disposição
de uma considerável parte da humanidade, pelo menos da que vive
em sociedades que dispõe de condições que permitem
aos seus cidadãos o acesso aos meios massificados da informação,
não nos pode fazer esquecer que uma outra fatia, não menos
considerável da humanidade, das estepes à Ásia
e ao grande continente africano, permanece analfabeta.
A
universalização e democratização do ensino,
tendo diminuído o fosso entre letrados e iletrados, não
nos conduziu necessariamente a um estágio de maior conhecimento:
a humanidade não se revela mais sábia, apesar de termos
as mais consagradas bibliotecas ao alcance da mão, na comodidade
de nossas casas, os museus mais conceituados do mundo ou os dados mais
recentes da ciência, disponíveis nas redes informáticas
e a que acedemos através de um simples click.
Em
grandes discursos de meras intenções políticas,
os que governam os destinos do mundo elevam suas vozes, tanto em defesa
do ambiente que ao ritmo de poluição a que está
sujeito, acabará sufocando e nós com ele, como da necessidade
de tornar universal o acesso ao conhecimento, e da escola como meio
privilegiado da formação dos indivíduos, portanto
de cidadãos. Educar para a cidadania, implicaria dar de novo
ênfase e importância a determinadas áreas de formação,
que tanto gregos como romanos – para de algum modo apelar a dois dos
grandes pilares de nossa estrutura civilizacional – sublinhavam como
as traves-mestras do edifício educacional do habitante da "polis".
As áreas de formação cívica, ao longo das
ultimas décadas foram sendo despromovidas em favor das áreas
tecnológicas e cientificas, sem sombra de dúvida caminhos
de evolução e progresso, para a humanidade, mas não
os únicos.
Pensar
que no dealbar do um novo milênio, as manchas de pobreza no planeta
se alargam, que o anafabetismo, não foi irradicado, que os nacionalismos
mais ferozes ainda matam, que a carta magna dos Direitos Universais
do Homem, é letra morta, para milhares de homens, mulheres e
crianças que conhecem a condição infra-humana da
existência, deveriam fazer pensar. Progresso é um
conceito que nos traz à memória um processo de eliminação
da bárbarie, e por todo o planeta há sinais de que ela
tende a crescer e de que os conceitos de progresso e evolução
deveriam ser revistos.
Educar
para a cidadania deveria ser o lema de quem dirige os destinos de um
país, porque é no ensino que se aposta positivamente no
futuro, ou pelo contrário o individamos. Progresso está
intimamente ligado a um outro conceito: EDUCAR!
Porque
falamos de ensino, é pertinaz lembrar que em nossas escolas parece
surgir como um verdadeiro drama as relações quase traumáticas
que uma elevada percentagem de alunos vive com algumas disciplinas,
nomeadamente a matemática e a língua materna. De uma forma
geral as pessoas falam cada vez pior, e a formação de
uma mente racional e lógica também se perde, pelas dificuldades
que enfrentam nossos estudantes.
O
sucesso escolar, e a aquisição do conhecimento, que se
realiza durante a passagem pela escola, ou faculdade, está diretamente
ligado à boa preparação dos docentes, que mais
do que ensinar se deveriam preocupar com a capacidade de incutir o gosto
por aprender e o insucesso escolar liga-se quer a fraca preparação
dos professores como á escolha de um conjunto de matérias
ministradas aos vários níveis do ensino que desmotivam
o aluno pela fraca relação que estabelecem entre a escola
e a vida. Motor por excelência da formação dos indivíduos,
a escola veio gradualmente desvalorizando as disciplinas das áreas
ditas cívicas ou humanistas ao longo das últimas décadas
em favor das tecnologias e áreas cientificas. Desde quando a
ética, o conhecimento, formação do indivíduo
para a cidadania, e formação de um espirito abrangente
e critico sobre o seu meio, se revelou incompatível com o ensino
das ciências? Porquê então a excessiva cientifização
do curriculuns escolares em detrimento da formação humanistica
dos alunos? Exigências de uma sociedade, que deixou de colocar
o Homem no seu centro. A crise de valores de que tanto se fala, poderá,
quem sabe de algum modo explicar-se à luz da questão acabada
de colocar.
Uma
sociedade crescendo em globalização, promovendo métodos
de organização cada vez mais uniformizadores, e contraditoriamente
parecendo dar uma ênfase particular ao indivíduo, vem criando
condições para a produção de um homem-padrão,
essencialmente movido pela idéia de sucesso, que se tornou um
dos ícones endeusados de nossos tempos. Os mídia e os
interesses por si veiculados têm operado "maravilhas" no tocante
a esta questão: o bombardeio diário da falácia
de um mundo de bem-estar ao alcance de todos, a velocidade vertiginosa
a que a informação corre sem permitir uma digestão
crítica das mensagens subliminares, a desvirtualização
da função primeira dos meios de comunicação,
informar, vai-nos transformando em meros receptores passivos e prontos
para a filosofia consumista e as sociedades do "Fast".
Mais
do que servir os públicos e informar, a televisão que
dispõe de um meio de incomensurável poder, quer pelos
públicos que atinge, quer pela influencia que exerce sobre eles,
se parece preocupar mais com os picos de audiências. Neste jogo
do vale tudo, a imagem "shock" vence ao knock-out a palavra,
ou não fosse tão popular, e certamente eficaz, a expressão
corrente: "uma imagem vale por mil palavras". Parece, pois, que os meios
que por excelência poderiam estar ao serviço da informação
e formação dos indivíduos, se encontram enredados
numa lógica de sobrevivência, em que os fins justificam
os meios.
Seria
importante lembrar que nossas sociedades e nossas culturas se ergueram
e mantiveram pela palavra: pela oralidade que durante milhares de anos
foi passando de homem a homem, tribo a tribo os conhecimentos dos mais
velhos, a memória e a História ciosamente guardadas pela
escrita, em pedras, papiros, e papel. A palavra, desde os tempos dos
cidadãos livres helênicos ao "corner speacher" do Hide
Park em Londres, tem sido utensílio de explicitação
do mundo, de expressão livre de idéias, de passagem de
testemunhos e de saber ao longo do tempo.
Sabemos
que o domínio da palavra, a capacidade de "manipular" e concatenar
conceitos é sobremaneira revelador de inteligência e que
a verborreia, o lugar comum que nada traduzem de novo, antes
reproduzem a mesmidade e a uniformização, em si mesmos
são empobrecedores. O fenômeno da globalização
e a atual caraterística das sociedades atuais me parecem estar
contribuindo de forma rápida e decisiva para este estado de coisas.
E
é neste contexto das sociedades "Fast", que vamos perdendo a
capacidade de entender a história que perpassa cada contexto
ou conjuntura temporal, e de ao jeito de Janus, com sua cabeça
bifurcada, encarar o futuro sem deixar de olhar para o passado que nos
explica o presente.
É
um momento único na História da
732