Poemas neste tema
Sociedade e Mundo
Miriam Paglia Costa
O Anjo Vingador
- gosto
de matar pelas costas
é tão bonito!
o menino fala assim ao psicólogo
que conta ao repórter
que conta ao leitor
que todos se horrorizem
o tiro joga o corpo á frente
abertos braços
o quase morto, o morto
cai
súbito vôo em curto abismo
a morte é bela ?
a fala espanta o estudioso
belo é o poder?
a morte assombra
fútil, nas mãos do fútil assassino
mas
entre mitos mais que antigos existe outra moral:
num livro grosso , o livro dos destinos
estaria inscrito eternamente
o encontro do morto e seu carrasco
segundo o rito do fado e da tragédia
a mão que ceifa está sagrada
é outra a ira que executa, grave e dura
relâmpago divino
aqui, no palco das vilezas
horror é fala de meninos.
de matar pelas costas
é tão bonito!
o menino fala assim ao psicólogo
que conta ao repórter
que conta ao leitor
que todos se horrorizem
o tiro joga o corpo á frente
abertos braços
o quase morto, o morto
cai
súbito vôo em curto abismo
a morte é bela ?
a fala espanta o estudioso
belo é o poder?
a morte assombra
fútil, nas mãos do fútil assassino
mas
entre mitos mais que antigos existe outra moral:
num livro grosso , o livro dos destinos
estaria inscrito eternamente
o encontro do morto e seu carrasco
segundo o rito do fado e da tragédia
a mão que ceifa está sagrada
é outra a ira que executa, grave e dura
relâmpago divino
aqui, no palco das vilezas
horror é fala de meninos.
889
Millôr Fernandes
Reflexão sobre Reflexão
Terrível
é o pensar.
Eu penso tanto
E me canso tanto com meu pensamento
Que às vezes penso em não pensar jamais.
Mas isto requer ser bem pensado
Pois se penso demais
Acabo despensando tudo que pensava antes
E se não penso
Fico pensando nisso o tempo todo.
é o pensar.
Eu penso tanto
E me canso tanto com meu pensamento
Que às vezes penso em não pensar jamais.
Mas isto requer ser bem pensado
Pois se penso demais
Acabo despensando tudo que pensava antes
E se não penso
Fico pensando nisso o tempo todo.
2 038
Pedro Tierra
Carandiru: Pavilhão 111
Minha matéria
são os diários.
Nada mais verdadeiro. Objetivo.
E nada mais falso.
Nada mais verdadeiro
na sua falsidade.
Nada mais falso
na sua verdade perecível,
Vendida na banca,
O que me reserva
a verdade do dia seguinte?
A verdade dos aços?
do fogo
cuspido cela adentro?
Ou a verdade da carne
mastigada, sem fuga possível?
A alva verdade dos dentes
dos cães?
Ou a verdade da marcha
dos homens de cinza,
escopeta no gancho do braço,
metralhadoras?
Ou a verdade dos nus?
A verdade da batalha
narrada pelos gatilhos,
ou a desamparada verdade
dos corpos
empilhados
pelos que vão morrer
com tiros na nuca?
Que verdade afinal me apazigua?
autoriza-me a seguir reproduzindo
impotente, os minuciosos gestos diários
- essa forma imperceptível de morte -,
a presumir que apesar de toda ruína
permanecemos todos
inalteradamente humanos?
são os diários.
Nada mais verdadeiro. Objetivo.
E nada mais falso.
Nada mais verdadeiro
na sua falsidade.
Nada mais falso
na sua verdade perecível,
Vendida na banca,
O que me reserva
a verdade do dia seguinte?
A verdade dos aços?
do fogo
cuspido cela adentro?
Ou a verdade da carne
mastigada, sem fuga possível?
A alva verdade dos dentes
dos cães?
Ou a verdade da marcha
dos homens de cinza,
escopeta no gancho do braço,
metralhadoras?
Ou a verdade dos nus?
A verdade da batalha
narrada pelos gatilhos,
ou a desamparada verdade
dos corpos
empilhados
pelos que vão morrer
com tiros na nuca?
Que verdade afinal me apazigua?
autoriza-me a seguir reproduzindo
impotente, os minuciosos gestos diários
- essa forma imperceptível de morte -,
a presumir que apesar de toda ruína
permanecemos todos
inalteradamente humanos?
2 020
Pedro Tierra
Carandiru: Pavilhão 111
Minha matéria
são os diários.
Nada mais verdadeiro. Objetivo.
E nada mais falso.
Nada mais verdadeiro
na sua falsidade.
Nada mais falso
na sua verdade perecível,
Vendida na banca,
O que me reserva
a verdade do dia seguinte?
A verdade dos aços?
do fogo
cuspido cela adentro?
Ou a verdade da carne
mastigada, sem fuga possível?
A alva verdade dos dentes
dos cães?
Ou a verdade da marcha
dos homens de cinza,
escopeta no gancho do braço,
metralhadoras?
Ou a verdade dos nus?
A verdade da batalha
narrada pelos gatilhos,
ou a desamparada verdade
dos corpos
empilhados
pelos que vão morrer
com tiros na nuca?
Que verdade afinal me apazigua?
autoriza-me a seguir reproduzindo
impotente, os minuciosos gestos diários
- essa forma imperceptível de morte -,
a presumir que apesar de toda ruína
permanecemos todos
inalteradamente humanos?
são os diários.
Nada mais verdadeiro. Objetivo.
E nada mais falso.
Nada mais verdadeiro
na sua falsidade.
Nada mais falso
na sua verdade perecível,
Vendida na banca,
O que me reserva
a verdade do dia seguinte?
A verdade dos aços?
do fogo
cuspido cela adentro?
Ou a verdade da carne
mastigada, sem fuga possível?
A alva verdade dos dentes
dos cães?
Ou a verdade da marcha
dos homens de cinza,
escopeta no gancho do braço,
metralhadoras?
Ou a verdade dos nus?
A verdade da batalha
narrada pelos gatilhos,
ou a desamparada verdade
dos corpos
empilhados
pelos que vão morrer
com tiros na nuca?
Que verdade afinal me apazigua?
autoriza-me a seguir reproduzindo
impotente, os minuciosos gestos diários
- essa forma imperceptível de morte -,
a presumir que apesar de toda ruína
permanecemos todos
inalteradamente humanos?
2 020
Pedro Tierra
Carandiru: Pavilhão 111
Minha matéria
são os diários.
Nada mais verdadeiro. Objetivo.
E nada mais falso.
Nada mais verdadeiro
na sua falsidade.
Nada mais falso
na sua verdade perecível,
Vendida na banca,
O que me reserva
a verdade do dia seguinte?
A verdade dos aços?
do fogo
cuspido cela adentro?
Ou a verdade da carne
mastigada, sem fuga possível?
A alva verdade dos dentes
dos cães?
Ou a verdade da marcha
dos homens de cinza,
escopeta no gancho do braço,
metralhadoras?
Ou a verdade dos nus?
A verdade da batalha
narrada pelos gatilhos,
ou a desamparada verdade
dos corpos
empilhados
pelos que vão morrer
com tiros na nuca?
Que verdade afinal me apazigua?
autoriza-me a seguir reproduzindo
impotente, os minuciosos gestos diários
- essa forma imperceptível de morte -,
a presumir que apesar de toda ruína
permanecemos todos
inalteradamente humanos?
são os diários.
Nada mais verdadeiro. Objetivo.
E nada mais falso.
Nada mais verdadeiro
na sua falsidade.
Nada mais falso
na sua verdade perecível,
Vendida na banca,
O que me reserva
a verdade do dia seguinte?
A verdade dos aços?
do fogo
cuspido cela adentro?
Ou a verdade da carne
mastigada, sem fuga possível?
A alva verdade dos dentes
dos cães?
Ou a verdade da marcha
dos homens de cinza,
escopeta no gancho do braço,
metralhadoras?
Ou a verdade dos nus?
A verdade da batalha
narrada pelos gatilhos,
ou a desamparada verdade
dos corpos
empilhados
pelos que vão morrer
com tiros na nuca?
Que verdade afinal me apazigua?
autoriza-me a seguir reproduzindo
impotente, os minuciosos gestos diários
- essa forma imperceptível de morte -,
a presumir que apesar de toda ruína
permanecemos todos
inalteradamente humanos?
2 020
Miriam Paglia Costa
Iniciação à Leitura
meu
primeiro livro
O LIVRO DO BEBÊ
registra em letra de pai
às folhas tantas:
" com pouco menos de seis meses
arrancou a capa da história da raça humana"
a obra, que é de henry thomas
e comigo veio a lume em português
(assim se dizia em 1947)
começa: " foram necessários
quarenta milhões de anos
para que o macaco se transformasse
no homem-macaco"
se soma em soma
cada período aperfeiçoa a arte de matar
da pedrada ao aeroplano
hoje o livro está sem fim
(pouco sobrou do sucessivo manuseio)
nele é guerra mundial em pleno curso
ainda não explodiu a bomba atômica
impossível saber como termina
mas a primeira página também diz:
" o homem é uma criatura estúpida
e seu progresso tem sido muito lento"
graças a deus
o homem
(uma menina)
ainda não podia tudo
só a metáfora de estropiar a raça humana
primeiro livro
O LIVRO DO BEBÊ
registra em letra de pai
às folhas tantas:
" com pouco menos de seis meses
arrancou a capa da história da raça humana"
a obra, que é de henry thomas
e comigo veio a lume em português
(assim se dizia em 1947)
começa: " foram necessários
quarenta milhões de anos
para que o macaco se transformasse
no homem-macaco"
se soma em soma
cada período aperfeiçoa a arte de matar
da pedrada ao aeroplano
hoje o livro está sem fim
(pouco sobrou do sucessivo manuseio)
nele é guerra mundial em pleno curso
ainda não explodiu a bomba atômica
impossível saber como termina
mas a primeira página também diz:
" o homem é uma criatura estúpida
e seu progresso tem sido muito lento"
graças a deus
o homem
(uma menina)
ainda não podia tudo
só a metáfora de estropiar a raça humana
825
Miriam Paglia Costa
Iniciação à Leitura
meu
primeiro livro
O LIVRO DO BEBÊ
registra em letra de pai
às folhas tantas:
" com pouco menos de seis meses
arrancou a capa da história da raça humana"
a obra, que é de henry thomas
e comigo veio a lume em português
(assim se dizia em 1947)
começa: " foram necessários
quarenta milhões de anos
para que o macaco se transformasse
no homem-macaco"
se soma em soma
cada período aperfeiçoa a arte de matar
da pedrada ao aeroplano
hoje o livro está sem fim
(pouco sobrou do sucessivo manuseio)
nele é guerra mundial em pleno curso
ainda não explodiu a bomba atômica
impossível saber como termina
mas a primeira página também diz:
" o homem é uma criatura estúpida
e seu progresso tem sido muito lento"
graças a deus
o homem
(uma menina)
ainda não podia tudo
só a metáfora de estropiar a raça humana
primeiro livro
O LIVRO DO BEBÊ
registra em letra de pai
às folhas tantas:
" com pouco menos de seis meses
arrancou a capa da história da raça humana"
a obra, que é de henry thomas
e comigo veio a lume em português
(assim se dizia em 1947)
começa: " foram necessários
quarenta milhões de anos
para que o macaco se transformasse
no homem-macaco"
se soma em soma
cada período aperfeiçoa a arte de matar
da pedrada ao aeroplano
hoje o livro está sem fim
(pouco sobrou do sucessivo manuseio)
nele é guerra mundial em pleno curso
ainda não explodiu a bomba atômica
impossível saber como termina
mas a primeira página também diz:
" o homem é uma criatura estúpida
e seu progresso tem sido muito lento"
graças a deus
o homem
(uma menina)
ainda não podia tudo
só a metáfora de estropiar a raça humana
825
Miriam Paglia Costa
Iniciação à Leitura
meu
primeiro livro
O LIVRO DO BEBÊ
registra em letra de pai
às folhas tantas:
" com pouco menos de seis meses
arrancou a capa da história da raça humana"
a obra, que é de henry thomas
e comigo veio a lume em português
(assim se dizia em 1947)
começa: " foram necessários
quarenta milhões de anos
para que o macaco se transformasse
no homem-macaco"
se soma em soma
cada período aperfeiçoa a arte de matar
da pedrada ao aeroplano
hoje o livro está sem fim
(pouco sobrou do sucessivo manuseio)
nele é guerra mundial em pleno curso
ainda não explodiu a bomba atômica
impossível saber como termina
mas a primeira página também diz:
" o homem é uma criatura estúpida
e seu progresso tem sido muito lento"
graças a deus
o homem
(uma menina)
ainda não podia tudo
só a metáfora de estropiar a raça humana
primeiro livro
O LIVRO DO BEBÊ
registra em letra de pai
às folhas tantas:
" com pouco menos de seis meses
arrancou a capa da história da raça humana"
a obra, que é de henry thomas
e comigo veio a lume em português
(assim se dizia em 1947)
começa: " foram necessários
quarenta milhões de anos
para que o macaco se transformasse
no homem-macaco"
se soma em soma
cada período aperfeiçoa a arte de matar
da pedrada ao aeroplano
hoje o livro está sem fim
(pouco sobrou do sucessivo manuseio)
nele é guerra mundial em pleno curso
ainda não explodiu a bomba atômica
impossível saber como termina
mas a primeira página também diz:
" o homem é uma criatura estúpida
e seu progresso tem sido muito lento"
graças a deus
o homem
(uma menina)
ainda não podia tudo
só a metáfora de estropiar a raça humana
825
Miriam Paglia Costa
Iniciação à Leitura
meu
primeiro livro
O LIVRO DO BEBÊ
registra em letra de pai
às folhas tantas:
" com pouco menos de seis meses
arrancou a capa da história da raça humana"
a obra, que é de henry thomas
e comigo veio a lume em português
(assim se dizia em 1947)
começa: " foram necessários
quarenta milhões de anos
para que o macaco se transformasse
no homem-macaco"
se soma em soma
cada período aperfeiçoa a arte de matar
da pedrada ao aeroplano
hoje o livro está sem fim
(pouco sobrou do sucessivo manuseio)
nele é guerra mundial em pleno curso
ainda não explodiu a bomba atômica
impossível saber como termina
mas a primeira página também diz:
" o homem é uma criatura estúpida
e seu progresso tem sido muito lento"
graças a deus
o homem
(uma menina)
ainda não podia tudo
só a metáfora de estropiar a raça humana
primeiro livro
O LIVRO DO BEBÊ
registra em letra de pai
às folhas tantas:
" com pouco menos de seis meses
arrancou a capa da história da raça humana"
a obra, que é de henry thomas
e comigo veio a lume em português
(assim se dizia em 1947)
começa: " foram necessários
quarenta milhões de anos
para que o macaco se transformasse
no homem-macaco"
se soma em soma
cada período aperfeiçoa a arte de matar
da pedrada ao aeroplano
hoje o livro está sem fim
(pouco sobrou do sucessivo manuseio)
nele é guerra mundial em pleno curso
ainda não explodiu a bomba atômica
impossível saber como termina
mas a primeira página também diz:
" o homem é uma criatura estúpida
e seu progresso tem sido muito lento"
graças a deus
o homem
(uma menina)
ainda não podia tudo
só a metáfora de estropiar a raça humana
825
Miriam Paglia Costa
Ad Perpetuam Rei
Memoriam
maus
versos e bons planos
faço isso há anos
é chumbo o alfabeto que aprendi
escrevo
tenho todos os dentes
peso até excessivo
adoeço raramente
nasci no brasil
logo, não existo
cólicas líricas seguidas de vômito
salário não paga minha fome
pedem pão, dou verbo
vergonha não rima nem resolve
às vezes desejo o terror
ilusão do justo restaurado
mas quem garante?
se o tapa é a lei da mão
instaura a selva
eu queria ser inocente
maus
versos e bons planos
faço isso há anos
é chumbo o alfabeto que aprendi
escrevo
tenho todos os dentes
peso até excessivo
adoeço raramente
nasci no brasil
logo, não existo
cólicas líricas seguidas de vômito
salário não paga minha fome
pedem pão, dou verbo
vergonha não rima nem resolve
às vezes desejo o terror
ilusão do justo restaurado
mas quem garante?
se o tapa é a lei da mão
instaura a selva
eu queria ser inocente
723
Miriam Paglia Costa
Ad Perpetuam Rei
Memoriam
maus
versos e bons planos
faço isso há anos
é chumbo o alfabeto que aprendi
escrevo
tenho todos os dentes
peso até excessivo
adoeço raramente
nasci no brasil
logo, não existo
cólicas líricas seguidas de vômito
salário não paga minha fome
pedem pão, dou verbo
vergonha não rima nem resolve
às vezes desejo o terror
ilusão do justo restaurado
mas quem garante?
se o tapa é a lei da mão
instaura a selva
eu queria ser inocente
maus
versos e bons planos
faço isso há anos
é chumbo o alfabeto que aprendi
escrevo
tenho todos os dentes
peso até excessivo
adoeço raramente
nasci no brasil
logo, não existo
cólicas líricas seguidas de vômito
salário não paga minha fome
pedem pão, dou verbo
vergonha não rima nem resolve
às vezes desejo o terror
ilusão do justo restaurado
mas quem garante?
se o tapa é a lei da mão
instaura a selva
eu queria ser inocente
723
Miriam Paglia Costa
Ad Perpetuam Rei
Memoriam
maus
versos e bons planos
faço isso há anos
é chumbo o alfabeto que aprendi
escrevo
tenho todos os dentes
peso até excessivo
adoeço raramente
nasci no brasil
logo, não existo
cólicas líricas seguidas de vômito
salário não paga minha fome
pedem pão, dou verbo
vergonha não rima nem resolve
às vezes desejo o terror
ilusão do justo restaurado
mas quem garante?
se o tapa é a lei da mão
instaura a selva
eu queria ser inocente
maus
versos e bons planos
faço isso há anos
é chumbo o alfabeto que aprendi
escrevo
tenho todos os dentes
peso até excessivo
adoeço raramente
nasci no brasil
logo, não existo
cólicas líricas seguidas de vômito
salário não paga minha fome
pedem pão, dou verbo
vergonha não rima nem resolve
às vezes desejo o terror
ilusão do justo restaurado
mas quem garante?
se o tapa é a lei da mão
instaura a selva
eu queria ser inocente
723
Odylo Costa Filho
Soneto da Revisitação
Partamos juntos a rever o rio
onde primeiro o nosso amor nasceu
e acalentando o meu humor sombrio
entre os teus seios amadureceu.
Nasceu tão pleno quanto um sol de estio
mas sobre a dor e a morte ainda cresceu,
embora a prata tenha posto um fio
no teu cabelo, e muitos neste meu.
Vamos em busca de um repouso fundo
que nos envolva de uma leve areia
no banho antigo, em meio aos juçarais.
Que a viagem nos cure deste mundo,
cheia de vozes de teus filhos, cheia
desta alegria de te amar demais.
onde primeiro o nosso amor nasceu
e acalentando o meu humor sombrio
entre os teus seios amadureceu.
Nasceu tão pleno quanto um sol de estio
mas sobre a dor e a morte ainda cresceu,
embora a prata tenha posto um fio
no teu cabelo, e muitos neste meu.
Vamos em busca de um repouso fundo
que nos envolva de uma leve areia
no banho antigo, em meio aos juçarais.
Que a viagem nos cure deste mundo,
cheia de vozes de teus filhos, cheia
desta alegria de te amar demais.
1 076
Miriam Paglia Costa
A Canção dos Insetos
brilha
a redação
eternidade de néon
aprisionados entre cimento e vidro
escrevemos sobre o mundo que anoitece
nada se vê pelas janelas
só reflexo de nossas caras amarelas
jornalistas no aquário
lá longe, tão depressa
nas escadas do teatro
um mendigo troca andrajos
encerra o ato
sem vaia nem aplauso pega o troco
exit
a redação
eternidade de néon
aprisionados entre cimento e vidro
escrevemos sobre o mundo que anoitece
nada se vê pelas janelas
só reflexo de nossas caras amarelas
jornalistas no aquário
lá longe, tão depressa
nas escadas do teatro
um mendigo troca andrajos
encerra o ato
sem vaia nem aplauso pega o troco
exit
822
Miriam Paglia Costa
A Canção dos Insetos
brilha
a redação
eternidade de néon
aprisionados entre cimento e vidro
escrevemos sobre o mundo que anoitece
nada se vê pelas janelas
só reflexo de nossas caras amarelas
jornalistas no aquário
lá longe, tão depressa
nas escadas do teatro
um mendigo troca andrajos
encerra o ato
sem vaia nem aplauso pega o troco
exit
a redação
eternidade de néon
aprisionados entre cimento e vidro
escrevemos sobre o mundo que anoitece
nada se vê pelas janelas
só reflexo de nossas caras amarelas
jornalistas no aquário
lá longe, tão depressa
nas escadas do teatro
um mendigo troca andrajos
encerra o ato
sem vaia nem aplauso pega o troco
exit
822
Miriam Paglia Costa
A Canção dos Insetos
brilha
a redação
eternidade de néon
aprisionados entre cimento e vidro
escrevemos sobre o mundo que anoitece
nada se vê pelas janelas
só reflexo de nossas caras amarelas
jornalistas no aquário
lá longe, tão depressa
nas escadas do teatro
um mendigo troca andrajos
encerra o ato
sem vaia nem aplauso pega o troco
exit
a redação
eternidade de néon
aprisionados entre cimento e vidro
escrevemos sobre o mundo que anoitece
nada se vê pelas janelas
só reflexo de nossas caras amarelas
jornalistas no aquário
lá longe, tão depressa
nas escadas do teatro
um mendigo troca andrajos
encerra o ato
sem vaia nem aplauso pega o troco
exit
822
Miriam Paglia Costa
O Novo Mundo
há cidades que
desde a primeira casa
fermentam
avolumadas em massa
desde a primeira planta
que ainda há de virar casa
planta-se ali
no oco da terra
um pau
palmito que não será só pão, mas caibro
e parede e teto de folhagem
ali onde houve índio e taba
a casa cresce
outra aparece
e logo é centro o confim da vila
e logo o centro não cabe no olho
e
-olha!
eis a cidade
desde a primeira casa
fermentam
avolumadas em massa
desde a primeira planta
que ainda há de virar casa
planta-se ali
no oco da terra
um pau
palmito que não será só pão, mas caibro
e parede e teto de folhagem
ali onde houve índio e taba
a casa cresce
outra aparece
e logo é centro o confim da vila
e logo o centro não cabe no olho
e
-olha!
eis a cidade
942
Nauro Machado
Cosa Mentale
Pode-se
viver de pensar?
Saber-se coisa dentre um corpo
Como animal de pensamento?
Do pó não pode haver nada:
Apenas mãos, do pó nascidas,
No pó se chamam mãos...Ó Nada!
Ó esplendoroso Nada em ti
na luz do ser após nascido
para a grande noite depois:
teu corpo é um quarto mobilado
sobre quem dispo o pensamento
de todas as suas gavetas.
Minha memória te destrói
- prego por prego - nos ferrolhos,
para tirar-te inteira ao dentro.
Pode-se viver de pensar:
a matéria atrapalha tudo
pelo hábito de acabar-se.
viver de pensar?
Saber-se coisa dentre um corpo
Como animal de pensamento?
Do pó não pode haver nada:
Apenas mãos, do pó nascidas,
No pó se chamam mãos...Ó Nada!
Ó esplendoroso Nada em ti
na luz do ser após nascido
para a grande noite depois:
teu corpo é um quarto mobilado
sobre quem dispo o pensamento
de todas as suas gavetas.
Minha memória te destrói
- prego por prego - nos ferrolhos,
para tirar-te inteira ao dentro.
Pode-se viver de pensar:
a matéria atrapalha tudo
pelo hábito de acabar-se.
1 342
Angela Santos
Ausência
Falta-me
O norte
Uma estrela
O caminho
Faltam-me os olhos
Com que me olhe
Falta-me a razão
De saber razões
Falta-me o instante
A mão que rasgue
semeie
Falta-me o quê?
O norte
Uma estrela
O caminho
Faltam-me os olhos
Com que me olhe
Falta-me a razão
De saber razões
Falta-me o instante
A mão que rasgue
semeie
Falta-me o quê?
1 113
Mauricio Segall
Venham admirar
Venham,
venham admirar
o mais recente monumento
neoclássico da civilização ocidental
Não tenham medo nem receio
das alvas chaminés marítimas,
vigilantes sentinelas avançadas
que vomitam os rugidos do boulez electrônico.
Atravessem ousadamente
o happening programado
vasto pátio de milagres,
repleto de artistas amadores,
profissionais do subemprego
(não esqueçam a moedinha, por favor)
e adentrem a queixada
do mais recente dos molochs.
Tranquilizem-se com as criancinhas
virgens, puras e rosadas
armadilhas inocentes
entrevistas nas provetas
dos ascéticos e desinfetados
ateliers de cria-cria-criatividade.
Venham, venham ser moídos
pela recepção glacial toda sorrisos
deglutidos pelas entranhas desnudas
e expelidos pelas peristálticas tripas de vidro
do mais novo monstro sagrado da arte
sorvedouro metálico
das multidões famintas
de verbo e cor
de som e espetáculo.
Transatlântico multicolorido
circo travestido
novo templo de aço
digerindo tecnologicamente
séculos de sensibilidade
e anos de orçamento.
Cultura nuclear instantânea
para os telespectadores
extasiados com a prestidigitação
arquitetônica do futuro
inserida a golpes de fórceps
entre os velhos tetos de paris.
Ah! Que saudades dos Halles
sacrificados no altar da especulação,
cujo imenso buraco desnudo
nos faz chorar a má-fé dos homens.
Centro Beaubourg-Pompidou
fruto da megalomania furiosa,
ditadura da nova moda,
agencia central da arte
igreja dos novos templos
ritual da nova liturgia,
computador maldito
piscando eternamente
anunciando a nova
e duradoura alienação.
venham admirar
o mais recente monumento
neoclássico da civilização ocidental
Não tenham medo nem receio
das alvas chaminés marítimas,
vigilantes sentinelas avançadas
que vomitam os rugidos do boulez electrônico.
Atravessem ousadamente
o happening programado
vasto pátio de milagres,
repleto de artistas amadores,
profissionais do subemprego
(não esqueçam a moedinha, por favor)
e adentrem a queixada
do mais recente dos molochs.
Tranquilizem-se com as criancinhas
virgens, puras e rosadas
armadilhas inocentes
entrevistas nas provetas
dos ascéticos e desinfetados
ateliers de cria-cria-criatividade.
Venham, venham ser moídos
pela recepção glacial toda sorrisos
deglutidos pelas entranhas desnudas
e expelidos pelas peristálticas tripas de vidro
do mais novo monstro sagrado da arte
sorvedouro metálico
das multidões famintas
de verbo e cor
de som e espetáculo.
Transatlântico multicolorido
circo travestido
novo templo de aço
digerindo tecnologicamente
séculos de sensibilidade
e anos de orçamento.
Cultura nuclear instantânea
para os telespectadores
extasiados com a prestidigitação
arquitetônica do futuro
inserida a golpes de fórceps
entre os velhos tetos de paris.
Ah! Que saudades dos Halles
sacrificados no altar da especulação,
cujo imenso buraco desnudo
nos faz chorar a má-fé dos homens.
Centro Beaubourg-Pompidou
fruto da megalomania furiosa,
ditadura da nova moda,
agencia central da arte
igreja dos novos templos
ritual da nova liturgia,
computador maldito
piscando eternamente
anunciando a nova
e duradoura alienação.
826
Mauricio Segall
Venham admirar
Venham,
venham admirar
o mais recente monumento
neoclássico da civilização ocidental
Não tenham medo nem receio
das alvas chaminés marítimas,
vigilantes sentinelas avançadas
que vomitam os rugidos do boulez electrônico.
Atravessem ousadamente
o happening programado
vasto pátio de milagres,
repleto de artistas amadores,
profissionais do subemprego
(não esqueçam a moedinha, por favor)
e adentrem a queixada
do mais recente dos molochs.
Tranquilizem-se com as criancinhas
virgens, puras e rosadas
armadilhas inocentes
entrevistas nas provetas
dos ascéticos e desinfetados
ateliers de cria-cria-criatividade.
Venham, venham ser moídos
pela recepção glacial toda sorrisos
deglutidos pelas entranhas desnudas
e expelidos pelas peristálticas tripas de vidro
do mais novo monstro sagrado da arte
sorvedouro metálico
das multidões famintas
de verbo e cor
de som e espetáculo.
Transatlântico multicolorido
circo travestido
novo templo de aço
digerindo tecnologicamente
séculos de sensibilidade
e anos de orçamento.
Cultura nuclear instantânea
para os telespectadores
extasiados com a prestidigitação
arquitetônica do futuro
inserida a golpes de fórceps
entre os velhos tetos de paris.
Ah! Que saudades dos Halles
sacrificados no altar da especulação,
cujo imenso buraco desnudo
nos faz chorar a má-fé dos homens.
Centro Beaubourg-Pompidou
fruto da megalomania furiosa,
ditadura da nova moda,
agencia central da arte
igreja dos novos templos
ritual da nova liturgia,
computador maldito
piscando eternamente
anunciando a nova
e duradoura alienação.
venham admirar
o mais recente monumento
neoclássico da civilização ocidental
Não tenham medo nem receio
das alvas chaminés marítimas,
vigilantes sentinelas avançadas
que vomitam os rugidos do boulez electrônico.
Atravessem ousadamente
o happening programado
vasto pátio de milagres,
repleto de artistas amadores,
profissionais do subemprego
(não esqueçam a moedinha, por favor)
e adentrem a queixada
do mais recente dos molochs.
Tranquilizem-se com as criancinhas
virgens, puras e rosadas
armadilhas inocentes
entrevistas nas provetas
dos ascéticos e desinfetados
ateliers de cria-cria-criatividade.
Venham, venham ser moídos
pela recepção glacial toda sorrisos
deglutidos pelas entranhas desnudas
e expelidos pelas peristálticas tripas de vidro
do mais novo monstro sagrado da arte
sorvedouro metálico
das multidões famintas
de verbo e cor
de som e espetáculo.
Transatlântico multicolorido
circo travestido
novo templo de aço
digerindo tecnologicamente
séculos de sensibilidade
e anos de orçamento.
Cultura nuclear instantânea
para os telespectadores
extasiados com a prestidigitação
arquitetônica do futuro
inserida a golpes de fórceps
entre os velhos tetos de paris.
Ah! Que saudades dos Halles
sacrificados no altar da especulação,
cujo imenso buraco desnudo
nos faz chorar a má-fé dos homens.
Centro Beaubourg-Pompidou
fruto da megalomania furiosa,
ditadura da nova moda,
agencia central da arte
igreja dos novos templos
ritual da nova liturgia,
computador maldito
piscando eternamente
anunciando a nova
e duradoura alienação.
826
Mauricio Segall
Venham admirar
Venham,
venham admirar
o mais recente monumento
neoclássico da civilização ocidental
Não tenham medo nem receio
das alvas chaminés marítimas,
vigilantes sentinelas avançadas
que vomitam os rugidos do boulez electrônico.
Atravessem ousadamente
o happening programado
vasto pátio de milagres,
repleto de artistas amadores,
profissionais do subemprego
(não esqueçam a moedinha, por favor)
e adentrem a queixada
do mais recente dos molochs.
Tranquilizem-se com as criancinhas
virgens, puras e rosadas
armadilhas inocentes
entrevistas nas provetas
dos ascéticos e desinfetados
ateliers de cria-cria-criatividade.
Venham, venham ser moídos
pela recepção glacial toda sorrisos
deglutidos pelas entranhas desnudas
e expelidos pelas peristálticas tripas de vidro
do mais novo monstro sagrado da arte
sorvedouro metálico
das multidões famintas
de verbo e cor
de som e espetáculo.
Transatlântico multicolorido
circo travestido
novo templo de aço
digerindo tecnologicamente
séculos de sensibilidade
e anos de orçamento.
Cultura nuclear instantânea
para os telespectadores
extasiados com a prestidigitação
arquitetônica do futuro
inserida a golpes de fórceps
entre os velhos tetos de paris.
Ah! Que saudades dos Halles
sacrificados no altar da especulação,
cujo imenso buraco desnudo
nos faz chorar a má-fé dos homens.
Centro Beaubourg-Pompidou
fruto da megalomania furiosa,
ditadura da nova moda,
agencia central da arte
igreja dos novos templos
ritual da nova liturgia,
computador maldito
piscando eternamente
anunciando a nova
e duradoura alienação.
venham admirar
o mais recente monumento
neoclássico da civilização ocidental
Não tenham medo nem receio
das alvas chaminés marítimas,
vigilantes sentinelas avançadas
que vomitam os rugidos do boulez electrônico.
Atravessem ousadamente
o happening programado
vasto pátio de milagres,
repleto de artistas amadores,
profissionais do subemprego
(não esqueçam a moedinha, por favor)
e adentrem a queixada
do mais recente dos molochs.
Tranquilizem-se com as criancinhas
virgens, puras e rosadas
armadilhas inocentes
entrevistas nas provetas
dos ascéticos e desinfetados
ateliers de cria-cria-criatividade.
Venham, venham ser moídos
pela recepção glacial toda sorrisos
deglutidos pelas entranhas desnudas
e expelidos pelas peristálticas tripas de vidro
do mais novo monstro sagrado da arte
sorvedouro metálico
das multidões famintas
de verbo e cor
de som e espetáculo.
Transatlântico multicolorido
circo travestido
novo templo de aço
digerindo tecnologicamente
séculos de sensibilidade
e anos de orçamento.
Cultura nuclear instantânea
para os telespectadores
extasiados com a prestidigitação
arquitetônica do futuro
inserida a golpes de fórceps
entre os velhos tetos de paris.
Ah! Que saudades dos Halles
sacrificados no altar da especulação,
cujo imenso buraco desnudo
nos faz chorar a má-fé dos homens.
Centro Beaubourg-Pompidou
fruto da megalomania furiosa,
ditadura da nova moda,
agencia central da arte
igreja dos novos templos
ritual da nova liturgia,
computador maldito
piscando eternamente
anunciando a nova
e duradoura alienação.
826
Mauricio Segall
Venham admirar
Venham,
venham admirar
o mais recente monumento
neoclássico da civilização ocidental
Não tenham medo nem receio
das alvas chaminés marítimas,
vigilantes sentinelas avançadas
que vomitam os rugidos do boulez electrônico.
Atravessem ousadamente
o happening programado
vasto pátio de milagres,
repleto de artistas amadores,
profissionais do subemprego
(não esqueçam a moedinha, por favor)
e adentrem a queixada
do mais recente dos molochs.
Tranquilizem-se com as criancinhas
virgens, puras e rosadas
armadilhas inocentes
entrevistas nas provetas
dos ascéticos e desinfetados
ateliers de cria-cria-criatividade.
Venham, venham ser moídos
pela recepção glacial toda sorrisos
deglutidos pelas entranhas desnudas
e expelidos pelas peristálticas tripas de vidro
do mais novo monstro sagrado da arte
sorvedouro metálico
das multidões famintas
de verbo e cor
de som e espetáculo.
Transatlântico multicolorido
circo travestido
novo templo de aço
digerindo tecnologicamente
séculos de sensibilidade
e anos de orçamento.
Cultura nuclear instantânea
para os telespectadores
extasiados com a prestidigitação
arquitetônica do futuro
inserida a golpes de fórceps
entre os velhos tetos de paris.
Ah! Que saudades dos Halles
sacrificados no altar da especulação,
cujo imenso buraco desnudo
nos faz chorar a má-fé dos homens.
Centro Beaubourg-Pompidou
fruto da megalomania furiosa,
ditadura da nova moda,
agencia central da arte
igreja dos novos templos
ritual da nova liturgia,
computador maldito
piscando eternamente
anunciando a nova
e duradoura alienação.
venham admirar
o mais recente monumento
neoclássico da civilização ocidental
Não tenham medo nem receio
das alvas chaminés marítimas,
vigilantes sentinelas avançadas
que vomitam os rugidos do boulez electrônico.
Atravessem ousadamente
o happening programado
vasto pátio de milagres,
repleto de artistas amadores,
profissionais do subemprego
(não esqueçam a moedinha, por favor)
e adentrem a queixada
do mais recente dos molochs.
Tranquilizem-se com as criancinhas
virgens, puras e rosadas
armadilhas inocentes
entrevistas nas provetas
dos ascéticos e desinfetados
ateliers de cria-cria-criatividade.
Venham, venham ser moídos
pela recepção glacial toda sorrisos
deglutidos pelas entranhas desnudas
e expelidos pelas peristálticas tripas de vidro
do mais novo monstro sagrado da arte
sorvedouro metálico
das multidões famintas
de verbo e cor
de som e espetáculo.
Transatlântico multicolorido
circo travestido
novo templo de aço
digerindo tecnologicamente
séculos de sensibilidade
e anos de orçamento.
Cultura nuclear instantânea
para os telespectadores
extasiados com a prestidigitação
arquitetônica do futuro
inserida a golpes de fórceps
entre os velhos tetos de paris.
Ah! Que saudades dos Halles
sacrificados no altar da especulação,
cujo imenso buraco desnudo
nos faz chorar a má-fé dos homens.
Centro Beaubourg-Pompidou
fruto da megalomania furiosa,
ditadura da nova moda,
agencia central da arte
igreja dos novos templos
ritual da nova liturgia,
computador maldito
piscando eternamente
anunciando a nova
e duradoura alienação.
826
Mauricio Segall
Venham admirar
Venham,
venham admirar
o mais recente monumento
neoclássico da civilização ocidental
Não tenham medo nem receio
das alvas chaminés marítimas,
vigilantes sentinelas avançadas
que vomitam os rugidos do boulez electrônico.
Atravessem ousadamente
o happening programado
vasto pátio de milagres,
repleto de artistas amadores,
profissionais do subemprego
(não esqueçam a moedinha, por favor)
e adentrem a queixada
do mais recente dos molochs.
Tranquilizem-se com as criancinhas
virgens, puras e rosadas
armadilhas inocentes
entrevistas nas provetas
dos ascéticos e desinfetados
ateliers de cria-cria-criatividade.
Venham, venham ser moídos
pela recepção glacial toda sorrisos
deglutidos pelas entranhas desnudas
e expelidos pelas peristálticas tripas de vidro
do mais novo monstro sagrado da arte
sorvedouro metálico
das multidões famintas
de verbo e cor
de som e espetáculo.
Transatlântico multicolorido
circo travestido
novo templo de aço
digerindo tecnologicamente
séculos de sensibilidade
e anos de orçamento.
Cultura nuclear instantânea
para os telespectadores
extasiados com a prestidigitação
arquitetônica do futuro
inserida a golpes de fórceps
entre os velhos tetos de paris.
Ah! Que saudades dos Halles
sacrificados no altar da especulação,
cujo imenso buraco desnudo
nos faz chorar a má-fé dos homens.
Centro Beaubourg-Pompidou
fruto da megalomania furiosa,
ditadura da nova moda,
agencia central da arte
igreja dos novos templos
ritual da nova liturgia,
computador maldito
piscando eternamente
anunciando a nova
e duradoura alienação.
venham admirar
o mais recente monumento
neoclássico da civilização ocidental
Não tenham medo nem receio
das alvas chaminés marítimas,
vigilantes sentinelas avançadas
que vomitam os rugidos do boulez electrônico.
Atravessem ousadamente
o happening programado
vasto pátio de milagres,
repleto de artistas amadores,
profissionais do subemprego
(não esqueçam a moedinha, por favor)
e adentrem a queixada
do mais recente dos molochs.
Tranquilizem-se com as criancinhas
virgens, puras e rosadas
armadilhas inocentes
entrevistas nas provetas
dos ascéticos e desinfetados
ateliers de cria-cria-criatividade.
Venham, venham ser moídos
pela recepção glacial toda sorrisos
deglutidos pelas entranhas desnudas
e expelidos pelas peristálticas tripas de vidro
do mais novo monstro sagrado da arte
sorvedouro metálico
das multidões famintas
de verbo e cor
de som e espetáculo.
Transatlântico multicolorido
circo travestido
novo templo de aço
digerindo tecnologicamente
séculos de sensibilidade
e anos de orçamento.
Cultura nuclear instantânea
para os telespectadores
extasiados com a prestidigitação
arquitetônica do futuro
inserida a golpes de fórceps
entre os velhos tetos de paris.
Ah! Que saudades dos Halles
sacrificados no altar da especulação,
cujo imenso buraco desnudo
nos faz chorar a má-fé dos homens.
Centro Beaubourg-Pompidou
fruto da megalomania furiosa,
ditadura da nova moda,
agencia central da arte
igreja dos novos templos
ritual da nova liturgia,
computador maldito
piscando eternamente
anunciando a nova
e duradoura alienação.
826