Poemas neste tema
Sociedade e Mundo
Silvaney Paes
Brasil - Portugal
Um Dom
Um Dom de Pedro
Um tal D. Pedro
Num Ipiranga Português
Mais também Tupí na raça
Diziam Gritava
Um Dom
Um Dom de Pedro
Um tal D.Pedro
Mais que Gritava?
Grita Morte
Grito que Libertava
Um Dom
Um Dom de Pedro
Um Tal D. Pedro
Mas morreu?
Não. Só libertara.
Rompeu.
Um Dom
Um Dom de Pedro
Um tal D. Pedro
E Porque Rompeu
E não morreu?
Viu num futuro.
Um Dom
Um Dom de Pedro
Um tal D. Pedro
Mais que achou haver de Novo?
La no Futuro......
Irmãos de Novo.
Um Dom
Um Dom de Pedro
Um D. PEDRO
Um Dom de Pedro
Um tal D. Pedro
Num Ipiranga Português
Mais também Tupí na raça
Diziam Gritava
Um Dom
Um Dom de Pedro
Um tal D.Pedro
Mais que Gritava?
Grita Morte
Grito que Libertava
Um Dom
Um Dom de Pedro
Um Tal D. Pedro
Mas morreu?
Não. Só libertara.
Rompeu.
Um Dom
Um Dom de Pedro
Um tal D. Pedro
E Porque Rompeu
E não morreu?
Viu num futuro.
Um Dom
Um Dom de Pedro
Um tal D. Pedro
Mais que achou haver de Novo?
La no Futuro......
Irmãos de Novo.
Um Dom
Um Dom de Pedro
Um D. PEDRO
947
Silvaney Paes
Brasil - Portugal
Um Dom
Um Dom de Pedro
Um tal D. Pedro
Num Ipiranga Português
Mais também Tupí na raça
Diziam Gritava
Um Dom
Um Dom de Pedro
Um tal D.Pedro
Mais que Gritava?
Grita Morte
Grito que Libertava
Um Dom
Um Dom de Pedro
Um Tal D. Pedro
Mas morreu?
Não. Só libertara.
Rompeu.
Um Dom
Um Dom de Pedro
Um tal D. Pedro
E Porque Rompeu
E não morreu?
Viu num futuro.
Um Dom
Um Dom de Pedro
Um tal D. Pedro
Mais que achou haver de Novo?
La no Futuro......
Irmãos de Novo.
Um Dom
Um Dom de Pedro
Um D. PEDRO
Um Dom de Pedro
Um tal D. Pedro
Num Ipiranga Português
Mais também Tupí na raça
Diziam Gritava
Um Dom
Um Dom de Pedro
Um tal D.Pedro
Mais que Gritava?
Grita Morte
Grito que Libertava
Um Dom
Um Dom de Pedro
Um Tal D. Pedro
Mas morreu?
Não. Só libertara.
Rompeu.
Um Dom
Um Dom de Pedro
Um tal D. Pedro
E Porque Rompeu
E não morreu?
Viu num futuro.
Um Dom
Um Dom de Pedro
Um tal D. Pedro
Mais que achou haver de Novo?
La no Futuro......
Irmãos de Novo.
Um Dom
Um Dom de Pedro
Um D. PEDRO
947
Silvaney Paes
Brasil - Portugal
Um Dom
Um Dom de Pedro
Um tal D. Pedro
Num Ipiranga Português
Mais também Tupí na raça
Diziam Gritava
Um Dom
Um Dom de Pedro
Um tal D.Pedro
Mais que Gritava?
Grita Morte
Grito que Libertava
Um Dom
Um Dom de Pedro
Um Tal D. Pedro
Mas morreu?
Não. Só libertara.
Rompeu.
Um Dom
Um Dom de Pedro
Um tal D. Pedro
E Porque Rompeu
E não morreu?
Viu num futuro.
Um Dom
Um Dom de Pedro
Um tal D. Pedro
Mais que achou haver de Novo?
La no Futuro......
Irmãos de Novo.
Um Dom
Um Dom de Pedro
Um D. PEDRO
Um Dom de Pedro
Um tal D. Pedro
Num Ipiranga Português
Mais também Tupí na raça
Diziam Gritava
Um Dom
Um Dom de Pedro
Um tal D.Pedro
Mais que Gritava?
Grita Morte
Grito que Libertava
Um Dom
Um Dom de Pedro
Um Tal D. Pedro
Mas morreu?
Não. Só libertara.
Rompeu.
Um Dom
Um Dom de Pedro
Um tal D. Pedro
E Porque Rompeu
E não morreu?
Viu num futuro.
Um Dom
Um Dom de Pedro
Um tal D. Pedro
Mais que achou haver de Novo?
La no Futuro......
Irmãos de Novo.
Um Dom
Um Dom de Pedro
Um D. PEDRO
947
André Aquino
Em Construção
Ela anda
pela rua distraída
Não sabe que lá fora está perdida
Que não importa para onde vá
Já não existe mais saída.
Mora com um homem sabido
Que pensa que sabe tudo
Mas também está perdido
Quando ela pergunta, ele fica mudo.
Eles têm um filho de madeira
Para combinar com a mobília da sala
Ele chora porque quer mamadeira
Mas nem todo dia é sexta-feira
Eles têm uma filha de pano
Que corre pela casa o dia inteiro
Mas ela nunca fez parte de nenhum plano
Deveria ter escorrido junto com a água pelo ralo
E depois pelo cano
O amor deles é feito de papel
Ela parece ser inocente
Uma mulher como outra qualquer
Sem passado, sem futuro, vivendo no presente
Distante anos-luz da realidade.
Todos estão sempre cansados
Ele gosta de garotas mais novas
Como todos homens casados
Não se importa em ser ridículo
Querem apenas se sentir longe
Da sua morte e das suas covas.
As páginas continuam a ser viradas
Vidas perdidas e corações partidos
A história não tem fim
Está sempre em construção
pela rua distraída
Não sabe que lá fora está perdida
Que não importa para onde vá
Já não existe mais saída.
Mora com um homem sabido
Que pensa que sabe tudo
Mas também está perdido
Quando ela pergunta, ele fica mudo.
Eles têm um filho de madeira
Para combinar com a mobília da sala
Ele chora porque quer mamadeira
Mas nem todo dia é sexta-feira
Eles têm uma filha de pano
Que corre pela casa o dia inteiro
Mas ela nunca fez parte de nenhum plano
Deveria ter escorrido junto com a água pelo ralo
E depois pelo cano
O amor deles é feito de papel
Ela parece ser inocente
Uma mulher como outra qualquer
Sem passado, sem futuro, vivendo no presente
Distante anos-luz da realidade.
Todos estão sempre cansados
Ele gosta de garotas mais novas
Como todos homens casados
Não se importa em ser ridículo
Querem apenas se sentir longe
Da sua morte e das suas covas.
As páginas continuam a ser viradas
Vidas perdidas e corações partidos
A história não tem fim
Está sempre em construção
439
Sylvio Persivo
Fernando Pessoas
Sendo tantos numa mesma pessoa,
Muitas vezes, não sabia quem era
Ele mesmo. E seu ser, que procurava
Reter o mundo todo em si, era todo
Mundo por ser capaz de sentir
A beleza de todas as coisas. Nem
Mesmo se preocupava em buscar
Razões para os fatos serem como são,
Pois sabia, se alguma coisa sabia,
Que explicar jamais resolve:
É apenas outra forma de ilusão.
E de ilusões se fez tantos, tantos
Que foi muitos, em muitos cantos,
Sendo um só. E vive, apesar de ser pó!
Muitas vezes, não sabia quem era
Ele mesmo. E seu ser, que procurava
Reter o mundo todo em si, era todo
Mundo por ser capaz de sentir
A beleza de todas as coisas. Nem
Mesmo se preocupava em buscar
Razões para os fatos serem como são,
Pois sabia, se alguma coisa sabia,
Que explicar jamais resolve:
É apenas outra forma de ilusão.
E de ilusões se fez tantos, tantos
Que foi muitos, em muitos cantos,
Sendo um só. E vive, apesar de ser pó!
870
Luiz Felipe Coelho
Funcionários do ódio
Chamados
raivosos de aço a convocar multidões
para jardins odiosos
onde genocídios saem dos dicionários
e empilham cadáveres na grama
enquanto os gritos do saque
e as ondas da maldade
respingam sangue distraídos.
Matar
e beber uma cerveja gelada,
matar
e ir dormir um pouco,
matar
e levar brinquedos para os filhos.
O horror da facilidade da morte e da raiva
para espalhar cadáveres homogêneos
tem a profundidade de grandes lagos alpinos
de águas límpidas, azuis, sem vida,
e as frias serras que se vêem ao longe
a carregar pedras, gêlo, vento e delírios arianos,
tem a secura dos grandes desertos a gerar deuses cruéis.
espelhados na dureza dos dias,
e a escrever o genocídio e a guerra santa
nos seus livros sagrados,
mas vai além.
Cambodja? Auschwitz?
Palestina? gueto de Varsóvia?
Ruanda? Bósnia? Soweto?
Assim os vemos e nos acalmamos,
estranhas consoantes e vogais enfileiradas
em distantes mapas,
e nós não somos eles
e nos regozijamos por sermos diferentes.
Mas, será? A distância é aparente,
o nome talvez seja sempre o mesmo
e seria fácil dizê-lo:
é a lógica das limpezas étnicas,
é a certeza dos estados nacionais,
é a manutenção da ordem social,
é o direito à revolução,
é uma única religião verdadeira
e só se diz em uma língua,
e admite apenas um alfabeto,
mas será mesmo?
Seu nome é muito mais que tudo isto,
êle é a densa maldade sem espelho
a falar calmamente
e a matar.
raivosos de aço a convocar multidões
para jardins odiosos
onde genocídios saem dos dicionários
e empilham cadáveres na grama
enquanto os gritos do saque
e as ondas da maldade
respingam sangue distraídos.
Matar
e beber uma cerveja gelada,
matar
e ir dormir um pouco,
matar
e levar brinquedos para os filhos.
O horror da facilidade da morte e da raiva
para espalhar cadáveres homogêneos
tem a profundidade de grandes lagos alpinos
de águas límpidas, azuis, sem vida,
e as frias serras que se vêem ao longe
a carregar pedras, gêlo, vento e delírios arianos,
tem a secura dos grandes desertos a gerar deuses cruéis.
espelhados na dureza dos dias,
e a escrever o genocídio e a guerra santa
nos seus livros sagrados,
mas vai além.
Cambodja? Auschwitz?
Palestina? gueto de Varsóvia?
Ruanda? Bósnia? Soweto?
Assim os vemos e nos acalmamos,
estranhas consoantes e vogais enfileiradas
em distantes mapas,
e nós não somos eles
e nos regozijamos por sermos diferentes.
Mas, será? A distância é aparente,
o nome talvez seja sempre o mesmo
e seria fácil dizê-lo:
é a lógica das limpezas étnicas,
é a certeza dos estados nacionais,
é a manutenção da ordem social,
é o direito à revolução,
é uma única religião verdadeira
e só se diz em uma língua,
e admite apenas um alfabeto,
mas será mesmo?
Seu nome é muito mais que tudo isto,
êle é a densa maldade sem espelho
a falar calmamente
e a matar.
836
Luiz Felipe Coelho
Funcionários do ódio
Chamados
raivosos de aço a convocar multidões
para jardins odiosos
onde genocídios saem dos dicionários
e empilham cadáveres na grama
enquanto os gritos do saque
e as ondas da maldade
respingam sangue distraídos.
Matar
e beber uma cerveja gelada,
matar
e ir dormir um pouco,
matar
e levar brinquedos para os filhos.
O horror da facilidade da morte e da raiva
para espalhar cadáveres homogêneos
tem a profundidade de grandes lagos alpinos
de águas límpidas, azuis, sem vida,
e as frias serras que se vêem ao longe
a carregar pedras, gêlo, vento e delírios arianos,
tem a secura dos grandes desertos a gerar deuses cruéis.
espelhados na dureza dos dias,
e a escrever o genocídio e a guerra santa
nos seus livros sagrados,
mas vai além.
Cambodja? Auschwitz?
Palestina? gueto de Varsóvia?
Ruanda? Bósnia? Soweto?
Assim os vemos e nos acalmamos,
estranhas consoantes e vogais enfileiradas
em distantes mapas,
e nós não somos eles
e nos regozijamos por sermos diferentes.
Mas, será? A distância é aparente,
o nome talvez seja sempre o mesmo
e seria fácil dizê-lo:
é a lógica das limpezas étnicas,
é a certeza dos estados nacionais,
é a manutenção da ordem social,
é o direito à revolução,
é uma única religião verdadeira
e só se diz em uma língua,
e admite apenas um alfabeto,
mas será mesmo?
Seu nome é muito mais que tudo isto,
êle é a densa maldade sem espelho
a falar calmamente
e a matar.
raivosos de aço a convocar multidões
para jardins odiosos
onde genocídios saem dos dicionários
e empilham cadáveres na grama
enquanto os gritos do saque
e as ondas da maldade
respingam sangue distraídos.
Matar
e beber uma cerveja gelada,
matar
e ir dormir um pouco,
matar
e levar brinquedos para os filhos.
O horror da facilidade da morte e da raiva
para espalhar cadáveres homogêneos
tem a profundidade de grandes lagos alpinos
de águas límpidas, azuis, sem vida,
e as frias serras que se vêem ao longe
a carregar pedras, gêlo, vento e delírios arianos,
tem a secura dos grandes desertos a gerar deuses cruéis.
espelhados na dureza dos dias,
e a escrever o genocídio e a guerra santa
nos seus livros sagrados,
mas vai além.
Cambodja? Auschwitz?
Palestina? gueto de Varsóvia?
Ruanda? Bósnia? Soweto?
Assim os vemos e nos acalmamos,
estranhas consoantes e vogais enfileiradas
em distantes mapas,
e nós não somos eles
e nos regozijamos por sermos diferentes.
Mas, será? A distância é aparente,
o nome talvez seja sempre o mesmo
e seria fácil dizê-lo:
é a lógica das limpezas étnicas,
é a certeza dos estados nacionais,
é a manutenção da ordem social,
é o direito à revolução,
é uma única religião verdadeira
e só se diz em uma língua,
e admite apenas um alfabeto,
mas será mesmo?
Seu nome é muito mais que tudo isto,
êle é a densa maldade sem espelho
a falar calmamente
e a matar.
836
Luiz Felipe Coelho
Funcionários do ódio
Chamados
raivosos de aço a convocar multidões
para jardins odiosos
onde genocídios saem dos dicionários
e empilham cadáveres na grama
enquanto os gritos do saque
e as ondas da maldade
respingam sangue distraídos.
Matar
e beber uma cerveja gelada,
matar
e ir dormir um pouco,
matar
e levar brinquedos para os filhos.
O horror da facilidade da morte e da raiva
para espalhar cadáveres homogêneos
tem a profundidade de grandes lagos alpinos
de águas límpidas, azuis, sem vida,
e as frias serras que se vêem ao longe
a carregar pedras, gêlo, vento e delírios arianos,
tem a secura dos grandes desertos a gerar deuses cruéis.
espelhados na dureza dos dias,
e a escrever o genocídio e a guerra santa
nos seus livros sagrados,
mas vai além.
Cambodja? Auschwitz?
Palestina? gueto de Varsóvia?
Ruanda? Bósnia? Soweto?
Assim os vemos e nos acalmamos,
estranhas consoantes e vogais enfileiradas
em distantes mapas,
e nós não somos eles
e nos regozijamos por sermos diferentes.
Mas, será? A distância é aparente,
o nome talvez seja sempre o mesmo
e seria fácil dizê-lo:
é a lógica das limpezas étnicas,
é a certeza dos estados nacionais,
é a manutenção da ordem social,
é o direito à revolução,
é uma única religião verdadeira
e só se diz em uma língua,
e admite apenas um alfabeto,
mas será mesmo?
Seu nome é muito mais que tudo isto,
êle é a densa maldade sem espelho
a falar calmamente
e a matar.
raivosos de aço a convocar multidões
para jardins odiosos
onde genocídios saem dos dicionários
e empilham cadáveres na grama
enquanto os gritos do saque
e as ondas da maldade
respingam sangue distraídos.
Matar
e beber uma cerveja gelada,
matar
e ir dormir um pouco,
matar
e levar brinquedos para os filhos.
O horror da facilidade da morte e da raiva
para espalhar cadáveres homogêneos
tem a profundidade de grandes lagos alpinos
de águas límpidas, azuis, sem vida,
e as frias serras que se vêem ao longe
a carregar pedras, gêlo, vento e delírios arianos,
tem a secura dos grandes desertos a gerar deuses cruéis.
espelhados na dureza dos dias,
e a escrever o genocídio e a guerra santa
nos seus livros sagrados,
mas vai além.
Cambodja? Auschwitz?
Palestina? gueto de Varsóvia?
Ruanda? Bósnia? Soweto?
Assim os vemos e nos acalmamos,
estranhas consoantes e vogais enfileiradas
em distantes mapas,
e nós não somos eles
e nos regozijamos por sermos diferentes.
Mas, será? A distância é aparente,
o nome talvez seja sempre o mesmo
e seria fácil dizê-lo:
é a lógica das limpezas étnicas,
é a certeza dos estados nacionais,
é a manutenção da ordem social,
é o direito à revolução,
é uma única religião verdadeira
e só se diz em uma língua,
e admite apenas um alfabeto,
mas será mesmo?
Seu nome é muito mais que tudo isto,
êle é a densa maldade sem espelho
a falar calmamente
e a matar.
836
Luiz Felipe Coelho
Funcionários do ódio
Chamados
raivosos de aço a convocar multidões
para jardins odiosos
onde genocídios saem dos dicionários
e empilham cadáveres na grama
enquanto os gritos do saque
e as ondas da maldade
respingam sangue distraídos.
Matar
e beber uma cerveja gelada,
matar
e ir dormir um pouco,
matar
e levar brinquedos para os filhos.
O horror da facilidade da morte e da raiva
para espalhar cadáveres homogêneos
tem a profundidade de grandes lagos alpinos
de águas límpidas, azuis, sem vida,
e as frias serras que se vêem ao longe
a carregar pedras, gêlo, vento e delírios arianos,
tem a secura dos grandes desertos a gerar deuses cruéis.
espelhados na dureza dos dias,
e a escrever o genocídio e a guerra santa
nos seus livros sagrados,
mas vai além.
Cambodja? Auschwitz?
Palestina? gueto de Varsóvia?
Ruanda? Bósnia? Soweto?
Assim os vemos e nos acalmamos,
estranhas consoantes e vogais enfileiradas
em distantes mapas,
e nós não somos eles
e nos regozijamos por sermos diferentes.
Mas, será? A distância é aparente,
o nome talvez seja sempre o mesmo
e seria fácil dizê-lo:
é a lógica das limpezas étnicas,
é a certeza dos estados nacionais,
é a manutenção da ordem social,
é o direito à revolução,
é uma única religião verdadeira
e só se diz em uma língua,
e admite apenas um alfabeto,
mas será mesmo?
Seu nome é muito mais que tudo isto,
êle é a densa maldade sem espelho
a falar calmamente
e a matar.
raivosos de aço a convocar multidões
para jardins odiosos
onde genocídios saem dos dicionários
e empilham cadáveres na grama
enquanto os gritos do saque
e as ondas da maldade
respingam sangue distraídos.
Matar
e beber uma cerveja gelada,
matar
e ir dormir um pouco,
matar
e levar brinquedos para os filhos.
O horror da facilidade da morte e da raiva
para espalhar cadáveres homogêneos
tem a profundidade de grandes lagos alpinos
de águas límpidas, azuis, sem vida,
e as frias serras que se vêem ao longe
a carregar pedras, gêlo, vento e delírios arianos,
tem a secura dos grandes desertos a gerar deuses cruéis.
espelhados na dureza dos dias,
e a escrever o genocídio e a guerra santa
nos seus livros sagrados,
mas vai além.
Cambodja? Auschwitz?
Palestina? gueto de Varsóvia?
Ruanda? Bósnia? Soweto?
Assim os vemos e nos acalmamos,
estranhas consoantes e vogais enfileiradas
em distantes mapas,
e nós não somos eles
e nos regozijamos por sermos diferentes.
Mas, será? A distância é aparente,
o nome talvez seja sempre o mesmo
e seria fácil dizê-lo:
é a lógica das limpezas étnicas,
é a certeza dos estados nacionais,
é a manutenção da ordem social,
é o direito à revolução,
é uma única religião verdadeira
e só se diz em uma língua,
e admite apenas um alfabeto,
mas será mesmo?
Seu nome é muito mais que tudo isto,
êle é a densa maldade sem espelho
a falar calmamente
e a matar.
836
Reinaldo Ferreira
Deixai os doidos governar entre comparsas
Deixai os doidos governar entre comparsas!
Deixai-os declamar dos seus balcões
Sobre as praças desertas!
Deixai as frases odiosas que eles disserem,
Como morcegos à luz do Sol,
Atónitas baterem de parede em parede,
Até morrerem no ar
Que as não ouviu
Nem percutiu
À distância da multidão que partiu!
Deixai-os gritar pelos salões vazios,
Eles, os portentosos mais que os mares,
Eles, os caudalosos mais que os rios,
O medo de estar sós
Entre os milhares
De esgares
Reflectidos nos colossais
Cristais
Hílares
Que a sua grandeza lhes sonhou!
Deixai-os declamar dos seus balcões
Sobre as praças desertas!
Deixai as frases odiosas que eles disserem,
Como morcegos à luz do Sol,
Atónitas baterem de parede em parede,
Até morrerem no ar
Que as não ouviu
Nem percutiu
À distância da multidão que partiu!
Deixai-os gritar pelos salões vazios,
Eles, os portentosos mais que os mares,
Eles, os caudalosos mais que os rios,
O medo de estar sós
Entre os milhares
De esgares
Reflectidos nos colossais
Cristais
Hílares
Que a sua grandeza lhes sonhou!
1 644
Reinaldo Ferreira
Deixai os doidos governar entre comparsas
Deixai os doidos governar entre comparsas!
Deixai-os declamar dos seus balcões
Sobre as praças desertas!
Deixai as frases odiosas que eles disserem,
Como morcegos à luz do Sol,
Atónitas baterem de parede em parede,
Até morrerem no ar
Que as não ouviu
Nem percutiu
À distância da multidão que partiu!
Deixai-os gritar pelos salões vazios,
Eles, os portentosos mais que os mares,
Eles, os caudalosos mais que os rios,
O medo de estar sós
Entre os milhares
De esgares
Reflectidos nos colossais
Cristais
Hílares
Que a sua grandeza lhes sonhou!
Deixai-os declamar dos seus balcões
Sobre as praças desertas!
Deixai as frases odiosas que eles disserem,
Como morcegos à luz do Sol,
Atónitas baterem de parede em parede,
Até morrerem no ar
Que as não ouviu
Nem percutiu
À distância da multidão que partiu!
Deixai-os gritar pelos salões vazios,
Eles, os portentosos mais que os mares,
Eles, os caudalosos mais que os rios,
O medo de estar sós
Entre os milhares
De esgares
Reflectidos nos colossais
Cristais
Hílares
Que a sua grandeza lhes sonhou!
1 644
Marcelo Ribeiro
Da Tua Casa à Minha
Todas
as casas de portas fechadas
E o caminho enebriante à minha frente
Tão escuras que são as estradas
Que me conduzem novamente
A mansão sombria de minhas discórdias
Poucos são os transeuntes que me aparecem
Vagabundos de lirismo arcaico que se apetecem
Da chama do umbral da noite
Molhando os dedos e apagando a vela trêmula
No sepulcro sacro do castiçal da boêmia
Resgatam temas de valentia
Em que brigavam por lemas de alforria:
Libertar a alma e o corpo
Amar à exaustão e revelia!
Choram por damas perdidas
E rememoram alegres as perdidas damas
Sonham voltar a saborear deliciosas comidas
E depois roncar solenemente
Em não mais que confortáveis e esquecidas camas
O pouco que sonham lhes é muito
E seu canto é somente onírico e mudo
Não atingem aos nossos peitos
Reverberam, quanto muito
À outros corações vagabundos
Há cachorros que lhes lambem
As chagas que os iguais, sim, mortais
Lhes conferiram em encontros informais
Pois para a morte, a fome, o frio e a violência
Não existe formalidade
Basta um terno e gravata
Carro importado e caneta refinada
Para assinar qualquer suja bravata
Esperam por nova chance
Um amor, emprego, sonhos apenas
E antes que a impossível imagem da felicidade se apague
Mais um fino trago de cachaça num só lance
A esquentar corpo, alma e melenas
São estes os únicos seres que avisto
Quando retorno da tua casa
Já que teus olhos ficaram cravados em meu peito
as casas de portas fechadas
E o caminho enebriante à minha frente
Tão escuras que são as estradas
Que me conduzem novamente
A mansão sombria de minhas discórdias
Poucos são os transeuntes que me aparecem
Vagabundos de lirismo arcaico que se apetecem
Da chama do umbral da noite
Molhando os dedos e apagando a vela trêmula
No sepulcro sacro do castiçal da boêmia
Resgatam temas de valentia
Em que brigavam por lemas de alforria:
Libertar a alma e o corpo
Amar à exaustão e revelia!
Choram por damas perdidas
E rememoram alegres as perdidas damas
Sonham voltar a saborear deliciosas comidas
E depois roncar solenemente
Em não mais que confortáveis e esquecidas camas
O pouco que sonham lhes é muito
E seu canto é somente onírico e mudo
Não atingem aos nossos peitos
Reverberam, quanto muito
À outros corações vagabundos
Há cachorros que lhes lambem
As chagas que os iguais, sim, mortais
Lhes conferiram em encontros informais
Pois para a morte, a fome, o frio e a violência
Não existe formalidade
Basta um terno e gravata
Carro importado e caneta refinada
Para assinar qualquer suja bravata
Esperam por nova chance
Um amor, emprego, sonhos apenas
E antes que a impossível imagem da felicidade se apague
Mais um fino trago de cachaça num só lance
A esquentar corpo, alma e melenas
São estes os únicos seres que avisto
Quando retorno da tua casa
Já que teus olhos ficaram cravados em meu peito
889
Lili Gharcia
Boulevard
Compro do mundo uma parte de mim.
A alma é tão comerciável....
Vendo aos homens a vida que me deram.
Multiplicai-me, Senhor!
O social é uma relação de compra e venda
Então vendo meu Milton,
Vendo Chopin,
Meu Bach,
Minha Alegria,
E depois me afogo de culpa por comer no almoço
um pedaço de espírito.
A alma é tão comerciável....
Vendo aos homens a vida que me deram.
Multiplicai-me, Senhor!
O social é uma relação de compra e venda
Então vendo meu Milton,
Vendo Chopin,
Meu Bach,
Minha Alegria,
E depois me afogo de culpa por comer no almoço
um pedaço de espírito.
1 556
Lili Gharcia
Boulevard
Compro do mundo uma parte de mim.
A alma é tão comerciável....
Vendo aos homens a vida que me deram.
Multiplicai-me, Senhor!
O social é uma relação de compra e venda
Então vendo meu Milton,
Vendo Chopin,
Meu Bach,
Minha Alegria,
E depois me afogo de culpa por comer no almoço
um pedaço de espírito.
A alma é tão comerciável....
Vendo aos homens a vida que me deram.
Multiplicai-me, Senhor!
O social é uma relação de compra e venda
Então vendo meu Milton,
Vendo Chopin,
Meu Bach,
Minha Alegria,
E depois me afogo de culpa por comer no almoço
um pedaço de espírito.
1 556
Aníbal Raposo
Fim do Século
Procuramos planícies de entendimento
Encontramos muralhas de distância
Já não sabemos rir
Os músculos da cara contraem-se
Em oportunos esgares a que chamamos riso
Perdemos toda a inocência
Compramos as amizades que interessam
Nos hipermercados das pequenas vaidades
Temos um mar chão
Deixaram-nos tão pobres que não o fruímos
Já não sabemos do cheiro
Do funcho, do incenso e da hortelã
Vendem-nos agora odores engarrafados a preços
astronómicos
O burlão prospera...
O burlado é um tolo com status!
Como poderemos apreciar a singeleza das coisas
Se passamos por elas a duzentos à hora?
Não bebemos a natureza nos espaços abertos
Pagamos para utilizar passadeiras rolantes
Programamos os nossos momentos de amor
E a melodia dos nossos cânticos...
Encontramos muralhas de distância
Já não sabemos rir
Os músculos da cara contraem-se
Em oportunos esgares a que chamamos riso
Perdemos toda a inocência
Compramos as amizades que interessam
Nos hipermercados das pequenas vaidades
Temos um mar chão
Deixaram-nos tão pobres que não o fruímos
Já não sabemos do cheiro
Do funcho, do incenso e da hortelã
Vendem-nos agora odores engarrafados a preços
astronómicos
O burlão prospera...
O burlado é um tolo com status!
Como poderemos apreciar a singeleza das coisas
Se passamos por elas a duzentos à hora?
Não bebemos a natureza nos espaços abertos
Pagamos para utilizar passadeiras rolantes
Programamos os nossos momentos de amor
E a melodia dos nossos cânticos...
830
Aníbal Raposo
Fim do Século
Procuramos planícies de entendimento
Encontramos muralhas de distância
Já não sabemos rir
Os músculos da cara contraem-se
Em oportunos esgares a que chamamos riso
Perdemos toda a inocência
Compramos as amizades que interessam
Nos hipermercados das pequenas vaidades
Temos um mar chão
Deixaram-nos tão pobres que não o fruímos
Já não sabemos do cheiro
Do funcho, do incenso e da hortelã
Vendem-nos agora odores engarrafados a preços
astronómicos
O burlão prospera...
O burlado é um tolo com status!
Como poderemos apreciar a singeleza das coisas
Se passamos por elas a duzentos à hora?
Não bebemos a natureza nos espaços abertos
Pagamos para utilizar passadeiras rolantes
Programamos os nossos momentos de amor
E a melodia dos nossos cânticos...
Encontramos muralhas de distância
Já não sabemos rir
Os músculos da cara contraem-se
Em oportunos esgares a que chamamos riso
Perdemos toda a inocência
Compramos as amizades que interessam
Nos hipermercados das pequenas vaidades
Temos um mar chão
Deixaram-nos tão pobres que não o fruímos
Já não sabemos do cheiro
Do funcho, do incenso e da hortelã
Vendem-nos agora odores engarrafados a preços
astronómicos
O burlão prospera...
O burlado é um tolo com status!
Como poderemos apreciar a singeleza das coisas
Se passamos por elas a duzentos à hora?
Não bebemos a natureza nos espaços abertos
Pagamos para utilizar passadeiras rolantes
Programamos os nossos momentos de amor
E a melodia dos nossos cânticos...
830
Aníbal Raposo
Fim do Século
Procuramos planícies de entendimento
Encontramos muralhas de distância
Já não sabemos rir
Os músculos da cara contraem-se
Em oportunos esgares a que chamamos riso
Perdemos toda a inocência
Compramos as amizades que interessam
Nos hipermercados das pequenas vaidades
Temos um mar chão
Deixaram-nos tão pobres que não o fruímos
Já não sabemos do cheiro
Do funcho, do incenso e da hortelã
Vendem-nos agora odores engarrafados a preços
astronómicos
O burlão prospera...
O burlado é um tolo com status!
Como poderemos apreciar a singeleza das coisas
Se passamos por elas a duzentos à hora?
Não bebemos a natureza nos espaços abertos
Pagamos para utilizar passadeiras rolantes
Programamos os nossos momentos de amor
E a melodia dos nossos cânticos...
Encontramos muralhas de distância
Já não sabemos rir
Os músculos da cara contraem-se
Em oportunos esgares a que chamamos riso
Perdemos toda a inocência
Compramos as amizades que interessam
Nos hipermercados das pequenas vaidades
Temos um mar chão
Deixaram-nos tão pobres que não o fruímos
Já não sabemos do cheiro
Do funcho, do incenso e da hortelã
Vendem-nos agora odores engarrafados a preços
astronómicos
O burlão prospera...
O burlado é um tolo com status!
Como poderemos apreciar a singeleza das coisas
Se passamos por elas a duzentos à hora?
Não bebemos a natureza nos espaços abertos
Pagamos para utilizar passadeiras rolantes
Programamos os nossos momentos de amor
E a melodia dos nossos cânticos...
830
Aníbal Raposo
Fim do Século
Procuramos planícies de entendimento
Encontramos muralhas de distância
Já não sabemos rir
Os músculos da cara contraem-se
Em oportunos esgares a que chamamos riso
Perdemos toda a inocência
Compramos as amizades que interessam
Nos hipermercados das pequenas vaidades
Temos um mar chão
Deixaram-nos tão pobres que não o fruímos
Já não sabemos do cheiro
Do funcho, do incenso e da hortelã
Vendem-nos agora odores engarrafados a preços
astronómicos
O burlão prospera...
O burlado é um tolo com status!
Como poderemos apreciar a singeleza das coisas
Se passamos por elas a duzentos à hora?
Não bebemos a natureza nos espaços abertos
Pagamos para utilizar passadeiras rolantes
Programamos os nossos momentos de amor
E a melodia dos nossos cânticos...
Encontramos muralhas de distância
Já não sabemos rir
Os músculos da cara contraem-se
Em oportunos esgares a que chamamos riso
Perdemos toda a inocência
Compramos as amizades que interessam
Nos hipermercados das pequenas vaidades
Temos um mar chão
Deixaram-nos tão pobres que não o fruímos
Já não sabemos do cheiro
Do funcho, do incenso e da hortelã
Vendem-nos agora odores engarrafados a preços
astronómicos
O burlão prospera...
O burlado é um tolo com status!
Como poderemos apreciar a singeleza das coisas
Se passamos por elas a duzentos à hora?
Não bebemos a natureza nos espaços abertos
Pagamos para utilizar passadeiras rolantes
Programamos os nossos momentos de amor
E a melodia dos nossos cânticos...
830
Marcelo Ribeiro
Do Corpo à Cálida Desgraça
Nudos peitos desnudos
Coxas alvas e ao mundo
Num harém de pecados desmedidos
E profundos
No toque de recorrer de outrora ou
Na galhofa do clicar de um fotógrafo
De leda estirpe e olho fundo
Inocência vendida por vintém
E a pureza que hoje
Sabe-se lá quem ainda a têm
Registradas em retangulares quadros de uma vida
Periódica
Nos desejos de criança sujo à óleo ou graxa
Ou entorpecidos de dinheiro sujo
Que nos proporciona um corpo límpido
De aspirações mortas
Da germinal dobra rósea exposta
Servida em qualquer esquina como uma suja hóstia
Disposta a engordar a confissão
De qualquer trágico beato
E ao padre o sermão
Sermão e raiva reprimida de também
Ele, pároco cético de seu credo
Não ter aproveitado
Em Eva o pecado original
Ou de tê-lo feito
Escondido em regalias seminais
Nos seminários
Nada angelicais
De nossas desgraças
Coxas alvas e ao mundo
Num harém de pecados desmedidos
E profundos
No toque de recorrer de outrora ou
Na galhofa do clicar de um fotógrafo
De leda estirpe e olho fundo
Inocência vendida por vintém
E a pureza que hoje
Sabe-se lá quem ainda a têm
Registradas em retangulares quadros de uma vida
Periódica
Nos desejos de criança sujo à óleo ou graxa
Ou entorpecidos de dinheiro sujo
Que nos proporciona um corpo límpido
De aspirações mortas
Da germinal dobra rósea exposta
Servida em qualquer esquina como uma suja hóstia
Disposta a engordar a confissão
De qualquer trágico beato
E ao padre o sermão
Sermão e raiva reprimida de também
Ele, pároco cético de seu credo
Não ter aproveitado
Em Eva o pecado original
Ou de tê-lo feito
Escondido em regalias seminais
Nos seminários
Nada angelicais
De nossas desgraças
1 008
Marcelo Ribeiro
Do Corpo à Cálida Desgraça
Nudos peitos desnudos
Coxas alvas e ao mundo
Num harém de pecados desmedidos
E profundos
No toque de recorrer de outrora ou
Na galhofa do clicar de um fotógrafo
De leda estirpe e olho fundo
Inocência vendida por vintém
E a pureza que hoje
Sabe-se lá quem ainda a têm
Registradas em retangulares quadros de uma vida
Periódica
Nos desejos de criança sujo à óleo ou graxa
Ou entorpecidos de dinheiro sujo
Que nos proporciona um corpo límpido
De aspirações mortas
Da germinal dobra rósea exposta
Servida em qualquer esquina como uma suja hóstia
Disposta a engordar a confissão
De qualquer trágico beato
E ao padre o sermão
Sermão e raiva reprimida de também
Ele, pároco cético de seu credo
Não ter aproveitado
Em Eva o pecado original
Ou de tê-lo feito
Escondido em regalias seminais
Nos seminários
Nada angelicais
De nossas desgraças
Coxas alvas e ao mundo
Num harém de pecados desmedidos
E profundos
No toque de recorrer de outrora ou
Na galhofa do clicar de um fotógrafo
De leda estirpe e olho fundo
Inocência vendida por vintém
E a pureza que hoje
Sabe-se lá quem ainda a têm
Registradas em retangulares quadros de uma vida
Periódica
Nos desejos de criança sujo à óleo ou graxa
Ou entorpecidos de dinheiro sujo
Que nos proporciona um corpo límpido
De aspirações mortas
Da germinal dobra rósea exposta
Servida em qualquer esquina como uma suja hóstia
Disposta a engordar a confissão
De qualquer trágico beato
E ao padre o sermão
Sermão e raiva reprimida de também
Ele, pároco cético de seu credo
Não ter aproveitado
Em Eva o pecado original
Ou de tê-lo feito
Escondido em regalias seminais
Nos seminários
Nada angelicais
De nossas desgraças
1 008
Reinaldo Ferreira
Haja névoa
Haja névoa!
Dancem os véus na minha alma
(E externos nas luzes próximas,
Que se recusam como estrelas na distância).
Haja névoa!
Paire nela a memória dos maníacos
Sonhando na penumbra dos portais
Assassínios brutais.
Haja, haja névoa!
Aqui e além no mar.
No mar, nos mares, para que todas as viagens,
Para que todos os barcos em todas as paragens,
Na iminência dos naufrágios improváveis
- Improváveis, possíveis -,
Se gastem nos avisos aflitos
Das luzes, dos rádios, dos radares,
Dos gritos
Dos apitos.
Haja, haja névoa...
Desgastem-se os contornos
Das coisas excessivamente conhecidas.
Não haja céu sequer.
Névoa, só névoa!
E eu, nas ruas distorcidas,
Livre e tão leve
Como se fosse eu próprio a névoa
Da noite longa duma existência breve.
Dancem os véus na minha alma
(E externos nas luzes próximas,
Que se recusam como estrelas na distância).
Haja névoa!
Paire nela a memória dos maníacos
Sonhando na penumbra dos portais
Assassínios brutais.
Haja, haja névoa!
Aqui e além no mar.
No mar, nos mares, para que todas as viagens,
Para que todos os barcos em todas as paragens,
Na iminência dos naufrágios improváveis
- Improváveis, possíveis -,
Se gastem nos avisos aflitos
Das luzes, dos rádios, dos radares,
Dos gritos
Dos apitos.
Haja, haja névoa...
Desgastem-se os contornos
Das coisas excessivamente conhecidas.
Não haja céu sequer.
Névoa, só névoa!
E eu, nas ruas distorcidas,
Livre e tão leve
Como se fosse eu próprio a névoa
Da noite longa duma existência breve.
1 931
Luiz Felipe Coelho
Fora da História
Loucos
monumentos de pedra e tijolo
erguidos a deuses cruéis e a reis insanos
guerras inglórias, impérios exaustos
heróis, profetas e santos
todos povoam o passado,
gravemente.
Tudo é lógico, tudo está registrado em pedras, em papéis, em lendas,
explicam guias turísticos e professores de História
enquanto olhamos pela janela.
Os poderosos venceram batalhas, construíram impérios
massacraram, escravizaram, consolidaram reinos,
salvaram seus povos, fizeram palácios, muralhas e estradas,
sua glória final erguida em pirâmides para os mortos,
gigantescos palácios, templos para os deuses que os protegeram.
Os práticos venceram a Natureza drenando pântanos,
lendo os calendários escritos pelas estrêlas,
ensinando o cultivo de plantas,
construindo canais e cidades,
buscando a imortalidade na cura das doenças,
reescrevendo a superfície da Terra.
Os bons e sábios venceram o Mal,
falaram com a voz da santidade,
convertendo milhões com a sua dor e a sua palavra
(quando tudo isto já for vaga memória
e a maldade tiver reconquistado as almas,
poderemos ainda olhar suas estátuas de olhar solene
e seus coloridos vitrais).
Mas, mas, mas
e os apaixonados felizes,
os que faziam loucuras à espera de um olhar,
que não entendiam diferenças
entre noite e dia, entre sonhar e viver,
e sua felicidade, incontáveis gotas de chuva
a se armazenar em secretos lençóis,
onde estão as lembranças de seus feitos?
E os amargurados,
a olhar sem ver as ondas em algum cais,
a beber sem notar um vinho entre estranhos,
e suas lembranças, reflexos do sol no orvalho
que temem perder com o calor do dia,
doloridas farpas infeccionadas que lhes restam,
em que estranhos templos suas memórias repousarão,
que ruínas conhecerão as suas sombras?
Mas a História a êles não registra,
aos que atravessaram o ar com palavras,
suaves promessas eternas,
para que macias mãos pousassem nas suas,
aos que possuíam longos silêncios
que não conseguiam mais carregar,
quadros de tristeza e dor pintados dentro de si
com lágrimas há muito secas.
Não eram poderosos,
não eram práticos,
não eram bons nem sábios,
nada sabemos deles
mas os entendemos
e estes, sim
fizeram tudo.
monumentos de pedra e tijolo
erguidos a deuses cruéis e a reis insanos
guerras inglórias, impérios exaustos
heróis, profetas e santos
todos povoam o passado,
gravemente.
Tudo é lógico, tudo está registrado em pedras, em papéis, em lendas,
explicam guias turísticos e professores de História
enquanto olhamos pela janela.
Os poderosos venceram batalhas, construíram impérios
massacraram, escravizaram, consolidaram reinos,
salvaram seus povos, fizeram palácios, muralhas e estradas,
sua glória final erguida em pirâmides para os mortos,
gigantescos palácios, templos para os deuses que os protegeram.
Os práticos venceram a Natureza drenando pântanos,
lendo os calendários escritos pelas estrêlas,
ensinando o cultivo de plantas,
construindo canais e cidades,
buscando a imortalidade na cura das doenças,
reescrevendo a superfície da Terra.
Os bons e sábios venceram o Mal,
falaram com a voz da santidade,
convertendo milhões com a sua dor e a sua palavra
(quando tudo isto já for vaga memória
e a maldade tiver reconquistado as almas,
poderemos ainda olhar suas estátuas de olhar solene
e seus coloridos vitrais).
Mas, mas, mas
e os apaixonados felizes,
os que faziam loucuras à espera de um olhar,
que não entendiam diferenças
entre noite e dia, entre sonhar e viver,
e sua felicidade, incontáveis gotas de chuva
a se armazenar em secretos lençóis,
onde estão as lembranças de seus feitos?
E os amargurados,
a olhar sem ver as ondas em algum cais,
a beber sem notar um vinho entre estranhos,
e suas lembranças, reflexos do sol no orvalho
que temem perder com o calor do dia,
doloridas farpas infeccionadas que lhes restam,
em que estranhos templos suas memórias repousarão,
que ruínas conhecerão as suas sombras?
Mas a História a êles não registra,
aos que atravessaram o ar com palavras,
suaves promessas eternas,
para que macias mãos pousassem nas suas,
aos que possuíam longos silêncios
que não conseguiam mais carregar,
quadros de tristeza e dor pintados dentro de si
com lágrimas há muito secas.
Não eram poderosos,
não eram práticos,
não eram bons nem sábios,
nada sabemos deles
mas os entendemos
e estes, sim
fizeram tudo.
940
Mariana Ianelli
Reminiscência
Esquecemos
o tema.
Ele fende a madeira, bordando delicado as arestas,
eu trato a colheita debaixo do cordão da aragem.
Nada nos pertence - últimos mandamentos,
o dever e o tédio dos dias,
famílias lendárias, ironia.
Estamos de volta à beira dos mundos
e sob o pano se aquieta a razão
da nossa continuidade secreta.
A geada bate na terra, desatina as séries da fome
e nós não desanimamos.
Todo tempo pela coragem da maior renúncia,
todo tempo de hoje arrancado de falsas glórias.
Ele talha a madeira, aparando com bom jeito as margens,
eu escolho as raízes, separo a polpa da casca.
Alguma diferença estrita em nós
surpreende a imprudência da fuga,
um mistério não comentado,
uma ambição impedida de voltar ao passado
que tínhamos matado no tempo por um golpe de sorte.
Não perguntamos pela mãe deixada na ponta da história.
Assim foi resolvido.
Mortos, quebrados ao meio.
Revemos os exércitos calmos,
a conformação de milhares, o vírus temerário.
E nenhum reconhecimento é nosso,
a cela terrível dos anos, o verbo régio da tradição.
Na tarde isolada do terceiro dia,
nós renascemos do ácido.
o tema.
Ele fende a madeira, bordando delicado as arestas,
eu trato a colheita debaixo do cordão da aragem.
Nada nos pertence - últimos mandamentos,
o dever e o tédio dos dias,
famílias lendárias, ironia.
Estamos de volta à beira dos mundos
e sob o pano se aquieta a razão
da nossa continuidade secreta.
A geada bate na terra, desatina as séries da fome
e nós não desanimamos.
Todo tempo pela coragem da maior renúncia,
todo tempo de hoje arrancado de falsas glórias.
Ele talha a madeira, aparando com bom jeito as margens,
eu escolho as raízes, separo a polpa da casca.
Alguma diferença estrita em nós
surpreende a imprudência da fuga,
um mistério não comentado,
uma ambição impedida de voltar ao passado
que tínhamos matado no tempo por um golpe de sorte.
Não perguntamos pela mãe deixada na ponta da história.
Assim foi resolvido.
Mortos, quebrados ao meio.
Revemos os exércitos calmos,
a conformação de milhares, o vírus temerário.
E nenhum reconhecimento é nosso,
a cela terrível dos anos, o verbo régio da tradição.
Na tarde isolada do terceiro dia,
nós renascemos do ácido.
811
Mariana Ianelli
Reminiscência
Esquecemos
o tema.
Ele fende a madeira, bordando delicado as arestas,
eu trato a colheita debaixo do cordão da aragem.
Nada nos pertence - últimos mandamentos,
o dever e o tédio dos dias,
famílias lendárias, ironia.
Estamos de volta à beira dos mundos
e sob o pano se aquieta a razão
da nossa continuidade secreta.
A geada bate na terra, desatina as séries da fome
e nós não desanimamos.
Todo tempo pela coragem da maior renúncia,
todo tempo de hoje arrancado de falsas glórias.
Ele talha a madeira, aparando com bom jeito as margens,
eu escolho as raízes, separo a polpa da casca.
Alguma diferença estrita em nós
surpreende a imprudência da fuga,
um mistério não comentado,
uma ambição impedida de voltar ao passado
que tínhamos matado no tempo por um golpe de sorte.
Não perguntamos pela mãe deixada na ponta da história.
Assim foi resolvido.
Mortos, quebrados ao meio.
Revemos os exércitos calmos,
a conformação de milhares, o vírus temerário.
E nenhum reconhecimento é nosso,
a cela terrível dos anos, o verbo régio da tradição.
Na tarde isolada do terceiro dia,
nós renascemos do ácido.
o tema.
Ele fende a madeira, bordando delicado as arestas,
eu trato a colheita debaixo do cordão da aragem.
Nada nos pertence - últimos mandamentos,
o dever e o tédio dos dias,
famílias lendárias, ironia.
Estamos de volta à beira dos mundos
e sob o pano se aquieta a razão
da nossa continuidade secreta.
A geada bate na terra, desatina as séries da fome
e nós não desanimamos.
Todo tempo pela coragem da maior renúncia,
todo tempo de hoje arrancado de falsas glórias.
Ele talha a madeira, aparando com bom jeito as margens,
eu escolho as raízes, separo a polpa da casca.
Alguma diferença estrita em nós
surpreende a imprudência da fuga,
um mistério não comentado,
uma ambição impedida de voltar ao passado
que tínhamos matado no tempo por um golpe de sorte.
Não perguntamos pela mãe deixada na ponta da história.
Assim foi resolvido.
Mortos, quebrados ao meio.
Revemos os exércitos calmos,
a conformação de milhares, o vírus temerário.
E nenhum reconhecimento é nosso,
a cela terrível dos anos, o verbo régio da tradição.
Na tarde isolada do terceiro dia,
nós renascemos do ácido.
811