Poemas neste tema
Sociedade e Mundo
Ana Cristina Cesar
Deus na Antecâmera
Mereço(merecemos,
meretrizes)
Perdão(perdoai-nos, patres conscripti)
Socorro (correi, valei-nos, santos perdidos)
Eu quero me livrar desta poesia infecta
beijar mãos sem elos sem tinturas
consciências soltas pelos ventos
desatando o culto das antecedências
sem medo de dedos de dados de dúvidas
em prontidão sangüinária
(sangue e amor se aconchegando
horas atrás de hora)
Eu quero pensar ao apalpar
eu quero dizer ao conviver
eu quero parir ao repartir
Filho
Pai
E
Fogo
DE-LI-BE-RA-MEN-TE
abertos ao tudo inteiro
maiores que o todo nosso
em nós(com a gente) se dando
HOMEM: ACORDA!
meretrizes)
Perdão(perdoai-nos, patres conscripti)
Socorro (correi, valei-nos, santos perdidos)
Eu quero me livrar desta poesia infecta
beijar mãos sem elos sem tinturas
consciências soltas pelos ventos
desatando o culto das antecedências
sem medo de dedos de dados de dúvidas
em prontidão sangüinária
(sangue e amor se aconchegando
horas atrás de hora)
Eu quero pensar ao apalpar
eu quero dizer ao conviver
eu quero parir ao repartir
Filho
Pai
E
Fogo
DE-LI-BE-RA-MEN-TE
abertos ao tudo inteiro
maiores que o todo nosso
em nós(com a gente) se dando
HOMEM: ACORDA!
1 680
Regina Souza Vieira
O Desconhecido, esse Gigante
O prazer
da descoberta
vai além da inteligência
prega peças de espanto
ocupa nosso pensamento
É um prazer gostoso
faz que me sinta grande
penetra neste universo
em que o ego se expande
querendo se conhecer.
Nele ficando imerso
esquecido de seu viver
descobrir é aprender
no novo se conhecer
Nele, se tornando maior
Levado pelo mundo
enigma do desconhecido
O homem se torna gênio
Com o grande parecido.
Tudo pela descoberta
ânsia de ao outro chegar
caminho de se descobrir
Vontade de vivenciar
nessa trilha do encantado
Outros mundos desbravar.
da descoberta
vai além da inteligência
prega peças de espanto
ocupa nosso pensamento
É um prazer gostoso
faz que me sinta grande
penetra neste universo
em que o ego se expande
querendo se conhecer.
Nele ficando imerso
esquecido de seu viver
descobrir é aprender
no novo se conhecer
Nele, se tornando maior
Levado pelo mundo
enigma do desconhecido
O homem se torna gênio
Com o grande parecido.
Tudo pela descoberta
ânsia de ao outro chegar
caminho de se descobrir
Vontade de vivenciar
nessa trilha do encantado
Outros mundos desbravar.
819
Regina Souza Vieira
O Desconhecido, esse Gigante
O prazer
da descoberta
vai além da inteligência
prega peças de espanto
ocupa nosso pensamento
É um prazer gostoso
faz que me sinta grande
penetra neste universo
em que o ego se expande
querendo se conhecer.
Nele ficando imerso
esquecido de seu viver
descobrir é aprender
no novo se conhecer
Nele, se tornando maior
Levado pelo mundo
enigma do desconhecido
O homem se torna gênio
Com o grande parecido.
Tudo pela descoberta
ânsia de ao outro chegar
caminho de se descobrir
Vontade de vivenciar
nessa trilha do encantado
Outros mundos desbravar.
da descoberta
vai além da inteligência
prega peças de espanto
ocupa nosso pensamento
É um prazer gostoso
faz que me sinta grande
penetra neste universo
em que o ego se expande
querendo se conhecer.
Nele ficando imerso
esquecido de seu viver
descobrir é aprender
no novo se conhecer
Nele, se tornando maior
Levado pelo mundo
enigma do desconhecido
O homem se torna gênio
Com o grande parecido.
Tudo pela descoberta
ânsia de ao outro chegar
caminho de se descobrir
Vontade de vivenciar
nessa trilha do encantado
Outros mundos desbravar.
819
Regina Souza Vieira
O Desconhecido, esse Gigante
O prazer
da descoberta
vai além da inteligência
prega peças de espanto
ocupa nosso pensamento
É um prazer gostoso
faz que me sinta grande
penetra neste universo
em que o ego se expande
querendo se conhecer.
Nele ficando imerso
esquecido de seu viver
descobrir é aprender
no novo se conhecer
Nele, se tornando maior
Levado pelo mundo
enigma do desconhecido
O homem se torna gênio
Com o grande parecido.
Tudo pela descoberta
ânsia de ao outro chegar
caminho de se descobrir
Vontade de vivenciar
nessa trilha do encantado
Outros mundos desbravar.
da descoberta
vai além da inteligência
prega peças de espanto
ocupa nosso pensamento
É um prazer gostoso
faz que me sinta grande
penetra neste universo
em que o ego se expande
querendo se conhecer.
Nele ficando imerso
esquecido de seu viver
descobrir é aprender
no novo se conhecer
Nele, se tornando maior
Levado pelo mundo
enigma do desconhecido
O homem se torna gênio
Com o grande parecido.
Tudo pela descoberta
ânsia de ao outro chegar
caminho de se descobrir
Vontade de vivenciar
nessa trilha do encantado
Outros mundos desbravar.
819
Rose M. Martins
Fases da Lua
Morri...
Até então não percebia, mas eu morria a cada dia, gota a gota a sangrar...
Percebi...
Desesperei-me, não sabendo para onde caminhar...
Desisti...
Por um momento, por não me encontrar...
Perdi...
a mim mesma, e de repente estava numa sala a buscar...
Vi...
Alguém chegar, tornando-se cada vez mais importante a me apoiar...
Senti...
Tanta alegria, tanta solidariedade, tudo nada familiar...
Envolvi...
E fui envolvida, num sentimento puro, era só felicidade a brotar...
Vivi...
Tudo intensamente, querendo tocar, saborear, voar...
Venci...
As amarras, tirei a venda dos olhos, e vi um mundo colorido a me esperar...
Sorri...
Você estava de braços abertos, carinhosamente a me amparar...
Corri...
Até o arco-íris dos teus olhos, sentindo o calor de teu sorriso a me
animar...
Retribuí...
Esse abraço maravilhoso, com ânsia, feliz por finalmente te encontrar...
Aprendi...
Que com você é divino conjugar o verbo adorar.
Até então não percebia, mas eu morria a cada dia, gota a gota a sangrar...
Percebi...
Desesperei-me, não sabendo para onde caminhar...
Desisti...
Por um momento, por não me encontrar...
Perdi...
a mim mesma, e de repente estava numa sala a buscar...
Vi...
Alguém chegar, tornando-se cada vez mais importante a me apoiar...
Senti...
Tanta alegria, tanta solidariedade, tudo nada familiar...
Envolvi...
E fui envolvida, num sentimento puro, era só felicidade a brotar...
Vivi...
Tudo intensamente, querendo tocar, saborear, voar...
Venci...
As amarras, tirei a venda dos olhos, e vi um mundo colorido a me esperar...
Sorri...
Você estava de braços abertos, carinhosamente a me amparar...
Corri...
Até o arco-íris dos teus olhos, sentindo o calor de teu sorriso a me
animar...
Retribuí...
Esse abraço maravilhoso, com ânsia, feliz por finalmente te encontrar...
Aprendi...
Que com você é divino conjugar o verbo adorar.
422
Regina Souza Vieira
Luanda
Aqui reside tudo
E todos
Germinam as raízes todas
Aqui está cada um dos braços e dos rostos
Dum só corpo que anda sobre o vento
Navega os céus e toda a geografia
Desde a minha aldeia e do meu povo
Desce o campo refugia-se na cidade
Das ruínas às pontes de margens ansiosas
Tarda o abraço
Demora o dia das horas sucessivas
Sem paragem
No tempo de memórias tristes
Aqui estamos e estaremos
Porque somos
Mais do que pó e húmus
Unida essência dum jardim de vida
Morremos várias vezes no percurso
Mas seremos sempre
Capazes de chegar
à vida
Porque somos todos, somos um
Em cada um
Dos pontos cardeais
Deste país.
E todos
Germinam as raízes todas
Aqui está cada um dos braços e dos rostos
Dum só corpo que anda sobre o vento
Navega os céus e toda a geografia
Desde a minha aldeia e do meu povo
Desce o campo refugia-se na cidade
Das ruínas às pontes de margens ansiosas
Tarda o abraço
Demora o dia das horas sucessivas
Sem paragem
No tempo de memórias tristes
Aqui estamos e estaremos
Porque somos
Mais do que pó e húmus
Unida essência dum jardim de vida
Morremos várias vezes no percurso
Mas seremos sempre
Capazes de chegar
à vida
Porque somos todos, somos um
Em cada um
Dos pontos cardeais
Deste país.
789
Regina Souza Vieira
Luanda
Aqui reside tudo
E todos
Germinam as raízes todas
Aqui está cada um dos braços e dos rostos
Dum só corpo que anda sobre o vento
Navega os céus e toda a geografia
Desde a minha aldeia e do meu povo
Desce o campo refugia-se na cidade
Das ruínas às pontes de margens ansiosas
Tarda o abraço
Demora o dia das horas sucessivas
Sem paragem
No tempo de memórias tristes
Aqui estamos e estaremos
Porque somos
Mais do que pó e húmus
Unida essência dum jardim de vida
Morremos várias vezes no percurso
Mas seremos sempre
Capazes de chegar
à vida
Porque somos todos, somos um
Em cada um
Dos pontos cardeais
Deste país.
E todos
Germinam as raízes todas
Aqui está cada um dos braços e dos rostos
Dum só corpo que anda sobre o vento
Navega os céus e toda a geografia
Desde a minha aldeia e do meu povo
Desce o campo refugia-se na cidade
Das ruínas às pontes de margens ansiosas
Tarda o abraço
Demora o dia das horas sucessivas
Sem paragem
No tempo de memórias tristes
Aqui estamos e estaremos
Porque somos
Mais do que pó e húmus
Unida essência dum jardim de vida
Morremos várias vezes no percurso
Mas seremos sempre
Capazes de chegar
à vida
Porque somos todos, somos um
Em cada um
Dos pontos cardeais
Deste país.
789
Jorge Viegas
Pretérito Social
Mentes
civilizadas de ideais diluídos
Na muralha do vil metal dourado
Criaram o banquete perfumado
Para alimentar os sentidos fluidos.
Apareceu sonhadora
Na tela pintada de azul
Onde o vento do sul
Abriu a linha reveladora.
Pinceladas de contrastes verticais
Brilham na melodia da madrugada
E no esplendor da grinalda aprumada
Reluzem lembranças superficiais.
Embriagantes desejos estilizados
De seios transparentes
Descem como sentidos mecanizados
Por entre sombras aparentes.
Simples força inventada
Alimenta o sonho da tendência
Que vê na transparência
A nudez da criação futurista.
civilizadas de ideais diluídos
Na muralha do vil metal dourado
Criaram o banquete perfumado
Para alimentar os sentidos fluidos.
Apareceu sonhadora
Na tela pintada de azul
Onde o vento do sul
Abriu a linha reveladora.
Pinceladas de contrastes verticais
Brilham na melodia da madrugada
E no esplendor da grinalda aprumada
Reluzem lembranças superficiais.
Embriagantes desejos estilizados
De seios transparentes
Descem como sentidos mecanizados
Por entre sombras aparentes.
Simples força inventada
Alimenta o sonho da tendência
Que vê na transparência
A nudez da criação futurista.
1 008
Regina Souza Vieira
NJINGA
Com três palavras granito
Componho o teu poema
Força de penedo
Vontade do silex
Diplomacia rochosa
Do teu reinado
Entre o sólido magma
Defendias sem sabê-lo
Um quadrado imenso
De águas diamantinas
Areias vivas dispersas
Abismos de petróleo ensolarado
E povos
Povos verdes de futuro
Um só azul o berço
Em teu robusto colo
Veludo negro
Mulher de pedra eterna.
Componho o teu poema
Força de penedo
Vontade do silex
Diplomacia rochosa
Do teu reinado
Entre o sólido magma
Defendias sem sabê-lo
Um quadrado imenso
De águas diamantinas
Areias vivas dispersas
Abismos de petróleo ensolarado
E povos
Povos verdes de futuro
Um só azul o berço
Em teu robusto colo
Veludo negro
Mulher de pedra eterna.
844
Jorge Viegas
Estrada do Silêncio
Apalpo os
passos que dou lentamente...
vergado,
ando pelas ruas,
rasgando o chão de pedras nuas,
humilhado,
à procura de um sinal ardente.
Vai o sol poente encontrar-me
à beira mar deitado.
No meu peito,
vulcões de sangue quente
desfazem as imagens da mente.
Apetece-me rasgar o silêncio estúpido
fazer das tiras, uma longa trança de desejo
e banhá-la no sangue translúcido
que escorre pela face escondida.
Apetece-me desfazer palavras
tornando-as insignificantes no deslocamento do tempo,
quebrar silabas, dando movimento
ao ardor alojado no peito.
Arrancar os segundos ao tempo,
destruindo a monotonia do saber.
Arrancar os ponteiros do contratempo..
não continuar a sofrer.
passos que dou lentamente...
vergado,
ando pelas ruas,
rasgando o chão de pedras nuas,
humilhado,
à procura de um sinal ardente.
Vai o sol poente encontrar-me
à beira mar deitado.
No meu peito,
vulcões de sangue quente
desfazem as imagens da mente.
Apetece-me rasgar o silêncio estúpido
fazer das tiras, uma longa trança de desejo
e banhá-la no sangue translúcido
que escorre pela face escondida.
Apetece-me desfazer palavras
tornando-as insignificantes no deslocamento do tempo,
quebrar silabas, dando movimento
ao ardor alojado no peito.
Arrancar os segundos ao tempo,
destruindo a monotonia do saber.
Arrancar os ponteiros do contratempo..
não continuar a sofrer.
1 259
Terezinha Rezende Moreira
Semear
Semeia,
o que importa é semear
pouco, muito, tudo,
a semente da esperança.
Semeia
tuas energias para poderes
enfrentar as lutas
Semeia tua coragem
para poderes encorajar
o outro.
Semeia teu entusiasmo,
tua fé, o teu amor.
Semeia coisas pequeninas,
Insignificantes
semeia e confia
Cada semente
há de enriquecer,
um pedaço de chão.
o que importa é semear
pouco, muito, tudo,
a semente da esperança.
Semeia
tuas energias para poderes
enfrentar as lutas
Semeia tua coragem
para poderes encorajar
o outro.
Semeia teu entusiasmo,
tua fé, o teu amor.
Semeia coisas pequeninas,
Insignificantes
semeia e confia
Cada semente
há de enriquecer,
um pedaço de chão.
2 496
Silvaney Paes
Pássaros Presos
Chorarei
por ti meninas,
Pássaros presos nas matas.
Lamentarei por mim meninas,
Sou a que mata,
Fria águia.
Chorarei por ti meninas,
Ratos revirando as latas.
Lamentarei por mim meninas,
Sou a Gata,
A que caça nas latas.
Chorarei por ti meninas,
Prostitutas das praças.
Lamentarei por mim meninas,
Sou muitas praças,
Aquela que paga.
Chorarei por ti meninas,
Escravas de suas casas.
Lamentarei por mim meninas,
Sou a dona da casa,
Senhora de Escravas.
Chorarei por ti meninas,
Mais só chorarei.
Diante de ti sou Fraca,
Sociedade Parca,
Sou vossa Mãe Pátria.
por ti meninas,
Pássaros presos nas matas.
Lamentarei por mim meninas,
Sou a que mata,
Fria águia.
Chorarei por ti meninas,
Ratos revirando as latas.
Lamentarei por mim meninas,
Sou a Gata,
A que caça nas latas.
Chorarei por ti meninas,
Prostitutas das praças.
Lamentarei por mim meninas,
Sou muitas praças,
Aquela que paga.
Chorarei por ti meninas,
Escravas de suas casas.
Lamentarei por mim meninas,
Sou a dona da casa,
Senhora de Escravas.
Chorarei por ti meninas,
Mais só chorarei.
Diante de ti sou Fraca,
Sociedade Parca,
Sou vossa Mãe Pátria.
1 088
Silvaney Paes
Pássaros Presos
Chorarei
por ti meninas,
Pássaros presos nas matas.
Lamentarei por mim meninas,
Sou a que mata,
Fria águia.
Chorarei por ti meninas,
Ratos revirando as latas.
Lamentarei por mim meninas,
Sou a Gata,
A que caça nas latas.
Chorarei por ti meninas,
Prostitutas das praças.
Lamentarei por mim meninas,
Sou muitas praças,
Aquela que paga.
Chorarei por ti meninas,
Escravas de suas casas.
Lamentarei por mim meninas,
Sou a dona da casa,
Senhora de Escravas.
Chorarei por ti meninas,
Mais só chorarei.
Diante de ti sou Fraca,
Sociedade Parca,
Sou vossa Mãe Pátria.
por ti meninas,
Pássaros presos nas matas.
Lamentarei por mim meninas,
Sou a que mata,
Fria águia.
Chorarei por ti meninas,
Ratos revirando as latas.
Lamentarei por mim meninas,
Sou a Gata,
A que caça nas latas.
Chorarei por ti meninas,
Prostitutas das praças.
Lamentarei por mim meninas,
Sou muitas praças,
Aquela que paga.
Chorarei por ti meninas,
Escravas de suas casas.
Lamentarei por mim meninas,
Sou a dona da casa,
Senhora de Escravas.
Chorarei por ti meninas,
Mais só chorarei.
Diante de ti sou Fraca,
Sociedade Parca,
Sou vossa Mãe Pátria.
1 088
Silvaney Paes
Pássaros Presos
Chorarei
por ti meninas,
Pássaros presos nas matas.
Lamentarei por mim meninas,
Sou a que mata,
Fria águia.
Chorarei por ti meninas,
Ratos revirando as latas.
Lamentarei por mim meninas,
Sou a Gata,
A que caça nas latas.
Chorarei por ti meninas,
Prostitutas das praças.
Lamentarei por mim meninas,
Sou muitas praças,
Aquela que paga.
Chorarei por ti meninas,
Escravas de suas casas.
Lamentarei por mim meninas,
Sou a dona da casa,
Senhora de Escravas.
Chorarei por ti meninas,
Mais só chorarei.
Diante de ti sou Fraca,
Sociedade Parca,
Sou vossa Mãe Pátria.
por ti meninas,
Pássaros presos nas matas.
Lamentarei por mim meninas,
Sou a que mata,
Fria águia.
Chorarei por ti meninas,
Ratos revirando as latas.
Lamentarei por mim meninas,
Sou a Gata,
A que caça nas latas.
Chorarei por ti meninas,
Prostitutas das praças.
Lamentarei por mim meninas,
Sou muitas praças,
Aquela que paga.
Chorarei por ti meninas,
Escravas de suas casas.
Lamentarei por mim meninas,
Sou a dona da casa,
Senhora de Escravas.
Chorarei por ti meninas,
Mais só chorarei.
Diante de ti sou Fraca,
Sociedade Parca,
Sou vossa Mãe Pátria.
1 088
Silvaney Paes
Psiu Disse o Verbo
A mulher,
voltada para o Altíssimo,
sorvia luz, e clamava:
Responde-me Verbo!
Mas o que seja O Verbo, era silêncio.
Era desocultação
a mulher,
e também dúvidas.
Nada lhe dizia O Verbo!
Mas o que seja O Verbo, era silêncio.
Vai-se O Altíssimo.
a mulher divaga,
chora e grita.
Abandonou-me Verbo?
Mais o que seja O Verbo, era silêncio.
Retorna O Verbo,
trás consigo um menino.
Pensa a mulher:
Não é tão grande O Verbo!
Mas o que seja O Verbo, era silêncio.
Deposita ali o menino,
faminto, entristecido,
e parte
parecendo órfão de Verbo!
Mas o que seja O Verbo, era silêncio.
Escuta a mulher,
algo frágil, baixo.
não tem voz de trovão,
não parece ser O Verbo!
Mas o que seja O Verbo, era silêncio.
Psiu...Psiu,
diz o menino:
tenho fome, frio...
É tu O Verbo?
Mas o que seja O Verbo, era silêncio.
A Mulher
olha sob o nariz,
acolhe o menino,
sentindo-se Verbo.
Mas o que seja O Verbo, era silêncio.
Psiu...Psiu...
era tudo o que falava
o silêncio
do que seja O Verbo.
Mas o que seja O Verbo, era silêncio!
Agora a mulher,
o menino,
eram o silêncio do Verbo.
Sabiam!...
Todos nós somos O Verbo.
voltada para o Altíssimo,
sorvia luz, e clamava:
Responde-me Verbo!
Mas o que seja O Verbo, era silêncio.
Era desocultação
a mulher,
e também dúvidas.
Nada lhe dizia O Verbo!
Mas o que seja O Verbo, era silêncio.
Vai-se O Altíssimo.
a mulher divaga,
chora e grita.
Abandonou-me Verbo?
Mais o que seja O Verbo, era silêncio.
Retorna O Verbo,
trás consigo um menino.
Pensa a mulher:
Não é tão grande O Verbo!
Mas o que seja O Verbo, era silêncio.
Deposita ali o menino,
faminto, entristecido,
e parte
parecendo órfão de Verbo!
Mas o que seja O Verbo, era silêncio.
Escuta a mulher,
algo frágil, baixo.
não tem voz de trovão,
não parece ser O Verbo!
Mas o que seja O Verbo, era silêncio.
Psiu...Psiu,
diz o menino:
tenho fome, frio...
É tu O Verbo?
Mas o que seja O Verbo, era silêncio.
A Mulher
olha sob o nariz,
acolhe o menino,
sentindo-se Verbo.
Mas o que seja O Verbo, era silêncio.
Psiu...Psiu...
era tudo o que falava
o silêncio
do que seja O Verbo.
Mas o que seja O Verbo, era silêncio!
Agora a mulher,
o menino,
eram o silêncio do Verbo.
Sabiam!...
Todos nós somos O Verbo.
1 153
Silvaney Paes
Desculpas
De uma
Flor do Lácio
Que de Bilac foi bela
De TI e de VÓS inculta era
Em meu poema feito de pressa.
De uma língua Linda e singela
Em que Camões, somente expressa.
Esplendida, bela, por mim impura.
Em meu poema feito de pressa
De muito ouvir a voz materna
Amou Drummond tão rude e bela
Mais que de mim desconhecida, fera.
Em um poema feito de pressa.
De esplendor e sepultura
Fui com Ti amada, injusta.
Mais não VÓS nega o amor e a ternura
Em meu poema feito de pressa
Flor do Lácio
Que de Bilac foi bela
De TI e de VÓS inculta era
Em meu poema feito de pressa.
De uma língua Linda e singela
Em que Camões, somente expressa.
Esplendida, bela, por mim impura.
Em meu poema feito de pressa
De muito ouvir a voz materna
Amou Drummond tão rude e bela
Mais que de mim desconhecida, fera.
Em um poema feito de pressa.
De esplendor e sepultura
Fui com Ti amada, injusta.
Mais não VÓS nega o amor e a ternura
Em meu poema feito de pressa
713
Regina Souza Vieira
Árvore de Frutos
Cheiras
ao caju da minha infância
e tens a cor do barro vermelho molhado
de antigamente;
há sabor a manga a escorrer-te na boca
e dureza de maboque a saltar-te nos seios.
Misturo-te com a terra vermelha
e com as noites
de histórias antigas
ouvidas há muito.
No teu corpo
sons antigos dos batuques à minha porta,
com que me provocas,
enchem-me o cérebro de fogo incontido.
Amor, és o sonho feito carne
do meu bairro antigo do musseque!
ao caju da minha infância
e tens a cor do barro vermelho molhado
de antigamente;
há sabor a manga a escorrer-te na boca
e dureza de maboque a saltar-te nos seios.
Misturo-te com a terra vermelha
e com as noites
de histórias antigas
ouvidas há muito.
No teu corpo
sons antigos dos batuques à minha porta,
com que me provocas,
enchem-me o cérebro de fogo incontido.
Amor, és o sonho feito carne
do meu bairro antigo do musseque!
877
Regina Souza Vieira
Eis de Repente
..... eis de repente
do Lépi a chuva densa
alturas de Nambunagongo
Silongo de Mandume
Chanas que pisei no leste
Maiombe de lendas infindáveis
O ar livre de poeiras dos escombros
Reabre sonhos escondidos na agonia
A velha da tchimanda
Dá o nome de David
E o da Miete
Aos meninos que encontrou
Na estrada
No Tchinguluma
Ouvem-se as abelhas zumbir
Em torno das cores perto do rio
Também viram no Mufupu
Jeremias a cobrir a casa
Com capim novo da chama
Lukau vinda do norte
Trouxe abacates no pano e ofereceu-os
Olhos brilhantes húmidos felizes
Disseram-me hoje
Há folhas verdes outra vez
Nos ramos da loncha da Emanha
Nas mangueiras do salundo
Vozes falam do milho a germinar
No Huma e na Cativa
Passaram os anos em que a morte
Venceu todas as batalhas
Finalmente agora pouco a pouco
Começa a vida a vencer a guerra.
do Lépi a chuva densa
alturas de Nambunagongo
Silongo de Mandume
Chanas que pisei no leste
Maiombe de lendas infindáveis
O ar livre de poeiras dos escombros
Reabre sonhos escondidos na agonia
A velha da tchimanda
Dá o nome de David
E o da Miete
Aos meninos que encontrou
Na estrada
No Tchinguluma
Ouvem-se as abelhas zumbir
Em torno das cores perto do rio
Também viram no Mufupu
Jeremias a cobrir a casa
Com capim novo da chama
Lukau vinda do norte
Trouxe abacates no pano e ofereceu-os
Olhos brilhantes húmidos felizes
Disseram-me hoje
Há folhas verdes outra vez
Nos ramos da loncha da Emanha
Nas mangueiras do salundo
Vozes falam do milho a germinar
No Huma e na Cativa
Passaram os anos em que a morte
Venceu todas as batalhas
Finalmente agora pouco a pouco
Começa a vida a vencer a guerra.
976
Silvaney Paes
Brasil - Portugal
Um Dom
Um Dom de Pedro
Um tal D. Pedro
Num Ipiranga Português
Mais também Tupí na raça
Diziam Gritava
Um Dom
Um Dom de Pedro
Um tal D.Pedro
Mais que Gritava?
Grita Morte
Grito que Libertava
Um Dom
Um Dom de Pedro
Um Tal D. Pedro
Mas morreu?
Não. Só libertara.
Rompeu.
Um Dom
Um Dom de Pedro
Um tal D. Pedro
E Porque Rompeu
E não morreu?
Viu num futuro.
Um Dom
Um Dom de Pedro
Um tal D. Pedro
Mais que achou haver de Novo?
La no Futuro......
Irmãos de Novo.
Um Dom
Um Dom de Pedro
Um D. PEDRO
Um Dom de Pedro
Um tal D. Pedro
Num Ipiranga Português
Mais também Tupí na raça
Diziam Gritava
Um Dom
Um Dom de Pedro
Um tal D.Pedro
Mais que Gritava?
Grita Morte
Grito que Libertava
Um Dom
Um Dom de Pedro
Um Tal D. Pedro
Mas morreu?
Não. Só libertara.
Rompeu.
Um Dom
Um Dom de Pedro
Um tal D. Pedro
E Porque Rompeu
E não morreu?
Viu num futuro.
Um Dom
Um Dom de Pedro
Um tal D. Pedro
Mais que achou haver de Novo?
La no Futuro......
Irmãos de Novo.
Um Dom
Um Dom de Pedro
Um D. PEDRO
955
Silvaney Paes
Brasil - Portugal
Um Dom
Um Dom de Pedro
Um tal D. Pedro
Num Ipiranga Português
Mais também Tupí na raça
Diziam Gritava
Um Dom
Um Dom de Pedro
Um tal D.Pedro
Mais que Gritava?
Grita Morte
Grito que Libertava
Um Dom
Um Dom de Pedro
Um Tal D. Pedro
Mas morreu?
Não. Só libertara.
Rompeu.
Um Dom
Um Dom de Pedro
Um tal D. Pedro
E Porque Rompeu
E não morreu?
Viu num futuro.
Um Dom
Um Dom de Pedro
Um tal D. Pedro
Mais que achou haver de Novo?
La no Futuro......
Irmãos de Novo.
Um Dom
Um Dom de Pedro
Um D. PEDRO
Um Dom de Pedro
Um tal D. Pedro
Num Ipiranga Português
Mais também Tupí na raça
Diziam Gritava
Um Dom
Um Dom de Pedro
Um tal D.Pedro
Mais que Gritava?
Grita Morte
Grito que Libertava
Um Dom
Um Dom de Pedro
Um Tal D. Pedro
Mas morreu?
Não. Só libertara.
Rompeu.
Um Dom
Um Dom de Pedro
Um tal D. Pedro
E Porque Rompeu
E não morreu?
Viu num futuro.
Um Dom
Um Dom de Pedro
Um tal D. Pedro
Mais que achou haver de Novo?
La no Futuro......
Irmãos de Novo.
Um Dom
Um Dom de Pedro
Um D. PEDRO
955
Silvaney Paes
Brasil - Portugal
Um Dom
Um Dom de Pedro
Um tal D. Pedro
Num Ipiranga Português
Mais também Tupí na raça
Diziam Gritava
Um Dom
Um Dom de Pedro
Um tal D.Pedro
Mais que Gritava?
Grita Morte
Grito que Libertava
Um Dom
Um Dom de Pedro
Um Tal D. Pedro
Mas morreu?
Não. Só libertara.
Rompeu.
Um Dom
Um Dom de Pedro
Um tal D. Pedro
E Porque Rompeu
E não morreu?
Viu num futuro.
Um Dom
Um Dom de Pedro
Um tal D. Pedro
Mais que achou haver de Novo?
La no Futuro......
Irmãos de Novo.
Um Dom
Um Dom de Pedro
Um D. PEDRO
Um Dom de Pedro
Um tal D. Pedro
Num Ipiranga Português
Mais também Tupí na raça
Diziam Gritava
Um Dom
Um Dom de Pedro
Um tal D.Pedro
Mais que Gritava?
Grita Morte
Grito que Libertava
Um Dom
Um Dom de Pedro
Um Tal D. Pedro
Mas morreu?
Não. Só libertara.
Rompeu.
Um Dom
Um Dom de Pedro
Um tal D. Pedro
E Porque Rompeu
E não morreu?
Viu num futuro.
Um Dom
Um Dom de Pedro
Um tal D. Pedro
Mais que achou haver de Novo?
La no Futuro......
Irmãos de Novo.
Um Dom
Um Dom de Pedro
Um D. PEDRO
955
Silvaney Paes
Brasil - Portugal
Um Dom
Um Dom de Pedro
Um tal D. Pedro
Num Ipiranga Português
Mais também Tupí na raça
Diziam Gritava
Um Dom
Um Dom de Pedro
Um tal D.Pedro
Mais que Gritava?
Grita Morte
Grito que Libertava
Um Dom
Um Dom de Pedro
Um Tal D. Pedro
Mas morreu?
Não. Só libertara.
Rompeu.
Um Dom
Um Dom de Pedro
Um tal D. Pedro
E Porque Rompeu
E não morreu?
Viu num futuro.
Um Dom
Um Dom de Pedro
Um tal D. Pedro
Mais que achou haver de Novo?
La no Futuro......
Irmãos de Novo.
Um Dom
Um Dom de Pedro
Um D. PEDRO
Um Dom de Pedro
Um tal D. Pedro
Num Ipiranga Português
Mais também Tupí na raça
Diziam Gritava
Um Dom
Um Dom de Pedro
Um tal D.Pedro
Mais que Gritava?
Grita Morte
Grito que Libertava
Um Dom
Um Dom de Pedro
Um Tal D. Pedro
Mas morreu?
Não. Só libertara.
Rompeu.
Um Dom
Um Dom de Pedro
Um tal D. Pedro
E Porque Rompeu
E não morreu?
Viu num futuro.
Um Dom
Um Dom de Pedro
Um tal D. Pedro
Mais que achou haver de Novo?
La no Futuro......
Irmãos de Novo.
Um Dom
Um Dom de Pedro
Um D. PEDRO
955
Silvaney Paes
Preto
Negras
Almas
Em peles alvas
Não esqueceram
Suas negras senzalas
Negras Falas
Que vez por outra,
São naus lembradas
Trazendo almas escravas.
Negras Almas
Nessas línguas com facas
Que separam por serem fracas
E que cortam, marcam e matam
Negras Falas
Que humilham, pisam,
Negando as almas
Que não tenham a pele clara
Negras Almas
Enganadas achando terem escravas
Sendo vós as pretas almas
Em pele clara
Almas
Em peles alvas
Não esqueceram
Suas negras senzalas
Negras Falas
Que vez por outra,
São naus lembradas
Trazendo almas escravas.
Negras Almas
Nessas línguas com facas
Que separam por serem fracas
E que cortam, marcam e matam
Negras Falas
Que humilham, pisam,
Negando as almas
Que não tenham a pele clara
Negras Almas
Enganadas achando terem escravas
Sendo vós as pretas almas
Em pele clara
1 066
Silvaney Paes
Preto
Negras
Almas
Em peles alvas
Não esqueceram
Suas negras senzalas
Negras Falas
Que vez por outra,
São naus lembradas
Trazendo almas escravas.
Negras Almas
Nessas línguas com facas
Que separam por serem fracas
E que cortam, marcam e matam
Negras Falas
Que humilham, pisam,
Negando as almas
Que não tenham a pele clara
Negras Almas
Enganadas achando terem escravas
Sendo vós as pretas almas
Em pele clara
Almas
Em peles alvas
Não esqueceram
Suas negras senzalas
Negras Falas
Que vez por outra,
São naus lembradas
Trazendo almas escravas.
Negras Almas
Nessas línguas com facas
Que separam por serem fracas
E que cortam, marcam e matam
Negras Falas
Que humilham, pisam,
Negando as almas
Que não tenham a pele clara
Negras Almas
Enganadas achando terem escravas
Sendo vós as pretas almas
Em pele clara
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