Poemas neste tema
Sociedade e Mundo
Ona Gaia
Evolução
As armas sangram açaí
de risos ariscos e roxos
mas na décima parte
de toda a vida
a ida não encontrará fim
porque se num dia foram muitos
na eterna abóbada celeste sim
pras estrelas só haverá um
mais poderoso que todos eles
quando tudo parecer perdido
quando tudo parecer nenhum.
de risos ariscos e roxos
mas na décima parte
de toda a vida
a ida não encontrará fim
porque se num dia foram muitos
na eterna abóbada celeste sim
pras estrelas só haverá um
mais poderoso que todos eles
quando tudo parecer perdido
quando tudo parecer nenhum.
854
Pe. Osvaldo Chaves
Sonho Medieval
Véspera de São José. Em Fortaleza. No Ceará.
As duas torres magras da Prainha
Estiram os pescoços para cima:
Duas garrafas brancas cheias de luar!
São dois poetas hirtos, absortos no infinito,
Cismando à beira-mar!
E com os olhos perdidos na luz rala
Sonham o sonho medieval
Das grandes catedrais,
Essas catedrais monumentais
Que falando a linguagem
Das ogivas e dos vitrais
Só elas falavam;
Porque naquele tempo o homem
Só ouvia,
Só podia
Entender
o que falasse do grandioso,
Do que há de sublime
No ideal religioso.
E a Prainha está sonhando,
Tão satisfeita por julgar que abriga
O coração da Idade-Média orando!
E as sombras vão cada vez mais baixando...
E a igrejinha, tão linda,
Sonha ainda.
E no sonho levanta um dos seus dedos góticos
Cheios de escamas batidos pelo malho do luar:
Um dedo colegial, taful,
Borrado de tinta azul.
Um dedo sonâmbulo
Que ela põe na boca da noite de asas de jaçanã
Para ao mar reclamar
Um momento de pausa no seu rataplã!
E o mar se cala
Para ouvir a sua fala...
Então diante do silêncio sentinela,
Do silêncio vespertino,
Ele começa dando a palavra
Ao badalo solene dum grande sino,
O Centenário
Que entoa o hino
Milenário
Do universo cristão;
Assim
Para o coração
Da Idade-Média ouvir:
"Adágio, andante, allegro, largo, maestoso..."
E lentamente as badaladas pelo espaço lá se vão...
"Marziale" agora, "prestíssimo, scherzo, molt piano",
Vão também muito além do sentimento humano,
Lá para onde os sinos,
Mínúsculos,
Franzinos,
Da humana razão em vão badalarão!
Este além, porém, aonde elas vão
E a fé que tem o coração cristão
E a melodia que os ares corta, num frenesi,
São acordes sem nomes,
Alguma coisa de Carlos Gomes
No prelúdio do Guarani!
E o Centenário continua,
À luz da lua,
Dobrando, badalando, bimbalhando,
Desmanchando-se em hinos
Ao sonzinho infantil de mais três sinos
Argentinos,
Cristalinos,
Que pulam, pinotam, saracoteiam
Em tomo de si mesmos
De boca aberta, gritando,
Assombrados com o Centenário
Virando e revirando!
De fato
É tão grande o aparato
Daquele declamador de badaladas,
Que quando recita os seus poemas de bronze
Parece com uma boca escancarada
Que engoliu ferozmente o próprio corpo;
Uma boca enorme, colossal,
Cuja língua secou de tanto badalar
Contra os rígidos beiços de metal!
E a Prainha acordou do sonho medieval,
No dia seguinte,
Cheinha de fiéis do século vinte.
Fortaleza, março de 1946.
As duas torres magras da Prainha
Estiram os pescoços para cima:
Duas garrafas brancas cheias de luar!
São dois poetas hirtos, absortos no infinito,
Cismando à beira-mar!
E com os olhos perdidos na luz rala
Sonham o sonho medieval
Das grandes catedrais,
Essas catedrais monumentais
Que falando a linguagem
Das ogivas e dos vitrais
Só elas falavam;
Porque naquele tempo o homem
Só ouvia,
Só podia
Entender
o que falasse do grandioso,
Do que há de sublime
No ideal religioso.
E a Prainha está sonhando,
Tão satisfeita por julgar que abriga
O coração da Idade-Média orando!
E as sombras vão cada vez mais baixando...
E a igrejinha, tão linda,
Sonha ainda.
E no sonho levanta um dos seus dedos góticos
Cheios de escamas batidos pelo malho do luar:
Um dedo colegial, taful,
Borrado de tinta azul.
Um dedo sonâmbulo
Que ela põe na boca da noite de asas de jaçanã
Para ao mar reclamar
Um momento de pausa no seu rataplã!
E o mar se cala
Para ouvir a sua fala...
Então diante do silêncio sentinela,
Do silêncio vespertino,
Ele começa dando a palavra
Ao badalo solene dum grande sino,
O Centenário
Que entoa o hino
Milenário
Do universo cristão;
Assim
Para o coração
Da Idade-Média ouvir:
"Adágio, andante, allegro, largo, maestoso..."
E lentamente as badaladas pelo espaço lá se vão...
"Marziale" agora, "prestíssimo, scherzo, molt piano",
Vão também muito além do sentimento humano,
Lá para onde os sinos,
Mínúsculos,
Franzinos,
Da humana razão em vão badalarão!
Este além, porém, aonde elas vão
E a fé que tem o coração cristão
E a melodia que os ares corta, num frenesi,
São acordes sem nomes,
Alguma coisa de Carlos Gomes
No prelúdio do Guarani!
E o Centenário continua,
À luz da lua,
Dobrando, badalando, bimbalhando,
Desmanchando-se em hinos
Ao sonzinho infantil de mais três sinos
Argentinos,
Cristalinos,
Que pulam, pinotam, saracoteiam
Em tomo de si mesmos
De boca aberta, gritando,
Assombrados com o Centenário
Virando e revirando!
De fato
É tão grande o aparato
Daquele declamador de badaladas,
Que quando recita os seus poemas de bronze
Parece com uma boca escancarada
Que engoliu ferozmente o próprio corpo;
Uma boca enorme, colossal,
Cuja língua secou de tanto badalar
Contra os rígidos beiços de metal!
E a Prainha acordou do sonho medieval,
No dia seguinte,
Cheinha de fiéis do século vinte.
Fortaleza, março de 1946.
932
Ona Gaia
Aos Nubentens
Ao falar agora
não serei breve no sentimento
- de início já vou dizendo -
como é belo e glamouroso este momento !
Pois por abundância de emoções sublimes
atraio um mundo inteiro de visões
e no meio do turbilhão destas atrações
o amor uni-versos e corações.
Que seja terna enquanto dura sua existência.
Que lá do fundo brote o fruto da sua potência.
E por acaso existe erro aqui em alguém ?
Hoje é um dia pra vida suntuoso
dois corpos unidos no mundo é virtuoso
e nada há mais certo pra mim ou pra ninguém !
Na arena solar das sensações
encontram a felicidade entre clarões
os que fazem o futuro além nações.
E muito antes de conhecer o seu lar
de um sonho pouco antes de acordar
você já conhecia o seu par.
Estas palavras pra ele e pra ela
até mesmo numa hora paralela
durante o dia, à noite ou no inverno
serão as cores de um verão eterno.
não serei breve no sentimento
- de início já vou dizendo -
como é belo e glamouroso este momento !
Pois por abundância de emoções sublimes
atraio um mundo inteiro de visões
e no meio do turbilhão destas atrações
o amor uni-versos e corações.
Que seja terna enquanto dura sua existência.
Que lá do fundo brote o fruto da sua potência.
E por acaso existe erro aqui em alguém ?
Hoje é um dia pra vida suntuoso
dois corpos unidos no mundo é virtuoso
e nada há mais certo pra mim ou pra ninguém !
Na arena solar das sensações
encontram a felicidade entre clarões
os que fazem o futuro além nações.
E muito antes de conhecer o seu lar
de um sonho pouco antes de acordar
você já conhecia o seu par.
Estas palavras pra ele e pra ela
até mesmo numa hora paralela
durante o dia, à noite ou no inverno
serão as cores de um verão eterno.
724
Pêro de Andrade Caminha
Epístola XVIII
Queixo-me, douro Andrade, duns indoutos
Que o que às vezes lêem mal, pior entendem,
Querem julgar como se fossem doutos.
Tão facilmente a seu gosto repreendem
As vigílias alheias, que eu me espanto
Como eles de si mesmos não se ofendem.
O verso ou mau ou bom, o escrito, ou canto
Que o espírito custa estudo, e tempo, e lima
Julgam como que não custassem tanto.
A livre prosa ou obrigada rima
Por seu juízo e só entendimento
Assim a têm em desprezo, assim em estima.
Se lhes perguntas pelo fundamento,
Respondem só, que bem não lhes parece.
Querem que obrigue o seu contentamento.
Que me dizes, Francisco, a quem conhece
O mundo por tão raro, e em cujo espírito
Apolo claramente se enriquece?
Com quais julgas que deve ser escrito
Aquele de juízo tão ousado,
Que quer assim julgar o alheio escrito?
O sisudo, o prudente, o atentado,
O douto, antes que julgue tudo atenta,
Por não ser seu juízo mal julgado.
Ante os olhos primeiro representa
A obrigação do verso, e a natureza,
Vê se ofende a invenção, ou se contenta.
Com livre espírito nota, e com pureza
Os conceitos, as frases, as figuras,
E se na língua tem cópia ou pobreza.
Se as palavras são próprias, se são puras,
Se as busca claras para o que pretende,
Ou se ásperas, difíciles, e escuras.
O decoro se o guarda, ou se o entende,
E se matéria é bem ou mal seguida,
Se abranda, ou afeiçoa, ou move, e acende.
Se toma imitação bem escolhida,
Se o estilo é sempre grave, ou sempre brando,
Se a sentença a bom tempo, ou mau trazida.
Se se vai longamente dilatando,
Ou se diz o que quer tão brevemente
Que ou não se entende bem, ou vai cansando.
Quem tudo isto, Francisco, nota, e sente
Com claríssimo juízo, e peito puro,
E o mais que enjeita a musa, e o que consente;
Julgue, ria, repreenda, e este seguro
Que deve inteiramente de ser crido,
E eu, destes sós espíritos trato, e curo.
Destes quero ser antes repreendido,
Destes como tu és, ó raro Andrade,
Que dos outros louvado e recebido.
Aprende-se com estes a verdade
Do que Apolo promete, e a musa ensina,
A quem dá a repreensão autoridade.
O espírito que não voa, nem atina
O bem, ou mal do que se canta, e escreve,
Quando bem, ou mal julga desatina.
Se dá razão, mais fria a dá que neve,
Sem fundamento louva, e assim reprova,
Quem em juízo apressado à razão leve.
A repreensão no mundo não é nova,
Mas quem melhor entende, mais de espaço
O mau repreende, ou o melhor aprova.
Têm as línguas agudas mais que daço
Estes que querem ser graves censores,
Se lhes armas, caem logo em qualquer laço.
Juízos vãos, indoutos repreensores,
Não sofrem musas ser assim tratadas,
Nem recebem de vós inda louvores.
Tende-os guardados, tende bem guardadas
As leves repreensões que usais em tudo,
Para as coisas das musas não tocadas.
Sem elas todo peito há de mudo,
E raríssimo aquele, antes só, peito
Que não se deva ant elas chamar rudo.
Seja meu verso, sem nenhum respeito
Daqueles, a que Febo maior parte
Tem de si dado, ou repreendido, ou aceito.
Seja de ti, Francisco, que guardar-te
Quis par honra da musa portuguesa,
E para entre os mais raros mais mostrar-te.
Tu segue confiado aquela empresa
Que tão felicemente começaste,
Segue-a com pronto espírito, e alma acesa,
A vitória Caríssima que achaste,
Digna do raro engenho que em tudo usas,
E usaste sempre em tudo o que cantaste;
Confiado em teu conselho, e no das musas
A segue, e em tua lima, e espírito claro,
E assim mais haverá espantos que escusas
Em teu verso, e em teu canto douto e raro.
Que o que às vezes lêem mal, pior entendem,
Querem julgar como se fossem doutos.
Tão facilmente a seu gosto repreendem
As vigílias alheias, que eu me espanto
Como eles de si mesmos não se ofendem.
O verso ou mau ou bom, o escrito, ou canto
Que o espírito custa estudo, e tempo, e lima
Julgam como que não custassem tanto.
A livre prosa ou obrigada rima
Por seu juízo e só entendimento
Assim a têm em desprezo, assim em estima.
Se lhes perguntas pelo fundamento,
Respondem só, que bem não lhes parece.
Querem que obrigue o seu contentamento.
Que me dizes, Francisco, a quem conhece
O mundo por tão raro, e em cujo espírito
Apolo claramente se enriquece?
Com quais julgas que deve ser escrito
Aquele de juízo tão ousado,
Que quer assim julgar o alheio escrito?
O sisudo, o prudente, o atentado,
O douto, antes que julgue tudo atenta,
Por não ser seu juízo mal julgado.
Ante os olhos primeiro representa
A obrigação do verso, e a natureza,
Vê se ofende a invenção, ou se contenta.
Com livre espírito nota, e com pureza
Os conceitos, as frases, as figuras,
E se na língua tem cópia ou pobreza.
Se as palavras são próprias, se são puras,
Se as busca claras para o que pretende,
Ou se ásperas, difíciles, e escuras.
O decoro se o guarda, ou se o entende,
E se matéria é bem ou mal seguida,
Se abranda, ou afeiçoa, ou move, e acende.
Se toma imitação bem escolhida,
Se o estilo é sempre grave, ou sempre brando,
Se a sentença a bom tempo, ou mau trazida.
Se se vai longamente dilatando,
Ou se diz o que quer tão brevemente
Que ou não se entende bem, ou vai cansando.
Quem tudo isto, Francisco, nota, e sente
Com claríssimo juízo, e peito puro,
E o mais que enjeita a musa, e o que consente;
Julgue, ria, repreenda, e este seguro
Que deve inteiramente de ser crido,
E eu, destes sós espíritos trato, e curo.
Destes quero ser antes repreendido,
Destes como tu és, ó raro Andrade,
Que dos outros louvado e recebido.
Aprende-se com estes a verdade
Do que Apolo promete, e a musa ensina,
A quem dá a repreensão autoridade.
O espírito que não voa, nem atina
O bem, ou mal do que se canta, e escreve,
Quando bem, ou mal julga desatina.
Se dá razão, mais fria a dá que neve,
Sem fundamento louva, e assim reprova,
Quem em juízo apressado à razão leve.
A repreensão no mundo não é nova,
Mas quem melhor entende, mais de espaço
O mau repreende, ou o melhor aprova.
Têm as línguas agudas mais que daço
Estes que querem ser graves censores,
Se lhes armas, caem logo em qualquer laço.
Juízos vãos, indoutos repreensores,
Não sofrem musas ser assim tratadas,
Nem recebem de vós inda louvores.
Tende-os guardados, tende bem guardadas
As leves repreensões que usais em tudo,
Para as coisas das musas não tocadas.
Sem elas todo peito há de mudo,
E raríssimo aquele, antes só, peito
Que não se deva ant elas chamar rudo.
Seja meu verso, sem nenhum respeito
Daqueles, a que Febo maior parte
Tem de si dado, ou repreendido, ou aceito.
Seja de ti, Francisco, que guardar-te
Quis par honra da musa portuguesa,
E para entre os mais raros mais mostrar-te.
Tu segue confiado aquela empresa
Que tão felicemente começaste,
Segue-a com pronto espírito, e alma acesa,
A vitória Caríssima que achaste,
Digna do raro engenho que em tudo usas,
E usaste sempre em tudo o que cantaste;
Confiado em teu conselho, e no das musas
A segue, e em tua lima, e espírito claro,
E assim mais haverá espantos que escusas
Em teu verso, e em teu canto douto e raro.
674
Ona Gaia
Quero os Quadrados
QUERO OS QUADRADOS
OS REDONDOS, OS CURVOS
TODOS AGORA
PERFEITAMENTE CONCRETOS
NO MEU BOLSO
NA MINHA CAMA
À BEIRA MAR.
OS REDONDOS, OS CURVOS
TODOS AGORA
PERFEITAMENTE CONCRETOS
NO MEU BOLSO
NA MINHA CAMA
À BEIRA MAR.
812
Ona Gaia
As batatas
As batatas, os quiabos
as batalhas, os diabos
tudo isto resta muito raso e arraso:
as batatas eu como
os quiabos eu passo
as batalhas eu nego
os diabos amaço
como e passo
nego e amaço
há batatas e quiabos
na batalha dos diabos
ao vencedor as batatas
ao perdedor os quiabos
o buraco fundo do nada
é no laço sorte atada
mas o prêmio é feito de ego
e na pele dele navego
a cova úmida da terra
onde o tubérculo brotou
as raízes arrancadas
na última batalha travada.
as batalhas, os diabos
tudo isto resta muito raso e arraso:
as batatas eu como
os quiabos eu passo
as batalhas eu nego
os diabos amaço
como e passo
nego e amaço
há batatas e quiabos
na batalha dos diabos
ao vencedor as batatas
ao perdedor os quiabos
o buraco fundo do nada
é no laço sorte atada
mas o prêmio é feito de ego
e na pele dele navego
a cova úmida da terra
onde o tubérculo brotou
as raízes arrancadas
na última batalha travada.
971
Ona Gaia
As batatas
As batatas, os quiabos
as batalhas, os diabos
tudo isto resta muito raso e arraso:
as batatas eu como
os quiabos eu passo
as batalhas eu nego
os diabos amaço
como e passo
nego e amaço
há batatas e quiabos
na batalha dos diabos
ao vencedor as batatas
ao perdedor os quiabos
o buraco fundo do nada
é no laço sorte atada
mas o prêmio é feito de ego
e na pele dele navego
a cova úmida da terra
onde o tubérculo brotou
as raízes arrancadas
na última batalha travada.
as batalhas, os diabos
tudo isto resta muito raso e arraso:
as batatas eu como
os quiabos eu passo
as batalhas eu nego
os diabos amaço
como e passo
nego e amaço
há batatas e quiabos
na batalha dos diabos
ao vencedor as batatas
ao perdedor os quiabos
o buraco fundo do nada
é no laço sorte atada
mas o prêmio é feito de ego
e na pele dele navego
a cova úmida da terra
onde o tubérculo brotou
as raízes arrancadas
na última batalha travada.
971
Ona Gaia
Cacófato Mental
Não importa a marca
semente com mente
não mente
semente sem mente
demente
semente demente
somente.
semente com mente
não mente
semente sem mente
demente
semente demente
somente.
1 049
Olegario Schmitt
Rotina
São seis horas da manhã
e acordo para a vida.
Vida... ou pura força de expressão?
São seis horas da manhã
e acordo para aquilo que subentende-se vida.
O sol dourado começa a anunciar a sua presença
no horizonte oposto àquele onde ontem se pôs.
Dez horas se passaram e cá está ele de novo.
Meu Deus, viver é repetir sempre as mesmas coisas
é sempre o mesmo sol
é sempre seis horas e eu acordo
é sempre o relógio apático, automático, como não deixaria de ser
berrando estridente:
SÃO SEIS HORAS, SÃO SEIS HORAS! ACORDA!
O SOL JÁ VAI NASCER!
No calendário se marca um dia a mais,
mas na verdade todos os dias são o mesmo dia,
todas as horas a mesma hora
todos os segundos, renitentes, ficam batendo no mesmo lugar.
Tudo anda em círculos, como a terra, como a lua em torno da terra,
como a terra em torno do sol
como o ponteiro dos segundos, na sua órbita: relógio.
São seis horas da manhã
e morro para o dia: volto a dormir e esqueço do sol.
e acordo para a vida.
Vida... ou pura força de expressão?
São seis horas da manhã
e acordo para aquilo que subentende-se vida.
O sol dourado começa a anunciar a sua presença
no horizonte oposto àquele onde ontem se pôs.
Dez horas se passaram e cá está ele de novo.
Meu Deus, viver é repetir sempre as mesmas coisas
é sempre o mesmo sol
é sempre seis horas e eu acordo
é sempre o relógio apático, automático, como não deixaria de ser
berrando estridente:
SÃO SEIS HORAS, SÃO SEIS HORAS! ACORDA!
O SOL JÁ VAI NASCER!
No calendário se marca um dia a mais,
mas na verdade todos os dias são o mesmo dia,
todas as horas a mesma hora
todos os segundos, renitentes, ficam batendo no mesmo lugar.
Tudo anda em círculos, como a terra, como a lua em torno da terra,
como a terra em torno do sol
como o ponteiro dos segundos, na sua órbita: relógio.
São seis horas da manhã
e morro para o dia: volto a dormir e esqueço do sol.
1 055
Oliveira Roma
Avante!
Ao operário brasileiro
Operário, tem fé! Na oficina modesta
Em que vivo isolado e esquecido, moirejo,
Paciente mas tenaz, preso do alto desejo
De, como tu, ser bom e ter sempre a alma em festa.
Operário também, cheio de crença, nesta
Ânsia de progredir, humílimo, antevejo
A paz universal — o luminoso beijo
Em que o Infinito Amor, puro, se manifesta.
Não te causem vexame esses calos, que são
Em tuas mãos de herói, os emblemas fecundos
Do Labor, da Honradez e da Resignação.
Bendize o teu destino intenso, extraordinário.
Bendize-o porque Deus, arquitetando mundos,
Foi Ele — o próprio Deus — o primeiro operário.
Operário, tem fé! Na oficina modesta
Em que vivo isolado e esquecido, moirejo,
Paciente mas tenaz, preso do alto desejo
De, como tu, ser bom e ter sempre a alma em festa.
Operário também, cheio de crença, nesta
Ânsia de progredir, humílimo, antevejo
A paz universal — o luminoso beijo
Em que o Infinito Amor, puro, se manifesta.
Não te causem vexame esses calos, que são
Em tuas mãos de herói, os emblemas fecundos
Do Labor, da Honradez e da Resignação.
Bendize o teu destino intenso, extraordinário.
Bendize-o porque Deus, arquitetando mundos,
Foi Ele — o próprio Deus — o primeiro operário.
990
Oliveira Roma
Avante!
Ao operário brasileiro
Operário, tem fé! Na oficina modesta
Em que vivo isolado e esquecido, moirejo,
Paciente mas tenaz, preso do alto desejo
De, como tu, ser bom e ter sempre a alma em festa.
Operário também, cheio de crença, nesta
Ânsia de progredir, humílimo, antevejo
A paz universal — o luminoso beijo
Em que o Infinito Amor, puro, se manifesta.
Não te causem vexame esses calos, que são
Em tuas mãos de herói, os emblemas fecundos
Do Labor, da Honradez e da Resignação.
Bendize o teu destino intenso, extraordinário.
Bendize-o porque Deus, arquitetando mundos,
Foi Ele — o próprio Deus — o primeiro operário.
Operário, tem fé! Na oficina modesta
Em que vivo isolado e esquecido, moirejo,
Paciente mas tenaz, preso do alto desejo
De, como tu, ser bom e ter sempre a alma em festa.
Operário também, cheio de crença, nesta
Ânsia de progredir, humílimo, antevejo
A paz universal — o luminoso beijo
Em que o Infinito Amor, puro, se manifesta.
Não te causem vexame esses calos, que são
Em tuas mãos de herói, os emblemas fecundos
Do Labor, da Honradez e da Resignação.
Bendize o teu destino intenso, extraordinário.
Bendize-o porque Deus, arquitetando mundos,
Foi Ele — o próprio Deus — o primeiro operário.
990
Oliveira Roma
Avante!
Ao operário brasileiro
Operário, tem fé! Na oficina modesta
Em que vivo isolado e esquecido, moirejo,
Paciente mas tenaz, preso do alto desejo
De, como tu, ser bom e ter sempre a alma em festa.
Operário também, cheio de crença, nesta
Ânsia de progredir, humílimo, antevejo
A paz universal — o luminoso beijo
Em que o Infinito Amor, puro, se manifesta.
Não te causem vexame esses calos, que são
Em tuas mãos de herói, os emblemas fecundos
Do Labor, da Honradez e da Resignação.
Bendize o teu destino intenso, extraordinário.
Bendize-o porque Deus, arquitetando mundos,
Foi Ele — o próprio Deus — o primeiro operário.
Operário, tem fé! Na oficina modesta
Em que vivo isolado e esquecido, moirejo,
Paciente mas tenaz, preso do alto desejo
De, como tu, ser bom e ter sempre a alma em festa.
Operário também, cheio de crença, nesta
Ânsia de progredir, humílimo, antevejo
A paz universal — o luminoso beijo
Em que o Infinito Amor, puro, se manifesta.
Não te causem vexame esses calos, que são
Em tuas mãos de herói, os emblemas fecundos
Do Labor, da Honradez e da Resignação.
Bendize o teu destino intenso, extraordinário.
Bendize-o porque Deus, arquitetando mundos,
Foi Ele — o próprio Deus — o primeiro operário.
990
Ona Gaia
Heis como ficar
Heis como ficar
sem dizer como:
não espere
nada mais fere
do que tontas interferindo.
Quais tontas?
senhoras
perdendo as horas...
pra que lembrar?
pra que esquecer?
es como não ficar
heis como não ir
... nem vir
dizendo como eu como
(canibalmente)
e como como
você!
sem dizer como:
não espere
nada mais fere
do que tontas interferindo.
Quais tontas?
senhoras
perdendo as horas...
pra que lembrar?
pra que esquecer?
es como não ficar
heis como não ir
... nem vir
dizendo como eu como
(canibalmente)
e como como
você!
841
Oliveira Neto
O Solitário
Tristonho e desolado, um homem solitário,
imitava, no aspecto, o Cristo no Calvário.
Em chagas tinha os pés, as mãos e o peito abertos,
e andava a mendigar o pão pelos desertos.
Na voz tinha a ternura e o amor do Nazareno,
prendendo todo mundo em doce olhar sereno.
Solícito e discreto a todos atendia.
Pregava o amor de Deus — o nosso Pai e Guia.
Tratava com carinho e amor as criancinhas,
em cuja voz ouvia a voz das andorinhas.
Cantava de manhã, "rezava a Ave-Maria",
um hino ao sol tecia ao fim de cada dia.
Sem ódio e sem rancor, na trilha da verdade,
pregava sem temor — justiça e Liberdade!
Chicoteado e preso ao tronco de madeira,
sincera a voz soltou no verso derradeiro:
— Não sou Nero, nem judas, nem Caim,
tenho a chaga do amor dentro de mim!
imitava, no aspecto, o Cristo no Calvário.
Em chagas tinha os pés, as mãos e o peito abertos,
e andava a mendigar o pão pelos desertos.
Na voz tinha a ternura e o amor do Nazareno,
prendendo todo mundo em doce olhar sereno.
Solícito e discreto a todos atendia.
Pregava o amor de Deus — o nosso Pai e Guia.
Tratava com carinho e amor as criancinhas,
em cuja voz ouvia a voz das andorinhas.
Cantava de manhã, "rezava a Ave-Maria",
um hino ao sol tecia ao fim de cada dia.
Sem ódio e sem rancor, na trilha da verdade,
pregava sem temor — justiça e Liberdade!
Chicoteado e preso ao tronco de madeira,
sincera a voz soltou no verso derradeiro:
— Não sou Nero, nem judas, nem Caim,
tenho a chaga do amor dentro de mim!
1 046
Oliveira Neto
O Solitário
Tristonho e desolado, um homem solitário,
imitava, no aspecto, o Cristo no Calvário.
Em chagas tinha os pés, as mãos e o peito abertos,
e andava a mendigar o pão pelos desertos.
Na voz tinha a ternura e o amor do Nazareno,
prendendo todo mundo em doce olhar sereno.
Solícito e discreto a todos atendia.
Pregava o amor de Deus — o nosso Pai e Guia.
Tratava com carinho e amor as criancinhas,
em cuja voz ouvia a voz das andorinhas.
Cantava de manhã, "rezava a Ave-Maria",
um hino ao sol tecia ao fim de cada dia.
Sem ódio e sem rancor, na trilha da verdade,
pregava sem temor — justiça e Liberdade!
Chicoteado e preso ao tronco de madeira,
sincera a voz soltou no verso derradeiro:
— Não sou Nero, nem judas, nem Caim,
tenho a chaga do amor dentro de mim!
imitava, no aspecto, o Cristo no Calvário.
Em chagas tinha os pés, as mãos e o peito abertos,
e andava a mendigar o pão pelos desertos.
Na voz tinha a ternura e o amor do Nazareno,
prendendo todo mundo em doce olhar sereno.
Solícito e discreto a todos atendia.
Pregava o amor de Deus — o nosso Pai e Guia.
Tratava com carinho e amor as criancinhas,
em cuja voz ouvia a voz das andorinhas.
Cantava de manhã, "rezava a Ave-Maria",
um hino ao sol tecia ao fim de cada dia.
Sem ódio e sem rancor, na trilha da verdade,
pregava sem temor — justiça e Liberdade!
Chicoteado e preso ao tronco de madeira,
sincera a voz soltou no verso derradeiro:
— Não sou Nero, nem judas, nem Caim,
tenho a chaga do amor dentro de mim!
1 046
Oliveira Neto
O Solitário
Tristonho e desolado, um homem solitário,
imitava, no aspecto, o Cristo no Calvário.
Em chagas tinha os pés, as mãos e o peito abertos,
e andava a mendigar o pão pelos desertos.
Na voz tinha a ternura e o amor do Nazareno,
prendendo todo mundo em doce olhar sereno.
Solícito e discreto a todos atendia.
Pregava o amor de Deus — o nosso Pai e Guia.
Tratava com carinho e amor as criancinhas,
em cuja voz ouvia a voz das andorinhas.
Cantava de manhã, "rezava a Ave-Maria",
um hino ao sol tecia ao fim de cada dia.
Sem ódio e sem rancor, na trilha da verdade,
pregava sem temor — justiça e Liberdade!
Chicoteado e preso ao tronco de madeira,
sincera a voz soltou no verso derradeiro:
— Não sou Nero, nem judas, nem Caim,
tenho a chaga do amor dentro de mim!
imitava, no aspecto, o Cristo no Calvário.
Em chagas tinha os pés, as mãos e o peito abertos,
e andava a mendigar o pão pelos desertos.
Na voz tinha a ternura e o amor do Nazareno,
prendendo todo mundo em doce olhar sereno.
Solícito e discreto a todos atendia.
Pregava o amor de Deus — o nosso Pai e Guia.
Tratava com carinho e amor as criancinhas,
em cuja voz ouvia a voz das andorinhas.
Cantava de manhã, "rezava a Ave-Maria",
um hino ao sol tecia ao fim de cada dia.
Sem ódio e sem rancor, na trilha da verdade,
pregava sem temor — justiça e Liberdade!
Chicoteado e preso ao tronco de madeira,
sincera a voz soltou no verso derradeiro:
— Não sou Nero, nem judas, nem Caim,
tenho a chaga do amor dentro de mim!
1 046
Oliveira Neto
O Solitário
Tristonho e desolado, um homem solitário,
imitava, no aspecto, o Cristo no Calvário.
Em chagas tinha os pés, as mãos e o peito abertos,
e andava a mendigar o pão pelos desertos.
Na voz tinha a ternura e o amor do Nazareno,
prendendo todo mundo em doce olhar sereno.
Solícito e discreto a todos atendia.
Pregava o amor de Deus — o nosso Pai e Guia.
Tratava com carinho e amor as criancinhas,
em cuja voz ouvia a voz das andorinhas.
Cantava de manhã, "rezava a Ave-Maria",
um hino ao sol tecia ao fim de cada dia.
Sem ódio e sem rancor, na trilha da verdade,
pregava sem temor — justiça e Liberdade!
Chicoteado e preso ao tronco de madeira,
sincera a voz soltou no verso derradeiro:
— Não sou Nero, nem judas, nem Caim,
tenho a chaga do amor dentro de mim!
imitava, no aspecto, o Cristo no Calvário.
Em chagas tinha os pés, as mãos e o peito abertos,
e andava a mendigar o pão pelos desertos.
Na voz tinha a ternura e o amor do Nazareno,
prendendo todo mundo em doce olhar sereno.
Solícito e discreto a todos atendia.
Pregava o amor de Deus — o nosso Pai e Guia.
Tratava com carinho e amor as criancinhas,
em cuja voz ouvia a voz das andorinhas.
Cantava de manhã, "rezava a Ave-Maria",
um hino ao sol tecia ao fim de cada dia.
Sem ódio e sem rancor, na trilha da verdade,
pregava sem temor — justiça e Liberdade!
Chicoteado e preso ao tronco de madeira,
sincera a voz soltou no verso derradeiro:
— Não sou Nero, nem judas, nem Caim,
tenho a chaga do amor dentro de mim!
1 046
Otávio Ramos
Retratos do Brasil
São Paulo (SP)
Quinze milhões e meio de capiaus juntos.
Sendo alguns capiais de vanguarda.
E outros doutorados pela USP.
Rio de Janeiro (RJ)
Os nossos nordestinos são melhores
do que os nordestinos dos outros.
Salvador (BA)
Escritores bermudam no litoral sensual.
Caro escritor:
Nesse calor você merece uma cerveja.
Curitiba (PR)
Pinhais.
Pôsters do polonês papa em plena pólis.
Paredes. Prateleiras. Penteadeiras.
Papa-ceia. Papa-fila. Papa-defunto.
Papada.
Belo Horizonte (MG)
O novo Shopping-center rouba
meninas bonitas do
ônibus que vai para a Universidade.
Quinze milhões e meio de capiaus juntos.
Sendo alguns capiais de vanguarda.
E outros doutorados pela USP.
Rio de Janeiro (RJ)
Os nossos nordestinos são melhores
do que os nordestinos dos outros.
Salvador (BA)
Escritores bermudam no litoral sensual.
Caro escritor:
Nesse calor você merece uma cerveja.
Curitiba (PR)
Pinhais.
Pôsters do polonês papa em plena pólis.
Paredes. Prateleiras. Penteadeiras.
Papa-ceia. Papa-fila. Papa-defunto.
Papada.
Belo Horizonte (MG)
O novo Shopping-center rouba
meninas bonitas do
ônibus que vai para a Universidade.
898
Padre Francisco de Faria
Soneto
Tal Inscrição, tal Prólogo fizestes,
tanto em ponto nenhum vos descuidasses;
que retocando a Lira pelos trastes
menos dissera Orfeu, do que dissesses.
Em tudo, o que dizer-nos entendesses,
tende a Glória, Tavares, que acertasses:
se jurista severo principiasses,
logo em toda Ciência provas destes.
Deixais à imitação tão novas formas,
que cessarão de todo os desconcertos,
se de Vós aprendermos as reformas.
Pondes ao mundo culto em tais apertos,
que, ou se hão de seguir as vossas normas,
ou ninguém poderá lograr acertos.
tanto em ponto nenhum vos descuidasses;
que retocando a Lira pelos trastes
menos dissera Orfeu, do que dissesses.
Em tudo, o que dizer-nos entendesses,
tende a Glória, Tavares, que acertasses:
se jurista severo principiasses,
logo em toda Ciência provas destes.
Deixais à imitação tão novas formas,
que cessarão de todo os desconcertos,
se de Vós aprendermos as reformas.
Pondes ao mundo culto em tais apertos,
que, ou se hão de seguir as vossas normas,
ou ninguém poderá lograr acertos.
376
Padre Francisco de Faria
Soneto
Tal Inscrição, tal Prólogo fizestes,
tanto em ponto nenhum vos descuidasses;
que retocando a Lira pelos trastes
menos dissera Orfeu, do que dissesses.
Em tudo, o que dizer-nos entendesses,
tende a Glória, Tavares, que acertasses:
se jurista severo principiasses,
logo em toda Ciência provas destes.
Deixais à imitação tão novas formas,
que cessarão de todo os desconcertos,
se de Vós aprendermos as reformas.
Pondes ao mundo culto em tais apertos,
que, ou se hão de seguir as vossas normas,
ou ninguém poderá lograr acertos.
tanto em ponto nenhum vos descuidasses;
que retocando a Lira pelos trastes
menos dissera Orfeu, do que dissesses.
Em tudo, o que dizer-nos entendesses,
tende a Glória, Tavares, que acertasses:
se jurista severo principiasses,
logo em toda Ciência provas destes.
Deixais à imitação tão novas formas,
que cessarão de todo os desconcertos,
se de Vós aprendermos as reformas.
Pondes ao mundo culto em tais apertos,
que, ou se hão de seguir as vossas normas,
ou ninguém poderá lograr acertos.
376
Oliveira Neto
Trovas
Sou poeta e fui vaqueiro
— qualidades bem diversas.
No cavalo fui ligeiro
atrás das reses dispersas.
Tenho saudade das matas,
dos verdejantes baixões,
do feitiço das mulatas
nos pagodes dos sertões.
Adorei as noites belas
neste mundão de meu Deus,
Conversando com as estrelas
luzindo no azul dos céus.
Curtinha está minha vista,
andando estou de bengala!
mesmo que a velhice insista,
só falta de amor me abala!
— qualidades bem diversas.
No cavalo fui ligeiro
atrás das reses dispersas.
Tenho saudade das matas,
dos verdejantes baixões,
do feitiço das mulatas
nos pagodes dos sertões.
Adorei as noites belas
neste mundão de meu Deus,
Conversando com as estrelas
luzindo no azul dos céus.
Curtinha está minha vista,
andando estou de bengala!
mesmo que a velhice insista,
só falta de amor me abala!
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