Poemas neste tema
Sociedade e Mundo
Ona Gaia
Quando a alma
Quando a alma
parece despedir-se
e o corpo ficar
no centro do mundo
tudo gira e passa
tudo é circular
e nada sai do lugar.
O que haverá de fazer-se
quando a razão é dúvida
e a emoção é turva ?
Para além das mil besteiras
que povoam cada instante
( infinito )
da perplexidade,
a ação é ativa.
A Era celerada
- os egos cotidianos
só entram pelo cano -
e o eterno tempo
desenham nuvens ao vento!
parece despedir-se
e o corpo ficar
no centro do mundo
tudo gira e passa
tudo é circular
e nada sai do lugar.
O que haverá de fazer-se
quando a razão é dúvida
e a emoção é turva ?
Para além das mil besteiras
que povoam cada instante
( infinito )
da perplexidade,
a ação é ativa.
A Era celerada
- os egos cotidianos
só entram pelo cano -
e o eterno tempo
desenham nuvens ao vento!
843
Ona Gaia
A vida alada borboleta
A vida alada borboleta
vive dourada no vento
alisa e cheira a rosa e o tempo
· descuidada e breve
· me leve.
vive dourada no vento
alisa e cheira a rosa e o tempo
· descuidada e breve
· me leve.
1 065
Raimundo Oswald Cavalcante Barroso
Lembrança
A lua te recordará
a branca noite
em que ela se despiu
e, vermelha,
se fez cúmplice
do nosso amor.
O mar te lembrará
nosso costume
de caminhar nas tardes
até o horizonte,
pois que o mar
também é cúmplice
dos namorados distantes.
E quando vires, amor,
num vão de céu
uma estrela,
tu não chorarás,
porque, então,
aprenderás o meu caminho.
Mas, quando o povo
andar triste pelos becos,
tu saberás do meu luto
e sentirás a dor
da dura separação.
Porém, se a multidão
ensaiar um canto,
tu saberás do meu riso
e nela me encontrarás.
a branca noite
em que ela se despiu
e, vermelha,
se fez cúmplice
do nosso amor.
O mar te lembrará
nosso costume
de caminhar nas tardes
até o horizonte,
pois que o mar
também é cúmplice
dos namorados distantes.
E quando vires, amor,
num vão de céu
uma estrela,
tu não chorarás,
porque, então,
aprenderás o meu caminho.
Mas, quando o povo
andar triste pelos becos,
tu saberás do meu luto
e sentirás a dor
da dura separação.
Porém, se a multidão
ensaiar um canto,
tu saberás do meu riso
e nela me encontrarás.
804
Oliveira Roma
Ciência Humana
Sentindo quanto ardor um visionário sente,
Sonhando uma verdade ideal mas fugidia,
Segue o Homem, a lutar, por essa estranha via
Que liga o berço ansioso ao túmulo silente.
Perscruta, indaga, inquire e, dolorosamente,
Vacila a cada passo, e vaga em fantasia,
Pois a meta final é como a orla sombria
Do horizonte, que foge, inconstante, da gente.
Um momento parece alcançar o que quer;
Logo, porém, resvala, impróvido e impotente,
Num engano grosseiro e insólito qualquer.
E nessas mutações os dias se consomem...
Na dúvida consiste, inevitavelmente,
O resumo total de toda a ciência do Homem!
Sonhando uma verdade ideal mas fugidia,
Segue o Homem, a lutar, por essa estranha via
Que liga o berço ansioso ao túmulo silente.
Perscruta, indaga, inquire e, dolorosamente,
Vacila a cada passo, e vaga em fantasia,
Pois a meta final é como a orla sombria
Do horizonte, que foge, inconstante, da gente.
Um momento parece alcançar o que quer;
Logo, porém, resvala, impróvido e impotente,
Num engano grosseiro e insólito qualquer.
E nessas mutações os dias se consomem...
Na dúvida consiste, inevitavelmente,
O resumo total de toda a ciência do Homem!
818
Nelson Nunes
Aos que Se Foram
Não sei dos homens que ficaram
E guardam seus segredos
No fundo dos olhos banhados de medo
a ruminar a verde folhagem da esperança
a embalar a coragem que ainda não nasceu.
Sei dos homens que se foram
E se perderam
Com seu medo
Desejos e sonhos secretos.
Desconheço todos os homens de fé
E todas as formas de felicidade
Que espalham-se em inumeráveis cartazes
a sujar com seu estrume todas as faces da cidade
a subjugar os miseráveis com sua faca de dois gumes.
Não sei dos homens que ficaram
A tramar o futuro.
Sei dos homens que se rebelaram
E voaram ara desencontrá-lo.
E guardam seus segredos
No fundo dos olhos banhados de medo
a ruminar a verde folhagem da esperança
a embalar a coragem que ainda não nasceu.
Sei dos homens que se foram
E se perderam
Com seu medo
Desejos e sonhos secretos.
Desconheço todos os homens de fé
E todas as formas de felicidade
Que espalham-se em inumeráveis cartazes
a sujar com seu estrume todas as faces da cidade
a subjugar os miseráveis com sua faca de dois gumes.
Não sei dos homens que ficaram
A tramar o futuro.
Sei dos homens que se rebelaram
E voaram ara desencontrá-lo.
808
Nelson Nunes
Aos que Se Foram
Não sei dos homens que ficaram
E guardam seus segredos
No fundo dos olhos banhados de medo
a ruminar a verde folhagem da esperança
a embalar a coragem que ainda não nasceu.
Sei dos homens que se foram
E se perderam
Com seu medo
Desejos e sonhos secretos.
Desconheço todos os homens de fé
E todas as formas de felicidade
Que espalham-se em inumeráveis cartazes
a sujar com seu estrume todas as faces da cidade
a subjugar os miseráveis com sua faca de dois gumes.
Não sei dos homens que ficaram
A tramar o futuro.
Sei dos homens que se rebelaram
E voaram ara desencontrá-lo.
E guardam seus segredos
No fundo dos olhos banhados de medo
a ruminar a verde folhagem da esperança
a embalar a coragem que ainda não nasceu.
Sei dos homens que se foram
E se perderam
Com seu medo
Desejos e sonhos secretos.
Desconheço todos os homens de fé
E todas as formas de felicidade
Que espalham-se em inumeráveis cartazes
a sujar com seu estrume todas as faces da cidade
a subjugar os miseráveis com sua faca de dois gumes.
Não sei dos homens que ficaram
A tramar o futuro.
Sei dos homens que se rebelaram
E voaram ara desencontrá-lo.
808
Nelson Nunes
Aos que Se Foram
Não sei dos homens que ficaram
E guardam seus segredos
No fundo dos olhos banhados de medo
a ruminar a verde folhagem da esperança
a embalar a coragem que ainda não nasceu.
Sei dos homens que se foram
E se perderam
Com seu medo
Desejos e sonhos secretos.
Desconheço todos os homens de fé
E todas as formas de felicidade
Que espalham-se em inumeráveis cartazes
a sujar com seu estrume todas as faces da cidade
a subjugar os miseráveis com sua faca de dois gumes.
Não sei dos homens que ficaram
A tramar o futuro.
Sei dos homens que se rebelaram
E voaram ara desencontrá-lo.
E guardam seus segredos
No fundo dos olhos banhados de medo
a ruminar a verde folhagem da esperança
a embalar a coragem que ainda não nasceu.
Sei dos homens que se foram
E se perderam
Com seu medo
Desejos e sonhos secretos.
Desconheço todos os homens de fé
E todas as formas de felicidade
Que espalham-se em inumeráveis cartazes
a sujar com seu estrume todas as faces da cidade
a subjugar os miseráveis com sua faca de dois gumes.
Não sei dos homens que ficaram
A tramar o futuro.
Sei dos homens que se rebelaram
E voaram ara desencontrá-lo.
808
Newton de Freitas
Belo Exemplo
Olho a serra apontando para o céu
com os braços grandes dos seus picos,
com os dedos verdes das suas árvores.
Mas bem que ela não esquece os humildes,
nem o chão, nem as pedras que jazem a seus pés.
E pelo abismo, vinda das alturas,
como se fosse um véu de rendas,
como se fosse prata liqüefeita,
salta a linda cascata,
borbulhando eternal.
Ouço. A água geme entre as pedras lodosas,
canta e murmura, ou será que soluça?
Esse barulho de água beijando os penhascos
deve ser um poema de amor
que a serra sabe de cor para dizer ao chão...
Bendito o Deus-poeta que te fez, cascata!
Bendita a Natureza onde palpitam sonhos,
sonhos de amor, belezas, ilusões,
em todos os recantos, até nos abismos!
Cascata, és um sonho líquido e sublime.
De dia o sol se veste de ouro para contemplar-te,
de noite a lua e as estrelas te namoram sorrindo.
Tu vens do coração profundo das montanhas
e és um beijo eterno da nobreza da serra
à humilde chá das campinas sem glórias.
Quando os homens passarem a teus pés,
quando os homens te contemplarem,
os deslumbrados e os indiferentes,
ensina a eles o teu exemplo de fraternidade,
mostra-lhes a tua lição, cascata!
com os braços grandes dos seus picos,
com os dedos verdes das suas árvores.
Mas bem que ela não esquece os humildes,
nem o chão, nem as pedras que jazem a seus pés.
E pelo abismo, vinda das alturas,
como se fosse um véu de rendas,
como se fosse prata liqüefeita,
salta a linda cascata,
borbulhando eternal.
Ouço. A água geme entre as pedras lodosas,
canta e murmura, ou será que soluça?
Esse barulho de água beijando os penhascos
deve ser um poema de amor
que a serra sabe de cor para dizer ao chão...
Bendito o Deus-poeta que te fez, cascata!
Bendita a Natureza onde palpitam sonhos,
sonhos de amor, belezas, ilusões,
em todos os recantos, até nos abismos!
Cascata, és um sonho líquido e sublime.
De dia o sol se veste de ouro para contemplar-te,
de noite a lua e as estrelas te namoram sorrindo.
Tu vens do coração profundo das montanhas
e és um beijo eterno da nobreza da serra
à humilde chá das campinas sem glórias.
Quando os homens passarem a teus pés,
quando os homens te contemplarem,
os deslumbrados e os indiferentes,
ensina a eles o teu exemplo de fraternidade,
mostra-lhes a tua lição, cascata!
910
Noel Nascimento
Astrovate
Fazedor de artes,
no tempo dos aeroplanos
tornei-me um astrovate.
Em frente à igrejinha
ao lado da escola,
haviam arrancado o pinheiro
— uma Torre de Babel vegetal —
antes que alcançara o céu.
Fora lá a plataforma
(largo onde atracavam os circos)
dos meus vôos iniciais.
Eu subia as ruas do arco-íris
no meu carrinho.
Na pipa,
me levava o vento
até o fim do carretel.
No balão,
seguia com os da Via Láctea,
tocha — o coração.
Comigo no clarão do lombo
corcoveava no ar
o boitatá.
Espelhavam um céu estrelado
os campos
com o lume dos pirilampos.
Eu deslizava de patins
pelas nuvens,
e meu pai ia me buscar
com a vara de marmelo.
Nas asas de uma borboleta,
vi a Terra multicor.
Nos Andes
eram as asa de um condor,
e sobre o Oriente
apenas um tapete voador.
Antes,
muito antes dos astronautas
dei uma volta pelo universo
na cauda de um cometa.
Com tecnologia de brinquedo
inventei uma astronave,
aprendi a dirigi-la
com um bando de andorinhas.
No primeiro lançamento
houve explosão na plataforma:
nove soldadinhos de chumbo
morreram.
Num passe de poesia,
batuta, pena ou pincel
fazem o prodígio:
vôo pelas pautas
de compasso em compasso:
pelas tintas, pelas palavras.
Viajo entre contos e lendas.
Tudo é real:
o País de Alice,
deslumbra-me o dos sacis-pererês.
A Terra viajo tão rápido
que a Itália parece a bota de sete léguas
do gigante.
Em órbita flutua,
mas dispara além da lua;
aprendiz de feiticeiro,
não sei como pará-la.
Quanto mais se distancia,
surge mais perto
como se a saudade a impelira.
Aumenta o nariz de Pinóquio
com a mentira,
acorda a Bela Adormecida
com um beijo,
uma bruxa muda gente
em sapo ou serpente,
o astrovate faz a sua nave
um condão de versos.
Com a fuselagem a coruscar nas entrelinhas
das estrelas,
o poema peregrina anunciando
a revolução da Fraternidade
para salvar a vida na Terra
com os encantos das historinhas.
no tempo dos aeroplanos
tornei-me um astrovate.
Em frente à igrejinha
ao lado da escola,
haviam arrancado o pinheiro
— uma Torre de Babel vegetal —
antes que alcançara o céu.
Fora lá a plataforma
(largo onde atracavam os circos)
dos meus vôos iniciais.
Eu subia as ruas do arco-íris
no meu carrinho.
Na pipa,
me levava o vento
até o fim do carretel.
No balão,
seguia com os da Via Láctea,
tocha — o coração.
Comigo no clarão do lombo
corcoveava no ar
o boitatá.
Espelhavam um céu estrelado
os campos
com o lume dos pirilampos.
Eu deslizava de patins
pelas nuvens,
e meu pai ia me buscar
com a vara de marmelo.
Nas asas de uma borboleta,
vi a Terra multicor.
Nos Andes
eram as asa de um condor,
e sobre o Oriente
apenas um tapete voador.
Antes,
muito antes dos astronautas
dei uma volta pelo universo
na cauda de um cometa.
Com tecnologia de brinquedo
inventei uma astronave,
aprendi a dirigi-la
com um bando de andorinhas.
No primeiro lançamento
houve explosão na plataforma:
nove soldadinhos de chumbo
morreram.
Num passe de poesia,
batuta, pena ou pincel
fazem o prodígio:
vôo pelas pautas
de compasso em compasso:
pelas tintas, pelas palavras.
Viajo entre contos e lendas.
Tudo é real:
o País de Alice,
deslumbra-me o dos sacis-pererês.
A Terra viajo tão rápido
que a Itália parece a bota de sete léguas
do gigante.
Em órbita flutua,
mas dispara além da lua;
aprendiz de feiticeiro,
não sei como pará-la.
Quanto mais se distancia,
surge mais perto
como se a saudade a impelira.
Aumenta o nariz de Pinóquio
com a mentira,
acorda a Bela Adormecida
com um beijo,
uma bruxa muda gente
em sapo ou serpente,
o astrovate faz a sua nave
um condão de versos.
Com a fuselagem a coruscar nas entrelinhas
das estrelas,
o poema peregrina anunciando
a revolução da Fraternidade
para salvar a vida na Terra
com os encantos das historinhas.
887
Noel Rosa
Chuva de Vento
Quem nunca viu
Chuva de vendo a fantasia
Vá em Caxambu, de dia
Domingo de carnaval!
Chuva de vento
Só essa de Caxambu!
Domingo chove chuchu
E venta água mineral!
Um espanhol
Que está me ouvindo desconfia
Dessa chuva a fantasia
Que abala Caxambu
Esse espanhol
Que na mentira não me ganha
Garantiu que lá na Espanha
Chove bala pra chuchu!
Chuva de vento
É quando o vento dá na chuva
Sol com chuva - céu cinzento
Casamento de viúva
Zeca Secura
Da fazenda do Anzol
Quando chove não vê sol
Vai comprar feijão no centro
Bebe dez litros
De cachaça em meia hora
Pra aguentá chuva por fora
Tem que se molhar por dentro
Vento danado
É aquele lá de Minas
Sopra em cima das meninas
Diverte a população
Até os velhos
Vão correndo pras janelas
Pra ver se algumas delas
Já usa combinação
Fez sol com chuva
Uma viúva lá da Penha
Disse que não há quem tenha
Tanto pretendente junto
Mas um por um
Dos pretendentes é otário
Pois o vencedor do páreo
Ganha resto de defunto
Quem nunca viu
Chuva de vento a fantasia
Vá em Caxambu de dia
Domingo de carnaval
Chuva de vento
Só essa de Caxambu
Domingo chove chuchu
E venta água mineral!
Um Zé Pau-dágua
Tem um amigo parasita
Não trabalha e sempre grita:
"Viva Deus e chova arroz!"
Gritando assim
Do seu povo ele se vinga
Viva Deus e chova pinga
Que arroz nasce depois
Chuva de vento
Muita gente desconfia
Dessa chuva fantasia
Que eu vi em Caxambu
Se o espanhol
Contar a dele não me ganha
Vai dizer que na Espanha
Chove bala pra chuchu!
Chuva de vendo a fantasia
Vá em Caxambu, de dia
Domingo de carnaval!
Chuva de vento
Só essa de Caxambu!
Domingo chove chuchu
E venta água mineral!
Um espanhol
Que está me ouvindo desconfia
Dessa chuva a fantasia
Que abala Caxambu
Esse espanhol
Que na mentira não me ganha
Garantiu que lá na Espanha
Chove bala pra chuchu!
Chuva de vento
É quando o vento dá na chuva
Sol com chuva - céu cinzento
Casamento de viúva
Zeca Secura
Da fazenda do Anzol
Quando chove não vê sol
Vai comprar feijão no centro
Bebe dez litros
De cachaça em meia hora
Pra aguentá chuva por fora
Tem que se molhar por dentro
Vento danado
É aquele lá de Minas
Sopra em cima das meninas
Diverte a população
Até os velhos
Vão correndo pras janelas
Pra ver se algumas delas
Já usa combinação
Fez sol com chuva
Uma viúva lá da Penha
Disse que não há quem tenha
Tanto pretendente junto
Mas um por um
Dos pretendentes é otário
Pois o vencedor do páreo
Ganha resto de defunto
Quem nunca viu
Chuva de vento a fantasia
Vá em Caxambu de dia
Domingo de carnaval
Chuva de vento
Só essa de Caxambu
Domingo chove chuchu
E venta água mineral!
Um Zé Pau-dágua
Tem um amigo parasita
Não trabalha e sempre grita:
"Viva Deus e chova arroz!"
Gritando assim
Do seu povo ele se vinga
Viva Deus e chova pinga
Que arroz nasce depois
Chuva de vento
Muita gente desconfia
Dessa chuva fantasia
Que eu vi em Caxambu
Se o espanhol
Contar a dele não me ganha
Vai dizer que na Espanha
Chove bala pra chuchu!
1 075
Noel Rosa
Chuva de Vento
Quem nunca viu
Chuva de vendo a fantasia
Vá em Caxambu, de dia
Domingo de carnaval!
Chuva de vento
Só essa de Caxambu!
Domingo chove chuchu
E venta água mineral!
Um espanhol
Que está me ouvindo desconfia
Dessa chuva a fantasia
Que abala Caxambu
Esse espanhol
Que na mentira não me ganha
Garantiu que lá na Espanha
Chove bala pra chuchu!
Chuva de vento
É quando o vento dá na chuva
Sol com chuva - céu cinzento
Casamento de viúva
Zeca Secura
Da fazenda do Anzol
Quando chove não vê sol
Vai comprar feijão no centro
Bebe dez litros
De cachaça em meia hora
Pra aguentá chuva por fora
Tem que se molhar por dentro
Vento danado
É aquele lá de Minas
Sopra em cima das meninas
Diverte a população
Até os velhos
Vão correndo pras janelas
Pra ver se algumas delas
Já usa combinação
Fez sol com chuva
Uma viúva lá da Penha
Disse que não há quem tenha
Tanto pretendente junto
Mas um por um
Dos pretendentes é otário
Pois o vencedor do páreo
Ganha resto de defunto
Quem nunca viu
Chuva de vento a fantasia
Vá em Caxambu de dia
Domingo de carnaval
Chuva de vento
Só essa de Caxambu
Domingo chove chuchu
E venta água mineral!
Um Zé Pau-dágua
Tem um amigo parasita
Não trabalha e sempre grita:
"Viva Deus e chova arroz!"
Gritando assim
Do seu povo ele se vinga
Viva Deus e chova pinga
Que arroz nasce depois
Chuva de vento
Muita gente desconfia
Dessa chuva fantasia
Que eu vi em Caxambu
Se o espanhol
Contar a dele não me ganha
Vai dizer que na Espanha
Chove bala pra chuchu!
Chuva de vendo a fantasia
Vá em Caxambu, de dia
Domingo de carnaval!
Chuva de vento
Só essa de Caxambu!
Domingo chove chuchu
E venta água mineral!
Um espanhol
Que está me ouvindo desconfia
Dessa chuva a fantasia
Que abala Caxambu
Esse espanhol
Que na mentira não me ganha
Garantiu que lá na Espanha
Chove bala pra chuchu!
Chuva de vento
É quando o vento dá na chuva
Sol com chuva - céu cinzento
Casamento de viúva
Zeca Secura
Da fazenda do Anzol
Quando chove não vê sol
Vai comprar feijão no centro
Bebe dez litros
De cachaça em meia hora
Pra aguentá chuva por fora
Tem que se molhar por dentro
Vento danado
É aquele lá de Minas
Sopra em cima das meninas
Diverte a população
Até os velhos
Vão correndo pras janelas
Pra ver se algumas delas
Já usa combinação
Fez sol com chuva
Uma viúva lá da Penha
Disse que não há quem tenha
Tanto pretendente junto
Mas um por um
Dos pretendentes é otário
Pois o vencedor do páreo
Ganha resto de defunto
Quem nunca viu
Chuva de vento a fantasia
Vá em Caxambu de dia
Domingo de carnaval
Chuva de vento
Só essa de Caxambu
Domingo chove chuchu
E venta água mineral!
Um Zé Pau-dágua
Tem um amigo parasita
Não trabalha e sempre grita:
"Viva Deus e chova arroz!"
Gritando assim
Do seu povo ele se vinga
Viva Deus e chova pinga
Que arroz nasce depois
Chuva de vento
Muita gente desconfia
Dessa chuva fantasia
Que eu vi em Caxambu
Se o espanhol
Contar a dele não me ganha
Vai dizer que na Espanha
Chove bala pra chuchu!
1 075
Nascimento Moraes Filho
Evocação
Poetas, meus irmãos, acompanhar meu grito!
— Eu sou o sofrimento dos sem nome!
— Eu sou a voz dos oprimidos!
Não tanjo a lira mágica de Orfeu
de quem as aves se acercavam para ouvi-lo
e lhe vinham lamber os pés as próprias feras!
As láureas, meus irmãos, olímpicas não busco
com que cingis de glórias os vossos sonhos!
— Cravaram-me a coroa dos crucificados!
Minha Castália — são as lágrimas do Povo;
Meu Parnaso — a Dor da minha Gente!
Meu instrumento é poliforme e rude!...
Não tem o aristocrático perfil das harpas nobres
nem as rutilações de sons das pedras raras.
— Ele é Clamor!
Ruge nos seus trons
o estrugir do Povo em Praça pública!
Poetas, meus irmãos, acompanhar meu grito!
Maldigo a resignação infame dos covardes!
— Eu prego a rebeldia estóica dos heróis:
— Meu Evangelho é a Liberdade!
A Liberdade, meus irmãos,
tem a forma simbólica da Cruz
e a cor do sangue!
— O sangue é o apanágio da Conquista!
Poetas, meus irmãos, acompanhar meu grito!
Jesus,
se conquistou os céus com suas orações,
Ele, o Redentor,
sobre a terra triunfou com o sangue do seu corpo!
Sangue, flâmula bendita,
e, no Calvário — FÉ — aberta em Cruz!
Poetas, meus irmãos, acompanhar meu grito!
— Eu sou o sofrimento dos sem nome!
— Eu sou a voz dos oprimidos!
Não tanjo a lira mágica de Orfeu
de quem as aves se acercavam para ouvi-lo
e lhe vinham lamber os pés as próprias feras!
As láureas, meus irmãos, olímpicas não busco
com que cingis de glórias os vossos sonhos!
— Cravaram-me a coroa dos crucificados!
Minha Castália — são as lágrimas do Povo;
Meu Parnaso — a Dor da minha Gente!
Meu instrumento é poliforme e rude!...
Não tem o aristocrático perfil das harpas nobres
nem as rutilações de sons das pedras raras.
— Ele é Clamor!
Ruge nos seus trons
o estrugir do Povo em Praça pública!
Poetas, meus irmãos, acompanhar meu grito!
Maldigo a resignação infame dos covardes!
— Eu prego a rebeldia estóica dos heróis:
— Meu Evangelho é a Liberdade!
A Liberdade, meus irmãos,
tem a forma simbólica da Cruz
e a cor do sangue!
— O sangue é o apanágio da Conquista!
Poetas, meus irmãos, acompanhar meu grito!
Jesus,
se conquistou os céus com suas orações,
Ele, o Redentor,
sobre a terra triunfou com o sangue do seu corpo!
Sangue, flâmula bendita,
e, no Calvário — FÉ — aberta em Cruz!
Poetas, meus irmãos, acompanhar meu grito!
1 089
Nascimento Moraes Filho
Evocação
Poetas, meus irmãos, acompanhar meu grito!
— Eu sou o sofrimento dos sem nome!
— Eu sou a voz dos oprimidos!
Não tanjo a lira mágica de Orfeu
de quem as aves se acercavam para ouvi-lo
e lhe vinham lamber os pés as próprias feras!
As láureas, meus irmãos, olímpicas não busco
com que cingis de glórias os vossos sonhos!
— Cravaram-me a coroa dos crucificados!
Minha Castália — são as lágrimas do Povo;
Meu Parnaso — a Dor da minha Gente!
Meu instrumento é poliforme e rude!...
Não tem o aristocrático perfil das harpas nobres
nem as rutilações de sons das pedras raras.
— Ele é Clamor!
Ruge nos seus trons
o estrugir do Povo em Praça pública!
Poetas, meus irmãos, acompanhar meu grito!
Maldigo a resignação infame dos covardes!
— Eu prego a rebeldia estóica dos heróis:
— Meu Evangelho é a Liberdade!
A Liberdade, meus irmãos,
tem a forma simbólica da Cruz
e a cor do sangue!
— O sangue é o apanágio da Conquista!
Poetas, meus irmãos, acompanhar meu grito!
Jesus,
se conquistou os céus com suas orações,
Ele, o Redentor,
sobre a terra triunfou com o sangue do seu corpo!
Sangue, flâmula bendita,
e, no Calvário — FÉ — aberta em Cruz!
Poetas, meus irmãos, acompanhar meu grito!
— Eu sou o sofrimento dos sem nome!
— Eu sou a voz dos oprimidos!
Não tanjo a lira mágica de Orfeu
de quem as aves se acercavam para ouvi-lo
e lhe vinham lamber os pés as próprias feras!
As láureas, meus irmãos, olímpicas não busco
com que cingis de glórias os vossos sonhos!
— Cravaram-me a coroa dos crucificados!
Minha Castália — são as lágrimas do Povo;
Meu Parnaso — a Dor da minha Gente!
Meu instrumento é poliforme e rude!...
Não tem o aristocrático perfil das harpas nobres
nem as rutilações de sons das pedras raras.
— Ele é Clamor!
Ruge nos seus trons
o estrugir do Povo em Praça pública!
Poetas, meus irmãos, acompanhar meu grito!
Maldigo a resignação infame dos covardes!
— Eu prego a rebeldia estóica dos heróis:
— Meu Evangelho é a Liberdade!
A Liberdade, meus irmãos,
tem a forma simbólica da Cruz
e a cor do sangue!
— O sangue é o apanágio da Conquista!
Poetas, meus irmãos, acompanhar meu grito!
Jesus,
se conquistou os céus com suas orações,
Ele, o Redentor,
sobre a terra triunfou com o sangue do seu corpo!
Sangue, flâmula bendita,
e, no Calvário — FÉ — aberta em Cruz!
Poetas, meus irmãos, acompanhar meu grito!
1 089
Nascimento Moraes Filho
Evocação
Poetas, meus irmãos, acompanhar meu grito!
— Eu sou o sofrimento dos sem nome!
— Eu sou a voz dos oprimidos!
Não tanjo a lira mágica de Orfeu
de quem as aves se acercavam para ouvi-lo
e lhe vinham lamber os pés as próprias feras!
As láureas, meus irmãos, olímpicas não busco
com que cingis de glórias os vossos sonhos!
— Cravaram-me a coroa dos crucificados!
Minha Castália — são as lágrimas do Povo;
Meu Parnaso — a Dor da minha Gente!
Meu instrumento é poliforme e rude!...
Não tem o aristocrático perfil das harpas nobres
nem as rutilações de sons das pedras raras.
— Ele é Clamor!
Ruge nos seus trons
o estrugir do Povo em Praça pública!
Poetas, meus irmãos, acompanhar meu grito!
Maldigo a resignação infame dos covardes!
— Eu prego a rebeldia estóica dos heróis:
— Meu Evangelho é a Liberdade!
A Liberdade, meus irmãos,
tem a forma simbólica da Cruz
e a cor do sangue!
— O sangue é o apanágio da Conquista!
Poetas, meus irmãos, acompanhar meu grito!
Jesus,
se conquistou os céus com suas orações,
Ele, o Redentor,
sobre a terra triunfou com o sangue do seu corpo!
Sangue, flâmula bendita,
e, no Calvário — FÉ — aberta em Cruz!
Poetas, meus irmãos, acompanhar meu grito!
— Eu sou o sofrimento dos sem nome!
— Eu sou a voz dos oprimidos!
Não tanjo a lira mágica de Orfeu
de quem as aves se acercavam para ouvi-lo
e lhe vinham lamber os pés as próprias feras!
As láureas, meus irmãos, olímpicas não busco
com que cingis de glórias os vossos sonhos!
— Cravaram-me a coroa dos crucificados!
Minha Castália — são as lágrimas do Povo;
Meu Parnaso — a Dor da minha Gente!
Meu instrumento é poliforme e rude!...
Não tem o aristocrático perfil das harpas nobres
nem as rutilações de sons das pedras raras.
— Ele é Clamor!
Ruge nos seus trons
o estrugir do Povo em Praça pública!
Poetas, meus irmãos, acompanhar meu grito!
Maldigo a resignação infame dos covardes!
— Eu prego a rebeldia estóica dos heróis:
— Meu Evangelho é a Liberdade!
A Liberdade, meus irmãos,
tem a forma simbólica da Cruz
e a cor do sangue!
— O sangue é o apanágio da Conquista!
Poetas, meus irmãos, acompanhar meu grito!
Jesus,
se conquistou os céus com suas orações,
Ele, o Redentor,
sobre a terra triunfou com o sangue do seu corpo!
Sangue, flâmula bendita,
e, no Calvário — FÉ — aberta em Cruz!
Poetas, meus irmãos, acompanhar meu grito!
1 089
Nascimento Moraes Filho
Evocação
Poetas, meus irmãos, acompanhar meu grito!
— Eu sou o sofrimento dos sem nome!
— Eu sou a voz dos oprimidos!
Não tanjo a lira mágica de Orfeu
de quem as aves se acercavam para ouvi-lo
e lhe vinham lamber os pés as próprias feras!
As láureas, meus irmãos, olímpicas não busco
com que cingis de glórias os vossos sonhos!
— Cravaram-me a coroa dos crucificados!
Minha Castália — são as lágrimas do Povo;
Meu Parnaso — a Dor da minha Gente!
Meu instrumento é poliforme e rude!...
Não tem o aristocrático perfil das harpas nobres
nem as rutilações de sons das pedras raras.
— Ele é Clamor!
Ruge nos seus trons
o estrugir do Povo em Praça pública!
Poetas, meus irmãos, acompanhar meu grito!
Maldigo a resignação infame dos covardes!
— Eu prego a rebeldia estóica dos heróis:
— Meu Evangelho é a Liberdade!
A Liberdade, meus irmãos,
tem a forma simbólica da Cruz
e a cor do sangue!
— O sangue é o apanágio da Conquista!
Poetas, meus irmãos, acompanhar meu grito!
Jesus,
se conquistou os céus com suas orações,
Ele, o Redentor,
sobre a terra triunfou com o sangue do seu corpo!
Sangue, flâmula bendita,
e, no Calvário — FÉ — aberta em Cruz!
Poetas, meus irmãos, acompanhar meu grito!
— Eu sou o sofrimento dos sem nome!
— Eu sou a voz dos oprimidos!
Não tanjo a lira mágica de Orfeu
de quem as aves se acercavam para ouvi-lo
e lhe vinham lamber os pés as próprias feras!
As láureas, meus irmãos, olímpicas não busco
com que cingis de glórias os vossos sonhos!
— Cravaram-me a coroa dos crucificados!
Minha Castália — são as lágrimas do Povo;
Meu Parnaso — a Dor da minha Gente!
Meu instrumento é poliforme e rude!...
Não tem o aristocrático perfil das harpas nobres
nem as rutilações de sons das pedras raras.
— Ele é Clamor!
Ruge nos seus trons
o estrugir do Povo em Praça pública!
Poetas, meus irmãos, acompanhar meu grito!
Maldigo a resignação infame dos covardes!
— Eu prego a rebeldia estóica dos heróis:
— Meu Evangelho é a Liberdade!
A Liberdade, meus irmãos,
tem a forma simbólica da Cruz
e a cor do sangue!
— O sangue é o apanágio da Conquista!
Poetas, meus irmãos, acompanhar meu grito!
Jesus,
se conquistou os céus com suas orações,
Ele, o Redentor,
sobre a terra triunfou com o sangue do seu corpo!
Sangue, flâmula bendita,
e, no Calvário — FÉ — aberta em Cruz!
Poetas, meus irmãos, acompanhar meu grito!
1 089
Noel Rosa
Cem Mil-Réis
Você me pediu cem mil-réis
Pra comprar um soirée
E um tamborim
O organdi anda barato pra cachorro
E um gato lá no morro
Não é tão caro assim
Não custa nada
Preencher formalidade
Tamborim pra batucada
Soirée pra sociedade
Sou bem sensato
Seu pedido atendi
Já tenho a pele do gato
Falta o metro de organdi
Sei que você
Num dia faz um tamborim
Mas ninguém faz um soirée
Com meio metro de cetim
De soirée
você num baile se destaca
Mas não quero mais você
Porque não sei vestir casaca.
Pra comprar um soirée
E um tamborim
O organdi anda barato pra cachorro
E um gato lá no morro
Não é tão caro assim
Não custa nada
Preencher formalidade
Tamborim pra batucada
Soirée pra sociedade
Sou bem sensato
Seu pedido atendi
Já tenho a pele do gato
Falta o metro de organdi
Sei que você
Num dia faz um tamborim
Mas ninguém faz um soirée
Com meio metro de cetim
De soirée
você num baile se destaca
Mas não quero mais você
Porque não sei vestir casaca.
1 026
Noel Rosa
Cem Mil-Réis
Você me pediu cem mil-réis
Pra comprar um soirée
E um tamborim
O organdi anda barato pra cachorro
E um gato lá no morro
Não é tão caro assim
Não custa nada
Preencher formalidade
Tamborim pra batucada
Soirée pra sociedade
Sou bem sensato
Seu pedido atendi
Já tenho a pele do gato
Falta o metro de organdi
Sei que você
Num dia faz um tamborim
Mas ninguém faz um soirée
Com meio metro de cetim
De soirée
você num baile se destaca
Mas não quero mais você
Porque não sei vestir casaca.
Pra comprar um soirée
E um tamborim
O organdi anda barato pra cachorro
E um gato lá no morro
Não é tão caro assim
Não custa nada
Preencher formalidade
Tamborim pra batucada
Soirée pra sociedade
Sou bem sensato
Seu pedido atendi
Já tenho a pele do gato
Falta o metro de organdi
Sei que você
Num dia faz um tamborim
Mas ninguém faz um soirée
Com meio metro de cetim
De soirée
você num baile se destaca
Mas não quero mais você
Porque não sei vestir casaca.
1 026
Noel Rosa
Cidade Mulher
Cidade de amor e ventura
Que tem mais doçura
Que uma ilusão
Cidade mais bela que o sorriso
Maior que o paraíso
Melhor que a tentação
Cidade que ninguém resiste
Na beleza triste
De um samba-canção
Cidade de flores sem abrolhos
Que encantando nossos olhos
Prende o nosso coração
Cidade notável
Inimitável
Maior e mais bela que outra qualquer
Cidade sensível
Irresistível
Cidade do amor, cidade mulher
Cidade de sonho e grandeza
Que guarda riqueza
Na terra e no mar
Cidade do céu sempre azulado
Teu sol é namorado
Das noites de luar
Cidade padrão de beleza
Foi a natureza
Quem te protegeu
Cidade de amores sem pecado
Foi juntinho ao Corcovado
Que Jesus Cristo nasceu.
Que tem mais doçura
Que uma ilusão
Cidade mais bela que o sorriso
Maior que o paraíso
Melhor que a tentação
Cidade que ninguém resiste
Na beleza triste
De um samba-canção
Cidade de flores sem abrolhos
Que encantando nossos olhos
Prende o nosso coração
Cidade notável
Inimitável
Maior e mais bela que outra qualquer
Cidade sensível
Irresistível
Cidade do amor, cidade mulher
Cidade de sonho e grandeza
Que guarda riqueza
Na terra e no mar
Cidade do céu sempre azulado
Teu sol é namorado
Das noites de luar
Cidade padrão de beleza
Foi a natureza
Quem te protegeu
Cidade de amores sem pecado
Foi juntinho ao Corcovado
Que Jesus Cristo nasceu.
980
José Olimpio
Sou Alentejano
Sou alentejano
poeta e cantor
filho dos montados
neto de uma flor.
Não tive lições
de livros doirados
não usei nos dedos
anéis brasonados.
Nasci entre as dobras
de ventos e trigos
- nunca traí os amigos.
Sou alentejano
poeta e cantor
só falo das coisas
que falem de amor:
das rosas, dos rios,
dos velhos maiorais...
Das águias altivas
dos tristes pardais
das lendas e loas
de ritos antigos...
- nunca traí os amigos.
Sou alentejano.
Um homem não mais
com pulsos de feno
sangue de pinhais.
Não fui às estrelas
senão a sonhar.
Não tive castelos
senão de luar.
Andei pelos montes
dormi em abrigos
- Nunca traí os amigos
poeta e cantor
filho dos montados
neto de uma flor.
Não tive lições
de livros doirados
não usei nos dedos
anéis brasonados.
Nasci entre as dobras
de ventos e trigos
- nunca traí os amigos.
Sou alentejano
poeta e cantor
só falo das coisas
que falem de amor:
das rosas, dos rios,
dos velhos maiorais...
Das águias altivas
dos tristes pardais
das lendas e loas
de ritos antigos...
- nunca traí os amigos.
Sou alentejano.
Um homem não mais
com pulsos de feno
sangue de pinhais.
Não fui às estrelas
senão a sonhar.
Não tive castelos
senão de luar.
Andei pelos montes
dormi em abrigos
- Nunca traí os amigos
428
José Olimpio
Sou Alentejano
Sou alentejano
poeta e cantor
filho dos montados
neto de uma flor.
Não tive lições
de livros doirados
não usei nos dedos
anéis brasonados.
Nasci entre as dobras
de ventos e trigos
- nunca traí os amigos.
Sou alentejano
poeta e cantor
só falo das coisas
que falem de amor:
das rosas, dos rios,
dos velhos maiorais...
Das águias altivas
dos tristes pardais
das lendas e loas
de ritos antigos...
- nunca traí os amigos.
Sou alentejano.
Um homem não mais
com pulsos de feno
sangue de pinhais.
Não fui às estrelas
senão a sonhar.
Não tive castelos
senão de luar.
Andei pelos montes
dormi em abrigos
- Nunca traí os amigos
poeta e cantor
filho dos montados
neto de uma flor.
Não tive lições
de livros doirados
não usei nos dedos
anéis brasonados.
Nasci entre as dobras
de ventos e trigos
- nunca traí os amigos.
Sou alentejano
poeta e cantor
só falo das coisas
que falem de amor:
das rosas, dos rios,
dos velhos maiorais...
Das águias altivas
dos tristes pardais
das lendas e loas
de ritos antigos...
- nunca traí os amigos.
Sou alentejano.
Um homem não mais
com pulsos de feno
sangue de pinhais.
Não fui às estrelas
senão a sonhar.
Não tive castelos
senão de luar.
Andei pelos montes
dormi em abrigos
- Nunca traí os amigos
428
Neco Martins
Pega do Cel Neco e Chica Barrósa
Neco:
Eu, agora estou ciente,
que negro não é cristão
pois a alma dessa gente
saiu debaixo do chão,
e lá na mensão celeste
não entra quem é ladrão
Barrósa:
Mais, seu Neco, a diferença
entre nós é só na cô,
eu também fui batizada,
sô cristão cuma o sinhô
de lançar mão no aleie,
nunca ninguém me acusô !
se quiser Nosso Sinhô
vai o branco pra cozinha
e o preto para o andô !
Neco:
De onde veio essa negra
com fama de cantador ?
querendo ser respeitada
como se fosse um senhor!
pois negro na minha terra
só come é chiquerador !
Barrósa:
Mas seu Neco, me permita
dizer o que foi notado:
que num beco sem saída
quando eu deixo encorrentado:
vem o branco contra mim,
façanhudo e tão irado.
Tome agora um bom conselho,
numa tão boa hora dado,
não é preciso mostrar-se
carrancudo e agastado.
Branco que canta com preto
não pode ser respeitado !
Eu, agora estou ciente,
que negro não é cristão
pois a alma dessa gente
saiu debaixo do chão,
e lá na mensão celeste
não entra quem é ladrão
Barrósa:
Mais, seu Neco, a diferença
entre nós é só na cô,
eu também fui batizada,
sô cristão cuma o sinhô
de lançar mão no aleie,
nunca ninguém me acusô !
se quiser Nosso Sinhô
vai o branco pra cozinha
e o preto para o andô !
Neco:
De onde veio essa negra
com fama de cantador ?
querendo ser respeitada
como se fosse um senhor!
pois negro na minha terra
só come é chiquerador !
Barrósa:
Mas seu Neco, me permita
dizer o que foi notado:
que num beco sem saída
quando eu deixo encorrentado:
vem o branco contra mim,
façanhudo e tão irado.
Tome agora um bom conselho,
numa tão boa hora dado,
não é preciso mostrar-se
carrancudo e agastado.
Branco que canta com preto
não pode ser respeitado !
818
Neco Martins
Pega do Cel Neco e Chica Barrósa
Neco:
Eu, agora estou ciente,
que negro não é cristão
pois a alma dessa gente
saiu debaixo do chão,
e lá na mensão celeste
não entra quem é ladrão
Barrósa:
Mais, seu Neco, a diferença
entre nós é só na cô,
eu também fui batizada,
sô cristão cuma o sinhô
de lançar mão no aleie,
nunca ninguém me acusô !
se quiser Nosso Sinhô
vai o branco pra cozinha
e o preto para o andô !
Neco:
De onde veio essa negra
com fama de cantador ?
querendo ser respeitada
como se fosse um senhor!
pois negro na minha terra
só come é chiquerador !
Barrósa:
Mas seu Neco, me permita
dizer o que foi notado:
que num beco sem saída
quando eu deixo encorrentado:
vem o branco contra mim,
façanhudo e tão irado.
Tome agora um bom conselho,
numa tão boa hora dado,
não é preciso mostrar-se
carrancudo e agastado.
Branco que canta com preto
não pode ser respeitado !
Eu, agora estou ciente,
que negro não é cristão
pois a alma dessa gente
saiu debaixo do chão,
e lá na mensão celeste
não entra quem é ladrão
Barrósa:
Mais, seu Neco, a diferença
entre nós é só na cô,
eu também fui batizada,
sô cristão cuma o sinhô
de lançar mão no aleie,
nunca ninguém me acusô !
se quiser Nosso Sinhô
vai o branco pra cozinha
e o preto para o andô !
Neco:
De onde veio essa negra
com fama de cantador ?
querendo ser respeitada
como se fosse um senhor!
pois negro na minha terra
só come é chiquerador !
Barrósa:
Mas seu Neco, me permita
dizer o que foi notado:
que num beco sem saída
quando eu deixo encorrentado:
vem o branco contra mim,
façanhudo e tão irado.
Tome agora um bom conselho,
numa tão boa hora dado,
não é preciso mostrar-se
carrancudo e agastado.
Branco que canta com preto
não pode ser respeitado !
818