Poemas neste tema
Sociedade e Mundo
Max Diniz Cruzeiro
A distância, distanciam-se pensamentos
A distância, distanciam-se pensamentos
Aproximam-se emoções, redescobrem-se pensamentos
Exilar-se é preciso, viver é preciso
Amar é necessário...
Perdem-se e conquistam terras,
ganha-se poder, adquire-se fama
Mas nada pode se comparar
a alegria de tê-la ao lado meu
Exílio da Pátria mãe,
algo doloroso
Exílio de você,
algo penoso,
letal...mortal
Aproximam-se emoções, redescobrem-se pensamentos
Exilar-se é preciso, viver é preciso
Amar é necessário...
Perdem-se e conquistam terras,
ganha-se poder, adquire-se fama
Mas nada pode se comparar
a alegria de tê-la ao lado meu
Exílio da Pátria mãe,
algo doloroso
Exílio de você,
algo penoso,
letal...mortal
717
Mário Donizete Massari
África
(uma canção)
Negra paisagem
fere os olhos
de quem pode ver
e o medo guardado
pode a qualquer hora explodir
O palco que encena
os homens sensatos
que fazem a guerra
como quem começa
a viver
e nunca dão trégua
para que se possa
renascer
E rola no espaço
dor estilhaço
pedaços de vida
que a inconsciência
condenou
África continente
negra paz céu azul
explorada e servil
África fome e guerra
condenada e tão bela
irmã do povo Brasil
Negra paisagem
fere os olhos
de quem pode ver
e o medo guardado
pode a qualquer hora explodir
O palco que encena
os homens sensatos
que fazem a guerra
como quem começa
a viver
e nunca dão trégua
para que se possa
renascer
E rola no espaço
dor estilhaço
pedaços de vida
que a inconsciência
condenou
África continente
negra paz céu azul
explorada e servil
África fome e guerra
condenada e tão bela
irmã do povo Brasil
851
Mário Donizete Massari
África
(uma canção)
Negra paisagem
fere os olhos
de quem pode ver
e o medo guardado
pode a qualquer hora explodir
O palco que encena
os homens sensatos
que fazem a guerra
como quem começa
a viver
e nunca dão trégua
para que se possa
renascer
E rola no espaço
dor estilhaço
pedaços de vida
que a inconsciência
condenou
África continente
negra paz céu azul
explorada e servil
África fome e guerra
condenada e tão bela
irmã do povo Brasil
Negra paisagem
fere os olhos
de quem pode ver
e o medo guardado
pode a qualquer hora explodir
O palco que encena
os homens sensatos
que fazem a guerra
como quem começa
a viver
e nunca dão trégua
para que se possa
renascer
E rola no espaço
dor estilhaço
pedaços de vida
que a inconsciência
condenou
África continente
negra paz céu azul
explorada e servil
África fome e guerra
condenada e tão bela
irmã do povo Brasil
851
Mário Donizete Massari
África
(uma canção)
Negra paisagem
fere os olhos
de quem pode ver
e o medo guardado
pode a qualquer hora explodir
O palco que encena
os homens sensatos
que fazem a guerra
como quem começa
a viver
e nunca dão trégua
para que se possa
renascer
E rola no espaço
dor estilhaço
pedaços de vida
que a inconsciência
condenou
África continente
negra paz céu azul
explorada e servil
África fome e guerra
condenada e tão bela
irmã do povo Brasil
Negra paisagem
fere os olhos
de quem pode ver
e o medo guardado
pode a qualquer hora explodir
O palco que encena
os homens sensatos
que fazem a guerra
como quem começa
a viver
e nunca dão trégua
para que se possa
renascer
E rola no espaço
dor estilhaço
pedaços de vida
que a inconsciência
condenou
África continente
negra paz céu azul
explorada e servil
África fome e guerra
condenada e tão bela
irmã do povo Brasil
851
Mário Donizete Massari
Monafa
Notícia de Jornal
"Morreu ninguém
nesse dia qualquer
a tal hora
não carece cuidados"
M aria
O ndulava
R eluzia
T ranscendia
A brangia a essência de "ser"
N ascia com a brancura do dia
A manhecia
F estiva do
A mor que
V ivia
E xalava
L eve
A ragem, feito brisa
Renascia com a morte que lhe sorria
"Morreu ninguém
nesse dia qualquer
a tal hora
não carece cuidados"
M aria
O ndulava
R eluzia
T ranscendia
A brangia a essência de "ser"
N ascia com a brancura do dia
A manhecia
F estiva do
A mor que
V ivia
E xalava
L eve
A ragem, feito brisa
Renascia com a morte que lhe sorria
1 046
Mário Donizete Massari
Primeira Vez
Um dia João
resolveu sair
do seu silêncio
e em frente à fábrica
pôs-se a recitar poesias
era hora do almoço . . .
barriga vazia
Todos olhavam-no
admirados
negavam-se a acreditar
que aquele fosse
"o joão de todos os dias"
Foi alvo das atenções
pela primeira vez na vida
resolveu sair
do seu silêncio
e em frente à fábrica
pôs-se a recitar poesias
era hora do almoço . . .
barriga vazia
Todos olhavam-no
admirados
negavam-se a acreditar
que aquele fosse
"o joão de todos os dias"
Foi alvo das atenções
pela primeira vez na vida
937
Mário Donizete Massari
Primeira Vez
Um dia João
resolveu sair
do seu silêncio
e em frente à fábrica
pôs-se a recitar poesias
era hora do almoço . . .
barriga vazia
Todos olhavam-no
admirados
negavam-se a acreditar
que aquele fosse
"o joão de todos os dias"
Foi alvo das atenções
pela primeira vez na vida
resolveu sair
do seu silêncio
e em frente à fábrica
pôs-se a recitar poesias
era hora do almoço . . .
barriga vazia
Todos olhavam-no
admirados
negavam-se a acreditar
que aquele fosse
"o joão de todos os dias"
Foi alvo das atenções
pela primeira vez na vida
937
Mário Donizete Massari
Primeira Vez
Um dia João
resolveu sair
do seu silêncio
e em frente à fábrica
pôs-se a recitar poesias
era hora do almoço . . .
barriga vazia
Todos olhavam-no
admirados
negavam-se a acreditar
que aquele fosse
"o joão de todos os dias"
Foi alvo das atenções
pela primeira vez na vida
resolveu sair
do seu silêncio
e em frente à fábrica
pôs-se a recitar poesias
era hora do almoço . . .
barriga vazia
Todos olhavam-no
admirados
negavam-se a acreditar
que aquele fosse
"o joão de todos os dias"
Foi alvo das atenções
pela primeira vez na vida
937
Mário Donizete Massari
Raimundo
(Perfil de um cidadão comum)
Raimundo
imundo perfil do mundo
(aos olhos de quem se faz surdo)
e não ouve do profundo os gritos
soturnos de fé.
Raimundo
imundo perfil do mundo
mundo que se fez muro
e dividiu vários mundos.
Mundo, todo mundo
te busca; no dia a dia
dos vagabundos
nos palhaços do olhos
escuros
cujo brilho já muito se perdeu.
Somos todos palhaços do mundo
e Raimundo é apenas o perfil imundo
aos olhos de quem é surdo.
Raimundo
imundo perfil do mundo
(aos olhos de quem se faz surdo)
e não ouve do profundo os gritos
soturnos de fé.
Raimundo
imundo perfil do mundo
mundo que se fez muro
e dividiu vários mundos.
Mundo, todo mundo
te busca; no dia a dia
dos vagabundos
nos palhaços do olhos
escuros
cujo brilho já muito se perdeu.
Somos todos palhaços do mundo
e Raimundo é apenas o perfil imundo
aos olhos de quem é surdo.
911
Mário Donizete Massari
Raimundo
(Perfil de um cidadão comum)
Raimundo
imundo perfil do mundo
(aos olhos de quem se faz surdo)
e não ouve do profundo os gritos
soturnos de fé.
Raimundo
imundo perfil do mundo
mundo que se fez muro
e dividiu vários mundos.
Mundo, todo mundo
te busca; no dia a dia
dos vagabundos
nos palhaços do olhos
escuros
cujo brilho já muito se perdeu.
Somos todos palhaços do mundo
e Raimundo é apenas o perfil imundo
aos olhos de quem é surdo.
Raimundo
imundo perfil do mundo
(aos olhos de quem se faz surdo)
e não ouve do profundo os gritos
soturnos de fé.
Raimundo
imundo perfil do mundo
mundo que se fez muro
e dividiu vários mundos.
Mundo, todo mundo
te busca; no dia a dia
dos vagabundos
nos palhaços do olhos
escuros
cujo brilho já muito se perdeu.
Somos todos palhaços do mundo
e Raimundo é apenas o perfil imundo
aos olhos de quem é surdo.
911
António Manuel Couto Viana
Alegoria
Fruto tão maduro
Que me apodreceu.
Foi-se a colheita do futuro:
Podeis aproveitar, aves do céu!
Pomar de luto.
Venha outro Outono pra me consolar;
Outro fruto
Que mate a minha fome e sede de cantar.
E não mais espantalhos a suster
A gula natural dos meus sentidos:
Seja, enfim, livre pra morder,
Ainda verde, o que nascer
Destes ramos despidos!
Que me apodreceu.
Foi-se a colheita do futuro:
Podeis aproveitar, aves do céu!
Pomar de luto.
Venha outro Outono pra me consolar;
Outro fruto
Que mate a minha fome e sede de cantar.
E não mais espantalhos a suster
A gula natural dos meus sentidos:
Seja, enfim, livre pra morder,
Ainda verde, o que nascer
Destes ramos despidos!
1 724
Magna Celi
Vereda
Quero penetrar a grota recôndita
do viver,
e colher
uma realidade madura.
Viver não é aceitar os fac-símiles
amontoados dos ancestrais,
viver é dar cambalhotas com um sorriso
e enfrentar com fé uma guinada:
fazer o mundo amoldar-se a nós.
do viver,
e colher
uma realidade madura.
Viver não é aceitar os fac-símiles
amontoados dos ancestrais,
viver é dar cambalhotas com um sorriso
e enfrentar com fé uma guinada:
fazer o mundo amoldar-se a nós.
389
Magna Celi
Vereda
Quero penetrar a grota recôndita
do viver,
e colher
uma realidade madura.
Viver não é aceitar os fac-símiles
amontoados dos ancestrais,
viver é dar cambalhotas com um sorriso
e enfrentar com fé uma guinada:
fazer o mundo amoldar-se a nós.
do viver,
e colher
uma realidade madura.
Viver não é aceitar os fac-símiles
amontoados dos ancestrais,
viver é dar cambalhotas com um sorriso
e enfrentar com fé uma guinada:
fazer o mundo amoldar-se a nós.
389
Maurício Batarce
O Espelho da Vida
Quem não sonhou um campo
Para se livrar da cidade?
Quem nunca,
Navegando em pensamento,
Mirou-se nas águas cristalinas de um riacho?
Quem nunca se viu jazido
Sob uma árvore frondosa?
Quem jamais se identificou
Com paz e tranqüilidade?
Quem nunca aspirou
Um modo de vida além do seu?
Quem, em hipótese alguma,
Deixa-se deitar sobre a areia da praia,
Ou sobre as gramíneas do campo?
Quem nunca respirou as estrelas?
Quem não tem atração pelos ruídos da noite
E pelas sombras adentrando o quarto?
Quem apartaria de si uma aventura misteriosa?
Quem pensa em se aproximar
Da realidade e do quotidiano?
Quem não gosta de aspirar o ar marinho?
Quem nunca enfrentou fantasmas?
Quem se arrepende de relembrar?
Quem não tem prazeres?
Quem nunca navegou com a brisa no rosto?
Quem nunca preferiu a vida à morte
Ou a morte à vida?
Para se livrar da cidade?
Quem nunca,
Navegando em pensamento,
Mirou-se nas águas cristalinas de um riacho?
Quem nunca se viu jazido
Sob uma árvore frondosa?
Quem jamais se identificou
Com paz e tranqüilidade?
Quem nunca aspirou
Um modo de vida além do seu?
Quem, em hipótese alguma,
Deixa-se deitar sobre a areia da praia,
Ou sobre as gramíneas do campo?
Quem nunca respirou as estrelas?
Quem não tem atração pelos ruídos da noite
E pelas sombras adentrando o quarto?
Quem apartaria de si uma aventura misteriosa?
Quem pensa em se aproximar
Da realidade e do quotidiano?
Quem não gosta de aspirar o ar marinho?
Quem nunca enfrentou fantasmas?
Quem se arrepende de relembrar?
Quem não tem prazeres?
Quem nunca navegou com a brisa no rosto?
Quem nunca preferiu a vida à morte
Ou a morte à vida?
1 003
Moniz Bandeira
Canto do Outubro
Que ficou de teu mundo?
Onde aqueles que te ajudaram a construí-lo?
Os muros tragaram balas e palavras
e a erva cresceu sobre os lábios dos mortos
que a noite ocultou.
Sempre noite, sempre inverno,
flocos de neve caindo
na memória dos que marcaram
as estradas do tempo.
Os mortos.
Sangue, pólvora, cinza, pedra,
e um século preso nos seus dentes.
Vê a alvorada,
a alvorada que vem,
que ainda vem,
que surgirá de lágrimas e de sonhos,
quando nos campos,
verdes campos,
hoje cobertos de neve,
as sementes brotarem e as árvores florescerem.
quando todas as vozes,
rasgando túmulos e quebrando espelhos,
vibrarem nos subterrâneos do mundo.
Vê quantos homens
caminham pela madrugada.
Eles esperam por ti.
Esperam que os relógios sangrem
à dor das horas.
Que os rios contidos
desemboquem pela boca dos mortos
despertados ao canto das aves
e dos clarins de fogo da alvorada.
E o sol,
O sol que tu levaste nas mãos,
será de todos.
Onde aqueles que te ajudaram a construí-lo?
Os muros tragaram balas e palavras
e a erva cresceu sobre os lábios dos mortos
que a noite ocultou.
Sempre noite, sempre inverno,
flocos de neve caindo
na memória dos que marcaram
as estradas do tempo.
Os mortos.
Sangue, pólvora, cinza, pedra,
e um século preso nos seus dentes.
Vê a alvorada,
a alvorada que vem,
que ainda vem,
que surgirá de lágrimas e de sonhos,
quando nos campos,
verdes campos,
hoje cobertos de neve,
as sementes brotarem e as árvores florescerem.
quando todas as vozes,
rasgando túmulos e quebrando espelhos,
vibrarem nos subterrâneos do mundo.
Vê quantos homens
caminham pela madrugada.
Eles esperam por ti.
Esperam que os relógios sangrem
à dor das horas.
Que os rios contidos
desemboquem pela boca dos mortos
despertados ao canto das aves
e dos clarins de fogo da alvorada.
E o sol,
O sol que tu levaste nas mãos,
será de todos.
977
Martinho de Brenderode
Alentejo
Campo triste, o Alentejo, triste!... Assim:
Na primavera, verde, muito verde...
Tudo queimado no verão... Sem fim
Os horizontes onde o olhar se perde.
Como eremita ou solitário monge,
Pela charneca rasa, sem um monte,
Surde, por vezes, uma torre ao longe,
Ao longe, muito ao longe, no horizonte...
Dserto requeimado... Urzes e brejo...
Ninguém!... Ninguém!... Tristeza e dor sem par!
Terra do Sul!... Charnecas do Alentejo!
Horizontes sem fim como os do mar...
Perfume muito doce das estevas,
Melada flor que qualquer toque espanca.
Cevas de abelhas, inebriantes cevas.
— Esteva das charnecas, branca, branca...
Poisios desolados de tristeza,
Onde a baga vermelha do medronho
Acende alegre a nota da suspresa...
— Clarim rasgando enevoado sonho...
A sem igual riqueza do sobreiro!
Lembra fortuna rústica e maciça.
Nutre os porcos, dá sombra ao caminheiro,
Dá lenha, dá carvão e dá cortiça.
Na primavera, verde, muito verde...
Tudo queimado no verão... Sem fim
Os horizontes onde o olhar se perde.
Como eremita ou solitário monge,
Pela charneca rasa, sem um monte,
Surde, por vezes, uma torre ao longe,
Ao longe, muito ao longe, no horizonte...
Dserto requeimado... Urzes e brejo...
Ninguém!... Ninguém!... Tristeza e dor sem par!
Terra do Sul!... Charnecas do Alentejo!
Horizontes sem fim como os do mar...
Perfume muito doce das estevas,
Melada flor que qualquer toque espanca.
Cevas de abelhas, inebriantes cevas.
— Esteva das charnecas, branca, branca...
Poisios desolados de tristeza,
Onde a baga vermelha do medronho
Acende alegre a nota da suspresa...
— Clarim rasgando enevoado sonho...
A sem igual riqueza do sobreiro!
Lembra fortuna rústica e maciça.
Nutre os porcos, dá sombra ao caminheiro,
Dá lenha, dá carvão e dá cortiça.
1 049
Mário António
Poema
Quando li Jubiabá
me cri Antônio Balduíno.
Meu Primo, que nunca o leu
ficou Zeca Camarão.
Eh Zeca!
Vamos os dois numa chunga
Vamos farrar toda a noite
Vamos levar duas moças
para a praia da Rotunda!
Zeca me ensina o caminho:
Sou Antônio Balduíno.
E fomos farrar por aí,
Camarão na minha frente,
Nem verdiano se mete:
Na frente Zé Camarão,
Balduíno vai no trás.
Que moça levou meu primo!
Vai remexendo no samba
que nem a negra Rosenda;
Eu praqui olhando só!
Que moça que ele levou!
Cabrita que vira os olhos.
Meu Primo, rei do musseque:
Eu praqui olhando só!
Meu primo tá segredando:
Nossa Senhora da Ilha
ou que outra feiticeira?
A moça o acompanhando.
Zé Camarão a levou:
E eu para aqui a secar.
Eu eu para aqui a secar.
me cri Antônio Balduíno.
Meu Primo, que nunca o leu
ficou Zeca Camarão.
Eh Zeca!
Vamos os dois numa chunga
Vamos farrar toda a noite
Vamos levar duas moças
para a praia da Rotunda!
Zeca me ensina o caminho:
Sou Antônio Balduíno.
E fomos farrar por aí,
Camarão na minha frente,
Nem verdiano se mete:
Na frente Zé Camarão,
Balduíno vai no trás.
Que moça levou meu primo!
Vai remexendo no samba
que nem a negra Rosenda;
Eu praqui olhando só!
Que moça que ele levou!
Cabrita que vira os olhos.
Meu Primo, rei do musseque:
Eu praqui olhando só!
Meu primo tá segredando:
Nossa Senhora da Ilha
ou que outra feiticeira?
A moça o acompanhando.
Zé Camarão a levou:
E eu para aqui a secar.
Eu eu para aqui a secar.
1 479
Sérgio Mattos
Independência
O sonho do poeta
não pode ser vendido
nem o amor, comprado.
O meu sonho e o meu amor
sobrevivem nesta sociedade artificial,
regida pela economia de mercado,
cheia de inflação e corrupção,
porque não precisam de autorização oficial.
não pode ser vendido
nem o amor, comprado.
O meu sonho e o meu amor
sobrevivem nesta sociedade artificial,
regida pela economia de mercado,
cheia de inflação e corrupção,
porque não precisam de autorização oficial.
895
Sérgio Mattos
Independência
O sonho do poeta
não pode ser vendido
nem o amor, comprado.
O meu sonho e o meu amor
sobrevivem nesta sociedade artificial,
regida pela economia de mercado,
cheia de inflação e corrupção,
porque não precisam de autorização oficial.
não pode ser vendido
nem o amor, comprado.
O meu sonho e o meu amor
sobrevivem nesta sociedade artificial,
regida pela economia de mercado,
cheia de inflação e corrupção,
porque não precisam de autorização oficial.
895
Martônio de Vasconcelos
Ocarina: O Som do Barro
A Virgílio Maia,
poeta singular, amigo plural
Doce barro das terras nordestinas,
Ressoando este som que não se apaga,
na leveza da argila e das resinas,
Som da noite e de festa, som que afaga.
É o acorde da noite que termina
Com os dedos tocando agalopado;
É o som da araponga, é um trinado,
É a doçura da voz de uma menina.
Este barro que canta e que extasia
E que é clave de sol, é nostalgia,
É prisão de um pássaro canoro.
Ocarina: dos ventos, dos anuns:
Se te ouvi uma tarde em Garanhuns,
Sei dos grãos do teu lírico sonoro!
poeta singular, amigo plural
Doce barro das terras nordestinas,
Ressoando este som que não se apaga,
na leveza da argila e das resinas,
Som da noite e de festa, som que afaga.
É o acorde da noite que termina
Com os dedos tocando agalopado;
É o som da araponga, é um trinado,
É a doçura da voz de uma menina.
Este barro que canta e que extasia
E que é clave de sol, é nostalgia,
É prisão de um pássaro canoro.
Ocarina: dos ventos, dos anuns:
Se te ouvi uma tarde em Garanhuns,
Sei dos grãos do teu lírico sonoro!
931
Martinho de Brenderode
Vendas
Vendas cheias de pó... Na tabuleta
Azul, sob a coroa, o costumado
Dizer — em letra irregular e inquieta —
Tabacos — e, por baixo: Habelitado.
E nalgumas, à aragem balouçando,
Suspensos dum barbante ou dum cordel,
Cigarros de madeira, mal lembrando
Um maço de cigarros de papel.
Vendas... Vinho e Petiscos — corriqueira
Legenda repetida em letras toscas...
Vendas cheias de moscas e poeira
— No Sul tudo é poeira, sol e moscas.
Direito à porta, mão pintada acena...
— Quem quer matar a fome, a fome e a sede? —
Vinho e petiscos... Alto aqui! — ordena
A frase imperativa da parede.
Queijinho duro, velho, a amarelar...
Peixe frito, azeitonas e saladas.
Vinhos do Sul... O Torres — popular —,
Borba e Cartaxo — prontos à facada.
Vendas cheias de gente... Sardinheiros
Sempre a choutar na estrada...Caçadores,
Bronzeados caçadores, perdigueiros,
Almocreves bulhentos, faladores.
Vendas por dentro escuras... Mas por fora
Faz mal à vista o branco das paredes!
O Sul à cal mais branca tudo afora
— Árabe Sul!... na alvura a tudo excedes.
(Lisboa, 1905)
Azul, sob a coroa, o costumado
Dizer — em letra irregular e inquieta —
Tabacos — e, por baixo: Habelitado.
E nalgumas, à aragem balouçando,
Suspensos dum barbante ou dum cordel,
Cigarros de madeira, mal lembrando
Um maço de cigarros de papel.
Vendas... Vinho e Petiscos — corriqueira
Legenda repetida em letras toscas...
Vendas cheias de moscas e poeira
— No Sul tudo é poeira, sol e moscas.
Direito à porta, mão pintada acena...
— Quem quer matar a fome, a fome e a sede? —
Vinho e petiscos... Alto aqui! — ordena
A frase imperativa da parede.
Queijinho duro, velho, a amarelar...
Peixe frito, azeitonas e saladas.
Vinhos do Sul... O Torres — popular —,
Borba e Cartaxo — prontos à facada.
Vendas cheias de gente... Sardinheiros
Sempre a choutar na estrada...Caçadores,
Bronzeados caçadores, perdigueiros,
Almocreves bulhentos, faladores.
Vendas por dentro escuras... Mas por fora
Faz mal à vista o branco das paredes!
O Sul à cal mais branca tudo afora
— Árabe Sul!... na alvura a tudo excedes.
(Lisboa, 1905)
868
Martinho de Brenderode
Vendas
Vendas cheias de pó... Na tabuleta
Azul, sob a coroa, o costumado
Dizer — em letra irregular e inquieta —
Tabacos — e, por baixo: Habelitado.
E nalgumas, à aragem balouçando,
Suspensos dum barbante ou dum cordel,
Cigarros de madeira, mal lembrando
Um maço de cigarros de papel.
Vendas... Vinho e Petiscos — corriqueira
Legenda repetida em letras toscas...
Vendas cheias de moscas e poeira
— No Sul tudo é poeira, sol e moscas.
Direito à porta, mão pintada acena...
— Quem quer matar a fome, a fome e a sede? —
Vinho e petiscos... Alto aqui! — ordena
A frase imperativa da parede.
Queijinho duro, velho, a amarelar...
Peixe frito, azeitonas e saladas.
Vinhos do Sul... O Torres — popular —,
Borba e Cartaxo — prontos à facada.
Vendas cheias de gente... Sardinheiros
Sempre a choutar na estrada...Caçadores,
Bronzeados caçadores, perdigueiros,
Almocreves bulhentos, faladores.
Vendas por dentro escuras... Mas por fora
Faz mal à vista o branco das paredes!
O Sul à cal mais branca tudo afora
— Árabe Sul!... na alvura a tudo excedes.
(Lisboa, 1905)
Azul, sob a coroa, o costumado
Dizer — em letra irregular e inquieta —
Tabacos — e, por baixo: Habelitado.
E nalgumas, à aragem balouçando,
Suspensos dum barbante ou dum cordel,
Cigarros de madeira, mal lembrando
Um maço de cigarros de papel.
Vendas... Vinho e Petiscos — corriqueira
Legenda repetida em letras toscas...
Vendas cheias de moscas e poeira
— No Sul tudo é poeira, sol e moscas.
Direito à porta, mão pintada acena...
— Quem quer matar a fome, a fome e a sede? —
Vinho e petiscos... Alto aqui! — ordena
A frase imperativa da parede.
Queijinho duro, velho, a amarelar...
Peixe frito, azeitonas e saladas.
Vinhos do Sul... O Torres — popular —,
Borba e Cartaxo — prontos à facada.
Vendas cheias de gente... Sardinheiros
Sempre a choutar na estrada...Caçadores,
Bronzeados caçadores, perdigueiros,
Almocreves bulhentos, faladores.
Vendas por dentro escuras... Mas por fora
Faz mal à vista o branco das paredes!
O Sul à cal mais branca tudo afora
— Árabe Sul!... na alvura a tudo excedes.
(Lisboa, 1905)
868
Martinho de Brenderode
Vendas
Vendas cheias de pó... Na tabuleta
Azul, sob a coroa, o costumado
Dizer — em letra irregular e inquieta —
Tabacos — e, por baixo: Habelitado.
E nalgumas, à aragem balouçando,
Suspensos dum barbante ou dum cordel,
Cigarros de madeira, mal lembrando
Um maço de cigarros de papel.
Vendas... Vinho e Petiscos — corriqueira
Legenda repetida em letras toscas...
Vendas cheias de moscas e poeira
— No Sul tudo é poeira, sol e moscas.
Direito à porta, mão pintada acena...
— Quem quer matar a fome, a fome e a sede? —
Vinho e petiscos... Alto aqui! — ordena
A frase imperativa da parede.
Queijinho duro, velho, a amarelar...
Peixe frito, azeitonas e saladas.
Vinhos do Sul... O Torres — popular —,
Borba e Cartaxo — prontos à facada.
Vendas cheias de gente... Sardinheiros
Sempre a choutar na estrada...Caçadores,
Bronzeados caçadores, perdigueiros,
Almocreves bulhentos, faladores.
Vendas por dentro escuras... Mas por fora
Faz mal à vista o branco das paredes!
O Sul à cal mais branca tudo afora
— Árabe Sul!... na alvura a tudo excedes.
(Lisboa, 1905)
Azul, sob a coroa, o costumado
Dizer — em letra irregular e inquieta —
Tabacos — e, por baixo: Habelitado.
E nalgumas, à aragem balouçando,
Suspensos dum barbante ou dum cordel,
Cigarros de madeira, mal lembrando
Um maço de cigarros de papel.
Vendas... Vinho e Petiscos — corriqueira
Legenda repetida em letras toscas...
Vendas cheias de moscas e poeira
— No Sul tudo é poeira, sol e moscas.
Direito à porta, mão pintada acena...
— Quem quer matar a fome, a fome e a sede? —
Vinho e petiscos... Alto aqui! — ordena
A frase imperativa da parede.
Queijinho duro, velho, a amarelar...
Peixe frito, azeitonas e saladas.
Vinhos do Sul... O Torres — popular —,
Borba e Cartaxo — prontos à facada.
Vendas cheias de gente... Sardinheiros
Sempre a choutar na estrada...Caçadores,
Bronzeados caçadores, perdigueiros,
Almocreves bulhentos, faladores.
Vendas por dentro escuras... Mas por fora
Faz mal à vista o branco das paredes!
O Sul à cal mais branca tudo afora
— Árabe Sul!... na alvura a tudo excedes.
(Lisboa, 1905)
868
Maurício Batarce
Prazer
Gostos se misturam com sabores
E uma sensação de prazer invade meu ser.
Uma visão inconfundível de cores
Demonstram meu renascer.
Uma nuvem,
Com as formas circulares da Terra,
Encontra a Liberdade
E ao fundo um céu se abre...
Passo a sentir o topo das montanhas
E capto os caminhos do Horizonte.
O mar invade a areia
E as curvas do arco-íris se cruzam.
A floresta do conhecer
Abre passagem e a vida de muitos seres
Transmite força ao meu viver...
Em sonho o frescor de uma brisa
Toca minha face
E ao fundo um som se amplifica,
Demonstrando a energia cósmica...
Capacidade eterna de viver...
Prazer...
E uma sensação de prazer invade meu ser.
Uma visão inconfundível de cores
Demonstram meu renascer.
Uma nuvem,
Com as formas circulares da Terra,
Encontra a Liberdade
E ao fundo um céu se abre...
Passo a sentir o topo das montanhas
E capto os caminhos do Horizonte.
O mar invade a areia
E as curvas do arco-íris se cruzam.
A floresta do conhecer
Abre passagem e a vida de muitos seres
Transmite força ao meu viver...
Em sonho o frescor de uma brisa
Toca minha face
E ao fundo um som se amplifica,
Demonstrando a energia cósmica...
Capacidade eterna de viver...
Prazer...
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