Poemas neste tema
Sociedade e Mundo
Cláudio Murilo
Impunidade
O barão especializou-se em conversas inúteis
e telegramas.
Ganhou muito dinheiro com as guerras púnicas
e a desigualdade social.
Levou uma existência de pasteizinhos de queijo
e taças de hidromel.
Aposentou-se
e viveu dos juros, sem tocar no capital.
Ninguém o castigou, nem Deus nem os homens.
e telegramas.
Ganhou muito dinheiro com as guerras púnicas
e a desigualdade social.
Levou uma existência de pasteizinhos de queijo
e taças de hidromel.
Aposentou-se
e viveu dos juros, sem tocar no capital.
Ninguém o castigou, nem Deus nem os homens.
756
Chagas Val
Poema 10
A vida reinventada
na cidade onde achei
o caminho do meu sonho,
o carinho de seu povo,
a face amiga das ruas
me saudando e me levando
a percorrê-las, fruí-las
nesta suave harmonia,
neste abraço inaugural
do evento em que minha alma
se debruça sobre o tempo
e bebo a água das fontes
e me banho neste mar,
minha sede que sacio
mergulhando o tempo fundo
de um rio invisível
cujas águas transparentes
são o sangue dos escravos
ou o leite das crianças,
seios tépidos de mulheres,
negras bocas a sugar
e seus corpos, nus, esbeltos,
delineiam-se no escuro,
formas belas e serenas,
curvas danças se desenham
sobre o solo do passado,
áureos brandos sons de sinos,
silhuetas da memória
na estória de quem canta
a cidade que nasceu
e cresceu verde-luares,
suas claras mãos de moça
neste abraço comovido.
na cidade onde achei
o caminho do meu sonho,
o carinho de seu povo,
a face amiga das ruas
me saudando e me levando
a percorrê-las, fruí-las
nesta suave harmonia,
neste abraço inaugural
do evento em que minha alma
se debruça sobre o tempo
e bebo a água das fontes
e me banho neste mar,
minha sede que sacio
mergulhando o tempo fundo
de um rio invisível
cujas águas transparentes
são o sangue dos escravos
ou o leite das crianças,
seios tépidos de mulheres,
negras bocas a sugar
e seus corpos, nus, esbeltos,
delineiam-se no escuro,
formas belas e serenas,
curvas danças se desenham
sobre o solo do passado,
áureos brandos sons de sinos,
silhuetas da memória
na estória de quem canta
a cidade que nasceu
e cresceu verde-luares,
suas claras mãos de moça
neste abraço comovido.
1 305
Chagas Val
Poema 10
A vida reinventada
na cidade onde achei
o caminho do meu sonho,
o carinho de seu povo,
a face amiga das ruas
me saudando e me levando
a percorrê-las, fruí-las
nesta suave harmonia,
neste abraço inaugural
do evento em que minha alma
se debruça sobre o tempo
e bebo a água das fontes
e me banho neste mar,
minha sede que sacio
mergulhando o tempo fundo
de um rio invisível
cujas águas transparentes
são o sangue dos escravos
ou o leite das crianças,
seios tépidos de mulheres,
negras bocas a sugar
e seus corpos, nus, esbeltos,
delineiam-se no escuro,
formas belas e serenas,
curvas danças se desenham
sobre o solo do passado,
áureos brandos sons de sinos,
silhuetas da memória
na estória de quem canta
a cidade que nasceu
e cresceu verde-luares,
suas claras mãos de moça
neste abraço comovido.
na cidade onde achei
o caminho do meu sonho,
o carinho de seu povo,
a face amiga das ruas
me saudando e me levando
a percorrê-las, fruí-las
nesta suave harmonia,
neste abraço inaugural
do evento em que minha alma
se debruça sobre o tempo
e bebo a água das fontes
e me banho neste mar,
minha sede que sacio
mergulhando o tempo fundo
de um rio invisível
cujas águas transparentes
são o sangue dos escravos
ou o leite das crianças,
seios tépidos de mulheres,
negras bocas a sugar
e seus corpos, nus, esbeltos,
delineiam-se no escuro,
formas belas e serenas,
curvas danças se desenham
sobre o solo do passado,
áureos brandos sons de sinos,
silhuetas da memória
na estória de quem canta
a cidade que nasceu
e cresceu verde-luares,
suas claras mãos de moça
neste abraço comovido.
1 305
Carolina Vigna Prado
Custos
Você ainda se surpreende. Mérito meu.
Você ainda gosta. Mérito seu.
Custo a compreender sua lógica, se é que existe uma.
Custo a compreender minhas razões. Elas não existem.
Enquanto isso,
você pensa em custos.
Tenho a absoluta certeza de nossa temporalidade.
Me irrito com o desperdício.
Me falta a paciência, me falta tempo.
O tempo é pouco, sempre será.
A consciência da morte não me desespera, apenas me apressa.
Não temos tempo. Nunca o teremos.
Não bastamos.
Seu egocentrismo exacerbado destrói seu prazer.
E você pensa em custos.
Custos.
Que custos?
Não somos únicos.
Não somos os melhores.
Nunca o seremos.
Você ainda gosta. Mérito seu.
Custo a compreender sua lógica, se é que existe uma.
Custo a compreender minhas razões. Elas não existem.
Enquanto isso,
você pensa em custos.
Tenho a absoluta certeza de nossa temporalidade.
Me irrito com o desperdício.
Me falta a paciência, me falta tempo.
O tempo é pouco, sempre será.
A consciência da morte não me desespera, apenas me apressa.
Não temos tempo. Nunca o teremos.
Não bastamos.
Seu egocentrismo exacerbado destrói seu prazer.
E você pensa em custos.
Custos.
Que custos?
Não somos únicos.
Não somos os melhores.
Nunca o seremos.
810
Crisódio T. Araújo
Poema Ancestral
Poema Ancestral
Lembra os dias antigos
Em que cantavas a pureza
Na nudez dos teus passos e gestos
Ou dançavas na inocente vaidade
Ao som dos «babadok».
Relembra as trevas da tua inquietação
E o silêncio das tuas expectativas,
As chuvas, as memórias heróicas,
Os milagres telúricos,
Os fantasmas e os temores.
Tenta lembrar a herança milenar dos teus avós
Traduzida em sabedoria
E verdade de todos.
Recorda a festa das colheitas,
A harmonia dos teus Ritos,
A lição antiga da liberdade,
Filha da natureza.
Recorda a tua fé guerreira,
A lealdade,
E a ternura do teu lar sem limites,
Nos caminhos do inesperado
Ou no improviso da partilha definitiva.
Lembra pela última vez
Que a história da tua ancestralidade
É a história da tua Terra Mãe...
Lembra os dias antigos
Em que cantavas a pureza
Na nudez dos teus passos e gestos
Ou dançavas na inocente vaidade
Ao som dos «babadok».
Relembra as trevas da tua inquietação
E o silêncio das tuas expectativas,
As chuvas, as memórias heróicas,
Os milagres telúricos,
Os fantasmas e os temores.
Tenta lembrar a herança milenar dos teus avós
Traduzida em sabedoria
E verdade de todos.
Recorda a festa das colheitas,
A harmonia dos teus Ritos,
A lição antiga da liberdade,
Filha da natureza.
Recorda a tua fé guerreira,
A lealdade,
E a ternura do teu lar sem limites,
Nos caminhos do inesperado
Ou no improviso da partilha definitiva.
Lembra pela última vez
Que a história da tua ancestralidade
É a história da tua Terra Mãe...
1 957
Crisódio T. Araújo
Poema Ancestral
Poema Ancestral
Lembra os dias antigos
Em que cantavas a pureza
Na nudez dos teus passos e gestos
Ou dançavas na inocente vaidade
Ao som dos «babadok».
Relembra as trevas da tua inquietação
E o silêncio das tuas expectativas,
As chuvas, as memórias heróicas,
Os milagres telúricos,
Os fantasmas e os temores.
Tenta lembrar a herança milenar dos teus avós
Traduzida em sabedoria
E verdade de todos.
Recorda a festa das colheitas,
A harmonia dos teus Ritos,
A lição antiga da liberdade,
Filha da natureza.
Recorda a tua fé guerreira,
A lealdade,
E a ternura do teu lar sem limites,
Nos caminhos do inesperado
Ou no improviso da partilha definitiva.
Lembra pela última vez
Que a história da tua ancestralidade
É a história da tua Terra Mãe...
Lembra os dias antigos
Em que cantavas a pureza
Na nudez dos teus passos e gestos
Ou dançavas na inocente vaidade
Ao som dos «babadok».
Relembra as trevas da tua inquietação
E o silêncio das tuas expectativas,
As chuvas, as memórias heróicas,
Os milagres telúricos,
Os fantasmas e os temores.
Tenta lembrar a herança milenar dos teus avós
Traduzida em sabedoria
E verdade de todos.
Recorda a festa das colheitas,
A harmonia dos teus Ritos,
A lição antiga da liberdade,
Filha da natureza.
Recorda a tua fé guerreira,
A lealdade,
E a ternura do teu lar sem limites,
Nos caminhos do inesperado
Ou no improviso da partilha definitiva.
Lembra pela última vez
Que a história da tua ancestralidade
É a história da tua Terra Mãe...
1 957
Cleonice Rainho
Minha Rainha
Minha mestra é igual mamãe:
amiga, me dá a mão,
abre meu caminho
e põe sentimentos bons
no meu coração.
Minha mestra é inteligente,
tem o dom da bondade
e sabe orientar, ensinar,
fazer a gente
descobrir a verdade
de muitas coisas.
Transmite idéias novas,
que pergunta nas provas,
e... imaginem! também
sabe, como ninguém,
segurar meu pensamento
no exato momento
em que ele quer vadiar...
Minha mestra é minha tia
de mentirinha,
mas, na escola, em casa,
em qualquer lugar,
ela é igual mamãe:
— Minha Rainha!
Por isso, hoje, seu dia,
— Mestra minha, tão querida —
ponho-lhe uma coroa de flores,
para enaltecer sua vida
e aumentar minha. alegria.
amiga, me dá a mão,
abre meu caminho
e põe sentimentos bons
no meu coração.
Minha mestra é inteligente,
tem o dom da bondade
e sabe orientar, ensinar,
fazer a gente
descobrir a verdade
de muitas coisas.
Transmite idéias novas,
que pergunta nas provas,
e... imaginem! também
sabe, como ninguém,
segurar meu pensamento
no exato momento
em que ele quer vadiar...
Minha mestra é minha tia
de mentirinha,
mas, na escola, em casa,
em qualquer lugar,
ela é igual mamãe:
— Minha Rainha!
Por isso, hoje, seu dia,
— Mestra minha, tão querida —
ponho-lhe uma coroa de flores,
para enaltecer sua vida
e aumentar minha. alegria.
1 184
António Manuel Couto Viana
No Leal Senado
Foi construído para a eternidade:
A clareza da face, a rigidez da forma.
Segurança da norma
Da cidade.
Gravou-lhe El-Rei de Portugal
A mais alta legenda
(Nunca a dê, nunca a perca, nunca a venda!):
Outro não houve mais leal.
Dois anjos de joelhos (devida condição!),
Sustentam-lhe o escudo e a coroa.
Na escadaria, a Virgem abre o manto, abençoa:
Misericordioso abrigo e salvação.
A energia do não e o rigor do sim
Sejam a voz de quem lá mora,
Num reflectir atento, ponderado,
Ante a exigência do mandarim,
A anteceder de sempre e não de outrora
nome de Leal Senado.
A clareza da face, a rigidez da forma.
Segurança da norma
Da cidade.
Gravou-lhe El-Rei de Portugal
A mais alta legenda
(Nunca a dê, nunca a perca, nunca a venda!):
Outro não houve mais leal.
Dois anjos de joelhos (devida condição!),
Sustentam-lhe o escudo e a coroa.
Na escadaria, a Virgem abre o manto, abençoa:
Misericordioso abrigo e salvação.
A energia do não e o rigor do sim
Sejam a voz de quem lá mora,
Num reflectir atento, ponderado,
Ante a exigência do mandarim,
A anteceder de sempre e não de outrora
nome de Leal Senado.
1 071
António Manuel Couto Viana
No Leal Senado
Foi construído para a eternidade:
A clareza da face, a rigidez da forma.
Segurança da norma
Da cidade.
Gravou-lhe El-Rei de Portugal
A mais alta legenda
(Nunca a dê, nunca a perca, nunca a venda!):
Outro não houve mais leal.
Dois anjos de joelhos (devida condição!),
Sustentam-lhe o escudo e a coroa.
Na escadaria, a Virgem abre o manto, abençoa:
Misericordioso abrigo e salvação.
A energia do não e o rigor do sim
Sejam a voz de quem lá mora,
Num reflectir atento, ponderado,
Ante a exigência do mandarim,
A anteceder de sempre e não de outrora
nome de Leal Senado.
A clareza da face, a rigidez da forma.
Segurança da norma
Da cidade.
Gravou-lhe El-Rei de Portugal
A mais alta legenda
(Nunca a dê, nunca a perca, nunca a venda!):
Outro não houve mais leal.
Dois anjos de joelhos (devida condição!),
Sustentam-lhe o escudo e a coroa.
Na escadaria, a Virgem abre o manto, abençoa:
Misericordioso abrigo e salvação.
A energia do não e o rigor do sim
Sejam a voz de quem lá mora,
Num reflectir atento, ponderado,
Ante a exigência do mandarim,
A anteceder de sempre e não de outrora
nome de Leal Senado.
1 071
António Manuel Couto Viana
No Leal Senado
Foi construído para a eternidade:
A clareza da face, a rigidez da forma.
Segurança da norma
Da cidade.
Gravou-lhe El-Rei de Portugal
A mais alta legenda
(Nunca a dê, nunca a perca, nunca a venda!):
Outro não houve mais leal.
Dois anjos de joelhos (devida condição!),
Sustentam-lhe o escudo e a coroa.
Na escadaria, a Virgem abre o manto, abençoa:
Misericordioso abrigo e salvação.
A energia do não e o rigor do sim
Sejam a voz de quem lá mora,
Num reflectir atento, ponderado,
Ante a exigência do mandarim,
A anteceder de sempre e não de outrora
nome de Leal Senado.
A clareza da face, a rigidez da forma.
Segurança da norma
Da cidade.
Gravou-lhe El-Rei de Portugal
A mais alta legenda
(Nunca a dê, nunca a perca, nunca a venda!):
Outro não houve mais leal.
Dois anjos de joelhos (devida condição!),
Sustentam-lhe o escudo e a coroa.
Na escadaria, a Virgem abre o manto, abençoa:
Misericordioso abrigo e salvação.
A energia do não e o rigor do sim
Sejam a voz de quem lá mora,
Num reflectir atento, ponderado,
Ante a exigência do mandarim,
A anteceder de sempre e não de outrora
nome de Leal Senado.
1 071
Carvalho Nogueira
Oração da Noite
— Meu Deus, eu agradeço mais um dia
de vida neste mundo de emoções,
também peço perdão pelos pecados
que cometi, por mais que os evitasse.
E por esses pecados, de joelhos,
perdão suplico, cheio de remorso,
pedindo forças, luzes e talento
para evitá-los quando me tentarem.
Como dissestes que a gente batesse,
que as portas se abririam de repente,
rogo pela felicidade dos meus filhos.
Pelas almas dos maus também eu rogo,
pelos que sofrem, pelos que não sabem
rezar uma palavra de perdão.
de vida neste mundo de emoções,
também peço perdão pelos pecados
que cometi, por mais que os evitasse.
E por esses pecados, de joelhos,
perdão suplico, cheio de remorso,
pedindo forças, luzes e talento
para evitá-los quando me tentarem.
Como dissestes que a gente batesse,
que as portas se abririam de repente,
rogo pela felicidade dos meus filhos.
Pelas almas dos maus também eu rogo,
pelos que sofrem, pelos que não sabem
rezar uma palavra de perdão.
1 016
Carlos Nejar
Abandonei-me ao Vento
Abandonei-me ao vento. Quem sou, pode
explicar-te o vento que me invade.
E já perdi o nome ao som da morte,
ganhei um outro livre, que me sabe
quando me levantar e o corpo solte
o meu despojo vão. Em toda parte
o vento há-de soprar, onde não cabe
a morte mais. A morte a morte explode.
E os seus fragmentos caem na viração
e o que ela foi na pedra se consome.
Abandonei-me ao vento como um grão.
Sem a opressão dos ganhos, utensílio,
abandonei-me. E assim fiquei conciso,
eterno. Mas o amor guardou meu nome.
explicar-te o vento que me invade.
E já perdi o nome ao som da morte,
ganhei um outro livre, que me sabe
quando me levantar e o corpo solte
o meu despojo vão. Em toda parte
o vento há-de soprar, onde não cabe
a morte mais. A morte a morte explode.
E os seus fragmentos caem na viração
e o que ela foi na pedra se consome.
Abandonei-me ao vento como um grão.
Sem a opressão dos ganhos, utensílio,
abandonei-me. E assim fiquei conciso,
eterno. Mas o amor guardou meu nome.
1 544
Cleonice Rainho
Idéias
As idéias moram
no pensamento
ou na mente
que tem sua casinha
na cabeça da gente.
Vão e vêm, viajam
na terra ou no mar.
Descansam, param,
saltam e voam alto
e longe, no azul do ar.
Dispensam carro
navio ou avião,
pois, se transportam
pela imaginação.
Podem nascer obscuras,
mas, se é uma idéia legal
brilha logo, lâmpada acesa,
pela Vontade e pelo Ideal.
Alimentam-se
umas das outras,
de lembranças,
de conversas,
de belas gravuras
ou boas leituras
e também da natureza
em sua simples beleza.
Mas, a idéia mais feliz,
a maior, a mais viva,
que sustenta os sonhos meus
— é a idéia de Deus.
no pensamento
ou na mente
que tem sua casinha
na cabeça da gente.
Vão e vêm, viajam
na terra ou no mar.
Descansam, param,
saltam e voam alto
e longe, no azul do ar.
Dispensam carro
navio ou avião,
pois, se transportam
pela imaginação.
Podem nascer obscuras,
mas, se é uma idéia legal
brilha logo, lâmpada acesa,
pela Vontade e pelo Ideal.
Alimentam-se
umas das outras,
de lembranças,
de conversas,
de belas gravuras
ou boas leituras
e também da natureza
em sua simples beleza.
Mas, a idéia mais feliz,
a maior, a mais viva,
que sustenta os sonhos meus
— é a idéia de Deus.
1 069
Corrêa da Silva
Poema do Garoto Anônimo
Eu quero fazer o elogio do garoto anônimo
das ruas da Cidade de São Luís do Maranhão...
Garoto que nasce nos quartos miseráveis dos cortiços
e que fica analfabeto,
por não ter um livro para estudar...
Garoto que não conhece o pai, não sabe o seu nome
e que é filho de uma dessa mulheres pálidas e tristes;
mulheres magras e maltrapilhas;
mulheres que tossem muito
e que têm as mãos calejadas de tanto trabalhar...
Garoto de "cabelo de espeta-goiaba",
camisa de meia listrada
e calça de riscado bem grosso...
Garoto que não tem nem cubos
e nem patins
nem bicicletas
e nem trens de ferro para brincar...
E que esquecido do resto do mundo,
fica, horas inteiras, sentado nas calçadas,
"pixando" castanhas para as "borrocas";
jogando "marta" para dar bolos...
Eu quero fazer o elogio do garoto anônimo
das ruas da Cidade de São Luís do Maranhão...
Garoto que brinca nas velhas praças,
sob a luz tranqüila das estrelas,
o "Ganzola", o "Leitão Queimado" e o "Boca de Forno"...
Garoto que com os seus "alçapões" e as suas "baladeiras"
é o terror da passarada do Apicum e da Quinta do Barão...
Garoto que às vezes vira pintor
e doido de alegria,
longamente,
arbitrariamente,
desenha com carvão calungas
gozadíssimos
nos muros caiados de novo
ou então risca de giz
os lindos azulejos dos sobradões coloniais...
Eu quero fazer o elogio do garoto anônimo
das ruas da Cidade de São Luís do Maranhão...
Garoto que rouba frutas
dos quintais dos vizinhos e dos tabuleiros dos vendedores,
para matar a fome que o atormenta...
Garoto que, "sem querer", quebra com uma pedrada
a vidraça do bangalô do dr. Fulano de Tal
e depois, guinchando
assobiando
vaiando,
corre,
foge,
desaparece,
mal surge à esquina o primeiro guarda...
Garoto que, nos estribos de todos os bondes,
trepa e salta,
até um dia — coitado! — perder as pernas...
Garoto que não tem medo da lama
e descalço,
molhado,
tremendo de frio,
tira caranguejo
na Camboa do Mato e na Fonte do Bispo...
Eu quero fazer o elogio do garoto anônimo
das ruas da Cidade de São Luís do Maranhão...
das ruas da Cidade de São Luís do Maranhão...
Garoto que nasce nos quartos miseráveis dos cortiços
e que fica analfabeto,
por não ter um livro para estudar...
Garoto que não conhece o pai, não sabe o seu nome
e que é filho de uma dessa mulheres pálidas e tristes;
mulheres magras e maltrapilhas;
mulheres que tossem muito
e que têm as mãos calejadas de tanto trabalhar...
Garoto de "cabelo de espeta-goiaba",
camisa de meia listrada
e calça de riscado bem grosso...
Garoto que não tem nem cubos
e nem patins
nem bicicletas
e nem trens de ferro para brincar...
E que esquecido do resto do mundo,
fica, horas inteiras, sentado nas calçadas,
"pixando" castanhas para as "borrocas";
jogando "marta" para dar bolos...
Eu quero fazer o elogio do garoto anônimo
das ruas da Cidade de São Luís do Maranhão...
Garoto que brinca nas velhas praças,
sob a luz tranqüila das estrelas,
o "Ganzola", o "Leitão Queimado" e o "Boca de Forno"...
Garoto que com os seus "alçapões" e as suas "baladeiras"
é o terror da passarada do Apicum e da Quinta do Barão...
Garoto que às vezes vira pintor
e doido de alegria,
longamente,
arbitrariamente,
desenha com carvão calungas
gozadíssimos
nos muros caiados de novo
ou então risca de giz
os lindos azulejos dos sobradões coloniais...
Eu quero fazer o elogio do garoto anônimo
das ruas da Cidade de São Luís do Maranhão...
Garoto que rouba frutas
dos quintais dos vizinhos e dos tabuleiros dos vendedores,
para matar a fome que o atormenta...
Garoto que, "sem querer", quebra com uma pedrada
a vidraça do bangalô do dr. Fulano de Tal
e depois, guinchando
assobiando
vaiando,
corre,
foge,
desaparece,
mal surge à esquina o primeiro guarda...
Garoto que, nos estribos de todos os bondes,
trepa e salta,
até um dia — coitado! — perder as pernas...
Garoto que não tem medo da lama
e descalço,
molhado,
tremendo de frio,
tira caranguejo
na Camboa do Mato e na Fonte do Bispo...
Eu quero fazer o elogio do garoto anônimo
das ruas da Cidade de São Luís do Maranhão...
771
Corrêa da Silva
Poema do Garoto Anônimo
Eu quero fazer o elogio do garoto anônimo
das ruas da Cidade de São Luís do Maranhão...
Garoto que nasce nos quartos miseráveis dos cortiços
e que fica analfabeto,
por não ter um livro para estudar...
Garoto que não conhece o pai, não sabe o seu nome
e que é filho de uma dessa mulheres pálidas e tristes;
mulheres magras e maltrapilhas;
mulheres que tossem muito
e que têm as mãos calejadas de tanto trabalhar...
Garoto de "cabelo de espeta-goiaba",
camisa de meia listrada
e calça de riscado bem grosso...
Garoto que não tem nem cubos
e nem patins
nem bicicletas
e nem trens de ferro para brincar...
E que esquecido do resto do mundo,
fica, horas inteiras, sentado nas calçadas,
"pixando" castanhas para as "borrocas";
jogando "marta" para dar bolos...
Eu quero fazer o elogio do garoto anônimo
das ruas da Cidade de São Luís do Maranhão...
Garoto que brinca nas velhas praças,
sob a luz tranqüila das estrelas,
o "Ganzola", o "Leitão Queimado" e o "Boca de Forno"...
Garoto que com os seus "alçapões" e as suas "baladeiras"
é o terror da passarada do Apicum e da Quinta do Barão...
Garoto que às vezes vira pintor
e doido de alegria,
longamente,
arbitrariamente,
desenha com carvão calungas
gozadíssimos
nos muros caiados de novo
ou então risca de giz
os lindos azulejos dos sobradões coloniais...
Eu quero fazer o elogio do garoto anônimo
das ruas da Cidade de São Luís do Maranhão...
Garoto que rouba frutas
dos quintais dos vizinhos e dos tabuleiros dos vendedores,
para matar a fome que o atormenta...
Garoto que, "sem querer", quebra com uma pedrada
a vidraça do bangalô do dr. Fulano de Tal
e depois, guinchando
assobiando
vaiando,
corre,
foge,
desaparece,
mal surge à esquina o primeiro guarda...
Garoto que, nos estribos de todos os bondes,
trepa e salta,
até um dia — coitado! — perder as pernas...
Garoto que não tem medo da lama
e descalço,
molhado,
tremendo de frio,
tira caranguejo
na Camboa do Mato e na Fonte do Bispo...
Eu quero fazer o elogio do garoto anônimo
das ruas da Cidade de São Luís do Maranhão...
das ruas da Cidade de São Luís do Maranhão...
Garoto que nasce nos quartos miseráveis dos cortiços
e que fica analfabeto,
por não ter um livro para estudar...
Garoto que não conhece o pai, não sabe o seu nome
e que é filho de uma dessa mulheres pálidas e tristes;
mulheres magras e maltrapilhas;
mulheres que tossem muito
e que têm as mãos calejadas de tanto trabalhar...
Garoto de "cabelo de espeta-goiaba",
camisa de meia listrada
e calça de riscado bem grosso...
Garoto que não tem nem cubos
e nem patins
nem bicicletas
e nem trens de ferro para brincar...
E que esquecido do resto do mundo,
fica, horas inteiras, sentado nas calçadas,
"pixando" castanhas para as "borrocas";
jogando "marta" para dar bolos...
Eu quero fazer o elogio do garoto anônimo
das ruas da Cidade de São Luís do Maranhão...
Garoto que brinca nas velhas praças,
sob a luz tranqüila das estrelas,
o "Ganzola", o "Leitão Queimado" e o "Boca de Forno"...
Garoto que com os seus "alçapões" e as suas "baladeiras"
é o terror da passarada do Apicum e da Quinta do Barão...
Garoto que às vezes vira pintor
e doido de alegria,
longamente,
arbitrariamente,
desenha com carvão calungas
gozadíssimos
nos muros caiados de novo
ou então risca de giz
os lindos azulejos dos sobradões coloniais...
Eu quero fazer o elogio do garoto anônimo
das ruas da Cidade de São Luís do Maranhão...
Garoto que rouba frutas
dos quintais dos vizinhos e dos tabuleiros dos vendedores,
para matar a fome que o atormenta...
Garoto que, "sem querer", quebra com uma pedrada
a vidraça do bangalô do dr. Fulano de Tal
e depois, guinchando
assobiando
vaiando,
corre,
foge,
desaparece,
mal surge à esquina o primeiro guarda...
Garoto que, nos estribos de todos os bondes,
trepa e salta,
até um dia — coitado! — perder as pernas...
Garoto que não tem medo da lama
e descalço,
molhado,
tremendo de frio,
tira caranguejo
na Camboa do Mato e na Fonte do Bispo...
Eu quero fazer o elogio do garoto anônimo
das ruas da Cidade de São Luís do Maranhão...
771
Corrêa da Silva
Poema do Garoto Anônimo
Eu quero fazer o elogio do garoto anônimo
das ruas da Cidade de São Luís do Maranhão...
Garoto que nasce nos quartos miseráveis dos cortiços
e que fica analfabeto,
por não ter um livro para estudar...
Garoto que não conhece o pai, não sabe o seu nome
e que é filho de uma dessa mulheres pálidas e tristes;
mulheres magras e maltrapilhas;
mulheres que tossem muito
e que têm as mãos calejadas de tanto trabalhar...
Garoto de "cabelo de espeta-goiaba",
camisa de meia listrada
e calça de riscado bem grosso...
Garoto que não tem nem cubos
e nem patins
nem bicicletas
e nem trens de ferro para brincar...
E que esquecido do resto do mundo,
fica, horas inteiras, sentado nas calçadas,
"pixando" castanhas para as "borrocas";
jogando "marta" para dar bolos...
Eu quero fazer o elogio do garoto anônimo
das ruas da Cidade de São Luís do Maranhão...
Garoto que brinca nas velhas praças,
sob a luz tranqüila das estrelas,
o "Ganzola", o "Leitão Queimado" e o "Boca de Forno"...
Garoto que com os seus "alçapões" e as suas "baladeiras"
é o terror da passarada do Apicum e da Quinta do Barão...
Garoto que às vezes vira pintor
e doido de alegria,
longamente,
arbitrariamente,
desenha com carvão calungas
gozadíssimos
nos muros caiados de novo
ou então risca de giz
os lindos azulejos dos sobradões coloniais...
Eu quero fazer o elogio do garoto anônimo
das ruas da Cidade de São Luís do Maranhão...
Garoto que rouba frutas
dos quintais dos vizinhos e dos tabuleiros dos vendedores,
para matar a fome que o atormenta...
Garoto que, "sem querer", quebra com uma pedrada
a vidraça do bangalô do dr. Fulano de Tal
e depois, guinchando
assobiando
vaiando,
corre,
foge,
desaparece,
mal surge à esquina o primeiro guarda...
Garoto que, nos estribos de todos os bondes,
trepa e salta,
até um dia — coitado! — perder as pernas...
Garoto que não tem medo da lama
e descalço,
molhado,
tremendo de frio,
tira caranguejo
na Camboa do Mato e na Fonte do Bispo...
Eu quero fazer o elogio do garoto anônimo
das ruas da Cidade de São Luís do Maranhão...
das ruas da Cidade de São Luís do Maranhão...
Garoto que nasce nos quartos miseráveis dos cortiços
e que fica analfabeto,
por não ter um livro para estudar...
Garoto que não conhece o pai, não sabe o seu nome
e que é filho de uma dessa mulheres pálidas e tristes;
mulheres magras e maltrapilhas;
mulheres que tossem muito
e que têm as mãos calejadas de tanto trabalhar...
Garoto de "cabelo de espeta-goiaba",
camisa de meia listrada
e calça de riscado bem grosso...
Garoto que não tem nem cubos
e nem patins
nem bicicletas
e nem trens de ferro para brincar...
E que esquecido do resto do mundo,
fica, horas inteiras, sentado nas calçadas,
"pixando" castanhas para as "borrocas";
jogando "marta" para dar bolos...
Eu quero fazer o elogio do garoto anônimo
das ruas da Cidade de São Luís do Maranhão...
Garoto que brinca nas velhas praças,
sob a luz tranqüila das estrelas,
o "Ganzola", o "Leitão Queimado" e o "Boca de Forno"...
Garoto que com os seus "alçapões" e as suas "baladeiras"
é o terror da passarada do Apicum e da Quinta do Barão...
Garoto que às vezes vira pintor
e doido de alegria,
longamente,
arbitrariamente,
desenha com carvão calungas
gozadíssimos
nos muros caiados de novo
ou então risca de giz
os lindos azulejos dos sobradões coloniais...
Eu quero fazer o elogio do garoto anônimo
das ruas da Cidade de São Luís do Maranhão...
Garoto que rouba frutas
dos quintais dos vizinhos e dos tabuleiros dos vendedores,
para matar a fome que o atormenta...
Garoto que, "sem querer", quebra com uma pedrada
a vidraça do bangalô do dr. Fulano de Tal
e depois, guinchando
assobiando
vaiando,
corre,
foge,
desaparece,
mal surge à esquina o primeiro guarda...
Garoto que, nos estribos de todos os bondes,
trepa e salta,
até um dia — coitado! — perder as pernas...
Garoto que não tem medo da lama
e descalço,
molhado,
tremendo de frio,
tira caranguejo
na Camboa do Mato e na Fonte do Bispo...
Eu quero fazer o elogio do garoto anônimo
das ruas da Cidade de São Luís do Maranhão...
771
Cora Coralina
O Passado
O salão da frente recende a cravo.
Um grupo de gente moça
se reúne ali.
"Clube Literário Goiano".
Rosa Godinho.
Luzia de Oliveira.
Leodegária de Jesus,
a presidência.
Nós, gente menor,
sentadas, convencidas, formais.
Respondendo à chamada.
Ouvindo atentas a leitura da ata.
Pedindo a palavra.
Levantando idéias geniais.
Encerrada a sessão com seriedade,
passávamos à tertúlia.
O velho harmônio, uma flauta, um bandolim.
Músicas antigas. Recitativos.
Declamavam-se monólogos.
Dialogávamos em rimas e risos.
D. Virgínia. Benjamim.
Rodolfo. Ludugero.
Veros anfitriões.
Sangrias. Doces. Licor de rosa.
Distinção. Agrado.
O Passado...
Homens sem pressa,
talvez cansados,
descem com leva
madeirões pesados,
lavrados por escravos
em rudes simetrias,
do tempo das acutas.
Inclemência.
Caem pedaços na calçada.
Passantes cautelosos
desviam-se com prudência.
Que importa a eles o sobrado?
Gente que passa indiferente,
olha de longe,
na dobra das esquinas,
as traves que despencam.
-Que vale para eles o sobrado?
Quem vê nas velhas sacadas
de ferro forjado
as sombras debruçadas?
Quem é que está ouvindo
o clamor, o adeus, o chamado?...
Que importa a marca dos retratos na parede?
Que importam as salas destelhadas,
e o pudor das alcovas devassadas...
Que importam?
E vão fugindo do sobrado,
aos poucos,
os quadros do Passado.
Um grupo de gente moça
se reúne ali.
"Clube Literário Goiano".
Rosa Godinho.
Luzia de Oliveira.
Leodegária de Jesus,
a presidência.
Nós, gente menor,
sentadas, convencidas, formais.
Respondendo à chamada.
Ouvindo atentas a leitura da ata.
Pedindo a palavra.
Levantando idéias geniais.
Encerrada a sessão com seriedade,
passávamos à tertúlia.
O velho harmônio, uma flauta, um bandolim.
Músicas antigas. Recitativos.
Declamavam-se monólogos.
Dialogávamos em rimas e risos.
D. Virgínia. Benjamim.
Rodolfo. Ludugero.
Veros anfitriões.
Sangrias. Doces. Licor de rosa.
Distinção. Agrado.
O Passado...
Homens sem pressa,
talvez cansados,
descem com leva
madeirões pesados,
lavrados por escravos
em rudes simetrias,
do tempo das acutas.
Inclemência.
Caem pedaços na calçada.
Passantes cautelosos
desviam-se com prudência.
Que importa a eles o sobrado?
Gente que passa indiferente,
olha de longe,
na dobra das esquinas,
as traves que despencam.
-Que vale para eles o sobrado?
Quem vê nas velhas sacadas
de ferro forjado
as sombras debruçadas?
Quem é que está ouvindo
o clamor, o adeus, o chamado?...
Que importa a marca dos retratos na parede?
Que importam as salas destelhadas,
e o pudor das alcovas devassadas...
Que importam?
E vão fugindo do sobrado,
aos poucos,
os quadros do Passado.
2 188
António Manuel Couto Viana
Camilo Pessanha I
Um aroma subtil. Um lume. Um fumo leve.
Um delicado ritual.
O impulso breve que se descreve
Quase indiscreto, quase sensual.
A música interior apenas murmurada.
A luz difusa. Trémulas imagens.
Ondas de lua. Exílio. A flor despetalada.
Viagens.
Onde singra o navio sombreado de tédio?
Oscila. O servedouro de uma esteira.
A súbita emoção. O clarim do assédio
Desenrola a bandeira.
O ópio envolve o sonho num afago.
Já tudo tão distante! Tão inútil! Tão vago!
Um delicado ritual.
O impulso breve que se descreve
Quase indiscreto, quase sensual.
A música interior apenas murmurada.
A luz difusa. Trémulas imagens.
Ondas de lua. Exílio. A flor despetalada.
Viagens.
Onde singra o navio sombreado de tédio?
Oscila. O servedouro de uma esteira.
A súbita emoção. O clarim do assédio
Desenrola a bandeira.
O ópio envolve o sonho num afago.
Já tudo tão distante! Tão inútil! Tão vago!
1 265
Christiano Nunes Fernandes
Cinco sonetos para um passarinho
I
SEM desvelo nenhum pelo ecológico
- antes pensando tudo por amor -
o pássaro deixou-se, por ilógico,
aprisionar-se todo, até a cor
dourada da plumagem, mais o verde
dos seus olhos e mais o que ele era:
pássaro alado de desejo e sede.
Depois, acomodado na gaiola,
imaginou-se cravos e viola
e pôs-se a fiar o tempo em seus teares...
Até que em certa tarde morna viu-se
pairando além, e livre pressentiu-se
se reofertando à festa dos pomares.
............................................................
II
O MAR, o mar imenso era um brinquedo
e o céu distante era um azul deserto.
Seus olhos eram como longos dedos
trazendo as longitudes para perto
das ânsias de suas asas que, em segredo,
o vôo libertavam para um certo
espaço já perdido e desde cedo
roubado de seus sonhos mal despertos.
Cativo, agora, o pássaro modula
uma canção plangente que se ondula
nas harpas da manhã e, então, se evola
em árias e sonatas e se perde
pelo deserto azul e pelo verde
mar, alheios ao pássaro e à gaiola.
III
POSTO que do mar não seja
e seja ave de pomar
pelo mar sempre ela adeja
ela é louca pelo mar.
Pelas naves da manhã
ela faz sua viagem
enquanto a ardente romã
do sol lhe doura a plumagem.
Viaja mesmo na areia...
E quando faz maré cheia,
há ventos fortes, marola,
ela que é ave campestre
com destino terrestre
sonha com o mar na gaiola.
.....................................................................
IV
DE DOURADO fez-se azul
naquela manhã, o pássaro.
Ou foram ventos do sul
que de repente perpassam
pelas paisagens que habita,
ou foi uma certa aragem
que em certas horas transita
e muda a cor da plumagem.
E em frio azul transmudado
pôs azul no seu trinado
e o mundo inteiro azulesce...
revestindo a corda dourada
nos clarins da madrugada.
......................................
V
SENTIR meus dedos entre as suas penas,
tatear meus olhos pelos seus segredos
é esse o jogo a que me entrego, apenas
o pássaro diviso em em seus degredos
aéreos, no altiplano de concreto,
em cujo frio chão nada germina
além de sombras e seu vulto incerto
que se divisa de uma esquiva esquina.
Onde no chão os grirassóis florescem.
Nos braços da manhã ele amanhece
adeja leve e nada lhe sofreia
o vôo dourado em direção do mar.
E redivivo deixa-se pousar,
se entrega ao sol e se desfaz na areia.
SEM desvelo nenhum pelo ecológico
- antes pensando tudo por amor -
o pássaro deixou-se, por ilógico,
aprisionar-se todo, até a cor
dourada da plumagem, mais o verde
dos seus olhos e mais o que ele era:
pássaro alado de desejo e sede.
Depois, acomodado na gaiola,
imaginou-se cravos e viola
e pôs-se a fiar o tempo em seus teares...
Até que em certa tarde morna viu-se
pairando além, e livre pressentiu-se
se reofertando à festa dos pomares.
............................................................
II
O MAR, o mar imenso era um brinquedo
e o céu distante era um azul deserto.
Seus olhos eram como longos dedos
trazendo as longitudes para perto
das ânsias de suas asas que, em segredo,
o vôo libertavam para um certo
espaço já perdido e desde cedo
roubado de seus sonhos mal despertos.
Cativo, agora, o pássaro modula
uma canção plangente que se ondula
nas harpas da manhã e, então, se evola
em árias e sonatas e se perde
pelo deserto azul e pelo verde
mar, alheios ao pássaro e à gaiola.
III
POSTO que do mar não seja
e seja ave de pomar
pelo mar sempre ela adeja
ela é louca pelo mar.
Pelas naves da manhã
ela faz sua viagem
enquanto a ardente romã
do sol lhe doura a plumagem.
Viaja mesmo na areia...
E quando faz maré cheia,
há ventos fortes, marola,
ela que é ave campestre
com destino terrestre
sonha com o mar na gaiola.
.....................................................................
IV
DE DOURADO fez-se azul
naquela manhã, o pássaro.
Ou foram ventos do sul
que de repente perpassam
pelas paisagens que habita,
ou foi uma certa aragem
que em certas horas transita
e muda a cor da plumagem.
E em frio azul transmudado
pôs azul no seu trinado
e o mundo inteiro azulesce...
revestindo a corda dourada
nos clarins da madrugada.
......................................
V
SENTIR meus dedos entre as suas penas,
tatear meus olhos pelos seus segredos
é esse o jogo a que me entrego, apenas
o pássaro diviso em em seus degredos
aéreos, no altiplano de concreto,
em cujo frio chão nada germina
além de sombras e seu vulto incerto
que se divisa de uma esquiva esquina.
Onde no chão os grirassóis florescem.
Nos braços da manhã ele amanhece
adeja leve e nada lhe sofreia
o vôo dourado em direção do mar.
E redivivo deixa-se pousar,
se entrega ao sol e se desfaz na areia.
447
Celso Novais
Canto de confissão e louvor à minha mãe
Pousa tua mão o meu rosto
Como fazia outrora - minha mãe,
Eu sou o mesmo menino antigo
Que te precisa.
A vida, com seu livro aberto diante de nós
Nos contempla, como querendo julgar-nos,
A mim por não ter sido fiel ao teu amor
A ti pelo teu amor incomparável.
Talvez agora, tornado homem, possa eu
Levar-te pela mão devagarinho
Com todo ardor enternecente
Com que me fazias passear nas tardes,
Talvez o mundo que venha a te mostrar
Não sejas aquele que sonhaste para mim,
Mas não faz mal, mãe, eu também me enganei...
Uma coisa porém é fundamental:
Não devemos ficar à margem,
Alheios ou neutros - temos de participar,
Pois todo aquele que lava as mãos
Não enxuga as culpas.
Como fazia outrora - minha mãe,
Eu sou o mesmo menino antigo
Que te precisa.
A vida, com seu livro aberto diante de nós
Nos contempla, como querendo julgar-nos,
A mim por não ter sido fiel ao teu amor
A ti pelo teu amor incomparável.
Talvez agora, tornado homem, possa eu
Levar-te pela mão devagarinho
Com todo ardor enternecente
Com que me fazias passear nas tardes,
Talvez o mundo que venha a te mostrar
Não sejas aquele que sonhaste para mim,
Mas não faz mal, mãe, eu também me enganei...
Uma coisa porém é fundamental:
Não devemos ficar à margem,
Alheios ou neutros - temos de participar,
Pois todo aquele que lava as mãos
Não enxuga as culpas.
568
Chico Noronha
Esmeralda
Como o rato remexe o lixo
antes de lambuzar os olhos
e o peito
com confetes, coca-cola
e margarina
Meu coração
pirralho
reprimido
estira a língua
pra vida
antes de lambuzar os olhos
e o peito
com confetes, coca-cola
e margarina
Meu coração
pirralho
reprimido
estira a língua
pra vida
965
Cludia Nobre de Oliveira
Meu Trabalho, Meu Viver
Meu instrumento é o violino, a flauta, é a lira
é o dó , o ré é a musica...
Meu instrumento é a enxada, é a colheita é a chuva
é o alimento...
Meu instrumento é a massa, é a areia é a água..
é a casa levantada...
Meu instrumento é o barulho, a correria,
é o trânsito, o volante, o leva e trás...
Meu instrumento é o remédio, é a receita
é o estudo é a cura....
Seja qual for seu instrumento de trabalho, e´ com certeza o
seu meio de crescer de evoluir para ser instrumento de luz
da laboriosa natureza......
mas sede, sede de vida.
é o dó , o ré é a musica...
Meu instrumento é a enxada, é a colheita é a chuva
é o alimento...
Meu instrumento é a massa, é a areia é a água..
é a casa levantada...
Meu instrumento é o barulho, a correria,
é o trânsito, o volante, o leva e trás...
Meu instrumento é o remédio, é a receita
é o estudo é a cura....
Seja qual for seu instrumento de trabalho, e´ com certeza o
seu meio de crescer de evoluir para ser instrumento de luz
da laboriosa natureza......
mas sede, sede de vida.
900
Cludia Nobre de Oliveira
Meu Trabalho, Meu Viver
Meu instrumento é o violino, a flauta, é a lira
é o dó , o ré é a musica...
Meu instrumento é a enxada, é a colheita é a chuva
é o alimento...
Meu instrumento é a massa, é a areia é a água..
é a casa levantada...
Meu instrumento é o barulho, a correria,
é o trânsito, o volante, o leva e trás...
Meu instrumento é o remédio, é a receita
é o estudo é a cura....
Seja qual for seu instrumento de trabalho, e´ com certeza o
seu meio de crescer de evoluir para ser instrumento de luz
da laboriosa natureza......
mas sede, sede de vida.
é o dó , o ré é a musica...
Meu instrumento é a enxada, é a colheita é a chuva
é o alimento...
Meu instrumento é a massa, é a areia é a água..
é a casa levantada...
Meu instrumento é o barulho, a correria,
é o trânsito, o volante, o leva e trás...
Meu instrumento é o remédio, é a receita
é o estudo é a cura....
Seja qual for seu instrumento de trabalho, e´ com certeza o
seu meio de crescer de evoluir para ser instrumento de luz
da laboriosa natureza......
mas sede, sede de vida.
900
Carvalho Nogueira
História de Trancoso
Cartões, folhinhas vivem repetindo
"Feliz Natal e Próspero Ano Novo"
e à sucessão dos anos vão provando
que estas palavras não têm mais sentido.
São tantas as pessoas deserdadas
nas festas do Ano Novo e de Natal,
que hoje a figura de Papai Noel
devia ser proibida em toda parte.
Se os presentes não chegam para todos,
é pecado mortal a fantasia
do lendário velhinho dos brinquedos.
Pelo menos se diga aos infelizes
que este Papai Noel tão decantado
nunca passou de história de Trancoso.
"Feliz Natal e Próspero Ano Novo"
e à sucessão dos anos vão provando
que estas palavras não têm mais sentido.
São tantas as pessoas deserdadas
nas festas do Ano Novo e de Natal,
que hoje a figura de Papai Noel
devia ser proibida em toda parte.
Se os presentes não chegam para todos,
é pecado mortal a fantasia
do lendário velhinho dos brinquedos.
Pelo menos se diga aos infelizes
que este Papai Noel tão decantado
nunca passou de história de Trancoso.
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