Poemas neste tema
Sociedade e Mundo
Carlos Felipe Moisés
Meia Palavra Inteira
Carlos Felipe Moisés entrevista José Paulo Paes
Poeta, ensaísta e tradutor, José Paulo Paes goza de alto prestígio entre intelectuais e especialistas, mas não conta ainda com o reconhecimento que merece junto a um público mais amplo. Uma das razões é sua aversão à chamada "vida literária", aquela aura mundana, feita de vaidades exacerbadas, golpes de oportunismo e tráfico de influências, que cerca o objeto propriamente literário que é o livro impresso. Parte por temperamento, parte por princípio, José Paulo sempre se manteve à distância das confrarias do elogio mútuo, responsáveis por tanta glória efêmera, preferindo arcar com o ônus de uma atividade rigorosamente ética. Para ele, a recepção da obra literária deve prescindir da promoção publicitária, sobretudo a autopromoção; o livro deve oferecer-se ao leitor tal como é e não como o estrelismo do autor e as injunções do momento o imponham ao imediatismo do consumo. Tem sido assim ao longo de mais de quatro décadas de dedicação discreta, silenciosa e apaixonada à literatura.
Seus ensaios exibem a curiosidade eclética do leitor privilegiado, autodidata, que, sem metodologias artificiais nem preconceitos, mas munido de severo olhar perscrutador, notável erudição e proficiência, cumpre com a função primordial da crítica: informar, avaliar, sempre no sentido de esclarecer e enriquecer a obra analisada e não de promover o analista e suas idiossincrasias. Suas traduções, impecáveis, têm posto à disposição do leitor de língua portuguesa algumas das mais importantes obras da literatura universal, em textos que não ficam nada a dever aos originais: os Sonetos luxuriosos de Aretino, os Poemas de Kaváfis, o Tristam Shandy de Sterne e tantos outros. Sua poesia, desde O aluno (1947) até Prosas (1992), revela uma voz instigante e original, que a cada livro aprimora aquelas características que lhe são mais peculiares: a concisão epigramática, o horror ao derramamento e ao sentimentalismo, a tendência conceitual mas antidiscursiva e a engenhosidade verbal, que em vez de buscar o malabarismo exibicionista busca a síntese exemplar, o laconismo prenhe de insinuações. Uma das marcas registradas dessa voz poética é o humor, aprendido em parte com Drummond, um humor que trafega ágil entre o trocadilho e o deboche, a acidez ferina e a soltura da gozação lúdica, sempre funcionando como revelação aguda do ridículo e das misérias da condição humana — ceticamente, mas com afeto, à Machado de Assis. Esse conluio de lirismo contido e denúncia amarga está invaria-velmente a serviço da consciência política, sem dogmas: a consciência do homem da Pólis, o homem solidário em sua relação com a comunidade.
José Paulo Paes, em suma, é um escritor a quem se aplica com justeza o epíteto homem de letras, em sua expressão mais digna e elevada. Não é o simples profissional nem o diletante, não é o burocrata e menos ainda o arrivista das letras. É o homem de letras no sentido do denso humanismo que lhe serve de fundamento à atividade literária, por ele exercida com admirável humildade mas com a convicção ainda mais admirável do poder humanizador da literatura. Para ele, a literatura é o último reduto onde ainda é possível ao menos formular, de frente e em regime da mais irrestrita autenticidade, a ingente interrogação pelo sentido da existência.
Desde o início da carreira, José Paulo vem formulando e reformulando essa interrogação, nos seus mais variados matizes, empenhado em encontrar uma resposta que ele talvez saiba impossível — uma resposta que será, quando muito, parcial e provisória. Mas desistir quem há de?
Poeta, ensaísta e tradutor, José Paulo Paes goza de alto prestígio entre intelectuais e especialistas, mas não conta ainda com o reconhecimento que merece junto a um público mais amplo. Uma das razões é sua aversão à chamada "vida literária", aquela aura mundana, feita de vaidades exacerbadas, golpes de oportunismo e tráfico de influências, que cerca o objeto propriamente literário que é o livro impresso. Parte por temperamento, parte por princípio, José Paulo sempre se manteve à distância das confrarias do elogio mútuo, responsáveis por tanta glória efêmera, preferindo arcar com o ônus de uma atividade rigorosamente ética. Para ele, a recepção da obra literária deve prescindir da promoção publicitária, sobretudo a autopromoção; o livro deve oferecer-se ao leitor tal como é e não como o estrelismo do autor e as injunções do momento o imponham ao imediatismo do consumo. Tem sido assim ao longo de mais de quatro décadas de dedicação discreta, silenciosa e apaixonada à literatura.
Seus ensaios exibem a curiosidade eclética do leitor privilegiado, autodidata, que, sem metodologias artificiais nem preconceitos, mas munido de severo olhar perscrutador, notável erudição e proficiência, cumpre com a função primordial da crítica: informar, avaliar, sempre no sentido de esclarecer e enriquecer a obra analisada e não de promover o analista e suas idiossincrasias. Suas traduções, impecáveis, têm posto à disposição do leitor de língua portuguesa algumas das mais importantes obras da literatura universal, em textos que não ficam nada a dever aos originais: os Sonetos luxuriosos de Aretino, os Poemas de Kaváfis, o Tristam Shandy de Sterne e tantos outros. Sua poesia, desde O aluno (1947) até Prosas (1992), revela uma voz instigante e original, que a cada livro aprimora aquelas características que lhe são mais peculiares: a concisão epigramática, o horror ao derramamento e ao sentimentalismo, a tendência conceitual mas antidiscursiva e a engenhosidade verbal, que em vez de buscar o malabarismo exibicionista busca a síntese exemplar, o laconismo prenhe de insinuações. Uma das marcas registradas dessa voz poética é o humor, aprendido em parte com Drummond, um humor que trafega ágil entre o trocadilho e o deboche, a acidez ferina e a soltura da gozação lúdica, sempre funcionando como revelação aguda do ridículo e das misérias da condição humana — ceticamente, mas com afeto, à Machado de Assis. Esse conluio de lirismo contido e denúncia amarga está invaria-velmente a serviço da consciência política, sem dogmas: a consciência do homem da Pólis, o homem solidário em sua relação com a comunidade.
José Paulo Paes, em suma, é um escritor a quem se aplica com justeza o epíteto homem de letras, em sua expressão mais digna e elevada. Não é o simples profissional nem o diletante, não é o burocrata e menos ainda o arrivista das letras. É o homem de letras no sentido do denso humanismo que lhe serve de fundamento à atividade literária, por ele exercida com admirável humildade mas com a convicção ainda mais admirável do poder humanizador da literatura. Para ele, a literatura é o último reduto onde ainda é possível ao menos formular, de frente e em regime da mais irrestrita autenticidade, a ingente interrogação pelo sentido da existência.
Desde o início da carreira, José Paulo vem formulando e reformulando essa interrogação, nos seus mais variados matizes, empenhado em encontrar uma resposta que ele talvez saiba impossível — uma resposta que será, quando muito, parcial e provisória. Mas desistir quem há de?
934
Carlos Figueiredo
Pode-se bater
Pode-se bater
em uma criança
sem acordar os vizinhos.
Comparada a uma criatura
de médio porte
a criança é a vítima ideal.
É fácil sufocar
o seu pequeno grito.
em uma criança
sem acordar os vizinhos.
Comparada a uma criatura
de médio porte
a criança é a vítima ideal.
É fácil sufocar
o seu pequeno grito.
927
Joaquim Azinhal Abelho
Comoção Rural
Já não há quem queira dar
uma filha a um ganhão…
Senhor Pai, senhora mãe,
que grande desolação.
Já bati a sete portas
por mais de mil e uma vez;
Vá-se embora seu ganhão,
disseram com altivez…
A minha filha é prendada,
não é para qualquer tunante,
sabe ler, sabe escrever
e todo o seu consoante.
O que é que tem um ganhão?
Um azinho dum pau torto;
só vive das tristes ervas,
não tem onde cair morto.
Os olhos já não são olhos,
estão estão desfeitos em chorar,
porque a um pobre ganhão
já não há quem queira dar
nem mulher para dormir
nem a filha para mulher;
nem quem o ajude a vestir,
nem quem o ajude a morrer.
Ramos secos, estéreis flores,
pedras de arestas cortantes
perdidas num vendaval,
perdidas numa aflição…
Eu já não posso gritar;
Senhor Pai, senhora Mãe,
que grande desolação
nestes matagais com longes,
aonde os anjos se afundam
em humus e punição!
(in Antologia de Poetas Alentejanos)
uma filha a um ganhão…
Senhor Pai, senhora mãe,
que grande desolação.
Já bati a sete portas
por mais de mil e uma vez;
Vá-se embora seu ganhão,
disseram com altivez…
A minha filha é prendada,
não é para qualquer tunante,
sabe ler, sabe escrever
e todo o seu consoante.
O que é que tem um ganhão?
Um azinho dum pau torto;
só vive das tristes ervas,
não tem onde cair morto.
Os olhos já não são olhos,
estão estão desfeitos em chorar,
porque a um pobre ganhão
já não há quem queira dar
nem mulher para dormir
nem a filha para mulher;
nem quem o ajude a vestir,
nem quem o ajude a morrer.
Ramos secos, estéreis flores,
pedras de arestas cortantes
perdidas num vendaval,
perdidas numa aflição…
Eu já não posso gritar;
Senhor Pai, senhora Mãe,
que grande desolação
nestes matagais com longes,
aonde os anjos se afundam
em humus e punição!
(in Antologia de Poetas Alentejanos)
474
Joaquim Azinhal Abelho
Comoção Rural
Já não há quem queira dar
uma filha a um ganhão…
Senhor Pai, senhora mãe,
que grande desolação.
Já bati a sete portas
por mais de mil e uma vez;
Vá-se embora seu ganhão,
disseram com altivez…
A minha filha é prendada,
não é para qualquer tunante,
sabe ler, sabe escrever
e todo o seu consoante.
O que é que tem um ganhão?
Um azinho dum pau torto;
só vive das tristes ervas,
não tem onde cair morto.
Os olhos já não são olhos,
estão estão desfeitos em chorar,
porque a um pobre ganhão
já não há quem queira dar
nem mulher para dormir
nem a filha para mulher;
nem quem o ajude a vestir,
nem quem o ajude a morrer.
Ramos secos, estéreis flores,
pedras de arestas cortantes
perdidas num vendaval,
perdidas numa aflição…
Eu já não posso gritar;
Senhor Pai, senhora Mãe,
que grande desolação
nestes matagais com longes,
aonde os anjos se afundam
em humus e punição!
(in Antologia de Poetas Alentejanos)
uma filha a um ganhão…
Senhor Pai, senhora mãe,
que grande desolação.
Já bati a sete portas
por mais de mil e uma vez;
Vá-se embora seu ganhão,
disseram com altivez…
A minha filha é prendada,
não é para qualquer tunante,
sabe ler, sabe escrever
e todo o seu consoante.
O que é que tem um ganhão?
Um azinho dum pau torto;
só vive das tristes ervas,
não tem onde cair morto.
Os olhos já não são olhos,
estão estão desfeitos em chorar,
porque a um pobre ganhão
já não há quem queira dar
nem mulher para dormir
nem a filha para mulher;
nem quem o ajude a vestir,
nem quem o ajude a morrer.
Ramos secos, estéreis flores,
pedras de arestas cortantes
perdidas num vendaval,
perdidas numa aflição…
Eu já não posso gritar;
Senhor Pai, senhora Mãe,
que grande desolação
nestes matagais com longes,
aonde os anjos se afundam
em humus e punição!
(in Antologia de Poetas Alentejanos)
474
Joaquim Azinhal Abelho
Comoção Rural
Já não há quem queira dar
uma filha a um ganhão…
Senhor Pai, senhora mãe,
que grande desolação.
Já bati a sete portas
por mais de mil e uma vez;
Vá-se embora seu ganhão,
disseram com altivez…
A minha filha é prendada,
não é para qualquer tunante,
sabe ler, sabe escrever
e todo o seu consoante.
O que é que tem um ganhão?
Um azinho dum pau torto;
só vive das tristes ervas,
não tem onde cair morto.
Os olhos já não são olhos,
estão estão desfeitos em chorar,
porque a um pobre ganhão
já não há quem queira dar
nem mulher para dormir
nem a filha para mulher;
nem quem o ajude a vestir,
nem quem o ajude a morrer.
Ramos secos, estéreis flores,
pedras de arestas cortantes
perdidas num vendaval,
perdidas numa aflição…
Eu já não posso gritar;
Senhor Pai, senhora Mãe,
que grande desolação
nestes matagais com longes,
aonde os anjos se afundam
em humus e punição!
(in Antologia de Poetas Alentejanos)
uma filha a um ganhão…
Senhor Pai, senhora mãe,
que grande desolação.
Já bati a sete portas
por mais de mil e uma vez;
Vá-se embora seu ganhão,
disseram com altivez…
A minha filha é prendada,
não é para qualquer tunante,
sabe ler, sabe escrever
e todo o seu consoante.
O que é que tem um ganhão?
Um azinho dum pau torto;
só vive das tristes ervas,
não tem onde cair morto.
Os olhos já não são olhos,
estão estão desfeitos em chorar,
porque a um pobre ganhão
já não há quem queira dar
nem mulher para dormir
nem a filha para mulher;
nem quem o ajude a vestir,
nem quem o ajude a morrer.
Ramos secos, estéreis flores,
pedras de arestas cortantes
perdidas num vendaval,
perdidas numa aflição…
Eu já não posso gritar;
Senhor Pai, senhora Mãe,
que grande desolação
nestes matagais com longes,
aonde os anjos se afundam
em humus e punição!
(in Antologia de Poetas Alentejanos)
474
Angelo Augusto Ferreira
TV Espanhola Internacional
Noticiário Via Satélite
Sua voz habita o éter
Abstrato
Nos ventos, nos ares
Nas cores do espectro da luz,
Convive com os satélites
Passeia com o sol
A lua, as estrelas.
Permanece no céu
Formosa, linda
No corpo, nas falas dos anjos
Ligada na terra !
Nossos olhos embevecidos
Com o seu jeito pleno de ternura,
Do ventre da Criação,
Surgiu resplandecente, divina.
Mulher laboriosa
Valiosa na comunicação
Jornalismo, informação!
A fala de MADRID enfeita o mundo.
Tomara, por dias, anos infindos
Assistiremos
Atentos com alegrias.
A flor perfeita na vitrine da vida
Faz bem à visão.
Linda, bela, sem disfarces
SANDRA SUTHERLAND
O valor da mulher jornalista-reporter
No mundo, no vídeo, chama atenção
Na tela da televisão!
Sua voz habita o éter
Abstrato
Nos ventos, nos ares
Nas cores do espectro da luz,
Convive com os satélites
Passeia com o sol
A lua, as estrelas.
Permanece no céu
Formosa, linda
No corpo, nas falas dos anjos
Ligada na terra !
Nossos olhos embevecidos
Com o seu jeito pleno de ternura,
Do ventre da Criação,
Surgiu resplandecente, divina.
Mulher laboriosa
Valiosa na comunicação
Jornalismo, informação!
A fala de MADRID enfeita o mundo.
Tomara, por dias, anos infindos
Assistiremos
Atentos com alegrias.
A flor perfeita na vitrine da vida
Faz bem à visão.
Linda, bela, sem disfarces
SANDRA SUTHERLAND
O valor da mulher jornalista-reporter
No mundo, no vídeo, chama atenção
Na tela da televisão!
991
José Augusto de Carvalho
O Maltês
Já fui maltês e ladrão
de quanto me foi roubado!
Meu covil foi o montado,
meu camarada, o suão.
Fui livro à minha maneira,
como um homem deve ser!
A lei dei a conhecer
da mira da caçadeira...
Por roubar o que era meu,
nas malhas bem apertadas
das baionetas caladas
caí num dia danado!
Mas contas ninguém me deu
de quanto me foi roubado...
de quanto me foi roubado!
Meu covil foi o montado,
meu camarada, o suão.
Fui livro à minha maneira,
como um homem deve ser!
A lei dei a conhecer
da mira da caçadeira...
Por roubar o que era meu,
nas malhas bem apertadas
das baionetas caladas
caí num dia danado!
Mas contas ninguém me deu
de quanto me foi roubado...
965
José Augusto de Carvalho
O Maltês
Já fui maltês e ladrão
de quanto me foi roubado!
Meu covil foi o montado,
meu camarada, o suão.
Fui livro à minha maneira,
como um homem deve ser!
A lei dei a conhecer
da mira da caçadeira...
Por roubar o que era meu,
nas malhas bem apertadas
das baionetas caladas
caí num dia danado!
Mas contas ninguém me deu
de quanto me foi roubado...
de quanto me foi roubado!
Meu covil foi o montado,
meu camarada, o suão.
Fui livro à minha maneira,
como um homem deve ser!
A lei dei a conhecer
da mira da caçadeira...
Por roubar o que era meu,
nas malhas bem apertadas
das baionetas caladas
caí num dia danado!
Mas contas ninguém me deu
de quanto me foi roubado...
965
Alex Brasil
Boiada
Por que ficamos calados
passivos
submissos,
cabisbaixos,
fingindo que amanhã vai melhorar?
Acreditando nas estatísticas furadas,
nos iludindo com discursos mentirosos
com propagandas inventadas? —
Eu, "porque não quero a violência",
assim digo, mentindo a mim mesmo,
porque meus motivos são outros,
que escondo a todo preço.
Você "porque o sangue não compensa",
assim, diz, sujando a consciência em segredo,
pois seu verdadeiro motivo é o medo...
Os nordestinos, porque culpam a chuva,
onde depositam todas suas esperanças,
dizem, enquanto escondem os rostos
em procissão, enterrando suas crianças.
Do Oiapoque ao Chuí,
cada brasileiro tem sua desculpa
para suportar a podridão
em que a pátria se afoga.
Fingimos que há uma bandeira,
uma causa,
que nos une na inanição,
no martírio,
na dor,
na humilhação
na vergonha,
no pavor...
E, como boiadas nordestinadas,
nos deixamos tanger,
chicoteados por tiranos
nos levando a lugar nenhum,
nos alimentando de enganos,
enquanto definhamos, morrendo um a um...
passivos
submissos,
cabisbaixos,
fingindo que amanhã vai melhorar?
Acreditando nas estatísticas furadas,
nos iludindo com discursos mentirosos
com propagandas inventadas? —
Eu, "porque não quero a violência",
assim digo, mentindo a mim mesmo,
porque meus motivos são outros,
que escondo a todo preço.
Você "porque o sangue não compensa",
assim, diz, sujando a consciência em segredo,
pois seu verdadeiro motivo é o medo...
Os nordestinos, porque culpam a chuva,
onde depositam todas suas esperanças,
dizem, enquanto escondem os rostos
em procissão, enterrando suas crianças.
Do Oiapoque ao Chuí,
cada brasileiro tem sua desculpa
para suportar a podridão
em que a pátria se afoga.
Fingimos que há uma bandeira,
uma causa,
que nos une na inanição,
no martírio,
na dor,
na humilhação
na vergonha,
no pavor...
E, como boiadas nordestinadas,
nos deixamos tanger,
chicoteados por tiranos
nos levando a lugar nenhum,
nos alimentando de enganos,
enquanto definhamos, morrendo um a um...
1 171
Alex Brasil
Boiada
Por que ficamos calados
passivos
submissos,
cabisbaixos,
fingindo que amanhã vai melhorar?
Acreditando nas estatísticas furadas,
nos iludindo com discursos mentirosos
com propagandas inventadas? —
Eu, "porque não quero a violência",
assim digo, mentindo a mim mesmo,
porque meus motivos são outros,
que escondo a todo preço.
Você "porque o sangue não compensa",
assim, diz, sujando a consciência em segredo,
pois seu verdadeiro motivo é o medo...
Os nordestinos, porque culpam a chuva,
onde depositam todas suas esperanças,
dizem, enquanto escondem os rostos
em procissão, enterrando suas crianças.
Do Oiapoque ao Chuí,
cada brasileiro tem sua desculpa
para suportar a podridão
em que a pátria se afoga.
Fingimos que há uma bandeira,
uma causa,
que nos une na inanição,
no martírio,
na dor,
na humilhação
na vergonha,
no pavor...
E, como boiadas nordestinadas,
nos deixamos tanger,
chicoteados por tiranos
nos levando a lugar nenhum,
nos alimentando de enganos,
enquanto definhamos, morrendo um a um...
passivos
submissos,
cabisbaixos,
fingindo que amanhã vai melhorar?
Acreditando nas estatísticas furadas,
nos iludindo com discursos mentirosos
com propagandas inventadas? —
Eu, "porque não quero a violência",
assim digo, mentindo a mim mesmo,
porque meus motivos são outros,
que escondo a todo preço.
Você "porque o sangue não compensa",
assim, diz, sujando a consciência em segredo,
pois seu verdadeiro motivo é o medo...
Os nordestinos, porque culpam a chuva,
onde depositam todas suas esperanças,
dizem, enquanto escondem os rostos
em procissão, enterrando suas crianças.
Do Oiapoque ao Chuí,
cada brasileiro tem sua desculpa
para suportar a podridão
em que a pátria se afoga.
Fingimos que há uma bandeira,
uma causa,
que nos une na inanição,
no martírio,
na dor,
na humilhação
na vergonha,
no pavor...
E, como boiadas nordestinadas,
nos deixamos tanger,
chicoteados por tiranos
nos levando a lugar nenhum,
nos alimentando de enganos,
enquanto definhamos, morrendo um a um...
1 171
Alex Brasil
Boiada
Por que ficamos calados
passivos
submissos,
cabisbaixos,
fingindo que amanhã vai melhorar?
Acreditando nas estatísticas furadas,
nos iludindo com discursos mentirosos
com propagandas inventadas? —
Eu, "porque não quero a violência",
assim digo, mentindo a mim mesmo,
porque meus motivos são outros,
que escondo a todo preço.
Você "porque o sangue não compensa",
assim, diz, sujando a consciência em segredo,
pois seu verdadeiro motivo é o medo...
Os nordestinos, porque culpam a chuva,
onde depositam todas suas esperanças,
dizem, enquanto escondem os rostos
em procissão, enterrando suas crianças.
Do Oiapoque ao Chuí,
cada brasileiro tem sua desculpa
para suportar a podridão
em que a pátria se afoga.
Fingimos que há uma bandeira,
uma causa,
que nos une na inanição,
no martírio,
na dor,
na humilhação
na vergonha,
no pavor...
E, como boiadas nordestinadas,
nos deixamos tanger,
chicoteados por tiranos
nos levando a lugar nenhum,
nos alimentando de enganos,
enquanto definhamos, morrendo um a um...
passivos
submissos,
cabisbaixos,
fingindo que amanhã vai melhorar?
Acreditando nas estatísticas furadas,
nos iludindo com discursos mentirosos
com propagandas inventadas? —
Eu, "porque não quero a violência",
assim digo, mentindo a mim mesmo,
porque meus motivos são outros,
que escondo a todo preço.
Você "porque o sangue não compensa",
assim, diz, sujando a consciência em segredo,
pois seu verdadeiro motivo é o medo...
Os nordestinos, porque culpam a chuva,
onde depositam todas suas esperanças,
dizem, enquanto escondem os rostos
em procissão, enterrando suas crianças.
Do Oiapoque ao Chuí,
cada brasileiro tem sua desculpa
para suportar a podridão
em que a pátria se afoga.
Fingimos que há uma bandeira,
uma causa,
que nos une na inanição,
no martírio,
na dor,
na humilhação
na vergonha,
no pavor...
E, como boiadas nordestinadas,
nos deixamos tanger,
chicoteados por tiranos
nos levando a lugar nenhum,
nos alimentando de enganos,
enquanto definhamos, morrendo um a um...
1 171
Alex Brasil
Boiada
Por que ficamos calados
passivos
submissos,
cabisbaixos,
fingindo que amanhã vai melhorar?
Acreditando nas estatísticas furadas,
nos iludindo com discursos mentirosos
com propagandas inventadas? —
Eu, "porque não quero a violência",
assim digo, mentindo a mim mesmo,
porque meus motivos são outros,
que escondo a todo preço.
Você "porque o sangue não compensa",
assim, diz, sujando a consciência em segredo,
pois seu verdadeiro motivo é o medo...
Os nordestinos, porque culpam a chuva,
onde depositam todas suas esperanças,
dizem, enquanto escondem os rostos
em procissão, enterrando suas crianças.
Do Oiapoque ao Chuí,
cada brasileiro tem sua desculpa
para suportar a podridão
em que a pátria se afoga.
Fingimos que há uma bandeira,
uma causa,
que nos une na inanição,
no martírio,
na dor,
na humilhação
na vergonha,
no pavor...
E, como boiadas nordestinadas,
nos deixamos tanger,
chicoteados por tiranos
nos levando a lugar nenhum,
nos alimentando de enganos,
enquanto definhamos, morrendo um a um...
passivos
submissos,
cabisbaixos,
fingindo que amanhã vai melhorar?
Acreditando nas estatísticas furadas,
nos iludindo com discursos mentirosos
com propagandas inventadas? —
Eu, "porque não quero a violência",
assim digo, mentindo a mim mesmo,
porque meus motivos são outros,
que escondo a todo preço.
Você "porque o sangue não compensa",
assim, diz, sujando a consciência em segredo,
pois seu verdadeiro motivo é o medo...
Os nordestinos, porque culpam a chuva,
onde depositam todas suas esperanças,
dizem, enquanto escondem os rostos
em procissão, enterrando suas crianças.
Do Oiapoque ao Chuí,
cada brasileiro tem sua desculpa
para suportar a podridão
em que a pátria se afoga.
Fingimos que há uma bandeira,
uma causa,
que nos une na inanição,
no martírio,
na dor,
na humilhação
na vergonha,
no pavor...
E, como boiadas nordestinadas,
nos deixamos tanger,
chicoteados por tiranos
nos levando a lugar nenhum,
nos alimentando de enganos,
enquanto definhamos, morrendo um a um...
1 171
Alex Brasil
Boiada
Por que ficamos calados
passivos
submissos,
cabisbaixos,
fingindo que amanhã vai melhorar?
Acreditando nas estatísticas furadas,
nos iludindo com discursos mentirosos
com propagandas inventadas? —
Eu, "porque não quero a violência",
assim digo, mentindo a mim mesmo,
porque meus motivos são outros,
que escondo a todo preço.
Você "porque o sangue não compensa",
assim, diz, sujando a consciência em segredo,
pois seu verdadeiro motivo é o medo...
Os nordestinos, porque culpam a chuva,
onde depositam todas suas esperanças,
dizem, enquanto escondem os rostos
em procissão, enterrando suas crianças.
Do Oiapoque ao Chuí,
cada brasileiro tem sua desculpa
para suportar a podridão
em que a pátria se afoga.
Fingimos que há uma bandeira,
uma causa,
que nos une na inanição,
no martírio,
na dor,
na humilhação
na vergonha,
no pavor...
E, como boiadas nordestinadas,
nos deixamos tanger,
chicoteados por tiranos
nos levando a lugar nenhum,
nos alimentando de enganos,
enquanto definhamos, morrendo um a um...
passivos
submissos,
cabisbaixos,
fingindo que amanhã vai melhorar?
Acreditando nas estatísticas furadas,
nos iludindo com discursos mentirosos
com propagandas inventadas? —
Eu, "porque não quero a violência",
assim digo, mentindo a mim mesmo,
porque meus motivos são outros,
que escondo a todo preço.
Você "porque o sangue não compensa",
assim, diz, sujando a consciência em segredo,
pois seu verdadeiro motivo é o medo...
Os nordestinos, porque culpam a chuva,
onde depositam todas suas esperanças,
dizem, enquanto escondem os rostos
em procissão, enterrando suas crianças.
Do Oiapoque ao Chuí,
cada brasileiro tem sua desculpa
para suportar a podridão
em que a pátria se afoga.
Fingimos que há uma bandeira,
uma causa,
que nos une na inanição,
no martírio,
na dor,
na humilhação
na vergonha,
no pavor...
E, como boiadas nordestinadas,
nos deixamos tanger,
chicoteados por tiranos
nos levando a lugar nenhum,
nos alimentando de enganos,
enquanto definhamos, morrendo um a um...
1 171
Angelo Augusto Ferreira
Noticiário Via Satélite
Sua voz habita o éter
Abstrata
Nos ventos, nos ares
Nas cores do espectro da luz.
Convive com os satélites
Passeia com o sol
A lua, as estrelas.
Permanece no céu
Formosa, linda
No corpo nas falas dos anjos
Ligada na terra!
Nossos olhos embevecidos
Como seu jeito pleno de ternura.
Do ventre da Criação,
Surgiu resplandescente, divina.
Mulher laboriosa
Valiosa na cominicação
Jornalismo, informação!
MADRID, Via Satélite
Irradia ao mundo
Dias, anos infindos
Assistiremos
Atentos com alegrias
A flor perfeita na vitrine da vida
Faz bem à visão.
Linda, bela, sem disfarces
SANDRA SUTHERLAND
O valor da mulher jornalista, repórter
No mundo, no vídeo, chama atenção
Na tela da televisão!
Abstrata
Nos ventos, nos ares
Nas cores do espectro da luz.
Convive com os satélites
Passeia com o sol
A lua, as estrelas.
Permanece no céu
Formosa, linda
No corpo nas falas dos anjos
Ligada na terra!
Nossos olhos embevecidos
Como seu jeito pleno de ternura.
Do ventre da Criação,
Surgiu resplandescente, divina.
Mulher laboriosa
Valiosa na cominicação
Jornalismo, informação!
MADRID, Via Satélite
Irradia ao mundo
Dias, anos infindos
Assistiremos
Atentos com alegrias
A flor perfeita na vitrine da vida
Faz bem à visão.
Linda, bela, sem disfarces
SANDRA SUTHERLAND
O valor da mulher jornalista, repórter
No mundo, no vídeo, chama atenção
Na tela da televisão!
938
Alex Brasil
Ci fi lização
A igreja está morta,
e os vermes se multiplicam sobre seu cadáver.
Deus está sendo cuspido no Oriente Médio,
na Índia, no Irã,
na boca do Papa,
nas Américas humilhadas por caciques de quepe e fuzil.
Está surgindo uma nova era de gerações sem causa,
sem destino,
acorrentadas e tangidas
por capitalistas tiranos;
por falsos profetas...
Está surgindo a era
em que morrerão as baleias e os humanos,
e serão poucos, muito poucos o verde e os poetas.
e os vermes se multiplicam sobre seu cadáver.
Deus está sendo cuspido no Oriente Médio,
na Índia, no Irã,
na boca do Papa,
nas Américas humilhadas por caciques de quepe e fuzil.
Está surgindo uma nova era de gerações sem causa,
sem destino,
acorrentadas e tangidas
por capitalistas tiranos;
por falsos profetas...
Está surgindo a era
em que morrerão as baleias e os humanos,
e serão poucos, muito poucos o verde e os poetas.
992
Alex Brasil
Ci fi lização
A igreja está morta,
e os vermes se multiplicam sobre seu cadáver.
Deus está sendo cuspido no Oriente Médio,
na Índia, no Irã,
na boca do Papa,
nas Américas humilhadas por caciques de quepe e fuzil.
Está surgindo uma nova era de gerações sem causa,
sem destino,
acorrentadas e tangidas
por capitalistas tiranos;
por falsos profetas...
Está surgindo a era
em que morrerão as baleias e os humanos,
e serão poucos, muito poucos o verde e os poetas.
e os vermes se multiplicam sobre seu cadáver.
Deus está sendo cuspido no Oriente Médio,
na Índia, no Irã,
na boca do Papa,
nas Américas humilhadas por caciques de quepe e fuzil.
Está surgindo uma nova era de gerações sem causa,
sem destino,
acorrentadas e tangidas
por capitalistas tiranos;
por falsos profetas...
Está surgindo a era
em que morrerão as baleias e os humanos,
e serão poucos, muito poucos o verde e os poetas.
992
Alex Brasil
Ci fi lização
A igreja está morta,
e os vermes se multiplicam sobre seu cadáver.
Deus está sendo cuspido no Oriente Médio,
na Índia, no Irã,
na boca do Papa,
nas Américas humilhadas por caciques de quepe e fuzil.
Está surgindo uma nova era de gerações sem causa,
sem destino,
acorrentadas e tangidas
por capitalistas tiranos;
por falsos profetas...
Está surgindo a era
em que morrerão as baleias e os humanos,
e serão poucos, muito poucos o verde e os poetas.
e os vermes se multiplicam sobre seu cadáver.
Deus está sendo cuspido no Oriente Médio,
na Índia, no Irã,
na boca do Papa,
nas Américas humilhadas por caciques de quepe e fuzil.
Está surgindo uma nova era de gerações sem causa,
sem destino,
acorrentadas e tangidas
por capitalistas tiranos;
por falsos profetas...
Está surgindo a era
em que morrerão as baleias e os humanos,
e serão poucos, muito poucos o verde e os poetas.
992
Alex Brasil
Ci fi lização
A igreja está morta,
e os vermes se multiplicam sobre seu cadáver.
Deus está sendo cuspido no Oriente Médio,
na Índia, no Irã,
na boca do Papa,
nas Américas humilhadas por caciques de quepe e fuzil.
Está surgindo uma nova era de gerações sem causa,
sem destino,
acorrentadas e tangidas
por capitalistas tiranos;
por falsos profetas...
Está surgindo a era
em que morrerão as baleias e os humanos,
e serão poucos, muito poucos o verde e os poetas.
e os vermes se multiplicam sobre seu cadáver.
Deus está sendo cuspido no Oriente Médio,
na Índia, no Irã,
na boca do Papa,
nas Américas humilhadas por caciques de quepe e fuzil.
Está surgindo uma nova era de gerações sem causa,
sem destino,
acorrentadas e tangidas
por capitalistas tiranos;
por falsos profetas...
Está surgindo a era
em que morrerão as baleias e os humanos,
e serão poucos, muito poucos o verde e os poetas.
992
Angelo Augusto Ferreira
Compasso da Canção
A vida bate sem dó
Tocando a canção do aprendizado
Devagar
Notas contadas
No compasso de sustos
Vezes sem afetos
Desorientados
Cautelosos
Expectáveis no porvir!
A vida bate sem dó
Caminhar louco
Todo cuidado é pouco.
O bem maior perdeu-se
Sem explicação
Desapareceu na fumaça dos fatos
Nas risadas do chopp
Perdidos nos esgotos da vida.
A vida bate sem dó
Sem avisar
Nos sustos
Nos beijos
Abraços
Alegrias
Dos risos.
Flores que persistem
Nos corações
Mentes infinitas
Supridos nos choques da saudade!
Tocando a canção do aprendizado
Devagar
Notas contadas
No compasso de sustos
Vezes sem afetos
Desorientados
Cautelosos
Expectáveis no porvir!
A vida bate sem dó
Caminhar louco
Todo cuidado é pouco.
O bem maior perdeu-se
Sem explicação
Desapareceu na fumaça dos fatos
Nas risadas do chopp
Perdidos nos esgotos da vida.
A vida bate sem dó
Sem avisar
Nos sustos
Nos beijos
Abraços
Alegrias
Dos risos.
Flores que persistem
Nos corações
Mentes infinitas
Supridos nos choques da saudade!
889
Alexandre S. Santos
Uma Alternativa
Deixar frouxos os arreios;
atentar para o instinto;
não depender de esteios;
tornar o medo extinto;
voar por vias invisíveis,
em travessia por mar,
sobre ondas aprazíveis,
espelhos turvos de luar;
Gozar o olor da mata,
e na pele o verde rocio
dos galhos altos, acrobata,
mergulhado em branco cicio;
orbitar com os cometas,
no negro sorriso de Deus;
Fruir o maná de rubras tetas,
de ti Natura, filhos teus;
No colo do afeto sentido
recostar os lábios soantes,
fazer do sopro emitido
o diálogo entre amantes;
e, desta anarquia natural
o fim - quem sabe?- do mal,
do velho conceito de certo,
um mundo são descoberto.
atentar para o instinto;
não depender de esteios;
tornar o medo extinto;
voar por vias invisíveis,
em travessia por mar,
sobre ondas aprazíveis,
espelhos turvos de luar;
Gozar o olor da mata,
e na pele o verde rocio
dos galhos altos, acrobata,
mergulhado em branco cicio;
orbitar com os cometas,
no negro sorriso de Deus;
Fruir o maná de rubras tetas,
de ti Natura, filhos teus;
No colo do afeto sentido
recostar os lábios soantes,
fazer do sopro emitido
o diálogo entre amantes;
e, desta anarquia natural
o fim - quem sabe?- do mal,
do velho conceito de certo,
um mundo são descoberto.
915
Alexandre S. Santos
Uma Alternativa
Deixar frouxos os arreios;
atentar para o instinto;
não depender de esteios;
tornar o medo extinto;
voar por vias invisíveis,
em travessia por mar,
sobre ondas aprazíveis,
espelhos turvos de luar;
Gozar o olor da mata,
e na pele o verde rocio
dos galhos altos, acrobata,
mergulhado em branco cicio;
orbitar com os cometas,
no negro sorriso de Deus;
Fruir o maná de rubras tetas,
de ti Natura, filhos teus;
No colo do afeto sentido
recostar os lábios soantes,
fazer do sopro emitido
o diálogo entre amantes;
e, desta anarquia natural
o fim - quem sabe?- do mal,
do velho conceito de certo,
um mundo são descoberto.
atentar para o instinto;
não depender de esteios;
tornar o medo extinto;
voar por vias invisíveis,
em travessia por mar,
sobre ondas aprazíveis,
espelhos turvos de luar;
Gozar o olor da mata,
e na pele o verde rocio
dos galhos altos, acrobata,
mergulhado em branco cicio;
orbitar com os cometas,
no negro sorriso de Deus;
Fruir o maná de rubras tetas,
de ti Natura, filhos teus;
No colo do afeto sentido
recostar os lábios soantes,
fazer do sopro emitido
o diálogo entre amantes;
e, desta anarquia natural
o fim - quem sabe?- do mal,
do velho conceito de certo,
um mundo são descoberto.
915
Adriana Sampaio
Rebelião
Rebelião
Se existem outras dimensões
Por que não em mim?
Absorventes, inerentes
Sem nenhuma proporção.
Não há dicotomia
Entre o fogo que sufoca
E o ar que oxigena
Quando um se espraia
Através da existência do outro.
Convivência,
Nem sempre tão passiva
Entre beatitude e depravação
Contradições complemmentares
De sentimento e razão.
Sintagmas e paradigmas
Tesão e tédio
Tudo passando por portas de comunicação,
Pelos dez por cento de mente
Que ansiando pela lógica
Permitem-nos transpassar desordenadamente
Ao menos três dimensões.
Se existem outras dimensões
Por que não em mim?
Absorventes, inerentes
Sem nenhuma proporção.
Não há dicotomia
Entre o fogo que sufoca
E o ar que oxigena
Quando um se espraia
Através da existência do outro.
Convivência,
Nem sempre tão passiva
Entre beatitude e depravação
Contradições complemmentares
De sentimento e razão.
Sintagmas e paradigmas
Tesão e tédio
Tudo passando por portas de comunicação,
Pelos dez por cento de mente
Que ansiando pela lógica
Permitem-nos transpassar desordenadamente
Ao menos três dimensões.
974
Adriana Sampaio
Rebelião
Rebelião
Se existem outras dimensões
Por que não em mim?
Absorventes, inerentes
Sem nenhuma proporção.
Não há dicotomia
Entre o fogo que sufoca
E o ar que oxigena
Quando um se espraia
Através da existência do outro.
Convivência,
Nem sempre tão passiva
Entre beatitude e depravação
Contradições complemmentares
De sentimento e razão.
Sintagmas e paradigmas
Tesão e tédio
Tudo passando por portas de comunicação,
Pelos dez por cento de mente
Que ansiando pela lógica
Permitem-nos transpassar desordenadamente
Ao menos três dimensões.
Se existem outras dimensões
Por que não em mim?
Absorventes, inerentes
Sem nenhuma proporção.
Não há dicotomia
Entre o fogo que sufoca
E o ar que oxigena
Quando um se espraia
Através da existência do outro.
Convivência,
Nem sempre tão passiva
Entre beatitude e depravação
Contradições complemmentares
De sentimento e razão.
Sintagmas e paradigmas
Tesão e tédio
Tudo passando por portas de comunicação,
Pelos dez por cento de mente
Que ansiando pela lógica
Permitem-nos transpassar desordenadamente
Ao menos três dimensões.
974
Adriana Sampaio
Separação
Separação
Isso é uma declaração de amor:
Declaro que te quero
E isso é claro como meu desejo.
Declaro que te admiro
Todo ato teu me é visível, claro.
Declaro que cresço a cada passo
Que nossas mãos, dadas, acompanham.
Declaro que sou tua
Livremente e espontaneamente tua,
Como só meu sentimento puro
Pode lindamente me levar a ser.
Declaro que sou uma, única
E que és igualmente único para mim
Como derivados da mais pura diversidade.
Declaro toda inspiração a que me inspiras
Levando-me através da mais completa fantasia.
Declaro minha loucura
Que assim retorna mansamente
E torna essa declaração
Declaração de independência.
Isso é uma declaração de amor:
Declaro que te quero
E isso é claro como meu desejo.
Declaro que te admiro
Todo ato teu me é visível, claro.
Declaro que cresço a cada passo
Que nossas mãos, dadas, acompanham.
Declaro que sou tua
Livremente e espontaneamente tua,
Como só meu sentimento puro
Pode lindamente me levar a ser.
Declaro que sou uma, única
E que és igualmente único para mim
Como derivados da mais pura diversidade.
Declaro toda inspiração a que me inspiras
Levando-me através da mais completa fantasia.
Declaro minha loucura
Que assim retorna mansamente
E torna essa declaração
Declaração de independência.
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