Poemas neste tema
Sociedade e Mundo
Ferreira Gullar
Os Vivos
Os vivos
são vorazes
são glutões ferozes:
até dos mortos comem
carnes e vozes
Se devoram os mortos
devoram os outros vivos:
pelos olhos e sexo
elogio, sorrisos
Os vivos são dotados
de famintas bocas:
devoram o que vêem
o que cheiram e tocam
Os vivos são fornalhas
em sempre operação:
em sua mente e ventre
tudo vira carvão
O mar a pedra a manhã
são ali combustível:
o vivo, voraz, muda
o visível em visível
O mar a pedra a manhã
- que ele queima em seus risos -
viram pele e cabelos
do corpo, que é ele vivo
e onde habita alguém
- seja espírito ou não -
alimentado também
por essa combustão
que tudo vaporiza.
Mas que agora na pele
desta efêmera mão
é afago de brisa.
são vorazes
são glutões ferozes:
até dos mortos comem
carnes e vozes
Se devoram os mortos
devoram os outros vivos:
pelos olhos e sexo
elogio, sorrisos
Os vivos são dotados
de famintas bocas:
devoram o que vêem
o que cheiram e tocam
Os vivos são fornalhas
em sempre operação:
em sua mente e ventre
tudo vira carvão
O mar a pedra a manhã
são ali combustível:
o vivo, voraz, muda
o visível em visível
O mar a pedra a manhã
- que ele queima em seus risos -
viram pele e cabelos
do corpo, que é ele vivo
e onde habita alguém
- seja espírito ou não -
alimentado também
por essa combustão
que tudo vaporiza.
Mas que agora na pele
desta efêmera mão
é afago de brisa.
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Zélia Duncan
Não tem volta
Se você vai por muito tempo
você nunca volta.
Você retorna,
Você contorna
mas não tem volta
a estrada te sopra pro alto
pra outro lado
enquanto
aquele tempo
vai mudando.
Aí, de quando
em quando você lembra
aquele beijo,
aquele medo
mas você sabe
que tudo ficou antigo
e você não volta
nem com escolta
nem amarrado
porque o passado
já te perdeu
e o perigo
muda mesmo de endereço
Não existe pretexto.
O dia mudou
o carteiro não veio
o principio é o meio
e você retorna
mas não tem volta.
você nunca volta.
Você retorna,
Você contorna
mas não tem volta
a estrada te sopra pro alto
pra outro lado
enquanto
aquele tempo
vai mudando.
Aí, de quando
em quando você lembra
aquele beijo,
aquele medo
mas você sabe
que tudo ficou antigo
e você não volta
nem com escolta
nem amarrado
porque o passado
já te perdeu
e o perigo
muda mesmo de endereço
Não existe pretexto.
O dia mudou
o carteiro não veio
o principio é o meio
e você retorna
mas não tem volta.
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3
Maria Manuela Margarido
Vós que ocupais a nossa Terra
É preciso não perder
de vista as crianças que brincam:
a cobra preta passeia fardada
à porta das nossas casas.
Derrubam as arvores fruta-pão
para que passemos fome
e vigiam as estradas
receando a fuga do cacau.
A tragédia já a conhecemos:
a cubata incendiada,
o telhado de andala flamejando
e o cheiro do fumo misturando-se
ao cheiro do andu
e ao cheiro da morte.
Nós nos conhecemos e sabemos,
tomamos chá do gabão,
arrancamos a casca do cajueiro.
E vós, apenas desbotadas
mascaras do homem,
apenas esvaziados fantasmas do homem?
Vós que ocupais a nossa terra?
(Poetas de S. Tomé e Príncipe, 1963)
de vista as crianças que brincam:
a cobra preta passeia fardada
à porta das nossas casas.
Derrubam as arvores fruta-pão
para que passemos fome
e vigiam as estradas
receando a fuga do cacau.
A tragédia já a conhecemos:
a cubata incendiada,
o telhado de andala flamejando
e o cheiro do fumo misturando-se
ao cheiro do andu
e ao cheiro da morte.
Nós nos conhecemos e sabemos,
tomamos chá do gabão,
arrancamos a casca do cajueiro.
E vós, apenas desbotadas
mascaras do homem,
apenas esvaziados fantasmas do homem?
Vós que ocupais a nossa terra?
(Poetas de S. Tomé e Príncipe, 1963)
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Maria Manuela Margarido
Vós que ocupais a nossa Terra
É preciso não perder
de vista as crianças que brincam:
a cobra preta passeia fardada
à porta das nossas casas.
Derrubam as arvores fruta-pão
para que passemos fome
e vigiam as estradas
receando a fuga do cacau.
A tragédia já a conhecemos:
a cubata incendiada,
o telhado de andala flamejando
e o cheiro do fumo misturando-se
ao cheiro do andu
e ao cheiro da morte.
Nós nos conhecemos e sabemos,
tomamos chá do gabão,
arrancamos a casca do cajueiro.
E vós, apenas desbotadas
mascaras do homem,
apenas esvaziados fantasmas do homem?
Vós que ocupais a nossa terra?
(Poetas de S. Tomé e Príncipe, 1963)
de vista as crianças que brincam:
a cobra preta passeia fardada
à porta das nossas casas.
Derrubam as arvores fruta-pão
para que passemos fome
e vigiam as estradas
receando a fuga do cacau.
A tragédia já a conhecemos:
a cubata incendiada,
o telhado de andala flamejando
e o cheiro do fumo misturando-se
ao cheiro do andu
e ao cheiro da morte.
Nós nos conhecemos e sabemos,
tomamos chá do gabão,
arrancamos a casca do cajueiro.
E vós, apenas desbotadas
mascaras do homem,
apenas esvaziados fantasmas do homem?
Vós que ocupais a nossa terra?
(Poetas de S. Tomé e Príncipe, 1963)
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Maria Manuela Margarido
Vós que ocupais a nossa Terra
É preciso não perder
de vista as crianças que brincam:
a cobra preta passeia fardada
à porta das nossas casas.
Derrubam as arvores fruta-pão
para que passemos fome
e vigiam as estradas
receando a fuga do cacau.
A tragédia já a conhecemos:
a cubata incendiada,
o telhado de andala flamejando
e o cheiro do fumo misturando-se
ao cheiro do andu
e ao cheiro da morte.
Nós nos conhecemos e sabemos,
tomamos chá do gabão,
arrancamos a casca do cajueiro.
E vós, apenas desbotadas
mascaras do homem,
apenas esvaziados fantasmas do homem?
Vós que ocupais a nossa terra?
(Poetas de S. Tomé e Príncipe, 1963)
de vista as crianças que brincam:
a cobra preta passeia fardada
à porta das nossas casas.
Derrubam as arvores fruta-pão
para que passemos fome
e vigiam as estradas
receando a fuga do cacau.
A tragédia já a conhecemos:
a cubata incendiada,
o telhado de andala flamejando
e o cheiro do fumo misturando-se
ao cheiro do andu
e ao cheiro da morte.
Nós nos conhecemos e sabemos,
tomamos chá do gabão,
arrancamos a casca do cajueiro.
E vós, apenas desbotadas
mascaras do homem,
apenas esvaziados fantasmas do homem?
Vós que ocupais a nossa terra?
(Poetas de S. Tomé e Príncipe, 1963)
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Maria Manuela Margarido
Vós que ocupais a nossa Terra
É preciso não perder
de vista as crianças que brincam:
a cobra preta passeia fardada
à porta das nossas casas.
Derrubam as arvores fruta-pão
para que passemos fome
e vigiam as estradas
receando a fuga do cacau.
A tragédia já a conhecemos:
a cubata incendiada,
o telhado de andala flamejando
e o cheiro do fumo misturando-se
ao cheiro do andu
e ao cheiro da morte.
Nós nos conhecemos e sabemos,
tomamos chá do gabão,
arrancamos a casca do cajueiro.
E vós, apenas desbotadas
mascaras do homem,
apenas esvaziados fantasmas do homem?
Vós que ocupais a nossa terra?
(Poetas de S. Tomé e Príncipe, 1963)
de vista as crianças que brincam:
a cobra preta passeia fardada
à porta das nossas casas.
Derrubam as arvores fruta-pão
para que passemos fome
e vigiam as estradas
receando a fuga do cacau.
A tragédia já a conhecemos:
a cubata incendiada,
o telhado de andala flamejando
e o cheiro do fumo misturando-se
ao cheiro do andu
e ao cheiro da morte.
Nós nos conhecemos e sabemos,
tomamos chá do gabão,
arrancamos a casca do cajueiro.
E vós, apenas desbotadas
mascaras do homem,
apenas esvaziados fantasmas do homem?
Vós que ocupais a nossa terra?
(Poetas de S. Tomé e Príncipe, 1963)
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Ernani Sátyro
A Manuel Bandeira
Manuel, completas oitenta,
Mereces oitenta mil.
Bandeira maior que a tua
Só Bandeira do Brasil.
Tu és a maior estrela
No céu de nossa poesia.
Ainda quando estás triste
Tu és a nossa alegria.
Porque nos teus versos cantam
Rios, pássaros e cores,
Amores, crianças, bichos
Desta terra brasileira.
Manuel, és nossa bandeira.
Daqui a oitenta mil,
Quando no céu tu chegares,
São Pedro vai te dizer
O que já disse a Irene:
Tu nem precisas bater,
Era só o que faltava,
Manuel, eu já te esperava!
Mas eu grito pra São Pedro:
"Santo, deixa de ambição,
Atrasa teu calendário
Porque Manuel não vai não".
Mereces oitenta mil.
Bandeira maior que a tua
Só Bandeira do Brasil.
Tu és a maior estrela
No céu de nossa poesia.
Ainda quando estás triste
Tu és a nossa alegria.
Porque nos teus versos cantam
Rios, pássaros e cores,
Amores, crianças, bichos
Desta terra brasileira.
Manuel, és nossa bandeira.
Daqui a oitenta mil,
Quando no céu tu chegares,
São Pedro vai te dizer
O que já disse a Irene:
Tu nem precisas bater,
Era só o que faltava,
Manuel, eu já te esperava!
Mas eu grito pra São Pedro:
"Santo, deixa de ambição,
Atrasa teu calendário
Porque Manuel não vai não".
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Papiniano Carlos
Caminhemos Serenos
Sob as estrelas, sob as bombas,
sob os turvos ódios e injustiças,
no frio corredor de lâminas eriçadas,
no meio do sangue, das lágrimas
caminhemos serenos.
De mãos dadas,
através da última das ignomínias,
sob o negro mar da iniqüidade
caminhemos serenos.
Sob a fúria dos ventos desumanos,
sob a treva e os furacões de fogo
aos que nem com a morte podem vencer-nos
caminhemos serenos.
O que nos leva é indestrutível,
a luz que nos guia conosco vai.
E já que o cárcere é pequeno
para o sonho prisioneiro,
já que o cárcere não basta
para a ave inviolável,
que temer, ó minha querida?:
caminhemos serenos.
No pavor da floresta gelada,
através das torturas, através da morte,
em busca do país da aurora,
de mãos dadas, querida, de mãos dadas
caminhemos serenos.
sob os turvos ódios e injustiças,
no frio corredor de lâminas eriçadas,
no meio do sangue, das lágrimas
caminhemos serenos.
De mãos dadas,
através da última das ignomínias,
sob o negro mar da iniqüidade
caminhemos serenos.
Sob a fúria dos ventos desumanos,
sob a treva e os furacões de fogo
aos que nem com a morte podem vencer-nos
caminhemos serenos.
O que nos leva é indestrutível,
a luz que nos guia conosco vai.
E já que o cárcere é pequeno
para o sonho prisioneiro,
já que o cárcere não basta
para a ave inviolável,
que temer, ó minha querida?:
caminhemos serenos.
No pavor da floresta gelada,
através das torturas, através da morte,
em busca do país da aurora,
de mãos dadas, querida, de mãos dadas
caminhemos serenos.
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Papiniano Carlos
Caminhemos Serenos
Sob as estrelas, sob as bombas,
sob os turvos ódios e injustiças,
no frio corredor de lâminas eriçadas,
no meio do sangue, das lágrimas
caminhemos serenos.
De mãos dadas,
através da última das ignomínias,
sob o negro mar da iniqüidade
caminhemos serenos.
Sob a fúria dos ventos desumanos,
sob a treva e os furacões de fogo
aos que nem com a morte podem vencer-nos
caminhemos serenos.
O que nos leva é indestrutível,
a luz que nos guia conosco vai.
E já que o cárcere é pequeno
para o sonho prisioneiro,
já que o cárcere não basta
para a ave inviolável,
que temer, ó minha querida?:
caminhemos serenos.
No pavor da floresta gelada,
através das torturas, através da morte,
em busca do país da aurora,
de mãos dadas, querida, de mãos dadas
caminhemos serenos.
sob os turvos ódios e injustiças,
no frio corredor de lâminas eriçadas,
no meio do sangue, das lágrimas
caminhemos serenos.
De mãos dadas,
através da última das ignomínias,
sob o negro mar da iniqüidade
caminhemos serenos.
Sob a fúria dos ventos desumanos,
sob a treva e os furacões de fogo
aos que nem com a morte podem vencer-nos
caminhemos serenos.
O que nos leva é indestrutível,
a luz que nos guia conosco vai.
E já que o cárcere é pequeno
para o sonho prisioneiro,
já que o cárcere não basta
para a ave inviolável,
que temer, ó minha querida?:
caminhemos serenos.
No pavor da floresta gelada,
através das torturas, através da morte,
em busca do país da aurora,
de mãos dadas, querida, de mãos dadas
caminhemos serenos.
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Edimilson de Almeida Pereira
Família Lugar
Um rio não divide
duas margens.
O que se planta nos lados
é que o separa.
Aqui o cemitério
lá lagoa da trindade.
Aqui os entregues
lá os escolhidos
em severa matemática.
Para um devoto
tudo é muitas coisas.
Uma ravina de águas
que envolve
vivos e mortos.
Por isso é direito
passar a um lado do rio
a capela
e o cemitério.
Em ambos se viaja
bem vestido e forro.
Em ambos espera
um domingo
de várias línguas.
Aqui no cemitério
homens multiplicam.
E o que fazem
está na oficina
do entendimento.
Essa é a margem
silenciosa do rio.
E mal permite
a ruga do tamboril.
Lá a capela
nave sem instrumentos.
Nela o que inspira
é a música os santos
no reinado.
Um negro do rosário
faz uma as outras coisas.
Na ravina do rio
lá e aqui são capela
e cemitério.
Estamos nós, os Bianos,
de enigma resolvido.
A lagoa onde somos
tem idéias de rio.
Aqui e lá peças
dos olhos em movimento.
Como são na diferença
os mesmos Deus
e Zambiapungo.
duas margens.
O que se planta nos lados
é que o separa.
Aqui o cemitério
lá lagoa da trindade.
Aqui os entregues
lá os escolhidos
em severa matemática.
Para um devoto
tudo é muitas coisas.
Uma ravina de águas
que envolve
vivos e mortos.
Por isso é direito
passar a um lado do rio
a capela
e o cemitério.
Em ambos se viaja
bem vestido e forro.
Em ambos espera
um domingo
de várias línguas.
Aqui no cemitério
homens multiplicam.
E o que fazem
está na oficina
do entendimento.
Essa é a margem
silenciosa do rio.
E mal permite
a ruga do tamboril.
Lá a capela
nave sem instrumentos.
Nela o que inspira
é a música os santos
no reinado.
Um negro do rosário
faz uma as outras coisas.
Na ravina do rio
lá e aqui são capela
e cemitério.
Estamos nós, os Bianos,
de enigma resolvido.
A lagoa onde somos
tem idéias de rio.
Aqui e lá peças
dos olhos em movimento.
Como são na diferença
os mesmos Deus
e Zambiapungo.
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Joaquim Namorado
Fábula
No tempo em que os animais falavam.
Liberdade!
Igualdade!
Fraternidade!
Liberdade!
Igualdade!
Fraternidade!
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3
Joaquim Namorado
Fábula
No tempo em que os animais falavam.
Liberdade!
Igualdade!
Fraternidade!
Liberdade!
Igualdade!
Fraternidade!
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3
Joaquim Namorado
Fábula
No tempo em que os animais falavam.
Liberdade!
Igualdade!
Fraternidade!
Liberdade!
Igualdade!
Fraternidade!
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3
Maria Alberta Menéres
Pretexto
Por que não cai a noite, de uma vez?
— Custa viver assim aos encontrões!
Já sei de cor os passos que me cercam,
o silêncio que pede pelas ruas,
e o desenho de todos os portões.
Por que não cai a noite, de uma vez?
— Irritam-me estas horas penduradas
como frutos maduros que não tombam.
(E dentro em mim, ninguém vem desfazer
o novelo das tardes enroladas.)
— Custa viver assim aos encontrões!
Já sei de cor os passos que me cercam,
o silêncio que pede pelas ruas,
e o desenho de todos os portões.
Por que não cai a noite, de uma vez?
— Irritam-me estas horas penduradas
como frutos maduros que não tombam.
(E dentro em mim, ninguém vem desfazer
o novelo das tardes enroladas.)
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3
Antero de Quental
O Inconsciente
O espectro familiar que anda comigo
Sem que pudesse ainda ver-lhe o rosto,
Que umas vezes encaro com desgosto...
E outras muitas ansioso espreito e sigo,
É um espectro mudo, grave, antigo,
Que parece a conversas mal disposto...
Ante esse vulto, ascético e composto,
Mil vezes abro a boca ... e nada digo.
Só uma vez ousei interrogá-lo:
Quem és, (lhe perguntei com grande abalo)
Fantasma a quem odeio e a quem amo?
- Teus irmãos, (respondei) os vãos humanos,
chamam-me Deus, há mais de dez mil anos...
Mas eu por mim não sei como me chamo..
Sem que pudesse ainda ver-lhe o rosto,
Que umas vezes encaro com desgosto...
E outras muitas ansioso espreito e sigo,
É um espectro mudo, grave, antigo,
Que parece a conversas mal disposto...
Ante esse vulto, ascético e composto,
Mil vezes abro a boca ... e nada digo.
Só uma vez ousei interrogá-lo:
Quem és, (lhe perguntei com grande abalo)
Fantasma a quem odeio e a quem amo?
- Teus irmãos, (respondei) os vãos humanos,
chamam-me Deus, há mais de dez mil anos...
Mas eu por mim não sei como me chamo..
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3
Oswald de Andrade
A Descoberta
Seguimos nosso caminho por este mar de longo
Até a oitava da Páscoa
Topamos aves
E houvemos vista de terra
os selvagens
Mostraram-lhes uma galinha
Quase haviam medo dela
E não queriam por a mão
E depois a tomaram como espantados
primeiro chá
Depois de dançarem
Diogo Dias
Fez o salto real
as meninas da gare
Eram três ou quatro moças bem moças e bem gentis
Com cabelos mui pretos pelas espáduas
E suas vergonhas tão altas e tão saradinhas
Que de nós as muito bem olharmos
Não tínhamos nenhuma vergonha.
(in Poesias Reunidas. Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, 1971.)
Até a oitava da Páscoa
Topamos aves
E houvemos vista de terra
os selvagens
Mostraram-lhes uma galinha
Quase haviam medo dela
E não queriam por a mão
E depois a tomaram como espantados
primeiro chá
Depois de dançarem
Diogo Dias
Fez o salto real
as meninas da gare
Eram três ou quatro moças bem moças e bem gentis
Com cabelos mui pretos pelas espáduas
E suas vergonhas tão altas e tão saradinhas
Que de nós as muito bem olharmos
Não tínhamos nenhuma vergonha.
(in Poesias Reunidas. Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, 1971.)
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Oswald de Andrade
A Descoberta
Seguimos nosso caminho por este mar de longo
Até a oitava da Páscoa
Topamos aves
E houvemos vista de terra
os selvagens
Mostraram-lhes uma galinha
Quase haviam medo dela
E não queriam por a mão
E depois a tomaram como espantados
primeiro chá
Depois de dançarem
Diogo Dias
Fez o salto real
as meninas da gare
Eram três ou quatro moças bem moças e bem gentis
Com cabelos mui pretos pelas espáduas
E suas vergonhas tão altas e tão saradinhas
Que de nós as muito bem olharmos
Não tínhamos nenhuma vergonha.
(in Poesias Reunidas. Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, 1971.)
Até a oitava da Páscoa
Topamos aves
E houvemos vista de terra
os selvagens
Mostraram-lhes uma galinha
Quase haviam medo dela
E não queriam por a mão
E depois a tomaram como espantados
primeiro chá
Depois de dançarem
Diogo Dias
Fez o salto real
as meninas da gare
Eram três ou quatro moças bem moças e bem gentis
Com cabelos mui pretos pelas espáduas
E suas vergonhas tão altas e tão saradinhas
Que de nós as muito bem olharmos
Não tínhamos nenhuma vergonha.
(in Poesias Reunidas. Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, 1971.)
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Décio Pignatari
Cloaca
beba coca cola
babe cola
beba coca
babe cola caco
caco
cola
c l o a c a
babe cola
beba coca
babe cola caco
caco
cola
c l o a c a
4 350
3
António Ramos Rosa
Tu Pensas que os Cardeais
Tu pensas
que os cardeais
não se masturbam,
que não vêem
as telenovelas,
que vêem, quando muito, os filmes de Bergman
e o Evangelho segundo São Mateus de Pasolini.
Não, eles nunca lêem os livros pornográficos
e nunca pensaram em ter amantes.
Eles não conhecem o turbilhão das visões
das figuras eróticas,
eles lêem os exercícios espirituais
de Santo Inácio
e têm o odor da santidade
e irão para o céu porque nunca pecaram,
nunca acariciaram um pénis,
nunca o desejaram túmido e ardente
na sua boca casta.
Ah os cardeais como são exemplares
mesmo quando os espelhos os perseguem
com os membros e órgãos de mulheres
na fulguração da nudez liquida e candente!
Todavia eu conheço a obstinada chama
do desejo,
a sua glauca ondulação,
os seus olhos deslumbrados pela oceânica
vertigem
de um corpo embriagado pela sua simetria
e pela volúvel coerência
dos seus astros dispersos.
Não, eu não creio na inocência imaculada
dos solenes cardeais.
Eu sei que a sua carne é a mesma argila
incandescente e turva
de que o meu corpo frágil é composto.
Eles conhecem o sofrimento de ser duplos,
o vazio do desejo,
a violência nua das imagens monstruosas,
a adolescência do fogo nos labirintos negros.
Mas eu sei que os cardeais não gritam,
nem levantam a voz,
nem atravessam a fronteira do pudor
e adormecem ao rumor das orações.
É esta imagem que eu quero conservar
na religiosa monotonia do meu sono.
que os cardeais
não se masturbam,
que não vêem
as telenovelas,
que vêem, quando muito, os filmes de Bergman
e o Evangelho segundo São Mateus de Pasolini.
Não, eles nunca lêem os livros pornográficos
e nunca pensaram em ter amantes.
Eles não conhecem o turbilhão das visões
das figuras eróticas,
eles lêem os exercícios espirituais
de Santo Inácio
e têm o odor da santidade
e irão para o céu porque nunca pecaram,
nunca acariciaram um pénis,
nunca o desejaram túmido e ardente
na sua boca casta.
Ah os cardeais como são exemplares
mesmo quando os espelhos os perseguem
com os membros e órgãos de mulheres
na fulguração da nudez liquida e candente!
Todavia eu conheço a obstinada chama
do desejo,
a sua glauca ondulação,
os seus olhos deslumbrados pela oceânica
vertigem
de um corpo embriagado pela sua simetria
e pela volúvel coerência
dos seus astros dispersos.
Não, eu não creio na inocência imaculada
dos solenes cardeais.
Eu sei que a sua carne é a mesma argila
incandescente e turva
de que o meu corpo frágil é composto.
Eles conhecem o sofrimento de ser duplos,
o vazio do desejo,
a violência nua das imagens monstruosas,
a adolescência do fogo nos labirintos negros.
Mas eu sei que os cardeais não gritam,
nem levantam a voz,
nem atravessam a fronteira do pudor
e adormecem ao rumor das orações.
É esta imagem que eu quero conservar
na religiosa monotonia do meu sono.
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3
Millôr Fernandes
Poesia Matemática
Às folhas tantas
Do livro matemático
Um Quociente apaixonou-se
Um dia
Doidamente
Por uma Incógnita.
Olhou-a com seu olhar inumerável
E viu-a, do Ápice à Base,
Uma Figura Ímpar;
Olhos rombóides, boca trapezóide,
Corpo otogonal, seios esferóides.
Fez da sua
Uma vida
Paralela a dela
Até que se encontraram
No Infinito.
"Quem és tu?"indagou ele
Com ânsia radical.
"Sou a soma dos quadrados dos catetos.
Mas pode me chamar de Hipotenusa."
E de falarem descobriram que eram
- O que, em aritmética, corresponde
A almas irmãs -
Primos-entre-si.
E assim se amaram
Ao quadrado da velocidade da luz
Numa sexta potenciação
Traçando
Ao sabor do momento
E da paixão
Retas, curvas, círculos e linhas sinoidais.
Escandalizaram os ortodoxos das fórmulas euclideanas
E os exegetas do Universo Finito.
Romperam convenções newtonianas e pitagóricas.
E, enfim, resolveram se casar
Constituir um lar.
Mais que um lar,
Uma perpendicular.
Convidaram para padrinhos
O Poliedro e a Bissetriz.
E fizeram planos, equações e diagramas para o futuro
Sonhando com uma felicidade
Integral
E diferencial.
E se casaram e tiveram uma secante e três cones
Muito engraçadinhos
E foram felizes
Até aquele dia
Em que tudo, afinal,
Vira monotonia.
Foi então que surgiu
O Máximo Divisor Comum
Freqüentador de Círculos Concêntricos.
Viciosos.
Ofereceu-lhe, a ela,
Uma Grandeza Absoluta,
E reduziu-a a um Denominador Comum.
Ele, Quociente, percebeu
Que com ela não formava mais Um Todo,
Uma Unidade. Era o Triângulo,
Tanto chamado amoroso.
Desse problema ela era a fração
Mais ordinária.
Mas foi então que o Einstein descobriu a Relatividade
E tudo que era expúrio passou a ser
Moralidade
Como, aliás, em qualquer
Sociedade.
Do livro matemático
Um Quociente apaixonou-se
Um dia
Doidamente
Por uma Incógnita.
Olhou-a com seu olhar inumerável
E viu-a, do Ápice à Base,
Uma Figura Ímpar;
Olhos rombóides, boca trapezóide,
Corpo otogonal, seios esferóides.
Fez da sua
Uma vida
Paralela a dela
Até que se encontraram
No Infinito.
"Quem és tu?"indagou ele
Com ânsia radical.
"Sou a soma dos quadrados dos catetos.
Mas pode me chamar de Hipotenusa."
E de falarem descobriram que eram
- O que, em aritmética, corresponde
A almas irmãs -
Primos-entre-si.
E assim se amaram
Ao quadrado da velocidade da luz
Numa sexta potenciação
Traçando
Ao sabor do momento
E da paixão
Retas, curvas, círculos e linhas sinoidais.
Escandalizaram os ortodoxos das fórmulas euclideanas
E os exegetas do Universo Finito.
Romperam convenções newtonianas e pitagóricas.
E, enfim, resolveram se casar
Constituir um lar.
Mais que um lar,
Uma perpendicular.
Convidaram para padrinhos
O Poliedro e a Bissetriz.
E fizeram planos, equações e diagramas para o futuro
Sonhando com uma felicidade
Integral
E diferencial.
E se casaram e tiveram uma secante e três cones
Muito engraçadinhos
E foram felizes
Até aquele dia
Em que tudo, afinal,
Vira monotonia.
Foi então que surgiu
O Máximo Divisor Comum
Freqüentador de Círculos Concêntricos.
Viciosos.
Ofereceu-lhe, a ela,
Uma Grandeza Absoluta,
E reduziu-a a um Denominador Comum.
Ele, Quociente, percebeu
Que com ela não formava mais Um Todo,
Uma Unidade. Era o Triângulo,
Tanto chamado amoroso.
Desse problema ela era a fração
Mais ordinária.
Mas foi então que o Einstein descobriu a Relatividade
E tudo que era expúrio passou a ser
Moralidade
Como, aliás, em qualquer
Sociedade.
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3
Camilo Pessanha
Quando?
Quando se erguerão as seteiras,
Outra vez, do castelo em ruína?
E haverá gritos e bandeiras
Na fria aragem matutina?
Se ouvirá tocar a rebate,
- Sobre a planície abandonada?
E partiremos ao combate,
De cota, e elmo, e a longa espada?
Quando iremos, tristes e sérios,
Nas prolixas e vãs contendas,
Lançando juras, impropérios,
Pelas divisas e legendas?
E voltaremos, - os antigos,
Os puríssimos lidadores,-
Quantos trabalhos e perigos!
Quase mortos e vencedores?
E quando, ó Doce Infanta Real,
Nos sorrirás do belveder?
Magra figura de vitral
Por quem nós fomos combater.
Outra vez, do castelo em ruína?
E haverá gritos e bandeiras
Na fria aragem matutina?
Se ouvirá tocar a rebate,
- Sobre a planície abandonada?
E partiremos ao combate,
De cota, e elmo, e a longa espada?
Quando iremos, tristes e sérios,
Nas prolixas e vãs contendas,
Lançando juras, impropérios,
Pelas divisas e legendas?
E voltaremos, - os antigos,
Os puríssimos lidadores,-
Quantos trabalhos e perigos!
Quase mortos e vencedores?
E quando, ó Doce Infanta Real,
Nos sorrirás do belveder?
Magra figura de vitral
Por quem nós fomos combater.
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Paulo de Tarso
Amada Macapá
Paixão equilibrada e eterna da minha vida
Do tamanho do rio-mundo Amazonas:
Macapá!
Falo de ti e meu coração universal de poeta
Pulsa mais e mais forte
bate docemente toneladas de manganês,
ouro,cassiterita,tantalita ( tanta luta! )...
Meu coração bate e eu vejo no tempo
E permaneço todo o tempo ao teu lado.
Acompanho com felicidade teus momentos
De crescimento e progresso, mas sofro,
Como um pássaro engaiolado nas horas tristes
e quando te espolidar.
Meu coração
Que veio das águas maranhenses do Mearim,
Trouxe consigo a poesia,
o carinho ,
o amor e a vontade de fazer
a cada dia alguma coisa de útil :
eu fiz e faço!
Agora, como filho integrado,
Entreguei a minha vida a ti,
cidade dos meus melhores sonhos,
dos meus melhores delírios de vate e de todos
os amores que enriquecem líricamente
de carinho este viver,
sob estrelas e o céu infinito do Equador.
Do tamanho do rio-mundo Amazonas:
Macapá!
Falo de ti e meu coração universal de poeta
Pulsa mais e mais forte
bate docemente toneladas de manganês,
ouro,cassiterita,tantalita ( tanta luta! )...
Meu coração bate e eu vejo no tempo
E permaneço todo o tempo ao teu lado.
Acompanho com felicidade teus momentos
De crescimento e progresso, mas sofro,
Como um pássaro engaiolado nas horas tristes
e quando te espolidar.
Meu coração
Que veio das águas maranhenses do Mearim,
Trouxe consigo a poesia,
o carinho ,
o amor e a vontade de fazer
a cada dia alguma coisa de útil :
eu fiz e faço!
Agora, como filho integrado,
Entreguei a minha vida a ti,
cidade dos meus melhores sonhos,
dos meus melhores delírios de vate e de todos
os amores que enriquecem líricamente
de carinho este viver,
sob estrelas e o céu infinito do Equador.
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Paulo de Tarso
Amada Macapá
Paixão equilibrada e eterna da minha vida
Do tamanho do rio-mundo Amazonas:
Macapá!
Falo de ti e meu coração universal de poeta
Pulsa mais e mais forte
bate docemente toneladas de manganês,
ouro,cassiterita,tantalita ( tanta luta! )...
Meu coração bate e eu vejo no tempo
E permaneço todo o tempo ao teu lado.
Acompanho com felicidade teus momentos
De crescimento e progresso, mas sofro,
Como um pássaro engaiolado nas horas tristes
e quando te espolidar.
Meu coração
Que veio das águas maranhenses do Mearim,
Trouxe consigo a poesia,
o carinho ,
o amor e a vontade de fazer
a cada dia alguma coisa de útil :
eu fiz e faço!
Agora, como filho integrado,
Entreguei a minha vida a ti,
cidade dos meus melhores sonhos,
dos meus melhores delírios de vate e de todos
os amores que enriquecem líricamente
de carinho este viver,
sob estrelas e o céu infinito do Equador.
Do tamanho do rio-mundo Amazonas:
Macapá!
Falo de ti e meu coração universal de poeta
Pulsa mais e mais forte
bate docemente toneladas de manganês,
ouro,cassiterita,tantalita ( tanta luta! )...
Meu coração bate e eu vejo no tempo
E permaneço todo o tempo ao teu lado.
Acompanho com felicidade teus momentos
De crescimento e progresso, mas sofro,
Como um pássaro engaiolado nas horas tristes
e quando te espolidar.
Meu coração
Que veio das águas maranhenses do Mearim,
Trouxe consigo a poesia,
o carinho ,
o amor e a vontade de fazer
a cada dia alguma coisa de útil :
eu fiz e faço!
Agora, como filho integrado,
Entreguei a minha vida a ti,
cidade dos meus melhores sonhos,
dos meus melhores delírios de vate e de todos
os amores que enriquecem líricamente
de carinho este viver,
sob estrelas e o céu infinito do Equador.
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Paulo de Tarso
Amada Macapá
Paixão equilibrada e eterna da minha vida
Do tamanho do rio-mundo Amazonas:
Macapá!
Falo de ti e meu coração universal de poeta
Pulsa mais e mais forte
bate docemente toneladas de manganês,
ouro,cassiterita,tantalita ( tanta luta! )...
Meu coração bate e eu vejo no tempo
E permaneço todo o tempo ao teu lado.
Acompanho com felicidade teus momentos
De crescimento e progresso, mas sofro,
Como um pássaro engaiolado nas horas tristes
e quando te espolidar.
Meu coração
Que veio das águas maranhenses do Mearim,
Trouxe consigo a poesia,
o carinho ,
o amor e a vontade de fazer
a cada dia alguma coisa de útil :
eu fiz e faço!
Agora, como filho integrado,
Entreguei a minha vida a ti,
cidade dos meus melhores sonhos,
dos meus melhores delírios de vate e de todos
os amores que enriquecem líricamente
de carinho este viver,
sob estrelas e o céu infinito do Equador.
Do tamanho do rio-mundo Amazonas:
Macapá!
Falo de ti e meu coração universal de poeta
Pulsa mais e mais forte
bate docemente toneladas de manganês,
ouro,cassiterita,tantalita ( tanta luta! )...
Meu coração bate e eu vejo no tempo
E permaneço todo o tempo ao teu lado.
Acompanho com felicidade teus momentos
De crescimento e progresso, mas sofro,
Como um pássaro engaiolado nas horas tristes
e quando te espolidar.
Meu coração
Que veio das águas maranhenses do Mearim,
Trouxe consigo a poesia,
o carinho ,
o amor e a vontade de fazer
a cada dia alguma coisa de útil :
eu fiz e faço!
Agora, como filho integrado,
Entreguei a minha vida a ti,
cidade dos meus melhores sonhos,
dos meus melhores delírios de vate e de todos
os amores que enriquecem líricamente
de carinho este viver,
sob estrelas e o céu infinito do Equador.
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