Poemas neste tema
Natureza e Elementos
Felipe Larson
HASSYN
Passo a passo, perco o passo
Pra ver se passo, em algum lugar
Sopra o vento, bem mais lento
Sinto o vento, a me beijar
Uma estrela, qual estrela?
É tão serena, a me guiar
Cai a noite, tão pequena
Nem tão ingênua, a me conquistar
Isso me faz quer ter mais
Do que o mundo pode oferecer
Isso me faz querer ter mais, e mais, e mais
Um pensamento, a qualquer momento
Pode até dar medo, mas sem me entregar
E o que vejo, é teu desejo
E sua falta, me faz calar
Passa o tempo, não tem jeito
Todo esse tempo, me fez mudar
Amanhã quando o sol voltar a brilhar
Isso me faz quer ter mais
Do que o mundo pode oferecer
Isso me faz querer ter mais, e mais, e mais
E essa força estranha
Que me comanda
Isso me faz quer ter mais
Do que o mundo pode oferecer
Isso me faz querer ter mais, e mais, e mais
Pra ver se passo, em algum lugar
Sopra o vento, bem mais lento
Sinto o vento, a me beijar
Uma estrela, qual estrela?
É tão serena, a me guiar
Cai a noite, tão pequena
Nem tão ingênua, a me conquistar
Isso me faz quer ter mais
Do que o mundo pode oferecer
Isso me faz querer ter mais, e mais, e mais
Um pensamento, a qualquer momento
Pode até dar medo, mas sem me entregar
E o que vejo, é teu desejo
E sua falta, me faz calar
Passa o tempo, não tem jeito
Todo esse tempo, me fez mudar
Amanhã quando o sol voltar a brilhar
Isso me faz quer ter mais
Do que o mundo pode oferecer
Isso me faz querer ter mais, e mais, e mais
E essa força estranha
Que me comanda
Isso me faz quer ter mais
Do que o mundo pode oferecer
Isso me faz querer ter mais, e mais, e mais
635
Antero de Quental
Oceano Nox
Junto do mar, que erguia gravemente
A trágica voz rouca, enquanto o vento
Passava como o voo dum pensamento
Que busca e hesita, inquieto e intermitente,
Junto do mar sentei-me tristemente,
Olhando o céu pesado e nevoento,
E interroguei, cismando, esse lamento
Que saía das coisas vagamente…
Que inquieto desejo vos tortura,
Seres elementares, força obscura?
Em volta de que ideia gravitais?
Mas na imensa extensão onde se esconde
O inconsciente imortal só me responde
Um bramido, um queixume e nada mais.
A trágica voz rouca, enquanto o vento
Passava como o voo dum pensamento
Que busca e hesita, inquieto e intermitente,
Junto do mar sentei-me tristemente,
Olhando o céu pesado e nevoento,
E interroguei, cismando, esse lamento
Que saía das coisas vagamente…
Que inquieto desejo vos tortura,
Seres elementares, força obscura?
Em volta de que ideia gravitais?
Mas na imensa extensão onde se esconde
O inconsciente imortal só me responde
Um bramido, um queixume e nada mais.
2 240
Felipe Larson
21 DE SETEMBRO
Quando os dias não são iguais
Penso que algo pode acontecer
Uma surpresa ou algo imprevisível
Algo que não imagine
Pois sei que setembro está longe
Mas há uma saudade gritando dentro de mim
Dizendo assim: - Este dia irá demorar em vir
Mas isso não me abala
Pois nesta noite sonhei com você
E foi um sonho bom
Sentia a chuva tocar o chão,
Dizendo: - Não desperdice os pingos de chuva,
Aproveite ao menos algum
Pois há várias razões para isso
Mas acho tão estranho
Você estar tão longe e eu te sentir tão perto
Talvez seja que algo de mim está em você,
Como você está em mim
Pois me sinto completo
E espero que você esteja se sentindo assim
Penso que algo pode acontecer
Uma surpresa ou algo imprevisível
Algo que não imagine
Pois sei que setembro está longe
Mas há uma saudade gritando dentro de mim
Dizendo assim: - Este dia irá demorar em vir
Mas isso não me abala
Pois nesta noite sonhei com você
E foi um sonho bom
Sentia a chuva tocar o chão,
Dizendo: - Não desperdice os pingos de chuva,
Aproveite ao menos algum
Pois há várias razões para isso
Mas acho tão estranho
Você estar tão longe e eu te sentir tão perto
Talvez seja que algo de mim está em você,
Como você está em mim
Pois me sinto completo
E espero que você esteja se sentindo assim
687
Álvares de Azevedo
SONHANDO
Hier, la nuit d'été, que nous prêtait ses voiles,
Était digne de toi, tant elle avait d'étoiles!
VICTOR HUGO
Na praia deserta que a lua branqueia,
Que mimo! que rosa! que filha de Deus!
Tão pálida... ao vê-la meu ser devaneia,
Sufoco nos lábios os hálitos meus!
Não corras na areia,
Não corras assim!
Donzela, onde vais?
Tem pena de mim!
A praia é tão longa! e a onda bravia
As roupas de gaza te molha de escuma...
De noite, aos serenos, a areia é tão fria...
Tão úmido o vento que os ares perfuma!
És tão doentia...
Não corras assim...
Donzela, onde vais?
Tem pena de mim!
A brisa teus negros cabelos soltou,
O orvalho da face te esfria o suor,
Teus seios palpitam - a brisa os roçou,
Beijou-os, suspira, desmaia de amor!
Teu pé tropeçou...
Não corras assim...
Donzela, onde vais?
Tem pena de mim!
E o pálido mimo da minha paixão
Num longo soluço tremeu e parou,
Sentou-se na praia, sozinha no chão,
A mão regelada no colo pousou!
Que tens, coração
Que tremes assim?
Cansaste, donzela?
Tem pena de mim!
Deitou-se na areia que a vaga molhou.
Imóvel e branca na praia dormia;
Mas nem os seus olhos o sono fechou
E nem o seu colo de neve tremia...
O seio gelou?...
Não durmas assim!
O pálida fria,
Tem pena de mim!
Dormia: - na fronte que níveo suar...
Que mão regelada no lânguido peito...
Não era mais alvo seu leito do mar,
Não era mais frio seu gélido leito!
Nem um ressonar...
Não durmas assim...
O pálida fria,
Tem pena de mim!
Aqui no meu peito vem antes sonhar
Nos longos suspiros do meu coração:
Eu quero em meus lábios teu seio aquentar,
Teu colo, essas faces, e a gélida mão...
Não durmas no mar!
Não durmas assim.
Estátua sem vida,
Tem pena de mim!
E a vaga crescia seu corpo banhando,
As cândidas formas movendo de leve!
E eu vi-a suave nas águas boiando
Com soltos cabelos nas roupas de neve!
Nas vagas sonhando
Não durmas assim...
Donzela, onde vais?
Tem pena de mim!
E a imagem da virgem nas águas do mar
Brilhava tão branca no límpido véu...
Nem mais transparente luzia o luar
No ambiente sem nuvens da noite do céu!
Nas águas do mar
Não durmas assim...
Não morras, donzela,
Espera por mim!
Lira dos Vinte Anos - Primeira Parte
Était digne de toi, tant elle avait d'étoiles!
VICTOR HUGO
Na praia deserta que a lua branqueia,
Que mimo! que rosa! que filha de Deus!
Tão pálida... ao vê-la meu ser devaneia,
Sufoco nos lábios os hálitos meus!
Não corras na areia,
Não corras assim!
Donzela, onde vais?
Tem pena de mim!
A praia é tão longa! e a onda bravia
As roupas de gaza te molha de escuma...
De noite, aos serenos, a areia é tão fria...
Tão úmido o vento que os ares perfuma!
És tão doentia...
Não corras assim...
Donzela, onde vais?
Tem pena de mim!
A brisa teus negros cabelos soltou,
O orvalho da face te esfria o suor,
Teus seios palpitam - a brisa os roçou,
Beijou-os, suspira, desmaia de amor!
Teu pé tropeçou...
Não corras assim...
Donzela, onde vais?
Tem pena de mim!
E o pálido mimo da minha paixão
Num longo soluço tremeu e parou,
Sentou-se na praia, sozinha no chão,
A mão regelada no colo pousou!
Que tens, coração
Que tremes assim?
Cansaste, donzela?
Tem pena de mim!
Deitou-se na areia que a vaga molhou.
Imóvel e branca na praia dormia;
Mas nem os seus olhos o sono fechou
E nem o seu colo de neve tremia...
O seio gelou?...
Não durmas assim!
O pálida fria,
Tem pena de mim!
Dormia: - na fronte que níveo suar...
Que mão regelada no lânguido peito...
Não era mais alvo seu leito do mar,
Não era mais frio seu gélido leito!
Nem um ressonar...
Não durmas assim...
O pálida fria,
Tem pena de mim!
Aqui no meu peito vem antes sonhar
Nos longos suspiros do meu coração:
Eu quero em meus lábios teu seio aquentar,
Teu colo, essas faces, e a gélida mão...
Não durmas no mar!
Não durmas assim.
Estátua sem vida,
Tem pena de mim!
E a vaga crescia seu corpo banhando,
As cândidas formas movendo de leve!
E eu vi-a suave nas águas boiando
Com soltos cabelos nas roupas de neve!
Nas vagas sonhando
Não durmas assim...
Donzela, onde vais?
Tem pena de mim!
E a imagem da virgem nas águas do mar
Brilhava tão branca no límpido véu...
Nem mais transparente luzia o luar
No ambiente sem nuvens da noite do céu!
Nas águas do mar
Não durmas assim...
Não morras, donzela,
Espera por mim!
Lira dos Vinte Anos - Primeira Parte
2 325
Felipe Larson
EXPERIÊNCIA PRIMÁRIA
Olhares buscam o que fazer
Cruzam e entram no que quiserem ter
Mostram-se em desejos internos
Propondo amor, ódio e outras intenções.
Um sexto sentido, uma certa magia.
E tudo está tão confuso
Que eu não sei qual é a direção
E nem o sentido de tudo
Mas claro que tudo se resolve
Com muita calma e paciência
E três simbolos dizem tudo
Água, Fogo e ar.
Sei que o infinito existe
Mas em que universo eu encontro?
Mas está tudo fora do meu alcance
Tão distante que eu não sei que forma tem
Estranho pensar nessas coisas agora
Mas nada deve ser previsível
Senão não teria graça nenhuma
Se tivermos as respostas tão fáceis
Eu sou a inocência
A experiência primária
Cruzam e entram no que quiserem ter
Mostram-se em desejos internos
Propondo amor, ódio e outras intenções.
Um sexto sentido, uma certa magia.
E tudo está tão confuso
Que eu não sei qual é a direção
E nem o sentido de tudo
Mas claro que tudo se resolve
Com muita calma e paciência
E três simbolos dizem tudo
Água, Fogo e ar.
Sei que o infinito existe
Mas em que universo eu encontro?
Mas está tudo fora do meu alcance
Tão distante que eu não sei que forma tem
Estranho pensar nessas coisas agora
Mas nada deve ser previsível
Senão não teria graça nenhuma
Se tivermos as respostas tão fáceis
Eu sou a inocência
A experiência primária
639
Álvares de Azevedo
TARDE DE VERÃO
Lira dos Vinte Anos
Primeira Parte
Viens!...
Que l'arbre pénétré de parfums et de chants,
.....................................................................
Et l'o,bre et le soleil, et l'onde et la verdure,
Et le rayonnement de toute la nature
Fassent épanouir comme une double fleur
La beauté sur ton front, et l'amour dans ton coeur!
V. HUGO
Como cheirosa e doce a tarde expira!
De amor e luz inunda a praia bela...
E o sol já roxo e trêmulo desdobra
Um íris furta-cor na fronte dela.
Deixai que eu morra só! enquanto o fogo
Da última febre dentro em mim vacila,
Não venham ilusões chamar-me à vida,
De saudades banhar a hora tranqüila!
Meu Deus! que eu morra em paz! não me coroem
De flores infecundas a agonia!
Oh! não doire o sonhar do moribundo
Lisonjeiro pincel da fantasia!
Exaurido de dor e d'esperança
Posso aqui respirar mais livremente,
Sentir ao vento dilatar-se a vida,
Como a flor da lagoa transparente!
Se ela estivesse aqui! no vale agora
Cai doce a brisa morna desmaiando:
Nos murmúrios do mar fora tão doce
Da tarde no palor viver amando!
Uni-la ao peito meu - nos lábios dela
Respirar uma vez, cobrando alento;
A divina visão de seus amores
Acordar o meu peito inda um momento!
Fulgura a minha amante entre meus sonhos,
Como a estrela do mar nas águas brilha,
Bebe à noite o favônio em seus cabelos
Aroma mais suave que a baunilha.
Se ela estivesse aqui! jamais tão doce
O crepúsculo o céu embelecera...
E a tarde de verão fora mais bela,
Brilhando sobre a sua primavera!
Da lânguida pupila de seus olhos
Num olhar de desdém entorna amores,
Como à brisa vernal na relva mole
O pessegueiro em flor derrama flores.
Árvore florescente desta vida,
Que amor, beleza e mocidade encantam,
Derrama no meu seio as tuas flores
Onde as aves do céu à noite cantam!
Vem! a areia do mar cobri de flores,
Perfumei de jasmins teu doce leito;
Podes suave, ó noiva do poeta,
Suspirosa dormir sobre meu peito!
Não tardes, minha vida! no crepúsculo
Ave da noite me acompanha a lira...
É um canto de amor... Meu Deus! que sonhos!
Era ainda ilusão - era mentira!
Primeira Parte
Viens!...
Que l'arbre pénétré de parfums et de chants,
.....................................................................
Et l'o,bre et le soleil, et l'onde et la verdure,
Et le rayonnement de toute la nature
Fassent épanouir comme une double fleur
La beauté sur ton front, et l'amour dans ton coeur!
V. HUGO
Como cheirosa e doce a tarde expira!
De amor e luz inunda a praia bela...
E o sol já roxo e trêmulo desdobra
Um íris furta-cor na fronte dela.
Deixai que eu morra só! enquanto o fogo
Da última febre dentro em mim vacila,
Não venham ilusões chamar-me à vida,
De saudades banhar a hora tranqüila!
Meu Deus! que eu morra em paz! não me coroem
De flores infecundas a agonia!
Oh! não doire o sonhar do moribundo
Lisonjeiro pincel da fantasia!
Exaurido de dor e d'esperança
Posso aqui respirar mais livremente,
Sentir ao vento dilatar-se a vida,
Como a flor da lagoa transparente!
Se ela estivesse aqui! no vale agora
Cai doce a brisa morna desmaiando:
Nos murmúrios do mar fora tão doce
Da tarde no palor viver amando!
Uni-la ao peito meu - nos lábios dela
Respirar uma vez, cobrando alento;
A divina visão de seus amores
Acordar o meu peito inda um momento!
Fulgura a minha amante entre meus sonhos,
Como a estrela do mar nas águas brilha,
Bebe à noite o favônio em seus cabelos
Aroma mais suave que a baunilha.
Se ela estivesse aqui! jamais tão doce
O crepúsculo o céu embelecera...
E a tarde de verão fora mais bela,
Brilhando sobre a sua primavera!
Da lânguida pupila de seus olhos
Num olhar de desdém entorna amores,
Como à brisa vernal na relva mole
O pessegueiro em flor derrama flores.
Árvore florescente desta vida,
Que amor, beleza e mocidade encantam,
Derrama no meu seio as tuas flores
Onde as aves do céu à noite cantam!
Vem! a areia do mar cobri de flores,
Perfumei de jasmins teu doce leito;
Podes suave, ó noiva do poeta,
Suspirosa dormir sobre meu peito!
Não tardes, minha vida! no crepúsculo
Ave da noite me acompanha a lira...
É um canto de amor... Meu Deus! que sonhos!
Era ainda ilusão - era mentira!
1 735
Felipe Larson
COMPLEMENTAÇÃO
Não ficaremos aqui parados
Ouvindo vocês dizendo: - obrigado
Vendo o por do sol
No horizonte perdido no mar
Eu ficaria muito orgulhoso
Se visse você aqui de novo
Sem saber o que dizer
No momento que eu a ver
Mas não venha me falar
De coisas que não fiz
Querendo me agradar
Mas olha o que você me diz
Quando a noite chegar
No céu a lua vai brilhar
Pra realçar sua beleza
Pra contemplar nossas emoções
Eu te completo, você me completa.
Esta distância é tão discreta
Mas não te vendo mais
Sinto tanta saudade de você
Me liga
Me escreva
Mande recado
Mande noticias de você
Ouvindo vocês dizendo: - obrigado
Vendo o por do sol
No horizonte perdido no mar
Eu ficaria muito orgulhoso
Se visse você aqui de novo
Sem saber o que dizer
No momento que eu a ver
Mas não venha me falar
De coisas que não fiz
Querendo me agradar
Mas olha o que você me diz
Quando a noite chegar
No céu a lua vai brilhar
Pra realçar sua beleza
Pra contemplar nossas emoções
Eu te completo, você me completa.
Esta distância é tão discreta
Mas não te vendo mais
Sinto tanta saudade de você
Me liga
Me escreva
Mande recado
Mande noticias de você
733
Felipe Larson
COMPLEMENTAÇÃO
Não ficaremos aqui parados
Ouvindo vocês dizendo: - obrigado
Vendo o por do sol
No horizonte perdido no mar
Eu ficaria muito orgulhoso
Se visse você aqui de novo
Sem saber o que dizer
No momento que eu a ver
Mas não venha me falar
De coisas que não fiz
Querendo me agradar
Mas olha o que você me diz
Quando a noite chegar
No céu a lua vai brilhar
Pra realçar sua beleza
Pra contemplar nossas emoções
Eu te completo, você me completa.
Esta distância é tão discreta
Mas não te vendo mais
Sinto tanta saudade de você
Me liga
Me escreva
Mande recado
Mande noticias de você
Ouvindo vocês dizendo: - obrigado
Vendo o por do sol
No horizonte perdido no mar
Eu ficaria muito orgulhoso
Se visse você aqui de novo
Sem saber o que dizer
No momento que eu a ver
Mas não venha me falar
De coisas que não fiz
Querendo me agradar
Mas olha o que você me diz
Quando a noite chegar
No céu a lua vai brilhar
Pra realçar sua beleza
Pra contemplar nossas emoções
Eu te completo, você me completa.
Esta distância é tão discreta
Mas não te vendo mais
Sinto tanta saudade de você
Me liga
Me escreva
Mande recado
Mande noticias de você
733
Felipe Larson
COMPLEMENTAÇÃO
Não ficaremos aqui parados
Ouvindo vocês dizendo: - obrigado
Vendo o por do sol
No horizonte perdido no mar
Eu ficaria muito orgulhoso
Se visse você aqui de novo
Sem saber o que dizer
No momento que eu a ver
Mas não venha me falar
De coisas que não fiz
Querendo me agradar
Mas olha o que você me diz
Quando a noite chegar
No céu a lua vai brilhar
Pra realçar sua beleza
Pra contemplar nossas emoções
Eu te completo, você me completa.
Esta distância é tão discreta
Mas não te vendo mais
Sinto tanta saudade de você
Me liga
Me escreva
Mande recado
Mande noticias de você
Ouvindo vocês dizendo: - obrigado
Vendo o por do sol
No horizonte perdido no mar
Eu ficaria muito orgulhoso
Se visse você aqui de novo
Sem saber o que dizer
No momento que eu a ver
Mas não venha me falar
De coisas que não fiz
Querendo me agradar
Mas olha o que você me diz
Quando a noite chegar
No céu a lua vai brilhar
Pra realçar sua beleza
Pra contemplar nossas emoções
Eu te completo, você me completa.
Esta distância é tão discreta
Mas não te vendo mais
Sinto tanta saudade de você
Me liga
Me escreva
Mande recado
Mande noticias de você
733
Álvares de Azevedo
MINHA AMANTE
Lira dos Vinte Anos
Segunda Parte
Coração de mulher, qual filomela,
É todo amor e canto ao pé da noite.
JOÃO DE LEMOS
Fulcite me floribus... quia amore langueo.
Cant. Canticorum
Ah! volta inda uma vez! foi só contigo
Que, à noite, de ventura eu desmaiava...
E só nos lábios teus eu me embebia
De volúpias divinas!
Volta, minha ventura! eu tenho sede
Desses beijos ardentes que os suspiros
Ofegando interrompem! quantas noites
Fui ditoso contigo!
E quantas vezes te embalei tremendo
Sobre os joelhos meus! Quanto amorosa
Unindo à minha tua face pálida
De amor e febre ardias!
Oh! volta inda uma vez! ergue-se a lua,
Formosa como dantes, é bem noite,
Na minha solidão brilha, de novo,
Estrela de minh'alma!
Desmaio-me de amor, descoro e tremo...
Morno suor me banha o peito langue...
Meu olhar se escurece e eu te procuro
Com os lábios sedentos!
Oh! quem pudera sempre em teus amores
Sobre teu seio perfumar seus dias,
Beijar a tua fronte e em teus cabelos
Respirar ebrioso!
És a coroa de meus anos breves,
És a corda de amor d'íntima lira,
O canto ignoto, que me enleva em sonhos
De saudosas ternuras!
E tu és como a lua: inda és mais bela,
Quando a sombra nos vales se derrama,
Astro misterioso à meia-noite
Te revela a minh'alma!
Ó! minha lira, ó viração noturna,
Flores, sombras do vale, à minha amante...
Dizei que nesta noite de desejos
E de ternuras morro!
Segunda Parte
Coração de mulher, qual filomela,
É todo amor e canto ao pé da noite.
JOÃO DE LEMOS
Fulcite me floribus... quia amore langueo.
Cant. Canticorum
Ah! volta inda uma vez! foi só contigo
Que, à noite, de ventura eu desmaiava...
E só nos lábios teus eu me embebia
De volúpias divinas!
Volta, minha ventura! eu tenho sede
Desses beijos ardentes que os suspiros
Ofegando interrompem! quantas noites
Fui ditoso contigo!
E quantas vezes te embalei tremendo
Sobre os joelhos meus! Quanto amorosa
Unindo à minha tua face pálida
De amor e febre ardias!
Oh! volta inda uma vez! ergue-se a lua,
Formosa como dantes, é bem noite,
Na minha solidão brilha, de novo,
Estrela de minh'alma!
Desmaio-me de amor, descoro e tremo...
Morno suor me banha o peito langue...
Meu olhar se escurece e eu te procuro
Com os lábios sedentos!
Oh! quem pudera sempre em teus amores
Sobre teu seio perfumar seus dias,
Beijar a tua fronte e em teus cabelos
Respirar ebrioso!
És a coroa de meus anos breves,
És a corda de amor d'íntima lira,
O canto ignoto, que me enleva em sonhos
De saudosas ternuras!
E tu és como a lua: inda és mais bela,
Quando a sombra nos vales se derrama,
Astro misterioso à meia-noite
Te revela a minh'alma!
Ó! minha lira, ó viração noturna,
Flores, sombras do vale, à minha amante...
Dizei que nesta noite de desejos
E de ternuras morro!
2 622
Felipe Larson
CORAÇÃO PIRADO
Tenho um coração pirado
Que vive sem razão
Mas sempre foi guiado
Pela força da emoção
Espero estar certo
E pronto para amar
Pra tudo que vier
Pra tudo que passar
Então sonhar com você
Pensar em você
Todos os dias
Então sonhar com você
Pensar em você na esperança de te ter
24 horas do dia
Descrevo meu destino
Seguindo o seu caminho
E aprendendo a amar
Com o brilho no olhar
Sentado do seu lado
De frente para o mar
Depois que fui beijado
Parecia flutuar
Que vive sem razão
Mas sempre foi guiado
Pela força da emoção
Espero estar certo
E pronto para amar
Pra tudo que vier
Pra tudo que passar
Então sonhar com você
Pensar em você
Todos os dias
Então sonhar com você
Pensar em você na esperança de te ter
24 horas do dia
Descrevo meu destino
Seguindo o seu caminho
E aprendendo a amar
Com o brilho no olhar
Sentado do seu lado
De frente para o mar
Depois que fui beijado
Parecia flutuar
920
Felipe Larson
UMA DA MANHÃ
Uma da manhã
Nada diferente
Mas de repente
O dia irá mudar
O sol irá brilhar
Na sua janela
E o pensamento nela
É o que irá sobrar
Mas nada sacia
A minha vontade
De poder criar
Uma nova verdade
Ganhando esquinas
Assim que descobre
Que em pouco rabisco
Escreve meu nome
Por pensar tanto em você
Eu imagino você em todo lugar
Perseguindo até em meus sonhos
E quem disse que será assim
O nosso final, o nosso final feliz
Nada diferente
Mas de repente
O dia irá mudar
O sol irá brilhar
Na sua janela
E o pensamento nela
É o que irá sobrar
Mas nada sacia
A minha vontade
De poder criar
Uma nova verdade
Ganhando esquinas
Assim que descobre
Que em pouco rabisco
Escreve meu nome
Por pensar tanto em você
Eu imagino você em todo lugar
Perseguindo até em meus sonhos
E quem disse que será assim
O nosso final, o nosso final feliz
613
Felipe Larson
UMA DA MANHÃ
Uma da manhã
Nada diferente
Mas de repente
O dia irá mudar
O sol irá brilhar
Na sua janela
E o pensamento nela
É o que irá sobrar
Mas nada sacia
A minha vontade
De poder criar
Uma nova verdade
Ganhando esquinas
Assim que descobre
Que em pouco rabisco
Escreve meu nome
Por pensar tanto em você
Eu imagino você em todo lugar
Perseguindo até em meus sonhos
E quem disse que será assim
O nosso final, o nosso final feliz
Nada diferente
Mas de repente
O dia irá mudar
O sol irá brilhar
Na sua janela
E o pensamento nela
É o que irá sobrar
Mas nada sacia
A minha vontade
De poder criar
Uma nova verdade
Ganhando esquinas
Assim que descobre
Que em pouco rabisco
Escreve meu nome
Por pensar tanto em você
Eu imagino você em todo lugar
Perseguindo até em meus sonhos
E quem disse que será assim
O nosso final, o nosso final feliz
613
Luís Vianna
DIA LINDO
Hoje estou feliz,
Por isto escrevo às flores.
Às flores que ofereço
Aos meus amores.
05/12/1995
Por isto escrevo às flores.
Às flores que ofereço
Aos meus amores.
05/12/1995
1 034
Carlos Seabra
O amar do mar
boca do mar
beijo de sal
lábios da praia
pele de areia
língua de rio
decote de dunas
seios de ilhas
abraço do sol
correntes de desejo
cheiro de algas
ondas de prazer
espuma que rebenta
gemidos das gaivotas
gozo das nuvens
céu que se funde
no azul do mar
beijo de sal
lábios da praia
pele de areia
língua de rio
decote de dunas
seios de ilhas
abraço do sol
correntes de desejo
cheiro de algas
ondas de prazer
espuma que rebenta
gemidos das gaivotas
gozo das nuvens
céu que se funde
no azul do mar
1 283
Salomé Ureña de Henríquez
A ave e o ninho
Por que te assustas, ave singela?
Por que teus olhos fixas em mim?
Eu não pretendo, pobre avezinha,
Levar teu ninho daqui.
Aqui, no oco de pedra dura,
Tranqüila e só te vi ao passar,
E trago flores da planície
Para que adornes teu livre lar.
Porém me olhas e te estremeces
E a asa bates com inquietação,
E te adiantas, resoluta, às vezes,
Com amorosa solicitude.
Porque não sabes até que ponto
Eu a inocência sei respeitar,
Que é, para a alma terna, sagrado
De teus amores o livre lar.
Pobre avezinha! Volta a teu ninho
Enquanto do prado me afasto eu;
Nele minha mão leito fofo
De folhas e flores te preparou.
Mas se tua terna prole futura
Em duro leito olho ao passar,
Com flores e folhas da planície
Deixa que adorne teu livre lar.
Por que teus olhos fixas em mim?
Eu não pretendo, pobre avezinha,
Levar teu ninho daqui.
Aqui, no oco de pedra dura,
Tranqüila e só te vi ao passar,
E trago flores da planície
Para que adornes teu livre lar.
Porém me olhas e te estremeces
E a asa bates com inquietação,
E te adiantas, resoluta, às vezes,
Com amorosa solicitude.
Porque não sabes até que ponto
Eu a inocência sei respeitar,
Que é, para a alma terna, sagrado
De teus amores o livre lar.
Pobre avezinha! Volta a teu ninho
Enquanto do prado me afasto eu;
Nele minha mão leito fofo
De folhas e flores te preparou.
Mas se tua terna prole futura
Em duro leito olho ao passar,
Com flores e folhas da planície
Deixa que adorne teu livre lar.
972
Salomé Ureña de Henríquez
A ave e o ninho
Por que te assustas, ave singela?
Por que teus olhos fixas em mim?
Eu não pretendo, pobre avezinha,
Levar teu ninho daqui.
Aqui, no oco de pedra dura,
Tranqüila e só te vi ao passar,
E trago flores da planície
Para que adornes teu livre lar.
Porém me olhas e te estremeces
E a asa bates com inquietação,
E te adiantas, resoluta, às vezes,
Com amorosa solicitude.
Porque não sabes até que ponto
Eu a inocência sei respeitar,
Que é, para a alma terna, sagrado
De teus amores o livre lar.
Pobre avezinha! Volta a teu ninho
Enquanto do prado me afasto eu;
Nele minha mão leito fofo
De folhas e flores te preparou.
Mas se tua terna prole futura
Em duro leito olho ao passar,
Com flores e folhas da planície
Deixa que adorne teu livre lar.
Por que teus olhos fixas em mim?
Eu não pretendo, pobre avezinha,
Levar teu ninho daqui.
Aqui, no oco de pedra dura,
Tranqüila e só te vi ao passar,
E trago flores da planície
Para que adornes teu livre lar.
Porém me olhas e te estremeces
E a asa bates com inquietação,
E te adiantas, resoluta, às vezes,
Com amorosa solicitude.
Porque não sabes até que ponto
Eu a inocência sei respeitar,
Que é, para a alma terna, sagrado
De teus amores o livre lar.
Pobre avezinha! Volta a teu ninho
Enquanto do prado me afasto eu;
Nele minha mão leito fofo
De folhas e flores te preparou.
Mas se tua terna prole futura
Em duro leito olho ao passar,
Com flores e folhas da planície
Deixa que adorne teu livre lar.
972
Felipe Vianna
VIDA
Dança dourado luar
No reflexo espelhado do mar.
Este amor platônico
As ondas vêm à praia chorar.
Choras porque tens consciência
Que o que tens é só referência
Já que a verdadeira lua não podes abraçar
Deves contentar-te apenas com a luz do luar.
Mas o que é a vida
Se não apenas um espelho
De uma coisa já ida
Que nunca veio.
24/06/2001
No reflexo espelhado do mar.
Este amor platônico
As ondas vêm à praia chorar.
Choras porque tens consciência
Que o que tens é só referência
Já que a verdadeira lua não podes abraçar
Deves contentar-te apenas com a luz do luar.
Mas o que é a vida
Se não apenas um espelho
De uma coisa já ida
Que nunca veio.
24/06/2001
922
Felipe Vianna
VIDA
Dança dourado luar
No reflexo espelhado do mar.
Este amor platônico
As ondas vêm à praia chorar.
Choras porque tens consciência
Que o que tens é só referência
Já que a verdadeira lua não podes abraçar
Deves contentar-te apenas com a luz do luar.
Mas o que é a vida
Se não apenas um espelho
De uma coisa já ida
Que nunca veio.
24/06/2001
No reflexo espelhado do mar.
Este amor platônico
As ondas vêm à praia chorar.
Choras porque tens consciência
Que o que tens é só referência
Já que a verdadeira lua não podes abraçar
Deves contentar-te apenas com a luz do luar.
Mas o que é a vida
Se não apenas um espelho
De uma coisa já ida
Que nunca veio.
24/06/2001
922
Luís Vianna
CÉU
Sentado nesta pedra
Sobre um penhasco sem fim
Olho as estrelas
E elas olham p´ra mim.
Que tapete vivo
Costurado com linha brilhante
Dum bordado fantástico
De constelações e outros mil.
E a lua,
Hoje totalmente nua,
Parece sentir e gozar
Os prazeres de neste tapete deitar.
Ah! Que inveja,
Quem dera ser eu lá,
Deitado por entre as estrelas
A descansar.
26/05/2001
Sobre um penhasco sem fim
Olho as estrelas
E elas olham p´ra mim.
Que tapete vivo
Costurado com linha brilhante
Dum bordado fantástico
De constelações e outros mil.
E a lua,
Hoje totalmente nua,
Parece sentir e gozar
Os prazeres de neste tapete deitar.
Ah! Que inveja,
Quem dera ser eu lá,
Deitado por entre as estrelas
A descansar.
26/05/2001
775
Luís Vianna
CÉU
Sentado nesta pedra
Sobre um penhasco sem fim
Olho as estrelas
E elas olham p´ra mim.
Que tapete vivo
Costurado com linha brilhante
Dum bordado fantástico
De constelações e outros mil.
E a lua,
Hoje totalmente nua,
Parece sentir e gozar
Os prazeres de neste tapete deitar.
Ah! Que inveja,
Quem dera ser eu lá,
Deitado por entre as estrelas
A descansar.
26/05/2001
Sobre um penhasco sem fim
Olho as estrelas
E elas olham p´ra mim.
Que tapete vivo
Costurado com linha brilhante
Dum bordado fantástico
De constelações e outros mil.
E a lua,
Hoje totalmente nua,
Parece sentir e gozar
Os prazeres de neste tapete deitar.
Ah! Que inveja,
Quem dera ser eu lá,
Deitado por entre as estrelas
A descansar.
26/05/2001
775
Felipe Vianna
ÉS PERFEITA
Belo botão de rosa
Rubro aveludado
Que as gotas de orvalho
Reluzem esta beleza.
Quem te conhece, moça,
Encanta-se p´ra sempre.
Do orvalho, as gotas,
Não sabe realmente
Enxergar a beleza
Contida em tua mente.
Realmente, és bela,
Por dentro e por fora.
Nas pétalas vermelhas
Escondes a beleza.
Tão lindo interior
Que o rubi inveja.
Alma cheia d´amor,
Suspiros d´amor nela.
10/10/2000
Rubro aveludado
Que as gotas de orvalho
Reluzem esta beleza.
Quem te conhece, moça,
Encanta-se p´ra sempre.
Do orvalho, as gotas,
Não sabe realmente
Enxergar a beleza
Contida em tua mente.
Realmente, és bela,
Por dentro e por fora.
Nas pétalas vermelhas
Escondes a beleza.
Tão lindo interior
Que o rubi inveja.
Alma cheia d´amor,
Suspiros d´amor nela.
10/10/2000
1 036
Ricardo Miró
A última gaivota
Como uma franja agitada, rasgada
do manto da tarde, em rápido vôo
se esfuma o bando pelo céu
buscando, acaso, uma ribeira desconhecida.
Atrás, muito longe, segue uma gaivota
que com crescente e persistente desejo
vai da solidão rasgando o véu
por alcançar o bando, já remoto.
Da tarde surgiu a casta estrela
e achou sempre voando a esquecida,
da rápida patrulha atrás a hulha.
História de minha vida compreendida,
porque eu sou, qual gaivota aquela,
ave deixada atrás pelo bando!
do manto da tarde, em rápido vôo
se esfuma o bando pelo céu
buscando, acaso, uma ribeira desconhecida.
Atrás, muito longe, segue uma gaivota
que com crescente e persistente desejo
vai da solidão rasgando o véu
por alcançar o bando, já remoto.
Da tarde surgiu a casta estrela
e achou sempre voando a esquecida,
da rápida patrulha atrás a hulha.
História de minha vida compreendida,
porque eu sou, qual gaivota aquela,
ave deixada atrás pelo bando!
936
Ricardo Miró
A última gaivota
Como uma franja agitada, rasgada
do manto da tarde, em rápido vôo
se esfuma o bando pelo céu
buscando, acaso, uma ribeira desconhecida.
Atrás, muito longe, segue uma gaivota
que com crescente e persistente desejo
vai da solidão rasgando o véu
por alcançar o bando, já remoto.
Da tarde surgiu a casta estrela
e achou sempre voando a esquecida,
da rápida patrulha atrás a hulha.
História de minha vida compreendida,
porque eu sou, qual gaivota aquela,
ave deixada atrás pelo bando!
do manto da tarde, em rápido vôo
se esfuma o bando pelo céu
buscando, acaso, uma ribeira desconhecida.
Atrás, muito longe, segue uma gaivota
que com crescente e persistente desejo
vai da solidão rasgando o véu
por alcançar o bando, já remoto.
Da tarde surgiu a casta estrela
e achou sempre voando a esquecida,
da rápida patrulha atrás a hulha.
História de minha vida compreendida,
porque eu sou, qual gaivota aquela,
ave deixada atrás pelo bando!
936