Poemas neste tema
Natureza e Elementos
Luís Vianna
COBRAS
Que interessante
Esta criatura extressante.
Por uns cultuada,
Por outros odiada.
Bicho comprido, fino,
Sem braço nem pé;
Sobe em árvore, anda e nada, pois é,
Este interessante animal roliço.
Interessante,
Ouve sem ouvido
O bastante
Para te deixar oprimido.
Com dois pênis e um pulmão,
Deve cansar muito,
Mas no sexo não.
20/06/2001
Esta criatura extressante.
Por uns cultuada,
Por outros odiada.
Bicho comprido, fino,
Sem braço nem pé;
Sobe em árvore, anda e nada, pois é,
Este interessante animal roliço.
Interessante,
Ouve sem ouvido
O bastante
Para te deixar oprimido.
Com dois pênis e um pulmão,
Deve cansar muito,
Mas no sexo não.
20/06/2001
896
Felipe Larson
COMPLEMENTAÇÃO
Não ficaremos aqui parados
Ouvindo vocês dizendo: - obrigado
Vendo o por do sol
No horizonte perdido no mar
Eu ficaria muito orgulhoso
Se visse você aqui de novo
Sem saber o que dizer
No momento que eu a ver
Mas não venha me falar
De coisas que não fiz
Querendo me agradar
Mas olha o que você me diz
Quando a noite chegar
No céu a lua vai brilhar
Pra realçar sua beleza
Pra contemplar nossas emoções
Eu te completo, você me completa.
Esta distância é tão discreta
Mas não te vendo mais
Sinto tanta saudade de você
Me liga
Me escreva
Mande recado
Mande noticias de você
Ouvindo vocês dizendo: - obrigado
Vendo o por do sol
No horizonte perdido no mar
Eu ficaria muito orgulhoso
Se visse você aqui de novo
Sem saber o que dizer
No momento que eu a ver
Mas não venha me falar
De coisas que não fiz
Querendo me agradar
Mas olha o que você me diz
Quando a noite chegar
No céu a lua vai brilhar
Pra realçar sua beleza
Pra contemplar nossas emoções
Eu te completo, você me completa.
Esta distância é tão discreta
Mas não te vendo mais
Sinto tanta saudade de você
Me liga
Me escreva
Mande recado
Mande noticias de você
724
Felipe Larson
COMPLEMENTAÇÃO
Não ficaremos aqui parados
Ouvindo vocês dizendo: - obrigado
Vendo o por do sol
No horizonte perdido no mar
Eu ficaria muito orgulhoso
Se visse você aqui de novo
Sem saber o que dizer
No momento que eu a ver
Mas não venha me falar
De coisas que não fiz
Querendo me agradar
Mas olha o que você me diz
Quando a noite chegar
No céu a lua vai brilhar
Pra realçar sua beleza
Pra contemplar nossas emoções
Eu te completo, você me completa.
Esta distância é tão discreta
Mas não te vendo mais
Sinto tanta saudade de você
Me liga
Me escreva
Mande recado
Mande noticias de você
Ouvindo vocês dizendo: - obrigado
Vendo o por do sol
No horizonte perdido no mar
Eu ficaria muito orgulhoso
Se visse você aqui de novo
Sem saber o que dizer
No momento que eu a ver
Mas não venha me falar
De coisas que não fiz
Querendo me agradar
Mas olha o que você me diz
Quando a noite chegar
No céu a lua vai brilhar
Pra realçar sua beleza
Pra contemplar nossas emoções
Eu te completo, você me completa.
Esta distância é tão discreta
Mas não te vendo mais
Sinto tanta saudade de você
Me liga
Me escreva
Mande recado
Mande noticias de você
724
Felipe Larson
COMPLEMENTAÇÃO
Não ficaremos aqui parados
Ouvindo vocês dizendo: - obrigado
Vendo o por do sol
No horizonte perdido no mar
Eu ficaria muito orgulhoso
Se visse você aqui de novo
Sem saber o que dizer
No momento que eu a ver
Mas não venha me falar
De coisas que não fiz
Querendo me agradar
Mas olha o que você me diz
Quando a noite chegar
No céu a lua vai brilhar
Pra realçar sua beleza
Pra contemplar nossas emoções
Eu te completo, você me completa.
Esta distância é tão discreta
Mas não te vendo mais
Sinto tanta saudade de você
Me liga
Me escreva
Mande recado
Mande noticias de você
Ouvindo vocês dizendo: - obrigado
Vendo o por do sol
No horizonte perdido no mar
Eu ficaria muito orgulhoso
Se visse você aqui de novo
Sem saber o que dizer
No momento que eu a ver
Mas não venha me falar
De coisas que não fiz
Querendo me agradar
Mas olha o que você me diz
Quando a noite chegar
No céu a lua vai brilhar
Pra realçar sua beleza
Pra contemplar nossas emoções
Eu te completo, você me completa.
Esta distância é tão discreta
Mas não te vendo mais
Sinto tanta saudade de você
Me liga
Me escreva
Mande recado
Mande noticias de você
724
Ricardo Miró
A última gaivota
Como uma franja agitada, rasgada
do manto da tarde, em rápido vôo
se esfuma o bando pelo céu
buscando, acaso, uma ribeira desconhecida.
Atrás, muito longe, segue uma gaivota
que com crescente e persistente desejo
vai da solidão rasgando o véu
por alcançar o bando, já remoto.
Da tarde surgiu a casta estrela
e achou sempre voando a esquecida,
da rápida patrulha atrás a hulha.
História de minha vida compreendida,
porque eu sou, qual gaivota aquela,
ave deixada atrás pelo bando!
do manto da tarde, em rápido vôo
se esfuma o bando pelo céu
buscando, acaso, uma ribeira desconhecida.
Atrás, muito longe, segue uma gaivota
que com crescente e persistente desejo
vai da solidão rasgando o véu
por alcançar o bando, já remoto.
Da tarde surgiu a casta estrela
e achou sempre voando a esquecida,
da rápida patrulha atrás a hulha.
História de minha vida compreendida,
porque eu sou, qual gaivota aquela,
ave deixada atrás pelo bando!
919
Ricardo Miró
A última gaivota
Como uma franja agitada, rasgada
do manto da tarde, em rápido vôo
se esfuma o bando pelo céu
buscando, acaso, uma ribeira desconhecida.
Atrás, muito longe, segue uma gaivota
que com crescente e persistente desejo
vai da solidão rasgando o véu
por alcançar o bando, já remoto.
Da tarde surgiu a casta estrela
e achou sempre voando a esquecida,
da rápida patrulha atrás a hulha.
História de minha vida compreendida,
porque eu sou, qual gaivota aquela,
ave deixada atrás pelo bando!
do manto da tarde, em rápido vôo
se esfuma o bando pelo céu
buscando, acaso, uma ribeira desconhecida.
Atrás, muito longe, segue uma gaivota
que com crescente e persistente desejo
vai da solidão rasgando o véu
por alcançar o bando, já remoto.
Da tarde surgiu a casta estrela
e achou sempre voando a esquecida,
da rápida patrulha atrás a hulha.
História de minha vida compreendida,
porque eu sou, qual gaivota aquela,
ave deixada atrás pelo bando!
919
Felipe Larson
21 DE SETEMBRO
Quando os dias não são iguais
Penso que algo pode acontecer
Uma surpresa ou algo imprevisível
Algo que não imagine
Pois sei que setembro está longe
Mas há uma saudade gritando dentro de mim
Dizendo assim: - Este dia irá demorar em vir
Mas isso não me abala
Pois nesta noite sonhei com você
E foi um sonho bom
Sentia a chuva tocar o chão,
Dizendo: - Não desperdice os pingos de chuva,
Aproveite ao menos algum
Pois há várias razões para isso
Mas acho tão estranho
Você estar tão longe e eu te sentir tão perto
Talvez seja que algo de mim está em você,
Como você está em mim
Pois me sinto completo
E espero que você esteja se sentindo assim
Penso que algo pode acontecer
Uma surpresa ou algo imprevisível
Algo que não imagine
Pois sei que setembro está longe
Mas há uma saudade gritando dentro de mim
Dizendo assim: - Este dia irá demorar em vir
Mas isso não me abala
Pois nesta noite sonhei com você
E foi um sonho bom
Sentia a chuva tocar o chão,
Dizendo: - Não desperdice os pingos de chuva,
Aproveite ao menos algum
Pois há várias razões para isso
Mas acho tão estranho
Você estar tão longe e eu te sentir tão perto
Talvez seja que algo de mim está em você,
Como você está em mim
Pois me sinto completo
E espero que você esteja se sentindo assim
681
César Vallejo
Pedra preta sobre pedra branca
Morrerei em Paris com aguaceiro,
um dia do qual tenho já a lembrança.
Morrerei em Paris - e não me apresso -
talvez em uma quinta-feira, como é hoje, de outono.
Quinta-feira será, porque hoje, quinta, que proseio
estes versos, os úmeros hei posto
a mau e, jamais como hoje, hei voltado
com todo meu caminho, a ver-me só.
César Vallejo há morto, lhe batiam
todos sem que ele lhes faça nada
davam-lhe forte com um pau e duro
Também com uma corda, são testemunhos
os dias de quinta e os ossos úmeros,
a solidão, a chuva, os caminhos...
um dia do qual tenho já a lembrança.
Morrerei em Paris - e não me apresso -
talvez em uma quinta-feira, como é hoje, de outono.
Quinta-feira será, porque hoje, quinta, que proseio
estes versos, os úmeros hei posto
a mau e, jamais como hoje, hei voltado
com todo meu caminho, a ver-me só.
César Vallejo há morto, lhe batiam
todos sem que ele lhes faça nada
davam-lhe forte com um pau e duro
Também com uma corda, são testemunhos
os dias de quinta e os ossos úmeros,
a solidão, a chuva, os caminhos...
1 457
César Vallejo
Pedra preta sobre pedra branca
Morrerei em Paris com aguaceiro,
um dia do qual tenho já a lembrança.
Morrerei em Paris - e não me apresso -
talvez em uma quinta-feira, como é hoje, de outono.
Quinta-feira será, porque hoje, quinta, que proseio
estes versos, os úmeros hei posto
a mau e, jamais como hoje, hei voltado
com todo meu caminho, a ver-me só.
César Vallejo há morto, lhe batiam
todos sem que ele lhes faça nada
davam-lhe forte com um pau e duro
Também com uma corda, são testemunhos
os dias de quinta e os ossos úmeros,
a solidão, a chuva, os caminhos...
um dia do qual tenho já a lembrança.
Morrerei em Paris - e não me apresso -
talvez em uma quinta-feira, como é hoje, de outono.
Quinta-feira será, porque hoje, quinta, que proseio
estes versos, os úmeros hei posto
a mau e, jamais como hoje, hei voltado
com todo meu caminho, a ver-me só.
César Vallejo há morto, lhe batiam
todos sem que ele lhes faça nada
davam-lhe forte com um pau e duro
Também com uma corda, são testemunhos
os dias de quinta e os ossos úmeros,
a solidão, a chuva, os caminhos...
1 457
Luís Vianna
CÉU
Sentado nesta pedra
Sobre um penhasco sem fim
Olho as estrelas
E elas olham p´ra mim.
Que tapete vivo
Costurado com linha brilhante
Dum bordado fantástico
De constelações e outros mil.
E a lua,
Hoje totalmente nua,
Parece sentir e gozar
Os prazeres de neste tapete deitar.
Ah! Que inveja,
Quem dera ser eu lá,
Deitado por entre as estrelas
A descansar.
26/05/2001
Sobre um penhasco sem fim
Olho as estrelas
E elas olham p´ra mim.
Que tapete vivo
Costurado com linha brilhante
Dum bordado fantástico
De constelações e outros mil.
E a lua,
Hoje totalmente nua,
Parece sentir e gozar
Os prazeres de neste tapete deitar.
Ah! Que inveja,
Quem dera ser eu lá,
Deitado por entre as estrelas
A descansar.
26/05/2001
768
Luís Vianna
CÉU
Sentado nesta pedra
Sobre um penhasco sem fim
Olho as estrelas
E elas olham p´ra mim.
Que tapete vivo
Costurado com linha brilhante
Dum bordado fantástico
De constelações e outros mil.
E a lua,
Hoje totalmente nua,
Parece sentir e gozar
Os prazeres de neste tapete deitar.
Ah! Que inveja,
Quem dera ser eu lá,
Deitado por entre as estrelas
A descansar.
26/05/2001
Sobre um penhasco sem fim
Olho as estrelas
E elas olham p´ra mim.
Que tapete vivo
Costurado com linha brilhante
Dum bordado fantástico
De constelações e outros mil.
E a lua,
Hoje totalmente nua,
Parece sentir e gozar
Os prazeres de neste tapete deitar.
Ah! Que inveja,
Quem dera ser eu lá,
Deitado por entre as estrelas
A descansar.
26/05/2001
768
Alfonsina Storni
Vou dormir
Dentes de flores, cofia de sereno,
Mãos de ervas, tu ama-de-leite fina,
Deixa-me prontos os lençóis terrosos
E o edredom de musgos escardeados.
Vou dormir, ama-de-leite minha, deita-me.
Põe-me uma lâmpada a cabeceira;
Uma constelação; a que te agrade;
Todas são boas: a abaixa um pouquinho
Deixa-me sozinha: ouves romper os brotos...
Te embala um pé celeste desde acima
E um pássaro te traça uns compassos
Para que esqueças... obrigado. Ah, um encargo:
Se ele chama novamente por telefone
Diz-lhe que não insista, que sai...
Mãos de ervas, tu ama-de-leite fina,
Deixa-me prontos os lençóis terrosos
E o edredom de musgos escardeados.
Vou dormir, ama-de-leite minha, deita-me.
Põe-me uma lâmpada a cabeceira;
Uma constelação; a que te agrade;
Todas são boas: a abaixa um pouquinho
Deixa-me sozinha: ouves romper os brotos...
Te embala um pé celeste desde acima
E um pássaro te traça uns compassos
Para que esqueças... obrigado. Ah, um encargo:
Se ele chama novamente por telefone
Diz-lhe que não insista, que sai...
3 541
Elvio Romero
Tormenta
A noite tem sido longa.
Como desde cem anos
de chuva,
de uma respiração enfurecida
proveniente de um fundo de vertigem noturna,
de um cântaro vermelho
ofegando na terra,
o vento há desatado sua tempestade violenta
sobre o véu anelante da ilusão
efêmera, sobre as fatigadas necessidades
e tu e eu, na colina
mais alta,
no canto de nossos dois silêncios,
abraçados ao tempo do amor, desvelando-nos.
Deixa que o vento morda sobre o vento.
Eu te fecharei os olhos.
Como desde cem anos
de chuva,
de uma respiração enfurecida
proveniente de um fundo de vertigem noturna,
de um cântaro vermelho
ofegando na terra,
o vento há desatado sua tempestade violenta
sobre o véu anelante da ilusão
efêmera, sobre as fatigadas necessidades
e tu e eu, na colina
mais alta,
no canto de nossos dois silêncios,
abraçados ao tempo do amor, desvelando-nos.
Deixa que o vento morda sobre o vento.
Eu te fecharei os olhos.
1 167
Elvio Romero
Tormenta
A noite tem sido longa.
Como desde cem anos
de chuva,
de uma respiração enfurecida
proveniente de um fundo de vertigem noturna,
de um cântaro vermelho
ofegando na terra,
o vento há desatado sua tempestade violenta
sobre o véu anelante da ilusão
efêmera, sobre as fatigadas necessidades
e tu e eu, na colina
mais alta,
no canto de nossos dois silêncios,
abraçados ao tempo do amor, desvelando-nos.
Deixa que o vento morda sobre o vento.
Eu te fecharei os olhos.
Como desde cem anos
de chuva,
de uma respiração enfurecida
proveniente de um fundo de vertigem noturna,
de um cântaro vermelho
ofegando na terra,
o vento há desatado sua tempestade violenta
sobre o véu anelante da ilusão
efêmera, sobre as fatigadas necessidades
e tu e eu, na colina
mais alta,
no canto de nossos dois silêncios,
abraçados ao tempo do amor, desvelando-nos.
Deixa que o vento morda sobre o vento.
Eu te fecharei os olhos.
1 167
Elvio Romero
Tormenta
A noite tem sido longa.
Como desde cem anos
de chuva,
de uma respiração enfurecida
proveniente de um fundo de vertigem noturna,
de um cântaro vermelho
ofegando na terra,
o vento há desatado sua tempestade violenta
sobre o véu anelante da ilusão
efêmera, sobre as fatigadas necessidades
e tu e eu, na colina
mais alta,
no canto de nossos dois silêncios,
abraçados ao tempo do amor, desvelando-nos.
Deixa que o vento morda sobre o vento.
Eu te fecharei os olhos.
Como desde cem anos
de chuva,
de uma respiração enfurecida
proveniente de um fundo de vertigem noturna,
de um cântaro vermelho
ofegando na terra,
o vento há desatado sua tempestade violenta
sobre o véu anelante da ilusão
efêmera, sobre as fatigadas necessidades
e tu e eu, na colina
mais alta,
no canto de nossos dois silêncios,
abraçados ao tempo do amor, desvelando-nos.
Deixa que o vento morda sobre o vento.
Eu te fecharei os olhos.
1 167
Yolanda Bedregal
Ressaca
Quando já a ressaca deixe minha alma na praia,
e do arco cansado de meu ombro se vai
a asa cortada, qual vela desafiante,
em cicatriz e marca prolongará o instante.
Ficarão vigiando, símbolo trivial,
dois pobres olhos pródigos e uma mendiga fronte
Catacumba de água, amor! No me conheces!
Nem ninguém nos conhece. Só há fugazes toques,
desencontros, na apertada mudez de encruzilhadas.
Expiam sua demora, presenças nunca achadas.
Não são cruz já os braços nem altar para holocausto
de selvagens ternuras. Com seu resplendor exausto,
um sol desalentado afunda os abismos.
Somos pó e luzeiro, tudo em nós mesmos.
Para esta elementar cinza taciturna
seja a imensa lágrima do Mar celeste urna.
e do arco cansado de meu ombro se vai
a asa cortada, qual vela desafiante,
em cicatriz e marca prolongará o instante.
Ficarão vigiando, símbolo trivial,
dois pobres olhos pródigos e uma mendiga fronte
Catacumba de água, amor! No me conheces!
Nem ninguém nos conhece. Só há fugazes toques,
desencontros, na apertada mudez de encruzilhadas.
Expiam sua demora, presenças nunca achadas.
Não são cruz já os braços nem altar para holocausto
de selvagens ternuras. Com seu resplendor exausto,
um sol desalentado afunda os abismos.
Somos pó e luzeiro, tudo em nós mesmos.
Para esta elementar cinza taciturna
seja a imensa lágrima do Mar celeste urna.
548
Oscar Cerruto
Cantar
Minha pátria tem montanhas,
não mar.
Ondas de trigo e trigais,
não mar.
Espuma azul os pinheirais
não mar.
Céus de esmalte fundido
não mar.
E o coro rouco do vento
sem mar.
não mar.
Ondas de trigo e trigais,
não mar.
Espuma azul os pinheirais
não mar.
Céus de esmalte fundido
não mar.
E o coro rouco do vento
sem mar.
744
Rafael Alberti
O mar, o mar
O mar. O mar.
O mar. Só o mar!
Por que me trouxeste, pai
a cidade?
Em sonhos, a marejada
me tira do coração.
Se o quisesses levar.
Pai, por que me trouxeste
aqui?
O mar. Só o mar!
Por que me trouxeste, pai
a cidade?
Em sonhos, a marejada
me tira do coração.
Se o quisesses levar.
Pai, por que me trouxeste
aqui?
1 391
Manuel Machado
Verão
Frutíferos
carregados.
Dourados
trigais...
Cristais
enfumaçados.
Queimados
arbusto
Sombria,
seca,
Vento do oriente
Paleta
completa:
verão.
carregados.
Dourados
trigais...
Cristais
enfumaçados.
Queimados
arbusto
Sombria,
seca,
Vento do oriente
Paleta
completa:
verão.
1 060
Manuel Machado
Verão
Frutíferos
carregados.
Dourados
trigais...
Cristais
enfumaçados.
Queimados
arbusto
Sombria,
seca,
Vento do oriente
Paleta
completa:
verão.
carregados.
Dourados
trigais...
Cristais
enfumaçados.
Queimados
arbusto
Sombria,
seca,
Vento do oriente
Paleta
completa:
verão.
1 060
Rafael Alberti
Equivocou-se a pomba
Equivocou-se a pomba.
Equivocava-se.
Por ir ao norte, foi ao sul.
Acreditou que o trigo era água.
Equivocava-se.
Acreditou que o mar era o céu:
que a noite, a manhã.
Equivocava-se.
Que as estrelas, orvalho;
que o calor; a nevasca.
Equivocava-se.
Que tua saia era tua blusa;
que teu coração, sua casa.
Equivocava-se.
(Ela dormiu na beira
tu, no topo de um ramo).
Equivocava-se.
Por ir ao norte, foi ao sul.
Acreditou que o trigo era água.
Equivocava-se.
Acreditou que o mar era o céu:
que a noite, a manhã.
Equivocava-se.
Que as estrelas, orvalho;
que o calor; a nevasca.
Equivocava-se.
Que tua saia era tua blusa;
que teu coração, sua casa.
Equivocava-se.
(Ela dormiu na beira
tu, no topo de um ramo).
1 389
Octavio Paz
Entre ir e ficar
Entre ir e ficar duvida o dia,
enamorado de sua transparência.
A tarde circular é já baía:
em seu quieto vaivém se mexe o mundo.
Tudo é visível e tudo é efusivo,
tudo está perto e tudo é intocável.
Os papéis, o livro, o copo, o lápis
repousa à sombra de seus nomes.
Bater do tempo que em minha têmpora repete
a mesma teimosa sílaba de sangue.
A luz faz do muro indiferente
um espectral teatro de reflexos.
No centro de um olho me descubro;
não me olha, me olho em seu olhar.
Dissipa-se o instante. Sem me mover,
eu fico e me vou: sou uma pausa
enamorado de sua transparência.
A tarde circular é já baía:
em seu quieto vaivém se mexe o mundo.
Tudo é visível e tudo é efusivo,
tudo está perto e tudo é intocável.
Os papéis, o livro, o copo, o lápis
repousa à sombra de seus nomes.
Bater do tempo que em minha têmpora repete
a mesma teimosa sílaba de sangue.
A luz faz do muro indiferente
um espectral teatro de reflexos.
No centro de um olho me descubro;
não me olha, me olho em seu olhar.
Dissipa-se o instante. Sem me mover,
eu fico e me vou: sou uma pausa
1 609
Zoraida Díaz
Desejos
Onde estás alma minha
que não te posso encontrar
nem no céu, nem no mar,
nem em minha constante agonia?
Quero ser rosa...botão;
ser nuvem, rosicler,
ser tudo... menos mulher
com memória e coração.
Ser onda morta na praia
ser rosa que se desmaia
depois de viver um dia.
Ser toda eu pensamento
e me dissolver no vento
em busca tua...alma minha!
que não te posso encontrar
nem no céu, nem no mar,
nem em minha constante agonia?
Quero ser rosa...botão;
ser nuvem, rosicler,
ser tudo... menos mulher
com memória e coração.
Ser onda morta na praia
ser rosa que se desmaia
depois de viver um dia.
Ser toda eu pensamento
e me dissolver no vento
em busca tua...alma minha!
445
Zoraida Díaz
Desejos
Onde estás alma minha
que não te posso encontrar
nem no céu, nem no mar,
nem em minha constante agonia?
Quero ser rosa...botão;
ser nuvem, rosicler,
ser tudo... menos mulher
com memória e coração.
Ser onda morta na praia
ser rosa que se desmaia
depois de viver um dia.
Ser toda eu pensamento
e me dissolver no vento
em busca tua...alma minha!
que não te posso encontrar
nem no céu, nem no mar,
nem em minha constante agonia?
Quero ser rosa...botão;
ser nuvem, rosicler,
ser tudo... menos mulher
com memória e coração.
Ser onda morta na praia
ser rosa que se desmaia
depois de viver um dia.
Ser toda eu pensamento
e me dissolver no vento
em busca tua...alma minha!
445