Poemas neste tema
Natureza e Elementos
Jorge Viegas
Interlúdio
Partículas
de silêncio
Superficialmente emocionado
Florescem na noite das constelações
Ritmos inalteráveis
De fragmentos de luz
Resistem à reconciliação do vazio.
A cor dos significados
Irrompe deliciosamente
Pela fronteira do silêncio
A sede eterna
Venerável e temperamental
Invade a alegria transparente
No infinito lago azul celestial
Emergem gotas ofuscantes
Criando a luz do tempo apagado
Tu dentro de mim
Criaste o vermelho flamejante
Onde as emoções navegam triunfantes
de silêncio
Superficialmente emocionado
Florescem na noite das constelações
Ritmos inalteráveis
De fragmentos de luz
Resistem à reconciliação do vazio.
A cor dos significados
Irrompe deliciosamente
Pela fronteira do silêncio
A sede eterna
Venerável e temperamental
Invade a alegria transparente
No infinito lago azul celestial
Emergem gotas ofuscantes
Criando a luz do tempo apagado
Tu dentro de mim
Criaste o vermelho flamejante
Onde as emoções navegam triunfantes
1 078
Jorge Viegas
Pintando Emoções
Ao
som das doces cascatas
Pintas castelos cintilantes
Abraças íntimos desejos
E absorves calores adormecidos
Dentro de sonhos distantes.
Flutuam seduções na doce brisa do luar
Invadindo as sombras da humildade.
Desvanecem-se os segredos da noite estrelada
Indefinidamente subtis
Na corrente azulada do interior da felicidade.
Brilhos mágicos seduzem eternas ilusões,
Os sentidos deslizam delicadamente acordados,
Abertamente apaixonados,
Incendiando aveludados mistérios
Plantados nos jardins dos mitos.
Multiplicam-se melodias encantadas,
Recordações sem limites emergentes
Puras verdades inteligentes
No império das virtudes imperceptíveis.
Ao som das doces cascatas
Pintas castelos cintilantes
Dentro de sonhos distantes...
som das doces cascatas
Pintas castelos cintilantes
Abraças íntimos desejos
E absorves calores adormecidos
Dentro de sonhos distantes.
Flutuam seduções na doce brisa do luar
Invadindo as sombras da humildade.
Desvanecem-se os segredos da noite estrelada
Indefinidamente subtis
Na corrente azulada do interior da felicidade.
Brilhos mágicos seduzem eternas ilusões,
Os sentidos deslizam delicadamente acordados,
Abertamente apaixonados,
Incendiando aveludados mistérios
Plantados nos jardins dos mitos.
Multiplicam-se melodias encantadas,
Recordações sem limites emergentes
Puras verdades inteligentes
No império das virtudes imperceptíveis.
Ao som das doces cascatas
Pintas castelos cintilantes
Dentro de sonhos distantes...
1 394
Jorge Viegas
Sonho Azul
Voando
fechado no tempo,
Encontro momentos à muito perdidos.
Nos vales do paraíso
Infiltro a magia da liberdade
Nas veias da imaginação
E navego pela leveza do esplendor.
Acendo a tocha da reflexão
Embalo os sentimentos nos fluidos do silêncio
E abro a janela da criação
Vem comigo desvendar os mistérios da primavera
Delicadamente sentada no brilho das águas cristalinas,
Vaguear por entre os sons da inocência
E saborear a profundidade da beleza do carinho.
Vem decifrar as doces linhas dos enigmas
Que se escondem na beleza dos murmúrios do vento
E nas cores quentes do por do sol.
Vem percorrer as ondas do magnetismo absorvente
Do brilho dos olhares apaixonados pela sensual motivação
Da união de dois sentimentos.
Vem absorver essas gotas criadoras de sonhos interruptos
Que derrubam montanhas inexploráveis
Criando riachos por onde deslizas delicadamente deitada.
Vem provar o amor.
fechado no tempo,
Encontro momentos à muito perdidos.
Nos vales do paraíso
Infiltro a magia da liberdade
Nas veias da imaginação
E navego pela leveza do esplendor.
Acendo a tocha da reflexão
Embalo os sentimentos nos fluidos do silêncio
E abro a janela da criação
Vem comigo desvendar os mistérios da primavera
Delicadamente sentada no brilho das águas cristalinas,
Vaguear por entre os sons da inocência
E saborear a profundidade da beleza do carinho.
Vem decifrar as doces linhas dos enigmas
Que se escondem na beleza dos murmúrios do vento
E nas cores quentes do por do sol.
Vem percorrer as ondas do magnetismo absorvente
Do brilho dos olhares apaixonados pela sensual motivação
Da união de dois sentimentos.
Vem absorver essas gotas criadoras de sonhos interruptos
Que derrubam montanhas inexploráveis
Criando riachos por onde deslizas delicadamente deitada.
Vem provar o amor.
1 698
Jorge Viegas
Sonho Azul
Voando
fechado no tempo,
Encontro momentos à muito perdidos.
Nos vales do paraíso
Infiltro a magia da liberdade
Nas veias da imaginação
E navego pela leveza do esplendor.
Acendo a tocha da reflexão
Embalo os sentimentos nos fluidos do silêncio
E abro a janela da criação
Vem comigo desvendar os mistérios da primavera
Delicadamente sentada no brilho das águas cristalinas,
Vaguear por entre os sons da inocência
E saborear a profundidade da beleza do carinho.
Vem decifrar as doces linhas dos enigmas
Que se escondem na beleza dos murmúrios do vento
E nas cores quentes do por do sol.
Vem percorrer as ondas do magnetismo absorvente
Do brilho dos olhares apaixonados pela sensual motivação
Da união de dois sentimentos.
Vem absorver essas gotas criadoras de sonhos interruptos
Que derrubam montanhas inexploráveis
Criando riachos por onde deslizas delicadamente deitada.
Vem provar o amor.
fechado no tempo,
Encontro momentos à muito perdidos.
Nos vales do paraíso
Infiltro a magia da liberdade
Nas veias da imaginação
E navego pela leveza do esplendor.
Acendo a tocha da reflexão
Embalo os sentimentos nos fluidos do silêncio
E abro a janela da criação
Vem comigo desvendar os mistérios da primavera
Delicadamente sentada no brilho das águas cristalinas,
Vaguear por entre os sons da inocência
E saborear a profundidade da beleza do carinho.
Vem decifrar as doces linhas dos enigmas
Que se escondem na beleza dos murmúrios do vento
E nas cores quentes do por do sol.
Vem percorrer as ondas do magnetismo absorvente
Do brilho dos olhares apaixonados pela sensual motivação
Da união de dois sentimentos.
Vem absorver essas gotas criadoras de sonhos interruptos
Que derrubam montanhas inexploráveis
Criando riachos por onde deslizas delicadamente deitada.
Vem provar o amor.
1 698
Jorge Viegas
Amanhã é Longe Demais
Fragmentos
sensíveis
Andam pelo tempo
Marcando o ritmo
Do voo das aves invisíveis
Doces melancolias
Desfazem-se pelos mistérios dos olhares
A beleza navega pelos sete mares
Diluída no brilho dos sonhos
Sombras de movimentos ancestrais
Dançam a beleza da luz imaculada
Por entre os astros do silêncio
Libertando transparências sentimentais.
Na baía das lendas
Abraçando a leveza dos espíritos
Gotas cristalinas de fontes eternas
Escorrem suavemente sonhadoras
Libertam o agora
Das profundezas do sonho da vida
E a sombra misteriosamente adormecida
Diz-nos que chegou a hora.
sensíveis
Andam pelo tempo
Marcando o ritmo
Do voo das aves invisíveis
Doces melancolias
Desfazem-se pelos mistérios dos olhares
A beleza navega pelos sete mares
Diluída no brilho dos sonhos
Sombras de movimentos ancestrais
Dançam a beleza da luz imaculada
Por entre os astros do silêncio
Libertando transparências sentimentais.
Na baía das lendas
Abraçando a leveza dos espíritos
Gotas cristalinas de fontes eternas
Escorrem suavemente sonhadoras
Libertam o agora
Das profundezas do sonho da vida
E a sombra misteriosamente adormecida
Diz-nos que chegou a hora.
1 339
Jorge Viegas
Silenciosa Felicidade
Acordam
as sombras floridas
Flutuando alegremente
Pela intensidade do intimo desejo.
Brincam os sentidos
Seguindo o voo colorido das aves
E ouvindo o murmúrio azul dos riachos.
Dançam pensamentos cristalinos
Sobre a suavidade deslizante
Das gotas brilhantes das cascatas.
Vibram comovidos carinhos
Aquecendo ardentes fontes seculares
Da alquimia sensual do beijo.
Resplandecem nuvens de sensibilidade
Espalhando misteriosas ternuras
Pelos perfumes infinitos da felicidade
E no emaranhado das lianas espirituais
Abraçamos majestosos segredos da luz da vida
Criando a magia absorvente do amor.
as sombras floridas
Flutuando alegremente
Pela intensidade do intimo desejo.
Brincam os sentidos
Seguindo o voo colorido das aves
E ouvindo o murmúrio azul dos riachos.
Dançam pensamentos cristalinos
Sobre a suavidade deslizante
Das gotas brilhantes das cascatas.
Vibram comovidos carinhos
Aquecendo ardentes fontes seculares
Da alquimia sensual do beijo.
Resplandecem nuvens de sensibilidade
Espalhando misteriosas ternuras
Pelos perfumes infinitos da felicidade
E no emaranhado das lianas espirituais
Abraçamos majestosos segredos da luz da vida
Criando a magia absorvente do amor.
1 194
Jorge Viegas
Silenciosa Felicidade
Acordam
as sombras floridas
Flutuando alegremente
Pela intensidade do intimo desejo.
Brincam os sentidos
Seguindo o voo colorido das aves
E ouvindo o murmúrio azul dos riachos.
Dançam pensamentos cristalinos
Sobre a suavidade deslizante
Das gotas brilhantes das cascatas.
Vibram comovidos carinhos
Aquecendo ardentes fontes seculares
Da alquimia sensual do beijo.
Resplandecem nuvens de sensibilidade
Espalhando misteriosas ternuras
Pelos perfumes infinitos da felicidade
E no emaranhado das lianas espirituais
Abraçamos majestosos segredos da luz da vida
Criando a magia absorvente do amor.
as sombras floridas
Flutuando alegremente
Pela intensidade do intimo desejo.
Brincam os sentidos
Seguindo o voo colorido das aves
E ouvindo o murmúrio azul dos riachos.
Dançam pensamentos cristalinos
Sobre a suavidade deslizante
Das gotas brilhantes das cascatas.
Vibram comovidos carinhos
Aquecendo ardentes fontes seculares
Da alquimia sensual do beijo.
Resplandecem nuvens de sensibilidade
Espalhando misteriosas ternuras
Pelos perfumes infinitos da felicidade
E no emaranhado das lianas espirituais
Abraçamos majestosos segredos da luz da vida
Criando a magia absorvente do amor.
1 194
Jazzim
Poema II
Onda
solitária na areia parida
na ausência dos teus braços
desaparecendo na imensa noite gélida
Invade-a a saudade do teu mar
perfumando, perfumando-a a cada gota
derramada em tua pele, mulher!
De regresso a um outro mar
(salgado e perdido)
é só água
que na água se confunde
solitária na areia parida
na ausência dos teus braços
desaparecendo na imensa noite gélida
Invade-a a saudade do teu mar
perfumando, perfumando-a a cada gota
derramada em tua pele, mulher!
De regresso a um outro mar
(salgado e perdido)
é só água
que na água se confunde
876
Luiz Felipe Coelho
Talvez um conto de Andersen
Há silenciosos
bosques na memória,
tão solenes que lá os deuses não entram,
vida e morte congelados em denso nevoeiro
a confundir o eterno ciclo do tempo.
Tenebrosas fábulas os povoam
imagens de trevas, feitiços e bruxas
árvores que perderam a casca:
seu duro interior exposto rejeita marcas
de canivetes de namorados,
folhas sêcas não mais beijadas pela luz do Sol
esperam inutilmente ventos que as levarão
para longe,
para fora dos densos remansos,
para dentro do eterno reciclar dos insetos,
das bactérias e dos cogumelos,
galhos e troncos onde nunca crianças subirão
e que cansaram de se erguer para o céu.
Quando lá entramos
vindos dos longos corredores do sonho
sentimos o frio terror do reverso do espelho
e ouvimos o convite do cansaço
para deitar, para dormir,para o final.
bosques na memória,
tão solenes que lá os deuses não entram,
vida e morte congelados em denso nevoeiro
a confundir o eterno ciclo do tempo.
Tenebrosas fábulas os povoam
imagens de trevas, feitiços e bruxas
árvores que perderam a casca:
seu duro interior exposto rejeita marcas
de canivetes de namorados,
folhas sêcas não mais beijadas pela luz do Sol
esperam inutilmente ventos que as levarão
para longe,
para fora dos densos remansos,
para dentro do eterno reciclar dos insetos,
das bactérias e dos cogumelos,
galhos e troncos onde nunca crianças subirão
e que cansaram de se erguer para o céu.
Quando lá entramos
vindos dos longos corredores do sonho
sentimos o frio terror do reverso do espelho
e ouvimos o convite do cansaço
para deitar, para dormir,para o final.
846
Regina Souza Vieira
Sensibilidades
O mar
enrola as areias
Sob nossos pés, se arrasta
A tarde é de lua cheia
esta tarde não me basta
Quero mais, quero essa força
que o mar enrosca aos pés
são ventos baixos trazendo
notícias de outras marés.
Vêm ondas violentas
Estão perto, então vem
Que eu sinta o mar, as areias
O oceano perto, além
Mas que grande conquista!
A natureza a nossos pés
quebrando pensamentos
deixando sonhos, a média rés
Ah vida, se mal pergunte
em que me sobre curiosidade
Que mais ainda queremos
se temos, tanta imensidade!
Queremos o impossível
O tudo que o nada não dá
Queremos decifrar o enigma
O nosso tempo é agora, já!
Correndo assim tão grande, solto
Como estas ondas do mar!
enrola as areias
Sob nossos pés, se arrasta
A tarde é de lua cheia
esta tarde não me basta
Quero mais, quero essa força
que o mar enrosca aos pés
são ventos baixos trazendo
notícias de outras marés.
Vêm ondas violentas
Estão perto, então vem
Que eu sinta o mar, as areias
O oceano perto, além
Mas que grande conquista!
A natureza a nossos pés
quebrando pensamentos
deixando sonhos, a média rés
Ah vida, se mal pergunte
em que me sobre curiosidade
Que mais ainda queremos
se temos, tanta imensidade!
Queremos o impossível
O tudo que o nada não dá
Queremos decifrar o enigma
O nosso tempo é agora, já!
Correndo assim tão grande, solto
Como estas ondas do mar!
798
Regina Souza Vieira
Sensibilidades
O mar
enrola as areias
Sob nossos pés, se arrasta
A tarde é de lua cheia
esta tarde não me basta
Quero mais, quero essa força
que o mar enrosca aos pés
são ventos baixos trazendo
notícias de outras marés.
Vêm ondas violentas
Estão perto, então vem
Que eu sinta o mar, as areias
O oceano perto, além
Mas que grande conquista!
A natureza a nossos pés
quebrando pensamentos
deixando sonhos, a média rés
Ah vida, se mal pergunte
em que me sobre curiosidade
Que mais ainda queremos
se temos, tanta imensidade!
Queremos o impossível
O tudo que o nada não dá
Queremos decifrar o enigma
O nosso tempo é agora, já!
Correndo assim tão grande, solto
Como estas ondas do mar!
enrola as areias
Sob nossos pés, se arrasta
A tarde é de lua cheia
esta tarde não me basta
Quero mais, quero essa força
que o mar enrosca aos pés
são ventos baixos trazendo
notícias de outras marés.
Vêm ondas violentas
Estão perto, então vem
Que eu sinta o mar, as areias
O oceano perto, além
Mas que grande conquista!
A natureza a nossos pés
quebrando pensamentos
deixando sonhos, a média rés
Ah vida, se mal pergunte
em que me sobre curiosidade
Que mais ainda queremos
se temos, tanta imensidade!
Queremos o impossível
O tudo que o nada não dá
Queremos decifrar o enigma
O nosso tempo é agora, já!
Correndo assim tão grande, solto
Como estas ondas do mar!
798
Luiz Felipe Coelho
Infância
Nuvens
da infância
se aglomeram a confabular
a ameaçar trovões, raios, inundações
a mudar de forma,
massinha de modelar amassada pelo vento,
nossos cúmplices a combinar travessuras.
Nas ruas alagadas,
nas poças dos quintais,
nos rios que surgiram nos meio-fios,
acontecem coisas interessantes, árvores caem
e todos se sujam de lama.
Talvez não haja aulas,
talvez falte luz
e possamos brincar acendendo velas
e fazendo sombras nas paredes.
da infância
se aglomeram a confabular
a ameaçar trovões, raios, inundações
a mudar de forma,
massinha de modelar amassada pelo vento,
nossos cúmplices a combinar travessuras.
Nas ruas alagadas,
nas poças dos quintais,
nos rios que surgiram nos meio-fios,
acontecem coisas interessantes, árvores caem
e todos se sujam de lama.
Talvez não haja aulas,
talvez falte luz
e possamos brincar acendendo velas
e fazendo sombras nas paredes.
840
Regina Souza Vieira
Le Papillon
Ah! papillon
colorida
Multiformatos de vôo
Hélices de esperança,
de dor e de mil cores
qual voadora transporta
a sorte ou a má notícia
depende da venturança
de quem batas à porta
Oiseau sem muito tempo
Chegando e já quase se indo
Se te a vida desse demoras
ou se ficasses por horas
Nos ensinarias teu mistério
Ficas no mundo etéreo
Céu que evola seus birds
Pappillon de tantas cores
Nem sempre nos trazes
Só passarinhos verdes
És meio ave, meio flor
Pappilon de encantos
És mística no teu pouso
Incógnita, nos anuncias
Risos, às vezes, prantos.
Elevaste o meu espírito
Assustaste-me certo dia
Papillon, bird que amo
Bela é essa tua magia.
colorida
Multiformatos de vôo
Hélices de esperança,
de dor e de mil cores
qual voadora transporta
a sorte ou a má notícia
depende da venturança
de quem batas à porta
Oiseau sem muito tempo
Chegando e já quase se indo
Se te a vida desse demoras
ou se ficasses por horas
Nos ensinarias teu mistério
Ficas no mundo etéreo
Céu que evola seus birds
Pappillon de tantas cores
Nem sempre nos trazes
Só passarinhos verdes
És meio ave, meio flor
Pappilon de encantos
És mística no teu pouso
Incógnita, nos anuncias
Risos, às vezes, prantos.
Elevaste o meu espírito
Assustaste-me certo dia
Papillon, bird que amo
Bela é essa tua magia.
757
Jurandir Argolo
No meu Jardim
nasceste
no meu jardim
flor encantando-me os olhos
roubando as vontades
os desejos mais secretos
e em mais eretos
deixaste meus sonhos
em manhãs e noites revezas
atormentando minhas reservas
o que mantinha-me sóbrio.
hoje, no meu jardim
só a tua fragrância invade-me
em meio a tantas outras
também cheirosas
mas, não como tuas calorosas
cores e formas
que aos poucos evadem-se no tempo
descolorindo meus eus
que insistem ainda serem teus
mesmo na distância dos olhos
dos corpos, num amor sem idade
sussurrando nas madrugadas saudades
ecoadas abismo a dentro.
nasceste no meu jardim
aos poucos saíste de mim
e mesmo estando longe, encantas-me
aprisionando-me em noites
sob gélidos lençóis...
Estás longe do meu infortúnio
das minhas dores
dos meus desejos
que não mais enxergam teus rastros
apagados nas areias do tempo...
aos poucos, sem sentimento
enterro-me no solo do meu jardim
esperançando um dia, quiçá
raízes tuas voltem a brotar...
no meu jardim
flor encantando-me os olhos
roubando as vontades
os desejos mais secretos
e em mais eretos
deixaste meus sonhos
em manhãs e noites revezas
atormentando minhas reservas
o que mantinha-me sóbrio.
hoje, no meu jardim
só a tua fragrância invade-me
em meio a tantas outras
também cheirosas
mas, não como tuas calorosas
cores e formas
que aos poucos evadem-se no tempo
descolorindo meus eus
que insistem ainda serem teus
mesmo na distância dos olhos
dos corpos, num amor sem idade
sussurrando nas madrugadas saudades
ecoadas abismo a dentro.
nasceste no meu jardim
aos poucos saíste de mim
e mesmo estando longe, encantas-me
aprisionando-me em noites
sob gélidos lençóis...
Estás longe do meu infortúnio
das minhas dores
dos meus desejos
que não mais enxergam teus rastros
apagados nas areias do tempo...
aos poucos, sem sentimento
enterro-me no solo do meu jardim
esperançando um dia, quiçá
raízes tuas voltem a brotar...
384
Reinaldo Ferreira
Haja névoa
Haja névoa!
Dancem os véus na minha alma
(E externos nas luzes próximas,
Que se recusam como estrelas na distância).
Haja névoa!
Paire nela a memória dos maníacos
Sonhando na penumbra dos portais
Assassínios brutais.
Haja, haja névoa!
Aqui e além no mar.
No mar, nos mares, para que todas as viagens,
Para que todos os barcos em todas as paragens,
Na iminência dos naufrágios improváveis
- Improváveis, possíveis -,
Se gastem nos avisos aflitos
Das luzes, dos rádios, dos radares,
Dos gritos
Dos apitos.
Haja, haja névoa...
Desgastem-se os contornos
Das coisas excessivamente conhecidas.
Não haja céu sequer.
Névoa, só névoa!
E eu, nas ruas distorcidas,
Livre e tão leve
Como se fosse eu próprio a névoa
Da noite longa duma existência breve.
Dancem os véus na minha alma
(E externos nas luzes próximas,
Que se recusam como estrelas na distância).
Haja névoa!
Paire nela a memória dos maníacos
Sonhando na penumbra dos portais
Assassínios brutais.
Haja, haja névoa!
Aqui e além no mar.
No mar, nos mares, para que todas as viagens,
Para que todos os barcos em todas as paragens,
Na iminência dos naufrágios improváveis
- Improváveis, possíveis -,
Se gastem nos avisos aflitos
Das luzes, dos rádios, dos radares,
Dos gritos
Dos apitos.
Haja, haja névoa...
Desgastem-se os contornos
Das coisas excessivamente conhecidas.
Não haja céu sequer.
Névoa, só névoa!
E eu, nas ruas distorcidas,
Livre e tão leve
Como se fosse eu próprio a névoa
Da noite longa duma existência breve.
1 931
Reinaldo Ferreira
Haja névoa
Haja névoa!
Dancem os véus na minha alma
(E externos nas luzes próximas,
Que se recusam como estrelas na distância).
Haja névoa!
Paire nela a memória dos maníacos
Sonhando na penumbra dos portais
Assassínios brutais.
Haja, haja névoa!
Aqui e além no mar.
No mar, nos mares, para que todas as viagens,
Para que todos os barcos em todas as paragens,
Na iminência dos naufrágios improváveis
- Improváveis, possíveis -,
Se gastem nos avisos aflitos
Das luzes, dos rádios, dos radares,
Dos gritos
Dos apitos.
Haja, haja névoa...
Desgastem-se os contornos
Das coisas excessivamente conhecidas.
Não haja céu sequer.
Névoa, só névoa!
E eu, nas ruas distorcidas,
Livre e tão leve
Como se fosse eu próprio a névoa
Da noite longa duma existência breve.
Dancem os véus na minha alma
(E externos nas luzes próximas,
Que se recusam como estrelas na distância).
Haja névoa!
Paire nela a memória dos maníacos
Sonhando na penumbra dos portais
Assassínios brutais.
Haja, haja névoa!
Aqui e além no mar.
No mar, nos mares, para que todas as viagens,
Para que todos os barcos em todas as paragens,
Na iminência dos naufrágios improváveis
- Improváveis, possíveis -,
Se gastem nos avisos aflitos
Das luzes, dos rádios, dos radares,
Dos gritos
Dos apitos.
Haja, haja névoa...
Desgastem-se os contornos
Das coisas excessivamente conhecidas.
Não haja céu sequer.
Névoa, só névoa!
E eu, nas ruas distorcidas,
Livre e tão leve
Como se fosse eu próprio a névoa
Da noite longa duma existência breve.
1 931
Marcelo Ribeiro
Saudades de Ti
Ainda
ouço seus sons
Sinto o cheiro dos teus cabelos
Ao serem penteados pelos corais
Enchendo-se de enfeites de algas
E de vivos peixes que passeiam por suas melenas verdes e azuis
Caindo por suas franjas de brancura espumante
Nas mãos de seus amantes
Sinto falta de tuas coxas alvas
E de tuas pernas onduladas
Que se encaixam simetricamente em seus seios montanhosos
O doce odor podre de tuas axilas portuárias
Que embriagam o cais
Com tua essência
Tuas favelas arquitetadas
Apinhando-se sobre morros
E vilas apertadas
Com seu feijão preto
E o samba de raiz
Vingando do gueto
Suburbano de seus encantos
Narrando a rotina embriagante
Dos poetas apaixonados
Que ao som de tiros trágicos
Tingem seus corações de amor
E bradam a volta ás suas carnes
Cantando teu nome:
Rio de Janeiro
ouço seus sons
Sinto o cheiro dos teus cabelos
Ao serem penteados pelos corais
Enchendo-se de enfeites de algas
E de vivos peixes que passeiam por suas melenas verdes e azuis
Caindo por suas franjas de brancura espumante
Nas mãos de seus amantes
Sinto falta de tuas coxas alvas
E de tuas pernas onduladas
Que se encaixam simetricamente em seus seios montanhosos
O doce odor podre de tuas axilas portuárias
Que embriagam o cais
Com tua essência
Tuas favelas arquitetadas
Apinhando-se sobre morros
E vilas apertadas
Com seu feijão preto
E o samba de raiz
Vingando do gueto
Suburbano de seus encantos
Narrando a rotina embriagante
Dos poetas apaixonados
Que ao som de tiros trágicos
Tingem seus corações de amor
E bradam a volta ás suas carnes
Cantando teu nome:
Rio de Janeiro
907
Marcelo Ribeiro
Pássaro Ferido
Ferido
o pássaro que voa;
Bico entreaberto
Garras preparadas e penas eriçadas
O coração saltitando
Dentro do minúsculo peito
Coberto de penas alvas tingidas de rubro
O mais belo tom de rubro:
O vivo vermelho do sangue da liberdade
Ferido o pássaro que voa
Porém livre
o pássaro que voa;
Bico entreaberto
Garras preparadas e penas eriçadas
O coração saltitando
Dentro do minúsculo peito
Coberto de penas alvas tingidas de rubro
O mais belo tom de rubro:
O vivo vermelho do sangue da liberdade
Ferido o pássaro que voa
Porém livre
1 204
João Moutinho
Cais
Nenhum
cais
Será apenas
De partida ou de chegada
Há em cada regresso
A mágoa de partir
Cada ida
Tem agrilhoada
A saudade de ficar
Quando anuncias que vais.
Sobra sempre um beijo
Desconforto
Quando o lenço branco
Se desdobra
E absorto
Se despede ao vento
E em silêncio
Diz adeus ao sentimento
Quem sabe... até nunca mais!
E morrem no esquecimento
Casas à beira do cais.....
cais
Será apenas
De partida ou de chegada
Há em cada regresso
A mágoa de partir
Cada ida
Tem agrilhoada
A saudade de ficar
Quando anuncias que vais.
Sobra sempre um beijo
Desconforto
Quando o lenço branco
Se desdobra
E absorto
Se despede ao vento
E em silêncio
Diz adeus ao sentimento
Quem sabe... até nunca mais!
E morrem no esquecimento
Casas à beira do cais.....
1 127
Luiz Felipe Coelho
E na ausência surgiu a vida
A ausência
era um gigantesco bloco,
estarrecedor desprezo ao fluxo do tempo.
Orquídeas habitavam suas fendas,
confraternizavam com as samambaias,
delirando bebadas da úmida verdade da Terra,
buscando a luz do Sol,
o vento e os pássaros.
Admirei-a, espantoso nada,
cadeira vazia, transparente janela a ressoar
nas breves melodias ensinadas pelo vento,
aprisionando o Universo do lado de dentro,
enquanto fabricava a vida e, aos poucos,
consegui enxergar sua totalidade,
o quase vazio onde cometas de luz nasciam.
Contornei a ausência por dentro de mim,
até vislumbrar sua interna clareira,
ninho de ventos a desabrochar,
e onde começava uma dura construção,
uma alegre doação.
Silenciei então e os ecos adormeceram,
grávidos de espanto.
era um gigantesco bloco,
estarrecedor desprezo ao fluxo do tempo.
Orquídeas habitavam suas fendas,
confraternizavam com as samambaias,
delirando bebadas da úmida verdade da Terra,
buscando a luz do Sol,
o vento e os pássaros.
Admirei-a, espantoso nada,
cadeira vazia, transparente janela a ressoar
nas breves melodias ensinadas pelo vento,
aprisionando o Universo do lado de dentro,
enquanto fabricava a vida e, aos poucos,
consegui enxergar sua totalidade,
o quase vazio onde cometas de luz nasciam.
Contornei a ausência por dentro de mim,
até vislumbrar sua interna clareira,
ninho de ventos a desabrochar,
e onde começava uma dura construção,
uma alegre doação.
Silenciei então e os ecos adormeceram,
grávidos de espanto.
746
Reinaldo Ferreira
Há que morrer no convés
Há que morrer no convés
Do seu previsto naufrágio.
Tremem-lhe as tábuas aos pés,
Cheira a presságio.
Negros augúrios com asas
Cruzam agoiros nos mastros.
Os ventos sabem a brasas.
Recusam-se astros.
Já o Piloto que ruma
A proa dos embaraços,
Pressentiu que além da bruma
Esperam sargaços.
A agulha mentiu o norte,
Mas o Piloto sabia.
Quem busca as rotas da Morte
Não de desvia!
Não de desvia!
Do seu previsto naufrágio.
Tremem-lhe as tábuas aos pés,
Cheira a presságio.
Negros augúrios com asas
Cruzam agoiros nos mastros.
Os ventos sabem a brasas.
Recusam-se astros.
Já o Piloto que ruma
A proa dos embaraços,
Pressentiu que além da bruma
Esperam sargaços.
A agulha mentiu o norte,
Mas o Piloto sabia.
Quem busca as rotas da Morte
Não de desvia!
Não de desvia!
1 848
Marcelo Ribeiro
Da Tua Casa à Minha
Todas
as casas de portas fechadas
E o caminho enebriante à minha frente
Tão escuras que são as estradas
Que me conduzem novamente
A mansão sombria de minhas discórdias
Poucos são os transeuntes que me aparecem
Vagabundos de lirismo arcaico que se apetecem
Da chama do umbral da noite
Molhando os dedos e apagando a vela trêmula
No sepulcro sacro do castiçal da boêmia
Resgatam temas de valentia
Em que brigavam por lemas de alforria:
Libertar a alma e o corpo
Amar à exaustão e revelia!
Choram por damas perdidas
E rememoram alegres as perdidas damas
Sonham voltar a saborear deliciosas comidas
E depois roncar solenemente
Em não mais que confortáveis e esquecidas camas
O pouco que sonham lhes é muito
E seu canto é somente onírico e mudo
Não atingem aos nossos peitos
Reverberam, quanto muito
À outros corações vagabundos
Há cachorros que lhes lambem
As chagas que os iguais, sim, mortais
Lhes conferiram em encontros informais
Pois para a morte, a fome, o frio e a violência
Não existe formalidade
Basta um terno e gravata
Carro importado e caneta refinada
Para assinar qualquer suja bravata
Esperam por nova chance
Um amor, emprego, sonhos apenas
E antes que a impossível imagem da felicidade se apague
Mais um fino trago de cachaça num só lance
A esquentar corpo, alma e melenas
São estes os únicos seres que avisto
Quando retorno da tua casa
Já que teus olhos ficaram cravados em meu peito
as casas de portas fechadas
E o caminho enebriante à minha frente
Tão escuras que são as estradas
Que me conduzem novamente
A mansão sombria de minhas discórdias
Poucos são os transeuntes que me aparecem
Vagabundos de lirismo arcaico que se apetecem
Da chama do umbral da noite
Molhando os dedos e apagando a vela trêmula
No sepulcro sacro do castiçal da boêmia
Resgatam temas de valentia
Em que brigavam por lemas de alforria:
Libertar a alma e o corpo
Amar à exaustão e revelia!
Choram por damas perdidas
E rememoram alegres as perdidas damas
Sonham voltar a saborear deliciosas comidas
E depois roncar solenemente
Em não mais que confortáveis e esquecidas camas
O pouco que sonham lhes é muito
E seu canto é somente onírico e mudo
Não atingem aos nossos peitos
Reverberam, quanto muito
À outros corações vagabundos
Há cachorros que lhes lambem
As chagas que os iguais, sim, mortais
Lhes conferiram em encontros informais
Pois para a morte, a fome, o frio e a violência
Não existe formalidade
Basta um terno e gravata
Carro importado e caneta refinada
Para assinar qualquer suja bravata
Esperam por nova chance
Um amor, emprego, sonhos apenas
E antes que a impossível imagem da felicidade se apague
Mais um fino trago de cachaça num só lance
A esquentar corpo, alma e melenas
São estes os únicos seres que avisto
Quando retorno da tua casa
Já que teus olhos ficaram cravados em meu peito
889
Reinaldo Ferreira
Quando as fachadas, tumulares, de pardas
Quando as fachadas, tumulares, de pardas,
Defendem sonolências impassíveis,
Sou livre pra as boémias intangíveis
- E a noite intui-me cúmplices mansardas...
Franzino e ruivo, o céu todo tem sardas
E atraente nudez de impossíveis...
Eu sou talvez pintor de nus horríveis,
Zombo dos mestres e odeio as fardas!
Mas mal, estéril, assoma o brilho frio
- Que sempre a madrugada me frustrou
O contacto iminente ao fugidio -
Tenho medo de quem nocturno sou,
Da minha afinidade a um desvario
Que o outro mais casto em mim repudiou!
Defendem sonolências impassíveis,
Sou livre pra as boémias intangíveis
- E a noite intui-me cúmplices mansardas...
Franzino e ruivo, o céu todo tem sardas
E atraente nudez de impossíveis...
Eu sou talvez pintor de nus horríveis,
Zombo dos mestres e odeio as fardas!
Mas mal, estéril, assoma o brilho frio
- Que sempre a madrugada me frustrou
O contacto iminente ao fugidio -
Tenho medo de quem nocturno sou,
Da minha afinidade a um desvario
Que o outro mais casto em mim repudiou!
1 351
Lili Gharcia
Tema de Verão
Abriu-se
a cortina
e a tarde se iluminou brusca.
As naturezas acenderam a luz do ar.
Todas as coisas
e as não-coisas foram tingidas.
Felicidade espreguiçou radiante de luz e ar.
Este Pedaço de mundo,
o meu mundo,
o não-mundo,
e até mesmo o universo paralelo, marginal,
respirou sem querer, raro.
Pronto.
Já era tarde para impedir
que os músculos e as vísceras
ficassem limpos, lavados.
Tarde para admitir qualquer verdade,
inclusive a de que
fomos inumanos pelo sol fresco
e, num átomo, somos um todo.
a cortina
e a tarde se iluminou brusca.
As naturezas acenderam a luz do ar.
Todas as coisas
e as não-coisas foram tingidas.
Felicidade espreguiçou radiante de luz e ar.
Este Pedaço de mundo,
o meu mundo,
o não-mundo,
e até mesmo o universo paralelo, marginal,
respirou sem querer, raro.
Pronto.
Já era tarde para impedir
que os músculos e as vísceras
ficassem limpos, lavados.
Tarde para admitir qualquer verdade,
inclusive a de que
fomos inumanos pelo sol fresco
e, num átomo, somos um todo.
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