Poemas neste tema
Natureza e Elementos
Rosani Abou Adal
Madrugada
Na placidez da noite,
o apito do guarda-noturno.
Um silvo longo e um breve.
A cadela ladra assustada
com medo da madrugada cálida.
Deitada no meio da rua,
de pernas para o alto,
a gata se lambe sossegada, tranqüila.
Um sibilo agudo se faz presente
na solidão noturna.
Nas casas silenciosas
as pessoas dormem,
cerradas entre quarto paredes,
revelam os segredos da familiaridade.
A gata permanece sobre o asfalto
fazendo confidências individuais.
A cadela frente ao portão
assiste a quietude da noite.
O homem sonha profundo,
o colchão grita frases de amor.
O guarda da noite vigia as casas,
observa as amigas da vida noturna.
Em frente à minha janela assovia
três vezes e prossegue a caminhada.
Acompanhada do meu isolamento
escuto silvos e observo as pessoas
caladas em suas privacidades.
Deitada no meu leito,
coberta com meu manto,
repouso com sofreguidão.
A gata, a cadela, o guarda,
companheiros da madrugada.
o apito do guarda-noturno.
Um silvo longo e um breve.
A cadela ladra assustada
com medo da madrugada cálida.
Deitada no meio da rua,
de pernas para o alto,
a gata se lambe sossegada, tranqüila.
Um sibilo agudo se faz presente
na solidão noturna.
Nas casas silenciosas
as pessoas dormem,
cerradas entre quarto paredes,
revelam os segredos da familiaridade.
A gata permanece sobre o asfalto
fazendo confidências individuais.
A cadela frente ao portão
assiste a quietude da noite.
O homem sonha profundo,
o colchão grita frases de amor.
O guarda da noite vigia as casas,
observa as amigas da vida noturna.
Em frente à minha janela assovia
três vezes e prossegue a caminhada.
Acompanhada do meu isolamento
escuto silvos e observo as pessoas
caladas em suas privacidades.
Deitada no meu leito,
coberta com meu manto,
repouso com sofreguidão.
A gata, a cadela, o guarda,
companheiros da madrugada.
1 104
Rosani Abou Adal
Madrugada
Na placidez da noite,
o apito do guarda-noturno.
Um silvo longo e um breve.
A cadela ladra assustada
com medo da madrugada cálida.
Deitada no meio da rua,
de pernas para o alto,
a gata se lambe sossegada, tranqüila.
Um sibilo agudo se faz presente
na solidão noturna.
Nas casas silenciosas
as pessoas dormem,
cerradas entre quarto paredes,
revelam os segredos da familiaridade.
A gata permanece sobre o asfalto
fazendo confidências individuais.
A cadela frente ao portão
assiste a quietude da noite.
O homem sonha profundo,
o colchão grita frases de amor.
O guarda da noite vigia as casas,
observa as amigas da vida noturna.
Em frente à minha janela assovia
três vezes e prossegue a caminhada.
Acompanhada do meu isolamento
escuto silvos e observo as pessoas
caladas em suas privacidades.
Deitada no meu leito,
coberta com meu manto,
repouso com sofreguidão.
A gata, a cadela, o guarda,
companheiros da madrugada.
o apito do guarda-noturno.
Um silvo longo e um breve.
A cadela ladra assustada
com medo da madrugada cálida.
Deitada no meio da rua,
de pernas para o alto,
a gata se lambe sossegada, tranqüila.
Um sibilo agudo se faz presente
na solidão noturna.
Nas casas silenciosas
as pessoas dormem,
cerradas entre quarto paredes,
revelam os segredos da familiaridade.
A gata permanece sobre o asfalto
fazendo confidências individuais.
A cadela frente ao portão
assiste a quietude da noite.
O homem sonha profundo,
o colchão grita frases de amor.
O guarda da noite vigia as casas,
observa as amigas da vida noturna.
Em frente à minha janela assovia
três vezes e prossegue a caminhada.
Acompanhada do meu isolamento
escuto silvos e observo as pessoas
caladas em suas privacidades.
Deitada no meu leito,
coberta com meu manto,
repouso com sofreguidão.
A gata, a cadela, o guarda,
companheiros da madrugada.
1 104
Rosani Abou Adal
Semifusa de Pétalas
Se as rosas expressassem meus sentimentos,
o roseiral seria uma orquestra
de melodias divinas,
os botões não murchariam,
brotariam a cada amanhecer
como um acorde harmônico.
Os espinhos, uma canção serena.
Pausa. Uma semibreve,
uma semifusa de pétalas.
Silêncio. As flores vibram acordes.
Uma melodia nasce em minhalma.
Não sei mais quem sou.
Pétala,
rosa,
acorde?
o roseiral seria uma orquestra
de melodias divinas,
os botões não murchariam,
brotariam a cada amanhecer
como um acorde harmônico.
Os espinhos, uma canção serena.
Pausa. Uma semibreve,
uma semifusa de pétalas.
Silêncio. As flores vibram acordes.
Uma melodia nasce em minhalma.
Não sei mais quem sou.
Pétala,
rosa,
acorde?
935
Raquel Naveira
Camalotes
Na cheia
Os camalotes bóiam,
Estufados corpos aquáticos
Que a correnteza leva;
Conjunto de leques duros,
Verdes,
Que se dissolvem no silêncio;
Aqui e ali um buquê de flores
Arrebenta lilás;
A malha fina de raízes
Apanha peixes,
Escamas,
Pés delicados de pássaros que pousam;
A canoa de folhas
Navega sem leme
Rumo à foz,
À pedra,
Ao mar que espreme
E espuma.
Os camalotes bóiam,
Estufados corpos aquáticos
Que a correnteza leva;
Conjunto de leques duros,
Verdes,
Que se dissolvem no silêncio;
Aqui e ali um buquê de flores
Arrebenta lilás;
A malha fina de raízes
Apanha peixes,
Escamas,
Pés delicados de pássaros que pousam;
A canoa de folhas
Navega sem leme
Rumo à foz,
À pedra,
Ao mar que espreme
E espuma.
1 104
Raquel Naveira
Camalotes
Na cheia
Os camalotes bóiam,
Estufados corpos aquáticos
Que a correnteza leva;
Conjunto de leques duros,
Verdes,
Que se dissolvem no silêncio;
Aqui e ali um buquê de flores
Arrebenta lilás;
A malha fina de raízes
Apanha peixes,
Escamas,
Pés delicados de pássaros que pousam;
A canoa de folhas
Navega sem leme
Rumo à foz,
À pedra,
Ao mar que espreme
E espuma.
Os camalotes bóiam,
Estufados corpos aquáticos
Que a correnteza leva;
Conjunto de leques duros,
Verdes,
Que se dissolvem no silêncio;
Aqui e ali um buquê de flores
Arrebenta lilás;
A malha fina de raízes
Apanha peixes,
Escamas,
Pés delicados de pássaros que pousam;
A canoa de folhas
Navega sem leme
Rumo à foz,
À pedra,
Ao mar que espreme
E espuma.
1 104
Raquel Naveira
Camalotes
Na cheia
Os camalotes bóiam,
Estufados corpos aquáticos
Que a correnteza leva;
Conjunto de leques duros,
Verdes,
Que se dissolvem no silêncio;
Aqui e ali um buquê de flores
Arrebenta lilás;
A malha fina de raízes
Apanha peixes,
Escamas,
Pés delicados de pássaros que pousam;
A canoa de folhas
Navega sem leme
Rumo à foz,
À pedra,
Ao mar que espreme
E espuma.
Os camalotes bóiam,
Estufados corpos aquáticos
Que a correnteza leva;
Conjunto de leques duros,
Verdes,
Que se dissolvem no silêncio;
Aqui e ali um buquê de flores
Arrebenta lilás;
A malha fina de raízes
Apanha peixes,
Escamas,
Pés delicados de pássaros que pousam;
A canoa de folhas
Navega sem leme
Rumo à foz,
À pedra,
Ao mar que espreme
E espuma.
1 104
Raimundo Correia
Ondas
Ilha de atrozes degredos!
Cinge um muro de rochedos
Seus flancos. Grosso a espumar
Contra a dura penedia,
Bate, arrebenta, assobia,
Retumba, estrondeia o mar.
Em circuito, o Horror impera;
No centro, abrindo a cratera
Flagrante, arroja um volcão
Ígnea blasfêmia às alturas...
E, nas ínvias espessuras,
Brame o tigre, urra o leão.
Aqui chora, aqui, proscrita,
Clama e desespera aflita
A alma de si mesma algoz,
Buscando na imensa plaga,
Entre mil vagas, a vaga,
Que neste exílio a depôs.
Se a vida a prende à matéria,
Fora desta, a alma, sidérea,
Radia em pleno candor;
O corpo, escravo dos vícios,
É que teme os precipícios,
Que este mar cava em redor.
No azul eterno ela busca,
No azul, cujo brilho a ofusca,
Pairar, incendida ao sol,
Despindo a crusta vil, onde
Se esconde, como se esconde
A lesma em seu caracol.
Contempla o infinito ... Um bando
De gerifaltos voando
Passou, desapareceu
No éter azul, na água verde...
E onde esse bando se perde,
seu longo olhar se perde...
Contempla o mar, silenciosa:
Ora mansa, ora raivosa,
Vai e vem a onda minaz,
E entre as pontas do arrecife,
Às vezes leva um esquife,
Às vezes um berço traz.
Contempla, de olhos magoados,
Tudo... Muitos degredados
Findo o seu degredo têm;
Vão-se na onda intumescida
Da Morte, mas na da Vida,
Novos degredados vêm.
Ó alma contemplativa !
Vem já, decumana e altiva,
Entre as ondas talvez,
A que, no supremo esforço
Da morte, em seu frio dorso,
Te leve ao largo, outra vez.
Quanto esplendor! São aquelas
As regiões de luz, que anelas,
Rompe os rígidos grilhões,
Com que à Carne de agrilhoa
O instinto vital! E voa,
e voa àquelas regiões!...
Cinge um muro de rochedos
Seus flancos. Grosso a espumar
Contra a dura penedia,
Bate, arrebenta, assobia,
Retumba, estrondeia o mar.
Em circuito, o Horror impera;
No centro, abrindo a cratera
Flagrante, arroja um volcão
Ígnea blasfêmia às alturas...
E, nas ínvias espessuras,
Brame o tigre, urra o leão.
Aqui chora, aqui, proscrita,
Clama e desespera aflita
A alma de si mesma algoz,
Buscando na imensa plaga,
Entre mil vagas, a vaga,
Que neste exílio a depôs.
Se a vida a prende à matéria,
Fora desta, a alma, sidérea,
Radia em pleno candor;
O corpo, escravo dos vícios,
É que teme os precipícios,
Que este mar cava em redor.
No azul eterno ela busca,
No azul, cujo brilho a ofusca,
Pairar, incendida ao sol,
Despindo a crusta vil, onde
Se esconde, como se esconde
A lesma em seu caracol.
Contempla o infinito ... Um bando
De gerifaltos voando
Passou, desapareceu
No éter azul, na água verde...
E onde esse bando se perde,
seu longo olhar se perde...
Contempla o mar, silenciosa:
Ora mansa, ora raivosa,
Vai e vem a onda minaz,
E entre as pontas do arrecife,
Às vezes leva um esquife,
Às vezes um berço traz.
Contempla, de olhos magoados,
Tudo... Muitos degredados
Findo o seu degredo têm;
Vão-se na onda intumescida
Da Morte, mas na da Vida,
Novos degredados vêm.
Ó alma contemplativa !
Vem já, decumana e altiva,
Entre as ondas talvez,
A que, no supremo esforço
Da morte, em seu frio dorso,
Te leve ao largo, outra vez.
Quanto esplendor! São aquelas
As regiões de luz, que anelas,
Rompe os rígidos grilhões,
Com que à Carne de agrilhoa
O instinto vital! E voa,
e voa àquelas regiões!...
1 933
Rosani Abou Adal
Carência na Noite
Procurei-te por todos os cantos e bares.
Nas mesas vazias, nem sinal de tua sombra.
No céu, a estrela solitária.
O silêncio das ruas, a minha inquietude.
Do outro lado da calçada
ninguém me acompanha os passos.
Uma gata mia no cio,
abraça muros e portões
com unhas afiadas.
Os olhos verdes brilham
para encontrar aconchego
na próxima esquina, debaixo de um automóvel,
num casarão de luzes apagadas.
Brilham tanto que parecem
gerar sete gatinhos em cinco minutos.
Com passos lentos, caminho
seguindo teus rastros,
tuas marcas felinas invisíveis.
A calçada sem pegadas.
Em casa, um ombro amigo,
a coberta fria me aquece e me acolhe.
Sem vestes, abraço a espuma e durmo.
Nas mesas vazias, nem sinal de tua sombra.
No céu, a estrela solitária.
O silêncio das ruas, a minha inquietude.
Do outro lado da calçada
ninguém me acompanha os passos.
Uma gata mia no cio,
abraça muros e portões
com unhas afiadas.
Os olhos verdes brilham
para encontrar aconchego
na próxima esquina, debaixo de um automóvel,
num casarão de luzes apagadas.
Brilham tanto que parecem
gerar sete gatinhos em cinco minutos.
Com passos lentos, caminho
seguindo teus rastros,
tuas marcas felinas invisíveis.
A calçada sem pegadas.
Em casa, um ombro amigo,
a coberta fria me aquece e me acolhe.
Sem vestes, abraço a espuma e durmo.
1 006
Rosani Abou Adal
Carência na Noite
Procurei-te por todos os cantos e bares.
Nas mesas vazias, nem sinal de tua sombra.
No céu, a estrela solitária.
O silêncio das ruas, a minha inquietude.
Do outro lado da calçada
ninguém me acompanha os passos.
Uma gata mia no cio,
abraça muros e portões
com unhas afiadas.
Os olhos verdes brilham
para encontrar aconchego
na próxima esquina, debaixo de um automóvel,
num casarão de luzes apagadas.
Brilham tanto que parecem
gerar sete gatinhos em cinco minutos.
Com passos lentos, caminho
seguindo teus rastros,
tuas marcas felinas invisíveis.
A calçada sem pegadas.
Em casa, um ombro amigo,
a coberta fria me aquece e me acolhe.
Sem vestes, abraço a espuma e durmo.
Nas mesas vazias, nem sinal de tua sombra.
No céu, a estrela solitária.
O silêncio das ruas, a minha inquietude.
Do outro lado da calçada
ninguém me acompanha os passos.
Uma gata mia no cio,
abraça muros e portões
com unhas afiadas.
Os olhos verdes brilham
para encontrar aconchego
na próxima esquina, debaixo de um automóvel,
num casarão de luzes apagadas.
Brilham tanto que parecem
gerar sete gatinhos em cinco minutos.
Com passos lentos, caminho
seguindo teus rastros,
tuas marcas felinas invisíveis.
A calçada sem pegadas.
Em casa, um ombro amigo,
a coberta fria me aquece e me acolhe.
Sem vestes, abraço a espuma e durmo.
1 006
Raquel Naveira
Jasmim-do-Cabo
Todo jardim deveria ter um jasmim-do-cabo,
aquela flor que perfuma,
embalsama,
derrama óleo grosso
nos pés da noite.
Todo jardim deveria ter um jasmim-do-cabo,
o dia transcorreria em agonia,
mas a lua viria
desatar os laços da magia
e nos tiraria o fôlego.
Todo jardim deveria ter um jasmim-do-cabo,
absorveríamos no pulmäo
uma torrente de pétalas brancas
e voaríamos como anjos
tocando banjos na noite.
(1994)
aquela flor que perfuma,
embalsama,
derrama óleo grosso
nos pés da noite.
Todo jardim deveria ter um jasmim-do-cabo,
o dia transcorreria em agonia,
mas a lua viria
desatar os laços da magia
e nos tiraria o fôlego.
Todo jardim deveria ter um jasmim-do-cabo,
absorveríamos no pulmäo
uma torrente de pétalas brancas
e voaríamos como anjos
tocando banjos na noite.
(1994)
1 448
Raquel Naveira
Jasmim-do-Cabo
Todo jardim deveria ter um jasmim-do-cabo,
aquela flor que perfuma,
embalsama,
derrama óleo grosso
nos pés da noite.
Todo jardim deveria ter um jasmim-do-cabo,
o dia transcorreria em agonia,
mas a lua viria
desatar os laços da magia
e nos tiraria o fôlego.
Todo jardim deveria ter um jasmim-do-cabo,
absorveríamos no pulmäo
uma torrente de pétalas brancas
e voaríamos como anjos
tocando banjos na noite.
(1994)
aquela flor que perfuma,
embalsama,
derrama óleo grosso
nos pés da noite.
Todo jardim deveria ter um jasmim-do-cabo,
o dia transcorreria em agonia,
mas a lua viria
desatar os laços da magia
e nos tiraria o fôlego.
Todo jardim deveria ter um jasmim-do-cabo,
absorveríamos no pulmäo
uma torrente de pétalas brancas
e voaríamos como anjos
tocando banjos na noite.
(1994)
1 448
Rosani Abou Adal
Aquário
Tudo frio na madrugada.
Teu corpo ausente dos meus braços,
o colchão vazio e distante.
Repouso a cabeça no travesseiro de pedra,
sonho contigo de olhos abertos.
Voas como um gavião para o desconhecido.
O quarto escuro e triste.
O peixe no aquário solitário
sente meus sinais e movimentos.
Nada, mergulha e me observa
com seus olhinhos miúdos.
Somos dois, cercados de quadros e livros,
em harmonia como dois eremitas.
Na cama, meu corpo nu.
No aquário, o peixinho carente
pede com suas guelras
uma companheira para repartir
seu espaço e pequenino coração.
Entendo a mensagem e psicografo
pelo vidro com um toque sereno.
Ele dorme aliviado ao sentir
carinho e afeto através das fibras mortas.
O silêncio toma conta da noite,
as obras de arte perdem a cor,
os livros, sem títulos e autoria,
as páginas em branco emudecem.
Dentro de minhalma uma tempestade de neve
esquenta meu corpo,
um inverno latente me acolhe.
O peixe estático dorme
tranqüilo e esperançoso.
Em sua cor de fogo, uma infinita paz.
Teu corpo ausente dos meus braços,
o colchão vazio e distante.
Repouso a cabeça no travesseiro de pedra,
sonho contigo de olhos abertos.
Voas como um gavião para o desconhecido.
O quarto escuro e triste.
O peixe no aquário solitário
sente meus sinais e movimentos.
Nada, mergulha e me observa
com seus olhinhos miúdos.
Somos dois, cercados de quadros e livros,
em harmonia como dois eremitas.
Na cama, meu corpo nu.
No aquário, o peixinho carente
pede com suas guelras
uma companheira para repartir
seu espaço e pequenino coração.
Entendo a mensagem e psicografo
pelo vidro com um toque sereno.
Ele dorme aliviado ao sentir
carinho e afeto através das fibras mortas.
O silêncio toma conta da noite,
as obras de arte perdem a cor,
os livros, sem títulos e autoria,
as páginas em branco emudecem.
Dentro de minhalma uma tempestade de neve
esquenta meu corpo,
um inverno latente me acolhe.
O peixe estático dorme
tranqüilo e esperançoso.
Em sua cor de fogo, uma infinita paz.
823
Rosani Abou Adal
Aquário
Tudo frio na madrugada.
Teu corpo ausente dos meus braços,
o colchão vazio e distante.
Repouso a cabeça no travesseiro de pedra,
sonho contigo de olhos abertos.
Voas como um gavião para o desconhecido.
O quarto escuro e triste.
O peixe no aquário solitário
sente meus sinais e movimentos.
Nada, mergulha e me observa
com seus olhinhos miúdos.
Somos dois, cercados de quadros e livros,
em harmonia como dois eremitas.
Na cama, meu corpo nu.
No aquário, o peixinho carente
pede com suas guelras
uma companheira para repartir
seu espaço e pequenino coração.
Entendo a mensagem e psicografo
pelo vidro com um toque sereno.
Ele dorme aliviado ao sentir
carinho e afeto através das fibras mortas.
O silêncio toma conta da noite,
as obras de arte perdem a cor,
os livros, sem títulos e autoria,
as páginas em branco emudecem.
Dentro de minhalma uma tempestade de neve
esquenta meu corpo,
um inverno latente me acolhe.
O peixe estático dorme
tranqüilo e esperançoso.
Em sua cor de fogo, uma infinita paz.
Teu corpo ausente dos meus braços,
o colchão vazio e distante.
Repouso a cabeça no travesseiro de pedra,
sonho contigo de olhos abertos.
Voas como um gavião para o desconhecido.
O quarto escuro e triste.
O peixe no aquário solitário
sente meus sinais e movimentos.
Nada, mergulha e me observa
com seus olhinhos miúdos.
Somos dois, cercados de quadros e livros,
em harmonia como dois eremitas.
Na cama, meu corpo nu.
No aquário, o peixinho carente
pede com suas guelras
uma companheira para repartir
seu espaço e pequenino coração.
Entendo a mensagem e psicografo
pelo vidro com um toque sereno.
Ele dorme aliviado ao sentir
carinho e afeto através das fibras mortas.
O silêncio toma conta da noite,
as obras de arte perdem a cor,
os livros, sem títulos e autoria,
as páginas em branco emudecem.
Dentro de minhalma uma tempestade de neve
esquenta meu corpo,
um inverno latente me acolhe.
O peixe estático dorme
tranqüilo e esperançoso.
Em sua cor de fogo, uma infinita paz.
823
Raul de Leoni
Crepuscular
Poente no meu jardim... O olhar profundo
Alongo sobre as árvores vazias,
Essas em cujo espírito infecundo
Soluçam silenciosas agonias.
Assim estéreis, mansas e sombrias,
Sugerem à emoção em que as circundo
Todas as dolorosas utopias
De todos os filósofos do mundo.
Sugerem... Seus destinos são vizinhos:
Ambas, não dando frutos, abrem ninhos
Ao viandante exânime que as olhe.
Ninhos, onde vencida de fadiga,
A alma ingênua dos pássaros se abriga
E a tristeza dos homens se recolhe...
Alongo sobre as árvores vazias,
Essas em cujo espírito infecundo
Soluçam silenciosas agonias.
Assim estéreis, mansas e sombrias,
Sugerem à emoção em que as circundo
Todas as dolorosas utopias
De todos os filósofos do mundo.
Sugerem... Seus destinos são vizinhos:
Ambas, não dando frutos, abrem ninhos
Ao viandante exânime que as olhe.
Ninhos, onde vencida de fadiga,
A alma ingênua dos pássaros se abriga
E a tristeza dos homens se recolhe...
1 453
Raul de Leoni
Crepuscular
Poente no meu jardim... O olhar profundo
Alongo sobre as árvores vazias,
Essas em cujo espírito infecundo
Soluçam silenciosas agonias.
Assim estéreis, mansas e sombrias,
Sugerem à emoção em que as circundo
Todas as dolorosas utopias
De todos os filósofos do mundo.
Sugerem... Seus destinos são vizinhos:
Ambas, não dando frutos, abrem ninhos
Ao viandante exânime que as olhe.
Ninhos, onde vencida de fadiga,
A alma ingênua dos pássaros se abriga
E a tristeza dos homens se recolhe...
Alongo sobre as árvores vazias,
Essas em cujo espírito infecundo
Soluçam silenciosas agonias.
Assim estéreis, mansas e sombrias,
Sugerem à emoção em que as circundo
Todas as dolorosas utopias
De todos os filósofos do mundo.
Sugerem... Seus destinos são vizinhos:
Ambas, não dando frutos, abrem ninhos
Ao viandante exânime que as olhe.
Ninhos, onde vencida de fadiga,
A alma ingênua dos pássaros se abriga
E a tristeza dos homens se recolhe...
1 453
Raniere Rodrigues dos Santos
O Pássaro
Olho para traz
E nada vejo.
A demonstração
Aparece
E revela
O pássaro.
Simples,
Quieto,
Tentando voar,
Para no céu brilhar.
Sabendo
Que não é chegada a hora,
Ele esperneia e chora
E só o sonho o consola.
Ele serve,
Ele encanta,
Ele escreve poesia
Rimando com a alegria.
O show
Chega
E o pássaro
Voa.
Ele brilha
Entre as estrelas
E toca
Uma paralisia.
Que pássaro
Danado,
Já tem filhos
E os protege.
O espetáculo
É preparado
E o pássaro
Fica todo embelezado.
O sucesso,
É o futuro
Que se torna presente
Para o pássaro contente.
Olho para trás
E vejo que há passado
Olho para frente
E vejo que há futuro de um presente
E nada vejo.
A demonstração
Aparece
E revela
O pássaro.
Simples,
Quieto,
Tentando voar,
Para no céu brilhar.
Sabendo
Que não é chegada a hora,
Ele esperneia e chora
E só o sonho o consola.
Ele serve,
Ele encanta,
Ele escreve poesia
Rimando com a alegria.
O show
Chega
E o pássaro
Voa.
Ele brilha
Entre as estrelas
E toca
Uma paralisia.
Que pássaro
Danado,
Já tem filhos
E os protege.
O espetáculo
É preparado
E o pássaro
Fica todo embelezado.
O sucesso,
É o futuro
Que se torna presente
Para o pássaro contente.
Olho para trás
E vejo que há passado
Olho para frente
E vejo que há futuro de um presente
930
Rosani Abou Adal
Alma Gêmea
Sou tão solitária quanto a lua
rodeada de estrelas.
O céu está nublado,
nenhum habitante me acompanha.
Sou luar sem multidão,
raio-de-luz no azul.
Não escuto vozes e não vejo sombras.
Sou indivisível no universo,
tão pequena diante da terra,
tão grande frente aos homens.
Sou luz que brilha e não se apaga,
um corpo perdido no espaço.
Ninguém me percebe no planeta.
Grito frases de silêncio,
ninguém me escuta.
Murmuro pausas,
ninguém me ouve.
Sou tão pequena e frágil
quanto um milésimo de segundo.
Sou tão forte quanto as Muralhas da China,
ninguém descobre meus segredos,
ninguém sabe a minha história.
Sou pastora das galáxias,
caminho sobre pedras,
procuro sonhos e castelos.
Minha alma gêmea está a quilômetros de distância.
Não tenho nave nem foguete.
Hei de encontrá-la num futuro próximo.
rodeada de estrelas.
O céu está nublado,
nenhum habitante me acompanha.
Sou luar sem multidão,
raio-de-luz no azul.
Não escuto vozes e não vejo sombras.
Sou indivisível no universo,
tão pequena diante da terra,
tão grande frente aos homens.
Sou luz que brilha e não se apaga,
um corpo perdido no espaço.
Ninguém me percebe no planeta.
Grito frases de silêncio,
ninguém me escuta.
Murmuro pausas,
ninguém me ouve.
Sou tão pequena e frágil
quanto um milésimo de segundo.
Sou tão forte quanto as Muralhas da China,
ninguém descobre meus segredos,
ninguém sabe a minha história.
Sou pastora das galáxias,
caminho sobre pedras,
procuro sonhos e castelos.
Minha alma gêmea está a quilômetros de distância.
Não tenho nave nem foguete.
Hei de encontrá-la num futuro próximo.
963
Rosani Abou Adal
Alma Gêmea
Sou tão solitária quanto a lua
rodeada de estrelas.
O céu está nublado,
nenhum habitante me acompanha.
Sou luar sem multidão,
raio-de-luz no azul.
Não escuto vozes e não vejo sombras.
Sou indivisível no universo,
tão pequena diante da terra,
tão grande frente aos homens.
Sou luz que brilha e não se apaga,
um corpo perdido no espaço.
Ninguém me percebe no planeta.
Grito frases de silêncio,
ninguém me escuta.
Murmuro pausas,
ninguém me ouve.
Sou tão pequena e frágil
quanto um milésimo de segundo.
Sou tão forte quanto as Muralhas da China,
ninguém descobre meus segredos,
ninguém sabe a minha história.
Sou pastora das galáxias,
caminho sobre pedras,
procuro sonhos e castelos.
Minha alma gêmea está a quilômetros de distância.
Não tenho nave nem foguete.
Hei de encontrá-la num futuro próximo.
rodeada de estrelas.
O céu está nublado,
nenhum habitante me acompanha.
Sou luar sem multidão,
raio-de-luz no azul.
Não escuto vozes e não vejo sombras.
Sou indivisível no universo,
tão pequena diante da terra,
tão grande frente aos homens.
Sou luz que brilha e não se apaga,
um corpo perdido no espaço.
Ninguém me percebe no planeta.
Grito frases de silêncio,
ninguém me escuta.
Murmuro pausas,
ninguém me ouve.
Sou tão pequena e frágil
quanto um milésimo de segundo.
Sou tão forte quanto as Muralhas da China,
ninguém descobre meus segredos,
ninguém sabe a minha história.
Sou pastora das galáxias,
caminho sobre pedras,
procuro sonhos e castelos.
Minha alma gêmea está a quilômetros de distância.
Não tenho nave nem foguete.
Hei de encontrá-la num futuro próximo.
963
Rosani Abou Adal
Templo de Zeus
A solidão invade a noite do sábado,
o silêncio toma conta das ruas.
Não escuto cachorros latindo,
apenas o escapamento solto da motocicleta
voando sobre o asfalto como um relâmpago.
Aguardo uma eternidade teu chamado mudo,
o telefax e secretária eletrônica se calaram.
Tento me comunicar contigo por telepatia,
não entendes meus códigos.
Viajo pelo túnel do tempo rumo à terra de Homero
para ouvir tua voz e codificar meus sinais.
Percorro o Bosque Sagrado do Olimpo,
Parthenon, Palácio Cnosso, Pórtico de Cariátides,
Acrópole de Lindos, Templo de Apolo,
Templo de Posêidon, o Templo de Zeus,
e assumo formas de touro, cisne, anfitrião,
chuva de ouro para me aproximar de ti
como fizera Zeus com Europa, Leda, Danae e Alcmene.
Zeus mais feliz que eu com as mortais,
de suas aproximações surgiram Perseu, Pólux e Helena.
A máquina do tempo me traz de volta
ao silêncio do fim de semana.
Nada valeu me transformar em cisne,
touro branco, chuva de ouro e anfitrião.
O aparelho de Graham Bell se calou no tempo.
o silêncio toma conta das ruas.
Não escuto cachorros latindo,
apenas o escapamento solto da motocicleta
voando sobre o asfalto como um relâmpago.
Aguardo uma eternidade teu chamado mudo,
o telefax e secretária eletrônica se calaram.
Tento me comunicar contigo por telepatia,
não entendes meus códigos.
Viajo pelo túnel do tempo rumo à terra de Homero
para ouvir tua voz e codificar meus sinais.
Percorro o Bosque Sagrado do Olimpo,
Parthenon, Palácio Cnosso, Pórtico de Cariátides,
Acrópole de Lindos, Templo de Apolo,
Templo de Posêidon, o Templo de Zeus,
e assumo formas de touro, cisne, anfitrião,
chuva de ouro para me aproximar de ti
como fizera Zeus com Europa, Leda, Danae e Alcmene.
Zeus mais feliz que eu com as mortais,
de suas aproximações surgiram Perseu, Pólux e Helena.
A máquina do tempo me traz de volta
ao silêncio do fim de semana.
Nada valeu me transformar em cisne,
touro branco, chuva de ouro e anfitrião.
O aparelho de Graham Bell se calou no tempo.
942
Rodrigo Guidi Peplau
Redonda, brilhante e provocativa
A mancha amarela
que se alonga pelo mar até aqui,
parece querer me levar
fascinado pela sua origem.
Ela ora se expõe,
ora se esconde
num jogo humano de sedução.
O caminho vai se abrindo
a medida que me aproximo,
sem o que se preocupar,
sem o que temer.
Nesse ritual mágico de união
entre a lua e o poeta
não penso nada, apenas sinto
não julgo nada, apenas vejo
e seu desfecho é tão incerto
quanto o final de qualquer poema.
que se alonga pelo mar até aqui,
parece querer me levar
fascinado pela sua origem.
Ela ora se expõe,
ora se esconde
num jogo humano de sedução.
O caminho vai se abrindo
a medida que me aproximo,
sem o que se preocupar,
sem o que temer.
Nesse ritual mágico de união
entre a lua e o poeta
não penso nada, apenas sinto
não julgo nada, apenas vejo
e seu desfecho é tão incerto
quanto o final de qualquer poema.
1 026
Rodrigo Guidi Peplau
Redonda, brilhante e provocativa
A mancha amarela
que se alonga pelo mar até aqui,
parece querer me levar
fascinado pela sua origem.
Ela ora se expõe,
ora se esconde
num jogo humano de sedução.
O caminho vai se abrindo
a medida que me aproximo,
sem o que se preocupar,
sem o que temer.
Nesse ritual mágico de união
entre a lua e o poeta
não penso nada, apenas sinto
não julgo nada, apenas vejo
e seu desfecho é tão incerto
quanto o final de qualquer poema.
que se alonga pelo mar até aqui,
parece querer me levar
fascinado pela sua origem.
Ela ora se expõe,
ora se esconde
num jogo humano de sedução.
O caminho vai se abrindo
a medida que me aproximo,
sem o que se preocupar,
sem o que temer.
Nesse ritual mágico de união
entre a lua e o poeta
não penso nada, apenas sinto
não julgo nada, apenas vejo
e seu desfecho é tão incerto
quanto o final de qualquer poema.
1 026
Ricardo Madeira
Epitáfio
Se uma estrela cai na Terra,
Logo no céu nasce mais uma,
E, na praia, vinda da espuma
Surge outra estrela-do-mar.
Uma morre mas duas nascem,
O Universo acabou a ganhar,
O que me deu, voltou a tirar,
O que invejou teve de matar.
Se algum deus ou demónio pudesse...
Se pudesse as minhas preces atender,
Eu dar-lhe-ia, aqui juro, a minha alma
Se não fosse já tua e a pudesse vender.
E tocam os sinos enquanto a chuva cai,
Mas na aurora de um novo amanhecer,
Repousas ainda pálida e só num caixão,
Apenas bela e quieta, sem nada fazer,
Engraçado...
Pareces não ouvir nada do que estou a dizer...
"What do you say to the dead?
Will you forgive me for living?"
-Black Sabbath
Logo no céu nasce mais uma,
E, na praia, vinda da espuma
Surge outra estrela-do-mar.
Uma morre mas duas nascem,
O Universo acabou a ganhar,
O que me deu, voltou a tirar,
O que invejou teve de matar.
Se algum deus ou demónio pudesse...
Se pudesse as minhas preces atender,
Eu dar-lhe-ia, aqui juro, a minha alma
Se não fosse já tua e a pudesse vender.
E tocam os sinos enquanto a chuva cai,
Mas na aurora de um novo amanhecer,
Repousas ainda pálida e só num caixão,
Apenas bela e quieta, sem nada fazer,
Engraçado...
Pareces não ouvir nada do que estou a dizer...
"What do you say to the dead?
Will you forgive me for living?"
-Black Sabbath
923
Rosani Abou Adal
Perdidos no Universo
Há momentos em que me sinto
tão forte quanto as montanhas do Tibet.
Beijo teus lábios, sinto infinita paz.
Existem instantes em que sou
tão grande quanto a força divina,
toco tua intimidade, vôo céus, percorro oceanos,
atravesso horizontes e alcanço tua base aveludada,
sou tão forte como os deuses do Olimpo.
Existem dias em que me sinto
tão pequena como um átomo perdido na galáxia,
teus lábios estão distantes dos meus,
não sinto o gosto de tua boca,
não escuto tua voz de acalanto,
não te toco corpo nem alma,
não sinto teu cheiro no meu corpo,
tuas mãos não me afagam,
perdida no universo
sou o núcleo de um átomo.
tão forte quanto as montanhas do Tibet.
Beijo teus lábios, sinto infinita paz.
Existem instantes em que sou
tão grande quanto a força divina,
toco tua intimidade, vôo céus, percorro oceanos,
atravesso horizontes e alcanço tua base aveludada,
sou tão forte como os deuses do Olimpo.
Existem dias em que me sinto
tão pequena como um átomo perdido na galáxia,
teus lábios estão distantes dos meus,
não sinto o gosto de tua boca,
não escuto tua voz de acalanto,
não te toco corpo nem alma,
não sinto teu cheiro no meu corpo,
tuas mãos não me afagam,
perdida no universo
sou o núcleo de um átomo.
1 038
Rosani Abou Adal
Imagens
Meus pensamentos voam até o pico,
alcançam a mais alta altitude.
Alguns metros abaixo voltam
a respiram, sorrir,
pensar e sonhar.
Sonham com um céu lilás,
observam estrelas cadentes.
Eles não têm medo de nada,
respiram fundo e descem ao abrigo.
O guarda da guarita tem medo
de atravessar as fronteiras da imaginação.
Meus pensamentos voam, descem o morro,
avistam cachoeiras, mares, lagos,
um casebre atrás das árvores,
homens amando na grama,
borboletas pousam nas pétalas,
crianças sorrindo e brincando,
um bando de passarinhos cantando.
Meus pensamentos voam até a base
e voltam à plenitude.
alcançam a mais alta altitude.
Alguns metros abaixo voltam
a respiram, sorrir,
pensar e sonhar.
Sonham com um céu lilás,
observam estrelas cadentes.
Eles não têm medo de nada,
respiram fundo e descem ao abrigo.
O guarda da guarita tem medo
de atravessar as fronteiras da imaginação.
Meus pensamentos voam, descem o morro,
avistam cachoeiras, mares, lagos,
um casebre atrás das árvores,
homens amando na grama,
borboletas pousam nas pétalas,
crianças sorrindo e brincando,
um bando de passarinhos cantando.
Meus pensamentos voam até a base
e voltam à plenitude.
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