Poemas neste tema
Natureza e Elementos
Paulo Silva Ribeiro
Quando o Sol Chegar
Quando o Sol Chegar
Quando o sol chegar
Não se esqueça nunca desta noite,
Não deixe as flores sobre a mesa,
Não se arrependa das juras feitas,
Não maldiga a pessoa, mas apenas siga a vida...
Quando o sol chegar
Não arranque os beijos dados em sua boca,
Não apague da lembrança as imagens desta noite,
Não retire o meu perfume te tua pele...
Quando o sol chegar
Não se esqueça de voltar,
Não bata a porta,
Não vá chorar,
Não vá se maldizer,
Quando o sol chegar...
Quando o sol chegar
Não se esqueça nunca desta noite,
Não deixe as flores sobre a mesa,
Não se arrependa das juras feitas,
Não maldiga a pessoa, mas apenas siga a vida...
Quando o sol chegar
Não arranque os beijos dados em sua boca,
Não apague da lembrança as imagens desta noite,
Não retire o meu perfume te tua pele...
Quando o sol chegar
Não se esqueça de voltar,
Não bata a porta,
Não vá chorar,
Não vá se maldizer,
Quando o sol chegar...
843
Paulo Silva Ribeiro
Quando o Sol Chegar
Quando o Sol Chegar
Quando o sol chegar
Não se esqueça nunca desta noite,
Não deixe as flores sobre a mesa,
Não se arrependa das juras feitas,
Não maldiga a pessoa, mas apenas siga a vida...
Quando o sol chegar
Não arranque os beijos dados em sua boca,
Não apague da lembrança as imagens desta noite,
Não retire o meu perfume te tua pele...
Quando o sol chegar
Não se esqueça de voltar,
Não bata a porta,
Não vá chorar,
Não vá se maldizer,
Quando o sol chegar...
Quando o sol chegar
Não se esqueça nunca desta noite,
Não deixe as flores sobre a mesa,
Não se arrependa das juras feitas,
Não maldiga a pessoa, mas apenas siga a vida...
Quando o sol chegar
Não arranque os beijos dados em sua boca,
Não apague da lembrança as imagens desta noite,
Não retire o meu perfume te tua pele...
Quando o sol chegar
Não se esqueça de voltar,
Não bata a porta,
Não vá chorar,
Não vá se maldizer,
Quando o sol chegar...
843
Rosani Abou Adal
Carência na Noite
Procurei-te por todos os cantos e bares.
Nas mesas vazias, nem sinal de tua sombra.
No céu, a estrela solitária.
O silêncio das ruas, a minha inquietude.
Do outro lado da calçada
ninguém me acompanha os passos.
Uma gata mia no cio,
abraça muros e portões
com unhas afiadas.
Os olhos verdes brilham
para encontrar aconchego
na próxima esquina, debaixo de um automóvel,
num casarão de luzes apagadas.
Brilham tanto que parecem
gerar sete gatinhos em cinco minutos.
Com passos lentos, caminho
seguindo teus rastros,
tuas marcas felinas invisíveis.
A calçada sem pegadas.
Em casa, um ombro amigo,
a coberta fria me aquece e me acolhe.
Sem vestes, abraço a espuma e durmo.
Nas mesas vazias, nem sinal de tua sombra.
No céu, a estrela solitária.
O silêncio das ruas, a minha inquietude.
Do outro lado da calçada
ninguém me acompanha os passos.
Uma gata mia no cio,
abraça muros e portões
com unhas afiadas.
Os olhos verdes brilham
para encontrar aconchego
na próxima esquina, debaixo de um automóvel,
num casarão de luzes apagadas.
Brilham tanto que parecem
gerar sete gatinhos em cinco minutos.
Com passos lentos, caminho
seguindo teus rastros,
tuas marcas felinas invisíveis.
A calçada sem pegadas.
Em casa, um ombro amigo,
a coberta fria me aquece e me acolhe.
Sem vestes, abraço a espuma e durmo.
1 015
Rosani Abou Adal
Carência na Noite
Procurei-te por todos os cantos e bares.
Nas mesas vazias, nem sinal de tua sombra.
No céu, a estrela solitária.
O silêncio das ruas, a minha inquietude.
Do outro lado da calçada
ninguém me acompanha os passos.
Uma gata mia no cio,
abraça muros e portões
com unhas afiadas.
Os olhos verdes brilham
para encontrar aconchego
na próxima esquina, debaixo de um automóvel,
num casarão de luzes apagadas.
Brilham tanto que parecem
gerar sete gatinhos em cinco minutos.
Com passos lentos, caminho
seguindo teus rastros,
tuas marcas felinas invisíveis.
A calçada sem pegadas.
Em casa, um ombro amigo,
a coberta fria me aquece e me acolhe.
Sem vestes, abraço a espuma e durmo.
Nas mesas vazias, nem sinal de tua sombra.
No céu, a estrela solitária.
O silêncio das ruas, a minha inquietude.
Do outro lado da calçada
ninguém me acompanha os passos.
Uma gata mia no cio,
abraça muros e portões
com unhas afiadas.
Os olhos verdes brilham
para encontrar aconchego
na próxima esquina, debaixo de um automóvel,
num casarão de luzes apagadas.
Brilham tanto que parecem
gerar sete gatinhos em cinco minutos.
Com passos lentos, caminho
seguindo teus rastros,
tuas marcas felinas invisíveis.
A calçada sem pegadas.
Em casa, um ombro amigo,
a coberta fria me aquece e me acolhe.
Sem vestes, abraço a espuma e durmo.
1 015
Rosani Abou Adal
Madrugada
Na placidez da noite,
o apito do guarda-noturno.
Um silvo longo e um breve.
A cadela ladra assustada
com medo da madrugada cálida.
Deitada no meio da rua,
de pernas para o alto,
a gata se lambe sossegada, tranqüila.
Um sibilo agudo se faz presente
na solidão noturna.
Nas casas silenciosas
as pessoas dormem,
cerradas entre quarto paredes,
revelam os segredos da familiaridade.
A gata permanece sobre o asfalto
fazendo confidências individuais.
A cadela frente ao portão
assiste a quietude da noite.
O homem sonha profundo,
o colchão grita frases de amor.
O guarda da noite vigia as casas,
observa as amigas da vida noturna.
Em frente à minha janela assovia
três vezes e prossegue a caminhada.
Acompanhada do meu isolamento
escuto silvos e observo as pessoas
caladas em suas privacidades.
Deitada no meu leito,
coberta com meu manto,
repouso com sofreguidão.
A gata, a cadela, o guarda,
companheiros da madrugada.
o apito do guarda-noturno.
Um silvo longo e um breve.
A cadela ladra assustada
com medo da madrugada cálida.
Deitada no meio da rua,
de pernas para o alto,
a gata se lambe sossegada, tranqüila.
Um sibilo agudo se faz presente
na solidão noturna.
Nas casas silenciosas
as pessoas dormem,
cerradas entre quarto paredes,
revelam os segredos da familiaridade.
A gata permanece sobre o asfalto
fazendo confidências individuais.
A cadela frente ao portão
assiste a quietude da noite.
O homem sonha profundo,
o colchão grita frases de amor.
O guarda da noite vigia as casas,
observa as amigas da vida noturna.
Em frente à minha janela assovia
três vezes e prossegue a caminhada.
Acompanhada do meu isolamento
escuto silvos e observo as pessoas
caladas em suas privacidades.
Deitada no meu leito,
coberta com meu manto,
repouso com sofreguidão.
A gata, a cadela, o guarda,
companheiros da madrugada.
1 111
Rosani Abou Adal
Madrugada
Na placidez da noite,
o apito do guarda-noturno.
Um silvo longo e um breve.
A cadela ladra assustada
com medo da madrugada cálida.
Deitada no meio da rua,
de pernas para o alto,
a gata se lambe sossegada, tranqüila.
Um sibilo agudo se faz presente
na solidão noturna.
Nas casas silenciosas
as pessoas dormem,
cerradas entre quarto paredes,
revelam os segredos da familiaridade.
A gata permanece sobre o asfalto
fazendo confidências individuais.
A cadela frente ao portão
assiste a quietude da noite.
O homem sonha profundo,
o colchão grita frases de amor.
O guarda da noite vigia as casas,
observa as amigas da vida noturna.
Em frente à minha janela assovia
três vezes e prossegue a caminhada.
Acompanhada do meu isolamento
escuto silvos e observo as pessoas
caladas em suas privacidades.
Deitada no meu leito,
coberta com meu manto,
repouso com sofreguidão.
A gata, a cadela, o guarda,
companheiros da madrugada.
o apito do guarda-noturno.
Um silvo longo e um breve.
A cadela ladra assustada
com medo da madrugada cálida.
Deitada no meio da rua,
de pernas para o alto,
a gata se lambe sossegada, tranqüila.
Um sibilo agudo se faz presente
na solidão noturna.
Nas casas silenciosas
as pessoas dormem,
cerradas entre quarto paredes,
revelam os segredos da familiaridade.
A gata permanece sobre o asfalto
fazendo confidências individuais.
A cadela frente ao portão
assiste a quietude da noite.
O homem sonha profundo,
o colchão grita frases de amor.
O guarda da noite vigia as casas,
observa as amigas da vida noturna.
Em frente à minha janela assovia
três vezes e prossegue a caminhada.
Acompanhada do meu isolamento
escuto silvos e observo as pessoas
caladas em suas privacidades.
Deitada no meu leito,
coberta com meu manto,
repouso com sofreguidão.
A gata, a cadela, o guarda,
companheiros da madrugada.
1 111
Raimundo Correia
Ser Moça e Bela Ser
Ser moça e bela ser, por que é que lhe não basta?
Porque tudo o que tem de fresco e virgem gasta
E destrói? Porque atrás de uma vaga esperança
Fátua, aérea e fugaz, frenética se lança
A voar, a voar?...
Também a borboleta,
Mal rompe a ninfa, o estojo abrindo, ávida e inquieta,
As antenas agita, ensaia o vôo, adeja;
O finíssimo pó das asas espaneja;
Pouco habituada à luz, a luz logo a embriaga;
Bóia do sol na morna e rutilante vaga;
Em grandes doses bebe o azul; tonta, espairece
No éter; voa em redor, vai e vem; sobe e desce;
Torna a subir e torna a descer; e ora gira
Contra as correntes do ar, ora, incauta, se atira
Contra o tojo e os sarcais; nas puas lancinantes
Em pedaços faz logo às asas cintilantes;
Da tênue escama de ouro os resquícios mesquinhos
Presos lhe vão ficando à ponta dos espinhos;
Uma porção de si deixa por onde passa,
E, enquanto há vida ainda, esvoaça, esvoaça,
Como um leve papel solto à mercê do vento;
Pousa aqui, voa além, até vir o momento
Em que de todo, enfim, se rasga e dilacera.
ó borboleta, pára! ó mocidade, espera!
Porque tudo o que tem de fresco e virgem gasta
E destrói? Porque atrás de uma vaga esperança
Fátua, aérea e fugaz, frenética se lança
A voar, a voar?...
Também a borboleta,
Mal rompe a ninfa, o estojo abrindo, ávida e inquieta,
As antenas agita, ensaia o vôo, adeja;
O finíssimo pó das asas espaneja;
Pouco habituada à luz, a luz logo a embriaga;
Bóia do sol na morna e rutilante vaga;
Em grandes doses bebe o azul; tonta, espairece
No éter; voa em redor, vai e vem; sobe e desce;
Torna a subir e torna a descer; e ora gira
Contra as correntes do ar, ora, incauta, se atira
Contra o tojo e os sarcais; nas puas lancinantes
Em pedaços faz logo às asas cintilantes;
Da tênue escama de ouro os resquícios mesquinhos
Presos lhe vão ficando à ponta dos espinhos;
Uma porção de si deixa por onde passa,
E, enquanto há vida ainda, esvoaça, esvoaça,
Como um leve papel solto à mercê do vento;
Pousa aqui, voa além, até vir o momento
Em que de todo, enfim, se rasga e dilacera.
ó borboleta, pára! ó mocidade, espera!
2 754
Paulo de Tarso
Símiles
1.
As formigas levam
para escuros subterrâneos
folhas verdes e outras
migalhas da terra,
idéias e palavras
de infindáveis
conversas, meio
a organizadas rotas
de acumulação e intriga.
Frágeis e efêmeras
face à natureza poderosa
e à terra infinita
para seus curtos passos.
Industriosas formigas.
2.
As abelhas produzem
mais que o necessário
em labuta e lida.
Exploram a terra
e escrevem nos favos
impressões da viagem
dourada e florida.
Abelhas amealham
moeda excessiva,
herança desendereçam
a quem primeiro chega,
esbanja e utiliza.
É muito a colméia
para a pouca vida.
3.
As cigarras cantam
persistente cantiga,
ostinato canto
dura sua vida.
Ultrasônico pranto,
nênia, latomia,
vara desencanto,
soalheira, ferida
e outro tanto
que acaso exista
em fugitivo dia
de amor e morte,
lamento, acalanto,
perdulária poesia.
As formigas levam
para escuros subterrâneos
folhas verdes e outras
migalhas da terra,
idéias e palavras
de infindáveis
conversas, meio
a organizadas rotas
de acumulação e intriga.
Frágeis e efêmeras
face à natureza poderosa
e à terra infinita
para seus curtos passos.
Industriosas formigas.
2.
As abelhas produzem
mais que o necessário
em labuta e lida.
Exploram a terra
e escrevem nos favos
impressões da viagem
dourada e florida.
Abelhas amealham
moeda excessiva,
herança desendereçam
a quem primeiro chega,
esbanja e utiliza.
É muito a colméia
para a pouca vida.
3.
As cigarras cantam
persistente cantiga,
ostinato canto
dura sua vida.
Ultrasônico pranto,
nênia, latomia,
vara desencanto,
soalheira, ferida
e outro tanto
que acaso exista
em fugitivo dia
de amor e morte,
lamento, acalanto,
perdulária poesia.
1 229
Primo Vieira
Haicai
Ao luar, o sapo
tenta engolir uma estrela:
cai fundo no poço!
Marulho de vagas.
Há ecos de eternidade
nos búzios do mar.
tenta engolir uma estrela:
cai fundo no poço!
Marulho de vagas.
Há ecos de eternidade
nos búzios do mar.
1 177
Primo Vieira
Haicai
Ao luar, o sapo
tenta engolir uma estrela:
cai fundo no poço!
Marulho de vagas.
Há ecos de eternidade
nos búzios do mar.
tenta engolir uma estrela:
cai fundo no poço!
Marulho de vagas.
Há ecos de eternidade
nos búzios do mar.
1 177
Primo Vieira
Haicai
Ao luar, o sapo
tenta engolir uma estrela:
cai fundo no poço!
Marulho de vagas.
Há ecos de eternidade
nos búzios do mar.
tenta engolir uma estrela:
cai fundo no poço!
Marulho de vagas.
Há ecos de eternidade
nos búzios do mar.
1 177
Primo Vieira
Haicai
Ao luar, o sapo
tenta engolir uma estrela:
cai fundo no poço!
Marulho de vagas.
Há ecos de eternidade
nos búzios do mar.
tenta engolir uma estrela:
cai fundo no poço!
Marulho de vagas.
Há ecos de eternidade
nos búzios do mar.
1 177
Rosani Abou Adal
Contemplação
Presa no meu dormitório
tento dividir a solidão com o peixe
cercado de paredes de vidro.
Cabisbaixo no fundo do aquário,
absorto, perplexo, faceiro,
companheiro me olha.
Quero tocá-lo e senti-lo
através da parede invisível.
Ele acompanha meus movimentos,
entende meus sinais.
Nada e nada e bóia na superfície
à espera de carinho.
Suavemente toco
suas escamas sedosas.
Ficamos horas a nos contemplar.
tento dividir a solidão com o peixe
cercado de paredes de vidro.
Cabisbaixo no fundo do aquário,
absorto, perplexo, faceiro,
companheiro me olha.
Quero tocá-lo e senti-lo
através da parede invisível.
Ele acompanha meus movimentos,
entende meus sinais.
Nada e nada e bóia na superfície
à espera de carinho.
Suavemente toco
suas escamas sedosas.
Ficamos horas a nos contemplar.
948
Domingos dos Reis Quita
Tircéia
Idílio
Já lá sinto rugir das aveleiras
As buliçosas folhas; já escuto
Um rumor leve de sutis pisadas;
Entre as confusas ramas já diviso
Mover-se um vulto; se virá Tircéia!
Por mais que afirmo a vista não distingo.
Ora lá se encobria agora a Lua.
Mas, oh quanto desejo vão me engana?
Uma ovelha é perdida da manada;
Lá vai balando pelo vale abaixo.
Mas eu deliro, ou sonho? Que pondero?
Oh! quanto da saudade o golpe fero
Nos sentidos me oprime, e me confunde!
Eu não julgava agora, que este vale
Era aquele feliz e deleitoso,
Onde a minha pastora sempre espero?
Que esta sonora fonte, que murmura
Entre cheirosas flores e verdura,
Coberta de sombrios arvoredos,
Era aquele lugar, aonde a calma
Costumamos passar da ardente sesta?
Quem viu já fantasia mais confusa?
Oh poderoso amor, quanto me enleias!
Oh quem pisara agora os venturosos
Campos, que os resplendores luminosos
Dos olhos de Tircéia estão gozando!
Quem vira agora o seu formoso rosto!
Oh quem sequer ao menos escutara
Os conhecidos ladros, os balidos
De suas ovelhinhas e rafeiro!
Oh duras penhas, oh sombrios vales,
Que meus saudosos ais estais ouvindo!
Se agora aqueles belos olhos vísseis,
Por quem meu coração tanto suspira!
Veríeis de repente a roxa aurora
Verter o fresco orvalho sobre as flores;
Raiar o louro sol nos horizontes;
E enriquecer de luz os altos montes.
Parece-me, Tircéia, que te vejo
Deixar na fonte o cântaro vazio,
E na mais alta penha dessa praia
Subida estar os olhos estendendo,
Cheios de pranto para as altas serras,
Onde tão larga ausência estou chorando.
Que saudosa dali estás chamando:
"Alcino, Alcino, quem de mim te aparta?"
Parece-me que te ouço a voz magoada
Já de ingrato acusar-me, de esquecido;
Que vais depois ao vale suspirando,
E que ali muitas vezes estás lendo
Os amorosos versos, que nos troncos
Eu escrevi na amarga despedida.
Oh pastora mais firme do que os montes!
Mais amante, mais terna do que as rolas!
Mais perfeita, mais cândida e formosa,
Que a pura neve, que a vermelha rosa!
Só por ti, eu o juro a estas penhas,
Só por ti há de amor dentro em meu peito
Cravar as setas, acender as chamas.
Só por ti meus suspiros serão dados;
Só por ti chorarão de amor meus olhos:
Meus olhos, que por esses tão formosos
Agora estão chorando tão saudosos.
Já lá sinto rugir das aveleiras
As buliçosas folhas; já escuto
Um rumor leve de sutis pisadas;
Entre as confusas ramas já diviso
Mover-se um vulto; se virá Tircéia!
Por mais que afirmo a vista não distingo.
Ora lá se encobria agora a Lua.
Mas, oh quanto desejo vão me engana?
Uma ovelha é perdida da manada;
Lá vai balando pelo vale abaixo.
Mas eu deliro, ou sonho? Que pondero?
Oh! quanto da saudade o golpe fero
Nos sentidos me oprime, e me confunde!
Eu não julgava agora, que este vale
Era aquele feliz e deleitoso,
Onde a minha pastora sempre espero?
Que esta sonora fonte, que murmura
Entre cheirosas flores e verdura,
Coberta de sombrios arvoredos,
Era aquele lugar, aonde a calma
Costumamos passar da ardente sesta?
Quem viu já fantasia mais confusa?
Oh poderoso amor, quanto me enleias!
Oh quem pisara agora os venturosos
Campos, que os resplendores luminosos
Dos olhos de Tircéia estão gozando!
Quem vira agora o seu formoso rosto!
Oh quem sequer ao menos escutara
Os conhecidos ladros, os balidos
De suas ovelhinhas e rafeiro!
Oh duras penhas, oh sombrios vales,
Que meus saudosos ais estais ouvindo!
Se agora aqueles belos olhos vísseis,
Por quem meu coração tanto suspira!
Veríeis de repente a roxa aurora
Verter o fresco orvalho sobre as flores;
Raiar o louro sol nos horizontes;
E enriquecer de luz os altos montes.
Parece-me, Tircéia, que te vejo
Deixar na fonte o cântaro vazio,
E na mais alta penha dessa praia
Subida estar os olhos estendendo,
Cheios de pranto para as altas serras,
Onde tão larga ausência estou chorando.
Que saudosa dali estás chamando:
"Alcino, Alcino, quem de mim te aparta?"
Parece-me que te ouço a voz magoada
Já de ingrato acusar-me, de esquecido;
Que vais depois ao vale suspirando,
E que ali muitas vezes estás lendo
Os amorosos versos, que nos troncos
Eu escrevi na amarga despedida.
Oh pastora mais firme do que os montes!
Mais amante, mais terna do que as rolas!
Mais perfeita, mais cândida e formosa,
Que a pura neve, que a vermelha rosa!
Só por ti, eu o juro a estas penhas,
Só por ti há de amor dentro em meu peito
Cravar as setas, acender as chamas.
Só por ti meus suspiros serão dados;
Só por ti chorarão de amor meus olhos:
Meus olhos, que por esses tão formosos
Agora estão chorando tão saudosos.
477
Fernando Py
Canto de Muro
A Mário Quintana
Num canto de muro
o garoto chorava
num canto de muro
a Terra findava
num canto de muro
a noite pousava
crepúsculo sujo
de rua asfaltada.
Num canto de muro
nem Deus se encontrava
num canto de muro
blasfêmia gravada
num canto de muro
o diabo urinava
no chão sem futuro
da terra ensombrada.
Num canto de muro
o sol desmaiava
e a noite tranqüila
o solo ocupava
— a posse, tão fria
(terreno tão duro)
teu ângulo diedro,
parede, rachado.
Num canto de muro
esquina forçada
o mundo vivia
e o mundo acabava.
Num canto de muro
a sombra vazia
prepara o futuro
da nova cidade.
Num canto de muro
o garoto chorava
num canto de muro
a Terra findava
num canto de muro
a noite pousava
crepúsculo sujo
de rua asfaltada.
Num canto de muro
nem Deus se encontrava
num canto de muro
blasfêmia gravada
num canto de muro
o diabo urinava
no chão sem futuro
da terra ensombrada.
Num canto de muro
o sol desmaiava
e a noite tranqüila
o solo ocupava
— a posse, tão fria
(terreno tão duro)
teu ângulo diedro,
parede, rachado.
Num canto de muro
esquina forçada
o mundo vivia
e o mundo acabava.
Num canto de muro
a sombra vazia
prepara o futuro
da nova cidade.
1 055
Raniere Rodrigues dos Santos
O Pássaro
Olho para traz
E nada vejo.
A demonstração
Aparece
E revela
O pássaro.
Simples,
Quieto,
Tentando voar,
Para no céu brilhar.
Sabendo
Que não é chegada a hora,
Ele esperneia e chora
E só o sonho o consola.
Ele serve,
Ele encanta,
Ele escreve poesia
Rimando com a alegria.
O show
Chega
E o pássaro
Voa.
Ele brilha
Entre as estrelas
E toca
Uma paralisia.
Que pássaro
Danado,
Já tem filhos
E os protege.
O espetáculo
É preparado
E o pássaro
Fica todo embelezado.
O sucesso,
É o futuro
Que se torna presente
Para o pássaro contente.
Olho para trás
E vejo que há passado
Olho para frente
E vejo que há futuro de um presente
E nada vejo.
A demonstração
Aparece
E revela
O pássaro.
Simples,
Quieto,
Tentando voar,
Para no céu brilhar.
Sabendo
Que não é chegada a hora,
Ele esperneia e chora
E só o sonho o consola.
Ele serve,
Ele encanta,
Ele escreve poesia
Rimando com a alegria.
O show
Chega
E o pássaro
Voa.
Ele brilha
Entre as estrelas
E toca
Uma paralisia.
Que pássaro
Danado,
Já tem filhos
E os protege.
O espetáculo
É preparado
E o pássaro
Fica todo embelezado.
O sucesso,
É o futuro
Que se torna presente
Para o pássaro contente.
Olho para trás
E vejo que há passado
Olho para frente
E vejo que há futuro de um presente
940
Rosani Abou Adal
Templo de Zeus
A solidão invade a noite do sábado,
o silêncio toma conta das ruas.
Não escuto cachorros latindo,
apenas o escapamento solto da motocicleta
voando sobre o asfalto como um relâmpago.
Aguardo uma eternidade teu chamado mudo,
o telefax e secretária eletrônica se calaram.
Tento me comunicar contigo por telepatia,
não entendes meus códigos.
Viajo pelo túnel do tempo rumo à terra de Homero
para ouvir tua voz e codificar meus sinais.
Percorro o Bosque Sagrado do Olimpo,
Parthenon, Palácio Cnosso, Pórtico de Cariátides,
Acrópole de Lindos, Templo de Apolo,
Templo de Posêidon, o Templo de Zeus,
e assumo formas de touro, cisne, anfitrião,
chuva de ouro para me aproximar de ti
como fizera Zeus com Europa, Leda, Danae e Alcmene.
Zeus mais feliz que eu com as mortais,
de suas aproximações surgiram Perseu, Pólux e Helena.
A máquina do tempo me traz de volta
ao silêncio do fim de semana.
Nada valeu me transformar em cisne,
touro branco, chuva de ouro e anfitrião.
O aparelho de Graham Bell se calou no tempo.
o silêncio toma conta das ruas.
Não escuto cachorros latindo,
apenas o escapamento solto da motocicleta
voando sobre o asfalto como um relâmpago.
Aguardo uma eternidade teu chamado mudo,
o telefax e secretária eletrônica se calaram.
Tento me comunicar contigo por telepatia,
não entendes meus códigos.
Viajo pelo túnel do tempo rumo à terra de Homero
para ouvir tua voz e codificar meus sinais.
Percorro o Bosque Sagrado do Olimpo,
Parthenon, Palácio Cnosso, Pórtico de Cariátides,
Acrópole de Lindos, Templo de Apolo,
Templo de Posêidon, o Templo de Zeus,
e assumo formas de touro, cisne, anfitrião,
chuva de ouro para me aproximar de ti
como fizera Zeus com Europa, Leda, Danae e Alcmene.
Zeus mais feliz que eu com as mortais,
de suas aproximações surgiram Perseu, Pólux e Helena.
A máquina do tempo me traz de volta
ao silêncio do fim de semana.
Nada valeu me transformar em cisne,
touro branco, chuva de ouro e anfitrião.
O aparelho de Graham Bell se calou no tempo.
952
Raul de Leoni
Ingratidão
Nunca mais me esqueci! ... Eu era criança
E em meu velho quintal, ao sol-nascente,
Plantei, com a minha mão ingênua e mansa,
Uma linda amendoeira adolescente.
Era a mais rútila e íntima esperança...
Cresceu... cresceu... e aos poucos, suavemente,
Pendeu os ramos sobre um muro em frente
E foi frutificar na vizinhança...
Daí por diante, pela vida inteira,
Todas as grandes árvores que em minhas
Terras, num sonho esplêndido semeio,
Como aquela magnífica amendoeira,
Eflorescem nas chácaras vizinhas
E vão dar frutos no pomar alheio...
E em meu velho quintal, ao sol-nascente,
Plantei, com a minha mão ingênua e mansa,
Uma linda amendoeira adolescente.
Era a mais rútila e íntima esperança...
Cresceu... cresceu... e aos poucos, suavemente,
Pendeu os ramos sobre um muro em frente
E foi frutificar na vizinhança...
Daí por diante, pela vida inteira,
Todas as grandes árvores que em minhas
Terras, num sonho esplêndido semeio,
Como aquela magnífica amendoeira,
Eflorescem nas chácaras vizinhas
E vão dar frutos no pomar alheio...
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Rosani Abou Adal
Código Morse
Bolhas de espuma boiam sobre a água,
código morse da espécie Beta
comunicando que é adulto
e precisa uma fêmea para acasalar.
Olhos tristes e pequenos
protestam a solidão aquática.
No fundo do aquário, sem mover nadadeiras,
sonha com a azulzinha, a vermelhinha
para compartilhar carinho e afeto.
Seu coração vazio e infeliz.
Fala português e portunhol
com suas guelras.
Ninguém entende a mensagem.
Tenta outra vez,
o código sem tradução.
O Beta codifica a solidão oculta
- a companheira invisível
surge do outro lado do aquário.
código morse da espécie Beta
comunicando que é adulto
e precisa uma fêmea para acasalar.
Olhos tristes e pequenos
protestam a solidão aquática.
No fundo do aquário, sem mover nadadeiras,
sonha com a azulzinha, a vermelhinha
para compartilhar carinho e afeto.
Seu coração vazio e infeliz.
Fala português e portunhol
com suas guelras.
Ninguém entende a mensagem.
Tenta outra vez,
o código sem tradução.
O Beta codifica a solidão oculta
- a companheira invisível
surge do outro lado do aquário.
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Rosani Abou Adal
Alma Gêmea
Sou tão solitária quanto a lua
rodeada de estrelas.
O céu está nublado,
nenhum habitante me acompanha.
Sou luar sem multidão,
raio-de-luz no azul.
Não escuto vozes e não vejo sombras.
Sou indivisível no universo,
tão pequena diante da terra,
tão grande frente aos homens.
Sou luz que brilha e não se apaga,
um corpo perdido no espaço.
Ninguém me percebe no planeta.
Grito frases de silêncio,
ninguém me escuta.
Murmuro pausas,
ninguém me ouve.
Sou tão pequena e frágil
quanto um milésimo de segundo.
Sou tão forte quanto as Muralhas da China,
ninguém descobre meus segredos,
ninguém sabe a minha história.
Sou pastora das galáxias,
caminho sobre pedras,
procuro sonhos e castelos.
Minha alma gêmea está a quilômetros de distância.
Não tenho nave nem foguete.
Hei de encontrá-la num futuro próximo.
rodeada de estrelas.
O céu está nublado,
nenhum habitante me acompanha.
Sou luar sem multidão,
raio-de-luz no azul.
Não escuto vozes e não vejo sombras.
Sou indivisível no universo,
tão pequena diante da terra,
tão grande frente aos homens.
Sou luz que brilha e não se apaga,
um corpo perdido no espaço.
Ninguém me percebe no planeta.
Grito frases de silêncio,
ninguém me escuta.
Murmuro pausas,
ninguém me ouve.
Sou tão pequena e frágil
quanto um milésimo de segundo.
Sou tão forte quanto as Muralhas da China,
ninguém descobre meus segredos,
ninguém sabe a minha história.
Sou pastora das galáxias,
caminho sobre pedras,
procuro sonhos e castelos.
Minha alma gêmea está a quilômetros de distância.
Não tenho nave nem foguete.
Hei de encontrá-la num futuro próximo.
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Rosani Abou Adal
Alma Gêmea
Sou tão solitária quanto a lua
rodeada de estrelas.
O céu está nublado,
nenhum habitante me acompanha.
Sou luar sem multidão,
raio-de-luz no azul.
Não escuto vozes e não vejo sombras.
Sou indivisível no universo,
tão pequena diante da terra,
tão grande frente aos homens.
Sou luz que brilha e não se apaga,
um corpo perdido no espaço.
Ninguém me percebe no planeta.
Grito frases de silêncio,
ninguém me escuta.
Murmuro pausas,
ninguém me ouve.
Sou tão pequena e frágil
quanto um milésimo de segundo.
Sou tão forte quanto as Muralhas da China,
ninguém descobre meus segredos,
ninguém sabe a minha história.
Sou pastora das galáxias,
caminho sobre pedras,
procuro sonhos e castelos.
Minha alma gêmea está a quilômetros de distância.
Não tenho nave nem foguete.
Hei de encontrá-la num futuro próximo.
rodeada de estrelas.
O céu está nublado,
nenhum habitante me acompanha.
Sou luar sem multidão,
raio-de-luz no azul.
Não escuto vozes e não vejo sombras.
Sou indivisível no universo,
tão pequena diante da terra,
tão grande frente aos homens.
Sou luz que brilha e não se apaga,
um corpo perdido no espaço.
Ninguém me percebe no planeta.
Grito frases de silêncio,
ninguém me escuta.
Murmuro pausas,
ninguém me ouve.
Sou tão pequena e frágil
quanto um milésimo de segundo.
Sou tão forte quanto as Muralhas da China,
ninguém descobre meus segredos,
ninguém sabe a minha história.
Sou pastora das galáxias,
caminho sobre pedras,
procuro sonhos e castelos.
Minha alma gêmea está a quilômetros de distância.
Não tenho nave nem foguete.
Hei de encontrá-la num futuro próximo.
968
Paulo Silva Ribeiro
O Rio
O Rio
O rio que nasce
Em minha alma
E cruza minha terra,
Que irriga as lavouras
A sua margem,
Que traz alimento e vida
A sua gente...
O meu rio
Não é grandioso
Simplesmente reflete
Vida em cada ponto dele,
Se inunda pastagens, pantanais,
É porque revigora a vida...
O meu rio
Tem peixe pra todo gosto
Tem pacú, pintado, dourado
Tem até lenda de pescador mal-assombrado,
Que por vezes
Pesca em sua canoa
Em noite de lua cheia...
Já te direi
O nome de meu rio,
O teu nome tem seis letras,
Mas poderia ter mil,
Para poder te dar o seu exato valor,
Nestas tardes de abril
Em que fico a te admirar,
Eu te saúdo
Meu rio Cuiabá...
O rio que nasce
Em minha alma
E cruza minha terra,
Que irriga as lavouras
A sua margem,
Que traz alimento e vida
A sua gente...
O meu rio
Não é grandioso
Simplesmente reflete
Vida em cada ponto dele,
Se inunda pastagens, pantanais,
É porque revigora a vida...
O meu rio
Tem peixe pra todo gosto
Tem pacú, pintado, dourado
Tem até lenda de pescador mal-assombrado,
Que por vezes
Pesca em sua canoa
Em noite de lua cheia...
Já te direi
O nome de meu rio,
O teu nome tem seis letras,
Mas poderia ter mil,
Para poder te dar o seu exato valor,
Nestas tardes de abril
Em que fico a te admirar,
Eu te saúdo
Meu rio Cuiabá...
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Paulo Silva Ribeiro
O Rio
O Rio
O rio que nasce
Em minha alma
E cruza minha terra,
Que irriga as lavouras
A sua margem,
Que traz alimento e vida
A sua gente...
O meu rio
Não é grandioso
Simplesmente reflete
Vida em cada ponto dele,
Se inunda pastagens, pantanais,
É porque revigora a vida...
O meu rio
Tem peixe pra todo gosto
Tem pacú, pintado, dourado
Tem até lenda de pescador mal-assombrado,
Que por vezes
Pesca em sua canoa
Em noite de lua cheia...
Já te direi
O nome de meu rio,
O teu nome tem seis letras,
Mas poderia ter mil,
Para poder te dar o seu exato valor,
Nestas tardes de abril
Em que fico a te admirar,
Eu te saúdo
Meu rio Cuiabá...
O rio que nasce
Em minha alma
E cruza minha terra,
Que irriga as lavouras
A sua margem,
Que traz alimento e vida
A sua gente...
O meu rio
Não é grandioso
Simplesmente reflete
Vida em cada ponto dele,
Se inunda pastagens, pantanais,
É porque revigora a vida...
O meu rio
Tem peixe pra todo gosto
Tem pacú, pintado, dourado
Tem até lenda de pescador mal-assombrado,
Que por vezes
Pesca em sua canoa
Em noite de lua cheia...
Já te direi
O nome de meu rio,
O teu nome tem seis letras,
Mas poderia ter mil,
Para poder te dar o seu exato valor,
Nestas tardes de abril
Em que fico a te admirar,
Eu te saúdo
Meu rio Cuiabá...
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Pereira da Silva
Uma Parábola
Esqueceu-me jamais essa Roseira.
Deu rosas brancas a existência inteira
E viveu, para nós, as alegrias
Das nossas noites e dos nossos dias.
Essa Roseira teve sempre rosas
Para as festas gentis ou religiosas
E nunca se esqueceu dos namorados
Ou de dar flores para os seus noivados.
Eu quero crer também que nunca houvesse
Enterramento humilde a que não desse,
Essa Roseira, a régia compostura
De suas rosas de imortal brancura.
Posso, entanto, afirmar que essa Roseira,
Porque deu flores a existência inteira,
Passou despercebida aos homens brutos
Como aos ladrões as árvores sem frutos...
Deu rosas brancas a existência inteira
E viveu, para nós, as alegrias
Das nossas noites e dos nossos dias.
Essa Roseira teve sempre rosas
Para as festas gentis ou religiosas
E nunca se esqueceu dos namorados
Ou de dar flores para os seus noivados.
Eu quero crer também que nunca houvesse
Enterramento humilde a que não desse,
Essa Roseira, a régia compostura
De suas rosas de imortal brancura.
Posso, entanto, afirmar que essa Roseira,
Porque deu flores a existência inteira,
Passou despercebida aos homens brutos
Como aos ladrões as árvores sem frutos...
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