Poemas neste tema
Natureza e Elementos
Nai Frossard
A Teus Pés
Deito-me sob o veludo azul
Profundo que não existe,
Para acreditar que suspiros são flores que brotam
Entre Deus e o Diabo.
O suor que me embriaga
Bebo-o a curtos tragos,
Saboreando cada nota da música
Dos pássaros sobre nós.
Emocionados - leio em teu corpo - com olhos,
Tropeçam em beijos de cílios,
Mergulhados na pupila de um gato.
A poesia que descansa
Debaixo de um lustre de papel
Grita agora furando os tímpanos da casa.
— O silêncio que herdo de um doce homem
me segue por onde me levam meus próprios passos.
Profundo que não existe,
Para acreditar que suspiros são flores que brotam
Entre Deus e o Diabo.
O suor que me embriaga
Bebo-o a curtos tragos,
Saboreando cada nota da música
Dos pássaros sobre nós.
Emocionados - leio em teu corpo - com olhos,
Tropeçam em beijos de cílios,
Mergulhados na pupila de um gato.
A poesia que descansa
Debaixo de um lustre de papel
Grita agora furando os tímpanos da casa.
— O silêncio que herdo de um doce homem
me segue por onde me levam meus próprios passos.
412
Natércia Freire
O Rosto que não tem Rosto
Eu tinha uns olhos de neve
no tempo do vendaval;
sob os olhos, flores geladas;
por sobre o espelho tremente
finas bagas de cristal.
O tempo do vendaval
governa ainda os meus dias.
E um arrais de neves frias
põe cansaços de metal
nas doces melancolias.
Nas noites de lume fosco
sobre a água corredia,
um rosto que não tem rosto
e que se esfuma no dia
preside ao branco cenário
de uma única harmonia ...
Vendaval de mãos tão frias:
deslaça-me estes cabelos,
abre-me os braços sem elos,
faz de mim águas sombrias,
sem canto de rouxinóis
nem folhagem protetora,
nem melodias de aurora,
nem mansos beijos de sóis.
Inunda-me estes ouvidos
de raízes muito velhas;
põe longe as festas vermelhas
que eu tive nos meus sentidos,
e de uma vez para sempre
livra-me toda de mim.
no tempo do vendaval;
sob os olhos, flores geladas;
por sobre o espelho tremente
finas bagas de cristal.
O tempo do vendaval
governa ainda os meus dias.
E um arrais de neves frias
põe cansaços de metal
nas doces melancolias.
Nas noites de lume fosco
sobre a água corredia,
um rosto que não tem rosto
e que se esfuma no dia
preside ao branco cenário
de uma única harmonia ...
Vendaval de mãos tão frias:
deslaça-me estes cabelos,
abre-me os braços sem elos,
faz de mim águas sombrias,
sem canto de rouxinóis
nem folhagem protetora,
nem melodias de aurora,
nem mansos beijos de sóis.
Inunda-me estes ouvidos
de raízes muito velhas;
põe longe as festas vermelhas
que eu tive nos meus sentidos,
e de uma vez para sempre
livra-me toda de mim.
1 284
Natércia Freire
O Rosto que não tem Rosto
Eu tinha uns olhos de neve
no tempo do vendaval;
sob os olhos, flores geladas;
por sobre o espelho tremente
finas bagas de cristal.
O tempo do vendaval
governa ainda os meus dias.
E um arrais de neves frias
põe cansaços de metal
nas doces melancolias.
Nas noites de lume fosco
sobre a água corredia,
um rosto que não tem rosto
e que se esfuma no dia
preside ao branco cenário
de uma única harmonia ...
Vendaval de mãos tão frias:
deslaça-me estes cabelos,
abre-me os braços sem elos,
faz de mim águas sombrias,
sem canto de rouxinóis
nem folhagem protetora,
nem melodias de aurora,
nem mansos beijos de sóis.
Inunda-me estes ouvidos
de raízes muito velhas;
põe longe as festas vermelhas
que eu tive nos meus sentidos,
e de uma vez para sempre
livra-me toda de mim.
no tempo do vendaval;
sob os olhos, flores geladas;
por sobre o espelho tremente
finas bagas de cristal.
O tempo do vendaval
governa ainda os meus dias.
E um arrais de neves frias
põe cansaços de metal
nas doces melancolias.
Nas noites de lume fosco
sobre a água corredia,
um rosto que não tem rosto
e que se esfuma no dia
preside ao branco cenário
de uma única harmonia ...
Vendaval de mãos tão frias:
deslaça-me estes cabelos,
abre-me os braços sem elos,
faz de mim águas sombrias,
sem canto de rouxinóis
nem folhagem protetora,
nem melodias de aurora,
nem mansos beijos de sóis.
Inunda-me estes ouvidos
de raízes muito velhas;
põe longe as festas vermelhas
que eu tive nos meus sentidos,
e de uma vez para sempre
livra-me toda de mim.
1 284
Nelson Ascher
Outra Gata
p/ Haroldo, felinófilo
Embora seja tão
minúscula, está viva
a gata que se esquiva
enquanto minha mão,
com mais de um arranhão,
conclui a tentativa
inútil e, à deriva,
afaga o nada em vão.
Fruindo em paz de sete
vidas, no entanto, a gata
faz sua toilette
e assim não se constata
que esconde um canivete
suíço em cada pata.
(Poemas extraídos de `Algo do Sol)
Embora seja tão
minúscula, está viva
a gata que se esquiva
enquanto minha mão,
com mais de um arranhão,
conclui a tentativa
inútil e, à deriva,
afaga o nada em vão.
Fruindo em paz de sete
vidas, no entanto, a gata
faz sua toilette
e assim não se constata
que esconde um canivete
suíço em cada pata.
(Poemas extraídos de `Algo do Sol)
1 198
Noel Nascimento
Por quê?
Se eu amo
e a vida é um sopro apenas,
se chamo
por um nome um ser humano,
se o infinito
cabe num verso
e o universo no coração;
se a dor
se exprime num grito,
num ai,
e o amor num beijo,
numa palavra;
se um pássaro
transpõe um deserto,
a fé remove montanhas,
e um átomo encerra
força e mistério;
se há tanto encanto
numa mulher
e tanta beleza
numa flor;
se o mar é gota d’água
que se houve numa conchinha,
e a Via Láctea só poeira,
a nebulosa um redemoinho,
e a terra parece imensa,
mas cabe num olhar;
se um adeus é finito
e o amor medir ninguém sabe;
-Por que me dizem os sábios
que as estrelas estão tão longe,
se eu sei que elas estão tão perto?
e a vida é um sopro apenas,
se chamo
por um nome um ser humano,
se o infinito
cabe num verso
e o universo no coração;
se a dor
se exprime num grito,
num ai,
e o amor num beijo,
numa palavra;
se um pássaro
transpõe um deserto,
a fé remove montanhas,
e um átomo encerra
força e mistério;
se há tanto encanto
numa mulher
e tanta beleza
numa flor;
se o mar é gota d’água
que se houve numa conchinha,
e a Via Láctea só poeira,
a nebulosa um redemoinho,
e a terra parece imensa,
mas cabe num olhar;
se um adeus é finito
e o amor medir ninguém sabe;
-Por que me dizem os sábios
que as estrelas estão tão longe,
se eu sei que elas estão tão perto?
898
Noel Nascimento
Pesquisa Estética
À procura
da sonoridade mais pura,
quis decifrar o mistério
da beleza natural.
Palavra por palavra,
desfolhei o poema
e despetalei a flor.
Em busca da magia de um canto
quase descubro
a fonte do amor.
O que faz o mavioso gorgeio,
seria a forcá que faz o vôo?
Onde a nascente no coração de cristal?
Pena por pena,
depenei um canarinho,
tingi de sangue as minhas unhas,
mas ao abrir-lhe o peito
não achei a flautinha divinal ...
da sonoridade mais pura,
quis decifrar o mistério
da beleza natural.
Palavra por palavra,
desfolhei o poema
e despetalei a flor.
Em busca da magia de um canto
quase descubro
a fonte do amor.
O que faz o mavioso gorgeio,
seria a forcá que faz o vôo?
Onde a nascente no coração de cristal?
Pena por pena,
depenei um canarinho,
tingi de sangue as minhas unhas,
mas ao abrir-lhe o peito
não achei a flautinha divinal ...
802
Noel de Arriaga
Rimance
Na esquina daquela rua,
Passaram duas irmãs,
Cada uma transportando
Um cestinho de maçãs.
Mais duas maçãs levavam
De cada lado do peito,
Que como as outras boliam
Ao mais pequeno trejeito.
Teriam dezoito anos
(Ou teriam dezesseis?),
Cabelos loiros caindo
Em desmanchados anéis.
O cestinho das maçãs
Para onde vai bem no sei —
Cheinho, a deitar por fora,
Para o palácio do Rei.
— "Senhor Rei — aqui nos tendes
Sem pecado e sem defeito,
No tabuleiro bolindo
Ao mais pequeno trejeito" ...
Eram verdes as maçãs.
Não se podiam tragar.
Mas os seios enfeitaram
Quatro noites de luar!
Passaram duas irmãs,
Cada uma transportando
Um cestinho de maçãs.
Mais duas maçãs levavam
De cada lado do peito,
Que como as outras boliam
Ao mais pequeno trejeito.
Teriam dezoito anos
(Ou teriam dezesseis?),
Cabelos loiros caindo
Em desmanchados anéis.
O cestinho das maçãs
Para onde vai bem no sei —
Cheinho, a deitar por fora,
Para o palácio do Rei.
— "Senhor Rei — aqui nos tendes
Sem pecado e sem defeito,
No tabuleiro bolindo
Ao mais pequeno trejeito" ...
Eram verdes as maçãs.
Não se podiam tragar.
Mas os seios enfeitaram
Quatro noites de luar!
1 088
Noel Nascimento
Astrovate
Fazedor de artes,
no tempo dos aeroplanos
tornei-me um astrovate.
Em frente à igrejinha
ao lado da escola,
haviam arrancado o pinheiro
— uma Torre de Babel vegetal —
antes que alcançara o céu.
Fora lá a plataforma
(largo onde atracavam os circos)
dos meus vôos iniciais.
Eu subia as ruas do arco-íris
no meu carrinho.
Na pipa,
me levava o vento
até o fim do carretel.
No balão,
seguia com os da Via Láctea,
tocha — o coração.
Comigo no clarão do lombo
corcoveava no ar
o boitatá.
Espelhavam um céu estrelado
os campos
com o lume dos pirilampos.
Eu deslizava de patins
pelas nuvens,
e meu pai ia me buscar
com a vara de marmelo.
Nas asas de uma borboleta,
vi a Terra multicor.
Nos Andes
eram as asa de um condor,
e sobre o Oriente
apenas um tapete voador.
Antes,
muito antes dos astronautas
dei uma volta pelo universo
na cauda de um cometa.
Com tecnologia de brinquedo
inventei uma astronave,
aprendi a dirigi-la
com um bando de andorinhas.
No primeiro lançamento
houve explosão na plataforma:
nove soldadinhos de chumbo
morreram.
Num passe de poesia,
batuta, pena ou pincel
fazem o prodígio:
vôo pelas pautas
de compasso em compasso:
pelas tintas, pelas palavras.
Viajo entre contos e lendas.
Tudo é real:
o País de Alice,
deslumbra-me o dos sacis-pererês.
A Terra viajo tão rápido
que a Itália parece a bota de sete léguas
do gigante.
Em órbita flutua,
mas dispara além da lua;
aprendiz de feiticeiro,
não sei como pará-la.
Quanto mais se distancia,
surge mais perto
como se a saudade a impelira.
Aumenta o nariz de Pinóquio
com a mentira,
acorda a Bela Adormecida
com um beijo,
uma bruxa muda gente
em sapo ou serpente,
o astrovate faz a sua nave
um condão de versos.
Com a fuselagem a coruscar nas entrelinhas
das estrelas,
o poema peregrina anunciando
a revolução da Fraternidade
para salvar a vida na Terra
com os encantos das historinhas.
no tempo dos aeroplanos
tornei-me um astrovate.
Em frente à igrejinha
ao lado da escola,
haviam arrancado o pinheiro
— uma Torre de Babel vegetal —
antes que alcançara o céu.
Fora lá a plataforma
(largo onde atracavam os circos)
dos meus vôos iniciais.
Eu subia as ruas do arco-íris
no meu carrinho.
Na pipa,
me levava o vento
até o fim do carretel.
No balão,
seguia com os da Via Láctea,
tocha — o coração.
Comigo no clarão do lombo
corcoveava no ar
o boitatá.
Espelhavam um céu estrelado
os campos
com o lume dos pirilampos.
Eu deslizava de patins
pelas nuvens,
e meu pai ia me buscar
com a vara de marmelo.
Nas asas de uma borboleta,
vi a Terra multicor.
Nos Andes
eram as asa de um condor,
e sobre o Oriente
apenas um tapete voador.
Antes,
muito antes dos astronautas
dei uma volta pelo universo
na cauda de um cometa.
Com tecnologia de brinquedo
inventei uma astronave,
aprendi a dirigi-la
com um bando de andorinhas.
No primeiro lançamento
houve explosão na plataforma:
nove soldadinhos de chumbo
morreram.
Num passe de poesia,
batuta, pena ou pincel
fazem o prodígio:
vôo pelas pautas
de compasso em compasso:
pelas tintas, pelas palavras.
Viajo entre contos e lendas.
Tudo é real:
o País de Alice,
deslumbra-me o dos sacis-pererês.
A Terra viajo tão rápido
que a Itália parece a bota de sete léguas
do gigante.
Em órbita flutua,
mas dispara além da lua;
aprendiz de feiticeiro,
não sei como pará-la.
Quanto mais se distancia,
surge mais perto
como se a saudade a impelira.
Aumenta o nariz de Pinóquio
com a mentira,
acorda a Bela Adormecida
com um beijo,
uma bruxa muda gente
em sapo ou serpente,
o astrovate faz a sua nave
um condão de versos.
Com a fuselagem a coruscar nas entrelinhas
das estrelas,
o poema peregrina anunciando
a revolução da Fraternidade
para salvar a vida na Terra
com os encantos das historinhas.
888
Natalício Barroso
Os Outros Hóspedes
E afinal quem és tu? E de que país maior do que este chegaste?
E quem te trouxe a esse quarto de hospedaria
e te deitou na cama onde já dormimos e esquecemos? Quem?
A tua esperança é como a dos eremitas que sempre esperam algo de
novo
e o teu silêncio, no ressoar das escadarias desse prédio,é como a de um
castelo morto a tiros.
Mas quem te trouxe? E quem te deu esse ar misterioso de quem vem
de alguma experiência trágica ou de algum lugar sagrado? Quem?
Nada, fora estas indagações, te anuncia.
Apenas a chuva, sobre o teto alto, e a luz tênue sobre o basculante
te mantêm calado e só como uma estátua estupidamente viva.
Mas nós te sentimos. Nós, os que partiram antes de ti
e passaram por aqui em busca da mesma agonia.
E quem te trouxe a esse quarto de hospedaria
e te deitou na cama onde já dormimos e esquecemos? Quem?
A tua esperança é como a dos eremitas que sempre esperam algo de
novo
e o teu silêncio, no ressoar das escadarias desse prédio,é como a de um
castelo morto a tiros.
Mas quem te trouxe? E quem te deu esse ar misterioso de quem vem
de alguma experiência trágica ou de algum lugar sagrado? Quem?
Nada, fora estas indagações, te anuncia.
Apenas a chuva, sobre o teto alto, e a luz tênue sobre o basculante
te mantêm calado e só como uma estátua estupidamente viva.
Mas nós te sentimos. Nós, os que partiram antes de ti
e passaram por aqui em busca da mesma agonia.
944
Natalício Barroso
A Pasta
Um dia me surpreendi.
Havia um raio de sol escondido no meu guarda-roupa.
Abriu a janela do meu quarto quando eu a abri,
e se projetou nas minhas roupas com as pontas dos meus dedos.
Era um raio de sol tão claro quanto um jado dágua na
escuridão
e me molhou o semblante de contentamento.
Mas foi passageiro.
Bastou vestir a calça comprida
e pôr a camisa depois dos sapatos
para o dia, entrando na minha pasta preta, se cobrir de luto nas minhas
mãos.
Havia um raio de sol escondido no meu guarda-roupa.
Abriu a janela do meu quarto quando eu a abri,
e se projetou nas minhas roupas com as pontas dos meus dedos.
Era um raio de sol tão claro quanto um jado dágua na
escuridão
e me molhou o semblante de contentamento.
Mas foi passageiro.
Bastou vestir a calça comprida
e pôr a camisa depois dos sapatos
para o dia, entrando na minha pasta preta, se cobrir de luto nas minhas
mãos.
970
Mário Simões
Lucy
Minha primavera de novo se enroupou,
Seguiu alegre em busca doutro destino...
O clarão amor, (fraco ou forte) é luz que sou;
Não troco a minha sorte por ser menino...
O teu doce lenitivo me adormece,
Embriagado no teu desejo fervente...
A aurora que o teu amanhecer me deu,
É a natureza livre do teu corpo quente...
Às vezes choro a flor da felicidade,
Este amor que me incendiou contigo...
Eu me deito no teu berço de mocidade,
Sob paixão que é meu abrigo...
Nossos corações ecoam o mesmo destino,
Ao ribombar do compasso imenso;
Lembrando o seu segredo de menino,
Dão largos voos com agitado tempo...
(In 9º. livro, Culpas Mortais)
Seguiu alegre em busca doutro destino...
O clarão amor, (fraco ou forte) é luz que sou;
Não troco a minha sorte por ser menino...
O teu doce lenitivo me adormece,
Embriagado no teu desejo fervente...
A aurora que o teu amanhecer me deu,
É a natureza livre do teu corpo quente...
Às vezes choro a flor da felicidade,
Este amor que me incendiou contigo...
Eu me deito no teu berço de mocidade,
Sob paixão que é meu abrigo...
Nossos corações ecoam o mesmo destino,
Ao ribombar do compasso imenso;
Lembrando o seu segredo de menino,
Dão largos voos com agitado tempo...
(In 9º. livro, Culpas Mortais)
1 000
Manuel Sobrinho
São Francisco
Ó triste e pobretã cidade maranhense!
Por que a eterna canção romântica das águas
Do velho Parnaíba onduloso não vence
Teu descontentamento e tuas fundas mágoas?
Por que já não te enfeita a pompa que outrora
ostentavas riqueza, orgulho e poderio?
Não vês que ao pé de ti o arvoredo se enflora
Ao beijo das manhãs translúcidas do estio?
Por que sofres assim? Por que definhas tanto?
Por que te pesa a cruz de tal adversidade?
Olha: a árvore remoça em teu subúrbio, e o canto
Das aves do teu céu traduz felicidade...
Por que tua cerviz dobras e não encaras
O céu, que nos dá força, em nosso desalento?
Vês? O Morro da Cruz e o Morro das Araras
Erguem a fronte larga à luz do firmamento...
Por que, perdendo a forma estética, te afeias,
Contrastando com tudo aí desse recanto,
Quando eu — que sou teu filho — eu sei que te rodeias
De infindáveis painéis do mais soberbo encanto?
Por que fazes, agora, humilde, curvaturas
A tudo o que enfrentaste, outrora, com denodo?
É que, nas asas do ouro, ontem galgaste alturas,
E hoje, rastejas, pobre e anônima, no lodo.
Por que a eterna canção romântica das águas
Do velho Parnaíba onduloso não vence
Teu descontentamento e tuas fundas mágoas?
Por que já não te enfeita a pompa que outrora
ostentavas riqueza, orgulho e poderio?
Não vês que ao pé de ti o arvoredo se enflora
Ao beijo das manhãs translúcidas do estio?
Por que sofres assim? Por que definhas tanto?
Por que te pesa a cruz de tal adversidade?
Olha: a árvore remoça em teu subúrbio, e o canto
Das aves do teu céu traduz felicidade...
Por que tua cerviz dobras e não encaras
O céu, que nos dá força, em nosso desalento?
Vês? O Morro da Cruz e o Morro das Araras
Erguem a fronte larga à luz do firmamento...
Por que, perdendo a forma estética, te afeias,
Contrastando com tudo aí desse recanto,
Quando eu — que sou teu filho — eu sei que te rodeias
De infindáveis painéis do mais soberbo encanto?
Por que fazes, agora, humilde, curvaturas
A tudo o que enfrentaste, outrora, com denodo?
É que, nas asas do ouro, ontem galgaste alturas,
E hoje, rastejas, pobre e anônima, no lodo.
756
Myriam Fraga
Barragem
Estrutura de cal
Subitamente o rio
(argila e metal)
Se recompõe
E pára.
Somente a fúria
Calma do gesto
Que se disfarça.
Barragem ou poço
(argamassa)
Simetria de iludidos
Nas linhas duras
Do cais.
Talvez a sombra
íris-pupila
Que se adelgaça.
Recua e passa.
Subitamente o rio
(argila e metal)
Se recompõe
E pára.
Somente a fúria
Calma do gesto
Que se disfarça.
Barragem ou poço
(argamassa)
Simetria de iludidos
Nas linhas duras
Do cais.
Talvez a sombra
íris-pupila
Que se adelgaça.
Recua e passa.
1 072
Miguel Russowsky
Noturno nº 2
Anseios de verão... Noite clara, sem bruma.
A lua argêntea adorna uma paisagem maga.
A flor perfuma... A lua brilha... O vento vaga
como doce carícia angelical de pluma.
As nuvens pelo céu — enfermeiras de espuma —
se prpõe a curar qualquer dorida chaga.
No silêncio dormita um repouso de saga.
A lua brilha... O vento vaga... A flor perfuma...
Uma fada de azul — fugitiva de lenda —
escreve em cada rosa uma nova armadilha.
Cupido ergue na sombra o seu punhal de renda.
Com preguiça o relógio esquece e compartilha...
Diana vai marcando um nome em cada agenda:
A flor perfuma... O vento vaga... A lua brilha...
A lua argêntea adorna uma paisagem maga.
A flor perfuma... A lua brilha... O vento vaga
como doce carícia angelical de pluma.
As nuvens pelo céu — enfermeiras de espuma —
se prpõe a curar qualquer dorida chaga.
No silêncio dormita um repouso de saga.
A lua brilha... O vento vaga... A flor perfuma...
Uma fada de azul — fugitiva de lenda —
escreve em cada rosa uma nova armadilha.
Cupido ergue na sombra o seu punhal de renda.
Com preguiça o relógio esquece e compartilha...
Diana vai marcando um nome em cada agenda:
A flor perfuma... O vento vaga... A lua brilha...
1 116
Miguel Russowsky
Noturno nº 2
Anseios de verão... Noite clara, sem bruma.
A lua argêntea adorna uma paisagem maga.
A flor perfuma... A lua brilha... O vento vaga
como doce carícia angelical de pluma.
As nuvens pelo céu — enfermeiras de espuma —
se prpõe a curar qualquer dorida chaga.
No silêncio dormita um repouso de saga.
A lua brilha... O vento vaga... A flor perfuma...
Uma fada de azul — fugitiva de lenda —
escreve em cada rosa uma nova armadilha.
Cupido ergue na sombra o seu punhal de renda.
Com preguiça o relógio esquece e compartilha...
Diana vai marcando um nome em cada agenda:
A flor perfuma... O vento vaga... A lua brilha...
A lua argêntea adorna uma paisagem maga.
A flor perfuma... A lua brilha... O vento vaga
como doce carícia angelical de pluma.
As nuvens pelo céu — enfermeiras de espuma —
se prpõe a curar qualquer dorida chaga.
No silêncio dormita um repouso de saga.
A lua brilha... O vento vaga... A flor perfuma...
Uma fada de azul — fugitiva de lenda —
escreve em cada rosa uma nova armadilha.
Cupido ergue na sombra o seu punhal de renda.
Com preguiça o relógio esquece e compartilha...
Diana vai marcando um nome em cada agenda:
A flor perfuma... O vento vaga... A lua brilha...
1 116
Miguel Russowsky
Noturno nº 2
Anseios de verão... Noite clara, sem bruma.
A lua argêntea adorna uma paisagem maga.
A flor perfuma... A lua brilha... O vento vaga
como doce carícia angelical de pluma.
As nuvens pelo céu — enfermeiras de espuma —
se prpõe a curar qualquer dorida chaga.
No silêncio dormita um repouso de saga.
A lua brilha... O vento vaga... A flor perfuma...
Uma fada de azul — fugitiva de lenda —
escreve em cada rosa uma nova armadilha.
Cupido ergue na sombra o seu punhal de renda.
Com preguiça o relógio esquece e compartilha...
Diana vai marcando um nome em cada agenda:
A flor perfuma... O vento vaga... A lua brilha...
A lua argêntea adorna uma paisagem maga.
A flor perfuma... A lua brilha... O vento vaga
como doce carícia angelical de pluma.
As nuvens pelo céu — enfermeiras de espuma —
se prpõe a curar qualquer dorida chaga.
No silêncio dormita um repouso de saga.
A lua brilha... O vento vaga... A flor perfuma...
Uma fada de azul — fugitiva de lenda —
escreve em cada rosa uma nova armadilha.
Cupido ergue na sombra o seu punhal de renda.
Com preguiça o relógio esquece e compartilha...
Diana vai marcando um nome em cada agenda:
A flor perfuma... O vento vaga... A lua brilha...
1 116
Menezes y Morais
Memórias (Caminhos de Estrelas)
Vênus incendiava teus cabelos naquela noite
em q caminhávamos refletidos nas águas
margens assassinadas do rio poti
e no mangal
eu viajei na constelação dos teus olhos
e te dizia
a vida vai além daquilo q a gente imagina
e a liberdade pode estar ali
na próxima esquina
e sobre os trilhos noturnos
convergendo olhares favelados
com a tua mão esquerda dentro da minha direita
sentimos o fogo estrelar daquela noite azul
no céu de teresina
e o vento soprou leve
sussurrando em tua boca
entre o rio e a cidade existe um caminho
onde o tempo cicatriza toda dor
em q caminhávamos refletidos nas águas
margens assassinadas do rio poti
e no mangal
eu viajei na constelação dos teus olhos
e te dizia
a vida vai além daquilo q a gente imagina
e a liberdade pode estar ali
na próxima esquina
e sobre os trilhos noturnos
convergendo olhares favelados
com a tua mão esquerda dentro da minha direita
sentimos o fogo estrelar daquela noite azul
no céu de teresina
e o vento soprou leve
sussurrando em tua boca
entre o rio e a cidade existe um caminho
onde o tempo cicatriza toda dor
885
Menezes y Morais
Memórias (Caminhos de Estrelas)
Vênus incendiava teus cabelos naquela noite
em q caminhávamos refletidos nas águas
margens assassinadas do rio poti
e no mangal
eu viajei na constelação dos teus olhos
e te dizia
a vida vai além daquilo q a gente imagina
e a liberdade pode estar ali
na próxima esquina
e sobre os trilhos noturnos
convergendo olhares favelados
com a tua mão esquerda dentro da minha direita
sentimos o fogo estrelar daquela noite azul
no céu de teresina
e o vento soprou leve
sussurrando em tua boca
entre o rio e a cidade existe um caminho
onde o tempo cicatriza toda dor
em q caminhávamos refletidos nas águas
margens assassinadas do rio poti
e no mangal
eu viajei na constelação dos teus olhos
e te dizia
a vida vai além daquilo q a gente imagina
e a liberdade pode estar ali
na próxima esquina
e sobre os trilhos noturnos
convergendo olhares favelados
com a tua mão esquerda dentro da minha direita
sentimos o fogo estrelar daquela noite azul
no céu de teresina
e o vento soprou leve
sussurrando em tua boca
entre o rio e a cidade existe um caminho
onde o tempo cicatriza toda dor
885
Mutimati
O Ferro
Como se faz o ferro perguntou agora esta criança pequena
Que é um pastor de cabritos e há de ser homem
E há de ser um homem melhor que sabe do ferro
Com coragem de ferro e um coração generoso.
Expliquei-lhe mal porque só sei o que vi
E ninguém me falou nunca mais completo.
Menino: Há uma pedra de ferro que vem da Terra
Há outra pedra carvão que vem da Terra
Faz um forno de Terra como uma cabeça redonda
E no lugar dos cabelos põe canudos de Terra
Com dentro pedra de ferro bem apertada
E enche aquela cabeça de boca pequena
Com pedras carvão da Terra, bem apertadas.
Casa toda esta Terra de sorrisos diferentes
Com o Fogo macho acendido na manhã baixa
Com o Padrinho Ar de Fole sempre a dizer piadas
E a Madrinha Água Pouca esperando
Para dizer a sua sentença importante.
O ferro é o que fica da boda dos quatro elementos
Por isso o ferreiro é um Homem sábio
Faz a enxada, faz a machada, faz faca.
Com a semente de ferro que semeou
Planta e colhe nesta especial Agricultura
Come um pão de ferro que faz o coração generoso
O Ferreiro, este camponês especial
Menino.
Quanto tempo vai ficar esta criança pequena
Sem uma resposta melhor mais completa?
Que é um pastor de cabritos e há de ser homem
E há de ser um homem melhor que sabe do ferro
Com coragem de ferro e um coração generoso.
Expliquei-lhe mal porque só sei o que vi
E ninguém me falou nunca mais completo.
Menino: Há uma pedra de ferro que vem da Terra
Há outra pedra carvão que vem da Terra
Faz um forno de Terra como uma cabeça redonda
E no lugar dos cabelos põe canudos de Terra
Com dentro pedra de ferro bem apertada
E enche aquela cabeça de boca pequena
Com pedras carvão da Terra, bem apertadas.
Casa toda esta Terra de sorrisos diferentes
Com o Fogo macho acendido na manhã baixa
Com o Padrinho Ar de Fole sempre a dizer piadas
E a Madrinha Água Pouca esperando
Para dizer a sua sentença importante.
O ferro é o que fica da boda dos quatro elementos
Por isso o ferreiro é um Homem sábio
Faz a enxada, faz a machada, faz faca.
Com a semente de ferro que semeou
Planta e colhe nesta especial Agricultura
Come um pão de ferro que faz o coração generoso
O Ferreiro, este camponês especial
Menino.
Quanto tempo vai ficar esta criança pequena
Sem uma resposta melhor mais completa?
2 051
Myriam Fraga
A Cidade
Foi plantada no mar
E entre corais se levanta.
O salitre é seu ar,
Sua coroa, sua trança
de salsugem,
Seu vestido de ametista,
Seu manto de sal
E musgo.
Armada em firme silêncio
Dependura-se dos montes
E tão precário equilíbrio
Se propõe
Que além da porta ou portada,
De janela ou de horizonte,
O que a sustenta é o mistério,
Triste chão, sombra vazia,
Tempo escorrendo das pedras,
Lacerado nas esquinas,
Tempo — sudário e guia.
Mas que fera (ou animal)
Esta cidade antiga
Com sua densa pupila
Espreitando entre torres,
Seu hálito de concha
A babujar segredos,
Deitada entre os meus pés,
Minha cadela e amiga.
Repete esta dureza
Este arfar entre dentes,
Seu pulmão de basalto
Onde a morte respira.
E nas sombras da tarde
Em sangue no poente,
Abre os olhos sem pálpebras
E dança. Em maresia
E estrelas afogada.
E nesta coreografia,
Sopro de antigas paisagens
Um calendário se arrasta,
Nas corroídas legendas
Apodrecidas fachadas
A mastigar as divisas
E outros símbolos manchados,
Nos brasões onde goteja
O limo do esquecimento.
Não fosse a imaginada
Profecia, face e apelo
Das inscrições lapidares
Palimpsesto ou astrolábio
Na pedra, na cal, nos muros,
Fendida casca de um mundo
Coagulado em memórias.
Restavam ossos e nomes,
Desassistida batalha
Contra o tempo. E esta cidade,
Com seu signo, seu quadrante
De cristal,
Sua mensagem de calcário,
Desfeita em vaga o soluço,
Mergulharia no espaço
Pássaro alado, albergália.
E entre corais se levanta.
O salitre é seu ar,
Sua coroa, sua trança
de salsugem,
Seu vestido de ametista,
Seu manto de sal
E musgo.
Armada em firme silêncio
Dependura-se dos montes
E tão precário equilíbrio
Se propõe
Que além da porta ou portada,
De janela ou de horizonte,
O que a sustenta é o mistério,
Triste chão, sombra vazia,
Tempo escorrendo das pedras,
Lacerado nas esquinas,
Tempo — sudário e guia.
Mas que fera (ou animal)
Esta cidade antiga
Com sua densa pupila
Espreitando entre torres,
Seu hálito de concha
A babujar segredos,
Deitada entre os meus pés,
Minha cadela e amiga.
Repete esta dureza
Este arfar entre dentes,
Seu pulmão de basalto
Onde a morte respira.
E nas sombras da tarde
Em sangue no poente,
Abre os olhos sem pálpebras
E dança. Em maresia
E estrelas afogada.
E nesta coreografia,
Sopro de antigas paisagens
Um calendário se arrasta,
Nas corroídas legendas
Apodrecidas fachadas
A mastigar as divisas
E outros símbolos manchados,
Nos brasões onde goteja
O limo do esquecimento.
Não fosse a imaginada
Profecia, face e apelo
Das inscrições lapidares
Palimpsesto ou astrolábio
Na pedra, na cal, nos muros,
Fendida casca de um mundo
Coagulado em memórias.
Restavam ossos e nomes,
Desassistida batalha
Contra o tempo. E esta cidade,
Com seu signo, seu quadrante
De cristal,
Sua mensagem de calcário,
Desfeita em vaga o soluço,
Mergulharia no espaço
Pássaro alado, albergália.
1 216
Mário Pederneiras
Trecho Final
Meia tinta de cor dos ocasos do Outono
Sonho que uma ilusão sobre a vida nos tece
E perfume sutil de uma folha de trevo,
São, decerto, a feição deste livro que escrevo
Neste ambiente de silêncio e sono
Nesta indolência de quem convalesce.
Meu livro é um jardim na doçura do Outono
E que a sombra amacia
De carinho e de afago
Da luz serena do final do dia;
É um velho jardim dolente e triste
Com um velho local de silêncio e de sono
Já sem luz de verão que o doire e tisne,
Mas onde ainda existe
O orgulho de um Cisne
E a água triste de um Lago.
Sonho que uma ilusão sobre a vida nos tece
E perfume sutil de uma folha de trevo,
São, decerto, a feição deste livro que escrevo
Neste ambiente de silêncio e sono
Nesta indolência de quem convalesce.
Meu livro é um jardim na doçura do Outono
E que a sombra amacia
De carinho e de afago
Da luz serena do final do dia;
É um velho jardim dolente e triste
Com um velho local de silêncio e de sono
Já sem luz de verão que o doire e tisne,
Mas onde ainda existe
O orgulho de um Cisne
E a água triste de um Lago.
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Mário Pederneiras
Trecho Final
Meia tinta de cor dos ocasos do Outono
Sonho que uma ilusão sobre a vida nos tece
E perfume sutil de uma folha de trevo,
São, decerto, a feição deste livro que escrevo
Neste ambiente de silêncio e sono
Nesta indolência de quem convalesce.
Meu livro é um jardim na doçura do Outono
E que a sombra amacia
De carinho e de afago
Da luz serena do final do dia;
É um velho jardim dolente e triste
Com um velho local de silêncio e de sono
Já sem luz de verão que o doire e tisne,
Mas onde ainda existe
O orgulho de um Cisne
E a água triste de um Lago.
Sonho que uma ilusão sobre a vida nos tece
E perfume sutil de uma folha de trevo,
São, decerto, a feição deste livro que escrevo
Neste ambiente de silêncio e sono
Nesta indolência de quem convalesce.
Meu livro é um jardim na doçura do Outono
E que a sombra amacia
De carinho e de afago
Da luz serena do final do dia;
É um velho jardim dolente e triste
Com um velho local de silêncio e de sono
Já sem luz de verão que o doire e tisne,
Mas onde ainda existe
O orgulho de um Cisne
E a água triste de um Lago.
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Marcelo Perrone
Serás feliz
Far-te-ei muito feliz.Te darei tudo o que precisares.
Aguçarei meu faro para saciar tuas necessidades.antes que tu possas notá-las.
Saciarei tua fome com frutosda minha horta de amor que regasdiariamente com teu olhar.
Encherei nosso quarto de flores todas as noitesSó para ver-te saindo do banheiro de camisolaE quando fores deitar-te tomarás cuidado para não amarrotar as rosas.
Não morrerei por ti...Morrerei contigo.Assim abraçadinho.Pois não deixareinem a morte machucar-te.
Para minha namorada Heloisa Ballura Castelo Branco.
A serem divulgadas no Jornal de Poesia
-Sem Data-
Aguçarei meu faro para saciar tuas necessidades.antes que tu possas notá-las.
Saciarei tua fome com frutosda minha horta de amor que regasdiariamente com teu olhar.
Encherei nosso quarto de flores todas as noitesSó para ver-te saindo do banheiro de camisolaE quando fores deitar-te tomarás cuidado para não amarrotar as rosas.
Não morrerei por ti...Morrerei contigo.Assim abraçadinho.Pois não deixareinem a morte machucar-te.
Para minha namorada Heloisa Ballura Castelo Branco.
A serem divulgadas no Jornal de Poesia
-Sem Data-
1 036
Manuel Sobrinho
Meu Sabiá
Subindo os alcantis, galgando o azul, varria
O áureo clarão da aurora as sombras no Nascente.
Sustenidos, bemóis, pelo festivo ambiente
Vibrava o passaredo, hinos entoando ao dia.
Vencendo pouco a pouco a tristeza e a apatia
Em que a envolvera a treva, inexoravelmente,
A natureza enfim livre e resplandecente,
Com régia majestade e intrepidez se erguia.
Tudo acordava e ria um rio amável, tudo!
Só na estreita gaiola, impassível e mudo,
Dir-se-ia meu sabiá num pensamento absorto...
É que — maldade humana! — o pobre passarinho,
De saudades, talvez, do profanado ninho,
Perdera a voz, que eu tanto ouvira... — Estava morto!
O áureo clarão da aurora as sombras no Nascente.
Sustenidos, bemóis, pelo festivo ambiente
Vibrava o passaredo, hinos entoando ao dia.
Vencendo pouco a pouco a tristeza e a apatia
Em que a envolvera a treva, inexoravelmente,
A natureza enfim livre e resplandecente,
Com régia majestade e intrepidez se erguia.
Tudo acordava e ria um rio amável, tudo!
Só na estreita gaiola, impassível e mudo,
Dir-se-ia meu sabiá num pensamento absorto...
É que — maldade humana! — o pobre passarinho,
De saudades, talvez, do profanado ninho,
Perdera a voz, que eu tanto ouvira... — Estava morto!
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