Natureza e Elementos
José Maria de Barros Pinho
A Gramática nos olhos da Amada
Qual o adjetivo
para os olhos da amada
os olhos da amada
se confundem com o mar
ora verde ora azul
na cor do triste
no salmo da alegria
semântica da noite
metáfora da madrugada
as sílabas do vento
nos olhos da amada
o verbo amar edifica
os acentos da solidão
olhos do mar olhos do rio
olhos de serpente sem veneno
olhos de mulher olhos de sonhos
que guardei para viver no ponto do luar.
28.06.97
José Maria de Barros Pinho
A Gramática nos olhos da Amada
Qual o adjetivo
para os olhos da amada
os olhos da amada
se confundem com o mar
ora verde ora azul
na cor do triste
no salmo da alegria
semântica da noite
metáfora da madrugada
as sílabas do vento
nos olhos da amada
o verbo amar edifica
os acentos da solidão
olhos do mar olhos do rio
olhos de serpente sem veneno
olhos de mulher olhos de sonhos
que guardei para viver no ponto do luar.
28.06.97
Branquinho da Fonseca
O Arquipélago das Sereias
Em que andei no mar
Por caminhos de ir,
Nunca de voltar!
Veio a tempestade
Perder-se do mundo,
Fez-se o céu infindo,
Fez-se o mar sem fundo!
Ai como era grande
O mundo e a vida
Se a nau, tendo estrela,
Vogava perdida!
E que lindas eram
Lá em Portugal
Aquelas meninas
No seu laranjal!
E o cavalo branco
Também lá o via
Que tão belo e alado
Nenhum outro havia!
Mundo que não era,
Terras nunca vistas!
Tive eu de perder-me
Pra que tu existas.
Ó nau Catarineta
Perdida no mar,
Não te percas ainda,
Vem-me cá buscar!
Birão Santana
Desembotar
e capto sons
num borbulhar de emoções.
São grilos, cigarras, pássaros.
Insetos da noite,
farfalhar de vento em coqueiro,
bananeira, canavial.
Absoluta ausência
de sons, ruídos,
dos homens
e suas máquinas.
Todo ouvidos,
insiro em meu sub-consciente
a cristalina sinfonia.
Incorporo-a, indelével,
e saio,
misturando-me aos homens
e suas máquinas,
sem ouvi-los
e a ouvir
num borbulhar de emoções
grilos, cigarras, pássaros,
insetos, farfalhar de coqueiro,
bananeira, canavial.
Aymar Mendonça
Canto de Alma e Flores
com o canto da consciência
Há pinheiros bordados na toalha
e perfume de hortênsias no jardim
No grito estridente do grilo
vão-se as horas
e num galho seco
a cotovia canta
Mas chega a noite
a chama da lamparina oscila
e na toalha
os pinheiros deixam cair folhas mortas
Amo esse quadro
esse recanto em que me escondo
E me preparo
para colher as flores da manhã.
Aymar Mendonça
Canto de Alma e Flores
com o canto da consciência
Há pinheiros bordados na toalha
e perfume de hortênsias no jardim
No grito estridente do grilo
vão-se as horas
e num galho seco
a cotovia canta
Mas chega a noite
a chama da lamparina oscila
e na toalha
os pinheiros deixam cair folhas mortas
Amo esse quadro
esse recanto em que me escondo
E me preparo
para colher as flores da manhã.
Aymar Mendonça
Canto de Alma e Flores
com o canto da consciência
Há pinheiros bordados na toalha
e perfume de hortênsias no jardim
No grito estridente do grilo
vão-se as horas
e num galho seco
a cotovia canta
Mas chega a noite
a chama da lamparina oscila
e na toalha
os pinheiros deixam cair folhas mortas
Amo esse quadro
esse recanto em que me escondo
E me preparo
para colher as flores da manhã.
Aymar Mendonça
Do Tempo
a marca de carneiros
emancipados
O giro das cirandas
travando a liberdade das esferas
E na eclosão das uvas, mães do vinho
a saudação telúrica dos pâmpanos
As aranhas tecendo mandalas
os relógios registrando ausências
enquanto a mariposa adeja sem rumo
tentando frustrar a arrogância dos ventos
num incontido descaso do amanhã
Cumprem-se as sentenças do Universo
e o Tempo se traja de compromissos.
Aymar Mendonça
Karma
louvar a luz do sol
fugir da neve que estilhaça
O vento
o vento em manhãs de rocio
e á noite o fanal das madrugadas
em portos ancestrais
Gente de olhar gris e têmpora marcada
ou gente aos trapos
tropa de trapos
e o rio a correr
levando troncos e cardumes.
Marcelo Batalha
A Cada Segundo
Choro por ti
Rogo por ti
Busco o teu cantar
Em cada murmúrio das ondas do mar
Pensamento perdido
Danço sem ti
Transo sem ti
Mando o meu cantar
Por cada raio brilhante de luar
Por muitas praias caminhei
Por muitas trilhas procurei
Teu rosto me surge em cada brisa vespertina
Em cada roseira a florir...
E cada pétala que cai exala teu cheiro
Esse perfume que, insensato, insiste em me seduzir
Mas não cheguei primeiro
Coração partido
Longe de ti
Lembro de ti
Canto o nosso amar
Perdido em cada insistente lágrima a rolar
Beatriz Alcântara
Réveillon
encontrou-a virgem pura
distribuindo uvas
gritando imprudente:
— Feliz Ano Novo!
Depois desejou uma nuvem
caminhou na esteira da lua
ouviu o canto da pedra
bebeu o hálito do orvalho
chorou o anil do branco
e ao desprender-se da janela
contraiu núpcias com o ano que findou.
Bruno Araújo de Melo
Deserto no Litoral
Poderia trazer de volta a magia dos inocentes...
Mas o vento soprou forte
E até que ponto fomos levados
Para longe da costa?
Ainda ontem tentei lembrar
E... Que engraçado!
Todo o passado sorria!
Às vezes penso em fazer as malas,
Mas desisto quando vejo
Que todo lugar é como aqui:
As pessoas sufocam o tempo
E deixam de lado as ondas do mar
Que ainda ontem batiam tão bonitas
Nas pedras que miravam a liberdade.
Vem!
Me dá a mão!
Vamos sair daqui
Dessa cidade,
E vamos andar!
E quem sabe um dia
Quando os anjos cantarem
Num ato extremo de doçura
Nossos olhos não divisem
Uma forma concreta de sorriso?
Agora toda culpa é o que devemos fazer
Para fugir desse imenso deserto no litoral.
Arthur Fortes
Noite de Estio
De um artista genial, de um noturno pintor,
Que o seu painel debuxa assim como se fora
Em pleno mês de maio uma campina em flor!
A sua imensa tela é quase que sem cor!...
Fantástico jardim que rápido se enflora
Ao traço magistral do oculto sonhador
Que alvas rosas de luz espalha espaço em fora!
Para realce talvez uns traços carregados,
São por pontos de luz, vivamente rasgados
Aqui, ali, além, nalgum canto vazio!
E todo esse esplendor, e toda essa magia,
Se repetem constante assim que morre o dia
E cai por sobre a terra uma noite de estio.
Arthur Fortes
Noite de Estio
De um artista genial, de um noturno pintor,
Que o seu painel debuxa assim como se fora
Em pleno mês de maio uma campina em flor!
A sua imensa tela é quase que sem cor!...
Fantástico jardim que rápido se enflora
Ao traço magistral do oculto sonhador
Que alvas rosas de luz espalha espaço em fora!
Para realce talvez uns traços carregados,
São por pontos de luz, vivamente rasgados
Aqui, ali, além, nalgum canto vazio!
E todo esse esplendor, e toda essa magia,
Se repetem constante assim que morre o dia
E cai por sobre a terra uma noite de estio.
Artur Eduardo Benevides
Numa Sexta-Feira de Junho
Quão cheio de esperanças me perdi!
Ao ver-te em plenitude te sofri,
Sentindo-te mais forte do que o vinho.
Saudades. E não vens. Mas adivinho
Como estejas agora por aí.
E juro que ao olhar-te me senti
Como quem nuvens colhe num caminho.
És o sol que me guia ou que me aquece.
És a valsa distante, da quermesse.
És o trigo do sonho a florescer.
Penso em teu rosto fino e delicado
E mesmo ao ver-me assim, tão desolado,
Já quase morto estando, vou viver!
Aymar Mendonça
Prismático
o bico da gralha azul
Ali a casa de fogo
o riso desvairado
o céu aquecido de astracã
A gralha azulando o tempo
a cumeeira se desmistificando
e os olhos contemplando
os segredos da casa que sorri
Prelúdio de aurora.
Aymar Mendonça
Prismático
o bico da gralha azul
Ali a casa de fogo
o riso desvairado
o céu aquecido de astracã
A gralha azulando o tempo
a cumeeira se desmistificando
e os olhos contemplando
os segredos da casa que sorri
Prelúdio de aurora.
Aymar Mendonça
Palavras
Aqui nos repetimos, no intuito de levar a nossos leitores algo que vagueia nos labirintos da fala. O mistério, às vezes, condiz com a beleza da arte. É-nos importante lançar idéias positivas: fomentar o tormento não faz sentido.
Cada um de nós é responsável pela alegria do mundo porque fazemos parte de toda essa loucura que passeia pelo tempo.
Não podemos deixar que nossos olhos se molhem no pranto de ontem.
Bruno Araújo de Melo
A Tentativa dos Sonâmbulos
E conversar com muita gente;
E ver o por-do-sol;
E crer no sol queimando lentamente.
Todo o tempo do mundo
Para mim que estou tão só
Refazer as pinturas
Nesses quadros
Que criei
Enquanto sonhava;
Ainda quero ver
Pessoas rindo sem pensar
Que há tanta lágrima
No fim de tudo.
E quero ver também
O mundo todo se alegrar
Ao perceber que as coisas
Tem um jeito próprio.
E não precisa ser perfeito
O nosso álbum de retratos;
Sempre há momentos ruins...
Um dia iremos nos lembrar
Sem julgamento algum, de tudo.
Sabendo que o que fizemos,
Foi uma tentativa
De fazer a vida
Mais feliz.