Poemas neste tema
Natureza e Elementos
Alcides Werk
Do Tempo Entre Duas Águas
A mãe-do-rio virá com suas águas poderosas,
e inundará a várzea,
e cobrirá os jutais e os tapiris,
e invadirá os domínios da mata.
Minha gente conhecerá, ainda uma vez,
o espanto da enchente
e a ilusão dos jutais e das lamas humosas,
e se refugiará nas marombas
com seus animais
e as sementes de novas esperanças.
Os peixes se multiplicarão nos igapós,
e o rio doará à varzea a fertilidade das águas.
As florestas indomadas guardarão, ainda,
as riquezas da terra firme
e o segredo milenar das nossas jazidas.
Então,
convocaremos a força benéfica
que desobstruirá os canais dos nossos sonhos,
e iluminará os nossos corações;
e nos ensinará os caminhos da urbe,
com suas indústrias e seu comércio,
em que não seremos um amontoado de seres revoltados;
e nos ensinará os caminhos da várzea,
em que cultivaremos os nossos alimentos,
sem sermos consumidos pelas águas;
e nos ensinará os caminhos da terra firme,
em que apaziguaremos as florestas e o subsolo,
sem enveredarmos por transamazônicas impossíveis.
E o espírito da cidade será um bom companheiro,
e não nos punirá a cada dia
por nossas vidas;
e a mãe-do-rio permanecerá fértil e generosa,
e apascentará os cardumes
que alimentarão nossos filhos;
e o senhor da mata
porá nos nossos lábios a palavra certa
para o diálogo com as árvores e com a terra.
E terá chegado a hora
em que perpetuaremos o gesto simples
do amanho e da partilha justa,
entre nós mesmos,
dos nossos bens.
e inundará a várzea,
e cobrirá os jutais e os tapiris,
e invadirá os domínios da mata.
Minha gente conhecerá, ainda uma vez,
o espanto da enchente
e a ilusão dos jutais e das lamas humosas,
e se refugiará nas marombas
com seus animais
e as sementes de novas esperanças.
Os peixes se multiplicarão nos igapós,
e o rio doará à varzea a fertilidade das águas.
As florestas indomadas guardarão, ainda,
as riquezas da terra firme
e o segredo milenar das nossas jazidas.
Então,
convocaremos a força benéfica
que desobstruirá os canais dos nossos sonhos,
e iluminará os nossos corações;
e nos ensinará os caminhos da urbe,
com suas indústrias e seu comércio,
em que não seremos um amontoado de seres revoltados;
e nos ensinará os caminhos da várzea,
em que cultivaremos os nossos alimentos,
sem sermos consumidos pelas águas;
e nos ensinará os caminhos da terra firme,
em que apaziguaremos as florestas e o subsolo,
sem enveredarmos por transamazônicas impossíveis.
E o espírito da cidade será um bom companheiro,
e não nos punirá a cada dia
por nossas vidas;
e a mãe-do-rio permanecerá fértil e generosa,
e apascentará os cardumes
que alimentarão nossos filhos;
e o senhor da mata
porá nos nossos lábios a palavra certa
para o diálogo com as árvores e com a terra.
E terá chegado a hora
em que perpetuaremos o gesto simples
do amanho e da partilha justa,
entre nós mesmos,
dos nossos bens.
1 210
Alcides Werk
Da Noite do Rio
Nesta noite sem medida
eu todo banhado em sombras
fugi de casa, fugi
para o branco desta praia,
como se a aurora que busco
neste rio se afogou.
Preciso acordar o rio
que está cansado de viagens
para ver se me alivio
da morte que trago em mim
com falas de cobras-grandes
e de mortos pescadores
que fazem parte do rio
e estão assim como estou.
No céu repleto de nuvens
há nuvens cheias de chuva:
por que não chove? Quisera
molhar-me dentro da noite,
tremer de fome e de frio
por remissão de meus males
deixar meu corpo vazio
guardando o castelo inútil
e partir buscando a aurora
para que venha depressa
banhar as águas do rio
e minha face marcada
dos ventos com que lutei.
eu todo banhado em sombras
fugi de casa, fugi
para o branco desta praia,
como se a aurora que busco
neste rio se afogou.
Preciso acordar o rio
que está cansado de viagens
para ver se me alivio
da morte que trago em mim
com falas de cobras-grandes
e de mortos pescadores
que fazem parte do rio
e estão assim como estou.
No céu repleto de nuvens
há nuvens cheias de chuva:
por que não chove? Quisera
molhar-me dentro da noite,
tremer de fome e de frio
por remissão de meus males
deixar meu corpo vazio
guardando o castelo inútil
e partir buscando a aurora
para que venha depressa
banhar as águas do rio
e minha face marcada
dos ventos com que lutei.
1 407
Alcides Werk
Da Noite do Rio
Nesta noite sem medida
eu todo banhado em sombras
fugi de casa, fugi
para o branco desta praia,
como se a aurora que busco
neste rio se afogou.
Preciso acordar o rio
que está cansado de viagens
para ver se me alivio
da morte que trago em mim
com falas de cobras-grandes
e de mortos pescadores
que fazem parte do rio
e estão assim como estou.
No céu repleto de nuvens
há nuvens cheias de chuva:
por que não chove? Quisera
molhar-me dentro da noite,
tremer de fome e de frio
por remissão de meus males
deixar meu corpo vazio
guardando o castelo inútil
e partir buscando a aurora
para que venha depressa
banhar as águas do rio
e minha face marcada
dos ventos com que lutei.
eu todo banhado em sombras
fugi de casa, fugi
para o branco desta praia,
como se a aurora que busco
neste rio se afogou.
Preciso acordar o rio
que está cansado de viagens
para ver se me alivio
da morte que trago em mim
com falas de cobras-grandes
e de mortos pescadores
que fazem parte do rio
e estão assim como estou.
No céu repleto de nuvens
há nuvens cheias de chuva:
por que não chove? Quisera
molhar-me dentro da noite,
tremer de fome e de frio
por remissão de meus males
deixar meu corpo vazio
guardando o castelo inútil
e partir buscando a aurora
para que venha depressa
banhar as águas do rio
e minha face marcada
dos ventos com que lutei.
1 407
Aymar Mendonça
Karma
Saber travar o gosto da framboesa
louvar a luz do sol
fugir da neve que estilhaça
O vento
o vento em manhãs de rocio
e á noite o fanal das madrugadas
em portos ancestrais
Gente de olhar gris e têmpora marcada
ou gente aos trapos
tropa de trapos
e o rio a correr
levando troncos e cardumes.
louvar a luz do sol
fugir da neve que estilhaça
O vento
o vento em manhãs de rocio
e á noite o fanal das madrugadas
em portos ancestrais
Gente de olhar gris e têmpora marcada
ou gente aos trapos
tropa de trapos
e o rio a correr
levando troncos e cardumes.
945
Artur Eduardo Benevides
Numa Sexta-Feira de Junho
Saudades. Todas tuas. Quão sozinho!
Quão cheio de esperanças me perdi!
Ao ver-te em plenitude te sofri,
Sentindo-te mais forte do que o vinho.
Saudades. E não vens. Mas adivinho
Como estejas agora por aí.
E juro que ao olhar-te me senti
Como quem nuvens colhe num caminho.
És o sol que me guia ou que me aquece.
És a valsa distante, da quermesse.
És o trigo do sonho a florescer.
Penso em teu rosto fino e delicado
E mesmo ao ver-me assim, tão desolado,
Já quase morto estando, vou viver!
Quão cheio de esperanças me perdi!
Ao ver-te em plenitude te sofri,
Sentindo-te mais forte do que o vinho.
Saudades. E não vens. Mas adivinho
Como estejas agora por aí.
E juro que ao olhar-te me senti
Como quem nuvens colhe num caminho.
És o sol que me guia ou que me aquece.
És a valsa distante, da quermesse.
És o trigo do sonho a florescer.
Penso em teu rosto fino e delicado
E mesmo ao ver-me assim, tão desolado,
Já quase morto estando, vou viver!
1 265
Branquinho da Fonseca
Castanheiros, Irmãos
Ó castanheiros de folhas de ouro,
Carregados de ouriços que são ninhos
Onde as castanhas dormem como noivos!
Troncos abertos,
Casas abertas,
Ao vosso abrigo
Dormem os pobres,
Pegam no sono,
Passam as noites
Quando cai neve!
Peitos vazios,
Escancarados,
Sem nada dentro,
Nem coração!
Dais lume, calor
E dais sustento para a mesa,
E dais o mais que eu não sei!...
Ó castanheiros de folhas de ouro,
Apenas sou vosso irmão
Em que a terra vos criou
E criou-me a mim também;
Em que vós ergueis os braços
Suplicantes para os céus
E eu também levanto os meus...
Ah! Castanheiros, mas eu
Grito e vós ficais calados!
Seremos, por isto só,
Irmãos? Seremos? Não sei:
Vós tendes roupas de rei,
Eu tenho roupas de Job;
Vós só gritais quando o vento
Vos abre a boca e fustiga:
Então ergueis um clamor...
— Não calo nunca no peito
A dor do meu sofrimento
E nunca chego a dize-la,
Nem há ninguém que me diga.
Ó castanheiros de folha de ouro,
Não,
Eu não sou vosso irmão!...
Carregados de ouriços que são ninhos
Onde as castanhas dormem como noivos!
Troncos abertos,
Casas abertas,
Ao vosso abrigo
Dormem os pobres,
Pegam no sono,
Passam as noites
Quando cai neve!
Peitos vazios,
Escancarados,
Sem nada dentro,
Nem coração!
Dais lume, calor
E dais sustento para a mesa,
E dais o mais que eu não sei!...
Ó castanheiros de folhas de ouro,
Apenas sou vosso irmão
Em que a terra vos criou
E criou-me a mim também;
Em que vós ergueis os braços
Suplicantes para os céus
E eu também levanto os meus...
Ah! Castanheiros, mas eu
Grito e vós ficais calados!
Seremos, por isto só,
Irmãos? Seremos? Não sei:
Vós tendes roupas de rei,
Eu tenho roupas de Job;
Vós só gritais quando o vento
Vos abre a boca e fustiga:
Então ergueis um clamor...
— Não calo nunca no peito
A dor do meu sofrimento
E nunca chego a dize-la,
Nem há ninguém que me diga.
Ó castanheiros de folha de ouro,
Não,
Eu não sou vosso irmão!...
2 142
Branquinho da Fonseca
Castanheiros, Irmãos
Ó castanheiros de folhas de ouro,
Carregados de ouriços que são ninhos
Onde as castanhas dormem como noivos!
Troncos abertos,
Casas abertas,
Ao vosso abrigo
Dormem os pobres,
Pegam no sono,
Passam as noites
Quando cai neve!
Peitos vazios,
Escancarados,
Sem nada dentro,
Nem coração!
Dais lume, calor
E dais sustento para a mesa,
E dais o mais que eu não sei!...
Ó castanheiros de folhas de ouro,
Apenas sou vosso irmão
Em que a terra vos criou
E criou-me a mim também;
Em que vós ergueis os braços
Suplicantes para os céus
E eu também levanto os meus...
Ah! Castanheiros, mas eu
Grito e vós ficais calados!
Seremos, por isto só,
Irmãos? Seremos? Não sei:
Vós tendes roupas de rei,
Eu tenho roupas de Job;
Vós só gritais quando o vento
Vos abre a boca e fustiga:
Então ergueis um clamor...
— Não calo nunca no peito
A dor do meu sofrimento
E nunca chego a dize-la,
Nem há ninguém que me diga.
Ó castanheiros de folha de ouro,
Não,
Eu não sou vosso irmão!...
Carregados de ouriços que são ninhos
Onde as castanhas dormem como noivos!
Troncos abertos,
Casas abertas,
Ao vosso abrigo
Dormem os pobres,
Pegam no sono,
Passam as noites
Quando cai neve!
Peitos vazios,
Escancarados,
Sem nada dentro,
Nem coração!
Dais lume, calor
E dais sustento para a mesa,
E dais o mais que eu não sei!...
Ó castanheiros de folhas de ouro,
Apenas sou vosso irmão
Em que a terra vos criou
E criou-me a mim também;
Em que vós ergueis os braços
Suplicantes para os céus
E eu também levanto os meus...
Ah! Castanheiros, mas eu
Grito e vós ficais calados!
Seremos, por isto só,
Irmãos? Seremos? Não sei:
Vós tendes roupas de rei,
Eu tenho roupas de Job;
Vós só gritais quando o vento
Vos abre a boca e fustiga:
Então ergueis um clamor...
— Não calo nunca no peito
A dor do meu sofrimento
E nunca chego a dize-la,
Nem há ninguém que me diga.
Ó castanheiros de folha de ouro,
Não,
Eu não sou vosso irmão!...
2 142
Aymar Mendonça
Do Tempo
No flanco das rochas
a marca de carneiros
emancipados
O giro das cirandas
travando a liberdade das esferas
E na eclosão das uvas, mães do vinho
a saudação telúrica dos pâmpanos
As aranhas tecendo mandalas
os relógios registrando ausências
enquanto a mariposa adeja sem rumo
tentando frustrar a arrogância dos ventos
num incontido descaso do amanhã
Cumprem-se as sentenças do Universo
e o Tempo se traja de compromissos.
a marca de carneiros
emancipados
O giro das cirandas
travando a liberdade das esferas
E na eclosão das uvas, mães do vinho
a saudação telúrica dos pâmpanos
As aranhas tecendo mandalas
os relógios registrando ausências
enquanto a mariposa adeja sem rumo
tentando frustrar a arrogância dos ventos
num incontido descaso do amanhã
Cumprem-se as sentenças do Universo
e o Tempo se traja de compromissos.
907
Branquinho da Fonseca
O Arquipélago das Sereias
Ó nau Catarineta
Em que andei no mar
Por caminhos de ir,
Nunca de voltar!
Veio a tempestade
Perder-se do mundo,
Fez-se o céu infindo,
Fez-se o mar sem fundo!
Ai como era grande
O mundo e a vida
Se a nau, tendo estrela,
Vogava perdida!
E que lindas eram
Lá em Portugal
Aquelas meninas
No seu laranjal!
E o cavalo branco
Também lá o via
Que tão belo e alado
Nenhum outro havia!
Mundo que não era,
Terras nunca vistas!
Tive eu de perder-me
Pra que tu existas.
Ó nau Catarineta
Perdida no mar,
Não te percas ainda,
Vem-me cá buscar!
Em que andei no mar
Por caminhos de ir,
Nunca de voltar!
Veio a tempestade
Perder-se do mundo,
Fez-se o céu infindo,
Fez-se o mar sem fundo!
Ai como era grande
O mundo e a vida
Se a nau, tendo estrela,
Vogava perdida!
E que lindas eram
Lá em Portugal
Aquelas meninas
No seu laranjal!
E o cavalo branco
Também lá o via
Que tão belo e alado
Nenhum outro havia!
Mundo que não era,
Terras nunca vistas!
Tive eu de perder-me
Pra que tu existas.
Ó nau Catarineta
Perdida no mar,
Não te percas ainda,
Vem-me cá buscar!
2 061
Beatriz Alcântara
Tiradentes
O perfume da dama da noite apouca
séculos de vielas íngremes
tempo cansado de ver subir descer
ruas de pedra vermelha roliça
a entremear-se com outra em lâmina.
O perfume da dama da noite destouca
Lembranças da inconfidência insubmissa
enquanto a igreja no alto de portões cerrados
parece não acreditar por não se ofender
pecados de hoje já por tantos sussurrados.
O perfume da dama da noite touca
a brisa que volteia jardins e casas
candeeiros solitários de chama mortiça
amigos à volta da mesa grande a comer
jantar entre vinho e risos preparado.
O perfume da dama da noite treslouca
quem a vida dos outros cobiça
não aceita pelo amor viver sobre brasas
com os encantos namorados sente desprazer
gemidos a ecoarem no coração angustiado.
séculos de vielas íngremes
tempo cansado de ver subir descer
ruas de pedra vermelha roliça
a entremear-se com outra em lâmina.
O perfume da dama da noite destouca
Lembranças da inconfidência insubmissa
enquanto a igreja no alto de portões cerrados
parece não acreditar por não se ofender
pecados de hoje já por tantos sussurrados.
O perfume da dama da noite touca
a brisa que volteia jardins e casas
candeeiros solitários de chama mortiça
amigos à volta da mesa grande a comer
jantar entre vinho e risos preparado.
O perfume da dama da noite treslouca
quem a vida dos outros cobiça
não aceita pelo amor viver sobre brasas
com os encantos namorados sente desprazer
gemidos a ecoarem no coração angustiado.
1 016
Bruno Araújo de Melo
Deserto no Litoral
E sempre achávamos que o próximo minuto
Poderia trazer de volta a magia dos inocentes...
Mas o vento soprou forte
E até que ponto fomos levados
Para longe da costa?
Ainda ontem tentei lembrar
E... Que engraçado!
Todo o passado sorria!
Às vezes penso em fazer as malas,
Mas desisto quando vejo
Que todo lugar é como aqui:
As pessoas sufocam o tempo
E deixam de lado as ondas do mar
Que ainda ontem batiam tão bonitas
Nas pedras que miravam a liberdade.
Vem!
Me dá a mão!
Vamos sair daqui
Dessa cidade,
E vamos andar!
E quem sabe um dia
Quando os anjos cantarem
Num ato extremo de doçura
Nossos olhos não divisem
Uma forma concreta de sorriso?
Agora toda culpa é o que devemos fazer
Para fugir desse imenso deserto no litoral.
Poderia trazer de volta a magia dos inocentes...
Mas o vento soprou forte
E até que ponto fomos levados
Para longe da costa?
Ainda ontem tentei lembrar
E... Que engraçado!
Todo o passado sorria!
Às vezes penso em fazer as malas,
Mas desisto quando vejo
Que todo lugar é como aqui:
As pessoas sufocam o tempo
E deixam de lado as ondas do mar
Que ainda ontem batiam tão bonitas
Nas pedras que miravam a liberdade.
Vem!
Me dá a mão!
Vamos sair daqui
Dessa cidade,
E vamos andar!
E quem sabe um dia
Quando os anjos cantarem
Num ato extremo de doçura
Nossos olhos não divisem
Uma forma concreta de sorriso?
Agora toda culpa é o que devemos fazer
Para fugir desse imenso deserto no litoral.
729
Marcelo Batalha
A Cada Segundo
Pranto escondido
Choro por ti
Rogo por ti
Busco o teu cantar
Em cada murmúrio das ondas do mar
Pensamento perdido
Danço sem ti
Transo sem ti
Mando o meu cantar
Por cada raio brilhante de luar
Por muitas praias caminhei
Por muitas trilhas procurei
Teu rosto me surge em cada brisa vespertina
Em cada roseira a florir...
E cada pétala que cai exala teu cheiro
Esse perfume que, insensato, insiste em me seduzir
Mas não cheguei primeiro
Coração partido
Longe de ti
Lembro de ti
Canto o nosso amar
Perdido em cada insistente lágrima a rolar
Choro por ti
Rogo por ti
Busco o teu cantar
Em cada murmúrio das ondas do mar
Pensamento perdido
Danço sem ti
Transo sem ti
Mando o meu cantar
Por cada raio brilhante de luar
Por muitas praias caminhei
Por muitas trilhas procurei
Teu rosto me surge em cada brisa vespertina
Em cada roseira a florir...
E cada pétala que cai exala teu cheiro
Esse perfume que, insensato, insiste em me seduzir
Mas não cheguei primeiro
Coração partido
Longe de ti
Lembro de ti
Canto o nosso amar
Perdido em cada insistente lágrima a rolar
803
Aymar Mendonça
Canto de Alma e Flores
Fantasio a alma
com o canto da consciência
Há pinheiros bordados na toalha
e perfume de hortênsias no jardim
No grito estridente do grilo
vão-se as horas
e num galho seco
a cotovia canta
Mas chega a noite
a chama da lamparina oscila
e na toalha
os pinheiros deixam cair folhas mortas
Amo esse quadro
esse recanto em que me escondo
E me preparo
para colher as flores da manhã.
com o canto da consciência
Há pinheiros bordados na toalha
e perfume de hortênsias no jardim
No grito estridente do grilo
vão-se as horas
e num galho seco
a cotovia canta
Mas chega a noite
a chama da lamparina oscila
e na toalha
os pinheiros deixam cair folhas mortas
Amo esse quadro
esse recanto em que me escondo
E me preparo
para colher as flores da manhã.
964
Aymar Mendonça
Canto de Alma e Flores
Fantasio a alma
com o canto da consciência
Há pinheiros bordados na toalha
e perfume de hortênsias no jardim
No grito estridente do grilo
vão-se as horas
e num galho seco
a cotovia canta
Mas chega a noite
a chama da lamparina oscila
e na toalha
os pinheiros deixam cair folhas mortas
Amo esse quadro
esse recanto em que me escondo
E me preparo
para colher as flores da manhã.
com o canto da consciência
Há pinheiros bordados na toalha
e perfume de hortênsias no jardim
No grito estridente do grilo
vão-se as horas
e num galho seco
a cotovia canta
Mas chega a noite
a chama da lamparina oscila
e na toalha
os pinheiros deixam cair folhas mortas
Amo esse quadro
esse recanto em que me escondo
E me preparo
para colher as flores da manhã.
964
Aymar Mendonça
Canto de Alma e Flores
Fantasio a alma
com o canto da consciência
Há pinheiros bordados na toalha
e perfume de hortênsias no jardim
No grito estridente do grilo
vão-se as horas
e num galho seco
a cotovia canta
Mas chega a noite
a chama da lamparina oscila
e na toalha
os pinheiros deixam cair folhas mortas
Amo esse quadro
esse recanto em que me escondo
E me preparo
para colher as flores da manhã.
com o canto da consciência
Há pinheiros bordados na toalha
e perfume de hortênsias no jardim
No grito estridente do grilo
vão-se as horas
e num galho seco
a cotovia canta
Mas chega a noite
a chama da lamparina oscila
e na toalha
os pinheiros deixam cair folhas mortas
Amo esse quadro
esse recanto em que me escondo
E me preparo
para colher as flores da manhã.
964
Beatriz Alcântara
Réveillon
A noite feita de copos
encontrou-a virgem pura
distribuindo uvas
gritando imprudente:
— Feliz Ano Novo!
Depois desejou uma nuvem
caminhou na esteira da lua
ouviu o canto da pedra
bebeu o hálito do orvalho
chorou o anil do branco
e ao desprender-se da janela
contraiu núpcias com o ano que findou.
encontrou-a virgem pura
distribuindo uvas
gritando imprudente:
— Feliz Ano Novo!
Depois desejou uma nuvem
caminhou na esteira da lua
ouviu o canto da pedra
bebeu o hálito do orvalho
chorou o anil do branco
e ao desprender-se da janela
contraiu núpcias com o ano que findou.
995
Beatriz Alcântara
Morbidez
Encontrei-te outra vez
triste e sombria
correndo solitária e cruel
nos áridos campos do cinza.
Encontramo-nos na destimidez
dos teus passos gélidos
tingidos de fel
a confundirem-se na traça
com os anjos da noite.
Encontrei-te morbidez
uivando verdades e volúpia
ao ritmo irreprimível
das outonias rajadas de vento
a volatilizarem célula após célula.
Encontramo-nos sobre a palidez
tenebrosa e jovem
em boda só compatível
de celebração na crueldade
de teu frio tumular.
Encontrei-te morte
e não era ainda minha vez.
triste e sombria
correndo solitária e cruel
nos áridos campos do cinza.
Encontramo-nos na destimidez
dos teus passos gélidos
tingidos de fel
a confundirem-se na traça
com os anjos da noite.
Encontrei-te morbidez
uivando verdades e volúpia
ao ritmo irreprimível
das outonias rajadas de vento
a volatilizarem célula após célula.
Encontramo-nos sobre a palidez
tenebrosa e jovem
em boda só compatível
de celebração na crueldade
de teu frio tumular.
Encontrei-te morte
e não era ainda minha vez.
1 011
Beatriz Alcântara
Morbidez
Encontrei-te outra vez
triste e sombria
correndo solitária e cruel
nos áridos campos do cinza.
Encontramo-nos na destimidez
dos teus passos gélidos
tingidos de fel
a confundirem-se na traça
com os anjos da noite.
Encontrei-te morbidez
uivando verdades e volúpia
ao ritmo irreprimível
das outonias rajadas de vento
a volatilizarem célula após célula.
Encontramo-nos sobre a palidez
tenebrosa e jovem
em boda só compatível
de celebração na crueldade
de teu frio tumular.
Encontrei-te morte
e não era ainda minha vez.
triste e sombria
correndo solitária e cruel
nos áridos campos do cinza.
Encontramo-nos na destimidez
dos teus passos gélidos
tingidos de fel
a confundirem-se na traça
com os anjos da noite.
Encontrei-te morbidez
uivando verdades e volúpia
ao ritmo irreprimível
das outonias rajadas de vento
a volatilizarem célula após célula.
Encontramo-nos sobre a palidez
tenebrosa e jovem
em boda só compatível
de celebração na crueldade
de teu frio tumular.
Encontrei-te morte
e não era ainda minha vez.
1 011
Aymar Mendonça
Palavras
O aclive convida-nos à luta. Anima-nos a aventura da escalada: ela nos leva a antever Polymnia no cimo da montanha. Alçamos os braços como a querer sondar o Infinito, na busca dos encantos da musa, de seu aconchego.
Aqui nos repetimos, no intuito de levar a nossos leitores algo que vagueia nos labirintos da fala. O mistério, às vezes, condiz com a beleza da arte. É-nos importante lançar idéias positivas: fomentar o tormento não faz sentido.
Cada um de nós é responsável pela alegria do mundo porque fazemos parte de toda essa loucura que passeia pelo tempo.
Não podemos deixar que nossos olhos se molhem no pranto de ontem.
Aqui nos repetimos, no intuito de levar a nossos leitores algo que vagueia nos labirintos da fala. O mistério, às vezes, condiz com a beleza da arte. É-nos importante lançar idéias positivas: fomentar o tormento não faz sentido.
Cada um de nós é responsável pela alegria do mundo porque fazemos parte de toda essa loucura que passeia pelo tempo.
Não podemos deixar que nossos olhos se molhem no pranto de ontem.
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