Poemas neste tema
Outros
Fernando Tavares Rodrigues
A Ti
Aos trista e sete anos do teu corpo,
Às vinte e quatro horas da tua carne
E ao desejo que , às vezes, é tão pouco
E ao amor que,mesmo assim, ainda arde
Ao ciíme da tua boca, quando calas
Ao silêncio dos teus olhos, quando choras
E aos teus braços nus, quando me abraças
E ao teu ventre que é tão breve quando parto.
E às tuas esperanças vãs que eu alimento
A ao ópio do teu sonho onde me tardo,
E a ti onde, afinal, não aconteço....
Às vinte e quatro horas da tua carne
E ao desejo que , às vezes, é tão pouco
E ao amor que,mesmo assim, ainda arde
Ao ciíme da tua boca, quando calas
Ao silêncio dos teus olhos, quando choras
E aos teus braços nus, quando me abraças
E ao teu ventre que é tão breve quando parto.
E às tuas esperanças vãs que eu alimento
A ao ópio do teu sonho onde me tardo,
E a ti onde, afinal, não aconteço....
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Angela Santos
Strip-Tease
Escancaro
para o mundo
o dentro de mim
em puras exibições de strip-tease da alma
Desnudo-me pelo avesso
adornado de sedas, rendas e cetins
e o avesso se contorce nas palavras
ao jeito de dançarina, comerciando prazer
Vislumbro plateias ávidas,
pupilas inchadas, linguas humidas avermelhadas
exibindo-se ante o languido
arquejar de minha alma
O dentro de mim realiza o sortilegio
o secreto desejo que me habita,
dispo-me inteira pelo avesso
e na nudez primordial da chegada
ofereço-me a visão da minha própria luxuria.
Nas palavras que são corpo, dor, prazer
no palco branco de uma página vazia
nos fluídos de tinta, que rasgam meu ser
na energia pura de clarões que me atravessa
atinjo o êxtase pelo avesso de mim.
para o mundo
o dentro de mim
em puras exibições de strip-tease da alma
Desnudo-me pelo avesso
adornado de sedas, rendas e cetins
e o avesso se contorce nas palavras
ao jeito de dançarina, comerciando prazer
Vislumbro plateias ávidas,
pupilas inchadas, linguas humidas avermelhadas
exibindo-se ante o languido
arquejar de minha alma
O dentro de mim realiza o sortilegio
o secreto desejo que me habita,
dispo-me inteira pelo avesso
e na nudez primordial da chegada
ofereço-me a visão da minha própria luxuria.
Nas palavras que são corpo, dor, prazer
no palco branco de uma página vazia
nos fluídos de tinta, que rasgam meu ser
na energia pura de clarões que me atravessa
atinjo o êxtase pelo avesso de mim.
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Angela Santos
Strip-Tease
Escancaro
para o mundo
o dentro de mim
em puras exibições de strip-tease da alma
Desnudo-me pelo avesso
adornado de sedas, rendas e cetins
e o avesso se contorce nas palavras
ao jeito de dançarina, comerciando prazer
Vislumbro plateias ávidas,
pupilas inchadas, linguas humidas avermelhadas
exibindo-se ante o languido
arquejar de minha alma
O dentro de mim realiza o sortilegio
o secreto desejo que me habita,
dispo-me inteira pelo avesso
e na nudez primordial da chegada
ofereço-me a visão da minha própria luxuria.
Nas palavras que são corpo, dor, prazer
no palco branco de uma página vazia
nos fluídos de tinta, que rasgam meu ser
na energia pura de clarões que me atravessa
atinjo o êxtase pelo avesso de mim.
para o mundo
o dentro de mim
em puras exibições de strip-tease da alma
Desnudo-me pelo avesso
adornado de sedas, rendas e cetins
e o avesso se contorce nas palavras
ao jeito de dançarina, comerciando prazer
Vislumbro plateias ávidas,
pupilas inchadas, linguas humidas avermelhadas
exibindo-se ante o languido
arquejar de minha alma
O dentro de mim realiza o sortilegio
o secreto desejo que me habita,
dispo-me inteira pelo avesso
e na nudez primordial da chegada
ofereço-me a visão da minha própria luxuria.
Nas palavras que são corpo, dor, prazer
no palco branco de uma página vazia
nos fluídos de tinta, que rasgam meu ser
na energia pura de clarões que me atravessa
atinjo o êxtase pelo avesso de mim.
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Angela Santos
Strip-Tease
Escancaro
para o mundo
o dentro de mim
em puras exibições de strip-tease da alma
Desnudo-me pelo avesso
adornado de sedas, rendas e cetins
e o avesso se contorce nas palavras
ao jeito de dançarina, comerciando prazer
Vislumbro plateias ávidas,
pupilas inchadas, linguas humidas avermelhadas
exibindo-se ante o languido
arquejar de minha alma
O dentro de mim realiza o sortilegio
o secreto desejo que me habita,
dispo-me inteira pelo avesso
e na nudez primordial da chegada
ofereço-me a visão da minha própria luxuria.
Nas palavras que são corpo, dor, prazer
no palco branco de uma página vazia
nos fluídos de tinta, que rasgam meu ser
na energia pura de clarões que me atravessa
atinjo o êxtase pelo avesso de mim.
para o mundo
o dentro de mim
em puras exibições de strip-tease da alma
Desnudo-me pelo avesso
adornado de sedas, rendas e cetins
e o avesso se contorce nas palavras
ao jeito de dançarina, comerciando prazer
Vislumbro plateias ávidas,
pupilas inchadas, linguas humidas avermelhadas
exibindo-se ante o languido
arquejar de minha alma
O dentro de mim realiza o sortilegio
o secreto desejo que me habita,
dispo-me inteira pelo avesso
e na nudez primordial da chegada
ofereço-me a visão da minha própria luxuria.
Nas palavras que são corpo, dor, prazer
no palco branco de uma página vazia
nos fluídos de tinta, que rasgam meu ser
na energia pura de clarões que me atravessa
atinjo o êxtase pelo avesso de mim.
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Angela Santos
Cristais
Abri nossos
peitos
como quem rasga a rocha virgem
e nela procura sinais antigos sedimentados ler…
Olhei o
teu peito a custo se abrindo
imanando luz, e de luz sedento
inscrições
antigas ao sol emergiam
refulgindo dizeres que busquei saber
e aos meus
olhos, o teu peito era
um nocturno incêndio
queimando em silêncio
silencio
de pérolas, pérolas de gelo
rolando sobre o meu
Expus o
meu peito porque nele eu quis
ver o que acontece sobre rocha virgem
depois de rasgada se desnudando à luz.
Olhei dentro
do que somos,
com olhos de chama viva
buscando ainda a centelha
que há-de brilhar na noite
e atravessar os cristais incrustados neste tempo
que transcorre sobre nós
Por essa
chama estendi
meus olhos para além dos dias
e com esses olhos vi dentro dos finos cristais
procurando ir mais longe disso que sente em mim.
E foi na
rocha rasgada,
que em meu peito descobri,
que a traços leves gravei
o esboço de um porto e até um cais de chegada
e desenhei na esperança
a ponte que atravessa
sombras, dúvidas e até a certeza
de que vou onde me leva
minha estrela - guia
peitos
como quem rasga a rocha virgem
e nela procura sinais antigos sedimentados ler…
Olhei o
teu peito a custo se abrindo
imanando luz, e de luz sedento
inscrições
antigas ao sol emergiam
refulgindo dizeres que busquei saber
e aos meus
olhos, o teu peito era
um nocturno incêndio
queimando em silêncio
silencio
de pérolas, pérolas de gelo
rolando sobre o meu
Expus o
meu peito porque nele eu quis
ver o que acontece sobre rocha virgem
depois de rasgada se desnudando à luz.
Olhei dentro
do que somos,
com olhos de chama viva
buscando ainda a centelha
que há-de brilhar na noite
e atravessar os cristais incrustados neste tempo
que transcorre sobre nós
Por essa
chama estendi
meus olhos para além dos dias
e com esses olhos vi dentro dos finos cristais
procurando ir mais longe disso que sente em mim.
E foi na
rocha rasgada,
que em meu peito descobri,
que a traços leves gravei
o esboço de um porto e até um cais de chegada
e desenhei na esperança
a ponte que atravessa
sombras, dúvidas e até a certeza
de que vou onde me leva
minha estrela - guia
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1
Angela Santos
Jogo de Palavras
Desatei
o emaranhado do sentir
e com simples palavras arrumei a cabeça
de uma forma única
Deixei crescer e avançar o poema
Ao ritmo de palavras simples
que não são diferentes das que usamos sempre
que dizemos pão ou dizemos paz
se dizemos dor, punhal silêncio e sol
se dizemos amor, seda ou espinhos
se dizemos dia, música e ventania
se dizemos saudade e ao dize-la a sentimos
Com palavras toscas, simples ou debruadas
fazemos sentido, deixamos recados
recados da alma
que emergem dos cantos onde entra a luz
ou desses lugares lúgubres e sombrios
mas sempre a palavra será esse fio
o que nos conduz
ao lado de fora desses labirintos.
Amo na palavra
esse modo único de ser e dizer
e que simples seja
pra fazer a vez do gesto que toca,
do olho que explode
do corpo que tremulo exala paixão
Que a palavra diga, simplesmente diga
e não faça nunca o papel da vida,
mas se como ela é
pulsão, sangue, corrente e grito
quando à boca assoma a palavra certa
é a própria vida
que em si mesma digo.
o emaranhado do sentir
e com simples palavras arrumei a cabeça
de uma forma única
Deixei crescer e avançar o poema
Ao ritmo de palavras simples
que não são diferentes das que usamos sempre
que dizemos pão ou dizemos paz
se dizemos dor, punhal silêncio e sol
se dizemos amor, seda ou espinhos
se dizemos dia, música e ventania
se dizemos saudade e ao dize-la a sentimos
Com palavras toscas, simples ou debruadas
fazemos sentido, deixamos recados
recados da alma
que emergem dos cantos onde entra a luz
ou desses lugares lúgubres e sombrios
mas sempre a palavra será esse fio
o que nos conduz
ao lado de fora desses labirintos.
Amo na palavra
esse modo único de ser e dizer
e que simples seja
pra fazer a vez do gesto que toca,
do olho que explode
do corpo que tremulo exala paixão
Que a palavra diga, simplesmente diga
e não faça nunca o papel da vida,
mas se como ela é
pulsão, sangue, corrente e grito
quando à boca assoma a palavra certa
é a própria vida
que em si mesma digo.
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1
Angela Santos
Jogo de Palavras
Desatei
o emaranhado do sentir
e com simples palavras arrumei a cabeça
de uma forma única
Deixei crescer e avançar o poema
Ao ritmo de palavras simples
que não são diferentes das que usamos sempre
que dizemos pão ou dizemos paz
se dizemos dor, punhal silêncio e sol
se dizemos amor, seda ou espinhos
se dizemos dia, música e ventania
se dizemos saudade e ao dize-la a sentimos
Com palavras toscas, simples ou debruadas
fazemos sentido, deixamos recados
recados da alma
que emergem dos cantos onde entra a luz
ou desses lugares lúgubres e sombrios
mas sempre a palavra será esse fio
o que nos conduz
ao lado de fora desses labirintos.
Amo na palavra
esse modo único de ser e dizer
e que simples seja
pra fazer a vez do gesto que toca,
do olho que explode
do corpo que tremulo exala paixão
Que a palavra diga, simplesmente diga
e não faça nunca o papel da vida,
mas se como ela é
pulsão, sangue, corrente e grito
quando à boca assoma a palavra certa
é a própria vida
que em si mesma digo.
o emaranhado do sentir
e com simples palavras arrumei a cabeça
de uma forma única
Deixei crescer e avançar o poema
Ao ritmo de palavras simples
que não são diferentes das que usamos sempre
que dizemos pão ou dizemos paz
se dizemos dor, punhal silêncio e sol
se dizemos amor, seda ou espinhos
se dizemos dia, música e ventania
se dizemos saudade e ao dize-la a sentimos
Com palavras toscas, simples ou debruadas
fazemos sentido, deixamos recados
recados da alma
que emergem dos cantos onde entra a luz
ou desses lugares lúgubres e sombrios
mas sempre a palavra será esse fio
o que nos conduz
ao lado de fora desses labirintos.
Amo na palavra
esse modo único de ser e dizer
e que simples seja
pra fazer a vez do gesto que toca,
do olho que explode
do corpo que tremulo exala paixão
Que a palavra diga, simplesmente diga
e não faça nunca o papel da vida,
mas se como ela é
pulsão, sangue, corrente e grito
quando à boca assoma a palavra certa
é a própria vida
que em si mesma digo.
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Fernando Fabião
Estava à Tua Espera
Estava
á tua espera
Desde o começo do mundo
No sentido da água dos indícios do fogo
Pousaste o olhar
Na luz que tardava
E em redor a neve ardeu
Havia uma casa
Um endereço uma magnólia incendiada
A nada alterou o itinerário das aves
Estava á tua espera
Desde o começo do mundo
Na despedida dos anjos
No rumor matinal de Abril
Com parcimónia escrevo
Num talento breve e ao abrigo da noite
As razões desta areia iluminada
á tua espera
Desde o começo do mundo
No sentido da água dos indícios do fogo
Pousaste o olhar
Na luz que tardava
E em redor a neve ardeu
Havia uma casa
Um endereço uma magnólia incendiada
A nada alterou o itinerário das aves
Estava á tua espera
Desde o começo do mundo
Na despedida dos anjos
No rumor matinal de Abril
Com parcimónia escrevo
Num talento breve e ao abrigo da noite
As razões desta areia iluminada
986
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Fernando Fabião
Estava à Tua Espera
Estava
á tua espera
Desde o começo do mundo
No sentido da água dos indícios do fogo
Pousaste o olhar
Na luz que tardava
E em redor a neve ardeu
Havia uma casa
Um endereço uma magnólia incendiada
A nada alterou o itinerário das aves
Estava á tua espera
Desde o começo do mundo
Na despedida dos anjos
No rumor matinal de Abril
Com parcimónia escrevo
Num talento breve e ao abrigo da noite
As razões desta areia iluminada
á tua espera
Desde o começo do mundo
No sentido da água dos indícios do fogo
Pousaste o olhar
Na luz que tardava
E em redor a neve ardeu
Havia uma casa
Um endereço uma magnólia incendiada
A nada alterou o itinerário das aves
Estava á tua espera
Desde o começo do mundo
Na despedida dos anjos
No rumor matinal de Abril
Com parcimónia escrevo
Num talento breve e ao abrigo da noite
As razões desta areia iluminada
986
1
Angela Santos
Auscultação
Agora
paro mais vezes,
paro e perscruto o silencio…
escuto, sem saber bem o que oiço
Quem sabe se a voz do mundo,
como o correr silencioso de um rio,
a espraiar-se na foz de um poema,
palavra a palavra erguido
construindo um sentido.
E se paro, e oiço, sinto "isto"…
e isto que sinto, como dize-lo?
isto que arranco a um lugar em mim,
ou a um lugar longe que de mim se acerca,
como voz que com o vento chegasse
quando eu em silencio posta.
Talvez que do coração
"isso" não seja mais que o sussurro,
colhido naquele instante
em que a mente se ausenta
para lhe dar voz.
paro mais vezes,
paro e perscruto o silencio…
escuto, sem saber bem o que oiço
Quem sabe se a voz do mundo,
como o correr silencioso de um rio,
a espraiar-se na foz de um poema,
palavra a palavra erguido
construindo um sentido.
E se paro, e oiço, sinto "isto"…
e isto que sinto, como dize-lo?
isto que arranco a um lugar em mim,
ou a um lugar longe que de mim se acerca,
como voz que com o vento chegasse
quando eu em silencio posta.
Talvez que do coração
"isso" não seja mais que o sussurro,
colhido naquele instante
em que a mente se ausenta
para lhe dar voz.
1 210
1
Angela Santos
Auscultação
Agora
paro mais vezes,
paro e perscruto o silencio…
escuto, sem saber bem o que oiço
Quem sabe se a voz do mundo,
como o correr silencioso de um rio,
a espraiar-se na foz de um poema,
palavra a palavra erguido
construindo um sentido.
E se paro, e oiço, sinto "isto"…
e isto que sinto, como dize-lo?
isto que arranco a um lugar em mim,
ou a um lugar longe que de mim se acerca,
como voz que com o vento chegasse
quando eu em silencio posta.
Talvez que do coração
"isso" não seja mais que o sussurro,
colhido naquele instante
em que a mente se ausenta
para lhe dar voz.
paro mais vezes,
paro e perscruto o silencio…
escuto, sem saber bem o que oiço
Quem sabe se a voz do mundo,
como o correr silencioso de um rio,
a espraiar-se na foz de um poema,
palavra a palavra erguido
construindo um sentido.
E se paro, e oiço, sinto "isto"…
e isto que sinto, como dize-lo?
isto que arranco a um lugar em mim,
ou a um lugar longe que de mim se acerca,
como voz que com o vento chegasse
quando eu em silencio posta.
Talvez que do coração
"isso" não seja mais que o sussurro,
colhido naquele instante
em que a mente se ausenta
para lhe dar voz.
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Angela Santos
Auscultação
Agora
paro mais vezes,
paro e perscruto o silencio…
escuto, sem saber bem o que oiço
Quem sabe se a voz do mundo,
como o correr silencioso de um rio,
a espraiar-se na foz de um poema,
palavra a palavra erguido
construindo um sentido.
E se paro, e oiço, sinto "isto"…
e isto que sinto, como dize-lo?
isto que arranco a um lugar em mim,
ou a um lugar longe que de mim se acerca,
como voz que com o vento chegasse
quando eu em silencio posta.
Talvez que do coração
"isso" não seja mais que o sussurro,
colhido naquele instante
em que a mente se ausenta
para lhe dar voz.
paro mais vezes,
paro e perscruto o silencio…
escuto, sem saber bem o que oiço
Quem sabe se a voz do mundo,
como o correr silencioso de um rio,
a espraiar-se na foz de um poema,
palavra a palavra erguido
construindo um sentido.
E se paro, e oiço, sinto "isto"…
e isto que sinto, como dize-lo?
isto que arranco a um lugar em mim,
ou a um lugar longe que de mim se acerca,
como voz que com o vento chegasse
quando eu em silencio posta.
Talvez que do coração
"isso" não seja mais que o sussurro,
colhido naquele instante
em que a mente se ausenta
para lhe dar voz.
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Fernando Fabião
Das Coisas que Ardem
Das coisas
que ardem
Falarei da rebentação da luz
Do vidro desfeito nas mãos
Da conspiração do vento
Na tua face
Falarei da inteligência das casas
Pensadas pelas mãos sonhadoras
Dos oficiantes da pedra
E da melancolia
Das coisas que ardem
Falarei do prodígio dos barcos
Rasgando o azul
Do reduto cintilante das aves
Do que arde e permanece
só os olhos sabem
O que no interior das cores
É cinza celeste.
que ardem
Falarei da rebentação da luz
Do vidro desfeito nas mãos
Da conspiração do vento
Na tua face
Falarei da inteligência das casas
Pensadas pelas mãos sonhadoras
Dos oficiantes da pedra
E da melancolia
Das coisas que ardem
Falarei do prodígio dos barcos
Rasgando o azul
Do reduto cintilante das aves
Do que arde e permanece
só os olhos sabem
O que no interior das cores
É cinza celeste.
1 416
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Fernando Fabião
Das Coisas que Ardem
Das coisas
que ardem
Falarei da rebentação da luz
Do vidro desfeito nas mãos
Da conspiração do vento
Na tua face
Falarei da inteligência das casas
Pensadas pelas mãos sonhadoras
Dos oficiantes da pedra
E da melancolia
Das coisas que ardem
Falarei do prodígio dos barcos
Rasgando o azul
Do reduto cintilante das aves
Do que arde e permanece
só os olhos sabem
O que no interior das cores
É cinza celeste.
que ardem
Falarei da rebentação da luz
Do vidro desfeito nas mãos
Da conspiração do vento
Na tua face
Falarei da inteligência das casas
Pensadas pelas mãos sonhadoras
Dos oficiantes da pedra
E da melancolia
Das coisas que ardem
Falarei do prodígio dos barcos
Rasgando o azul
Do reduto cintilante das aves
Do que arde e permanece
só os olhos sabem
O que no interior das cores
É cinza celeste.
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Fernando Fabião
Das Coisas que Ardem
Das coisas
que ardem
Falarei da rebentação da luz
Do vidro desfeito nas mãos
Da conspiração do vento
Na tua face
Falarei da inteligência das casas
Pensadas pelas mãos sonhadoras
Dos oficiantes da pedra
E da melancolia
Das coisas que ardem
Falarei do prodígio dos barcos
Rasgando o azul
Do reduto cintilante das aves
Do que arde e permanece
só os olhos sabem
O que no interior das cores
É cinza celeste.
que ardem
Falarei da rebentação da luz
Do vidro desfeito nas mãos
Da conspiração do vento
Na tua face
Falarei da inteligência das casas
Pensadas pelas mãos sonhadoras
Dos oficiantes da pedra
E da melancolia
Das coisas que ardem
Falarei do prodígio dos barcos
Rasgando o azul
Do reduto cintilante das aves
Do que arde e permanece
só os olhos sabem
O que no interior das cores
É cinza celeste.
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Joaquim Pessoa
Não vou pôr-te flores de laranjeira no cabelo
Não vou pôr-te flores de laranjeira no cabelo
nem fazer explodir a madrugada nos teus olhos.
Eu quero apenas amar-te lentamente
como se todo o tempo fosse nosso
como se todo o tempo fosse pouco
como se nem sequer houvesse tempo.
Soltar os teus seios.
Despir as tuas ancas.
Apunhalar de amor o teu ventre.
nem fazer explodir a madrugada nos teus olhos.
Eu quero apenas amar-te lentamente
como se todo o tempo fosse nosso
como se todo o tempo fosse pouco
como se nem sequer houvesse tempo.
Soltar os teus seios.
Despir as tuas ancas.
Apunhalar de amor o teu ventre.
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1
Angela Santos
Espelho
Olhei
em teus olhos
como quem se debruça sobre um rio sereno
e olhando bem no fundo
pressenti a mágoa e vi os sinais,
os sulcos as marcas gravadas
trazidas pelo caminhar....
Olhei tua fronte adornada
aqui e ali por levíssimos fios de prata
e a tua boca linda, vermelho sangue …
e desejei-te…
Nos teus olhos eu li,
a verdade que sentira
no teu rosto entendi a madureza
que trazes em ti
na tua boca o beijo pressentido
que o timbre da palavra
deixou em mim
Nas tuas palavras, a sabedoria, a inteireza,
a verdade , a alegria, a mágoa, a serenidade
e até a luz eu senti…
a luz-guia que nos leva ao cerne de almas irmãs
ao fundo do coração que treme
ao desejo lume que nos consome
ao sonho que nos traz juntas
e à vida que ligou
nossos caminhos aqui.
em teus olhos
como quem se debruça sobre um rio sereno
e olhando bem no fundo
pressenti a mágoa e vi os sinais,
os sulcos as marcas gravadas
trazidas pelo caminhar....
Olhei tua fronte adornada
aqui e ali por levíssimos fios de prata
e a tua boca linda, vermelho sangue …
e desejei-te…
Nos teus olhos eu li,
a verdade que sentira
no teu rosto entendi a madureza
que trazes em ti
na tua boca o beijo pressentido
que o timbre da palavra
deixou em mim
Nas tuas palavras, a sabedoria, a inteireza,
a verdade , a alegria, a mágoa, a serenidade
e até a luz eu senti…
a luz-guia que nos leva ao cerne de almas irmãs
ao fundo do coração que treme
ao desejo lume que nos consome
ao sonho que nos traz juntas
e à vida que ligou
nossos caminhos aqui.
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Angela Santos
Espelho
Olhei
em teus olhos
como quem se debruça sobre um rio sereno
e olhando bem no fundo
pressenti a mágoa e vi os sinais,
os sulcos as marcas gravadas
trazidas pelo caminhar....
Olhei tua fronte adornada
aqui e ali por levíssimos fios de prata
e a tua boca linda, vermelho sangue …
e desejei-te…
Nos teus olhos eu li,
a verdade que sentira
no teu rosto entendi a madureza
que trazes em ti
na tua boca o beijo pressentido
que o timbre da palavra
deixou em mim
Nas tuas palavras, a sabedoria, a inteireza,
a verdade , a alegria, a mágoa, a serenidade
e até a luz eu senti…
a luz-guia que nos leva ao cerne de almas irmãs
ao fundo do coração que treme
ao desejo lume que nos consome
ao sonho que nos traz juntas
e à vida que ligou
nossos caminhos aqui.
em teus olhos
como quem se debruça sobre um rio sereno
e olhando bem no fundo
pressenti a mágoa e vi os sinais,
os sulcos as marcas gravadas
trazidas pelo caminhar....
Olhei tua fronte adornada
aqui e ali por levíssimos fios de prata
e a tua boca linda, vermelho sangue …
e desejei-te…
Nos teus olhos eu li,
a verdade que sentira
no teu rosto entendi a madureza
que trazes em ti
na tua boca o beijo pressentido
que o timbre da palavra
deixou em mim
Nas tuas palavras, a sabedoria, a inteireza,
a verdade , a alegria, a mágoa, a serenidade
e até a luz eu senti…
a luz-guia que nos leva ao cerne de almas irmãs
ao fundo do coração que treme
ao desejo lume que nos consome
ao sonho que nos traz juntas
e à vida que ligou
nossos caminhos aqui.
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Angela Santos
Saudade do Futuro
Na
boca
ainda o gosto da tua
no corpo
indeléveis sinais do teu
no coração
a indomada saudade de ti...
Nos olhos da alma
um mar e uma caravela
circunavegando a memória
olhando o que foi, como se fosse agora,
passado presente que lançou a ponte
futuro que caminha em direcção ao que somos....
esse tempo que trabalha o que faremos de nós
no lugar onde eu e tu escreveremos de novo
belas páginas de uma história.
boca
ainda o gosto da tua
no corpo
indeléveis sinais do teu
no coração
a indomada saudade de ti...
Nos olhos da alma
um mar e uma caravela
circunavegando a memória
olhando o que foi, como se fosse agora,
passado presente que lançou a ponte
futuro que caminha em direcção ao que somos....
esse tempo que trabalha o que faremos de nós
no lugar onde eu e tu escreveremos de novo
belas páginas de uma história.
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Angela Santos
A Casa do Silêncio
Sabes, na
luminosidade difusa
Do cair do dia
Nos interstícios de sombra e luz
Sobe-me ao peito o tremor
Que vem dos tempos
Sem memória
Em que o teu nome era o nome
que eu sem saber
em mim trazia
Difusa a luz da memória
incide sobre a estreita nesga
e é por ela que entram
os sinais onde te leio
e só no silencio entendo
o pretérito que não sei dizer
És
antes do tempo que atravesso
sei-o nas entrelinhas do meu ser....
e é na tua voz que acordo
de um sono milenar.
Nela regresso ao espelho
Onde de novo te vejo
mas esse fundo do fundo
da palavra não consentida.
De olhos fechados tacteio
como cego a luz perdida
e abro de par em par
um mui antigo portal
e a nave do silencio
que o tempo vence, atravessa-o
E nesse lugar sem nome
de todos os nomes guarida,
a voz do vento desvenda
o nome que desde sempre
no fundo do meu ser se abriga.
luminosidade difusa
Do cair do dia
Nos interstícios de sombra e luz
Sobe-me ao peito o tremor
Que vem dos tempos
Sem memória
Em que o teu nome era o nome
que eu sem saber
em mim trazia
Difusa a luz da memória
incide sobre a estreita nesga
e é por ela que entram
os sinais onde te leio
e só no silencio entendo
o pretérito que não sei dizer
És
antes do tempo que atravesso
sei-o nas entrelinhas do meu ser....
e é na tua voz que acordo
de um sono milenar.
Nela regresso ao espelho
Onde de novo te vejo
mas esse fundo do fundo
da palavra não consentida.
De olhos fechados tacteio
como cego a luz perdida
e abro de par em par
um mui antigo portal
e a nave do silencio
que o tempo vence, atravessa-o
E nesse lugar sem nome
de todos os nomes guarida,
a voz do vento desvenda
o nome que desde sempre
no fundo do meu ser se abriga.
815
1
Angela Santos
A Casa do Silêncio
Sabes, na
luminosidade difusa
Do cair do dia
Nos interstícios de sombra e luz
Sobe-me ao peito o tremor
Que vem dos tempos
Sem memória
Em que o teu nome era o nome
que eu sem saber
em mim trazia
Difusa a luz da memória
incide sobre a estreita nesga
e é por ela que entram
os sinais onde te leio
e só no silencio entendo
o pretérito que não sei dizer
És
antes do tempo que atravesso
sei-o nas entrelinhas do meu ser....
e é na tua voz que acordo
de um sono milenar.
Nela regresso ao espelho
Onde de novo te vejo
mas esse fundo do fundo
da palavra não consentida.
De olhos fechados tacteio
como cego a luz perdida
e abro de par em par
um mui antigo portal
e a nave do silencio
que o tempo vence, atravessa-o
E nesse lugar sem nome
de todos os nomes guarida,
a voz do vento desvenda
o nome que desde sempre
no fundo do meu ser se abriga.
luminosidade difusa
Do cair do dia
Nos interstícios de sombra e luz
Sobe-me ao peito o tremor
Que vem dos tempos
Sem memória
Em que o teu nome era o nome
que eu sem saber
em mim trazia
Difusa a luz da memória
incide sobre a estreita nesga
e é por ela que entram
os sinais onde te leio
e só no silencio entendo
o pretérito que não sei dizer
És
antes do tempo que atravesso
sei-o nas entrelinhas do meu ser....
e é na tua voz que acordo
de um sono milenar.
Nela regresso ao espelho
Onde de novo te vejo
mas esse fundo do fundo
da palavra não consentida.
De olhos fechados tacteio
como cego a luz perdida
e abro de par em par
um mui antigo portal
e a nave do silencio
que o tempo vence, atravessa-o
E nesse lugar sem nome
de todos os nomes guarida,
a voz do vento desvenda
o nome que desde sempre
no fundo do meu ser se abriga.
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Angela Santos
Dobras da Memória
Prende-se
à alma
isto que não dizemos, que é só sentir
a fome de tudo ser a um só tempo
sem tempo Ter
Donde o longe que me chama
que lhe não sei as raízes?
difusa nas dobras da memória
a ponte de mim a mim
que não atravessei
intocável, fugidia cifra
de que fico aquém
Revisitados espaços onde fui e sou
teima o afã de me dizer,
que me devolve à incoincidência
de me saber outra
e a mesma ser.
à alma
isto que não dizemos, que é só sentir
a fome de tudo ser a um só tempo
sem tempo Ter
Donde o longe que me chama
que lhe não sei as raízes?
difusa nas dobras da memória
a ponte de mim a mim
que não atravessei
intocável, fugidia cifra
de que fico aquém
Revisitados espaços onde fui e sou
teima o afã de me dizer,
que me devolve à incoincidência
de me saber outra
e a mesma ser.
786
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Angela Santos
Dobras da Memória
Prende-se
à alma
isto que não dizemos, que é só sentir
a fome de tudo ser a um só tempo
sem tempo Ter
Donde o longe que me chama
que lhe não sei as raízes?
difusa nas dobras da memória
a ponte de mim a mim
que não atravessei
intocável, fugidia cifra
de que fico aquém
Revisitados espaços onde fui e sou
teima o afã de me dizer,
que me devolve à incoincidência
de me saber outra
e a mesma ser.
à alma
isto que não dizemos, que é só sentir
a fome de tudo ser a um só tempo
sem tempo Ter
Donde o longe que me chama
que lhe não sei as raízes?
difusa nas dobras da memória
a ponte de mim a mim
que não atravessei
intocável, fugidia cifra
de que fico aquém
Revisitados espaços onde fui e sou
teima o afã de me dizer,
que me devolve à incoincidência
de me saber outra
e a mesma ser.
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