Poemas neste tema
Outros
Affonso Romano de Sant'Anna
O Que Sei Dos Etruscos
Quase tudo o que se sabe dos etruscos
é o que deixaram inscrito em seus sarcófagos:
imagem de danças
música
esportes
banquetes
desenhos de demônios
enfim
o conhecimento do dia a dia
feito arte funerária:
espécie de jornal
enciclopédia
essência
daquilo que da morte sempre resta, poesia.
é o que deixaram inscrito em seus sarcófagos:
imagem de danças
música
esportes
banquetes
desenhos de demônios
enfim
o conhecimento do dia a dia
feito arte funerária:
espécie de jornal
enciclopédia
essência
daquilo que da morte sempre resta, poesia.
589
Affonso Romano de Sant'Anna
Morte No Jardim
Ondulando anéis rubros e negros, a cobra
era bela
e vinha deslizando no jardim
quando a vi
– num misto de temor e êxtase.
Venceu em mim, no entanto, o selvagem
que saiu à caça da presa
que se enroscava
mimetizando-se
com as flores no gramado.
Atiro-lhe na luta a lança
corto-lhe o corpo em uma
duas
três
partes
e nauseado
com o veneno do remorso
afasto-me
deixando atrás a beleza destroçada.
A tarde enrolava rubros e negros anéis sobre as montanhas
e o Sol morria perplexo sobre os crisântemos e dálias.
– A poesia
não resgata
– o que matamos no jardim.
era bela
e vinha deslizando no jardim
quando a vi
– num misto de temor e êxtase.
Venceu em mim, no entanto, o selvagem
que saiu à caça da presa
que se enroscava
mimetizando-se
com as flores no gramado.
Atiro-lhe na luta a lança
corto-lhe o corpo em uma
duas
três
partes
e nauseado
com o veneno do remorso
afasto-me
deixando atrás a beleza destroçada.
A tarde enrolava rubros e negros anéis sobre as montanhas
e o Sol morria perplexo sobre os crisântemos e dálias.
– A poesia
não resgata
– o que matamos no jardim.
1 208
Affonso Romano de Sant'Anna
Morte No Jardim
Ondulando anéis rubros e negros, a cobra
era bela
e vinha deslizando no jardim
quando a vi
– num misto de temor e êxtase.
Venceu em mim, no entanto, o selvagem
que saiu à caça da presa
que se enroscava
mimetizando-se
com as flores no gramado.
Atiro-lhe na luta a lança
corto-lhe o corpo em uma
duas
três
partes
e nauseado
com o veneno do remorso
afasto-me
deixando atrás a beleza destroçada.
A tarde enrolava rubros e negros anéis sobre as montanhas
e o Sol morria perplexo sobre os crisântemos e dálias.
– A poesia
não resgata
– o que matamos no jardim.
era bela
e vinha deslizando no jardim
quando a vi
– num misto de temor e êxtase.
Venceu em mim, no entanto, o selvagem
que saiu à caça da presa
que se enroscava
mimetizando-se
com as flores no gramado.
Atiro-lhe na luta a lança
corto-lhe o corpo em uma
duas
três
partes
e nauseado
com o veneno do remorso
afasto-me
deixando atrás a beleza destroçada.
A tarde enrolava rubros e negros anéis sobre as montanhas
e o Sol morria perplexo sobre os crisântemos e dálias.
– A poesia
não resgata
– o que matamos no jardim.
1 208
Affonso Romano de Sant'Anna
Morte No Jardim
Ondulando anéis rubros e negros, a cobra
era bela
e vinha deslizando no jardim
quando a vi
– num misto de temor e êxtase.
Venceu em mim, no entanto, o selvagem
que saiu à caça da presa
que se enroscava
mimetizando-se
com as flores no gramado.
Atiro-lhe na luta a lança
corto-lhe o corpo em uma
duas
três
partes
e nauseado
com o veneno do remorso
afasto-me
deixando atrás a beleza destroçada.
A tarde enrolava rubros e negros anéis sobre as montanhas
e o Sol morria perplexo sobre os crisântemos e dálias.
– A poesia
não resgata
– o que matamos no jardim.
era bela
e vinha deslizando no jardim
quando a vi
– num misto de temor e êxtase.
Venceu em mim, no entanto, o selvagem
que saiu à caça da presa
que se enroscava
mimetizando-se
com as flores no gramado.
Atiro-lhe na luta a lança
corto-lhe o corpo em uma
duas
três
partes
e nauseado
com o veneno do remorso
afasto-me
deixando atrás a beleza destroçada.
A tarde enrolava rubros e negros anéis sobre as montanhas
e o Sol morria perplexo sobre os crisântemos e dálias.
– A poesia
não resgata
– o que matamos no jardim.
1 208
Affonso Romano de Sant'Anna
Certaldo
Um lagarto passeia sobre os muros medievais da cidadela
sua mínima e inexpressiva história.
Como eu
a minha pequena, pequeníssima
quase história.
Bate o sino deste burgo medieval.
Junto às pedras do moinho
rosas e gerânios desbordam
de grandes vasos vermelhos,
um pé de figo ao lado se oferece
e estou sob uma videira que desde os tempos de Boccaccio
me dá sombra e cresce.
sua mínima e inexpressiva história.
Como eu
a minha pequena, pequeníssima
quase história.
Bate o sino deste burgo medieval.
Junto às pedras do moinho
rosas e gerânios desbordam
de grandes vasos vermelhos,
um pé de figo ao lado se oferece
e estou sob uma videira que desde os tempos de Boccaccio
me dá sombra e cresce.
966
Affonso Romano de Sant'Anna
Certaldo
Um lagarto passeia sobre os muros medievais da cidadela
sua mínima e inexpressiva história.
Como eu
a minha pequena, pequeníssima
quase história.
Bate o sino deste burgo medieval.
Junto às pedras do moinho
rosas e gerânios desbordam
de grandes vasos vermelhos,
um pé de figo ao lado se oferece
e estou sob uma videira que desde os tempos de Boccaccio
me dá sombra e cresce.
sua mínima e inexpressiva história.
Como eu
a minha pequena, pequeníssima
quase história.
Bate o sino deste burgo medieval.
Junto às pedras do moinho
rosas e gerânios desbordam
de grandes vasos vermelhos,
um pé de figo ao lado se oferece
e estou sob uma videira que desde os tempos de Boccaccio
me dá sombra e cresce.
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Affonso Romano de Sant'Anna
Presente Vivo
Viver
é conjugação diária
do presente.
Viver
é presentear.
Mais que um jeito de doer
é um modo de doar.
E um presente
mais que um objeto
é o elo entre dois olhos
a floração do gesto
o prateado evento
e o cristalino afeto.
Não se dá
apenas pelo prazer
de ver
o outro receber.
Dá-se
para que o outro
entre-abrindo-se ao presente
também dê.
é conjugação diária
do presente.
Viver
é presentear.
Mais que um jeito de doer
é um modo de doar.
E um presente
mais que um objeto
é o elo entre dois olhos
a floração do gesto
o prateado evento
e o cristalino afeto.
Não se dá
apenas pelo prazer
de ver
o outro receber.
Dá-se
para que o outro
entre-abrindo-se ao presente
também dê.
958
Affonso Romano de Sant'Anna
Música Nas Cinzas
Toda vez que soa esse adágio do concerto para oboé de Mozart
paro tudo
ponho os pés sobre a mesa, como agora,
olho a lagoa em frente, cruzo os braços
e começo a levitar.
Se eu morresse ouvindo essa música
chegaria do outro lado, tão asinho
que os anjos me tomariam por um dos seus.
Tantas vezes fiz soar no entardecer esses acordes
à beira-mar ou na montanha em minha casa de campo
que as azaleias, a grama, as cerejeiras e ciprestes
ressoam por si mesmos a melodia
quando desperto.
Um dia estarei morto
e peço que joguem minhas cinzas entre as flores.
Os que passarem nesta paisagem
além de aromas,
ouvirão acordes da eternidade.
paro tudo
ponho os pés sobre a mesa, como agora,
olho a lagoa em frente, cruzo os braços
e começo a levitar.
Se eu morresse ouvindo essa música
chegaria do outro lado, tão asinho
que os anjos me tomariam por um dos seus.
Tantas vezes fiz soar no entardecer esses acordes
à beira-mar ou na montanha em minha casa de campo
que as azaleias, a grama, as cerejeiras e ciprestes
ressoam por si mesmos a melodia
quando desperto.
Um dia estarei morto
e peço que joguem minhas cinzas entre as flores.
Os que passarem nesta paisagem
além de aromas,
ouvirão acordes da eternidade.
1 144
Affonso Romano de Sant'Anna
Música Nas Cinzas
Toda vez que soa esse adágio do concerto para oboé de Mozart
paro tudo
ponho os pés sobre a mesa, como agora,
olho a lagoa em frente, cruzo os braços
e começo a levitar.
Se eu morresse ouvindo essa música
chegaria do outro lado, tão asinho
que os anjos me tomariam por um dos seus.
Tantas vezes fiz soar no entardecer esses acordes
à beira-mar ou na montanha em minha casa de campo
que as azaleias, a grama, as cerejeiras e ciprestes
ressoam por si mesmos a melodia
quando desperto.
Um dia estarei morto
e peço que joguem minhas cinzas entre as flores.
Os que passarem nesta paisagem
além de aromas,
ouvirão acordes da eternidade.
paro tudo
ponho os pés sobre a mesa, como agora,
olho a lagoa em frente, cruzo os braços
e começo a levitar.
Se eu morresse ouvindo essa música
chegaria do outro lado, tão asinho
que os anjos me tomariam por um dos seus.
Tantas vezes fiz soar no entardecer esses acordes
à beira-mar ou na montanha em minha casa de campo
que as azaleias, a grama, as cerejeiras e ciprestes
ressoam por si mesmos a melodia
quando desperto.
Um dia estarei morto
e peço que joguem minhas cinzas entre as flores.
Os que passarem nesta paisagem
além de aromas,
ouvirão acordes da eternidade.
1 144
Affonso Romano de Sant'Anna
Música Nas Cinzas
Toda vez que soa esse adágio do concerto para oboé de Mozart
paro tudo
ponho os pés sobre a mesa, como agora,
olho a lagoa em frente, cruzo os braços
e começo a levitar.
Se eu morresse ouvindo essa música
chegaria do outro lado, tão asinho
que os anjos me tomariam por um dos seus.
Tantas vezes fiz soar no entardecer esses acordes
à beira-mar ou na montanha em minha casa de campo
que as azaleias, a grama, as cerejeiras e ciprestes
ressoam por si mesmos a melodia
quando desperto.
Um dia estarei morto
e peço que joguem minhas cinzas entre as flores.
Os que passarem nesta paisagem
além de aromas,
ouvirão acordes da eternidade.
paro tudo
ponho os pés sobre a mesa, como agora,
olho a lagoa em frente, cruzo os braços
e começo a levitar.
Se eu morresse ouvindo essa música
chegaria do outro lado, tão asinho
que os anjos me tomariam por um dos seus.
Tantas vezes fiz soar no entardecer esses acordes
à beira-mar ou na montanha em minha casa de campo
que as azaleias, a grama, as cerejeiras e ciprestes
ressoam por si mesmos a melodia
quando desperto.
Um dia estarei morto
e peço que joguem minhas cinzas entre as flores.
Os que passarem nesta paisagem
além de aromas,
ouvirão acordes da eternidade.
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Affonso Romano de Sant'Anna
Com Dante
Neste Castelo de Gargonza
Dante esteve um pouco antes de mim.
Escapava de inimigos (os gibelinos).
Pisava nestas pedras
ouvia o mesmo sino que na torre ainda há pouco batia.
Isto foi há oito séculos.
O que não é nada
diante das pedras
– e da poesia.
Dante esteve um pouco antes de mim.
Escapava de inimigos (os gibelinos).
Pisava nestas pedras
ouvia o mesmo sino que na torre ainda há pouco batia.
Isto foi há oito séculos.
O que não é nada
diante das pedras
– e da poesia.
1 283
Affonso Romano de Sant'Anna
Com Dante
Neste Castelo de Gargonza
Dante esteve um pouco antes de mim.
Escapava de inimigos (os gibelinos).
Pisava nestas pedras
ouvia o mesmo sino que na torre ainda há pouco batia.
Isto foi há oito séculos.
O que não é nada
diante das pedras
– e da poesia.
Dante esteve um pouco antes de mim.
Escapava de inimigos (os gibelinos).
Pisava nestas pedras
ouvia o mesmo sino que na torre ainda há pouco batia.
Isto foi há oito séculos.
O que não é nada
diante das pedras
– e da poesia.
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Affonso Romano de Sant'Anna
Viva Fera
Não me canso de estudar a morte.
Como é fértil e reverbera novos ângulos
conforme a hora em que a entrevejo
na minha trajetória.
Preencho-a de significados vários.
Ela cresce, me fascina, me enriquece,
me habita viva feito fera
que parece domesticada e, no entanto,
soberana
– mansamente me devora.
Como é fértil e reverbera novos ângulos
conforme a hora em que a entrevejo
na minha trajetória.
Preencho-a de significados vários.
Ela cresce, me fascina, me enriquece,
me habita viva feito fera
que parece domesticada e, no entanto,
soberana
– mansamente me devora.
1 083
Affonso Romano de Sant'Anna
Ninfa
Diz um crítico
que desde o tempo de Alexander Pope
as ninfas partiram
sem deixar seu endereço.
Se assim é
como explicar que junto àquela fonte
por trás daquele ramo, ao meu encontro
vem sorrindo a mulher que amo?
que desde o tempo de Alexander Pope
as ninfas partiram
sem deixar seu endereço.
Se assim é
como explicar que junto àquela fonte
por trás daquele ramo, ao meu encontro
vem sorrindo a mulher que amo?
1 080
Affonso Romano de Sant'Anna
Ninfa
Diz um crítico
que desde o tempo de Alexander Pope
as ninfas partiram
sem deixar seu endereço.
Se assim é
como explicar que junto àquela fonte
por trás daquele ramo, ao meu encontro
vem sorrindo a mulher que amo?
que desde o tempo de Alexander Pope
as ninfas partiram
sem deixar seu endereço.
Se assim é
como explicar que junto àquela fonte
por trás daquele ramo, ao meu encontro
vem sorrindo a mulher que amo?
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Affonso Romano de Sant'Anna
Ninfa
Diz um crítico
que desde o tempo de Alexander Pope
as ninfas partiram
sem deixar seu endereço.
Se assim é
como explicar que junto àquela fonte
por trás daquele ramo, ao meu encontro
vem sorrindo a mulher que amo?
que desde o tempo de Alexander Pope
as ninfas partiram
sem deixar seu endereço.
Se assim é
como explicar que junto àquela fonte
por trás daquele ramo, ao meu encontro
vem sorrindo a mulher que amo?
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Affonso Romano de Sant'Anna
Cena Na Lagoa
Movida por dez braços
– múltipla flecha –
uma canoa avança
no crepúsculo da lagoa.
Atletas conduzem
a centopeia aquática
com seus potentes músculos
fecundando o ocaso.
Anoitece.
Com duas mãos
(apenas)
também remo
(parado)
na escuridão.
– múltipla flecha –
uma canoa avança
no crepúsculo da lagoa.
Atletas conduzem
a centopeia aquática
com seus potentes músculos
fecundando o ocaso.
Anoitece.
Com duas mãos
(apenas)
também remo
(parado)
na escuridão.
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Affonso Romano de Sant'Anna
Linguística
Diz o linguista:
– “a palavra cão não morde”.
Morde.
Saí com a perna sangrando após a aula.
Diz o linguista
– “a palavra cão não late”.
Late
e não me deixa dormir
com seus latidos.
Diz o linguista
“a palavra cão não come”.
Come
e se alimenta de minha carne.
– “a palavra cão não morde”.
Morde.
Saí com a perna sangrando após a aula.
Diz o linguista
– “a palavra cão não late”.
Late
e não me deixa dormir
com seus latidos.
Diz o linguista
“a palavra cão não come”.
Come
e se alimenta de minha carne.
1 238
Affonso Romano de Sant'Anna
Esgotamentos
Cuidado
quando lhe disserem
que o romance está esgotado
que a poesia está esgotada
que a música está esgotada
que a pintura está esgotada
que a escultura está esgotada
que o balé está esgotado
que o cinema está esgotado
que o teatro está esgotado
que a arte está esgotada
que a história está esgotada
que o homem está esgotado
que Deus está esgotado
Cuidado
pois esse alheio esgotamento
só nos consegue deixar
com a paciência esgotada.
quando lhe disserem
que o romance está esgotado
que a poesia está esgotada
que a música está esgotada
que a pintura está esgotada
que a escultura está esgotada
que o balé está esgotado
que o cinema está esgotado
que o teatro está esgotado
que a arte está esgotada
que a história está esgotada
que o homem está esgotado
que Deus está esgotado
Cuidado
pois esse alheio esgotamento
só nos consegue deixar
com a paciência esgotada.
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Affonso Romano de Sant'Anna
Esgotamentos
Cuidado
quando lhe disserem
que o romance está esgotado
que a poesia está esgotada
que a música está esgotada
que a pintura está esgotada
que a escultura está esgotada
que o balé está esgotado
que o cinema está esgotado
que o teatro está esgotado
que a arte está esgotada
que a história está esgotada
que o homem está esgotado
que Deus está esgotado
Cuidado
pois esse alheio esgotamento
só nos consegue deixar
com a paciência esgotada.
quando lhe disserem
que o romance está esgotado
que a poesia está esgotada
que a música está esgotada
que a pintura está esgotada
que a escultura está esgotada
que o balé está esgotado
que o cinema está esgotado
que o teatro está esgotado
que a arte está esgotada
que a história está esgotada
que o homem está esgotado
que Deus está esgotado
Cuidado
pois esse alheio esgotamento
só nos consegue deixar
com a paciência esgotada.
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Affonso Romano de Sant'Anna
Ristorante Etruria
Essa bela garçonete etrusca
com esse nariz imponente navegando
entre as mesas do restaurante;
essa bela garçonete etrusca
com esse nariz portentoso
como enfunadas velas na direção da Grécia;
essa bela garçonete etrusca
passa para cá, para lá
ocupada em seu trabalho,
e não sabe que a contemplo
há 25 séculos atrás.
com esse nariz imponente navegando
entre as mesas do restaurante;
essa bela garçonete etrusca
com esse nariz portentoso
como enfunadas velas na direção da Grécia;
essa bela garçonete etrusca
passa para cá, para lá
ocupada em seu trabalho,
e não sabe que a contemplo
há 25 séculos atrás.
1 205
Affonso Romano de Sant'Anna
Entendimento
Estou cada vez mais entendendo a eternidade
e o que chamam inveja humana.
Não sei aonde isto pode me levar.
Entender certas coisas é libertar-se
como quem, mudo, canta um hino.
Sou isto e não aquilo.
Contemplo meu instante no olho
e me ilumino.
e o que chamam inveja humana.
Não sei aonde isto pode me levar.
Entender certas coisas é libertar-se
como quem, mudo, canta um hino.
Sou isto e não aquilo.
Contemplo meu instante no olho
e me ilumino.
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Affonso Romano de Sant'Anna
Entendimento
Estou cada vez mais entendendo a eternidade
e o que chamam inveja humana.
Não sei aonde isto pode me levar.
Entender certas coisas é libertar-se
como quem, mudo, canta um hino.
Sou isto e não aquilo.
Contemplo meu instante no olho
e me ilumino.
e o que chamam inveja humana.
Não sei aonde isto pode me levar.
Entender certas coisas é libertar-se
como quem, mudo, canta um hino.
Sou isto e não aquilo.
Contemplo meu instante no olho
e me ilumino.
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Affonso Romano de Sant'Anna
Mais Beleza, Senhor
Tio Lemos, humilde servo e pastor,
em sua vida tão despossuída
inda dizia: – Chega de bênção, Senhor!
Na Toscana, neste azul outonal
banqueteando com o corpo e o espírito
sorvendo a glória artística dos santos
quase chego a dizer: – Chega de bênção, Senhor!
Porém, minha alma insaciável
parece nunca se bastar, e implora:
– Mais beleza, mais beleza, Senhor!
E o Senhor impaciente, ordena:
– Entra nesta igreja de Orvieto
e ante os afrescos de Lucca Signorelli
ajoelha e chora.
em sua vida tão despossuída
inda dizia: – Chega de bênção, Senhor!
Na Toscana, neste azul outonal
banqueteando com o corpo e o espírito
sorvendo a glória artística dos santos
quase chego a dizer: – Chega de bênção, Senhor!
Porém, minha alma insaciável
parece nunca se bastar, e implora:
– Mais beleza, mais beleza, Senhor!
E o Senhor impaciente, ordena:
– Entra nesta igreja de Orvieto
e ante os afrescos de Lucca Signorelli
ajoelha e chora.
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