Poemas neste tema
Outros
Angela Santos
Brumas
Via-te
chegar de manso
ao compasso da manhã
ainda coberta de
brumas
Via-te chegar
carregando luz aos cachos
no cabelo
e nos olhos o espanto,
sinal dos que olhando
acordam
Vinhas ao meu encontro,
serena, dir-se-ia
mas a tua alma, do signo da inquietação
espelhava-te sem o saberes
E ali quieta, olhando-me
com a impaciência
de quem carrega esperas,
procuravas no fundo de mim
o que lá não estava
e assustada
repelias o meu silencio.
Via-te partir
com mansidão igual à chegada
como se entre o chegar e partir
não existisse senão
o minúsculo "e" que os separa
Não sei bem
se partias ou ficavas
no fundo do fundo
que não vias em mim.
chegar de manso
ao compasso da manhã
ainda coberta de
brumas
Via-te chegar
carregando luz aos cachos
no cabelo
e nos olhos o espanto,
sinal dos que olhando
acordam
Vinhas ao meu encontro,
serena, dir-se-ia
mas a tua alma, do signo da inquietação
espelhava-te sem o saberes
E ali quieta, olhando-me
com a impaciência
de quem carrega esperas,
procuravas no fundo de mim
o que lá não estava
e assustada
repelias o meu silencio.
Via-te partir
com mansidão igual à chegada
como se entre o chegar e partir
não existisse senão
o minúsculo "e" que os separa
Não sei bem
se partias ou ficavas
no fundo do fundo
que não vias em mim.
1 029
Sylvia Plath
Criança
O olho claro é a coisa mais bonita em você.
Quem dera enchê-lo de patos e cores,
Zôo do novo,
Nomes em que você pensa –
Campânula-de-abril, Cachimbo-de-índio,
Pequenino
Caule sem espinhos,
Lago em cujas margens, imagens
Pudessem ser clássicas e imensas
Não esse tenso
Torcer de mãos, esse teto
Escuro e sem estrela.
Quem dera enchê-lo de patos e cores,
Zôo do novo,
Nomes em que você pensa –
Campânula-de-abril, Cachimbo-de-índio,
Pequenino
Caule sem espinhos,
Lago em cujas margens, imagens
Pudessem ser clássicas e imensas
Não esse tenso
Torcer de mãos, esse teto
Escuro e sem estrela.
1 265
Sylvia Plath
Criança
O olho claro é a coisa mais bonita em você.
Quem dera enchê-lo de patos e cores,
Zôo do novo,
Nomes em que você pensa –
Campânula-de-abril, Cachimbo-de-índio,
Pequenino
Caule sem espinhos,
Lago em cujas margens, imagens
Pudessem ser clássicas e imensas
Não esse tenso
Torcer de mãos, esse teto
Escuro e sem estrela.
Quem dera enchê-lo de patos e cores,
Zôo do novo,
Nomes em que você pensa –
Campânula-de-abril, Cachimbo-de-índio,
Pequenino
Caule sem espinhos,
Lago em cujas margens, imagens
Pudessem ser clássicas e imensas
Não esse tenso
Torcer de mãos, esse teto
Escuro e sem estrela.
1 265
Angela Santos
Serenidade
Sobre
areias finas
a deusa adormecida
lembra uma esfinge viva
serenamente abandonada
em seu sono
Indiferente
às tempestades de luz
que o seu sonho assaltam
a deusa toda se ilumina
com as odes de sol que
da alma emanam
E deitada
sobre areias brancas
serena, despertará
iluminada
areias finas
a deusa adormecida
lembra uma esfinge viva
serenamente abandonada
em seu sono
Indiferente
às tempestades de luz
que o seu sonho assaltam
a deusa toda se ilumina
com as odes de sol que
da alma emanam
E deitada
sobre areias brancas
serena, despertará
iluminada
1 346
Angela Santos
Serenidade
Sobre
areias finas
a deusa adormecida
lembra uma esfinge viva
serenamente abandonada
em seu sono
Indiferente
às tempestades de luz
que o seu sonho assaltam
a deusa toda se ilumina
com as odes de sol que
da alma emanam
E deitada
sobre areias brancas
serena, despertará
iluminada
areias finas
a deusa adormecida
lembra uma esfinge viva
serenamente abandonada
em seu sono
Indiferente
às tempestades de luz
que o seu sonho assaltam
a deusa toda se ilumina
com as odes de sol que
da alma emanam
E deitada
sobre areias brancas
serena, despertará
iluminada
1 346
Angela Santos
Lua
Nocturna
silenciosamente vens
ò Lua
deitar-te sobre o meu corpo
límpida e nua
Banhada de luar, assim
Já de mim não sou
mas tua
Ò lua, longe, miragem
digo o quê quando te digo?…
A que há-de vir
viva latejante
ao compasso do coração
descompassado
que vibra em mim
silenciosamente vens
ò Lua
deitar-te sobre o meu corpo
límpida e nua
Banhada de luar, assim
Já de mim não sou
mas tua
Ò lua, longe, miragem
digo o quê quando te digo?…
A que há-de vir
viva latejante
ao compasso do coração
descompassado
que vibra em mim
1 151
Angela Santos
Oferenda
Infinitamente,
com o meu coração desprendido, e cativo,
amo-te
com o meu corpo de mulher,
que só do teu tem sede,
com a alma plena de ti,
amo-te
por seres e existires...
amo o que em mim vive e percorre
Vida, memória, sabor a ti
e como a vida és oferenda
que trago guardada dentro de mim.
com o meu coração desprendido, e cativo,
amo-te
com o meu corpo de mulher,
que só do teu tem sede,
com a alma plena de ti,
amo-te
por seres e existires...
amo o que em mim vive e percorre
Vida, memória, sabor a ti
e como a vida és oferenda
que trago guardada dentro de mim.
1 243
Angela Santos
Estrela
Se
a noite vier vestida de branco
e lenta me fizer
desfiar as horas do meu sono,
eu vou lembrar uma estrela
a que minhas mãos tocaram,
a que de luz meus olhos encheu.
Se a noite de branco vier,
eu vou chamar a minha estrela
a que luz na minha vida
a que mora nos meus dias,
minha estrela d`Alva
minha estrela-guia.
Amo-te
a noite vier vestida de branco
e lenta me fizer
desfiar as horas do meu sono,
eu vou lembrar uma estrela
a que minhas mãos tocaram,
a que de luz meus olhos encheu.
Se a noite de branco vier,
eu vou chamar a minha estrela
a que luz na minha vida
a que mora nos meus dias,
minha estrela d`Alva
minha estrela-guia.
Amo-te
1 205
Angela Santos
Serpente
Salvé
Eva
mãe de tudo o que é…
O teu gesto hábil
trouxe o gosto pela ousadia
e nos fez saber
ir pra além do medo..
Salvé Eva
teu corpo é fruto
que o fruto dá
Eva,
Mãe,
Mulher,
escrava libertadora
à força de o ser!
Eva
mãe de tudo o que é…
O teu gesto hábil
trouxe o gosto pela ousadia
e nos fez saber
ir pra além do medo..
Salvé Eva
teu corpo é fruto
que o fruto dá
Eva,
Mãe,
Mulher,
escrava libertadora
à força de o ser!
1 194
Cristina Lacerda
Sobrevida
A terra não sorri
mas ampara meus passos
de hoje sofrer
me lembro do que é cíclico
os dias de chumbo
a lama do fundo
lamber a lembrança
de pequenos relâmpagos
sofrer sofreguidão
- só isso?
reinventar o mesmo
em tudo o que se ama
lembrar feridas
e perfumes dos momentos
essa minha curta longa vida
involuntária
é assim aos tropeços
e se há esquinas onde
às vezes me firo tanto
é porque é preciso
e se tateia na dor
o despertar da ânsia viva
vislumbre de algum
futuro encanto
o resto é concreto muro
cinza, rachado e duro
que o sonho
não está onde é sonhado
mas onde é pensado
com insistência e arte
esse o rito
içar a dor sombria
e se fazer ao mar
como alguém que ao ficar
finge que parte
mas ampara meus passos
de hoje sofrer
me lembro do que é cíclico
os dias de chumbo
a lama do fundo
lamber a lembrança
de pequenos relâmpagos
sofrer sofreguidão
- só isso?
reinventar o mesmo
em tudo o que se ama
lembrar feridas
e perfumes dos momentos
essa minha curta longa vida
involuntária
é assim aos tropeços
e se há esquinas onde
às vezes me firo tanto
é porque é preciso
e se tateia na dor
o despertar da ânsia viva
vislumbre de algum
futuro encanto
o resto é concreto muro
cinza, rachado e duro
que o sonho
não está onde é sonhado
mas onde é pensado
com insistência e arte
esse o rito
içar a dor sombria
e se fazer ao mar
como alguém que ao ficar
finge que parte
959
Cristina Lacerda
Sobrevida
A terra não sorri
mas ampara meus passos
de hoje sofrer
me lembro do que é cíclico
os dias de chumbo
a lama do fundo
lamber a lembrança
de pequenos relâmpagos
sofrer sofreguidão
- só isso?
reinventar o mesmo
em tudo o que se ama
lembrar feridas
e perfumes dos momentos
essa minha curta longa vida
involuntária
é assim aos tropeços
e se há esquinas onde
às vezes me firo tanto
é porque é preciso
e se tateia na dor
o despertar da ânsia viva
vislumbre de algum
futuro encanto
o resto é concreto muro
cinza, rachado e duro
que o sonho
não está onde é sonhado
mas onde é pensado
com insistência e arte
esse o rito
içar a dor sombria
e se fazer ao mar
como alguém que ao ficar
finge que parte
mas ampara meus passos
de hoje sofrer
me lembro do que é cíclico
os dias de chumbo
a lama do fundo
lamber a lembrança
de pequenos relâmpagos
sofrer sofreguidão
- só isso?
reinventar o mesmo
em tudo o que se ama
lembrar feridas
e perfumes dos momentos
essa minha curta longa vida
involuntária
é assim aos tropeços
e se há esquinas onde
às vezes me firo tanto
é porque é preciso
e se tateia na dor
o despertar da ânsia viva
vislumbre de algum
futuro encanto
o resto é concreto muro
cinza, rachado e duro
que o sonho
não está onde é sonhado
mas onde é pensado
com insistência e arte
esse o rito
içar a dor sombria
e se fazer ao mar
como alguém que ao ficar
finge que parte
959
Angela Santos
Mulher
Mulher,
num corpo mar
ser navio e aportar ao largo desse teu abrigo
Em minha mãos
deixar crescer a flor dos afectos mais fundos
e te entregar todos eles
ao toque delicado destas mãos de mulher
corpos irmãos em sua dança de heras,
orvalhados corpos de um amor matinal
mulher nos teus braços ser
mulher confirmada no teu seio irmão,
E sentir a grandeza do momento que nasce
no instante maior de sabermos ser
duas almas tocadas pela força do amor
dois corpos amantes que em si mesmo buscam
a razão suprema do acontecer.
num corpo mar
ser navio e aportar ao largo desse teu abrigo
Em minha mãos
deixar crescer a flor dos afectos mais fundos
e te entregar todos eles
ao toque delicado destas mãos de mulher
corpos irmãos em sua dança de heras,
orvalhados corpos de um amor matinal
mulher nos teus braços ser
mulher confirmada no teu seio irmão,
E sentir a grandeza do momento que nasce
no instante maior de sabermos ser
duas almas tocadas pela força do amor
dois corpos amantes que em si mesmo buscam
a razão suprema do acontecer.
1 082
Angela Santos
Onda dos Sentidos
A
onda dos sentidos é que nos leva
para longe do mundo e da luta
que nos cansa,
ao encontro do instante
único,
onde se funde e refaz
o nosso ser irmão
Na calma do olhar com que me tocas
solto os meus medos
e dou-me,
o corpo em chama
e a alma vaga de cuidados
no corpo quente que se dá
estremeço
nos seus sinais te descubro
e a mim decifro
esquecida do mundo,
no êxtase de luz,
amando… vivo!
onda dos sentidos é que nos leva
para longe do mundo e da luta
que nos cansa,
ao encontro do instante
único,
onde se funde e refaz
o nosso ser irmão
Na calma do olhar com que me tocas
solto os meus medos
e dou-me,
o corpo em chama
e a alma vaga de cuidados
no corpo quente que se dá
estremeço
nos seus sinais te descubro
e a mim decifro
esquecida do mundo,
no êxtase de luz,
amando… vivo!
936
Angela Santos
Pêndulo
Se
o coração ensaia o movimento pendular
como o deter?
Se um coração se abre como se abre
Por que abre?
Como porta que se escancara
depois de fechada estar
ou flor desabrochando
à luz de um claro raiar..
assim é o amor
quando ao coração ordena
que viva seu compasso pendular
Coração pendular.. alma leve
olhos atentos às esquinas do tempo
onde imprevisível uma razão
vive a espreitar
E é de repente que desenhado surge
o sinuoso caminho,
o imprevisível gesto do desocultar,
trazendo à luz a razão maior
da pendular cadencia estancar.
o coração ensaia o movimento pendular
como o deter?
Se um coração se abre como se abre
Por que abre?
Como porta que se escancara
depois de fechada estar
ou flor desabrochando
à luz de um claro raiar..
assim é o amor
quando ao coração ordena
que viva seu compasso pendular
Coração pendular.. alma leve
olhos atentos às esquinas do tempo
onde imprevisível uma razão
vive a espreitar
E é de repente que desenhado surge
o sinuoso caminho,
o imprevisível gesto do desocultar,
trazendo à luz a razão maior
da pendular cadencia estancar.
1 429
Angela Santos
Noite
Do
fundo da noite
se erguem meus olhos
alucinados……
salto do sonho.. e vivo
meus braços estendem-se
à transparência azul
que se acerca e julgo-me
tocada pelo infinito
Néon rasgando os meus olhos,
metamorfose de luz em mim…
Noite, noite..
teu fogo sou meu cio extingues
noite, dentro de ti
o meu sonho vive.
fundo da noite
se erguem meus olhos
alucinados……
salto do sonho.. e vivo
meus braços estendem-se
à transparência azul
que se acerca e julgo-me
tocada pelo infinito
Néon rasgando os meus olhos,
metamorfose de luz em mim…
Noite, noite..
teu fogo sou meu cio extingues
noite, dentro de ti
o meu sonho vive.
1 085
Angela Santos
Eva
Mordo
a tua boca
rosa, carne viva
provo o teu sabor
ao jeito de Eva
subversiva
Ousadia do gosto
meu fruto proibido
mordo o teu corpo
virgem
e reencontro o paraíso.
a tua boca
rosa, carne viva
provo o teu sabor
ao jeito de Eva
subversiva
Ousadia do gosto
meu fruto proibido
mordo o teu corpo
virgem
e reencontro o paraíso.
895
Cristina Lacerda
Tem uma outra cabeça
Tem uma outra cabeça
na minha cama
faz barulho de motor
às vezes ronrona
às vezes tem pesadelos
às vezes me estende a mão
tem uma outra cabeça
na minha cama
e me é às vezes desconhecida
tem barulho de gente
na minha cama
não é metade de mim
mas me acompanha
- e eu estou aqui
tem corpo conhecido
na minha cama
há séculos eu o escuto dormir
e isso
me emociona
na minha cama
faz barulho de motor
às vezes ronrona
às vezes tem pesadelos
às vezes me estende a mão
tem uma outra cabeça
na minha cama
e me é às vezes desconhecida
tem barulho de gente
na minha cama
não é metade de mim
mas me acompanha
- e eu estou aqui
tem corpo conhecido
na minha cama
há séculos eu o escuto dormir
e isso
me emociona
933
Leila Mícollis
A seco
Tem coisas que a gente só diz de porre
se não o outro corre;
mas passada a bebedeira,
a gente acha que fez besteira,
não devia ter falado,
que se expôs adoidado,
à toa e foi tolice.
Finge-se então que se esquece o que disse,
culpa-se a carência, a demência, a embriaguez
responsáveis por tamanha estupidez.
E é aceitando este estranho cabedal
que quando se volta ao "estado normal",
cada vez mais sós, na defensiva,
corroídos morremos de cirrose... afetiva.
se não o outro corre;
mas passada a bebedeira,
a gente acha que fez besteira,
não devia ter falado,
que se expôs adoidado,
à toa e foi tolice.
Finge-se então que se esquece o que disse,
culpa-se a carência, a demência, a embriaguez
responsáveis por tamanha estupidez.
E é aceitando este estranho cabedal
que quando se volta ao "estado normal",
cada vez mais sós, na defensiva,
corroídos morremos de cirrose... afetiva.
1 085
Maria Isabel
A hora vazia
Onde as humildes palavras
Que ingenuamente disseste?
Onde os gestos dos teus braços
Nascidos para enlaçar?
Cansaste. O sol do deserto
Secou tua alma de fonte.
Morreu nos dedos do inútil
A tua frágil canção.
Não mais ouvirás soluços,
Não mais na noite deserta
Descobrirás desesperos.
Corpos virão sobre as ondas,
Diante dos teus olhos secos.
Houve uma voz nos teus lábios
Quente e viva. Quando foi?
Hoje a fadiga, hoje o sono.
Hoje, trágica e vazia,
A hora de contemplar.
Que ingenuamente disseste?
Onde os gestos dos teus braços
Nascidos para enlaçar?
Cansaste. O sol do deserto
Secou tua alma de fonte.
Morreu nos dedos do inútil
A tua frágil canção.
Não mais ouvirás soluços,
Não mais na noite deserta
Descobrirás desesperos.
Corpos virão sobre as ondas,
Diante dos teus olhos secos.
Houve uma voz nos teus lábios
Quente e viva. Quando foi?
Hoje a fadiga, hoje o sono.
Hoje, trágica e vazia,
A hora de contemplar.
802
Maria Isabel
A hora vazia
Onde as humildes palavras
Que ingenuamente disseste?
Onde os gestos dos teus braços
Nascidos para enlaçar?
Cansaste. O sol do deserto
Secou tua alma de fonte.
Morreu nos dedos do inútil
A tua frágil canção.
Não mais ouvirás soluços,
Não mais na noite deserta
Descobrirás desesperos.
Corpos virão sobre as ondas,
Diante dos teus olhos secos.
Houve uma voz nos teus lábios
Quente e viva. Quando foi?
Hoje a fadiga, hoje o sono.
Hoje, trágica e vazia,
A hora de contemplar.
Que ingenuamente disseste?
Onde os gestos dos teus braços
Nascidos para enlaçar?
Cansaste. O sol do deserto
Secou tua alma de fonte.
Morreu nos dedos do inútil
A tua frágil canção.
Não mais ouvirás soluços,
Não mais na noite deserta
Descobrirás desesperos.
Corpos virão sobre as ondas,
Diante dos teus olhos secos.
Houve uma voz nos teus lábios
Quente e viva. Quando foi?
Hoje a fadiga, hoje o sono.
Hoje, trágica e vazia,
A hora de contemplar.
802
Angela Santos
Estrela Guia
Vem
comigo
descobrir a estrela
que brilha num lugar
que não sabemos
Vem
a tua mão está quente
(é bom senti-la)
sinto-me nela…
Vem
a hora tarda, cedo cai a noite
e a lua não luz
na noite que atravessamos
Olho-te,
tu foges dos meus olhos
só a tua mão me diz que estás
aqui…
Eu,
eu estou lá longe
e aqui também,
já que firme a tua
minha mão presa tem.
comigo
descobrir a estrela
que brilha num lugar
que não sabemos
Vem
a tua mão está quente
(é bom senti-la)
sinto-me nela…
Vem
a hora tarda, cedo cai a noite
e a lua não luz
na noite que atravessamos
Olho-te,
tu foges dos meus olhos
só a tua mão me diz que estás
aqui…
Eu,
eu estou lá longe
e aqui também,
já que firme a tua
minha mão presa tem.
903
Hilda Hilst
Que este amor não me cegue nem me siga
Que este amor não me cegue nem me siga.
E de mim mesma nunca se aperceba.
Que me exclua de estar sendo perseguida
E do tormento
De só por ele me saber estar sendo.
Que o olhar não se perca nas tulipas
Pois formas tão perfeitas de beleza
Vêm do fulgor das trevas.
E o meu Senhor habita o rutilante escuro
De um suposto de heras em alto muro.
Que este amor só me faça descontente
E farta de fadigas. E de fragilidades tantas
Eu me faça pequena. E diminuta e tenra
Como só soem ser aranhas e formigas.
Que este amor só me veja de partida.
E de mim mesma nunca se aperceba.
Que me exclua de estar sendo perseguida
E do tormento
De só por ele me saber estar sendo.
Que o olhar não se perca nas tulipas
Pois formas tão perfeitas de beleza
Vêm do fulgor das trevas.
E o meu Senhor habita o rutilante escuro
De um suposto de heras em alto muro.
Que este amor só me faça descontente
E farta de fadigas. E de fragilidades tantas
Eu me faça pequena. E diminuta e tenra
Como só soem ser aranhas e formigas.
Que este amor só me veja de partida.
1 619
Hilda Hilst
Que este amor não me cegue nem me siga
Que este amor não me cegue nem me siga.
E de mim mesma nunca se aperceba.
Que me exclua de estar sendo perseguida
E do tormento
De só por ele me saber estar sendo.
Que o olhar não se perca nas tulipas
Pois formas tão perfeitas de beleza
Vêm do fulgor das trevas.
E o meu Senhor habita o rutilante escuro
De um suposto de heras em alto muro.
Que este amor só me faça descontente
E farta de fadigas. E de fragilidades tantas
Eu me faça pequena. E diminuta e tenra
Como só soem ser aranhas e formigas.
Que este amor só me veja de partida.
E de mim mesma nunca se aperceba.
Que me exclua de estar sendo perseguida
E do tormento
De só por ele me saber estar sendo.
Que o olhar não se perca nas tulipas
Pois formas tão perfeitas de beleza
Vêm do fulgor das trevas.
E o meu Senhor habita o rutilante escuro
De um suposto de heras em alto muro.
Que este amor só me faça descontente
E farta de fadigas. E de fragilidades tantas
Eu me faça pequena. E diminuta e tenra
Como só soem ser aranhas e formigas.
Que este amor só me veja de partida.
1 619
Angela Santos
Em Suspenso
Deixo-me
ficar quieta e absorta
a olhar a linha que rasga
o horizonte...
e os sonhos flutuam
ao som da toada e embalo do mar
há vozes suspensas
que chegam de longe
e com elas chegam
traços e contornos…
descubro teus olhos
na ave que o céu risca
e sinto tua mão
na leve brisa que passa
As cores de um Arco Íris
inundam meu olhar
e eu deixo-me ir
nas cores desenhadas
por uma mão qualquer
que naquele instante
ligou terra e mar
Um navio ao longe
sereno atravessa
a linha longínqua
onde o azul se afunda…
o navio passa
e acorda o tempo
que eu não vi passar.
ficar quieta e absorta
a olhar a linha que rasga
o horizonte...
e os sonhos flutuam
ao som da toada e embalo do mar
há vozes suspensas
que chegam de longe
e com elas chegam
traços e contornos…
descubro teus olhos
na ave que o céu risca
e sinto tua mão
na leve brisa que passa
As cores de um Arco Íris
inundam meu olhar
e eu deixo-me ir
nas cores desenhadas
por uma mão qualquer
que naquele instante
ligou terra e mar
Um navio ao longe
sereno atravessa
a linha longínqua
onde o azul se afunda…
o navio passa
e acorda o tempo
que eu não vi passar.
1 081