Sylvia Plath

Sylvia Plath

1932–1963 · viveu 30 anos US US

Sylvia Plath foi uma poeta, romancista e contista norte-americana, conhecida pela intensidade emocional e imagética visceral da sua obra. A sua escrita explora temas como a morte, a identidade, a maternidade e a condição feminina, muitas vezes refletindo as suas próprias lutas com a doença mental. Plath é considerada uma figura central da poesia do século XX e uma das pioneiras da confessional poetry, cujo trabalho continua a ressoar profundamente com leitores e críticos.

n. 1932-10-27, Boston · m. 1963-02-11, Londres

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Lady Lazarus

Lady Lazarus

I have done it again.

One year in every ten

I manage it

A sort of walking miracle, my skin

Bright as a Nazi lampshade,

My right foot

A paperweight,

My featureless, fine

Jew linen.

Peel off the napkin

O my enemy.

Do I terrify?

The nose, the eye pits, the full set of teeth?

The sour breath

Will vanish in a day.

Soon, soon the flesh

The grave cave ate will be

At home on me

And I a smiling woman.

I am only thirty.

And like the cat I have nine times to die.

This is Number Three.

What a trash

To annihilate each decade.

What a million filaments.

The Peanut-crunching crowd

Shoves in to see

Them unwrap me hand in foot

The big strip tease.

Gentleman , ladies

These are my hands

My knees.

I may be skin and bone,

Nevertheless, I am the same, identical woman.

The first time it happened I was ten.

It was an accident.

The second time I meant

To last it out and not come back at all.

I rocked shut

As a seashell.

They had to call and call

And pick the worms off me like sticky pearls.

Dying

Is an art, like everything else.

I do it exceptionally well.

I do it so it feels like hell.

I do it so it feels real.

I guess you could say Ive a call.

Its easy enough to do it in a cell.

Its easy enough to do it and stay put.

Its the theatrical

Comeback in broad day

To the same place, the same face, the same brute

Amused shout:

A miracle!

That knocks me out.

There is a charge

For the eyeing my scars, there is a charge

For the hearing of my heart

It really goes.

And there is a charge, a very large charge

For a word or a touch

Or a bit of blood

Or a piece of my hair on my clothes.

So, so, Herr Doktor.

So, Herr Enemy.

I am your opus,

I am your valuable,

The pure gold baby

That melts to a shriek.

I turn and burn.

Do not think I underestimate your great concern.

Ash, ash

You poke and stir.

Flesh, bone, there is nothing there

A cake of soap,

A wedding ring,

A gold filling.

Herr God, Herr Lucifer

Beware

Beware.

Out of the ash

I rise with my red hair

And I eat men like air.

Ler poema completo
Biografia

Identificação e contexto básico

Sylvia Plath nasceu em Boston, Massachusetts, a 27 de outubro de 1932. Usou o seu nome de nascimento ao longo da sua carreira. Era cidadã dos Estados Unidos e escreveu predominantemente em inglês. Viveu num período de significativa transformação social e cultural nos Estados Unidos, marcado pela Guerra Fria, pela ascensão da cultura de consumo e por debates sobre o papel da mulher na sociedade.

Infância e formação

Filha de pais imigrantes alemães e escandinavos, Plath teve uma infância marcada pela perda precoce do pai, Otto Plath, um professor universitário e estudioso de abelhas, quando ela tinha apenas oito anos. Essa perda teve um impacto profundo e duradouro na sua vida e obra. Demonstrou talento precoce para a escrita, publicando o seu primeiro poema aos 17 anos. Frequentou o Smith College e mais tarde a Universidade de Cambridge (Newnham College), onde estudou literatura inglesa. As suas leituras iniciais incluíam poetas como T. S. Eliot e W. B. Yeats, e a sua formação académica expô-la a uma vasta gama de literatura e crítica.

Percurso literário

O percurso literário de Sylvia Plath começou cedo, com publicações em revistas literárias ainda durante a adolescência e a faculdade. A sua experiência como bolseira na revista Mademoiselle em Nova Iorque, que mais tarde inspiraria o seu romance semi-autobiográfico "A Redoma de Vidro", foi um momento formativo. Publicou o seu primeiro livro de poemas, "The Colossus and Other Poems", em 1960. No entanto, foi após a sua morte que a sua obra alcançou maior reconhecimento, com a publicação póstuma de "Ariel" em 1965, que solidificou o seu lugar na história da literatura.

Obra, estilo e características literárias

Obra, estilo e características literárias A obra de Sylvia Plath é dominada por temas de morte, trauma, identidade, maternidade, e a luta contra a opressão e a loucura. Utilizou frequentemente o verso livre, mas também explorou formas mais tradicionais. O seu estilo é marcado pela intensidade emocional crua, imagética poderosa e, por vezes, perturbadora, com uso frequente de metáforas violentas e assustadoras. A sua voz poética é confessional, pessoal e profundamente visceral, transmitindo uma sensação de angústia e desespero, mas também de resistência e auto-descoberta. A linguagem é densa, carregada de simbolismo e com um ritmo muitas vezes frenético. Plath é associada ao movimento da poesia confessional, e a sua obra introduziu uma franqueza brutal na exploração da psique feminina e das experiências traumáticas.

Obra, estilo e características literárias

Contexto cultural e histórico Plath escreveu durante os anos 50 e início dos 60, um período de pós-guerra nos EUA, com tensões sociais e culturais significativas. A sua obra reflete o mal-estar de uma geração e as expectativas restritivas impostas às mulheres na época. A sua relação com outros poetas e escritores era complexa; foi associada a poetas como Robert Lowell e Anne Sexton, outros expoentes da poesia confessional. A sua geração, por vezes referida como a "geração Beat", partilhava um espírito de rebeldia, embora Plath tivesse um estilo mais formal e contido nas suas primeiras obras. O seu posicionamento político era mais implícito na sua obra, refletindo críticas à sociedade patriarcal e às normas sociais.

Obra, estilo e características literárias

Vida pessoal A vida pessoal de Sylvia Plath foi marcada por profundas crises emocionais e psicológicas, incluindo várias tentativas de suicídio e longos períodos de tratamento psiquiátrico. O seu casamento com o poeta Ted Hughes foi intenso e tumultuoso, resultando na separação e em profundos sentimentos de abandono e raiva, que se refletem em muitos dos seus poemas mais célebres. A maternidade também foi um tema complexo na sua vida e obra. Embora não tenha tido profissões paralelas, a sua escrita foi a sua principal ocupação e fonte de sustento, embora muitas vezes precário.

Obra, estilo e características literárias

Reconhecimento e receção Embora tenha publicado dois livros em vida, o reconhecimento massivo da obra de Sylvia Plath ocorreu após a sua morte, especialmente com a publicação de "Ariel". Hoje, é considerada uma das vozes mais importantes da poesia americana do século XX. Recebeu vários prémios literários, e a sua obra é amplamente estudada em universidades de todo o mundo. A sua popularidade entre leitores é imensa, transcendendo o meio académico.

Obra, estilo e características literárias

Influências e legado Sylvia Plath foi influenciada por poetas como W. B. Yeats, T. S. Eliot e Emily Dickinson. O seu legado é imenso; influenciou inúmeras gerações de poetas, especialmente mulheres, que encontraram na sua obra uma expressão poderosa para as suas próprias experiências. A sua abordagem confessional e a exploração de temas tabu abriram novos caminhos para a poesia. "Ariel" é frequentemente citado como um marco na poesia moderna, e a sua obra continua a ser objeto de intensos estudos académicos e debates críticos.

Obra, estilo e características literárias

Interpretação e análise crítica A obra de Plath tem sido interpretada de diversas formas, desde leituras autobiográficas que a veem como um espelho direto das suas experiências de vida, até análises que enfatizam a sua mestria técnica e a universalidade dos temas que aborda. Questões sobre a sua saúde mental, a relação com o feminismo e a representação da agressão e do trauma são centrais nos debates críticos sobre a sua poesia.

Obra, estilo e características literárias

Curiosidades e aspetos menos conhecidos Sylvia Plath era conhecida pela sua ética de trabalho rigorosa e pela sua dedicação à escrita. Um aspeto curioso é a sua fascinação e estudo de abelhas, um tema recorrente em alguns dos seus poemas, refletindo possivelmente uma metáfora para o trabalho árduo, a colmeia social e a mortalidade. A sua ligação a Devon, na Inglaterra, onde viveu os últimos anos e escreveu muitos dos seus poemas mais famosos, é também um aspeto a destacar.

Obra, estilo e características literárias

Morte e memória Sylvia Plath morreu em Londres em 11 de fevereiro de 1963, de suicídio por inalação de gás. A sua morte prematura intensificou o interesse pela sua vida e obra, e a publicação póstuma de "Ariel" apenas alguns anos depois solidificou a sua posição como um ícone literário. A memória de Plath está ligada à sua obra potente e à sua vida trágica, tornando-a uma figura de culto para muitos.

Poemas

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Lady Lazarus

Lady Lazarus

I have done it again.

One year in every ten

I manage it

A sort of walking miracle, my skin

Bright as a Nazi lampshade,

My right foot

A paperweight,

My featureless, fine

Jew linen.

Peel off the napkin

O my enemy.

Do I terrify?

The nose, the eye pits, the full set of teeth?

The sour breath

Will vanish in a day.

Soon, soon the flesh

The grave cave ate will be

At home on me

And I a smiling woman.

I am only thirty.

And like the cat I have nine times to die.

This is Number Three.

What a trash

To annihilate each decade.

What a million filaments.

The Peanut-crunching crowd

Shoves in to see

Them unwrap me hand in foot

The big strip tease.

Gentleman , ladies

These are my hands

My knees.

I may be skin and bone,

Nevertheless, I am the same, identical woman.

The first time it happened I was ten.

It was an accident.

The second time I meant

To last it out and not come back at all.

I rocked shut

As a seashell.

They had to call and call

And pick the worms off me like sticky pearls.

Dying

Is an art, like everything else.

I do it exceptionally well.

I do it so it feels like hell.

I do it so it feels real.

I guess you could say Ive a call.

Its easy enough to do it in a cell.

Its easy enough to do it and stay put.

Its the theatrical

Comeback in broad day

To the same place, the same face, the same brute

Amused shout:

A miracle!

That knocks me out.

There is a charge

For the eyeing my scars, there is a charge

For the hearing of my heart

It really goes.

And there is a charge, a very large charge

For a word or a touch

Or a bit of blood

Or a piece of my hair on my clothes.

So, so, Herr Doktor.

So, Herr Enemy.

I am your opus,

I am your valuable,

The pure gold baby

That melts to a shriek.

I turn and burn.

Do not think I underestimate your great concern.

Ash, ash

You poke and stir.

Flesh, bone, there is nothing there

A cake of soap,

A wedding ring,

A gold filling.

Herr God, Herr Lucifer

Beware

Beware.

Out of the ash

I rise with my red hair

And I eat men like air.

1 672

Ariel

Êxtase no escuro,
E um fluir azul sem substância
De penhasco e distâncias.

Leoa de Deus,
Nos tornamos uma,
Eixo de calcanhares e joelhos! – O sulco

Fende e passa, irmã do
Arco castanho
Do pescoço que não posso abraçar,

Olhinegra
Bagas cospem escuras
Iscas –

Goles de sangue negro e doce,
Sombras.
Algo mais

Me arrasta pelos ares –
Coxas, pêlos;
Escamas de meus calcanhares.

Godiva
Branca, me descasco –
Mãos secas, secas asperezas.

E agora
Espumo com o trigo, reflexo de mares.
O grito da criança

Escorre pelo muro
E eu
Sou flecha,

Orvalho que avança,
Suicida, e de uma vez se lança
Contra o olho

Vermelho, fornalha da manhã.

5 394

Febre, 40°

Pura? Como assim?
As línguas do inferno
São sujas, sujas como as três

Línguas do sujo e gordo Cérbero
Que arfa ao portão. Incapaz
De lamber e limpar

O membro em febre, o pecado, o pecado.
A chama chora.
O cheiro inconfundível

De um toco de vela!
Amor, amor, a fumaça escapa de mim
Como a écharpe de Isadora, e temo

Que uma das pontas ancore-se na roda.
Uma fumaça amarela e lenta assim
faz de si seu elemento. Não vai subir,

Mas envolver o globo
Sufocando o velho e o oprimido,
O frágil

Bebê em seu berço,
Orquídea pálida
Suspensa em seu jardim suspenso no ar,

Leopardo diabólico!
A radiação o embarque
E o mata em uma hora.

Engordurando os corpos dos adúlteros
Como as cinzas de Hiroshima que os devora.
O pecado. O pecado.

Meu bem, passei a noite
Me virando, indo e vindo, indo e vindo,
Os lençóis me oprimindo como o beijo de um devasso.

Três dias. Três noites.
Limonada, canja
Aguarda, água me deixe enjoada.

Sou pura demais pra você ou pra qualquer um.
Seu corpo
Me ofende como o mundo ofende Deus. Sou uma lanterna –

Minha cabeça uma lua
De papel japonês, minha pele folheada a ouro
Infinitamente delicada e infinitamente cara.

Meu calor não te assusta. Nem minha luz.
Sou uma camélia imensa
Que oscila e jorra e brilha, gozo a gozo.

Acho que estou chegando,
Acho que posso levantar –
Contas de metal ardente voam, e eu, amor, eu

Sou uma virgem pura
De acetileno
Cercada de rosas,

De beijos, de querubins,
Ou do que sejam essas coisas róseas.
Não você, nem ele,

Não ele, nem ele
(Eu me dissolvo toda, anágua de puta velha) –
Ao Paraíso.

1 115

Auge

A mulher está perfeita.
Morto,

Seu corpo mostra um sorriso de satisfação
A ilusão de uma necessidade grega

Flui pelas dobras de sua toga,
Nus, seus pés

Parecem dizer:
Fomos tão longe, é o fim.

Cada criança morta, uma serpente branca
Em volta de cada

Vasilha de leite, agora vazia.
Ela abraçou

Todas em seu selo como pétalas
De uma rosa que se fecha quando o jardim

Se espessa e odores sangram
Da garganta profunda e doce de uma flor noturna.

A lua não tem nada que estar triste,
Espiando tudo de seu capuz de osso.

Ela já está acostumada a isso.
Seu lado negro avança e draga

(5 fevereiro 1963)



1 370

Lesbos

Safadeza na cozinha!
As batatas sibilam.
Isso é Hollywood, sem janelas,
A luz fluorescente oscila como uma enxaqueca terrível.
Nas portas, tiras de papel -
Cortinas de teatro, o cabelo crespo da viúva.
E eu, Amor, sou uma mentirosa patológica,
E minha filha - olhe só pra ela, de cara no assoalho,
Fantoche sem cordas, tremendo até sumir -
Como é esquizofrênica,
Sua cara corada e pálida, em pânico:
Você botou os gatos dela pra fora da janela
Numa caixa com areia
Onde podem vomitar e cagar e miar sem que ela possa ouvir.
Você diz que não suporta mais,
A putinha.
Você queimou suas válvulas como um rádio velho
Limpo de vozes e história, o ruído novo
Da estática.
Você diz que eu afogaria os gatinhos. Que fedor!
Você diz que eu afogaria minha filha.
Ela vai cortar a garganta aos dez se não pirar aos dois.
O sorriso do bebê, lesma obesa,
Nos losangos lustrados de linóleo laranja.
Você podia comê-lo. É um menino.
Você diz que seu marido não é bom pra você.
Sua mãe judia vigia seu sexo como jóia.
Você tem um bebê, eu tenho dois.
Eu bem podia me sentar numa rocha e me pentear.
Podia usar colã de tigresa e ter um affair.
A gente bem que podia se ver na outra vida, se ver no ar,
Só eu e você.

Porém há um cheiro de banha e cocô de bebê.
Estou dopada e enjoada depois do último sonífero.
Fumaça de cozinha, fumaça infernal
Nos sobrevoa, rivais venenosas,
Nossos ossos, nossos pêlos.
Te xingo de Órfã, órfã. Você esta doente.

O sol te dá úlcera, o vento, tuberculose.
Um dia você foi bonita.
Em Nova York, em Hollywood, os homens te diziam: "Acabou?
Gata, você é demais!".
Você servia, servia, servia pro papel.
E o marido brocha sai pra tomar um café.
Tento segurá-lo, não saio,
Relâmpago para um velho pára-raio,
Os banhos ácidos, um céu inteiro cheio de você.
Ele despenca da colina de plástico.
Trem desgovernado. Faíscas azuis se espalham,
Trincando como quartzo em milhões de pedacinhos.

O jóia! Ó valiosa!
Naquela noite a lua
Arrastou seu saco de sangue, animal
Doente
Por sobre as luzes do cais.
Então voltava ao crescente,
Dura, branca e ausente.
Na areia o brilho das escamas me matava de medo.
A gente as apanhava aos montes, curtindo,
Modelando-as como massa, um corpo mulato,
Grãos de seda.
Um cachorro pegou seu marido cachorro. E se mandou.

Agora estou quieta, ódio
Até o pescoço,
Grosso, grosso
Não falo nisso.
Empacoto batatas como roupas finas,
Empacoto os bebês,
Empacoto os gatos doentes.
Oh, ampola de ácido,
É de amor que você esta cheia. Você sabe quem você odeia.
Ele ruge e arrasta as correntes pelo portão
Que se abre pro mar
Onde ele invade, preto e branco,
E o vomita de volta.
Você o enche com seus papos profundos, como um jarro.
Você está um trapo.

Sua voz, meu brinco,
Voa e suga, morcego que ama sangue.
Isso é isso. Aquilo é aquilo.
Você escuta atrás da porta,
Bruxa triste. "Toda mulher é uma puta.
Não consigo dialogar."

Vejo seu fino décor
Te fechando como o punho de um bebê
Ou uma anêmona, esse mar.
Meu bem, cleptomaníaco.
Ainda estou crua.
Quem sabe um dia eu vou voltar.
Você sabe pra que servem as mentiras

Nem no seu paraíso Zen a gente vai se cruzar.



1 782

Criança

O olho claro é a coisa mais bonita em você.
Quem dera enchê-lo de patos e cores,
Zôo do novo,

Nomes em que você pensa –
Campânula-de-abril, Cachimbo-de-índio,
Pequenino

Caule sem espinhos,
Lago em cujas margens, imagens
Pudessem ser clássicas e imensas

Não esse tenso
Torcer de mãos, esse teto
Escuro e sem estrela.

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