Poemas neste tema
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Rossini Corrêa
Soneto da Arte Poética
Como escrever um soneto antológico,
se o sentimento não for meritório?
Tem, o poema, seu universo biológico,
sobre a fronteira deste território
verbal, que arquiteta o vôo mágico
do sonho, com plumas vestindo o azul.
Mas, sem coração e sem cérebro, trágico
será o soneto, estre cruzeiro sem sul.
— Se o poema é escrito com palavra,
a boca há de sentir gosto de sangue
e a mão há de pensar a sua lavra...
Do trapézio do verbo quedará exangue,
todo aquele que, à procura do infinito,
no promontório, canto, viva em grito.
se o sentimento não for meritório?
Tem, o poema, seu universo biológico,
sobre a fronteira deste território
verbal, que arquiteta o vôo mágico
do sonho, com plumas vestindo o azul.
Mas, sem coração e sem cérebro, trágico
será o soneto, estre cruzeiro sem sul.
— Se o poema é escrito com palavra,
a boca há de sentir gosto de sangue
e a mão há de pensar a sua lavra...
Do trapézio do verbo quedará exangue,
todo aquele que, à procura do infinito,
no promontório, canto, viva em grito.
1 017
Rossini Corrêa
Soneto da Arte Poética
Como escrever um soneto antológico,
se o sentimento não for meritório?
Tem, o poema, seu universo biológico,
sobre a fronteira deste território
verbal, que arquiteta o vôo mágico
do sonho, com plumas vestindo o azul.
Mas, sem coração e sem cérebro, trágico
será o soneto, estre cruzeiro sem sul.
— Se o poema é escrito com palavra,
a boca há de sentir gosto de sangue
e a mão há de pensar a sua lavra...
Do trapézio do verbo quedará exangue,
todo aquele que, à procura do infinito,
no promontório, canto, viva em grito.
se o sentimento não for meritório?
Tem, o poema, seu universo biológico,
sobre a fronteira deste território
verbal, que arquiteta o vôo mágico
do sonho, com plumas vestindo o azul.
Mas, sem coração e sem cérebro, trágico
será o soneto, estre cruzeiro sem sul.
— Se o poema é escrito com palavra,
a boca há de sentir gosto de sangue
e a mão há de pensar a sua lavra...
Do trapézio do verbo quedará exangue,
todo aquele que, à procura do infinito,
no promontório, canto, viva em grito.
1 017
Rossini Corrêa
Soneto da Arte Poética
Como escrever um soneto antológico,
se o sentimento não for meritório?
Tem, o poema, seu universo biológico,
sobre a fronteira deste território
verbal, que arquiteta o vôo mágico
do sonho, com plumas vestindo o azul.
Mas, sem coração e sem cérebro, trágico
será o soneto, estre cruzeiro sem sul.
— Se o poema é escrito com palavra,
a boca há de sentir gosto de sangue
e a mão há de pensar a sua lavra...
Do trapézio do verbo quedará exangue,
todo aquele que, à procura do infinito,
no promontório, canto, viva em grito.
se o sentimento não for meritório?
Tem, o poema, seu universo biológico,
sobre a fronteira deste território
verbal, que arquiteta o vôo mágico
do sonho, com plumas vestindo o azul.
Mas, sem coração e sem cérebro, trágico
será o soneto, estre cruzeiro sem sul.
— Se o poema é escrito com palavra,
a boca há de sentir gosto de sangue
e a mão há de pensar a sua lavra...
Do trapézio do verbo quedará exangue,
todo aquele que, à procura do infinito,
no promontório, canto, viva em grito.
1 017
Rogério Bessa
Do Canto IX:
O Mundo Encontrado:
Inércia Calada e Mudez Falante do Sol
no impacto do cacto intacto,
o olho de intáctil tacto,
viaduto da em sol ação;
no pacto do cacto intacto,
o sol de olho por olho
no tacto incacto da mão.
no pacto, o cacto e o tacto
contrátil do contratante,
chão por chantão malsão.
Inércia Calada e Mudez Falante do Sol
no impacto do cacto intacto,
o olho de intáctil tacto,
viaduto da em sol ação;
no pacto do cacto intacto,
o sol de olho por olho
no tacto incacto da mão.
no pacto, o cacto e o tacto
contrátil do contratante,
chão por chantão malsão.
963
Rogério Bessa
Do Canto IX:
O Mundo Encontrado:
Inércia Calada e Mudez Falante do Sol
no impacto do cacto intacto,
o olho de intáctil tacto,
viaduto da em sol ação;
no pacto do cacto intacto,
o sol de olho por olho
no tacto incacto da mão.
no pacto, o cacto e o tacto
contrátil do contratante,
chão por chantão malsão.
Inércia Calada e Mudez Falante do Sol
no impacto do cacto intacto,
o olho de intáctil tacto,
viaduto da em sol ação;
no pacto do cacto intacto,
o sol de olho por olho
no tacto incacto da mão.
no pacto, o cacto e o tacto
contrátil do contratante,
chão por chantão malsão.
963
Raimundo Fontenele
O Cavalo das Horas
era um cavalo negro sem tamanho
no prado sul do mundo onde corria
o sangue dos ginetes destroçados
era um cavalo grosso reluzente
varando espaços fortes velozmente
tangido a um prado e a outro sempre-sempre
era um cavalo branco frio mudo
em cujos olhos crianças se atiravam
na sela da manhã no chão no limbo
era um cavalo horáculo fogoso
sustentando o peito três medalhas
de heróis tombados sobre o véu do muro
era um cavalo azul de tanto medo
de patas farejando o firmamento
onde pessoas e prantos misturaram-se
era um cavalo verde só de sono
que carregava os tristes para um outro
campo de plantação devasso / puro
era um cavalo novo nova idade
secular instrumento da discórdia
que não subia ao céu nem ia à terra
no prado sul do mundo onde corria
o sangue dos ginetes destroçados
era um cavalo grosso reluzente
varando espaços fortes velozmente
tangido a um prado e a outro sempre-sempre
era um cavalo branco frio mudo
em cujos olhos crianças se atiravam
na sela da manhã no chão no limbo
era um cavalo horáculo fogoso
sustentando o peito três medalhas
de heróis tombados sobre o véu do muro
era um cavalo azul de tanto medo
de patas farejando o firmamento
onde pessoas e prantos misturaram-se
era um cavalo verde só de sono
que carregava os tristes para um outro
campo de plantação devasso / puro
era um cavalo novo nova idade
secular instrumento da discórdia
que não subia ao céu nem ia à terra
987
Soares Bulcão
Mater
Floreces na penumbra anônima do albergue,
Sob o humilde casal de pobres infelizes,
Onde mora a honradez, e a cuja sombra se ergue
A árvore da desgraça onde o amor fez raízes.
Ao mundo, sem que a dor teu ânimo se vergue,
Surges predestinada às fundas cicatrizes,
E passam sem deixar quem o teu passo enxergue,
Vás, embora, onde vás, pises por onde pises.
Segues a tua estrada entre flores e espinhos;
Ora esbarras na treva, ora na luz, e dentre
O universal rumor fere-te a voz dos ninhos;
E o teu sonho é tão grande, e a missão tão profunda,
Que desprezas a dor, porque trazes no ventre,
— Fonte de eterna vida — a dor que em ti fecunda!
Sob o humilde casal de pobres infelizes,
Onde mora a honradez, e a cuja sombra se ergue
A árvore da desgraça onde o amor fez raízes.
Ao mundo, sem que a dor teu ânimo se vergue,
Surges predestinada às fundas cicatrizes,
E passam sem deixar quem o teu passo enxergue,
Vás, embora, onde vás, pises por onde pises.
Segues a tua estrada entre flores e espinhos;
Ora esbarras na treva, ora na luz, e dentre
O universal rumor fere-te a voz dos ninhos;
E o teu sonho é tão grande, e a missão tão profunda,
Que desprezas a dor, porque trazes no ventre,
— Fonte de eterna vida — a dor que em ti fecunda!
1 017
Paulo Véras
Marujo
Dentro da minha casa
acolho uma velhice
que me acompanha desde que nasci
O copo de prata de vovó
com seus lábios bordados na borda
Os olhos de uma tia morta
a vigiar-me da moldura oval
A bengala de meu avô
incentivando-me o passeio na calçada
A fruteira de vidro verde
(com frutas de cera)
a decepar-me o apetite
O aparelho de jantar azul
a fornecer-me a penumbra e a sopa
das seis da tarde
Na beira do rio
tem quermesse e eu não posso ir
tem bingo e leilão de peru assado
tem barquinho e rolete de cana
Estou vestido de marinheiro
e só posso navegar no jardim
acolho uma velhice
que me acompanha desde que nasci
O copo de prata de vovó
com seus lábios bordados na borda
Os olhos de uma tia morta
a vigiar-me da moldura oval
A bengala de meu avô
incentivando-me o passeio na calçada
A fruteira de vidro verde
(com frutas de cera)
a decepar-me o apetite
O aparelho de jantar azul
a fornecer-me a penumbra e a sopa
das seis da tarde
Na beira do rio
tem quermesse e eu não posso ir
tem bingo e leilão de peru assado
tem barquinho e rolete de cana
Estou vestido de marinheiro
e só posso navegar no jardim
1 136
Rogério Bessa
Do Canto VIII:
O Cabo das Tormentas:
Minúsculos Adamastores e um Mundo Coberto de Pó
nesses olhos me revejo
na eterna insônia das noites,
giz me descreve letárgico
mundo coberto de pó.
povoe-me sonhos em sono,
mas não constitua herança,
pavana, espelho ou ocaso
aos olhos dessa criança.
momentos tredos e ledos
apascentam o giz nutriz
que me seduz como fora
trevo enredo ou flor-de-lis.
Minúsculos Adamastores e um Mundo Coberto de Pó
nesses olhos me revejo
na eterna insônia das noites,
giz me descreve letárgico
mundo coberto de pó.
povoe-me sonhos em sono,
mas não constitua herança,
pavana, espelho ou ocaso
aos olhos dessa criança.
momentos tredos e ledos
apascentam o giz nutriz
que me seduz como fora
trevo enredo ou flor-de-lis.
882
Ricardo Gonçalves
O Batuque
Vagas constelações de pirilampos
Ponteiam de oiro a densa noite escura.
Há um trágico silêncio na espessura
Dos matagais e na amplidão dos campos.
O batuque dos negros apavora.
Anda o saci nas moitas, vagabundo,
E almas penadas, almas do outro mundo,
Passam gemendo pela noite em fora.
Só, no ranchinho de sapé coberto,
Encosto o ouvido à taipa esburacada,
E ouço um curiango que soluça, perto...
Lambe a fogueira os últimos gravetos,
E pela noite rola, magoada,
A cantiga nostálgica dos pretos.
Ponteiam de oiro a densa noite escura.
Há um trágico silêncio na espessura
Dos matagais e na amplidão dos campos.
O batuque dos negros apavora.
Anda o saci nas moitas, vagabundo,
E almas penadas, almas do outro mundo,
Passam gemendo pela noite em fora.
Só, no ranchinho de sapé coberto,
Encosto o ouvido à taipa esburacada,
E ouço um curiango que soluça, perto...
Lambe a fogueira os últimos gravetos,
E pela noite rola, magoada,
A cantiga nostálgica dos pretos.
1 075
Ricardo Gonçalves
O Batuque
Vagas constelações de pirilampos
Ponteiam de oiro a densa noite escura.
Há um trágico silêncio na espessura
Dos matagais e na amplidão dos campos.
O batuque dos negros apavora.
Anda o saci nas moitas, vagabundo,
E almas penadas, almas do outro mundo,
Passam gemendo pela noite em fora.
Só, no ranchinho de sapé coberto,
Encosto o ouvido à taipa esburacada,
E ouço um curiango que soluça, perto...
Lambe a fogueira os últimos gravetos,
E pela noite rola, magoada,
A cantiga nostálgica dos pretos.
Ponteiam de oiro a densa noite escura.
Há um trágico silêncio na espessura
Dos matagais e na amplidão dos campos.
O batuque dos negros apavora.
Anda o saci nas moitas, vagabundo,
E almas penadas, almas do outro mundo,
Passam gemendo pela noite em fora.
Só, no ranchinho de sapé coberto,
Encosto o ouvido à taipa esburacada,
E ouço um curiango que soluça, perto...
Lambe a fogueira os últimos gravetos,
E pela noite rola, magoada,
A cantiga nostálgica dos pretos.
1 075
Prado Kelly
Relógio
Teces, fios do Tempo, as Horas... Em nevoentos
dias, severo deus, Cronos vívido, escreves,
na eterna oscilação dos nossos pensamentos,
glórias benditas, gozos suaves, sonhos leves.
E, enquanto marcas, no fragor dos sentimentos,
horas rubras de chama e horas frias de neves,
para instantes de dor teus compassos são lentos,
para sonhos de amor teus minutos são breves.
Dá-me repouso, ó Tempo, e dai-me, Horas augustas,
a esmola do sossego e a mercê do abandono.
Quero dormir... A treva é a luz das almas justas.
E, ó Destino, concede à minha alma incendida
a Morte, pois a Morte é o infinito do sono
e o sono, mais que tudo, é o conforto da Vida.
dias, severo deus, Cronos vívido, escreves,
na eterna oscilação dos nossos pensamentos,
glórias benditas, gozos suaves, sonhos leves.
E, enquanto marcas, no fragor dos sentimentos,
horas rubras de chama e horas frias de neves,
para instantes de dor teus compassos são lentos,
para sonhos de amor teus minutos são breves.
Dá-me repouso, ó Tempo, e dai-me, Horas augustas,
a esmola do sossego e a mercê do abandono.
Quero dormir... A treva é a luz das almas justas.
E, ó Destino, concede à minha alma incendida
a Morte, pois a Morte é o infinito do sono
e o sono, mais que tudo, é o conforto da Vida.
662
Rogério Bessa
Redescoberta de Orfeu ou O Mundo Nunca Encontrado
Do Canto I:
Prólogo Menos
lhe envio meu canto órfico
com o encanto de meu povo,
fala a lira em lira mor,
diz de orfeu o seu encanto.
sede e fome fomentaram
sua música, seu ritmo,
a queimar-lhe o sol a pele,
nasceu-lhe a redescoberta.
grande estalo resultou
num mundo nunca encontrado
e embora o canto doesse,
entremente não choveu.
Prólogo Menos
lhe envio meu canto órfico
com o encanto de meu povo,
fala a lira em lira mor,
diz de orfeu o seu encanto.
sede e fome fomentaram
sua música, seu ritmo,
a queimar-lhe o sol a pele,
nasceu-lhe a redescoberta.
grande estalo resultou
num mundo nunca encontrado
e embora o canto doesse,
entremente não choveu.
847
Rogério Bessa
Redescoberta de Orfeu ou O Mundo Nunca Encontrado
Do Canto I:
Prólogo Menos
lhe envio meu canto órfico
com o encanto de meu povo,
fala a lira em lira mor,
diz de orfeu o seu encanto.
sede e fome fomentaram
sua música, seu ritmo,
a queimar-lhe o sol a pele,
nasceu-lhe a redescoberta.
grande estalo resultou
num mundo nunca encontrado
e embora o canto doesse,
entremente não choveu.
Prólogo Menos
lhe envio meu canto órfico
com o encanto de meu povo,
fala a lira em lira mor,
diz de orfeu o seu encanto.
sede e fome fomentaram
sua música, seu ritmo,
a queimar-lhe o sol a pele,
nasceu-lhe a redescoberta.
grande estalo resultou
num mundo nunca encontrado
e embora o canto doesse,
entremente não choveu.
847
Rogério Bessa
Redescoberta de Orfeu ou O Mundo Nunca Encontrado
Do Canto I:
Prólogo Menos
lhe envio meu canto órfico
com o encanto de meu povo,
fala a lira em lira mor,
diz de orfeu o seu encanto.
sede e fome fomentaram
sua música, seu ritmo,
a queimar-lhe o sol a pele,
nasceu-lhe a redescoberta.
grande estalo resultou
num mundo nunca encontrado
e embora o canto doesse,
entremente não choveu.
Prólogo Menos
lhe envio meu canto órfico
com o encanto de meu povo,
fala a lira em lira mor,
diz de orfeu o seu encanto.
sede e fome fomentaram
sua música, seu ritmo,
a queimar-lhe o sol a pele,
nasceu-lhe a redescoberta.
grande estalo resultou
num mundo nunca encontrado
e embora o canto doesse,
entremente não choveu.
847
Rogério Bessa
Redescoberta de Orfeu ou O Mundo Nunca Encontrado
Do Canto I:
Prólogo Menos
lhe envio meu canto órfico
com o encanto de meu povo,
fala a lira em lira mor,
diz de orfeu o seu encanto.
sede e fome fomentaram
sua música, seu ritmo,
a queimar-lhe o sol a pele,
nasceu-lhe a redescoberta.
grande estalo resultou
num mundo nunca encontrado
e embora o canto doesse,
entremente não choveu.
Prólogo Menos
lhe envio meu canto órfico
com o encanto de meu povo,
fala a lira em lira mor,
diz de orfeu o seu encanto.
sede e fome fomentaram
sua música, seu ritmo,
a queimar-lhe o sol a pele,
nasceu-lhe a redescoberta.
grande estalo resultou
num mundo nunca encontrado
e embora o canto doesse,
entremente não choveu.
847
Nana Corrêa de Lima
Medo
Medo
Amo, mas sem certeza.
E é com dor nas entranhas
que assumo meus medos todos.
Vagarosamente,
Sem anestésico algum .....
Amo, mas sem certeza.
E é com dor nas entranhas
que assumo meus medos todos.
Vagarosamente,
Sem anestésico algum .....
887
Patrícia Moreira
Romantismo lítero-musical
O professor e pesquisador Aleilton Fonseca foi buscar nas páginas da literatura romântica do século XIX os elementos para compor o livro Enredo romântico, música ao fundo, no qual analisa a presença das manifestações lúdico-musicais na ficção urbana do Romantismo. Lançado pela editora Sette Letras, o livro foi elaborado a partir da tese de mestrado do autor, defendida na Universidade Federal da Paraíba, em 1992. O estudo se propõe a mostrar como o rendimento dos fatos musicais interferem no desenvolvimento das tramas romanescas e como os escritores da época representavam a vida musical com o intuito de valorizar determinados gêneros de origem européia como modelos ideais para a nossa cultura.
O estudo concentra-se na análise de obras de autores como Joaquim Manuel de Macedo, José de Alencar e Manuel Antonio de Almeida, destacando a dicotomia entre música culta e música vulgar, presente no ambiente cultural da época e reproduzida na literatura. No século XIX, o Brasil se dividia entre a produção musical calcada nos padrões europeus e a que se desenvolvia nos meios populares sob a influência espontânea das tradições indígenas e, sobretudo, africanas. Os romances urbanos e de costumes de autores como Joaquim Manuel de Macedo e José de Alencar, são ricos em referências às manifestações lúdico-musicais da burguesia imperial, enquanto Memórias de um sargento de milícias, de Manuel Antônio de Almeida, se volta para a representação das camadas mais pobres e, conseqüentemente, registra manifestações diferentes daquelas dos salões.
Manifestações lúdico-musicais
da burguesia
imperial
Existia uma
interrelação
entre os
gêneros
musicais.
Narrativa- "Almeida mostra que as manifestações populares eram colocadas no espaço da desordem social, incorporando à narrativa urbana os modelos populares desprezados pela cultura oficial e considerados vadiagem, malandragem, caso de polícia", revela Aleilton Fonseca. Memórias de um sargento de milícias mostra a atuação do Major Vidigal e seus granadeiros para acabar ou proibir festas e prender os seus participantes. Enredo romântico, música ao fundo, não se limita, no entanto, a simplesmente registrar as abordagens literárias das manifestações lúdico-musicais da época. O autor vai mais longe ao sustentar que, apesar do preconceito em relação às manifestações populares, existia uma interrelação entre os gêneros musicais.
Havia apropriação e certa adequação de gêneros de uma camada social por outra."Muitos músicos transitavam nos dois espaços, tocando a música certa nos lugares adequados, mas sempre aclimatando, adaptando alguma coisa", ilustra Aleilton Fonseca. Ele cita como exemplo a dança do lundu, que por muito tempo foi combatida, mas gerou o que se batizou de lundu-canção para piano, atendendo mais ao gosto da elite. A forte influência do modelo cultural europeu sobre a elite brasileira do século XIX, remontava, segundo o pesquisador, ao período colonial, sendo posteriormente reforçada pela chegada do rei Dom João VI, em 1808.
Com a vinda da corte portuguesa, o ambiente cultural de Lisboa, fortemente inspirado nas tendências ditadas pelos salões parisienses foi fielmente reproduzido no Brasil. "Dom João VI procurou, dentro do possível, reproduzir as condições culturais de Lisboa. Ele construíu um teatro lírico, criou a capela imperial, contratou a famosa Missão Artística para prover a corte brasileira de modelos a serem seguidos e reproduzidos", revela Aleiton Fonseca. Na tentativa de se aproximar da corte, os brasileiros mais abastados aderiram com facilidade à nova ordem cultural, fazendo com que o padrão trazido de Portugal passasse a ser reconhecido como o único correto e oficial, relegando as manifestações locais, de cunho popular, ao isolamento e à marginalidade. A dicotomia entre música culta e música "vulgar", enquanto referencial de classe, riqueza e poder, predominaria por todo o século XIX. Na literatura, a presença das manifestações lúdico-musicais ocorre enquanto elemento de contextualização. Os autores procuraram recriar nos romances o ambiente social da época. Enredo Romântico, música de fundo, além de desvendar o universo musical que marcou o século XIX pelo seu caráter interdisciplinar, oferece um amplo panorama histórico ao correlacionar literatura, cultura e sociedade.
(in A Tarde, Caderno Cultural, 11/01/97)
Leia obra poética de Aleiton Fonseca
O estudo concentra-se na análise de obras de autores como Joaquim Manuel de Macedo, José de Alencar e Manuel Antonio de Almeida, destacando a dicotomia entre música culta e música vulgar, presente no ambiente cultural da época e reproduzida na literatura. No século XIX, o Brasil se dividia entre a produção musical calcada nos padrões europeus e a que se desenvolvia nos meios populares sob a influência espontânea das tradições indígenas e, sobretudo, africanas. Os romances urbanos e de costumes de autores como Joaquim Manuel de Macedo e José de Alencar, são ricos em referências às manifestações lúdico-musicais da burguesia imperial, enquanto Memórias de um sargento de milícias, de Manuel Antônio de Almeida, se volta para a representação das camadas mais pobres e, conseqüentemente, registra manifestações diferentes daquelas dos salões.
Manifestações lúdico-musicais
da burguesia
imperial
Existia uma
interrelação
entre os
gêneros
musicais.
Narrativa- "Almeida mostra que as manifestações populares eram colocadas no espaço da desordem social, incorporando à narrativa urbana os modelos populares desprezados pela cultura oficial e considerados vadiagem, malandragem, caso de polícia", revela Aleilton Fonseca. Memórias de um sargento de milícias mostra a atuação do Major Vidigal e seus granadeiros para acabar ou proibir festas e prender os seus participantes. Enredo romântico, música ao fundo, não se limita, no entanto, a simplesmente registrar as abordagens literárias das manifestações lúdico-musicais da época. O autor vai mais longe ao sustentar que, apesar do preconceito em relação às manifestações populares, existia uma interrelação entre os gêneros musicais.
Havia apropriação e certa adequação de gêneros de uma camada social por outra."Muitos músicos transitavam nos dois espaços, tocando a música certa nos lugares adequados, mas sempre aclimatando, adaptando alguma coisa", ilustra Aleilton Fonseca. Ele cita como exemplo a dança do lundu, que por muito tempo foi combatida, mas gerou o que se batizou de lundu-canção para piano, atendendo mais ao gosto da elite. A forte influência do modelo cultural europeu sobre a elite brasileira do século XIX, remontava, segundo o pesquisador, ao período colonial, sendo posteriormente reforçada pela chegada do rei Dom João VI, em 1808.
Com a vinda da corte portuguesa, o ambiente cultural de Lisboa, fortemente inspirado nas tendências ditadas pelos salões parisienses foi fielmente reproduzido no Brasil. "Dom João VI procurou, dentro do possível, reproduzir as condições culturais de Lisboa. Ele construíu um teatro lírico, criou a capela imperial, contratou a famosa Missão Artística para prover a corte brasileira de modelos a serem seguidos e reproduzidos", revela Aleiton Fonseca. Na tentativa de se aproximar da corte, os brasileiros mais abastados aderiram com facilidade à nova ordem cultural, fazendo com que o padrão trazido de Portugal passasse a ser reconhecido como o único correto e oficial, relegando as manifestações locais, de cunho popular, ao isolamento e à marginalidade. A dicotomia entre música culta e música "vulgar", enquanto referencial de classe, riqueza e poder, predominaria por todo o século XIX. Na literatura, a presença das manifestações lúdico-musicais ocorre enquanto elemento de contextualização. Os autores procuraram recriar nos romances o ambiente social da época. Enredo Romântico, música de fundo, além de desvendar o universo musical que marcou o século XIX pelo seu caráter interdisciplinar, oferece um amplo panorama histórico ao correlacionar literatura, cultura e sociedade.
(in A Tarde, Caderno Cultural, 11/01/97)
Leia obra poética de Aleiton Fonseca
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Patrícia Moreira
Romantismo lítero-musical
O professor e pesquisador Aleilton Fonseca foi buscar nas páginas da literatura romântica do século XIX os elementos para compor o livro Enredo romântico, música ao fundo, no qual analisa a presença das manifestações lúdico-musicais na ficção urbana do Romantismo. Lançado pela editora Sette Letras, o livro foi elaborado a partir da tese de mestrado do autor, defendida na Universidade Federal da Paraíba, em 1992. O estudo se propõe a mostrar como o rendimento dos fatos musicais interferem no desenvolvimento das tramas romanescas e como os escritores da época representavam a vida musical com o intuito de valorizar determinados gêneros de origem européia como modelos ideais para a nossa cultura.
O estudo concentra-se na análise de obras de autores como Joaquim Manuel de Macedo, José de Alencar e Manuel Antonio de Almeida, destacando a dicotomia entre música culta e música vulgar, presente no ambiente cultural da época e reproduzida na literatura. No século XIX, o Brasil se dividia entre a produção musical calcada nos padrões europeus e a que se desenvolvia nos meios populares sob a influência espontânea das tradições indígenas e, sobretudo, africanas. Os romances urbanos e de costumes de autores como Joaquim Manuel de Macedo e José de Alencar, são ricos em referências às manifestações lúdico-musicais da burguesia imperial, enquanto Memórias de um sargento de milícias, de Manuel Antônio de Almeida, se volta para a representação das camadas mais pobres e, conseqüentemente, registra manifestações diferentes daquelas dos salões.
Manifestações lúdico-musicais
da burguesia
imperial
Existia uma
interrelação
entre os
gêneros
musicais.
Narrativa- "Almeida mostra que as manifestações populares eram colocadas no espaço da desordem social, incorporando à narrativa urbana os modelos populares desprezados pela cultura oficial e considerados vadiagem, malandragem, caso de polícia", revela Aleilton Fonseca. Memórias de um sargento de milícias mostra a atuação do Major Vidigal e seus granadeiros para acabar ou proibir festas e prender os seus participantes. Enredo romântico, música ao fundo, não se limita, no entanto, a simplesmente registrar as abordagens literárias das manifestações lúdico-musicais da época. O autor vai mais longe ao sustentar que, apesar do preconceito em relação às manifestações populares, existia uma interrelação entre os gêneros musicais.
Havia apropriação e certa adequação de gêneros de uma camada social por outra."Muitos músicos transitavam nos dois espaços, tocando a música certa nos lugares adequados, mas sempre aclimatando, adaptando alguma coisa", ilustra Aleilton Fonseca. Ele cita como exemplo a dança do lundu, que por muito tempo foi combatida, mas gerou o que se batizou de lundu-canção para piano, atendendo mais ao gosto da elite. A forte influência do modelo cultural europeu sobre a elite brasileira do século XIX, remontava, segundo o pesquisador, ao período colonial, sendo posteriormente reforçada pela chegada do rei Dom João VI, em 1808.
Com a vinda da corte portuguesa, o ambiente cultural de Lisboa, fortemente inspirado nas tendências ditadas pelos salões parisienses foi fielmente reproduzido no Brasil. "Dom João VI procurou, dentro do possível, reproduzir as condições culturais de Lisboa. Ele construíu um teatro lírico, criou a capela imperial, contratou a famosa Missão Artística para prover a corte brasileira de modelos a serem seguidos e reproduzidos", revela Aleiton Fonseca. Na tentativa de se aproximar da corte, os brasileiros mais abastados aderiram com facilidade à nova ordem cultural, fazendo com que o padrão trazido de Portugal passasse a ser reconhecido como o único correto e oficial, relegando as manifestações locais, de cunho popular, ao isolamento e à marginalidade. A dicotomia entre música culta e música "vulgar", enquanto referencial de classe, riqueza e poder, predominaria por todo o século XIX. Na literatura, a presença das manifestações lúdico-musicais ocorre enquanto elemento de contextualização. Os autores procuraram recriar nos romances o ambiente social da época. Enredo Romântico, música de fundo, além de desvendar o universo musical que marcou o século XIX pelo seu caráter interdisciplinar, oferece um amplo panorama histórico ao correlacionar literatura, cultura e sociedade.
(in A Tarde, Caderno Cultural, 11/01/97)
Leia obra poética de Aleiton Fonseca
O estudo concentra-se na análise de obras de autores como Joaquim Manuel de Macedo, José de Alencar e Manuel Antonio de Almeida, destacando a dicotomia entre música culta e música vulgar, presente no ambiente cultural da época e reproduzida na literatura. No século XIX, o Brasil se dividia entre a produção musical calcada nos padrões europeus e a que se desenvolvia nos meios populares sob a influência espontânea das tradições indígenas e, sobretudo, africanas. Os romances urbanos e de costumes de autores como Joaquim Manuel de Macedo e José de Alencar, são ricos em referências às manifestações lúdico-musicais da burguesia imperial, enquanto Memórias de um sargento de milícias, de Manuel Antônio de Almeida, se volta para a representação das camadas mais pobres e, conseqüentemente, registra manifestações diferentes daquelas dos salões.
Manifestações lúdico-musicais
da burguesia
imperial
Existia uma
interrelação
entre os
gêneros
musicais.
Narrativa- "Almeida mostra que as manifestações populares eram colocadas no espaço da desordem social, incorporando à narrativa urbana os modelos populares desprezados pela cultura oficial e considerados vadiagem, malandragem, caso de polícia", revela Aleilton Fonseca. Memórias de um sargento de milícias mostra a atuação do Major Vidigal e seus granadeiros para acabar ou proibir festas e prender os seus participantes. Enredo romântico, música ao fundo, não se limita, no entanto, a simplesmente registrar as abordagens literárias das manifestações lúdico-musicais da época. O autor vai mais longe ao sustentar que, apesar do preconceito em relação às manifestações populares, existia uma interrelação entre os gêneros musicais.
Havia apropriação e certa adequação de gêneros de uma camada social por outra."Muitos músicos transitavam nos dois espaços, tocando a música certa nos lugares adequados, mas sempre aclimatando, adaptando alguma coisa", ilustra Aleilton Fonseca. Ele cita como exemplo a dança do lundu, que por muito tempo foi combatida, mas gerou o que se batizou de lundu-canção para piano, atendendo mais ao gosto da elite. A forte influência do modelo cultural europeu sobre a elite brasileira do século XIX, remontava, segundo o pesquisador, ao período colonial, sendo posteriormente reforçada pela chegada do rei Dom João VI, em 1808.
Com a vinda da corte portuguesa, o ambiente cultural de Lisboa, fortemente inspirado nas tendências ditadas pelos salões parisienses foi fielmente reproduzido no Brasil. "Dom João VI procurou, dentro do possível, reproduzir as condições culturais de Lisboa. Ele construíu um teatro lírico, criou a capela imperial, contratou a famosa Missão Artística para prover a corte brasileira de modelos a serem seguidos e reproduzidos", revela Aleiton Fonseca. Na tentativa de se aproximar da corte, os brasileiros mais abastados aderiram com facilidade à nova ordem cultural, fazendo com que o padrão trazido de Portugal passasse a ser reconhecido como o único correto e oficial, relegando as manifestações locais, de cunho popular, ao isolamento e à marginalidade. A dicotomia entre música culta e música "vulgar", enquanto referencial de classe, riqueza e poder, predominaria por todo o século XIX. Na literatura, a presença das manifestações lúdico-musicais ocorre enquanto elemento de contextualização. Os autores procuraram recriar nos romances o ambiente social da época. Enredo Romântico, música de fundo, além de desvendar o universo musical que marcou o século XIX pelo seu caráter interdisciplinar, oferece um amplo panorama histórico ao correlacionar literatura, cultura e sociedade.
(in A Tarde, Caderno Cultural, 11/01/97)
Leia obra poética de Aleiton Fonseca
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Patrícia Moreira
Romantismo lítero-musical
O professor e pesquisador Aleilton Fonseca foi buscar nas páginas da literatura romântica do século XIX os elementos para compor o livro Enredo romântico, música ao fundo, no qual analisa a presença das manifestações lúdico-musicais na ficção urbana do Romantismo. Lançado pela editora Sette Letras, o livro foi elaborado a partir da tese de mestrado do autor, defendida na Universidade Federal da Paraíba, em 1992. O estudo se propõe a mostrar como o rendimento dos fatos musicais interferem no desenvolvimento das tramas romanescas e como os escritores da época representavam a vida musical com o intuito de valorizar determinados gêneros de origem européia como modelos ideais para a nossa cultura.
O estudo concentra-se na análise de obras de autores como Joaquim Manuel de Macedo, José de Alencar e Manuel Antonio de Almeida, destacando a dicotomia entre música culta e música vulgar, presente no ambiente cultural da época e reproduzida na literatura. No século XIX, o Brasil se dividia entre a produção musical calcada nos padrões europeus e a que se desenvolvia nos meios populares sob a influência espontânea das tradições indígenas e, sobretudo, africanas. Os romances urbanos e de costumes de autores como Joaquim Manuel de Macedo e José de Alencar, são ricos em referências às manifestações lúdico-musicais da burguesia imperial, enquanto Memórias de um sargento de milícias, de Manuel Antônio de Almeida, se volta para a representação das camadas mais pobres e, conseqüentemente, registra manifestações diferentes daquelas dos salões.
Manifestações lúdico-musicais
da burguesia
imperial
Existia uma
interrelação
entre os
gêneros
musicais.
Narrativa- "Almeida mostra que as manifestações populares eram colocadas no espaço da desordem social, incorporando à narrativa urbana os modelos populares desprezados pela cultura oficial e considerados vadiagem, malandragem, caso de polícia", revela Aleilton Fonseca. Memórias de um sargento de milícias mostra a atuação do Major Vidigal e seus granadeiros para acabar ou proibir festas e prender os seus participantes. Enredo romântico, música ao fundo, não se limita, no entanto, a simplesmente registrar as abordagens literárias das manifestações lúdico-musicais da época. O autor vai mais longe ao sustentar que, apesar do preconceito em relação às manifestações populares, existia uma interrelação entre os gêneros musicais.
Havia apropriação e certa adequação de gêneros de uma camada social por outra."Muitos músicos transitavam nos dois espaços, tocando a música certa nos lugares adequados, mas sempre aclimatando, adaptando alguma coisa", ilustra Aleilton Fonseca. Ele cita como exemplo a dança do lundu, que por muito tempo foi combatida, mas gerou o que se batizou de lundu-canção para piano, atendendo mais ao gosto da elite. A forte influência do modelo cultural europeu sobre a elite brasileira do século XIX, remontava, segundo o pesquisador, ao período colonial, sendo posteriormente reforçada pela chegada do rei Dom João VI, em 1808.
Com a vinda da corte portuguesa, o ambiente cultural de Lisboa, fortemente inspirado nas tendências ditadas pelos salões parisienses foi fielmente reproduzido no Brasil. "Dom João VI procurou, dentro do possível, reproduzir as condições culturais de Lisboa. Ele construíu um teatro lírico, criou a capela imperial, contratou a famosa Missão Artística para prover a corte brasileira de modelos a serem seguidos e reproduzidos", revela Aleiton Fonseca. Na tentativa de se aproximar da corte, os brasileiros mais abastados aderiram com facilidade à nova ordem cultural, fazendo com que o padrão trazido de Portugal passasse a ser reconhecido como o único correto e oficial, relegando as manifestações locais, de cunho popular, ao isolamento e à marginalidade. A dicotomia entre música culta e música "vulgar", enquanto referencial de classe, riqueza e poder, predominaria por todo o século XIX. Na literatura, a presença das manifestações lúdico-musicais ocorre enquanto elemento de contextualização. Os autores procuraram recriar nos romances o ambiente social da época. Enredo Romântico, música de fundo, além de desvendar o universo musical que marcou o século XIX pelo seu caráter interdisciplinar, oferece um amplo panorama histórico ao correlacionar literatura, cultura e sociedade.
(in A Tarde, Caderno Cultural, 11/01/97)
Leia obra poética de Aleiton Fonseca
O estudo concentra-se na análise de obras de autores como Joaquim Manuel de Macedo, José de Alencar e Manuel Antonio de Almeida, destacando a dicotomia entre música culta e música vulgar, presente no ambiente cultural da época e reproduzida na literatura. No século XIX, o Brasil se dividia entre a produção musical calcada nos padrões europeus e a que se desenvolvia nos meios populares sob a influência espontânea das tradições indígenas e, sobretudo, africanas. Os romances urbanos e de costumes de autores como Joaquim Manuel de Macedo e José de Alencar, são ricos em referências às manifestações lúdico-musicais da burguesia imperial, enquanto Memórias de um sargento de milícias, de Manuel Antônio de Almeida, se volta para a representação das camadas mais pobres e, conseqüentemente, registra manifestações diferentes daquelas dos salões.
Manifestações lúdico-musicais
da burguesia
imperial
Existia uma
interrelação
entre os
gêneros
musicais.
Narrativa- "Almeida mostra que as manifestações populares eram colocadas no espaço da desordem social, incorporando à narrativa urbana os modelos populares desprezados pela cultura oficial e considerados vadiagem, malandragem, caso de polícia", revela Aleilton Fonseca. Memórias de um sargento de milícias mostra a atuação do Major Vidigal e seus granadeiros para acabar ou proibir festas e prender os seus participantes. Enredo romântico, música ao fundo, não se limita, no entanto, a simplesmente registrar as abordagens literárias das manifestações lúdico-musicais da época. O autor vai mais longe ao sustentar que, apesar do preconceito em relação às manifestações populares, existia uma interrelação entre os gêneros musicais.
Havia apropriação e certa adequação de gêneros de uma camada social por outra."Muitos músicos transitavam nos dois espaços, tocando a música certa nos lugares adequados, mas sempre aclimatando, adaptando alguma coisa", ilustra Aleilton Fonseca. Ele cita como exemplo a dança do lundu, que por muito tempo foi combatida, mas gerou o que se batizou de lundu-canção para piano, atendendo mais ao gosto da elite. A forte influência do modelo cultural europeu sobre a elite brasileira do século XIX, remontava, segundo o pesquisador, ao período colonial, sendo posteriormente reforçada pela chegada do rei Dom João VI, em 1808.
Com a vinda da corte portuguesa, o ambiente cultural de Lisboa, fortemente inspirado nas tendências ditadas pelos salões parisienses foi fielmente reproduzido no Brasil. "Dom João VI procurou, dentro do possível, reproduzir as condições culturais de Lisboa. Ele construíu um teatro lírico, criou a capela imperial, contratou a famosa Missão Artística para prover a corte brasileira de modelos a serem seguidos e reproduzidos", revela Aleiton Fonseca. Na tentativa de se aproximar da corte, os brasileiros mais abastados aderiram com facilidade à nova ordem cultural, fazendo com que o padrão trazido de Portugal passasse a ser reconhecido como o único correto e oficial, relegando as manifestações locais, de cunho popular, ao isolamento e à marginalidade. A dicotomia entre música culta e música "vulgar", enquanto referencial de classe, riqueza e poder, predominaria por todo o século XIX. Na literatura, a presença das manifestações lúdico-musicais ocorre enquanto elemento de contextualização. Os autores procuraram recriar nos romances o ambiente social da época. Enredo Romântico, música de fundo, além de desvendar o universo musical que marcou o século XIX pelo seu caráter interdisciplinar, oferece um amplo panorama histórico ao correlacionar literatura, cultura e sociedade.
(in A Tarde, Caderno Cultural, 11/01/97)
Leia obra poética de Aleiton Fonseca
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Rogério Bessa
Soneto da Amada
vou perdido e achado em ti
em tempo partida do mundo sem tempo
tempo de omissão de todos os cuidados
para o mundo da tua presença
vou achado e perdido em ti
duas vidas solam um só tempo
vida de mãos dadas
de morno amor de seios
vou perdido e achado em ti
dormindo no sem tempo
à sombra do eterno
vou durmo esqueço à sombra em ti a
árvore de natal está linda
perdido e achado caminho e não ando.
em tempo partida do mundo sem tempo
tempo de omissão de todos os cuidados
para o mundo da tua presença
vou achado e perdido em ti
duas vidas solam um só tempo
vida de mãos dadas
de morno amor de seios
vou perdido e achado em ti
dormindo no sem tempo
à sombra do eterno
vou durmo esqueço à sombra em ti a
árvore de natal está linda
perdido e achado caminho e não ando.
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Nana Corrêa de Lima
Andarilho
Andarilho
Apenas dois pés
verdes de vivência.
Numa ânsia infantil
de andar sempre mais rápido.
Apenas dois pés
verdes de vivência.
Numa ânsia infantil
de andar sempre mais rápido.
908
Rogério Bessa
Do Canto V:
Viagem Dentro e ao Redor de um Canteiro/
Seus Pronomes Relativos ou Passeio no Quintal:
Antilhas
tem de seu a vegetal baga,
de gente, essa servilidade
e em todas as prestanças úteis,
o querer-ser e ser o que é.
em forma de glândula e pêlo,
a angústia sai pelas folhas
e a tristeza de coisa estampa
a palidez de suas flores.
na maturidade, enrubece
a agridoce ovóide baga,
na substância de polpa aquosa;
tenção de não-servir contente.
Seus Pronomes Relativos ou Passeio no Quintal:
Antilhas
tem de seu a vegetal baga,
de gente, essa servilidade
e em todas as prestanças úteis,
o querer-ser e ser o que é.
em forma de glândula e pêlo,
a angústia sai pelas folhas
e a tristeza de coisa estampa
a palidez de suas flores.
na maturidade, enrubece
a agridoce ovóide baga,
na substância de polpa aquosa;
tenção de não-servir contente.
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