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Renata Trocoli

Renata Trocoli

Sem Titulo

A saudade de teus meigos olhos a olhar-me com tanto amor

doe em meu peito com aguda tristeza, meu grande amor.

Tuas macias, delicadas e pequeninas m2os tocavam meu rosto

com tanto carinho e amor que n2o podia deixar-te

um minuto sem meus abraTos e doces palavras de amor.

Quando sent5vamos debaixo das estrelas nas noites mornas

da bela primavera da P0rsia, me abraTavas com tanto medo

e chorava baixinho escondendo teu lindo rostinho delicado em meu

peito, e me fazia jura-te amor eterno.

Este amor que jurei e sinto sempre por ti minha linda princesa.

Sinto saudades de tuas palavras e teu carinho ao ver-me zangado e

preocupado, e como me acalmava com teu belo olhar sobre o meu,

sorrindo com doTura e colocando minha cabeTa em teus delicados

ombros para fazer com que a calma tomasse conta de meu coraT2o.

Por tantos dias fiquei a admirar tua beleza

enquanto dormias um sono tranq ilo e

quantas vezes tocava teus lindos cabelos negros, macios e perfumados

sem ter vontade de fechar os olhos para n2o perder t2o bela vis2o.

Quantas vezes ainda dormi cansado em teus pequeninos braTos

sentindo cada vez mais um amor puro e leal por ti.

Me abraTavas com doce saudade e com l5grimas nos olhos

depois de dias de batalha sem ver-me.

E cuidava de mim com tanto carinho e me amava com tanta saudade

que meus dias pareciam um doce sonho que n2o poderia nunca ter fim.

O mais triste meu amor foi perder-te.

Foi perceber que teu amor n2o mais me envolveria o corpo,

que n2o mais teria tua presenTa a cuidar de mim

nas noites de cansaTo ap s uma batalha.

Com uma linda e dolorosa promessa nos despedimos.

Tu me abraTaste chorosa e amedrontada,

e prometemos um amor eterno

por todos os lugares onde pass5ssemos. Aonde estiv0ssemos.

Hoje a saudade de teus doces olhinhos

a olhar-me com amor cegam meus dias.

Mas pelo menos ainda posso sentir teus perfume

e teus abraTos a me envolver...

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Roberto Pontes

Roberto Pontes

Para O Bem da Poesia

por Fernando Py
Dentre os livros que, de uma forma ou outra, tomam como assunto exclusivo as questões sócio-econômicas e políticas do nosso tempo, enfocando sobretudo o período negro da ditadura militar recente no Brasil, este Verbo Encarnado se assinala imediatamente pela coerência de propósitos e pela coesão interna.
Coerência que se mostra na atitude severa de combate, denúncia e condenação, mesmo quando não trata das mazelas originárias do golpe militar, mas igualmente das presentes na vida brasileira, principalmente no Nordeste sempre sofrido que o poeta vivencia no sangue e na alma. Coesão que enforma todos os poemas do livro, pois, de certo modo, eles se complementam uns aos outros, lançando luzes novas sobre os problemas dos desvalidos e dos miseráveis, no Brasil e no exterior.
Verbo Encarnado, porém, não representa apenas o desabafo e a revolta. Também reafirma uma posição já assumida na obra anterior do poeta, a sua marca pessoal diante desse mundo em que vivemos, com freqüência hostil e desprezível, mas que poderá vir a ser um dia o universo ideal da espécie humana. Roberto Pontes sabe que reformar o mundo é uma tarefa inglória, senão inútil. Caberia ao indivíduo particular, pela denúncia e pelo combate, contribuir com sua parcela na luta para melhorá-lo. E a parcela do poeta é sua obra poética.
Assim, este livro expõe o que há de errado no contexto sócio-econômico do Brasil, vibra e vergasta os nossos males – mas, acima de tudo, não se esquece de que é um livro de poemas e não um mero folheto panfletário. É importante chamar a atenção para isto, pois essa poesia, tão "datada", não se restringe ao simples fato político-social que a gerou; vai além, impõe-se ao leitor pelo acabamento dos poemas, muito bem cuidados.
E mesmo aí, mostra-se Roberto Pontes um artista acima do mero artesão. Raramente exibe ao leitor um produto bem acabado demais, certinho e sem alcance maior. Em poemas cuja forma fixa é natural – senão obrigatória – não se detém o poeta na medida rigorosa dos versos, antes deixa-os quase sempre a flutuar no balanço de uma ou duas sílabas a mais ou a menos, o que não só contribui para a melodia das linhas, como para o lucro poético do conjunto.
Se poemas como "Verbo Encarnado", "Didática do Homem", "Soul por Luther King", "Fala sobre o Medo" e muitos outros, mostram um poeta bastante afinado com o que acontece no mundo e suas repercussões em cada um de nós, já versos como os da "Chula da Rendeira" e da "Gemedeira da Floreira" provam-no senhor dos ritmos melódicos dos versos, um artista que não se deixa apequenar pelas contingências, antes assimila-as admiravelmente, transformando em matéria poética tudo o que existe de perverso no homem e no mundo. Para o bem da poesia.

FERNANDO PY é tradutor de autores como André Maurois,
Saul Bellow, Marguerite Duras e Marcel Proust. Crítico, colabora
com artigos sobre literatura para jornais e revistas do Rio, São
Paulo, Belo Horizonte e Porto Alegre, dos quais alguns foram
reunidos no volume Chão da Crítica (1984). Poeta, autor de
Aurora de Vidro (1962), A Construção e a Crise (1969); Vozes
do Corpo (1981), Dezoito Sextinas para Mulheres de Outrora
(1981), Antiuniverso (1994); participante do livro Quatro Poetas
(1976). Foi organizador das Poesias Completas de Joaquim
Cardozo (Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1971) e de
Auto-Retrato e Outras Crônicas de Drummond (Rio de Janeiro:
Record, 1981). Membro da Academia Petropolitana de Letras,
dirige juntamente com Camilo Mota o jornal Poiésis/Literatura
em Petrópolis.

Leia Obra Poética de Fernando Py

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