Poemas neste tema
Outros
Roberto Pontes
Contracanto
Estou em meu poema
como os amantes se estão.
Moro nas vogais e consoantes
circunflexos
ós e xizes cantantes.
Estou nos casebres tristes
da imaginação.
Sou nas quase
vírgulas de ouro
que faço sem porquês.
O alfabeto habito
como me moram
muitas vezes muitas
meu coração.
como os amantes se estão.
Moro nas vogais e consoantes
circunflexos
ós e xizes cantantes.
Estou nos casebres tristes
da imaginação.
Sou nas quase
vírgulas de ouro
que faço sem porquês.
O alfabeto habito
como me moram
muitas vezes muitas
meu coração.
1 247
Roberto Pontes
Contracanto
Estou em meu poema
como os amantes se estão.
Moro nas vogais e consoantes
circunflexos
ós e xizes cantantes.
Estou nos casebres tristes
da imaginação.
Sou nas quase
vírgulas de ouro
que faço sem porquês.
O alfabeto habito
como me moram
muitas vezes muitas
meu coração.
como os amantes se estão.
Moro nas vogais e consoantes
circunflexos
ós e xizes cantantes.
Estou nos casebres tristes
da imaginação.
Sou nas quase
vírgulas de ouro
que faço sem porquês.
O alfabeto habito
como me moram
muitas vezes muitas
meu coração.
1 247
Roberto Pontes
Contracanto
Estou em meu poema
como os amantes se estão.
Moro nas vogais e consoantes
circunflexos
ós e xizes cantantes.
Estou nos casebres tristes
da imaginação.
Sou nas quase
vírgulas de ouro
que faço sem porquês.
O alfabeto habito
como me moram
muitas vezes muitas
meu coração.
como os amantes se estão.
Moro nas vogais e consoantes
circunflexos
ós e xizes cantantes.
Estou nos casebres tristes
da imaginação.
Sou nas quase
vírgulas de ouro
que faço sem porquês.
O alfabeto habito
como me moram
muitas vezes muitas
meu coração.
1 247
Romulo Gouvêa
Amar
que impõe
à alma o desarmar
e ao coração, para vida
o despertar,
que dispõe
o amante a se despojar
e na direção do amado
caminhar,
que expõe
todos os nervos sem pensar
e uma força para o máximo
arriscar,
é o infinitivo
do infinitamente dar.
à alma o desarmar
e ao coração, para vida
o despertar,
que dispõe
o amante a se despojar
e na direção do amado
caminhar,
que expõe
todos os nervos sem pensar
e uma força para o máximo
arriscar,
é o infinitivo
do infinitamente dar.
850
Paulo Augusto Rodrigues
Espanto
É o silêncio que te choca?
Ver meu rosto contraído,
Meu copo vazio,
Meu estado de abandono.
Minha insônia,
Meus tremores,
Os vacilos de memória.
Ver minha bílis escarrada,
Meu desânimo latente,
Meu amargo desumor,
Meus suores quando durmo,
O volume do cinzeiro,
O escritório em desalinho,
A ausência do querer.
Me faltam as respostas.
É quando calo.
Agora, me diga,
É o silêncio que te choca?
Ver meu rosto contraído,
Meu copo vazio,
Meu estado de abandono.
Minha insônia,
Meus tremores,
Os vacilos de memória.
Ver minha bílis escarrada,
Meu desânimo latente,
Meu amargo desumor,
Meus suores quando durmo,
O volume do cinzeiro,
O escritório em desalinho,
A ausência do querer.
Me faltam as respostas.
É quando calo.
Agora, me diga,
É o silêncio que te choca?
986
Paulo Augusto Rodrigues
Espanto
É o silêncio que te choca?
Ver meu rosto contraído,
Meu copo vazio,
Meu estado de abandono.
Minha insônia,
Meus tremores,
Os vacilos de memória.
Ver minha bílis escarrada,
Meu desânimo latente,
Meu amargo desumor,
Meus suores quando durmo,
O volume do cinzeiro,
O escritório em desalinho,
A ausência do querer.
Me faltam as respostas.
É quando calo.
Agora, me diga,
É o silêncio que te choca?
Ver meu rosto contraído,
Meu copo vazio,
Meu estado de abandono.
Minha insônia,
Meus tremores,
Os vacilos de memória.
Ver minha bílis escarrada,
Meu desânimo latente,
Meu amargo desumor,
Meus suores quando durmo,
O volume do cinzeiro,
O escritório em desalinho,
A ausência do querer.
Me faltam as respostas.
É quando calo.
Agora, me diga,
É o silêncio que te choca?
986
Rolf de Souza
Seu cabelo é raíz exposta
Seu cabelo é raíz exposta
que deixa a amostra
uma História que não se pode calar!
Uma História plantada na cabeça.
Para que não se esqueça
a áfrica de seus ancestrais.
Quem não conhece esta História
com a pele se conforma,
mas com o cabelo, não há perdão, o deforma.
De repente: uma história! Não: A História!
Uma História que, como não se fosse pouco,
vira dona de todo o corpo.
Nela se aprende que cabeça
não é só cabeça: é orí.
É nela que está a força que te faz existir.
Seu cabelo de fora será um escândalo!
Mas lembra da Rainha Nefertiti,
cuja coroa é a própria carapinha!
que deixa a amostra
uma História que não se pode calar!
Uma História plantada na cabeça.
Para que não se esqueça
a áfrica de seus ancestrais.
Quem não conhece esta História
com a pele se conforma,
mas com o cabelo, não há perdão, o deforma.
De repente: uma história! Não: A História!
Uma História que, como não se fosse pouco,
vira dona de todo o corpo.
Nela se aprende que cabeça
não é só cabeça: é orí.
É nela que está a força que te faz existir.
Seu cabelo de fora será um escândalo!
Mas lembra da Rainha Nefertiti,
cuja coroa é a própria carapinha!
845
Rosa Bruno
Senor Montado
Senhor da solidão, da soledade, Senhor Montado!...
Lembro os medonhos fragores
Das suas trovoadas,
Que pareciam mesmo zangas
Zangas da sua austera majestade...
Lembro as bolotas doces,
Melhores que castanhas das melhores,
Das suas tristonhas azinheiras,
Senhoras graves, nobres de maneiras...
Lembro os seus pastores,
Estáticos, altivos,
Dos rebanhos enormes, seus rebanhos,
Ai nos meus olhos tão vivos!...
E os silêncios infinitos
E os sois e os luares
Coados na ramagem...
E os troncos sangrentos, descarnados,
Escalpelo impiedoso do deus homem,
Nunca farto de carnagem...
E lembro-lhe ser-lhe sempre dedicado,
Sempre filho, sempre escravo,
Senhor da solidão, da soledade
Senhor Montado, de austera majestade...
Lembro os medonhos fragores
Das suas trovoadas,
Que pareciam mesmo zangas
Zangas da sua austera majestade...
Lembro as bolotas doces,
Melhores que castanhas das melhores,
Das suas tristonhas azinheiras,
Senhoras graves, nobres de maneiras...
Lembro os seus pastores,
Estáticos, altivos,
Dos rebanhos enormes, seus rebanhos,
Ai nos meus olhos tão vivos!...
E os silêncios infinitos
E os sois e os luares
Coados na ramagem...
E os troncos sangrentos, descarnados,
Escalpelo impiedoso do deus homem,
Nunca farto de carnagem...
E lembro-lhe ser-lhe sempre dedicado,
Sempre filho, sempre escravo,
Senhor da solidão, da soledade
Senhor Montado, de austera majestade...
880
Rosa Bruno
Senor Montado
Senhor da solidão, da soledade, Senhor Montado!...
Lembro os medonhos fragores
Das suas trovoadas,
Que pareciam mesmo zangas
Zangas da sua austera majestade...
Lembro as bolotas doces,
Melhores que castanhas das melhores,
Das suas tristonhas azinheiras,
Senhoras graves, nobres de maneiras...
Lembro os seus pastores,
Estáticos, altivos,
Dos rebanhos enormes, seus rebanhos,
Ai nos meus olhos tão vivos!...
E os silêncios infinitos
E os sois e os luares
Coados na ramagem...
E os troncos sangrentos, descarnados,
Escalpelo impiedoso do deus homem,
Nunca farto de carnagem...
E lembro-lhe ser-lhe sempre dedicado,
Sempre filho, sempre escravo,
Senhor da solidão, da soledade
Senhor Montado, de austera majestade...
Lembro os medonhos fragores
Das suas trovoadas,
Que pareciam mesmo zangas
Zangas da sua austera majestade...
Lembro as bolotas doces,
Melhores que castanhas das melhores,
Das suas tristonhas azinheiras,
Senhoras graves, nobres de maneiras...
Lembro os seus pastores,
Estáticos, altivos,
Dos rebanhos enormes, seus rebanhos,
Ai nos meus olhos tão vivos!...
E os silêncios infinitos
E os sois e os luares
Coados na ramagem...
E os troncos sangrentos, descarnados,
Escalpelo impiedoso do deus homem,
Nunca farto de carnagem...
E lembro-lhe ser-lhe sempre dedicado,
Sempre filho, sempre escravo,
Senhor da solidão, da soledade
Senhor Montado, de austera majestade...
880
Roberto Pontes
As Raízes
As raízes explicam sempre as folhas
adidas aos ramos projetados,
e nelas, a essência bruxuleia.
Da sua duração subterrânea
vem o vago e o complexo das plantas
onde apanho o real pelos cabelos.
adidas aos ramos projetados,
e nelas, a essência bruxuleia.
Da sua duração subterrânea
vem o vago e o complexo das plantas
onde apanho o real pelos cabelos.
697
Rosa Bruno
O meu bailador que vi
O meu bailador que vi
Fandangando, fandangando,
Labareda levantando
Esbelta, num frenesi,
Era bem de carne e osso,
Era morrendo um destroço
Do que não era de si...
Fandangava, fandangava,
Com volúpia de guerreiro
E era lume feiticeiro
Dos olhos de quem estava,
E era flecha e pião
A fugir pisando o chão
Que pisava e repisava...
O meu bailador que vi
Fandangando, fandangando,
Labareda levantando
Esbelta, num frenesi,
Era bem de carne e osso,
Era morrendo um destroço,
Do que não era de si...
Fandangando, fandangando,
Labareda levantando
Esbelta, num frenesi,
Era bem de carne e osso,
Era morrendo um destroço
Do que não era de si...
Fandangava, fandangava,
Com volúpia de guerreiro
E era lume feiticeiro
Dos olhos de quem estava,
E era flecha e pião
A fugir pisando o chão
Que pisava e repisava...
O meu bailador que vi
Fandangando, fandangando,
Labareda levantando
Esbelta, num frenesi,
Era bem de carne e osso,
Era morrendo um destroço,
Do que não era de si...
1 131
Rosa Bruno
O meu bailador que vi
O meu bailador que vi
Fandangando, fandangando,
Labareda levantando
Esbelta, num frenesi,
Era bem de carne e osso,
Era morrendo um destroço
Do que não era de si...
Fandangava, fandangava,
Com volúpia de guerreiro
E era lume feiticeiro
Dos olhos de quem estava,
E era flecha e pião
A fugir pisando o chão
Que pisava e repisava...
O meu bailador que vi
Fandangando, fandangando,
Labareda levantando
Esbelta, num frenesi,
Era bem de carne e osso,
Era morrendo um destroço,
Do que não era de si...
Fandangando, fandangando,
Labareda levantando
Esbelta, num frenesi,
Era bem de carne e osso,
Era morrendo um destroço
Do que não era de si...
Fandangava, fandangava,
Com volúpia de guerreiro
E era lume feiticeiro
Dos olhos de quem estava,
E era flecha e pião
A fugir pisando o chão
Que pisava e repisava...
O meu bailador que vi
Fandangando, fandangando,
Labareda levantando
Esbelta, num frenesi,
Era bem de carne e osso,
Era morrendo um destroço,
Do que não era de si...
1 131
Roberto Pontes
Se a Esmo a Apatia Te Acudir
Se a esmo a apatia te acudir
e a casa ficar triste e desbotada
será preciso lembrar a aflição
de quem te pensa e sempre silencia.
E quando a minha ausência sufocar
teu ser, sem lenitivo,
urge saber que assim eu te maltrato
e sofro longe esta dor comum.
Quando a solidão fingir que te domina
e a vida parecer um desespero
bom é que penses apenas no tesouro
contido ali no coração que ama.
Mas se nada suplantar a minha falta,
estejas certa que não sou teu deus,
certeza tenhas que não sou o sol,
porque navego os mesmos sentimentos.
e a casa ficar triste e desbotada
será preciso lembrar a aflição
de quem te pensa e sempre silencia.
E quando a minha ausência sufocar
teu ser, sem lenitivo,
urge saber que assim eu te maltrato
e sofro longe esta dor comum.
Quando a solidão fingir que te domina
e a vida parecer um desespero
bom é que penses apenas no tesouro
contido ali no coração que ama.
Mas se nada suplantar a minha falta,
estejas certa que não sou teu deus,
certeza tenhas que não sou o sol,
porque navego os mesmos sentimentos.
836
Paulo Augusto Rodrigues
Choro
Revendo as mesmas velhas fotos,
Relendo as mesmas lindas cartas,
Revivendo cada instante,
Cada detalhe.
Alguém canta na vitrola
Aquelas músicas esquecidas.
Ingenuidade perdida.
Neste momento de tristeza
Lembranças são troncos na água,
Me salvando a vida.
Impedindo que me afogue,
Nas correntezas e abismos
Que sobressaem neste dia.
O peso vem de fora,
Mas a força para suportá-lo
Esgota energias interiores.
Já não sinto meus membros...
As recordações voam sobre minha cabeça,
Se vão a garra e o ardor.
O tronco se afasta mais e mais,
As águas me engolem com ânsia.
Afundo...
E sinto que lá no fundo,
Choro.
Relendo as mesmas lindas cartas,
Revivendo cada instante,
Cada detalhe.
Alguém canta na vitrola
Aquelas músicas esquecidas.
Ingenuidade perdida.
Neste momento de tristeza
Lembranças são troncos na água,
Me salvando a vida.
Impedindo que me afogue,
Nas correntezas e abismos
Que sobressaem neste dia.
O peso vem de fora,
Mas a força para suportá-lo
Esgota energias interiores.
Já não sinto meus membros...
As recordações voam sobre minha cabeça,
Se vão a garra e o ardor.
O tronco se afasta mais e mais,
As águas me engolem com ânsia.
Afundo...
E sinto que lá no fundo,
Choro.
876
Rogério F. P.
A Tanatus
Que gosto tem, no final da tarde, cálida criatura,
tornar-se a figura que assusta minhalma
dando fim a toda a minha calma,
e se afastar levando consigo a última parede do meu abrigo?
Seus olhos são archotes fumegantes de pavor.
Sua boca traz blasfêmias do inferno
mas, mesmo assim, pobre enfermo,
acendo pra você uma vela
em sinal de reverência.
Leve-me embora, já é tempo,
finda-se a hora.
O tempo escoa sobre os andrajos desse corpo imundo,
já pende a carne carcomida e ofereço-a a você, minha querida!
Tem a sua frente um adorador.
Leve-me, meu amor,
envolva-me em seus braços
e faça, finalmente, dessa existência demente
uma estátua posta no inferno!
tornar-se a figura que assusta minhalma
dando fim a toda a minha calma,
e se afastar levando consigo a última parede do meu abrigo?
Seus olhos são archotes fumegantes de pavor.
Sua boca traz blasfêmias do inferno
mas, mesmo assim, pobre enfermo,
acendo pra você uma vela
em sinal de reverência.
Leve-me embora, já é tempo,
finda-se a hora.
O tempo escoa sobre os andrajos desse corpo imundo,
já pende a carne carcomida e ofereço-a a você, minha querida!
Tem a sua frente um adorador.
Leve-me, meu amor,
envolva-me em seus braços
e faça, finalmente, dessa existência demente
uma estátua posta no inferno!
969
Roberto Pontes
Epitáfio
Aqui jaz o amor um dia dito
só de beijos e flores viveria.
E não morreu por falta de sustento,
ardor e sonho, pois estes vivem sempre
ao jugo seco da crua existência.
Deixou de haver o sopro simples,
o desejo de ser o conivente,
o comparsa do outro na paixão
que a vida faz ruir devagarinho.
Quem esta morte de bom grado aceita
quer deixar escrito na memória,
na verdade indestrutível de um poema,
o seu perdão, o seu adeus,
o seu soturno desamparo ausente.
só de beijos e flores viveria.
E não morreu por falta de sustento,
ardor e sonho, pois estes vivem sempre
ao jugo seco da crua existência.
Deixou de haver o sopro simples,
o desejo de ser o conivente,
o comparsa do outro na paixão
que a vida faz ruir devagarinho.
Quem esta morte de bom grado aceita
quer deixar escrito na memória,
na verdade indestrutível de um poema,
o seu perdão, o seu adeus,
o seu soturno desamparo ausente.
1 286
Rogério F. P.
Oh ódio, sentimento incompreendido,
Oh ódio, sentimento incompreendido,
demiurgo do artifício, espectro fumegante
que ilumina os olhos cegos
dos amantes compulsivos!
Tu que ditas as regras entre
os amaldiçoados, decreptos
e infames. Licor sagrado
dos malditos infantes que com
vontade mataram sem
piedade as pobres criancinhas.
Aqui deixo relatado com a pena ungida de sangue
que, sem tu, sentimento inigualável
nós não seríamos felizes um dia,
por não ter conhecido então,
o lado escuro desta nossa vida.
demiurgo do artifício, espectro fumegante
que ilumina os olhos cegos
dos amantes compulsivos!
Tu que ditas as regras entre
os amaldiçoados, decreptos
e infames. Licor sagrado
dos malditos infantes que com
vontade mataram sem
piedade as pobres criancinhas.
Aqui deixo relatado com a pena ungida de sangue
que, sem tu, sentimento inigualável
nós não seríamos felizes um dia,
por não ter conhecido então,
o lado escuro desta nossa vida.
801
Roberto Pontes
Quântica 5
a nebulosa no olho
arroio de prata e leite
fusão amarelo ocre
na tocha fosforejante
zeus no carrossel coral
a nebulosa no olho
esverdosilosidades
vermelhofuscolizantes
lantejoulinhas no ar
(De Lições de Espaço: teletipos, módulos e quânticas.
Fortaleza: Imprensa Universitária, 1971)
arroio de prata e leite
fusão amarelo ocre
na tocha fosforejante
zeus no carrossel coral
a nebulosa no olho
esverdosilosidades
vermelhofuscolizantes
lantejoulinhas no ar
(De Lições de Espaço: teletipos, módulos e quânticas.
Fortaleza: Imprensa Universitária, 1971)
950
Rogério F. P.
É alegre o baile dos restos
É alegre o baile dos restos
que me pendem do corpo
ao sabor dos ventos,
que sopram à leste.
Brincam entre meus
orifícios abertos pelas
mágoas que cultivei,
as inocentes criancinhas!
Quando alcançar finalmente os umbrais da morte
deixarei a cada amigo
então, um pedaço deste
melancólico pagão,
para que, em noites
melancólicas de inverno, se
lembrem que, aquele
que fora um deles,
agora repousa sossegado no inferno!
que me pendem do corpo
ao sabor dos ventos,
que sopram à leste.
Brincam entre meus
orifícios abertos pelas
mágoas que cultivei,
as inocentes criancinhas!
Quando alcançar finalmente os umbrais da morte
deixarei a cada amigo
então, um pedaço deste
melancólico pagão,
para que, em noites
melancólicas de inverno, se
lembrem que, aquele
que fora um deles,
agora repousa sossegado no inferno!
856
Roberto Pontes
Louvação
De muitos pores-de-sóis
vou renascendo Fênix.
A noite se polui
no azul de estrelas novas
e as constelações xixizam
pó metálico no espaço.
Um doce frio
gruda em minha pele.
Então se aguarda uma aurora grave.
Então eu sinto o tempo derramado.
vou renascendo Fênix.
A noite se polui
no azul de estrelas novas
e as constelações xixizam
pó metálico no espaço.
Um doce frio
gruda em minha pele.
Então se aguarda uma aurora grave.
Então eu sinto o tempo derramado.
906
Romulo Gouvêa
Uma cena
Uma cena.
Não sei se tinha cenário
não me lembro de cenário.
Não sei se tinha música ao fundo
não me lembro de música alguma.
Não era um ato, era uma cena
sem tempo.
Uma cena que se imprimiu
na minha memória para sempre.
Como um retrato, uma pintura
um instante que parou no espaço.
Eu a olhava, ela me olhava.
A nossa imagem dentro do nosso olhar.
E os dois ângulos desta cena,
em retinas diferentes,
eu pude ter de repente
juntos num só lugar,
numa cena que se imprimiu
na minha memória para sempre,
a cena do nosso olhar.
Não sei se tinha cenário
não me lembro de cenário.
Não sei se tinha música ao fundo
não me lembro de música alguma.
Não era um ato, era uma cena
sem tempo.
Uma cena que se imprimiu
na minha memória para sempre.
Como um retrato, uma pintura
um instante que parou no espaço.
Eu a olhava, ela me olhava.
A nossa imagem dentro do nosso olhar.
E os dois ângulos desta cena,
em retinas diferentes,
eu pude ter de repente
juntos num só lugar,
numa cena que se imprimiu
na minha memória para sempre,
a cena do nosso olhar.
916
Romulo Gouvêa
Uma cena
Uma cena.
Não sei se tinha cenário
não me lembro de cenário.
Não sei se tinha música ao fundo
não me lembro de música alguma.
Não era um ato, era uma cena
sem tempo.
Uma cena que se imprimiu
na minha memória para sempre.
Como um retrato, uma pintura
um instante que parou no espaço.
Eu a olhava, ela me olhava.
A nossa imagem dentro do nosso olhar.
E os dois ângulos desta cena,
em retinas diferentes,
eu pude ter de repente
juntos num só lugar,
numa cena que se imprimiu
na minha memória para sempre,
a cena do nosso olhar.
Não sei se tinha cenário
não me lembro de cenário.
Não sei se tinha música ao fundo
não me lembro de música alguma.
Não era um ato, era uma cena
sem tempo.
Uma cena que se imprimiu
na minha memória para sempre.
Como um retrato, uma pintura
um instante que parou no espaço.
Eu a olhava, ela me olhava.
A nossa imagem dentro do nosso olhar.
E os dois ângulos desta cena,
em retinas diferentes,
eu pude ter de repente
juntos num só lugar,
numa cena que se imprimiu
na minha memória para sempre,
a cena do nosso olhar.
916
Paulo Augusto Rodrigues
Hora
Hora final!
Hora em que o mundo é mais vasto,
O sorriso mais fraco,
O aperto mais junto.
Hora que a saudade nem nasce,
E aborta,
A lembrança nem chega
E a imagem se perde.
Hora que nunca esperamos,
Hora que nunca queremos.
Hora da pequena morte.
Hora que ficamos mais velhos.
Hora que a vida me joga na cara.
Hora em que perco para deus.
Hora, que é só um instante!
Hora que desaba o castelo,
Da ruína das cartas.
Hora de se enroscar no futuro,
Largar os pedaços,
Os lastros.
Triste hora,
Porque me persegues?
Outra vez!
É chegada a hora!
A hora da despedida,
A hora do adeus.
Hora em que o mundo é mais vasto,
O sorriso mais fraco,
O aperto mais junto.
Hora que a saudade nem nasce,
E aborta,
A lembrança nem chega
E a imagem se perde.
Hora que nunca esperamos,
Hora que nunca queremos.
Hora da pequena morte.
Hora que ficamos mais velhos.
Hora que a vida me joga na cara.
Hora em que perco para deus.
Hora, que é só um instante!
Hora que desaba o castelo,
Da ruína das cartas.
Hora de se enroscar no futuro,
Largar os pedaços,
Os lastros.
Triste hora,
Porque me persegues?
Outra vez!
É chegada a hora!
A hora da despedida,
A hora do adeus.
938
Paulo Augusto Rodrigues
Será
Será que não se vêem,
Não se olham ou não se contemplam,
Não são eus,
Não se admiram ou se ressentem?
Será que não se ouvem,
Não se falam ou se tocam,
Não são outros?
Será que não se amam,
Aos outros nem tanto,
Mas um pouco a si próprios?
Será que vivem...
Será que inventaram Deus?
Não se olham ou não se contemplam,
Não são eus,
Não se admiram ou se ressentem?
Será que não se ouvem,
Não se falam ou se tocam,
Não são outros?
Será que não se amam,
Aos outros nem tanto,
Mas um pouco a si próprios?
Será que vivem...
Será que inventaram Deus?
1 009