Poemas neste tema
Outros
Ricardo Madeira
Tempestade Sol
I
As cordas da minha guitarra
Fazem as nuvens chorar,
Cada nota de tristeza
Milhões de lágrimas faz derramar.
O sol foge para longe
E o vento ergue-se, irado,
Enquanto as nuvens se reúnem
Ao som de acordes do diabo.
Caem as árvores na tormenta,
As flores vergam-se, fracas,
Suas as pétalas arrancadas,
Os dedos do vento tal facas.
II
Uma paisagem de tons laranja,
E toda a fúria se acalma,
Sol aquece novamente a alma,
Para muito longe se foi
Tempestade...
III
Tempo está de sol,
Rasteja lento o caracol,
Noutra terra distante...
Debaixo do gigante carvalho,
Naquela sombra de Verão,
A brisa afaga o teu vestido,
Passeias entre flocos de algodão.
As cordas da minha guitarra
Fazem as nuvens chorar,
Cada nota de tristeza
Milhões de lágrimas faz derramar.
O sol foge para longe
E o vento ergue-se, irado,
Enquanto as nuvens se reúnem
Ao som de acordes do diabo.
Caem as árvores na tormenta,
As flores vergam-se, fracas,
Suas as pétalas arrancadas,
Os dedos do vento tal facas.
II
Uma paisagem de tons laranja,
E toda a fúria se acalma,
Sol aquece novamente a alma,
Para muito longe se foi
Tempestade...
III
Tempo está de sol,
Rasteja lento o caracol,
Noutra terra distante...
Debaixo do gigante carvalho,
Naquela sombra de Verão,
A brisa afaga o teu vestido,
Passeias entre flocos de algodão.
1 020
Ricardo Madeira
Tempestade Sol
I
As cordas da minha guitarra
Fazem as nuvens chorar,
Cada nota de tristeza
Milhões de lágrimas faz derramar.
O sol foge para longe
E o vento ergue-se, irado,
Enquanto as nuvens se reúnem
Ao som de acordes do diabo.
Caem as árvores na tormenta,
As flores vergam-se, fracas,
Suas as pétalas arrancadas,
Os dedos do vento tal facas.
II
Uma paisagem de tons laranja,
E toda a fúria se acalma,
Sol aquece novamente a alma,
Para muito longe se foi
Tempestade...
III
Tempo está de sol,
Rasteja lento o caracol,
Noutra terra distante...
Debaixo do gigante carvalho,
Naquela sombra de Verão,
A brisa afaga o teu vestido,
Passeias entre flocos de algodão.
As cordas da minha guitarra
Fazem as nuvens chorar,
Cada nota de tristeza
Milhões de lágrimas faz derramar.
O sol foge para longe
E o vento ergue-se, irado,
Enquanto as nuvens se reúnem
Ao som de acordes do diabo.
Caem as árvores na tormenta,
As flores vergam-se, fracas,
Suas as pétalas arrancadas,
Os dedos do vento tal facas.
II
Uma paisagem de tons laranja,
E toda a fúria se acalma,
Sol aquece novamente a alma,
Para muito longe se foi
Tempestade...
III
Tempo está de sol,
Rasteja lento o caracol,
Noutra terra distante...
Debaixo do gigante carvalho,
Naquela sombra de Verão,
A brisa afaga o teu vestido,
Passeias entre flocos de algodão.
1 020
Renata Trocoli
Sem Título
Sem Título
A saudade de teus meigos olhos a olhar-me com tanto amor
doe em meu peito com aguda tristeza, meu grande amor.
Tuas macias, delicadas e pequeninas mãos tocavam meu rosto
com tanto carinho e amor que não podia deixar-te
um minuto sem meus abraços e doces palavras de amor.
Quando sentávamos debaixo das estrelas nas noites mornas
da bela primavera da Pérsia, me abraçavas com tanto medo
e chorava baixinho escondendo teu lindo rostinho delicado em meu
peito, e me fazia jura-te amor eterno.
Este amor que jurei e sinto sempre por ti minha linda princesa.
Sinto saudades de tuas palavras e teu carinho ao ver-me zangado e
preocupado, e como me acalmava com teu belo olhar sobre o meu,
sorrindo com doçura e colocando minha cabeça em teus delicados
ombros para fazer com que a calma tomasse conta de meu coração.
Por tantos dias fiquei a admirar tua beleza
enquanto dormias um sono tranqüilo e
quantas vezes tocava teus lindos cabelos negros, macios e perfumados
sem ter vontade de fechar os olhos para não perder tão bela visão.
Quantas vezes ainda dormi cansado em teus pequeninos braços
sentindo cada vez mais um amor puro e leal por ti.
Me abraçavas com doce saudade e com lágrimas nos olhos
depois de dias de batalha sem ver-me.
E cuidava de mim com tanto carinho e me amava com tanta saudade
que meus dias pareciam um doce sonho que não poderia nunca ter fim.
O mais triste meu amor foi perder-te.
Foi perceber que teu amor não mais me envolveria o corpo,
que não mais teria tua presença a cuidar de mim
nas noites de cansaço após uma batalha.
Com uma linda e dolorosa promessa nos despedimos.
Tu me abraçaste chorosa e amedrontada,
e prometemos um amor eterno
por todos os lugares onde passássemos, aonde estivéssemos.
Hoje a saudade de teus doces olhinhos
a olhar-me com amor cegam meus dias.
Mas pelo menos ainda posso sentir teus perfume
e teus abraços a me envolver...
A saudade de teus meigos olhos a olhar-me com tanto amor
doe em meu peito com aguda tristeza, meu grande amor.
Tuas macias, delicadas e pequeninas mãos tocavam meu rosto
com tanto carinho e amor que não podia deixar-te
um minuto sem meus abraços e doces palavras de amor.
Quando sentávamos debaixo das estrelas nas noites mornas
da bela primavera da Pérsia, me abraçavas com tanto medo
e chorava baixinho escondendo teu lindo rostinho delicado em meu
peito, e me fazia jura-te amor eterno.
Este amor que jurei e sinto sempre por ti minha linda princesa.
Sinto saudades de tuas palavras e teu carinho ao ver-me zangado e
preocupado, e como me acalmava com teu belo olhar sobre o meu,
sorrindo com doçura e colocando minha cabeça em teus delicados
ombros para fazer com que a calma tomasse conta de meu coração.
Por tantos dias fiquei a admirar tua beleza
enquanto dormias um sono tranqüilo e
quantas vezes tocava teus lindos cabelos negros, macios e perfumados
sem ter vontade de fechar os olhos para não perder tão bela visão.
Quantas vezes ainda dormi cansado em teus pequeninos braços
sentindo cada vez mais um amor puro e leal por ti.
Me abraçavas com doce saudade e com lágrimas nos olhos
depois de dias de batalha sem ver-me.
E cuidava de mim com tanto carinho e me amava com tanta saudade
que meus dias pareciam um doce sonho que não poderia nunca ter fim.
O mais triste meu amor foi perder-te.
Foi perceber que teu amor não mais me envolveria o corpo,
que não mais teria tua presença a cuidar de mim
nas noites de cansaço após uma batalha.
Com uma linda e dolorosa promessa nos despedimos.
Tu me abraçaste chorosa e amedrontada,
e prometemos um amor eterno
por todos os lugares onde passássemos, aonde estivéssemos.
Hoje a saudade de teus doces olhinhos
a olhar-me com amor cegam meus dias.
Mas pelo menos ainda posso sentir teus perfume
e teus abraços a me envolver...
1 008
Ricardo Madeira
Fogo Imundo
Não dou sangue,
Mas roubo e tiro,
Sou vampiro.
Verdade crua!
Sou a Lua,
Brilho com a luz
Que não é minha.
Venho e vou,
A maré sou,
Afogo, inundo...
Teu mundo...
Mas roubo e tiro,
Sou vampiro.
Verdade crua!
Sou a Lua,
Brilho com a luz
Que não é minha.
Venho e vou,
A maré sou,
Afogo, inundo...
Teu mundo...
998
Ribeiro Couto
Chuva
A chuva fina molha a paisagem lá fora.
O dia está cinzento e longo... Um longo dia!
Tem-se a vaga impressão de que o dia demora...
E a chuva fina continua, fina e fria,
Continua a cair pela tarde, lá fora.
Da saleta fechada em que estamos os dois,
Vê-se, pela vidraça, a paisagem cinzenta:
A chuva fina continua, fina e lenta...
E nós dois em silêncio, um silêncio que aumenta
se um de nós vai falar e recua depois.
Dentro de nós existe uma tarde mais fria...
Ah! Para que falar? Como é suave, branda,
O tormento de adivinhar — quem o faria? —
As palavras que estão dentro de nós chorando...
Somos como os rosais que, sob a chuva fria,
Estão lá fora no jardim se desfolhando.
Chove dentro de nós... Chove melancolia...
O dia está cinzento e longo... Um longo dia!
Tem-se a vaga impressão de que o dia demora...
E a chuva fina continua, fina e fria,
Continua a cair pela tarde, lá fora.
Da saleta fechada em que estamos os dois,
Vê-se, pela vidraça, a paisagem cinzenta:
A chuva fina continua, fina e lenta...
E nós dois em silêncio, um silêncio que aumenta
se um de nós vai falar e recua depois.
Dentro de nós existe uma tarde mais fria...
Ah! Para que falar? Como é suave, branda,
O tormento de adivinhar — quem o faria? —
As palavras que estão dentro de nós chorando...
Somos como os rosais que, sob a chuva fria,
Estão lá fora no jardim se desfolhando.
Chove dentro de nós... Chove melancolia...
1 306
Ribeiro Couto
Chuva
A chuva fina molha a paisagem lá fora.
O dia está cinzento e longo... Um longo dia!
Tem-se a vaga impressão de que o dia demora...
E a chuva fina continua, fina e fria,
Continua a cair pela tarde, lá fora.
Da saleta fechada em que estamos os dois,
Vê-se, pela vidraça, a paisagem cinzenta:
A chuva fina continua, fina e lenta...
E nós dois em silêncio, um silêncio que aumenta
se um de nós vai falar e recua depois.
Dentro de nós existe uma tarde mais fria...
Ah! Para que falar? Como é suave, branda,
O tormento de adivinhar — quem o faria? —
As palavras que estão dentro de nós chorando...
Somos como os rosais que, sob a chuva fria,
Estão lá fora no jardim se desfolhando.
Chove dentro de nós... Chove melancolia...
O dia está cinzento e longo... Um longo dia!
Tem-se a vaga impressão de que o dia demora...
E a chuva fina continua, fina e fria,
Continua a cair pela tarde, lá fora.
Da saleta fechada em que estamos os dois,
Vê-se, pela vidraça, a paisagem cinzenta:
A chuva fina continua, fina e lenta...
E nós dois em silêncio, um silêncio que aumenta
se um de nós vai falar e recua depois.
Dentro de nós existe uma tarde mais fria...
Ah! Para que falar? Como é suave, branda,
O tormento de adivinhar — quem o faria? —
As palavras que estão dentro de nós chorando...
Somos como os rosais que, sob a chuva fria,
Estão lá fora no jardim se desfolhando.
Chove dentro de nós... Chove melancolia...
1 306
Paulo Augusto Rodrigues
Dor
As cinzas queimando sozinhas
O gelo derretendo na álcool que resta.
O mundo girando afogado,
Na fumaça e na penumbra.
Pela fresta,
O primeiro raio de vida
Se assusta ao entrar.
O cheiro acre do bafo,
Esconde o desgosto.
Despido de tudo,
Morto até acordar
Vive sem sonhos,
A imagem do desânimo.
Suando em lágrimas,
Chora um coração rejeitado.
Sofre,
O sopro de vida,
Que ainda resta naquele raio solar.
Desmancham-se líquidas,
Esperanças e forças.
Abrem-se tristes os olhos,
Perdidos em si,
Contemplando o infinito.
A podridão interior,
Deteriora o sangue
Tornando venoso,
Respirar.
O ar carregado estoura no peito
E a mente capta,
Dor...
O gelo derretendo na álcool que resta.
O mundo girando afogado,
Na fumaça e na penumbra.
Pela fresta,
O primeiro raio de vida
Se assusta ao entrar.
O cheiro acre do bafo,
Esconde o desgosto.
Despido de tudo,
Morto até acordar
Vive sem sonhos,
A imagem do desânimo.
Suando em lágrimas,
Chora um coração rejeitado.
Sofre,
O sopro de vida,
Que ainda resta naquele raio solar.
Desmancham-se líquidas,
Esperanças e forças.
Abrem-se tristes os olhos,
Perdidos em si,
Contemplando o infinito.
A podridão interior,
Deteriora o sangue
Tornando venoso,
Respirar.
O ar carregado estoura no peito
E a mente capta,
Dor...
883
Ribeiro Couto
O Longe e o Perto
Logo que a noite envolve em sombras o jardim
Parece que um mistério estranho me rodeia,
Bocas de flores se entreabrem para mim,
E não sei de quem são estes passos na areia
Nem este murmurar de uma queixa sem fim.
Como a seiva da terra alimenta as raízes,
Uma seiva secreta enche meu coração.
Deve ser o tal "gosto amargo de infelizes",
Plantinha sempre verde entre as pedras do chão,
Cujo travo provei em todos os países.
Tudo que pude fiz para não ser assim,
Mas não posso esquecer o longe pelo perto;
Os que amei e perdi dormem dentro de mim;
A culpa é minha, sou eu mesmo que os desperto,
Logo que a noite envolve em sombras o jardim.
Parece que um mistério estranho me rodeia,
Bocas de flores se entreabrem para mim,
E não sei de quem são estes passos na areia
Nem este murmurar de uma queixa sem fim.
Como a seiva da terra alimenta as raízes,
Uma seiva secreta enche meu coração.
Deve ser o tal "gosto amargo de infelizes",
Plantinha sempre verde entre as pedras do chão,
Cujo travo provei em todos os países.
Tudo que pude fiz para não ser assim,
Mas não posso esquecer o longe pelo perto;
Os que amei e perdi dormem dentro de mim;
A culpa é minha, sou eu mesmo que os desperto,
Logo que a noite envolve em sombras o jardim.
1 411
Paulo Augusto Rodrigues
Bicho
Hoje vive preso, trancado,
Atrás das cidades, inofensivo.
Existe apenas para lembrar-nos
Que um dia aquilo fomos nós.
A memória é como um zoológico
Isolando do mundo todo tipo de sentimentos animais
Que ainda não extinguimos.
Porém, o ritmo monótono e rápido da vida
Metralha, por aí, tudo que encontra
Matando espécies inteiras.
Resta o mêdo.
Que nunca durma o zelador.
Pois se assim for
Não existirá nenhuma lembrança real,
Viva.
Restará somente,
Fotos coloridas em livros desbotados
Mostrando a alma deste sentimento.
Desenhos a mão, esboços,
Num esforço de quem não sabe desenhar,
Num papel como este.
É essa a esperança,
Só depois de tudo acabado
Poderemos reconstruir.
Quando sofrer,
Rebusque a memória,
Numa jaula pequena, com a placa apagada,
Existe um bicho,
O mais indefeso.
Lá estava escrito...
Amor.
Atrás das cidades, inofensivo.
Existe apenas para lembrar-nos
Que um dia aquilo fomos nós.
A memória é como um zoológico
Isolando do mundo todo tipo de sentimentos animais
Que ainda não extinguimos.
Porém, o ritmo monótono e rápido da vida
Metralha, por aí, tudo que encontra
Matando espécies inteiras.
Resta o mêdo.
Que nunca durma o zelador.
Pois se assim for
Não existirá nenhuma lembrança real,
Viva.
Restará somente,
Fotos coloridas em livros desbotados
Mostrando a alma deste sentimento.
Desenhos a mão, esboços,
Num esforço de quem não sabe desenhar,
Num papel como este.
É essa a esperança,
Só depois de tudo acabado
Poderemos reconstruir.
Quando sofrer,
Rebusque a memória,
Numa jaula pequena, com a placa apagada,
Existe um bicho,
O mais indefeso.
Lá estava escrito...
Amor.
882
Rodrigo Guidi Peplau
Insano
Quero que saiam palavras de minha boca,
e que essas palavras reflitam em todos os cantos desse papel,
quero servir como um escravo de carne,
para expressar as palavras livres,
que flutuam pelos ares.
Use-me,
Aproveite de mim a matéria,
utilize de tudo, me roube as palavras, a caneta,
aproveite de mim a destreza,
minha mão ágil e minha cabeça,
tornam fácil fazer versos.
Furte de mim a paciência,
e toda a minha certeza,
me roube o conforto,
não deixe comodidade,
traga emoção, risco, entraves,
nada que me trave a mobilidade.
e que essas palavras reflitam em todos os cantos desse papel,
quero servir como um escravo de carne,
para expressar as palavras livres,
que flutuam pelos ares.
Use-me,
Aproveite de mim a matéria,
utilize de tudo, me roube as palavras, a caneta,
aproveite de mim a destreza,
minha mão ágil e minha cabeça,
tornam fácil fazer versos.
Furte de mim a paciência,
e toda a minha certeza,
me roube o conforto,
não deixe comodidade,
traga emoção, risco, entraves,
nada que me trave a mobilidade.
935
Rodrigo Guidi Peplau
Insano
Quero que saiam palavras de minha boca,
e que essas palavras reflitam em todos os cantos desse papel,
quero servir como um escravo de carne,
para expressar as palavras livres,
que flutuam pelos ares.
Use-me,
Aproveite de mim a matéria,
utilize de tudo, me roube as palavras, a caneta,
aproveite de mim a destreza,
minha mão ágil e minha cabeça,
tornam fácil fazer versos.
Furte de mim a paciência,
e toda a minha certeza,
me roube o conforto,
não deixe comodidade,
traga emoção, risco, entraves,
nada que me trave a mobilidade.
e que essas palavras reflitam em todos os cantos desse papel,
quero servir como um escravo de carne,
para expressar as palavras livres,
que flutuam pelos ares.
Use-me,
Aproveite de mim a matéria,
utilize de tudo, me roube as palavras, a caneta,
aproveite de mim a destreza,
minha mão ágil e minha cabeça,
tornam fácil fazer versos.
Furte de mim a paciência,
e toda a minha certeza,
me roube o conforto,
não deixe comodidade,
traga emoção, risco, entraves,
nada que me trave a mobilidade.
935
Rodrigo Guidi Peplau
Insano
Quero que saiam palavras de minha boca,
e que essas palavras reflitam em todos os cantos desse papel,
quero servir como um escravo de carne,
para expressar as palavras livres,
que flutuam pelos ares.
Use-me,
Aproveite de mim a matéria,
utilize de tudo, me roube as palavras, a caneta,
aproveite de mim a destreza,
minha mão ágil e minha cabeça,
tornam fácil fazer versos.
Furte de mim a paciência,
e toda a minha certeza,
me roube o conforto,
não deixe comodidade,
traga emoção, risco, entraves,
nada que me trave a mobilidade.
e que essas palavras reflitam em todos os cantos desse papel,
quero servir como um escravo de carne,
para expressar as palavras livres,
que flutuam pelos ares.
Use-me,
Aproveite de mim a matéria,
utilize de tudo, me roube as palavras, a caneta,
aproveite de mim a destreza,
minha mão ágil e minha cabeça,
tornam fácil fazer versos.
Furte de mim a paciência,
e toda a minha certeza,
me roube o conforto,
não deixe comodidade,
traga emoção, risco, entraves,
nada que me trave a mobilidade.
935
Raphael Luiz Junqueira
Soneto XVI
Não conheço que força ingente e estranha
Impeliu-me tristonho a tal afeto...
Nem sei que bem... que palpitar secreto
Põe-me ditoso e Amor meu Peito ganha!
Dos suspiros o som sereno e manso
Tomou-me ultimamente o peito aflito.
Ah! sonhos de paixão em que me agito!
Ah! vigílias em febre sem descanso!
Não sei que força esplêndida e plangente,
No coração o amor me vai soprando
Em me levando a esse suspiro infindo...
Não me importa saber — sentir somente:
Vivendo em ti eu morrerei cantando,
Morrendo em mim tu viverás sorrindo!
Impeliu-me tristonho a tal afeto...
Nem sei que bem... que palpitar secreto
Põe-me ditoso e Amor meu Peito ganha!
Dos suspiros o som sereno e manso
Tomou-me ultimamente o peito aflito.
Ah! sonhos de paixão em que me agito!
Ah! vigílias em febre sem descanso!
Não sei que força esplêndida e plangente,
No coração o amor me vai soprando
Em me levando a esse suspiro infindo...
Não me importa saber — sentir somente:
Vivendo em ti eu morrerei cantando,
Morrendo em mim tu viverás sorrindo!
1 032
Rita de Cássia
Pessoa
São tantas as minhas pessoas,
Tão diversa a minha face...
Conhece meus disfarces?
São quaisquer coisas boas;
É, talvez, o que devasse
Assim como um rio sem canoas...
São tantos os meus versos,
E tão falsa a minha imagem...
Compreende a minha mensagem?
Entendo, através dos meus nexos,
Os caminhos sem passagem;
Eram, talvez, possessos...
Sou fingidora e lástima
Aos leitores que percebem:
Cada verso é uma máscara ...
Tão diversa a minha face...
Conhece meus disfarces?
São quaisquer coisas boas;
É, talvez, o que devasse
Assim como um rio sem canoas...
São tantos os meus versos,
E tão falsa a minha imagem...
Compreende a minha mensagem?
Entendo, através dos meus nexos,
Os caminhos sem passagem;
Eram, talvez, possessos...
Sou fingidora e lástima
Aos leitores que percebem:
Cada verso é uma máscara ...
528
Rita de Cássia
Pessoa
São tantas as minhas pessoas,
Tão diversa a minha face...
Conhece meus disfarces?
São quaisquer coisas boas;
É, talvez, o que devasse
Assim como um rio sem canoas...
São tantos os meus versos,
E tão falsa a minha imagem...
Compreende a minha mensagem?
Entendo, através dos meus nexos,
Os caminhos sem passagem;
Eram, talvez, possessos...
Sou fingidora e lástima
Aos leitores que percebem:
Cada verso é uma máscara ...
Tão diversa a minha face...
Conhece meus disfarces?
São quaisquer coisas boas;
É, talvez, o que devasse
Assim como um rio sem canoas...
São tantos os meus versos,
E tão falsa a minha imagem...
Compreende a minha mensagem?
Entendo, através dos meus nexos,
Os caminhos sem passagem;
Eram, talvez, possessos...
Sou fingidora e lástima
Aos leitores que percebem:
Cada verso é uma máscara ...
528
Rita de Cássia
Deserto
Contemplo vaga imensidão ao meu redor
E tão sozinha encontro-me aqui, novamente
Simples e sempre andarilha deste deserto
Esta mesma, que você não quis, e somente...
Só e mente sempre são as minhas imagens,
Visíveis nesta poeira bege e infinita;
Nesta poesia tão amargamente escrita
Para que então, assim lesse a minha miragem
Ah... Que mensagem tão inutilmente dita,
Só porque os seus ouvidos não me escutarão
E tão simplesmente pelos seus olhos vistas,
Pois dentre os caminhos perdidos, vagarão...
E talvez, palavras que não foram escritas
Eram a chave-mestra do seu coração...
E tão sozinha encontro-me aqui, novamente
Simples e sempre andarilha deste deserto
Esta mesma, que você não quis, e somente...
Só e mente sempre são as minhas imagens,
Visíveis nesta poeira bege e infinita;
Nesta poesia tão amargamente escrita
Para que então, assim lesse a minha miragem
Ah... Que mensagem tão inutilmente dita,
Só porque os seus ouvidos não me escutarão
E tão simplesmente pelos seus olhos vistas,
Pois dentre os caminhos perdidos, vagarão...
E talvez, palavras que não foram escritas
Eram a chave-mestra do seu coração...
555
Rita de Cássia
Deserto
Contemplo vaga imensidão ao meu redor
E tão sozinha encontro-me aqui, novamente
Simples e sempre andarilha deste deserto
Esta mesma, que você não quis, e somente...
Só e mente sempre são as minhas imagens,
Visíveis nesta poeira bege e infinita;
Nesta poesia tão amargamente escrita
Para que então, assim lesse a minha miragem
Ah... Que mensagem tão inutilmente dita,
Só porque os seus ouvidos não me escutarão
E tão simplesmente pelos seus olhos vistas,
Pois dentre os caminhos perdidos, vagarão...
E talvez, palavras que não foram escritas
Eram a chave-mestra do seu coração...
E tão sozinha encontro-me aqui, novamente
Simples e sempre andarilha deste deserto
Esta mesma, que você não quis, e somente...
Só e mente sempre são as minhas imagens,
Visíveis nesta poeira bege e infinita;
Nesta poesia tão amargamente escrita
Para que então, assim lesse a minha miragem
Ah... Que mensagem tão inutilmente dita,
Só porque os seus ouvidos não me escutarão
E tão simplesmente pelos seus olhos vistas,
Pois dentre os caminhos perdidos, vagarão...
E talvez, palavras que não foram escritas
Eram a chave-mestra do seu coração...
555
Rozania Moraes
Amor de Mar
Noite de luzes.
os lábios do poeta
bebem lágrimas
do mar, salgadas.
A beira do mar se enfeita
de gente que vem e vai
como movimentos do mar
suaves afagos
mãos presas ao olhar
ondas dançam, eróticas
a tocar os lábios das pedras
beijo roubado, beijo furtivo
beijos molhados, salgados.
Noite azul
Flutuando no escuro
o astro branco
derrama raios leitosos
na espuma da água.
A praia se esvazia
para o mar que a ama
no silêncio, na areia, nas pedras
madrugada adentro.
Noite sensual
corpos à espera do dia
embalados pela canção
de outro poeta, tocada ao longe
nos bares do cais,
canção de outro amor
que se lançou ao mar
e dele nunca mais voltou.
os lábios do poeta
bebem lágrimas
do mar, salgadas.
A beira do mar se enfeita
de gente que vem e vai
como movimentos do mar
suaves afagos
mãos presas ao olhar
ondas dançam, eróticas
a tocar os lábios das pedras
beijo roubado, beijo furtivo
beijos molhados, salgados.
Noite azul
Flutuando no escuro
o astro branco
derrama raios leitosos
na espuma da água.
A praia se esvazia
para o mar que a ama
no silêncio, na areia, nas pedras
madrugada adentro.
Noite sensual
corpos à espera do dia
embalados pela canção
de outro poeta, tocada ao longe
nos bares do cais,
canção de outro amor
que se lançou ao mar
e dele nunca mais voltou.
432
Ricardo Madeira
Sonhos de Pó
The truth in me,
Too dark to see,
So bitter the taste,
Now the poison runs free.
-Mathias Lodmalm
Luz pálida,
A bela fragrância de uma lua calma,
Mas inútil,
É a escuridão que lhe abraça a alma.
As suas lágrimas,
Flores que o vento insiste em ceifar,
Imemoriais os tempos
Em que as estrelas lhe podiam falar.
Não se move,
Continua a querer o que não pode ter,
A chuva cai,
Deseja aquilo que não pode acontecer.
Os seus gritos
Embalam horrendos os seus ouvidos,
Sonhos de pó,
E o vazio que lhe perfaz os sentidos.
O relâmpago,
Um coração em brasa perde o brilho,
Depois trovão,
A noite que chama alto pelo seu filho.
Eco que persiste,
O bolso revela a lâmina sem hesitar,
E em vão resiste,
Dor esmaga o medo de se entregar.
Suave o corte,
Tal como as carícias de quem amou,
Chora na morte,
As lágrimas que também ela chorou
Quando a matou...
Too dark to see,
So bitter the taste,
Now the poison runs free.
-Mathias Lodmalm
Luz pálida,
A bela fragrância de uma lua calma,
Mas inútil,
É a escuridão que lhe abraça a alma.
As suas lágrimas,
Flores que o vento insiste em ceifar,
Imemoriais os tempos
Em que as estrelas lhe podiam falar.
Não se move,
Continua a querer o que não pode ter,
A chuva cai,
Deseja aquilo que não pode acontecer.
Os seus gritos
Embalam horrendos os seus ouvidos,
Sonhos de pó,
E o vazio que lhe perfaz os sentidos.
O relâmpago,
Um coração em brasa perde o brilho,
Depois trovão,
A noite que chama alto pelo seu filho.
Eco que persiste,
O bolso revela a lâmina sem hesitar,
E em vão resiste,
Dor esmaga o medo de se entregar.
Suave o corte,
Tal como as carícias de quem amou,
Chora na morte,
As lágrimas que também ela chorou
Quando a matou...
849
Ricardo Madeira
Sempre
Falta de ar,
Perda de visão:
Sintomas da morte,
Arautos da Escuridão.
Sinos que tocam,
Prisioneiro de um caixão,
Mas... Então?!...
Porque ainda bate o meu coração?
And it kept pulsing beneath the Earth,
A crimson jewel underneath six feet of dirt,
Forever waiting an impossible rebirth...
Perda de visão:
Sintomas da morte,
Arautos da Escuridão.
Sinos que tocam,
Prisioneiro de um caixão,
Mas... Então?!...
Porque ainda bate o meu coração?
And it kept pulsing beneath the Earth,
A crimson jewel underneath six feet of dirt,
Forever waiting an impossible rebirth...
939
Ricardo Madeira
As Vozes da Noite
O Sol não nasce para os que amam,
A Lua, negra, não os pode consolar,
Uma a uma, apagam-se as estrelas,
Até não ficar nada para os iluminar.
Enterrados, numa sepultura sem nome,
Para sempre aprisionados no seu caixão,
Sentindo na língua o sabor dos vermes,
Os sonhos agora pregos no seu coração.
Espectros, vagueiam ainda sem destino,
Para sempre movidos pela perpétua dor,
Tentando libertar-se do que já perderam,
Sabendo que não há vida depois do amor.
"Morte..."
Desejo morto, a causa do seu sinistro pranto,
Direito negado aos seres do mais puro branco.
"Morte..."
Acariciando o silêncio, por um breve momento,
Um suspiro arrancado à pálida noite pelo vento.
A Lua, negra, não os pode consolar,
Uma a uma, apagam-se as estrelas,
Até não ficar nada para os iluminar.
Enterrados, numa sepultura sem nome,
Para sempre aprisionados no seu caixão,
Sentindo na língua o sabor dos vermes,
Os sonhos agora pregos no seu coração.
Espectros, vagueiam ainda sem destino,
Para sempre movidos pela perpétua dor,
Tentando libertar-se do que já perderam,
Sabendo que não há vida depois do amor.
"Morte..."
Desejo morto, a causa do seu sinistro pranto,
Direito negado aos seres do mais puro branco.
"Morte..."
Acariciando o silêncio, por um breve momento,
Um suspiro arrancado à pálida noite pelo vento.
955
Ricardo Moraes Ferreira
Soneto e Saudade
Jogai as flores com ternura
Sobre o jazigo de nosso passado
Amei-te com a inocente loucura
Daqueles que morrem sem ter pecado
Corri os verdes campos da esperança
Sob os olhos atentos do destino
De inocente - sorri quando criança
E de pirraça - fugi como um menino
Na fuga audaz passaram-se os anos
E a vida me volta num breve lampejo
Lamúrias cruéis de velhos enganos
Loucura fugaz de um novo desejo
Eu olho prá trás - cadê nossos planos?
As flores, o campo ; só tu que não vejo!
Sobre o jazigo de nosso passado
Amei-te com a inocente loucura
Daqueles que morrem sem ter pecado
Corri os verdes campos da esperança
Sob os olhos atentos do destino
De inocente - sorri quando criança
E de pirraça - fugi como um menino
Na fuga audaz passaram-se os anos
E a vida me volta num breve lampejo
Lamúrias cruéis de velhos enganos
Loucura fugaz de um novo desejo
Eu olho prá trás - cadê nossos planos?
As flores, o campo ; só tu que não vejo!
929
Rodrigo Guidi Peplau
Redonda, brilhante e provocativa
A mancha amarela
que se alonga pelo mar até aqui,
parece querer me levar
fascinado pela sua origem.
Ela ora se expõe,
ora se esconde
num jogo humano de sedução.
O caminho vai se abrindo
a medida que me aproximo,
sem o que se preocupar,
sem o que temer.
Nesse ritual mágico de união
entre a lua e o poeta
não penso nada, apenas sinto
não julgo nada, apenas vejo
e seu desfecho é tão incerto
quanto o final de qualquer poema.
que se alonga pelo mar até aqui,
parece querer me levar
fascinado pela sua origem.
Ela ora se expõe,
ora se esconde
num jogo humano de sedução.
O caminho vai se abrindo
a medida que me aproximo,
sem o que se preocupar,
sem o que temer.
Nesse ritual mágico de união
entre a lua e o poeta
não penso nada, apenas sinto
não julgo nada, apenas vejo
e seu desfecho é tão incerto
quanto o final de qualquer poema.
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Rodrigo Guidi Peplau
Redonda, brilhante e provocativa
A mancha amarela
que se alonga pelo mar até aqui,
parece querer me levar
fascinado pela sua origem.
Ela ora se expõe,
ora se esconde
num jogo humano de sedução.
O caminho vai se abrindo
a medida que me aproximo,
sem o que se preocupar,
sem o que temer.
Nesse ritual mágico de união
entre a lua e o poeta
não penso nada, apenas sinto
não julgo nada, apenas vejo
e seu desfecho é tão incerto
quanto o final de qualquer poema.
que se alonga pelo mar até aqui,
parece querer me levar
fascinado pela sua origem.
Ela ora se expõe,
ora se esconde
num jogo humano de sedução.
O caminho vai se abrindo
a medida que me aproximo,
sem o que se preocupar,
sem o que temer.
Nesse ritual mágico de união
entre a lua e o poeta
não penso nada, apenas sinto
não julgo nada, apenas vejo
e seu desfecho é tão incerto
quanto o final de qualquer poema.
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