Poemas neste tema
Outros
Noel Nascimento
Por quê?
Se eu amo
e a vida é um sopro apenas,
se chamo
por um nome um ser humano,
se o infinito
cabe num verso
e o universo no coração;
se a dor
se exprime num grito,
num ai,
e o amor num beijo,
numa palavra;
se um pássaro
transpõe um deserto,
a fé remove montanhas,
e um átomo encerra
força e mistério;
se há tanto encanto
numa mulher
e tanta beleza
numa flor;
se o mar é gota d’água
que se houve numa conchinha,
e a Via Láctea só poeira,
a nebulosa um redemoinho,
e a terra parece imensa,
mas cabe num olhar;
se um adeus é finito
e o amor medir ninguém sabe;
-Por que me dizem os sábios
que as estrelas estão tão longe,
se eu sei que elas estão tão perto?
e a vida é um sopro apenas,
se chamo
por um nome um ser humano,
se o infinito
cabe num verso
e o universo no coração;
se a dor
se exprime num grito,
num ai,
e o amor num beijo,
numa palavra;
se um pássaro
transpõe um deserto,
a fé remove montanhas,
e um átomo encerra
força e mistério;
se há tanto encanto
numa mulher
e tanta beleza
numa flor;
se o mar é gota d’água
que se houve numa conchinha,
e a Via Láctea só poeira,
a nebulosa um redemoinho,
e a terra parece imensa,
mas cabe num olhar;
se um adeus é finito
e o amor medir ninguém sabe;
-Por que me dizem os sábios
que as estrelas estão tão longe,
se eu sei que elas estão tão perto?
898
Noel Nascimento
Por quê?
Se eu amo
e a vida é um sopro apenas,
se chamo
por um nome um ser humano,
se o infinito
cabe num verso
e o universo no coração;
se a dor
se exprime num grito,
num ai,
e o amor num beijo,
numa palavra;
se um pássaro
transpõe um deserto,
a fé remove montanhas,
e um átomo encerra
força e mistério;
se há tanto encanto
numa mulher
e tanta beleza
numa flor;
se o mar é gota d’água
que se houve numa conchinha,
e a Via Láctea só poeira,
a nebulosa um redemoinho,
e a terra parece imensa,
mas cabe num olhar;
se um adeus é finito
e o amor medir ninguém sabe;
-Por que me dizem os sábios
que as estrelas estão tão longe,
se eu sei que elas estão tão perto?
e a vida é um sopro apenas,
se chamo
por um nome um ser humano,
se o infinito
cabe num verso
e o universo no coração;
se a dor
se exprime num grito,
num ai,
e o amor num beijo,
numa palavra;
se um pássaro
transpõe um deserto,
a fé remove montanhas,
e um átomo encerra
força e mistério;
se há tanto encanto
numa mulher
e tanta beleza
numa flor;
se o mar é gota d’água
que se houve numa conchinha,
e a Via Láctea só poeira,
a nebulosa um redemoinho,
e a terra parece imensa,
mas cabe num olhar;
se um adeus é finito
e o amor medir ninguém sabe;
-Por que me dizem os sábios
que as estrelas estão tão longe,
se eu sei que elas estão tão perto?
898
Núbia Marques
Sortilégio
tua boca tem mil noites
mil angústias
mil silêncios
dissipados rumos
rotineiros itinerários
tua boca tem mil lanças
mil dores
mil gritos lancinantes
mil tendões emparelhados
aparvalhados
emuralhados
tua boca morde auroras redentoras
polpa de fruto maldito
salivando veneno de extintos séculos
tempo haverá
e mil noites sazonadas
mil angústias apodrecidas
mil dores adormecidas
mil gritos já canção
serão vomitados e se cristalizarão
em mil estrelas candentes.
mil angústias
mil silêncios
dissipados rumos
rotineiros itinerários
tua boca tem mil lanças
mil dores
mil gritos lancinantes
mil tendões emparelhados
aparvalhados
emuralhados
tua boca morde auroras redentoras
polpa de fruto maldito
salivando veneno de extintos séculos
tempo haverá
e mil noites sazonadas
mil angústias apodrecidas
mil dores adormecidas
mil gritos já canção
serão vomitados e se cristalizarão
em mil estrelas candentes.
1 262
Núbia Marques
Sortilégio
tua boca tem mil noites
mil angústias
mil silêncios
dissipados rumos
rotineiros itinerários
tua boca tem mil lanças
mil dores
mil gritos lancinantes
mil tendões emparelhados
aparvalhados
emuralhados
tua boca morde auroras redentoras
polpa de fruto maldito
salivando veneno de extintos séculos
tempo haverá
e mil noites sazonadas
mil angústias apodrecidas
mil dores adormecidas
mil gritos já canção
serão vomitados e se cristalizarão
em mil estrelas candentes.
mil angústias
mil silêncios
dissipados rumos
rotineiros itinerários
tua boca tem mil lanças
mil dores
mil gritos lancinantes
mil tendões emparelhados
aparvalhados
emuralhados
tua boca morde auroras redentoras
polpa de fruto maldito
salivando veneno de extintos séculos
tempo haverá
e mil noites sazonadas
mil angústias apodrecidas
mil dores adormecidas
mil gritos já canção
serão vomitados e se cristalizarão
em mil estrelas candentes.
1 262
Noel Nascimento
O Salvador
O céu
é o cenário
da Paixão de Cristo.
O sudário
que O retrata
é um retalho da noite.
Ele
insiste
em salvar almas no infinito.
Na Via Láctea
arrasta a cruz de estrelas
para o Calvário.
é o cenário
da Paixão de Cristo.
O sudário
que O retrata
é um retalho da noite.
Ele
insiste
em salvar almas no infinito.
Na Via Láctea
arrasta a cruz de estrelas
para o Calvário.
846
Olinda Marques de Azevedo
Inverno
Como uma mortalha
branca geada
sobre o cafezal.
Céu iluminado
balões subindo
ao clarão da lua.
O velho casaco
esquecido no cabide.
Frio da ausência.
branca geada
sobre o cafezal.
Céu iluminado
balões subindo
ao clarão da lua.
O velho casaco
esquecido no cabide.
Frio da ausência.
1 059
Oliveira Neto
Silhueta Pagã
Não sei donde surgiu. Mas de repente
se encontrava comigo conversando.
Os olhos nos meus olhos, frente a frente,
eram dois pintassilgos namorando.
De alto porte, bonita, inteligente,
a estirpe de fidalgos demonstrando,
não podia ocultar o ser ardente
na volúpia do amor se acrisolando.
Silhueta pagã. onde passou
a natureza em si paralisou
e o povo abriu honrosa passarela.
Silenciaram todos os ruídos.
E sinto que ficou nos meus ouvidos
a sonora canção dos lábios dela.
se encontrava comigo conversando.
Os olhos nos meus olhos, frente a frente,
eram dois pintassilgos namorando.
De alto porte, bonita, inteligente,
a estirpe de fidalgos demonstrando,
não podia ocultar o ser ardente
na volúpia do amor se acrisolando.
Silhueta pagã. onde passou
a natureza em si paralisou
e o povo abriu honrosa passarela.
Silenciaram todos os ruídos.
E sinto que ficou nos meus ouvidos
a sonora canção dos lábios dela.
884
Oliveira Neto
Silhueta Pagã
Não sei donde surgiu. Mas de repente
se encontrava comigo conversando.
Os olhos nos meus olhos, frente a frente,
eram dois pintassilgos namorando.
De alto porte, bonita, inteligente,
a estirpe de fidalgos demonstrando,
não podia ocultar o ser ardente
na volúpia do amor se acrisolando.
Silhueta pagã. onde passou
a natureza em si paralisou
e o povo abriu honrosa passarela.
Silenciaram todos os ruídos.
E sinto que ficou nos meus ouvidos
a sonora canção dos lábios dela.
se encontrava comigo conversando.
Os olhos nos meus olhos, frente a frente,
eram dois pintassilgos namorando.
De alto porte, bonita, inteligente,
a estirpe de fidalgos demonstrando,
não podia ocultar o ser ardente
na volúpia do amor se acrisolando.
Silhueta pagã. onde passou
a natureza em si paralisou
e o povo abriu honrosa passarela.
Silenciaram todos os ruídos.
E sinto que ficou nos meus ouvidos
a sonora canção dos lábios dela.
884
Oliveira Neto
Silhueta Pagã
Não sei donde surgiu. Mas de repente
se encontrava comigo conversando.
Os olhos nos meus olhos, frente a frente,
eram dois pintassilgos namorando.
De alto porte, bonita, inteligente,
a estirpe de fidalgos demonstrando,
não podia ocultar o ser ardente
na volúpia do amor se acrisolando.
Silhueta pagã. onde passou
a natureza em si paralisou
e o povo abriu honrosa passarela.
Silenciaram todos os ruídos.
E sinto que ficou nos meus ouvidos
a sonora canção dos lábios dela.
se encontrava comigo conversando.
Os olhos nos meus olhos, frente a frente,
eram dois pintassilgos namorando.
De alto porte, bonita, inteligente,
a estirpe de fidalgos demonstrando,
não podia ocultar o ser ardente
na volúpia do amor se acrisolando.
Silhueta pagã. onde passou
a natureza em si paralisou
e o povo abriu honrosa passarela.
Silenciaram todos os ruídos.
E sinto que ficou nos meus ouvidos
a sonora canção dos lábios dela.
884
Noel Nascimento
RosAmor
Tenho um sentimento concreto,
objeto
que pode ser visto e tocado
como se fora o coração.
Contornos de abraços,
beijos encarnados,
sorrisos e lágrima amalgamados.
Novelo
de graças e rubor.
Aspecto
nem de brilhante nem de cristal,
mas de igual esplendor.
Tocha
de afetos que desabrocha
no meu peito.
Centelha
do belo universal.
Bem espesso, copado,
amorosa flor:
— A rosa, mas só a rosa vermelha
tem as formas do meu amor.
objeto
que pode ser visto e tocado
como se fora o coração.
Contornos de abraços,
beijos encarnados,
sorrisos e lágrima amalgamados.
Novelo
de graças e rubor.
Aspecto
nem de brilhante nem de cristal,
mas de igual esplendor.
Tocha
de afetos que desabrocha
no meu peito.
Centelha
do belo universal.
Bem espesso, copado,
amorosa flor:
— A rosa, mas só a rosa vermelha
tem as formas do meu amor.
865
Noel Nascimento
RosAmor
Tenho um sentimento concreto,
objeto
que pode ser visto e tocado
como se fora o coração.
Contornos de abraços,
beijos encarnados,
sorrisos e lágrima amalgamados.
Novelo
de graças e rubor.
Aspecto
nem de brilhante nem de cristal,
mas de igual esplendor.
Tocha
de afetos que desabrocha
no meu peito.
Centelha
do belo universal.
Bem espesso, copado,
amorosa flor:
— A rosa, mas só a rosa vermelha
tem as formas do meu amor.
objeto
que pode ser visto e tocado
como se fora o coração.
Contornos de abraços,
beijos encarnados,
sorrisos e lágrima amalgamados.
Novelo
de graças e rubor.
Aspecto
nem de brilhante nem de cristal,
mas de igual esplendor.
Tocha
de afetos que desabrocha
no meu peito.
Centelha
do belo universal.
Bem espesso, copado,
amorosa flor:
— A rosa, mas só a rosa vermelha
tem as formas do meu amor.
865
Nielson Ricardo de Alencar Ferreira
O guardião do Amor
O guardião do Amor
De noite em meu deitar
A imagem sua vem me atormentar.
Não sei oque fazer e nem oque pensar..
Pois teus olhos não me deixam imaginar.
Oque fazeres agora Anjo da Noite, Guardião do Amor..
Se estes olhos você imagina te fitar..
Espera que a noite em vãos brandos venha te buscar..
Ou esperas que estes olhos contigo possa sonhar?
Não saberes diferenciar..
A beleza do Ser com a de Amar?
Como queres então viver entre os mortais que aqui esta..
Se possuis a plenitude do sonhar?
Minutos de silêncio irei ficar, pois respostas não posso te dar..
Viver é a solucão;
Ir sempre atrás dos sonhos alheios e tentar deles participar..
Seres feliz pelos outros;
Não pensares em ti;
Pois como já disse em forte explendor da alma..
Que humano não seres;
Seres apenas O Guardião do Amor...
De noite em meu deitar
A imagem sua vem me atormentar.
Não sei oque fazer e nem oque pensar..
Pois teus olhos não me deixam imaginar.
Oque fazeres agora Anjo da Noite, Guardião do Amor..
Se estes olhos você imagina te fitar..
Espera que a noite em vãos brandos venha te buscar..
Ou esperas que estes olhos contigo possa sonhar?
Não saberes diferenciar..
A beleza do Ser com a de Amar?
Como queres então viver entre os mortais que aqui esta..
Se possuis a plenitude do sonhar?
Minutos de silêncio irei ficar, pois respostas não posso te dar..
Viver é a solucão;
Ir sempre atrás dos sonhos alheios e tentar deles participar..
Seres feliz pelos outros;
Não pensares em ti;
Pois como já disse em forte explendor da alma..
Que humano não seres;
Seres apenas O Guardião do Amor...
868
Noel Rosa
Cem Mil-Réis
Você me pediu cem mil-réis
Pra comprar um soirée
E um tamborim
O organdi anda barato pra cachorro
E um gato lá no morro
Não é tão caro assim
Não custa nada
Preencher formalidade
Tamborim pra batucada
Soirée pra sociedade
Sou bem sensato
Seu pedido atendi
Já tenho a pele do gato
Falta o metro de organdi
Sei que você
Num dia faz um tamborim
Mas ninguém faz um soirée
Com meio metro de cetim
De soirée
você num baile se destaca
Mas não quero mais você
Porque não sei vestir casaca.
Pra comprar um soirée
E um tamborim
O organdi anda barato pra cachorro
E um gato lá no morro
Não é tão caro assim
Não custa nada
Preencher formalidade
Tamborim pra batucada
Soirée pra sociedade
Sou bem sensato
Seu pedido atendi
Já tenho a pele do gato
Falta o metro de organdi
Sei que você
Num dia faz um tamborim
Mas ninguém faz um soirée
Com meio metro de cetim
De soirée
você num baile se destaca
Mas não quero mais você
Porque não sei vestir casaca.
1 027
Noel Nascimento
Pesquisa Estética
À procura
da sonoridade mais pura,
quis decifrar o mistério
da beleza natural.
Palavra por palavra,
desfolhei o poema
e despetalei a flor.
Em busca da magia de um canto
quase descubro
a fonte do amor.
O que faz o mavioso gorgeio,
seria a forcá que faz o vôo?
Onde a nascente no coração de cristal?
Pena por pena,
depenei um canarinho,
tingi de sangue as minhas unhas,
mas ao abrir-lhe o peito
não achei a flautinha divinal ...
da sonoridade mais pura,
quis decifrar o mistério
da beleza natural.
Palavra por palavra,
desfolhei o poema
e despetalei a flor.
Em busca da magia de um canto
quase descubro
a fonte do amor.
O que faz o mavioso gorgeio,
seria a forcá que faz o vôo?
Onde a nascente no coração de cristal?
Pena por pena,
depenei um canarinho,
tingi de sangue as minhas unhas,
mas ao abrir-lhe o peito
não achei a flautinha divinal ...
802
Noel Nascimento
Pesquisa Estética
À procura
da sonoridade mais pura,
quis decifrar o mistério
da beleza natural.
Palavra por palavra,
desfolhei o poema
e despetalei a flor.
Em busca da magia de um canto
quase descubro
a fonte do amor.
O que faz o mavioso gorgeio,
seria a forcá que faz o vôo?
Onde a nascente no coração de cristal?
Pena por pena,
depenei um canarinho,
tingi de sangue as minhas unhas,
mas ao abrir-lhe o peito
não achei a flautinha divinal ...
da sonoridade mais pura,
quis decifrar o mistério
da beleza natural.
Palavra por palavra,
desfolhei o poema
e despetalei a flor.
Em busca da magia de um canto
quase descubro
a fonte do amor.
O que faz o mavioso gorgeio,
seria a forcá que faz o vôo?
Onde a nascente no coração de cristal?
Pena por pena,
depenei um canarinho,
tingi de sangue as minhas unhas,
mas ao abrir-lhe o peito
não achei a flautinha divinal ...
802
Noel Nascimento
Pesquisa Estética
À procura
da sonoridade mais pura,
quis decifrar o mistério
da beleza natural.
Palavra por palavra,
desfolhei o poema
e despetalei a flor.
Em busca da magia de um canto
quase descubro
a fonte do amor.
O que faz o mavioso gorgeio,
seria a forcá que faz o vôo?
Onde a nascente no coração de cristal?
Pena por pena,
depenei um canarinho,
tingi de sangue as minhas unhas,
mas ao abrir-lhe o peito
não achei a flautinha divinal ...
da sonoridade mais pura,
quis decifrar o mistério
da beleza natural.
Palavra por palavra,
desfolhei o poema
e despetalei a flor.
Em busca da magia de um canto
quase descubro
a fonte do amor.
O que faz o mavioso gorgeio,
seria a forcá que faz o vôo?
Onde a nascente no coração de cristal?
Pena por pena,
depenei um canarinho,
tingi de sangue as minhas unhas,
mas ao abrir-lhe o peito
não achei a flautinha divinal ...
802
Noel Nascimento
Pesquisa Estética
À procura
da sonoridade mais pura,
quis decifrar o mistério
da beleza natural.
Palavra por palavra,
desfolhei o poema
e despetalei a flor.
Em busca da magia de um canto
quase descubro
a fonte do amor.
O que faz o mavioso gorgeio,
seria a forcá que faz o vôo?
Onde a nascente no coração de cristal?
Pena por pena,
depenei um canarinho,
tingi de sangue as minhas unhas,
mas ao abrir-lhe o peito
não achei a flautinha divinal ...
da sonoridade mais pura,
quis decifrar o mistério
da beleza natural.
Palavra por palavra,
desfolhei o poema
e despetalei a flor.
Em busca da magia de um canto
quase descubro
a fonte do amor.
O que faz o mavioso gorgeio,
seria a forcá que faz o vôo?
Onde a nascente no coração de cristal?
Pena por pena,
depenei um canarinho,
tingi de sangue as minhas unhas,
mas ao abrir-lhe o peito
não achei a flautinha divinal ...
802
Otacílio de Azevedo
Carro de Boi
Rodam, tardas, gemendo, as rodas, arrastando
os pesados pranchões de pau-darco. Angustiado
ora altivo e roufenho, ora moroso e brando,
todo carro de bois é um soluço abafado...
A hora viúva e glacial do crepúsculo quando
o sol desce, o seu canto é tão doce e magoado
que ora nos prende à terra, ora nos vai levando
na asa de oiro de sonho a um longínquo passado.
Choram, tristes, à frente, os bois mortos de sono...
Há uma vaga tristeza, uma ansiedade em tudo
e a paisagem dir-se-ia um por-de-sol, no outono...
Oh! Natureza — Mãe! Sei quanto sofres, pois
vejo, ansioso, rolar todo o teu pranto mudo
pelos bons olhos melancólicos dos bois.
os pesados pranchões de pau-darco. Angustiado
ora altivo e roufenho, ora moroso e brando,
todo carro de bois é um soluço abafado...
A hora viúva e glacial do crepúsculo quando
o sol desce, o seu canto é tão doce e magoado
que ora nos prende à terra, ora nos vai levando
na asa de oiro de sonho a um longínquo passado.
Choram, tristes, à frente, os bois mortos de sono...
Há uma vaga tristeza, uma ansiedade em tudo
e a paisagem dir-se-ia um por-de-sol, no outono...
Oh! Natureza — Mãe! Sei quanto sofres, pois
vejo, ansioso, rolar todo o teu pranto mudo
pelos bons olhos melancólicos dos bois.
1 348
Noel Nascimento
Reprise
Ao ancorar a nave
à laje
entre ciprestes
no campo sacro,
liberta no espaço
minha alma há de alegrar-se
de saudades.
Tê-las já é reportar-me
à viagem como se estivesse em curso.
Não seja triste a despedida
qual se de um sonho
não houvesse reprise.
Há miríades de galáxias,
infinidade de astros
e até universos paralelos.
Numa nova nave,
por bondade divina,
hei de encontrar outra Terra,
um mundo igualzinho ao de outrora,
um mesmo sol, a mesma lua,
— a casa, as ruas, as pessoas —,
a cidadezinha no alto
reviver tudo como era,
amar e repetir a vida
da viagem finda.
à laje
entre ciprestes
no campo sacro,
liberta no espaço
minha alma há de alegrar-se
de saudades.
Tê-las já é reportar-me
à viagem como se estivesse em curso.
Não seja triste a despedida
qual se de um sonho
não houvesse reprise.
Há miríades de galáxias,
infinidade de astros
e até universos paralelos.
Numa nova nave,
por bondade divina,
hei de encontrar outra Terra,
um mundo igualzinho ao de outrora,
um mesmo sol, a mesma lua,
— a casa, as ruas, as pessoas —,
a cidadezinha no alto
reviver tudo como era,
amar e repetir a vida
da viagem finda.
908
Nielson Ricardo de Alencar Ferreira
O ti Amar
O ti Amar
Quando,defronte de meus olhos vejo os teus a me fitar..
Imagino o quanto posso te dar.
Nada sei sem pensar..
Mas oque fazer então..
Se a virtude comigo esta.
Aonde a virtude esta? Pergunta minha alma sem hesitar..
E eu respondo com um simples te olhar..
Que ela esta dentro do te AMAR.
Quando,defronte de meus olhos vejo os teus a me fitar..
Imagino o quanto posso te dar.
Nada sei sem pensar..
Mas oque fazer então..
Se a virtude comigo esta.
Aonde a virtude esta? Pergunta minha alma sem hesitar..
E eu respondo com um simples te olhar..
Que ela esta dentro do te AMAR.
970
Teruko Oda
Inverno
Silêncio profundo
Soba luz da eterna aurora
Dorme o campo seco.
Mugido sedento
Gado magro em pasto seco
Coqueiros ao vento.
Soba luz da eterna aurora
Dorme o campo seco.
Mugido sedento
Gado magro em pasto seco
Coqueiros ao vento.
1 111
Olga Savary
David
Não sendo bicho nem deus
nem da raiz tendo a força
ou a eternidade da pedra,
o poeta nas palavras
põe essa força de nada:
sua funda é o poema.
nem da raiz tendo a força
ou a eternidade da pedra,
o poeta nas palavras
põe essa força de nada:
sua funda é o poema.
1 321