Poemas neste tema
Outros
Manoel Carlos de Almeida
Soneto
Demoro-me na escassa infância
em buscamentos de poesia
Que um severo milagre se proponha
e se abasteça a noite de seu dia.
Guardar-me não será melhor que unir-me
à memória dos olhos e do ouvido.
Existe a solidão de um tempo atado
ao que ouvi sem ter sentido.
Sem proeza ofertei amor exíguo.
Não perguntei às formas exauridas
onde encontrar estojo para o verso.
Conquisto para mim palavras minhas
em que o medo engendrou um grave espanto:
fonte de hermética paisagem.
em buscamentos de poesia
Que um severo milagre se proponha
e se abasteça a noite de seu dia.
Guardar-me não será melhor que unir-me
à memória dos olhos e do ouvido.
Existe a solidão de um tempo atado
ao que ouvi sem ter sentido.
Sem proeza ofertei amor exíguo.
Não perguntei às formas exauridas
onde encontrar estojo para o verso.
Conquisto para mim palavras minhas
em que o medo engendrou um grave espanto:
fonte de hermética paisagem.
471
Maurício B. Moisés
Fotografia
A natureza sendo uma fotografia viva
Torna a fotografia uma natureza morta.
Mesmo assim ambas são belas,
Pois uma é a nossa vida,
E a outra a lembrança dela.
Torna a fotografia uma natureza morta.
Mesmo assim ambas são belas,
Pois uma é a nossa vida,
E a outra a lembrança dela.
572
Maurício B. Moisés
Fotografia
A natureza sendo uma fotografia viva
Torna a fotografia uma natureza morta.
Mesmo assim ambas são belas,
Pois uma é a nossa vida,
E a outra a lembrança dela.
Torna a fotografia uma natureza morta.
Mesmo assim ambas são belas,
Pois uma é a nossa vida,
E a outra a lembrança dela.
572
Mário Donizete Massari
Meninos
Meninos do morro
descem do morro
não pedem socorro
se pegam a socos
defendem o osso
da carne em ruínas
emudecem como sopro
do trem da Central que avisa . . .
No céu dos brasis
há meninos louros
negrinhos, caboclos
meninos moços, heróis
do sem fim
Meninos do morro
também há meninas
franzinas, despidas
Tentativa de ser
sopro de vida
descem do morro
não pedem socorro
se pegam a socos
defendem o osso
da carne em ruínas
emudecem como sopro
do trem da Central que avisa . . .
No céu dos brasis
há meninos louros
negrinhos, caboclos
meninos moços, heróis
do sem fim
Meninos do morro
também há meninas
franzinas, despidas
Tentativa de ser
sopro de vida
970
Mário Donizete Massari
Longa noite curta
O apito de um guarda noturno
O barulho de um cão que ladra à[distância
Um bêbado dizendo asneiras
O grilo entoa seu canto
A coruja desfaz seu encanto
O motor de um carro passando
O vagalume clareia o espaço
A borboleta pousa na flor
Os homens fazem amor
Nessa longa noite curta
Meu pensamento é você
O barulho de um cão que ladra à[distância
Um bêbado dizendo asneiras
O grilo entoa seu canto
A coruja desfaz seu encanto
O motor de um carro passando
O vagalume clareia o espaço
A borboleta pousa na flor
Os homens fazem amor
Nessa longa noite curta
Meu pensamento é você
551
Mário Donizete Massari
Memórias
(a meu pai)
Enquanto eu corria descalço
pisando em estrelas
meu pai numa labuta infinda
enfrentava o sol
Às noites com seu violão
que nunca chegou a dedilhar
espalhava sua poesia no ar
Velho poeta, ninguém como você
soube cantar o amor e a dor dos
seus dias
É pena que o mundo conheça apenas
os escritores feitos
e desconheça a poesia de um lavrador
Os anos foram tantos
os sonhos de menino
perderam-se no barquinho
que num dia de chuva
naveguei
Meu pai hoje velho
resistiu a tudo
e por detrás do muro
vejo o seu vulto
Pensando no menino que se fez homem.
Enquanto eu corria descalço
pisando em estrelas
meu pai numa labuta infinda
enfrentava o sol
Às noites com seu violão
que nunca chegou a dedilhar
espalhava sua poesia no ar
Velho poeta, ninguém como você
soube cantar o amor e a dor dos
seus dias
É pena que o mundo conheça apenas
os escritores feitos
e desconheça a poesia de um lavrador
Os anos foram tantos
os sonhos de menino
perderam-se no barquinho
que num dia de chuva
naveguei
Meu pai hoje velho
resistiu a tudo
e por detrás do muro
vejo o seu vulto
Pensando no menino que se fez homem.
816
António Manuel Couto Viana
Poesia
Com a mão alada procuroO emocional desenho puro:A linha é frágil; o verso é duro.
A claridade dos cimos!Por alcançar nos desmedimos:Turvam a fonte os humanos limos.
Fique meu gesto suspensoComo o branco sinal dum lençoPor sobre o mundo noturno e imenso.
A claridade dos cimos!Por alcançar nos desmedimos:Turvam a fonte os humanos limos.
Fique meu gesto suspensoComo o branco sinal dum lençoPor sobre o mundo noturno e imenso.
1 475
António Manuel Couto Viana
Poesia
Com a mão alada procuroO emocional desenho puro:A linha é frágil; o verso é duro.
A claridade dos cimos!Por alcançar nos desmedimos:Turvam a fonte os humanos limos.
Fique meu gesto suspensoComo o branco sinal dum lençoPor sobre o mundo noturno e imenso.
A claridade dos cimos!Por alcançar nos desmedimos:Turvam a fonte os humanos limos.
Fique meu gesto suspensoComo o branco sinal dum lençoPor sobre o mundo noturno e imenso.
1 475
António Manuel Couto Viana
Poesia
Com a mão alada procuroO emocional desenho puro:A linha é frágil; o verso é duro.
A claridade dos cimos!Por alcançar nos desmedimos:Turvam a fonte os humanos limos.
Fique meu gesto suspensoComo o branco sinal dum lençoPor sobre o mundo noturno e imenso.
A claridade dos cimos!Por alcançar nos desmedimos:Turvam a fonte os humanos limos.
Fique meu gesto suspensoComo o branco sinal dum lençoPor sobre o mundo noturno e imenso.
1 475
António Manuel Couto Viana
Poesia
Com a mão alada procuroO emocional desenho puro:A linha é frágil; o verso é duro.
A claridade dos cimos!Por alcançar nos desmedimos:Turvam a fonte os humanos limos.
Fique meu gesto suspensoComo o branco sinal dum lençoPor sobre o mundo noturno e imenso.
A claridade dos cimos!Por alcançar nos desmedimos:Turvam a fonte os humanos limos.
Fique meu gesto suspensoComo o branco sinal dum lençoPor sobre o mundo noturno e imenso.
1 475
Mário Donizete Massari
Rotina
Amanheceu
O orvalho molhou a flor
O passarinho cantou
Clareou
A sirene de uma fábrica
O empregado sai correndo
Tumulto
Houve atropelamento
A rádio anuncia
Nota de falecimento
Mais uma alma que vai
Para onde?
O orvalho molhou a flor
O passarinho cantou
Clareou
A sirene de uma fábrica
O empregado sai correndo
Tumulto
Houve atropelamento
A rádio anuncia
Nota de falecimento
Mais uma alma que vai
Para onde?
892
Moniz Bandeira
Canto do Outubro
Que ficou de teu mundo?
Onde aqueles que te ajudaram a construí-lo?
Os muros tragaram balas e palavras
e a erva cresceu sobre os lábios dos mortos
que a noite ocultou.
Sempre noite, sempre inverno,
flocos de neve caindo
na memória dos que marcaram
as estradas do tempo.
Os mortos.
Sangue, pólvora, cinza, pedra,
e um século preso nos seus dentes.
Vê a alvorada,
a alvorada que vem,
que ainda vem,
que surgirá de lágrimas e de sonhos,
quando nos campos,
verdes campos,
hoje cobertos de neve,
as sementes brotarem e as árvores florescerem.
quando todas as vozes,
rasgando túmulos e quebrando espelhos,
vibrarem nos subterrâneos do mundo.
Vê quantos homens
caminham pela madrugada.
Eles esperam por ti.
Esperam que os relógios sangrem
à dor das horas.
Que os rios contidos
desemboquem pela boca dos mortos
despertados ao canto das aves
e dos clarins de fogo da alvorada.
E o sol,
O sol que tu levaste nas mãos,
será de todos.
Onde aqueles que te ajudaram a construí-lo?
Os muros tragaram balas e palavras
e a erva cresceu sobre os lábios dos mortos
que a noite ocultou.
Sempre noite, sempre inverno,
flocos de neve caindo
na memória dos que marcaram
as estradas do tempo.
Os mortos.
Sangue, pólvora, cinza, pedra,
e um século preso nos seus dentes.
Vê a alvorada,
a alvorada que vem,
que ainda vem,
que surgirá de lágrimas e de sonhos,
quando nos campos,
verdes campos,
hoje cobertos de neve,
as sementes brotarem e as árvores florescerem.
quando todas as vozes,
rasgando túmulos e quebrando espelhos,
vibrarem nos subterrâneos do mundo.
Vê quantos homens
caminham pela madrugada.
Eles esperam por ti.
Esperam que os relógios sangrem
à dor das horas.
Que os rios contidos
desemboquem pela boca dos mortos
despertados ao canto das aves
e dos clarins de fogo da alvorada.
E o sol,
O sol que tu levaste nas mãos,
será de todos.
990
Mário Del Rey
Verão
Asas ao vento
campos de um só verde
pódios de pardais
Um aguaceiro
noite de relâmpagos
ideogramas
campos de um só verde
pódios de pardais
Um aguaceiro
noite de relâmpagos
ideogramas
1 076
Mário Donizete Massari
O Poeta
Olhou para o céu
Brincou com a lua
Apalpou as estrelas
Subiu nos montes
Alcançou o horizonte
Emergiu na loucura
Saciou a sede
na mais linda e pura
fonte da vida
Esperou amanhecer
e para o orvalho gelado
Disse bom dia
"Nasceu a poesia"
Brincou com a lua
Apalpou as estrelas
Subiu nos montes
Alcançou o horizonte
Emergiu na loucura
Saciou a sede
na mais linda e pura
fonte da vida
Esperou amanhecer
e para o orvalho gelado
Disse bom dia
"Nasceu a poesia"
935
Mário Donizete Massari
O Poeta
Olhou para o céu
Brincou com a lua
Apalpou as estrelas
Subiu nos montes
Alcançou o horizonte
Emergiu na loucura
Saciou a sede
na mais linda e pura
fonte da vida
Esperou amanhecer
e para o orvalho gelado
Disse bom dia
"Nasceu a poesia"
Brincou com a lua
Apalpou as estrelas
Subiu nos montes
Alcançou o horizonte
Emergiu na loucura
Saciou a sede
na mais linda e pura
fonte da vida
Esperou amanhecer
e para o orvalho gelado
Disse bom dia
"Nasceu a poesia"
935
Mário Donizete Massari
O Poeta
Olhou para o céu
Brincou com a lua
Apalpou as estrelas
Subiu nos montes
Alcançou o horizonte
Emergiu na loucura
Saciou a sede
na mais linda e pura
fonte da vida
Esperou amanhecer
e para o orvalho gelado
Disse bom dia
"Nasceu a poesia"
Brincou com a lua
Apalpou as estrelas
Subiu nos montes
Alcançou o horizonte
Emergiu na loucura
Saciou a sede
na mais linda e pura
fonte da vida
Esperou amanhecer
e para o orvalho gelado
Disse bom dia
"Nasceu a poesia"
935
Maurício Batarce
Passos Temporais
A verdadeira vida vivida
Deve ser regada de mundo.
Os sonhos devem buscar
As grandes distâncias
E os olhos devem estar ligados
À verdade.
Na verdadeira vida vivida
Tudo funciona em harmonia.
A procura de nossas origens
Faz parte dela
E o passado serve como ponte
Para o que somos.
A verdadeira vida vivida
Nos transmite a voz da maturidade,
Demonstrando nosso presente a cada instante.
Nessa verdade, quando menos se espera,
O tempo já se foi.
O homem que é preso ao relógio
Leva rasteiras em sua verdadeira vida vivida.
Cada passo do ponteiro
É uma eternidade a menos
E o começo de uma nova eternidade.
Na verdadeira vida vivida
Escutamos o caminhar para o futuro
E aos poucos chegamos ao infinito.
As verdadeiras vidas vividas
Nada mais são do que
Verdadeiros passos temporais...
Deve ser regada de mundo.
Os sonhos devem buscar
As grandes distâncias
E os olhos devem estar ligados
À verdade.
Na verdadeira vida vivida
Tudo funciona em harmonia.
A procura de nossas origens
Faz parte dela
E o passado serve como ponte
Para o que somos.
A verdadeira vida vivida
Nos transmite a voz da maturidade,
Demonstrando nosso presente a cada instante.
Nessa verdade, quando menos se espera,
O tempo já se foi.
O homem que é preso ao relógio
Leva rasteiras em sua verdadeira vida vivida.
Cada passo do ponteiro
É uma eternidade a menos
E o começo de uma nova eternidade.
Na verdadeira vida vivida
Escutamos o caminhar para o futuro
E aos poucos chegamos ao infinito.
As verdadeiras vidas vividas
Nada mais são do que
Verdadeiros passos temporais...
808
Maurício Batarce
Passos Temporais
A verdadeira vida vivida
Deve ser regada de mundo.
Os sonhos devem buscar
As grandes distâncias
E os olhos devem estar ligados
À verdade.
Na verdadeira vida vivida
Tudo funciona em harmonia.
A procura de nossas origens
Faz parte dela
E o passado serve como ponte
Para o que somos.
A verdadeira vida vivida
Nos transmite a voz da maturidade,
Demonstrando nosso presente a cada instante.
Nessa verdade, quando menos se espera,
O tempo já se foi.
O homem que é preso ao relógio
Leva rasteiras em sua verdadeira vida vivida.
Cada passo do ponteiro
É uma eternidade a menos
E o começo de uma nova eternidade.
Na verdadeira vida vivida
Escutamos o caminhar para o futuro
E aos poucos chegamos ao infinito.
As verdadeiras vidas vividas
Nada mais são do que
Verdadeiros passos temporais...
Deve ser regada de mundo.
Os sonhos devem buscar
As grandes distâncias
E os olhos devem estar ligados
À verdade.
Na verdadeira vida vivida
Tudo funciona em harmonia.
A procura de nossas origens
Faz parte dela
E o passado serve como ponte
Para o que somos.
A verdadeira vida vivida
Nos transmite a voz da maturidade,
Demonstrando nosso presente a cada instante.
Nessa verdade, quando menos se espera,
O tempo já se foi.
O homem que é preso ao relógio
Leva rasteiras em sua verdadeira vida vivida.
Cada passo do ponteiro
É uma eternidade a menos
E o começo de uma nova eternidade.
Na verdadeira vida vivida
Escutamos o caminhar para o futuro
E aos poucos chegamos ao infinito.
As verdadeiras vidas vividas
Nada mais são do que
Verdadeiros passos temporais...
808
Mário Donizete Massari
Alicerce
Nas bases fortificadas
de cada coração
nos gestos trabalhados
de cada ato.
Nas avenidas iluminadas
no pátio das universidades
nos pensamentos obscenos
que ora nos invadem.
Nos gritos abafados
na noite
nos movimentos especulativos
da morte.
Nas rondas soturnas das estrelas, a nos
[seguir
ESTÁ O ALICERCE DO PROJETO
[QUE É A VIDA
de cada coração
nos gestos trabalhados
de cada ato.
Nas avenidas iluminadas
no pátio das universidades
nos pensamentos obscenos
que ora nos invadem.
Nos gritos abafados
na noite
nos movimentos especulativos
da morte.
Nas rondas soturnas das estrelas, a nos
[seguir
ESTÁ O ALICERCE DO PROJETO
[QUE É A VIDA
929
António Manuel Couto Viana
Alegoria
Fruto tão maduro
Que me apodreceu.
Foi-se a colheita do futuro:
Podeis aproveitar, aves do céu!
Pomar de luto.
Venha outro Outono pra me consolar;
Outro fruto
Que mate a minha fome e sede de cantar.
E não mais espantalhos a suster
A gula natural dos meus sentidos:
Seja, enfim, livre pra morder,
Ainda verde, o que nascer
Destes ramos despidos!
Que me apodreceu.
Foi-se a colheita do futuro:
Podeis aproveitar, aves do céu!
Pomar de luto.
Venha outro Outono pra me consolar;
Outro fruto
Que mate a minha fome e sede de cantar.
E não mais espantalhos a suster
A gula natural dos meus sentidos:
Seja, enfim, livre pra morder,
Ainda verde, o que nascer
Destes ramos despidos!
1 740
Mário Donizete Massari
Muito pouco
Todo sonho é pouco
Todo esforço é pouco
— para vivermos esta vida.
O poeta
derrama seus versos
na avenida,
São versos tristes.
Ele (como qualquer pessoa)
sabe
que o nada é tudo
perante o povo
e que o pouco é tudo
que se consegue.
E ele grita seus versos
para um mundo
louco e sem ouvidos.
Todo esforço é pouco
— para vivermos esta vida.
O poeta
derrama seus versos
na avenida,
São versos tristes.
Ele (como qualquer pessoa)
sabe
que o nada é tudo
perante o povo
e que o pouco é tudo
que se consegue.
E ele grita seus versos
para um mundo
louco e sem ouvidos.
958
Mário Donizete Massari
Muito pouco
Todo sonho é pouco
Todo esforço é pouco
— para vivermos esta vida.
O poeta
derrama seus versos
na avenida,
São versos tristes.
Ele (como qualquer pessoa)
sabe
que o nada é tudo
perante o povo
e que o pouco é tudo
que se consegue.
E ele grita seus versos
para um mundo
louco e sem ouvidos.
Todo esforço é pouco
— para vivermos esta vida.
O poeta
derrama seus versos
na avenida,
São versos tristes.
Ele (como qualquer pessoa)
sabe
que o nada é tudo
perante o povo
e que o pouco é tudo
que se consegue.
E ele grita seus versos
para um mundo
louco e sem ouvidos.
958
Mário Donizete Massari
Muito pouco
Todo sonho é pouco
Todo esforço é pouco
— para vivermos esta vida.
O poeta
derrama seus versos
na avenida,
São versos tristes.
Ele (como qualquer pessoa)
sabe
que o nada é tudo
perante o povo
e que o pouco é tudo
que se consegue.
E ele grita seus versos
para um mundo
louco e sem ouvidos.
Todo esforço é pouco
— para vivermos esta vida.
O poeta
derrama seus versos
na avenida,
São versos tristes.
Ele (como qualquer pessoa)
sabe
que o nada é tudo
perante o povo
e que o pouco é tudo
que se consegue.
E ele grita seus versos
para um mundo
louco e sem ouvidos.
958