Poemas neste tema
Outros
Mário Donizete Massari
Hoje tem festa no céu
HOJE TEM FESTA NO CÉU
E OS HOMENS CHORAM NA TERRA
Morreu "mundinho"
filho de Izabel
que brincava às manhãs
com seu barco de papel
HOJE TEM FESTA NO CÉU
E OS HOMENS CHORAM NA TERRA
No céu preparam a chegada
do "mundinho de Izabel"
na terra ficou o barquinho
e o menino foi pro céu
HOJE TEM FESTA NO CÉU
E OS HOMENS CHORAM NA TERRA
Morreu "mundinho"
filho de Izabel
que brincava às manhãs
com seu barco de papel
HOJE TEM FESTA NO CÉU
E OS HOMENS CHORAM NA TERRA
No céu preparam a chegada
do "mundinho de Izabel"
na terra ficou o barquinho
e o menino foi pro céu
HOJE TEM FESTA NO CÉU
1 133
Maurício Batarce
Um Rumar
Com pés descalços, olhos de luz
E um sorriso estampado no rosto,
O menino caminhava
Por entre estrepes no solo.
Como querendo chegar
Ao fim do arco-íris,
Mesmo sabendo que não conseguiria,
Andava a passos firmes e cautelosos.
Olhar voltado para o infinito,
O menino ouvia o rumor da brisa
Em sua face rósea.
Mandava beijos para o sol
E prosseguia em sua jornada...
Pouco-a-pouco
Seus pés deixaram de tocar o solo
E milhões de cores
Iluminaram seu voar-andando.
Depois pisou na relva macia,
Ganhou um pote-de-ouro,
Encontrou gnomos
E conviveu com várias fadas.
Nadou no espelho de sua vida
E acabou se encontrando...
A luz de seu olhar
Iluminou o mundo
E com passos de sonho,
Acordou no mundo real.
Sua jornada acabou
E ele chegou em seu fim...
E um sorriso estampado no rosto,
O menino caminhava
Por entre estrepes no solo.
Como querendo chegar
Ao fim do arco-íris,
Mesmo sabendo que não conseguiria,
Andava a passos firmes e cautelosos.
Olhar voltado para o infinito,
O menino ouvia o rumor da brisa
Em sua face rósea.
Mandava beijos para o sol
E prosseguia em sua jornada...
Pouco-a-pouco
Seus pés deixaram de tocar o solo
E milhões de cores
Iluminaram seu voar-andando.
Depois pisou na relva macia,
Ganhou um pote-de-ouro,
Encontrou gnomos
E conviveu com várias fadas.
Nadou no espelho de sua vida
E acabou se encontrando...
A luz de seu olhar
Iluminou o mundo
E com passos de sonho,
Acordou no mundo real.
Sua jornada acabou
E ele chegou em seu fim...
754
Max Diniz Cruzeiro
A distância, distanciam-se pensamentos
A distância, distanciam-se pensamentos
Aproximam-se emoções, redescobrem-se pensamentos
Exilar-se é preciso, viver é preciso
Amar é necessário...
Perdem-se e conquistam terras,
ganha-se poder, adquire-se fama
Mas nada pode se comparar
a alegria de tê-la ao lado meu
Exílio da Pátria mãe,
algo doloroso
Exílio de você,
algo penoso,
letal...mortal
Aproximam-se emoções, redescobrem-se pensamentos
Exilar-se é preciso, viver é preciso
Amar é necessário...
Perdem-se e conquistam terras,
ganha-se poder, adquire-se fama
Mas nada pode se comparar
a alegria de tê-la ao lado meu
Exílio da Pátria mãe,
algo doloroso
Exílio de você,
algo penoso,
letal...mortal
720
Magna Celi
Vereda
Quero penetrar a grota recôndita
do viver,
e colher
uma realidade madura.
Viver não é aceitar os fac-símiles
amontoados dos ancestrais,
viver é dar cambalhotas com um sorriso
e enfrentar com fé uma guinada:
fazer o mundo amoldar-se a nós.
do viver,
e colher
uma realidade madura.
Viver não é aceitar os fac-símiles
amontoados dos ancestrais,
viver é dar cambalhotas com um sorriso
e enfrentar com fé uma guinada:
fazer o mundo amoldar-se a nós.
398
Maurício Batarce
Gotas de Sentimeto
Quantos ventos soprarão agora?
De onde surgirão meus passos?
Nunca busquei olhares para mim
E agora as imagens me ardem.
Me lembro do que fui
E me revivo a todo momento que sou.
A vida me surge como cruel verdade
E o chão que surge me some.
Escrevo de acordo com a música
E busco o fim através da fuga.
Resumo o que vejo e sinto
Em simples palavras de acalanto...
O tempo passa e não percebo,
Minha perspicácia parece falir...
Escrevo sem pensar,
Através de sonhos que vão e voltam
A me acordar.
Não me reconheço em meus passos
E procuro novos contatos.
Descubro a verdade do que sou
E em meus olhos encontro revelações
De quem um dia me amou...
De onde surgirão meus passos?
Nunca busquei olhares para mim
E agora as imagens me ardem.
Me lembro do que fui
E me revivo a todo momento que sou.
A vida me surge como cruel verdade
E o chão que surge me some.
Escrevo de acordo com a música
E busco o fim através da fuga.
Resumo o que vejo e sinto
Em simples palavras de acalanto...
O tempo passa e não percebo,
Minha perspicácia parece falir...
Escrevo sem pensar,
Através de sonhos que vão e voltam
A me acordar.
Não me reconheço em meus passos
E procuro novos contatos.
Descubro a verdade do que sou
E em meus olhos encontro revelações
De quem um dia me amou...
1 027
Maurício Batarce
Gotas de Sentimeto
Quantos ventos soprarão agora?
De onde surgirão meus passos?
Nunca busquei olhares para mim
E agora as imagens me ardem.
Me lembro do que fui
E me revivo a todo momento que sou.
A vida me surge como cruel verdade
E o chão que surge me some.
Escrevo de acordo com a música
E busco o fim através da fuga.
Resumo o que vejo e sinto
Em simples palavras de acalanto...
O tempo passa e não percebo,
Minha perspicácia parece falir...
Escrevo sem pensar,
Através de sonhos que vão e voltam
A me acordar.
Não me reconheço em meus passos
E procuro novos contatos.
Descubro a verdade do que sou
E em meus olhos encontro revelações
De quem um dia me amou...
De onde surgirão meus passos?
Nunca busquei olhares para mim
E agora as imagens me ardem.
Me lembro do que fui
E me revivo a todo momento que sou.
A vida me surge como cruel verdade
E o chão que surge me some.
Escrevo de acordo com a música
E busco o fim através da fuga.
Resumo o que vejo e sinto
Em simples palavras de acalanto...
O tempo passa e não percebo,
Minha perspicácia parece falir...
Escrevo sem pensar,
Através de sonhos que vão e voltam
A me acordar.
Não me reconheço em meus passos
E procuro novos contatos.
Descubro a verdade do que sou
E em meus olhos encontro revelações
De quem um dia me amou...
1 027
Mário Del Rey
Outono
Esboço do mar
nas gotas de orvalho
ondas secretas
Passam as nuvens
o outono suspira
pelos pinheiros
nas gotas de orvalho
ondas secretas
Passam as nuvens
o outono suspira
pelos pinheiros
1 031
Maria Braga Horta
A Moça da Praça Mauá
I
De onde vem?
Para onde vai
a moça de olhos de gata?
Parou na praça.
Pararam
grumetes em torno dela.
A moça não tem destino:
só tem caminho de ir,
no escuro da vida, ao cais
onde espera os marinheiros
(urgentes, por demorado
percurso na solidão).
São eles que vêm e vão...
Não lhe trazem "souvenirs"
nem contam as aventuras
do mar e de estranhos portos.
Nem passado e nem presente
lhe contam. Nem ela os tem
para contar a ninguém.
Iguais, no seu merecido,
um dia vai, outro vem.
II
Um dia a encontraram morta
no cais da Praça Mauá.
Suicídio, acidente ou crime?
Nem foi preciso indagar...
Morreu simplesmente a moça
que não recebeu da vida
seu tempo de armazenar.
Acodem três cavalheiros
de branco (tarde demais!)
e a levam num carro branco.
Mas não de branco vestida
vai ela ao eterno cais.
Sobre toda a humanidade
pesa o peso desta morte
da moça que não viveu
estória de se contar,
condenada ao seu caminho
de ir ao cais e voltar
sempre, sempre, sempre, sempre...
sempre sem rir, sem chorar.
III
Morreu a moça dos olhos
de gata. Morreu? Mentira!
A moça de olhos de gata
nasceu com o cais, viverá
o tempo de duração
do cais da Praça Mauá.
Lá está outra vez na praça.
Grumetes desembarcados
dos mares da solidão
(nascidos também com o cais
só com ele morrerão)
urgentes seguem os passos
do seu primeiro destino
em terras de arribação.
A moça de olhos de gata
é porto de solidão.
Nasce e morre. Morre e nasce.
Traz estampado na face
seu horóscopo malsão.
De onde vem? Para onde vai?
A moça não tem destino;
seu tempo ficou parado
no marco da condição.
De onde vem?
Para onde vai
a moça de olhos de gata?
Parou na praça.
Pararam
grumetes em torno dela.
A moça não tem destino:
só tem caminho de ir,
no escuro da vida, ao cais
onde espera os marinheiros
(urgentes, por demorado
percurso na solidão).
São eles que vêm e vão...
Não lhe trazem "souvenirs"
nem contam as aventuras
do mar e de estranhos portos.
Nem passado e nem presente
lhe contam. Nem ela os tem
para contar a ninguém.
Iguais, no seu merecido,
um dia vai, outro vem.
II
Um dia a encontraram morta
no cais da Praça Mauá.
Suicídio, acidente ou crime?
Nem foi preciso indagar...
Morreu simplesmente a moça
que não recebeu da vida
seu tempo de armazenar.
Acodem três cavalheiros
de branco (tarde demais!)
e a levam num carro branco.
Mas não de branco vestida
vai ela ao eterno cais.
Sobre toda a humanidade
pesa o peso desta morte
da moça que não viveu
estória de se contar,
condenada ao seu caminho
de ir ao cais e voltar
sempre, sempre, sempre, sempre...
sempre sem rir, sem chorar.
III
Morreu a moça dos olhos
de gata. Morreu? Mentira!
A moça de olhos de gata
nasceu com o cais, viverá
o tempo de duração
do cais da Praça Mauá.
Lá está outra vez na praça.
Grumetes desembarcados
dos mares da solidão
(nascidos também com o cais
só com ele morrerão)
urgentes seguem os passos
do seu primeiro destino
em terras de arribação.
A moça de olhos de gata
é porto de solidão.
Nasce e morre. Morre e nasce.
Traz estampado na face
seu horóscopo malsão.
De onde vem? Para onde vai?
A moça não tem destino;
seu tempo ficou parado
no marco da condição.
1 230
Mário Donizete Massari
Monafa
Notícia de Jornal
"Morreu ninguém
nesse dia qualquer
a tal hora
não carece cuidados"
M aria
O ndulava
R eluzia
T ranscendia
A brangia a essência de "ser"
N ascia com a brancura do dia
A manhecia
F estiva do
A mor que
V ivia
E xalava
L eve
A ragem, feito brisa
Renascia com a morte que lhe sorria
"Morreu ninguém
nesse dia qualquer
a tal hora
não carece cuidados"
M aria
O ndulava
R eluzia
T ranscendia
A brangia a essência de "ser"
N ascia com a brancura do dia
A manhecia
F estiva do
A mor que
V ivia
E xalava
L eve
A ragem, feito brisa
Renascia com a morte que lhe sorria
1 057
Mário Donizete Massari
Alma de menino
Luzes brilham nesse labirinto
dizia o menino:
— Vês as estrelas?
E a noite sorria
vendo a alegria
Dizia o menino:
— Vês as estrelas?
Sim, eu via
dizia o menino
(eu não via)
logo é dia.
Vês as estrelas
e eu sorria
enquanto esperava
chegar outro dia.
dizia o menino:
— Vês as estrelas?
E a noite sorria
vendo a alegria
Dizia o menino:
— Vês as estrelas?
Sim, eu via
dizia o menino
(eu não via)
logo é dia.
Vês as estrelas
e eu sorria
enquanto esperava
chegar outro dia.
922
Mário Donizete Massari
Reconstrução
Reconstruir a fé
Moldada em desejos
vãos
Sentir-se parte do todo
projeto da reconstrução
sem brilho nos olhos
mas brilhos nas mãos
tecer gestos
construir corações
caminhos serão palavras
e as palavras nossas armas
para que juntos possamos
construir a nossa paz
Reconstruir a vida
no sentido mais amplo
e acima de tudo
sentir-se projeto da reconstrução
Moldada em desejos
vãos
Sentir-se parte do todo
projeto da reconstrução
sem brilho nos olhos
mas brilhos nas mãos
tecer gestos
construir corações
caminhos serão palavras
e as palavras nossas armas
para que juntos possamos
construir a nossa paz
Reconstruir a vida
no sentido mais amplo
e acima de tudo
sentir-se projeto da reconstrução
680
Maria Braga Horta
Infância
Pelos caminhos da minha infância
sigo os teus passos na manhã
do teu ofício e meus deveres.
Ora encurtas teus passos, me esperando,
ora apresso os meus passos e te alcanço.
O importante é que se combinem como o corpo
e a sombra, e não importa qual dos dois
tem que ceder para acertar o compasso.
No percurso me ensinas uma flor
pousada como um pássaro num ramo
ou me explicas os pássaros no vôo
e me respondes o porquê das coisas.
Por quê? — vou sempre perguntando.
E descubro que atrás de cada mistério
há outro mistério e outro mistério.
Mistérios que nenhum de nós jamais desvendará.
Ninguém.
O homem poderá descobrir o universo,
voar entre as estrelas,
mas jamais descobrirá o que deseja descobrir.
Mas tudo se aclara, enfim, quando chegamos.
Esquecidos os mistérios,
enfrentamos a nossa lúcida rotina:
a tua — a de ensinar,
a minha — esta miscelânea de pequenos deveres
e grandes interesses,
esta vontade de descobrir o mundo
e inventar o céu.
Salpico o chão da escola com a água
de uma garrafa de rolha recortada;
varro, espano, encho de água a grande talha de barro
vermelho.
Enquanto isso, lá fora, as crianças em fila cantam.
II
Desço correndo
o morro-do-meio:
o sol me ofusca e o sangue do nariz salpica
o meu vestido branco.
Só consigo parar ao pé da ponte.
Lá vem seu Totonho-benzedor rodeado de gente
e seu Totonho e a gente que o rodeia
me rodeia.
Um lenço branco se tinge de vermelho
sob meu nariz.
Seu Totonho benze e diz:
"Mais vale o poder de Deus
do que o poder deste mal."
Uma prima me leva e empresta outro vestido.
Saio de azul da casa
e entro na venda de seu Roldão:
— Mamãe mandou buscar uma réstia de cebolas.
Havia poesia no sol, no morro, na ponte,
naquele deslumbramento de liberdade
na descida do morro,
no sentimento de importância de ver o povo
aglomerado em volta da menina
que veio voando com asas brancas
salpicadas de sangue.
De volta, passo a passo, subo o morro.
Ninguém mais nas janelas ou na rua.
Trago a réstia de cebolas como uma coroa de louros
conquistada no escuro.
sigo os teus passos na manhã
do teu ofício e meus deveres.
Ora encurtas teus passos, me esperando,
ora apresso os meus passos e te alcanço.
O importante é que se combinem como o corpo
e a sombra, e não importa qual dos dois
tem que ceder para acertar o compasso.
No percurso me ensinas uma flor
pousada como um pássaro num ramo
ou me explicas os pássaros no vôo
e me respondes o porquê das coisas.
Por quê? — vou sempre perguntando.
E descubro que atrás de cada mistério
há outro mistério e outro mistério.
Mistérios que nenhum de nós jamais desvendará.
Ninguém.
O homem poderá descobrir o universo,
voar entre as estrelas,
mas jamais descobrirá o que deseja descobrir.
Mas tudo se aclara, enfim, quando chegamos.
Esquecidos os mistérios,
enfrentamos a nossa lúcida rotina:
a tua — a de ensinar,
a minha — esta miscelânea de pequenos deveres
e grandes interesses,
esta vontade de descobrir o mundo
e inventar o céu.
Salpico o chão da escola com a água
de uma garrafa de rolha recortada;
varro, espano, encho de água a grande talha de barro
vermelho.
Enquanto isso, lá fora, as crianças em fila cantam.
II
Desço correndo
o morro-do-meio:
o sol me ofusca e o sangue do nariz salpica
o meu vestido branco.
Só consigo parar ao pé da ponte.
Lá vem seu Totonho-benzedor rodeado de gente
e seu Totonho e a gente que o rodeia
me rodeia.
Um lenço branco se tinge de vermelho
sob meu nariz.
Seu Totonho benze e diz:
"Mais vale o poder de Deus
do que o poder deste mal."
Uma prima me leva e empresta outro vestido.
Saio de azul da casa
e entro na venda de seu Roldão:
— Mamãe mandou buscar uma réstia de cebolas.
Havia poesia no sol, no morro, na ponte,
naquele deslumbramento de liberdade
na descida do morro,
no sentimento de importância de ver o povo
aglomerado em volta da menina
que veio voando com asas brancas
salpicadas de sangue.
De volta, passo a passo, subo o morro.
Ninguém mais nas janelas ou na rua.
Trago a réstia de cebolas como uma coroa de louros
conquistada no escuro.
1 016
Moniz Bandeira
O Poeta de Hoje
O poeta hoje não cantará heróis nem símbolos.
À dor dos séculos os mortos despertaram.
Incendeiam-se mares, florestas e montanhas,
e marcha pela madrugada o exército dos sem rostos.
O poeta hoje não cantará heróis nem símbolos.
Traz no peito a angústia das máquinas.
Travam-lhe a garganta baionetas sem lua.
Rompe nas suas mãos um sol feito de sangue
e os cavalos da fome puxam o carro da aurora.
O poeta hoje não cantará nem símbolos.
À dor dos séculos os mortos despertaram.
Incendeiam-se mares, florestas e montanhas,
e marcha pela madrugada o exército dos sem rostos.
O poeta hoje não cantará heróis nem símbolos.
Traz no peito a angústia das máquinas.
Travam-lhe a garganta baionetas sem lua.
Rompe nas suas mãos um sol feito de sangue
e os cavalos da fome puxam o carro da aurora.
O poeta hoje não cantará nem símbolos.
1 136
Moniz Bandeira
O Poeta de Hoje
O poeta hoje não cantará heróis nem símbolos.
À dor dos séculos os mortos despertaram.
Incendeiam-se mares, florestas e montanhas,
e marcha pela madrugada o exército dos sem rostos.
O poeta hoje não cantará heróis nem símbolos.
Traz no peito a angústia das máquinas.
Travam-lhe a garganta baionetas sem lua.
Rompe nas suas mãos um sol feito de sangue
e os cavalos da fome puxam o carro da aurora.
O poeta hoje não cantará nem símbolos.
À dor dos séculos os mortos despertaram.
Incendeiam-se mares, florestas e montanhas,
e marcha pela madrugada o exército dos sem rostos.
O poeta hoje não cantará heróis nem símbolos.
Traz no peito a angústia das máquinas.
Travam-lhe a garganta baionetas sem lua.
Rompe nas suas mãos um sol feito de sangue
e os cavalos da fome puxam o carro da aurora.
O poeta hoje não cantará nem símbolos.
1 136
Mário Donizete Massari
Muro
No povo
vejo o mundo
Vejo o mundo
como um muro,
que separa o homem
do próprio homem.
O operário faz greve
a vida breve
o sonho pausa leve,
no viver.
Vejo o mundo
como um muro
de oprimidos
vejo o mundo
Vejo o mundo
como um muro,
que separa o homem
do próprio homem.
O operário faz greve
a vida breve
o sonho pausa leve,
no viver.
Vejo o mundo
como um muro
de oprimidos
1 136
Mário Donizete Massari
Esperança
O menino
chupa laranjas
a dona de casa
sentada à varanda
contempla o fim de
mais um dia.
Um passarinho canta
no pomar
onde o menino
chupa laranja
às escondidas.
Fim de dia,
mas a esperança persiste
nos versos do poeta
no rosto do operário triste.
chupa laranjas
a dona de casa
sentada à varanda
contempla o fim de
mais um dia.
Um passarinho canta
no pomar
onde o menino
chupa laranja
às escondidas.
Fim de dia,
mas a esperança persiste
nos versos do poeta
no rosto do operário triste.
968
Manuel Botelho de Oliveira
Vendo a Anarda Depõe o Sentimento
A serpe, que adornando várias cores,
com passos mais oblíquos, que serenos,
entre belos jardins, prados amenos,
é maio errante de torcidas flores;
se quer matar da sede os desfavores,
Os cristais bebe com a peçonha menos,
por que não morra com os mortais venenos,
se acaso gosta dos vitais licores.
Assim também meu coração queixoso,
na sede ardente do feliz cuidado
bebe cos olhos teu cristal formoso;
Pois para não morrer no gosto amado,
depõe logo o tormento venenoso,
se acaso gosta o cristalino agrado.
com passos mais oblíquos, que serenos,
entre belos jardins, prados amenos,
é maio errante de torcidas flores;
se quer matar da sede os desfavores,
Os cristais bebe com a peçonha menos,
por que não morra com os mortais venenos,
se acaso gosta dos vitais licores.
Assim também meu coração queixoso,
na sede ardente do feliz cuidado
bebe cos olhos teu cristal formoso;
Pois para não morrer no gosto amado,
depõe logo o tormento venenoso,
se acaso gosta o cristalino agrado.
1 996
Manuel Botelho de Oliveira
Vendo a Anarda Depõe o Sentimento
A serpe, que adornando várias cores,
com passos mais oblíquos, que serenos,
entre belos jardins, prados amenos,
é maio errante de torcidas flores;
se quer matar da sede os desfavores,
Os cristais bebe com a peçonha menos,
por que não morra com os mortais venenos,
se acaso gosta dos vitais licores.
Assim também meu coração queixoso,
na sede ardente do feliz cuidado
bebe cos olhos teu cristal formoso;
Pois para não morrer no gosto amado,
depõe logo o tormento venenoso,
se acaso gosta o cristalino agrado.
com passos mais oblíquos, que serenos,
entre belos jardins, prados amenos,
é maio errante de torcidas flores;
se quer matar da sede os desfavores,
Os cristais bebe com a peçonha menos,
por que não morra com os mortais venenos,
se acaso gosta dos vitais licores.
Assim também meu coração queixoso,
na sede ardente do feliz cuidado
bebe cos olhos teu cristal formoso;
Pois para não morrer no gosto amado,
depõe logo o tormento venenoso,
se acaso gosta o cristalino agrado.
1 996
Marta Gonçalves
Nuvens Brancas
Cavalos vermelhos voam no espaço
nuvens brancas desenham carneiros
o perfume da terra espera o homem
o homem quer sementes adubadas
plasmando o ar.
O poeta, de sandália azul, cobre a alma
com penas de pássaros.
nuvens brancas desenham carneiros
o perfume da terra espera o homem
o homem quer sementes adubadas
plasmando o ar.
O poeta, de sandália azul, cobre a alma
com penas de pássaros.
1 006
Marta Gonçalves
Nuvens Brancas
Cavalos vermelhos voam no espaço
nuvens brancas desenham carneiros
o perfume da terra espera o homem
o homem quer sementes adubadas
plasmando o ar.
O poeta, de sandália azul, cobre a alma
com penas de pássaros.
nuvens brancas desenham carneiros
o perfume da terra espera o homem
o homem quer sementes adubadas
plasmando o ar.
O poeta, de sandália azul, cobre a alma
com penas de pássaros.
1 006
Marta Gonçalves
Nuvens Brancas
Cavalos vermelhos voam no espaço
nuvens brancas desenham carneiros
o perfume da terra espera o homem
o homem quer sementes adubadas
plasmando o ar.
O poeta, de sandália azul, cobre a alma
com penas de pássaros.
nuvens brancas desenham carneiros
o perfume da terra espera o homem
o homem quer sementes adubadas
plasmando o ar.
O poeta, de sandália azul, cobre a alma
com penas de pássaros.
1 006
Marta Gonçalves
Lições de Vida
Nos lábios, secura de fome espera
o rio manso das palavras. Ando
soltando pássaros verdes e descubro
nos ninhos lições de vida. O galho
do salgueiro conversa com o vento.
No corpo, marcas de ferro. Nas cavernas,
lembranças embalsamadas.
Tudo o que escrevo está em mim.
o rio manso das palavras. Ando
soltando pássaros verdes e descubro
nos ninhos lições de vida. O galho
do salgueiro conversa com o vento.
No corpo, marcas de ferro. Nas cavernas,
lembranças embalsamadas.
Tudo o que escrevo está em mim.
1 028