Poemas neste tema
Outros
Luís Inácio Araújo
As Indefinidas Palavras
Qualquer palavra que eu te diga ou te silencie
é tão sem sentido —
para o meu poema que é só bruma
voz muda esferográfica:
e o que sobre é esse silêncio pesando sobre os corpos,
esse chumbo,
o exaurir do carbono,
o vão dos corpos.
Agora quero inventar um poema
com isso que em mim é aresta,
arpão, fratura exposta,
berro içado sobre setembro,
estilhaço, beijo esgarçado,
grifar minha mudez sem fundo
afundada de tantas palavras.
Solto o poema como uma vertigem,
desse perigo não há fuga:
a nona sinfonia arrebenta num revés de crepúsculo.
Inverter o caos da tarde em melodia
ou aceitar o que um poema fabrica
de naufrágio?
pela página?
Num lapso: me escapam o salto e o grito irisado,
e daqui fotografo o abismo em cores kodak.
Palavras desabam numa catástrofe:
quero agora o vazio das margens,
a intransferível brecha,
o vão da palavra impronunciável.
Em que poema jogar fora
as palavras onde sempre esbarro?
— Vida & Morte
Deus & Sexo —
Escrever é o que se arquiteta
do deserto de uma falta,
infância e cio,
o turvo de alguém,
antro de uma boca.
Mas o que escrevo é noite cava,
emparedamento, poço
e não cabe no estreito de nenhum poema.
É só por afronta e voracidade
que escrevo escavo: indefinidamente
até preencher com o poema
a branca ausência: impreenchível.
é tão sem sentido —
para o meu poema que é só bruma
voz muda esferográfica:
e o que sobre é esse silêncio pesando sobre os corpos,
esse chumbo,
o exaurir do carbono,
o vão dos corpos.
Agora quero inventar um poema
com isso que em mim é aresta,
arpão, fratura exposta,
berro içado sobre setembro,
estilhaço, beijo esgarçado,
grifar minha mudez sem fundo
afundada de tantas palavras.
Solto o poema como uma vertigem,
desse perigo não há fuga:
a nona sinfonia arrebenta num revés de crepúsculo.
Inverter o caos da tarde em melodia
ou aceitar o que um poema fabrica
de naufrágio?
pela página?
Num lapso: me escapam o salto e o grito irisado,
e daqui fotografo o abismo em cores kodak.
Palavras desabam numa catástrofe:
quero agora o vazio das margens,
a intransferível brecha,
o vão da palavra impronunciável.
Em que poema jogar fora
as palavras onde sempre esbarro?
— Vida & Morte
Deus & Sexo —
Escrever é o que se arquiteta
do deserto de uma falta,
infância e cio,
o turvo de alguém,
antro de uma boca.
Mas o que escrevo é noite cava,
emparedamento, poço
e não cabe no estreito de nenhum poema.
É só por afronta e voracidade
que escrevo escavo: indefinidamente
até preencher com o poema
a branca ausência: impreenchível.
886
Luís Inácio Araújo
As Indefinidas Palavras
Qualquer palavra que eu te diga ou te silencie
é tão sem sentido —
para o meu poema que é só bruma
voz muda esferográfica:
e o que sobre é esse silêncio pesando sobre os corpos,
esse chumbo,
o exaurir do carbono,
o vão dos corpos.
Agora quero inventar um poema
com isso que em mim é aresta,
arpão, fratura exposta,
berro içado sobre setembro,
estilhaço, beijo esgarçado,
grifar minha mudez sem fundo
afundada de tantas palavras.
Solto o poema como uma vertigem,
desse perigo não há fuga:
a nona sinfonia arrebenta num revés de crepúsculo.
Inverter o caos da tarde em melodia
ou aceitar o que um poema fabrica
de naufrágio?
pela página?
Num lapso: me escapam o salto e o grito irisado,
e daqui fotografo o abismo em cores kodak.
Palavras desabam numa catástrofe:
quero agora o vazio das margens,
a intransferível brecha,
o vão da palavra impronunciável.
Em que poema jogar fora
as palavras onde sempre esbarro?
— Vida & Morte
Deus & Sexo —
Escrever é o que se arquiteta
do deserto de uma falta,
infância e cio,
o turvo de alguém,
antro de uma boca.
Mas o que escrevo é noite cava,
emparedamento, poço
e não cabe no estreito de nenhum poema.
É só por afronta e voracidade
que escrevo escavo: indefinidamente
até preencher com o poema
a branca ausência: impreenchível.
é tão sem sentido —
para o meu poema que é só bruma
voz muda esferográfica:
e o que sobre é esse silêncio pesando sobre os corpos,
esse chumbo,
o exaurir do carbono,
o vão dos corpos.
Agora quero inventar um poema
com isso que em mim é aresta,
arpão, fratura exposta,
berro içado sobre setembro,
estilhaço, beijo esgarçado,
grifar minha mudez sem fundo
afundada de tantas palavras.
Solto o poema como uma vertigem,
desse perigo não há fuga:
a nona sinfonia arrebenta num revés de crepúsculo.
Inverter o caos da tarde em melodia
ou aceitar o que um poema fabrica
de naufrágio?
pela página?
Num lapso: me escapam o salto e o grito irisado,
e daqui fotografo o abismo em cores kodak.
Palavras desabam numa catástrofe:
quero agora o vazio das margens,
a intransferível brecha,
o vão da palavra impronunciável.
Em que poema jogar fora
as palavras onde sempre esbarro?
— Vida & Morte
Deus & Sexo —
Escrever é o que se arquiteta
do deserto de uma falta,
infância e cio,
o turvo de alguém,
antro de uma boca.
Mas o que escrevo é noite cava,
emparedamento, poço
e não cabe no estreito de nenhum poema.
É só por afronta e voracidade
que escrevo escavo: indefinidamente
até preencher com o poema
a branca ausência: impreenchível.
886
Leão Moysés Zagury
Em relação aos pronomes
Ao escrever poemas pronominais
perdi algumas letras.
Escrevendo para você
perdi ...
Perda, sentimento revolto
num mar tempestuoso,
onde nosso orgulho navega.
Pronomes: possessões irreais
ilusões passageiras.
Ah! como é belo
verter lirismo
perante o impossível sonho.
Sempre alguma coisa
corroendo a alma,
na passagem do tempo.
Serão marcas mercadológicas
o motivo?
Nunca se conhece.
Sonhos impossíveis
calando, ferindo sensibilidades,
provocando despertar que se
vai por aí.
Nunca se conhecem
as facetas dos pronomes
ainda usados em vender
peças,roupas,casas,aviões etc.
Não conhecemos a extensão
da força prononominal,
nas frases,versos,
enfim no infinito
universo gramatical
impessoal, sempre duro.
Os versos vão sendo
terminados, enquanto
os pronomes nos saúdam
procurando...
Pronomes.
Fim!
perdi algumas letras.
Escrevendo para você
perdi ...
Perda, sentimento revolto
num mar tempestuoso,
onde nosso orgulho navega.
Pronomes: possessões irreais
ilusões passageiras.
Ah! como é belo
verter lirismo
perante o impossível sonho.
Sempre alguma coisa
corroendo a alma,
na passagem do tempo.
Serão marcas mercadológicas
o motivo?
Nunca se conhece.
Sonhos impossíveis
calando, ferindo sensibilidades,
provocando despertar que se
vai por aí.
Nunca se conhecem
as facetas dos pronomes
ainda usados em vender
peças,roupas,casas,aviões etc.
Não conhecemos a extensão
da força prononominal,
nas frases,versos,
enfim no infinito
universo gramatical
impessoal, sempre duro.
Os versos vão sendo
terminados, enquanto
os pronomes nos saúdam
procurando...
Pronomes.
Fim!
904
Leão Moysés Zagury
Em relação aos pronomes
Ao escrever poemas pronominais
perdi algumas letras.
Escrevendo para você
perdi ...
Perda, sentimento revolto
num mar tempestuoso,
onde nosso orgulho navega.
Pronomes: possessões irreais
ilusões passageiras.
Ah! como é belo
verter lirismo
perante o impossível sonho.
Sempre alguma coisa
corroendo a alma,
na passagem do tempo.
Serão marcas mercadológicas
o motivo?
Nunca se conhece.
Sonhos impossíveis
calando, ferindo sensibilidades,
provocando despertar que se
vai por aí.
Nunca se conhecem
as facetas dos pronomes
ainda usados em vender
peças,roupas,casas,aviões etc.
Não conhecemos a extensão
da força prononominal,
nas frases,versos,
enfim no infinito
universo gramatical
impessoal, sempre duro.
Os versos vão sendo
terminados, enquanto
os pronomes nos saúdam
procurando...
Pronomes.
Fim!
perdi algumas letras.
Escrevendo para você
perdi ...
Perda, sentimento revolto
num mar tempestuoso,
onde nosso orgulho navega.
Pronomes: possessões irreais
ilusões passageiras.
Ah! como é belo
verter lirismo
perante o impossível sonho.
Sempre alguma coisa
corroendo a alma,
na passagem do tempo.
Serão marcas mercadológicas
o motivo?
Nunca se conhece.
Sonhos impossíveis
calando, ferindo sensibilidades,
provocando despertar que se
vai por aí.
Nunca se conhecem
as facetas dos pronomes
ainda usados em vender
peças,roupas,casas,aviões etc.
Não conhecemos a extensão
da força prononominal,
nas frases,versos,
enfim no infinito
universo gramatical
impessoal, sempre duro.
Os versos vão sendo
terminados, enquanto
os pronomes nos saúdam
procurando...
Pronomes.
Fim!
904
Leão Moysés Zagury
Pronomes
Procuro pronomes
para um novo poetar.
Procuro , procuro em vão.
Novidades vem e vão
construindo você.
Todavia, me causa espanto
tanta busca.
Costruo-lhe dando uma forma
original , mais talentosa.
A forma original
ainda está sem o brilho ideal.
O talento investido
requer apuro , sensibilidade.
Você se debate
por um existir repleto de alegria e transparência.
Autor do poema
pede atenção do leitor,
durante tal construção.
Devagar , dou-lhe
a forma ideal.
Os pronomes marcam
a vida advinda por sofrimento,
contradições.
O nascer se refaz quotidianamente,
marcado sonoramente
por um metafórico recriar...
Palavras tentando poetar,
ilustrando o repetido
vai e vem frenético do poema.
para um novo poetar.
Procuro , procuro em vão.
Novidades vem e vão
construindo você.
Todavia, me causa espanto
tanta busca.
Costruo-lhe dando uma forma
original , mais talentosa.
A forma original
ainda está sem o brilho ideal.
O talento investido
requer apuro , sensibilidade.
Você se debate
por um existir repleto de alegria e transparência.
Autor do poema
pede atenção do leitor,
durante tal construção.
Devagar , dou-lhe
a forma ideal.
Os pronomes marcam
a vida advinda por sofrimento,
contradições.
O nascer se refaz quotidianamente,
marcado sonoramente
por um metafórico recriar...
Palavras tentando poetar,
ilustrando o repetido
vai e vem frenético do poema.
973
Leão Moysés Zagury
Pronomes
Procuro pronomes
para um novo poetar.
Procuro , procuro em vão.
Novidades vem e vão
construindo você.
Todavia, me causa espanto
tanta busca.
Costruo-lhe dando uma forma
original , mais talentosa.
A forma original
ainda está sem o brilho ideal.
O talento investido
requer apuro , sensibilidade.
Você se debate
por um existir repleto de alegria e transparência.
Autor do poema
pede atenção do leitor,
durante tal construção.
Devagar , dou-lhe
a forma ideal.
Os pronomes marcam
a vida advinda por sofrimento,
contradições.
O nascer se refaz quotidianamente,
marcado sonoramente
por um metafórico recriar...
Palavras tentando poetar,
ilustrando o repetido
vai e vem frenético do poema.
para um novo poetar.
Procuro , procuro em vão.
Novidades vem e vão
construindo você.
Todavia, me causa espanto
tanta busca.
Costruo-lhe dando uma forma
original , mais talentosa.
A forma original
ainda está sem o brilho ideal.
O talento investido
requer apuro , sensibilidade.
Você se debate
por um existir repleto de alegria e transparência.
Autor do poema
pede atenção do leitor,
durante tal construção.
Devagar , dou-lhe
a forma ideal.
Os pronomes marcam
a vida advinda por sofrimento,
contradições.
O nascer se refaz quotidianamente,
marcado sonoramente
por um metafórico recriar...
Palavras tentando poetar,
ilustrando o repetido
vai e vem frenético do poema.
973
Leão Moysés Zagury
Pronomes
Procuro pronomes
para um novo poetar.
Procuro , procuro em vão.
Novidades vem e vão
construindo você.
Todavia, me causa espanto
tanta busca.
Costruo-lhe dando uma forma
original , mais talentosa.
A forma original
ainda está sem o brilho ideal.
O talento investido
requer apuro , sensibilidade.
Você se debate
por um existir repleto de alegria e transparência.
Autor do poema
pede atenção do leitor,
durante tal construção.
Devagar , dou-lhe
a forma ideal.
Os pronomes marcam
a vida advinda por sofrimento,
contradições.
O nascer se refaz quotidianamente,
marcado sonoramente
por um metafórico recriar...
Palavras tentando poetar,
ilustrando o repetido
vai e vem frenético do poema.
para um novo poetar.
Procuro , procuro em vão.
Novidades vem e vão
construindo você.
Todavia, me causa espanto
tanta busca.
Costruo-lhe dando uma forma
original , mais talentosa.
A forma original
ainda está sem o brilho ideal.
O talento investido
requer apuro , sensibilidade.
Você se debate
por um existir repleto de alegria e transparência.
Autor do poema
pede atenção do leitor,
durante tal construção.
Devagar , dou-lhe
a forma ideal.
Os pronomes marcam
a vida advinda por sofrimento,
contradições.
O nascer se refaz quotidianamente,
marcado sonoramente
por um metafórico recriar...
Palavras tentando poetar,
ilustrando o repetido
vai e vem frenético do poema.
973
Linhares Filho
A Minha Mãe, Habitante da Morte
Tua branca rede já não se arma
para a sesta. Todavia guardo,
com o ranger longínquo dos armadores,
a placidez do teu sono
a entreter o meu sonho
No teu aposento, mansa e invisível, dorme uma ave.
À mesa posta, entre o apetite e a lembrança,
há uma cadeira sem dono.
Falta ao alimento o tempero
que de tuas mãos ninguém pôde aprender.
Mas junto a mim está um cântaro
que se encheu de lágrimas que libertam.
As dálias do jardim continuam a florescer,
cada ano, tão brancas, tão viçosas! Contudo
parecem reclamar a sutileza
de um carinho que o meu sono não esquece...
Teus pincéis dormem
com a resignação de pincéis,
Minha alma imperfeita, a despeito de teres sido
artista perfeita, pede, todo dia,
os últimos retoques.
Santa e elmo,
no navio em que eu encontrar borrasca,
os teus olhos serão santelmo...
No silêncio noturno não se ouvem mais
os passos cautelosos com que fechavas
a janela que dá para a rua,
no entanto percebo,
na lã escura da noite,
o abrigo do teu xale.
para a sesta. Todavia guardo,
com o ranger longínquo dos armadores,
a placidez do teu sono
a entreter o meu sonho
No teu aposento, mansa e invisível, dorme uma ave.
À mesa posta, entre o apetite e a lembrança,
há uma cadeira sem dono.
Falta ao alimento o tempero
que de tuas mãos ninguém pôde aprender.
Mas junto a mim está um cântaro
que se encheu de lágrimas que libertam.
As dálias do jardim continuam a florescer,
cada ano, tão brancas, tão viçosas! Contudo
parecem reclamar a sutileza
de um carinho que o meu sono não esquece...
Teus pincéis dormem
com a resignação de pincéis,
Minha alma imperfeita, a despeito de teres sido
artista perfeita, pede, todo dia,
os últimos retoques.
Santa e elmo,
no navio em que eu encontrar borrasca,
os teus olhos serão santelmo...
No silêncio noturno não se ouvem mais
os passos cautelosos com que fechavas
a janela que dá para a rua,
no entanto percebo,
na lã escura da noite,
o abrigo do teu xale.
607
Linhares Filho
A Minha Mãe, Habitante da Morte
Tua branca rede já não se arma
para a sesta. Todavia guardo,
com o ranger longínquo dos armadores,
a placidez do teu sono
a entreter o meu sonho
No teu aposento, mansa e invisível, dorme uma ave.
À mesa posta, entre o apetite e a lembrança,
há uma cadeira sem dono.
Falta ao alimento o tempero
que de tuas mãos ninguém pôde aprender.
Mas junto a mim está um cântaro
que se encheu de lágrimas que libertam.
As dálias do jardim continuam a florescer,
cada ano, tão brancas, tão viçosas! Contudo
parecem reclamar a sutileza
de um carinho que o meu sono não esquece...
Teus pincéis dormem
com a resignação de pincéis,
Minha alma imperfeita, a despeito de teres sido
artista perfeita, pede, todo dia,
os últimos retoques.
Santa e elmo,
no navio em que eu encontrar borrasca,
os teus olhos serão santelmo...
No silêncio noturno não se ouvem mais
os passos cautelosos com que fechavas
a janela que dá para a rua,
no entanto percebo,
na lã escura da noite,
o abrigo do teu xale.
para a sesta. Todavia guardo,
com o ranger longínquo dos armadores,
a placidez do teu sono
a entreter o meu sonho
No teu aposento, mansa e invisível, dorme uma ave.
À mesa posta, entre o apetite e a lembrança,
há uma cadeira sem dono.
Falta ao alimento o tempero
que de tuas mãos ninguém pôde aprender.
Mas junto a mim está um cântaro
que se encheu de lágrimas que libertam.
As dálias do jardim continuam a florescer,
cada ano, tão brancas, tão viçosas! Contudo
parecem reclamar a sutileza
de um carinho que o meu sono não esquece...
Teus pincéis dormem
com a resignação de pincéis,
Minha alma imperfeita, a despeito de teres sido
artista perfeita, pede, todo dia,
os últimos retoques.
Santa e elmo,
no navio em que eu encontrar borrasca,
os teus olhos serão santelmo...
No silêncio noturno não se ouvem mais
os passos cautelosos com que fechavas
a janela que dá para a rua,
no entanto percebo,
na lã escura da noite,
o abrigo do teu xale.
607
Leão Moysés Zagury
Não Está na Hora
Não está na hora
de acordar.
Não é hora
de dormir sob as inquietudes poéticas
dum tempo incerto.
Nunca é o momento
do...
nem o despertar quotidiano.
Nunca temos tempo
para...
Nunca pertencemos a lugar algum.
A vida corre e nem
queremos participar
de suas coisas.
Nunca temos tempo.
Será que já morremos?
de acordar.
Não é hora
de dormir sob as inquietudes poéticas
dum tempo incerto.
Nunca é o momento
do...
nem o despertar quotidiano.
Nunca temos tempo
para...
Nunca pertencemos a lugar algum.
A vida corre e nem
queremos participar
de suas coisas.
Nunca temos tempo.
Será que já morremos?
803
João Linneu
Biruta
Por vezes, dentro é tormento;
e fora,- ao relento de mim -,
por mais que tento, nada encanta.
Dentro, - na insônia -,
sem nenhum alento,
louca biruta ao sabor do vento.
e fora,- ao relento de mim -,
por mais que tento, nada encanta.
Dentro, - na insônia -,
sem nenhum alento,
louca biruta ao sabor do vento.
1 035
Lúcio José Gusman
A segunda canção desesperada
"Sobre mi corazón llueven frías corolas.Oh sentina de escombros, feroz cueva de náufragos!"(Pablo Neruda - La canción desesperada)
Tua lembrança povoa as horas tristes
da noite desesperançada em que estou.
Em moldura de ébano e estampa de cristal
povoa minhas horas tua figura de fada e de ternura.
Meu coração, deserdado a golpes de punhal,
teima em bater descompassado e exangue.
Em ti se acumularam expectativas e anseios,
de ti alçaram vôo graves sonhos e ilusões candentes.
Eras o renascer de minha alma, a minha vida,
meu despertar em meio à solidão que desampara.
Qual bandeira em paragem inóspita e inculta,
teu corpo me penetrou vazando as corolas dos meus sentidos.
Viajantes das estradas iluminadas das quimeras incendidas,
juntos alcançamos os umbrais dos páramos do amor.
Oh! Os lábios mordiscados, os corpos entrelaçados
em instantes de ternura e sublime obsessão.
Oh! Obsessão crivada de desejos incontidos,
brotados das profundezas intangíveis do amor inacabado!
Ternura suavemente sussurrada a meia luz,
por entre os alvos dentes de tua arcada faiscante e bela.
Tua beleza etérea permanece como o melhor presente,
doce recordação que fere e mata a uma só vez.
Tua presença me retrocede à florida campina dos sonhos,
levando-nos lado a lado além do fato e do desejo.
Esse meu desejo de ti e esse teu desejo de mim
se eternizaram na paz e na luz que tu me deste.
Quantas lágrimas se secaram nos arcos dos teus retesados ombros,
quanto riso agasalhado em teu colo alvo e macio!
Ter na, encantadora, menina e fada - única - ,
os brilhos dos teus olhos meigos se cravaram no meu dentro.
Em mim havia sede, fome, solidão e mágoa:
foste a água, o fruto, a companhia suave e a alegria.
Agora, há uma estrela ascendente irradiante em sua luz,
e, bem perto, uma nave sem rumo cercada de portos inseguros.
Deuses, que embalastes os sonhos de tantos amantes,
dizei-me, ó deuses, a que inferno o abandonado chegará!
Abelardo e Heloísa, Quixote e Dulcinéia, Romeu e Julieta,
por que sugastes todo o néctar da flor do amor corrrespondido?
Mistério. É noite. No dentro e no fora. Mistério e noite.
Sigo caminhando, a cruz do desencanto cravada no meu peito.
Apesar, a menina-que-veio-dos-céus, a fada-ternura,
terá sempre vindo dos céus, será sempre a fada ternura.
Linda, linda, terna e meiga, fada-menina
à procura do amor que te falhei em dar...
Tua lembrança povoa as horas tristes
da noite desesperançada em que estou.
Em moldura de ébano e estampa de cristal
povoa minhas horas tua figura de fada e de ternura.
Meu coração, deserdado a golpes de punhal,
teima em bater descompassado e exangue.
Em ti se acumularam expectativas e anseios,
de ti alçaram vôo graves sonhos e ilusões candentes.
Eras o renascer de minha alma, a minha vida,
meu despertar em meio à solidão que desampara.
Qual bandeira em paragem inóspita e inculta,
teu corpo me penetrou vazando as corolas dos meus sentidos.
Viajantes das estradas iluminadas das quimeras incendidas,
juntos alcançamos os umbrais dos páramos do amor.
Oh! Os lábios mordiscados, os corpos entrelaçados
em instantes de ternura e sublime obsessão.
Oh! Obsessão crivada de desejos incontidos,
brotados das profundezas intangíveis do amor inacabado!
Ternura suavemente sussurrada a meia luz,
por entre os alvos dentes de tua arcada faiscante e bela.
Tua beleza etérea permanece como o melhor presente,
doce recordação que fere e mata a uma só vez.
Tua presença me retrocede à florida campina dos sonhos,
levando-nos lado a lado além do fato e do desejo.
Esse meu desejo de ti e esse teu desejo de mim
se eternizaram na paz e na luz que tu me deste.
Quantas lágrimas se secaram nos arcos dos teus retesados ombros,
quanto riso agasalhado em teu colo alvo e macio!
Ter na, encantadora, menina e fada - única - ,
os brilhos dos teus olhos meigos se cravaram no meu dentro.
Em mim havia sede, fome, solidão e mágoa:
foste a água, o fruto, a companhia suave e a alegria.
Agora, há uma estrela ascendente irradiante em sua luz,
e, bem perto, uma nave sem rumo cercada de portos inseguros.
Deuses, que embalastes os sonhos de tantos amantes,
dizei-me, ó deuses, a que inferno o abandonado chegará!
Abelardo e Heloísa, Quixote e Dulcinéia, Romeu e Julieta,
por que sugastes todo o néctar da flor do amor corrrespondido?
Mistério. É noite. No dentro e no fora. Mistério e noite.
Sigo caminhando, a cruz do desencanto cravada no meu peito.
Apesar, a menina-que-veio-dos-céus, a fada-ternura,
terá sempre vindo dos céus, será sempre a fada ternura.
Linda, linda, terna e meiga, fada-menina
à procura do amor que te falhei em dar...
1 021
Washington Queiroz
Andante
Ai que vontade de amar, de amar, de amar
como uma bola de sabão
que morre colorida
num dia totalmente azul!
como uma bola de sabão
que morre colorida
num dia totalmente azul!
789
Lúcio José Gusman
O pirilampo
Um pirilampo indiscreto,
esperto,
sem pedir licença,
se pôs a contemplar-te
deitada no teu leito:
"- Como és linda!", disse ele.
O pirilampo indiscreto,
esperto,
teve o fado
que me é negado.
E pôde banhar-te
com sua delicada luz,
vislumbrando na fosforescência
do aveludado de teu corpo
a lascívia de tuas formas,
a beleza única de teus contornos.
Tu, qual Vênus pronta a se entregar
aos ansiados braços
de um Morfeu sedento...
Oh! O que eu não daria
para ser o pirilampo!
E ver-te, e admirar-te,
e desejar-te - e te querer! -,
e sentir teu hálito
num abraço-espasmo
longo, duradouro,
fundindo corpos,
entrelaçando almas,
para, enfim,
na exaustão do amor,
depositar na maciez sensual
de tua boca rósea
o ósculo santo da paixão
definitiva.
E depois,
beijar teus olhos semicerrados,
suavemente, ternamente,
e velar teu sono,
e segredar-te sussurrando
tudo aquilo que a uma deusa
se deve dizer ajoelhado.
Mas eu não sou o pirilampo...
esperto,
sem pedir licença,
se pôs a contemplar-te
deitada no teu leito:
"- Como és linda!", disse ele.
O pirilampo indiscreto,
esperto,
teve o fado
que me é negado.
E pôde banhar-te
com sua delicada luz,
vislumbrando na fosforescência
do aveludado de teu corpo
a lascívia de tuas formas,
a beleza única de teus contornos.
Tu, qual Vênus pronta a se entregar
aos ansiados braços
de um Morfeu sedento...
Oh! O que eu não daria
para ser o pirilampo!
E ver-te, e admirar-te,
e desejar-te - e te querer! -,
e sentir teu hálito
num abraço-espasmo
longo, duradouro,
fundindo corpos,
entrelaçando almas,
para, enfim,
na exaustão do amor,
depositar na maciez sensual
de tua boca rósea
o ósculo santo da paixão
definitiva.
E depois,
beijar teus olhos semicerrados,
suavemente, ternamente,
e velar teu sono,
e segredar-te sussurrando
tudo aquilo que a uma deusa
se deve dizer ajoelhado.
Mas eu não sou o pirilampo...
953
Lúcio José Gusman
O adormecido
Agora tenho sede e meu amor é como água.
Venho do distante de uns olhos escuros.
Agora sou do fundo do reino dos adormecidos;
só lá me reconheço e me encontro com minha alma.
A noite rói a bicadas o que resta do meu coração
e me bebe o sangue o sol escuro dos adormecidos;
ando morto de sede e toco um sino
para chamar a água tênue que me ama.
Eu sou o esquecido. Quero um ramo d’água,
quero uma fresca margem de areia enternecida,
quero esperar uma flor de nome celestial
para me calar com ela apoiada no peito,
as mãos cruzadas e um terno preto,
como se costuma usar...
Ninguém poderá roubar-me, então, um beijo, um olhar!
Nem sequer a morte poderá apagar este perfume.
Irei coberto de desilusões e a fosforescência que se verá,
será a do desespero dos esquecidos...
Venho do distante de uns olhos escuros.
Agora sou do fundo do reino dos adormecidos;
só lá me reconheço e me encontro com minha alma.
A noite rói a bicadas o que resta do meu coração
e me bebe o sangue o sol escuro dos adormecidos;
ando morto de sede e toco um sino
para chamar a água tênue que me ama.
Eu sou o esquecido. Quero um ramo d’água,
quero uma fresca margem de areia enternecida,
quero esperar uma flor de nome celestial
para me calar com ela apoiada no peito,
as mãos cruzadas e um terno preto,
como se costuma usar...
Ninguém poderá roubar-me, então, um beijo, um olhar!
Nem sequer a morte poderá apagar este perfume.
Irei coberto de desilusões e a fosforescência que se verá,
será a do desespero dos esquecidos...
893
Tomás Antônio Gonzaga
LIRA I
Eu, Marília, não sou algum vaqueiro
Que viva de guardar alheio gado,
De tosco trato, de expressões grosseiro,
Dos frios gelos e dos sóis queimado;
Tenho própio casal e nele assisto;
Dá-me fruta, legume, vinho, azeite;
Das brancas ovelhinhas tiro o leite
E mais a fina lã, de que me visto,
Graças, Marília bela,
Graças à minha estrela!
Eu vi o meu semblante numa fonte,
Dos anos inda não está cortado:
Os pastores que habitam este monte,
Respeitam o poder do meu cajado;
Com tal destreza toco a sanfoninha
Que inveja até me tem o próprio Alceste;
Ao som dela concerto a voz celeste;
Nem canto letra que não seja minha.
Graças, Marília bela,
Graças à minha estrela!
Mas tendo tantos dotes de ventura,
Só apreço lhes dou, gentil pastora,
Depois que o teu afeto me assegura,
Que queres do que tenho ser senhora;
É bom, minha Marília, é bom ser dono
De um rebanho que cubra monte e prado;
Porém, gentil pastora, o teu agrado
Vale mais que um rebanho e mais que um trono.
Graças, Marília bela,
Graças à minha estrela!
Que viva de guardar alheio gado,
De tosco trato, de expressões grosseiro,
Dos frios gelos e dos sóis queimado;
Tenho própio casal e nele assisto;
Dá-me fruta, legume, vinho, azeite;
Das brancas ovelhinhas tiro o leite
E mais a fina lã, de que me visto,
Graças, Marília bela,
Graças à minha estrela!
Eu vi o meu semblante numa fonte,
Dos anos inda não está cortado:
Os pastores que habitam este monte,
Respeitam o poder do meu cajado;
Com tal destreza toco a sanfoninha
Que inveja até me tem o próprio Alceste;
Ao som dela concerto a voz celeste;
Nem canto letra que não seja minha.
Graças, Marília bela,
Graças à minha estrela!
Mas tendo tantos dotes de ventura,
Só apreço lhes dou, gentil pastora,
Depois que o teu afeto me assegura,
Que queres do que tenho ser senhora;
É bom, minha Marília, é bom ser dono
De um rebanho que cubra monte e prado;
Porém, gentil pastora, o teu agrado
Vale mais que um rebanho e mais que um trono.
Graças, Marília bela,
Graças à minha estrela!
3 551
Torquato Neto
Cogito
eu sou como eu sou
pronome
pessoal intransferível
do homem que iniciei
na medida do impossível
eu sou como eu sou
agora
sem grandes segredos dantes
sem novos secretos dentes
nesta hora
eu sou como eu sou
presente
desferrolhado indecente
feito um pedaço de mim
eu sou como eu sou
vidente
e vivo tranquilamente
todas as horas do fim.
pronome
pessoal intransferível
do homem que iniciei
na medida do impossível
eu sou como eu sou
agora
sem grandes segredos dantes
sem novos secretos dentes
nesta hora
eu sou como eu sou
presente
desferrolhado indecente
feito um pedaço de mim
eu sou como eu sou
vidente
e vivo tranquilamente
todas as horas do fim.
1 788
Luiz Lopes Sobrinho
O Amor
Sem amor, este mundo é um exílio!
Sem amor, nosso lar é uma prisão!
Sem amor, não há mãe e nem há filho!
Sem amor, não nos pulsa o coração!
Sem amor, não há paz nem alegria!
Sem amor, tudo, enfim, é solitário!
Sem amor, os tormentos de um só dia
São iguais aos tormentos do Calvário!
Ai! o amor não traz só felicidade!
Também traz, o amor, imensas dores,
Dessas dores que nascem da saudade!
Mas, é muito melhor ser desgraçado,
Sofrer do próprio amor os dissabores,
Que ser feliz e nunca ter amado!
Sem amor, nosso lar é uma prisão!
Sem amor, não há mãe e nem há filho!
Sem amor, não nos pulsa o coração!
Sem amor, não há paz nem alegria!
Sem amor, tudo, enfim, é solitário!
Sem amor, os tormentos de um só dia
São iguais aos tormentos do Calvário!
Ai! o amor não traz só felicidade!
Também traz, o amor, imensas dores,
Dessas dores que nascem da saudade!
Mas, é muito melhor ser desgraçado,
Sofrer do próprio amor os dissabores,
Que ser feliz e nunca ter amado!
1 265
Tarcísio Meira César
Breve sono
A leveza da pálpebra dormente
tinha, quando uma tarde adormeci:
uma pequena morte que morri,
muito aquém de algum sono, o mais ardente.
Parecia uma névoa dissolvente
de um momento breve que escondi,
feito do mais esquivo e suavíssimo
instante despregado do poente.
Morri um breve sono desde o além,
silencioso e só e sem lembrança,
como se em nada dissolvesse alguém.
Eu era como a tarde que morria
entre um pedaço da noite e a esquivança
de um instante escondido em pleno dia.
tinha, quando uma tarde adormeci:
uma pequena morte que morri,
muito aquém de algum sono, o mais ardente.
Parecia uma névoa dissolvente
de um momento breve que escondi,
feito do mais esquivo e suavíssimo
instante despregado do poente.
Morri um breve sono desde o além,
silencioso e só e sem lembrança,
como se em nada dissolvesse alguém.
Eu era como a tarde que morria
entre um pedaço da noite e a esquivança
de um instante escondido em pleno dia.
1 174
Tarcísio Meira César
Breve sono
A leveza da pálpebra dormente
tinha, quando uma tarde adormeci:
uma pequena morte que morri,
muito aquém de algum sono, o mais ardente.
Parecia uma névoa dissolvente
de um momento breve que escondi,
feito do mais esquivo e suavíssimo
instante despregado do poente.
Morri um breve sono desde o além,
silencioso e só e sem lembrança,
como se em nada dissolvesse alguém.
Eu era como a tarde que morria
entre um pedaço da noite e a esquivança
de um instante escondido em pleno dia.
tinha, quando uma tarde adormeci:
uma pequena morte que morri,
muito aquém de algum sono, o mais ardente.
Parecia uma névoa dissolvente
de um momento breve que escondi,
feito do mais esquivo e suavíssimo
instante despregado do poente.
Morri um breve sono desde o além,
silencioso e só e sem lembrança,
como se em nada dissolvesse alguém.
Eu era como a tarde que morria
entre um pedaço da noite e a esquivança
de um instante escondido em pleno dia.
1 174
Gláucia Lemos
Poema do Desenlace
...e então nós nos magoamos
com uma dor tão intensa
com um furor tão sem forma
tão sem explicação ...
Como se estivéssemos
estraçalhando a vida
desmoronando tudo
o que nos pôs distantes...
Como se tivéssemos
que destruir universos
pra cumprirmos o que está escrito:
continuarmos cumprindo.
...e foi tanto o desejo
de rasgar os destinos...
Nós que rasgáramos todos os códigos
para nos tornarmos vidro,
assim nós nos rasgamos a nós próprios
sem solução e sem lucidez.
...para cada um permanecer
preso dentro dos olhos do outro
para em cada novo encontro
para sempre perguntarmos
por quê?
por quê?
Afinal... por quê?
21.06.96.
com uma dor tão intensa
com um furor tão sem forma
tão sem explicação ...
Como se estivéssemos
estraçalhando a vida
desmoronando tudo
o que nos pôs distantes...
Como se tivéssemos
que destruir universos
pra cumprirmos o que está escrito:
continuarmos cumprindo.
...e foi tanto o desejo
de rasgar os destinos...
Nós que rasgáramos todos os códigos
para nos tornarmos vidro,
assim nós nos rasgamos a nós próprios
sem solução e sem lucidez.
...para cada um permanecer
preso dentro dos olhos do outro
para em cada novo encontro
para sempre perguntarmos
por quê?
por quê?
Afinal... por quê?
21.06.96.
1 069
Lucídio Freitas
A meu Pai
Esqueço todo bem que, em minha estrada,
Prodigamente, como um Deus, semeio,
Fazendo meu o sofrimento alheio,
Amparando toda alma abandonada.
Quantas e quantas vezes tenho em meio
Da vida, dentro a noite erma e gelada,
Confortado a velhice desgraçada,
Na mornidão amiga do meu seio!
Para servir aos meus irmãos padeço
E dou-lhes a água e o pão, o teto e o leito
E o beijo que consola e que bendiz...
Mas todo bem que faço logo esqueço
Para guardar apenas no meu peito,
A saudade de um bem que eu nunca fiz...
Prodigamente, como um Deus, semeio,
Fazendo meu o sofrimento alheio,
Amparando toda alma abandonada.
Quantas e quantas vezes tenho em meio
Da vida, dentro a noite erma e gelada,
Confortado a velhice desgraçada,
Na mornidão amiga do meu seio!
Para servir aos meus irmãos padeço
E dou-lhes a água e o pão, o teto e o leito
E o beijo que consola e que bendiz...
Mas todo bem que faço logo esqueço
Para guardar apenas no meu peito,
A saudade de um bem que eu nunca fiz...
1 100
Gláucia Lemos
Permanência
É assim que consigo ter-te perto
quando não estás. Apenas manuseio
o livro que deixaste, e então eu creio
sentir as tuas mãos junto a meus gestos.
Sinto que estás pra vir. No meu deserto
sempre deixas sinal. Terás receio
que me perca de ti?... No entanto é certo
que só estou a buscar-te enquanto leio...
Tens o teu jeito de guardar-me pronta
à tua espera: Uma lembrança apenas,
qualquer coisa em que possa me dar conta
da tua presença, enquanto te vais.
Assim te ficas em coisas pequenas
assim te tenho perto se não estás.
10.07.96
quando não estás. Apenas manuseio
o livro que deixaste, e então eu creio
sentir as tuas mãos junto a meus gestos.
Sinto que estás pra vir. No meu deserto
sempre deixas sinal. Terás receio
que me perca de ti?... No entanto é certo
que só estou a buscar-te enquanto leio...
Tens o teu jeito de guardar-me pronta
à tua espera: Uma lembrança apenas,
qualquer coisa em que possa me dar conta
da tua presença, enquanto te vais.
Assim te ficas em coisas pequenas
assim te tenho perto se não estás.
10.07.96
1 137
Gláucia Lemos
Permanência
É assim que consigo ter-te perto
quando não estás. Apenas manuseio
o livro que deixaste, e então eu creio
sentir as tuas mãos junto a meus gestos.
Sinto que estás pra vir. No meu deserto
sempre deixas sinal. Terás receio
que me perca de ti?... No entanto é certo
que só estou a buscar-te enquanto leio...
Tens o teu jeito de guardar-me pronta
à tua espera: Uma lembrança apenas,
qualquer coisa em que possa me dar conta
da tua presença, enquanto te vais.
Assim te ficas em coisas pequenas
assim te tenho perto se não estás.
10.07.96
quando não estás. Apenas manuseio
o livro que deixaste, e então eu creio
sentir as tuas mãos junto a meus gestos.
Sinto que estás pra vir. No meu deserto
sempre deixas sinal. Terás receio
que me perca de ti?... No entanto é certo
que só estou a buscar-te enquanto leio...
Tens o teu jeito de guardar-me pronta
à tua espera: Uma lembrança apenas,
qualquer coisa em que possa me dar conta
da tua presença, enquanto te vais.
Assim te ficas em coisas pequenas
assim te tenho perto se não estás.
10.07.96
1 137