Poemas neste tema
Alma
Angela Santos
Indeléveis
Sinais
Olho
as minhas mãos,
como as mãos que em ti pousaram
nelas busco a textura,
e a vibração do corpo que tocaram...
Olho dentro dos meus olhos
e no fundo deles busco
um outro olhar que em mim vive
preso ao que vejo e ao que sinto...
Olho o meu corpo onde leio sinais
de um sol que o queimou
o mesmo sol que nos viu
de mãos dadas e olhos fitos
num belo horizonte azul
fundindo-se com o infinito
E tento chegar à alma com os olhos que ela tem
aí não vejo....só sinto
as marcas inconfundíveis
que lapidaste em mim.
Olho
as minhas mãos,
como as mãos que em ti pousaram
nelas busco a textura,
e a vibração do corpo que tocaram...
Olho dentro dos meus olhos
e no fundo deles busco
um outro olhar que em mim vive
preso ao que vejo e ao que sinto...
Olho o meu corpo onde leio sinais
de um sol que o queimou
o mesmo sol que nos viu
de mãos dadas e olhos fitos
num belo horizonte azul
fundindo-se com o infinito
E tento chegar à alma com os olhos que ela tem
aí não vejo....só sinto
as marcas inconfundíveis
que lapidaste em mim.
1 062
Angela Santos
Dança de
Heras
Imagino-me
acordada
por um raio de sol que espreita
pela nesga da janela, que esquecemos de fechar..
Imagino-me acordando em lençóis brancos de linho
exalando , ainda fresco
esse cheiro de mulher
Imagino-me no teu corpo, tu no meu corpo também
e numa dança de heras,
trocamos corpos e seres
nessa fluidez serena, feminina,
intemporal...
Imagino-te corpo, alma , cheiro, toque
paz e lume
a simbiose que busco,
pelos caminhos da vida
Tremo e não sei a razão…
Será a voz que do fundo vem
dum fundo que não sabemos
a dizer que tu e eu
há muito nos pertencemos?
Imagino-me
acordada
por um raio de sol que espreita
pela nesga da janela, que esquecemos de fechar..
Imagino-me acordando em lençóis brancos de linho
exalando , ainda fresco
esse cheiro de mulher
Imagino-me no teu corpo, tu no meu corpo também
e numa dança de heras,
trocamos corpos e seres
nessa fluidez serena, feminina,
intemporal...
Imagino-te corpo, alma , cheiro, toque
paz e lume
a simbiose que busco,
pelos caminhos da vida
Tremo e não sei a razão…
Será a voz que do fundo vem
dum fundo que não sabemos
a dizer que tu e eu
há muito nos pertencemos?
1 187
Angela Santos
Revelação
E
tudo me revela essa que eu amo…
o chão da minha casa,
a cama em que me deito
e não conheço
o que vai além do corpo
e sobrevive ao tempo
as dúvidas e até a raiva
esse compasso de espera
que nos liga e que nos prende
e mais do que tudo isto
é o sentido profundo
de que este amor é urgente.
tudo me revela essa que eu amo…
o chão da minha casa,
a cama em que me deito
e não conheço
o que vai além do corpo
e sobrevive ao tempo
as dúvidas e até a raiva
esse compasso de espera
que nos liga e que nos prende
e mais do que tudo isto
é o sentido profundo
de que este amor é urgente.
1 045
Angela Santos
Coisas Simples
Paro
e perscruto os sons que me chegam
com o vento,
e dos aromas que da terra sobem
faço o meu ópio, o meu absinto,
a embriagues da vida…
Paro para receber os suaves pingos de chuva
que caiem sobre o meu rosto
e me fazem sentir limpa,
e deixo meus olhos perderem-se
na visão do infinito
Sorvo o gosto a maresia
junto a este mar revolto,
onde busco a dimensão do que sinto e do que sou,
ínfima parte de um todo e por este engrandecida.
Da lonjura faço o sonho
onde a mente prefigura
o que o tempo ainda guarda para a vida da minha alma...
a outra parte de mim que noutro lugar me espera,
como semente guardada
para ser lançada à terra.
E será na singeleza das coisas que a vida doa
que chegaremos ao fundo
e ao sentido do que somos
e num lugar que não sei, eu e tu aí seremos
chão, húmus, arvore raiz
e cumpriremos a sina de ser semente
e florir.
e perscruto os sons que me chegam
com o vento,
e dos aromas que da terra sobem
faço o meu ópio, o meu absinto,
a embriagues da vida…
Paro para receber os suaves pingos de chuva
que caiem sobre o meu rosto
e me fazem sentir limpa,
e deixo meus olhos perderem-se
na visão do infinito
Sorvo o gosto a maresia
junto a este mar revolto,
onde busco a dimensão do que sinto e do que sou,
ínfima parte de um todo e por este engrandecida.
Da lonjura faço o sonho
onde a mente prefigura
o que o tempo ainda guarda para a vida da minha alma...
a outra parte de mim que noutro lugar me espera,
como semente guardada
para ser lançada à terra.
E será na singeleza das coisas que a vida doa
que chegaremos ao fundo
e ao sentido do que somos
e num lugar que não sei, eu e tu aí seremos
chão, húmus, arvore raiz
e cumpriremos a sina de ser semente
e florir.
1 165
Angela Santos
Dança da
Lua
No
meio da noite de uma lua prenhe,
me embalarás, cobrirás com teu corpo
e nele deixarás o sabor do teu abraço
que eu quis e esperei.
Numa noite de luar, ainda que não seja cheia
sob a clara luz das estrelas
eu dançarei para ti e beijarei tua boca
com toque de pedra rara,
incendiando o teu ser
e a noite de lua e prata.
Vi-te, não sei como e quando
e gravei em mim os contornos
que um dia me foram dados
ao jeito de revelação
Guardei-te para sempre em mim
na forma de cheiro e sabores,
tesouro que procurei nas alamedas da vida,
na escuridão dos meus dias
noutras almas que cruzei
só quero saber agora
porque ficamos à espera
de nos olharmos e ter e desvendar o mistério
do que seja o espaço e o tempo
nessa outra dimensão
em que por inteiro estejas
tu… e eu.
No
meio da noite de uma lua prenhe,
me embalarás, cobrirás com teu corpo
e nele deixarás o sabor do teu abraço
que eu quis e esperei.
Numa noite de luar, ainda que não seja cheia
sob a clara luz das estrelas
eu dançarei para ti e beijarei tua boca
com toque de pedra rara,
incendiando o teu ser
e a noite de lua e prata.
Vi-te, não sei como e quando
e gravei em mim os contornos
que um dia me foram dados
ao jeito de revelação
Guardei-te para sempre em mim
na forma de cheiro e sabores,
tesouro que procurei nas alamedas da vida,
na escuridão dos meus dias
noutras almas que cruzei
só quero saber agora
porque ficamos à espera
de nos olharmos e ter e desvendar o mistério
do que seja o espaço e o tempo
nessa outra dimensão
em que por inteiro estejas
tu… e eu.
1 100
Angela Santos
Clara Luz
Na
grandeza das coisas simples
te
vejo e sinto...
na brisa marinha,
no marulhar das folhas
no ondear da seara em pleno verão
no canto dos pássaros,
no cheiro da terra molhada,
nas gotas de chuva nos beirais
no gosto da fruta madura.....
Na simplicidade do que é grande
te vejo....
nessa mão que se estende
a outra mão aflita,
no pulsar do coração
pelo amigo que se vai,
na firmeza dos teus gestos
na verdade das palavras
com que vens até mim....
Em tudo isso te vejo
e adivinho-te no que sinto.....
e és grande porque simples
matriz...húmus…terra..raiz.
É assim, amor, que meus olhos te vêem
banhados por uma clara e límpida luz....
que espelha o teu dentro
onde a mim me vejo
como se um espelho reflectindo a alma
segredasse o que ela a ti mesma diz.
grandeza das coisas simples
te
vejo e sinto...
na brisa marinha,
no marulhar das folhas
no ondear da seara em pleno verão
no canto dos pássaros,
no cheiro da terra molhada,
nas gotas de chuva nos beirais
no gosto da fruta madura.....
Na simplicidade do que é grande
te vejo....
nessa mão que se estende
a outra mão aflita,
no pulsar do coração
pelo amigo que se vai,
na firmeza dos teus gestos
na verdade das palavras
com que vens até mim....
Em tudo isso te vejo
e adivinho-te no que sinto.....
e és grande porque simples
matriz...húmus…terra..raiz.
É assim, amor, que meus olhos te vêem
banhados por uma clara e límpida luz....
que espelha o teu dentro
onde a mim me vejo
como se um espelho reflectindo a alma
segredasse o que ela a ti mesma diz.
778
Angela Santos
Celebração
O
dia virá
ao dobrar duma esquina
onde a espera se fez longa
e os dias escritos correram
sem se cumprir
O dia virá
e longe as incertezas plenas nossas vidas
beberão da luz que as inundará
Esse dia virá
como um dia de festa para que o mundo saiba
do querer que emergiu e nos faz sentir
que a alma a par anda
e que a um só compasso
bate o coração que nos comanda
dia virá
ao dobrar duma esquina
onde a espera se fez longa
e os dias escritos correram
sem se cumprir
O dia virá
e longe as incertezas plenas nossas vidas
beberão da luz que as inundará
Esse dia virá
como um dia de festa para que o mundo saiba
do querer que emergiu e nos faz sentir
que a alma a par anda
e que a um só compasso
bate o coração que nos comanda
1 215
Angela Santos
Entre Mundos
Que afago virá
sossegar-me o coração
e que luz por entre as brumas
me fará, por fim, saber
o sentido inaudito
do que me ata aos dias.....
eu que nada sei
eu que acordei com o sopro
e me disse com o primeiro grito
eu que resisti ao mundo,
antes de o saber azul e bordado de fragas
e entranhado de lume
não sei o que virá acordar-me
do sossego se vier ...
e que caminho acharei depois de ter caminhado
por entre urzes e gritos e o desatino do mundo.
E depois o que virá ?Sabe-lo de que me serve
se hoje é o tempo todo e isto que sou e sinto
o que devo sentir e ser.
sossegar-me o coração
e que luz por entre as brumas
me fará, por fim, saber
o sentido inaudito
do que me ata aos dias.....
eu que nada sei
eu que acordei com o sopro
e me disse com o primeiro grito
eu que resisti ao mundo,
antes de o saber azul e bordado de fragas
e entranhado de lume
não sei o que virá acordar-me
do sossego se vier ...
e que caminho acharei depois de ter caminhado
por entre urzes e gritos e o desatino do mundo.
E depois o que virá ?Sabe-lo de que me serve
se hoje é o tempo todo e isto que sou e sinto
o que devo sentir e ser.
1 065
Angela Santos
Templo
Terá
que ser e acontecer
o amor que assim é
o amor que assim quer...
Terá que ser e acontecer
esse amor que do fundo vem
que nos consome e alimenta
que nos abriga, e é ninho
água de fonte que brota.
Terá que ser e acontecer
esse amor de pedras raras
de noites sem sono
enluaradas,
onde o amor que fazemos é quase oração...
E no altar o que vemos?
a alma e o corpo deitados,
unidos sem culpas, sem medos,
porque o que for amor
será sagrado!
que ser e acontecer
o amor que assim é
o amor que assim quer...
Terá que ser e acontecer
esse amor que do fundo vem
que nos consome e alimenta
que nos abriga, e é ninho
água de fonte que brota.
Terá que ser e acontecer
esse amor de pedras raras
de noites sem sono
enluaradas,
onde o amor que fazemos é quase oração...
E no altar o que vemos?
a alma e o corpo deitados,
unidos sem culpas, sem medos,
porque o que for amor
será sagrado!
1 130
Angela Santos
Ilha dos Amores
Se
eu pudesse
olharia lá no fundo dos teus olhos,
segurava tuas mãos e te deixava envolver-me
no doce abraço que me desses...
abriríamos nosso peito, e sem surpresa acharíamos
o vermelho botão de rosa
que o tempo em nós fez florir...
e assim embarcaríamos rumo à Ilha dos Amores...
nossas mãos entrelaçadas,
nosso coração fremente,
nosso corpo em desalinho, buscando o voo mais alto
que nos faz pairar no tempo....
esse momento vivido, quase como eternidade,
em que alma e corpo unidos, num abraço intemporal,
nos trará a redenção de uma espera que forjou
nosso querer, nosso sentir...
E é por isso que agora
quando daqui olho o mar
o longe vira horizonte...
já não separa, aproxima
e se o sol nele se põe, eu vejo então reflectida
a clara luz que o tempo
me há- de trazer à vida.
eu pudesse
olharia lá no fundo dos teus olhos,
segurava tuas mãos e te deixava envolver-me
no doce abraço que me desses...
abriríamos nosso peito, e sem surpresa acharíamos
o vermelho botão de rosa
que o tempo em nós fez florir...
e assim embarcaríamos rumo à Ilha dos Amores...
nossas mãos entrelaçadas,
nosso coração fremente,
nosso corpo em desalinho, buscando o voo mais alto
que nos faz pairar no tempo....
esse momento vivido, quase como eternidade,
em que alma e corpo unidos, num abraço intemporal,
nos trará a redenção de uma espera que forjou
nosso querer, nosso sentir...
E é por isso que agora
quando daqui olho o mar
o longe vira horizonte...
já não separa, aproxima
e se o sol nele se põe, eu vejo então reflectida
a clara luz que o tempo
me há- de trazer à vida.
658
Angela Santos
Alvorecer
Será
nos olhos desse ser amado
que renascerei,
certa como a alvorada
que regressa após a escuridão
Será no corpo do ser amado
que despertarei de um sono antigo
onde esquecida me achei
Será no toque desse ser que eu amo
que minha pele saberá
porque desfiei esperas
e entorpeci a tristeza
inscrita nessa longa ausência
de a não ter só que fosse
ao alcance do olhar
No incêndio dos nossos corpos
o meu ser despertará,
Fénix que de novo voa a caminho da alvorada
indicando esse lugar onde seremos inteiras
corpo.. alma … coração
sem tempo que nos separe ou espaço de permeio
ao alcance do olhar ainda mais perto da mão,
tão simplesmente ficar
deitadas no mesmo chão.
nos olhos desse ser amado
que renascerei,
certa como a alvorada
que regressa após a escuridão
Será no corpo do ser amado
que despertarei de um sono antigo
onde esquecida me achei
Será no toque desse ser que eu amo
que minha pele saberá
porque desfiei esperas
e entorpeci a tristeza
inscrita nessa longa ausência
de a não ter só que fosse
ao alcance do olhar
No incêndio dos nossos corpos
o meu ser despertará,
Fénix que de novo voa a caminho da alvorada
indicando esse lugar onde seremos inteiras
corpo.. alma … coração
sem tempo que nos separe ou espaço de permeio
ao alcance do olhar ainda mais perto da mão,
tão simplesmente ficar
deitadas no mesmo chão.
1 153
Angela Santos
Pêndulo
Se
o coração ensaia o movimento pendular
como o deter?
Se um coração se abre como se abre
Por que abre?
Como porta que se escancara
depois de fechada estar
ou flor desabrochando
à luz de um claro raiar..
assim é o amor
quando ao coração ordena
que viva seu compasso pendular
Coração pendular.. alma leve
olhos atentos às esquinas do tempo
onde imprevisível uma razão
vive a espreitar
E é de repente que desenhado surge
o sinuoso caminho,
o imprevisível gesto do desocultar,
trazendo à luz a razão maior
da pendular cadencia estancar.
o coração ensaia o movimento pendular
como o deter?
Se um coração se abre como se abre
Por que abre?
Como porta que se escancara
depois de fechada estar
ou flor desabrochando
à luz de um claro raiar..
assim é o amor
quando ao coração ordena
que viva seu compasso pendular
Coração pendular.. alma leve
olhos atentos às esquinas do tempo
onde imprevisível uma razão
vive a espreitar
E é de repente que desenhado surge
o sinuoso caminho,
o imprevisível gesto do desocultar,
trazendo à luz a razão maior
da pendular cadencia estancar.
1 430
Angela Santos
Trilho
Caminho
ao teu encontro para me encontrar
nesse cheiro de mata bravia
no fundo de um lago sereno
reflectido em tua alma
no sábio aprendizado trazido da vida
que tu nem pressentes,
na doce vibração do sentir
de mulher…
Caminho
como quem regressa a algo perdido
quiçá só esquecido
"isso" que não sei dizer,
que me trespassa o sentir
real como as mãos que olho
Caminho
sabendo que ali, nesse lugar que tem nome
tão perto e longe de mim
onde tu estás e eu estou,
eu encontrarei a chave
deste sentir que é o meu.
Será, então, que olharei
o pleno ser que pressinto
e saberei porque és
desde o começo um caminho
de volta a algo tão fundo
que julguei em mim perdido.
ao teu encontro para me encontrar
nesse cheiro de mata bravia
no fundo de um lago sereno
reflectido em tua alma
no sábio aprendizado trazido da vida
que tu nem pressentes,
na doce vibração do sentir
de mulher…
Caminho
como quem regressa a algo perdido
quiçá só esquecido
"isso" que não sei dizer,
que me trespassa o sentir
real como as mãos que olho
Caminho
sabendo que ali, nesse lugar que tem nome
tão perto e longe de mim
onde tu estás e eu estou,
eu encontrarei a chave
deste sentir que é o meu.
Será, então, que olharei
o pleno ser que pressinto
e saberei porque és
desde o começo um caminho
de volta a algo tão fundo
que julguei em mim perdido.
1 070
Angela Santos
Exercícios de Luz
Na vespertina luz tacteio o corpo branco
riscando a cada lance o sentido prefigurado
para o que emerge e não nomino,
antes sinto-o como um ardor ou uma ânsia
que não aflora às palavras.
Percorro-me, como a vibração na corda
Instrumento às mãos do que sustém todos os sons
onde ensaio, quiçá em vão, dizer.
Sei-me nas ausências e vontades
nos medos e nos sinais
que emergem à tona destes dias
mas não sei se recomeço ou continuo
o traço curvilíneo onde me faz o tempo
conjugando o futuro do que em mim haja sido.
Serpenteando as sombras, a fugaz a aparição da luz
é prenhe de promessas.
Exorcizo a penumbra nos interstícios do meu não ser
e volto a acreditar.
riscando a cada lance o sentido prefigurado
para o que emerge e não nomino,
antes sinto-o como um ardor ou uma ânsia
que não aflora às palavras.
Percorro-me, como a vibração na corda
Instrumento às mãos do que sustém todos os sons
onde ensaio, quiçá em vão, dizer.
Sei-me nas ausências e vontades
nos medos e nos sinais
que emergem à tona destes dias
mas não sei se recomeço ou continuo
o traço curvilíneo onde me faz o tempo
conjugando o futuro do que em mim haja sido.
Serpenteando as sombras, a fugaz a aparição da luz
é prenhe de promessas.
Exorcizo a penumbra nos interstícios do meu não ser
e volto a acreditar.
702
Angela Santos
Ao Teu Alcance
Estender-te
os meus braços
para que me enlaces, num longo e doce afago…
olhar nos teus olhos para que vislumbre
aquilo que sei e o que desconheço ainda....
Estender-te o meu corpo
sobre areias finas, para me tomares
e então fazeres tua
sob um pôr de sol, ou à luz da lua
possa eu perder-me
para assim de novo me encontrar
em ti…..
Abrir-te a minha alma
para que a toques com dedos de renda,
olhos de luar
e possas , por fim ,saber, das noites em que eras sonho,
dos dias suspensos na espera
sem tempo para esperar…
E nesse momento sagrado
evoco a alma e os sentidos
olhar, sentir, e provar…o sabor de eternidade
na minúscula fracção de segundos
Perder-me para me encontrar
no turbilhão do que eu sinta
buscando depois do êxtase essa outra razão
mais funda
que me leva a atravessar a alma de um outro ser
para de novo me olhar
para de novo me Ter
os meus braços
para que me enlaces, num longo e doce afago…
olhar nos teus olhos para que vislumbre
aquilo que sei e o que desconheço ainda....
Estender-te o meu corpo
sobre areias finas, para me tomares
e então fazeres tua
sob um pôr de sol, ou à luz da lua
possa eu perder-me
para assim de novo me encontrar
em ti…..
Abrir-te a minha alma
para que a toques com dedos de renda,
olhos de luar
e possas , por fim ,saber, das noites em que eras sonho,
dos dias suspensos na espera
sem tempo para esperar…
E nesse momento sagrado
evoco a alma e os sentidos
olhar, sentir, e provar…o sabor de eternidade
na minúscula fracção de segundos
Perder-me para me encontrar
no turbilhão do que eu sinta
buscando depois do êxtase essa outra razão
mais funda
que me leva a atravessar a alma de um outro ser
para de novo me olhar
para de novo me Ter
1 000
Angela Santos
Faltas-me!
Faltas-me
ainda que saciada
pelos dias plenos
da tua presença
Faltas-me
mais ainda
se não estou só
e outros acordam
a distancia em mim
Faltas-me
no tempo que desfio
em calendários
Faltas-me!..
e ainda assim te guardo
na força do meu querer
na paz que chega
se te lembro
no riso, na voz
nas marcas,
no lugar
que o sonho traça
e a que regresso!
se me faltas.
ainda que saciada
pelos dias plenos
da tua presença
Faltas-me
mais ainda
se não estou só
e outros acordam
a distancia em mim
Faltas-me
no tempo que desfio
em calendários
Faltas-me!..
e ainda assim te guardo
na força do meu querer
na paz que chega
se te lembro
no riso, na voz
nas marcas,
no lugar
que o sonho traça
e a que regresso!
se me faltas.
999
Angela Santos
Ressonâncias
Subrepticiamente
um tremor se anuncia nas profundezas
lateja nas veias, em cada fibra, em cada músculo
e emerge à terra de ninguém onde me abandonei....
subitamente um rio galga as margens,
vou na corrente indo onde me leva,
não sou de mim, mesmo que me saiba e sinta
nasço de cada maré, em todos os ciclos lunares
e a cada manhã regresso desse lugar
onde sempre irei na senda do que houver perdido....
Carrego, as sombras e a alva, sou o caos que se ordena
a cada instante que respira,
e nenhuma outra voz ecoa nas labirínticas dobras da memória
que não essa que vem de um lugar e tempo inexplicitos.
Sou no eterno retorno onde me descubro e refaço,
E vivo do inaudito
raiz de mim onde asas ganho,
lugar do desatino onde me acerto
a cada erro, a cada dor, a cada passo, a cada rasgo de infinito.
um tremor se anuncia nas profundezas
lateja nas veias, em cada fibra, em cada músculo
e emerge à terra de ninguém onde me abandonei....
subitamente um rio galga as margens,
vou na corrente indo onde me leva,
não sou de mim, mesmo que me saiba e sinta
nasço de cada maré, em todos os ciclos lunares
e a cada manhã regresso desse lugar
onde sempre irei na senda do que houver perdido....
Carrego, as sombras e a alva, sou o caos que se ordena
a cada instante que respira,
e nenhuma outra voz ecoa nas labirínticas dobras da memória
que não essa que vem de um lugar e tempo inexplicitos.
Sou no eterno retorno onde me descubro e refaço,
E vivo do inaudito
raiz de mim onde asas ganho,
lugar do desatino onde me acerto
a cada erro, a cada dor, a cada passo, a cada rasgo de infinito.
666
Angela Santos
Ânima
Ânima
Podem estirar-me na pedra fria
deixar-me ao relento dos dias vácuos
podem esvair-me de sonhos,
pendurar minha alma ferida
para que a escarneçam
podem saquear-me a memória
fazer-me deambular contra o destino
na total amnésia
para que de mim me esqueça
podem saquear-me a alma
mas nunca a forma que tomou
podem estilhaçar-me a vida
mas os sinais da carne viva,
não!
Aconchegada pelo mistério
mais obscuro e profundo,
eu seguirei.
Podem estirar-me na pedra fria
deixar-me ao relento dos dias vácuos
podem esvair-me de sonhos,
pendurar minha alma ferida
para que a escarneçam
podem saquear-me a memória
fazer-me deambular contra o destino
na total amnésia
para que de mim me esqueça
podem saquear-me a alma
mas nunca a forma que tomou
podem estilhaçar-me a vida
mas os sinais da carne viva,
não!
Aconchegada pelo mistério
mais obscuro e profundo,
eu seguirei.
670
Angela Santos
De onde a palavra
Pelas friestas
do Ser
espiam as palavras
e nelas, inexplicáveis,
a força das marés,
a macieza da pétala,
o bruto rasgar do cutelo
o alívio do unguento
Vêm e colhem no ar
ou na fundura da terra,
a dimensão do que for
e dizem sem desvendar
no seu afã, as palavras…
Emerge e regressa à penumbra
pressagiando, a palavra
como sibila que habita
o seio da obscuridade….
lugar de todos os nomes
onde repousa o sentido
daquilo que nos afronta
entre o silencio e o grito.
do Ser
espiam as palavras
e nelas, inexplicáveis,
a força das marés,
a macieza da pétala,
o bruto rasgar do cutelo
o alívio do unguento
Vêm e colhem no ar
ou na fundura da terra,
a dimensão do que for
e dizem sem desvendar
no seu afã, as palavras…
Emerge e regressa à penumbra
pressagiando, a palavra
como sibila que habita
o seio da obscuridade….
lugar de todos os nomes
onde repousa o sentido
daquilo que nos afronta
entre o silencio e o grito.
672
Angela Santos
Escrita Invisível
Quando as
palavras, imprecisas
derem lugar aos sinais
de um corpo indiviso
metáfora do ser.....
Quando deitada
num chão de luz, te disser:
vem, atravessa comigo, este caminho
que outros não trilharam
ou se o fizeram, o chamado
de um chão virgem não sentiram
Crê, a voz que chama
ressoa do que em mim
resta de uma estrela,
do magma vulcânico,
dos corpúsculos e cristais
da memória longínqua e viva
que a minha alma
em ti procura.
palavras, imprecisas
derem lugar aos sinais
de um corpo indiviso
metáfora do ser.....
Quando deitada
num chão de luz, te disser:
vem, atravessa comigo, este caminho
que outros não trilharam
ou se o fizeram, o chamado
de um chão virgem não sentiram
Crê, a voz que chama
ressoa do que em mim
resta de uma estrela,
do magma vulcânico,
dos corpúsculos e cristais
da memória longínqua e viva
que a minha alma
em ti procura.
1 013
Angela Santos
Senda
A mim retornam
os caminhos,
risco-os em cada muro que se ergue...
e sigo o rasto da voz que se alteia
cada manhã de custo e diligente teima
Se não mais me abraçam as palavras doces,
resta-me a ponte que lancei no dia
em que a tempestade me abeirou do abismo
dou o enlace amante ao desconhecido
onde se afigura uma estrela guia
surgindo do breu , do inominável espaço,
onde sinto o eco dos meus próprios passos....
Sei que há-de ser lá - onde quer que seja-
o lugar, o abrigo, casa a que regresso
reatando, enfim, invisíveis fios
que à vida me trazem presa pelo umbigo.
os caminhos,
risco-os em cada muro que se ergue...
e sigo o rasto da voz que se alteia
cada manhã de custo e diligente teima
Se não mais me abraçam as palavras doces,
resta-me a ponte que lancei no dia
em que a tempestade me abeirou do abismo
dou o enlace amante ao desconhecido
onde se afigura uma estrela guia
surgindo do breu , do inominável espaço,
onde sinto o eco dos meus próprios passos....
Sei que há-de ser lá - onde quer que seja-
o lugar, o abrigo, casa a que regresso
reatando, enfim, invisíveis fios
que à vida me trazem presa pelo umbigo.
655
Angela Santos
Cerrado
Toma- me....
pela mão ou inteira
e despe-me de tudo
o que não seja vida
Leva-me a um lugar
onde em mim te sinta
e adormeça a ira
de ser no presente
um ser adiado
Leva-me
ao lugar onde a vida se escuta
no mais fundo silêncio,
onde as pedras são corpos
que ao nosso se ajustam
e onde um sussurro
- vindo, quem sabe de onde-
vive preso ao ar...
Lá, onde à raiz, profundas
as águas nos devolvem
me deitarei, um dia
pronta para a terra
me engolir inteira
e parir de novo
E assim renascida
a dentes eu rasgo
o umbilical fio
que me traz suspensa
entre a noite presente
e as manhãs de oiro
onde a vida a esmo
não me furta os sonhos.
pela mão ou inteira
e despe-me de tudo
o que não seja vida
Leva-me a um lugar
onde em mim te sinta
e adormeça a ira
de ser no presente
um ser adiado
Leva-me
ao lugar onde a vida se escuta
no mais fundo silêncio,
onde as pedras são corpos
que ao nosso se ajustam
e onde um sussurro
- vindo, quem sabe de onde-
vive preso ao ar...
Lá, onde à raiz, profundas
as águas nos devolvem
me deitarei, um dia
pronta para a terra
me engolir inteira
e parir de novo
E assim renascida
a dentes eu rasgo
o umbilical fio
que me traz suspensa
entre a noite presente
e as manhãs de oiro
onde a vida a esmo
não me furta os sonhos.
1 071
Angela Santos
E assim te digo
Implícita,
dita
nos silêncios e prelúdios
das palavras
que não ousam dizê-lo
nos silêncios e prelúdios
das palavras
que não ousam
dizê-lo
Gasta e ainda assim
intacta, palavra
só igual à vida
pelas esquinas
do não senti-la
prostituída
Agiganta-se no sentir
e extravasa
na tentativa nunca vã
de dizer o não contido
Meu Amor
que outro dizer não conheço
para o que em mim vive
...e assim te digo!
dita
nos silêncios e prelúdios
das palavras
que não ousam dizê-lo
nos silêncios e prelúdios
das palavras
que não ousam
dizê-lo
Gasta e ainda assim
intacta, palavra
só igual à vida
pelas esquinas
do não senti-la
prostituída
Agiganta-se no sentir
e extravasa
na tentativa nunca vã
de dizer o não contido
Meu Amor
que outro dizer não conheço
para o que em mim vive
...e assim te digo!
969
Angela Santos
Transmutação
Deixo-me
ficar na quietude
que invade o dia
e abandono-me à corrente dos sons
que assomam à flor de mim
No seio do silencio que chega
escuto teus passos,
tua voz , teu rir
tua presença inteira
suavemente me invadindo
Eu não estou só....
Eu não sou apenas eu,
todos os lugares em mim
corpo, memória alma
abrigam os teus sinais,
te amo como respiro
E vivo
ao compasso do meu eu
transfigurado em nós
ficar na quietude
que invade o dia
e abandono-me à corrente dos sons
que assomam à flor de mim
No seio do silencio que chega
escuto teus passos,
tua voz , teu rir
tua presença inteira
suavemente me invadindo
Eu não estou só....
Eu não sou apenas eu,
todos os lugares em mim
corpo, memória alma
abrigam os teus sinais,
te amo como respiro
E vivo
ao compasso do meu eu
transfigurado em nós
988