Poemas neste tema
Alma
Fausto Costa
Poluição Noturna
Ela corre sóbria
no meu corpo ébrio,
Enquanto cambaleio excitado
no seu ventre molhado. Sonho.
Calmo momento, desse amor a mil
silhueta estampada na cortina.
Essa menina, furacão e mulher,
ondula as águas serenas do meu fogo.
O inesgotável prazer não nos
assusta e sim completa-nos.
Tudo lindo nesse instante,
Onde os amantes se procuram.
Quando os beijos se completam,
Nossas mãos se entrelaçam,
nossas línguas se enroscam.
No ápice do amor,
Eu acordo para a realidade de nossa
distância.
no meu corpo ébrio,
Enquanto cambaleio excitado
no seu ventre molhado. Sonho.
Calmo momento, desse amor a mil
silhueta estampada na cortina.
Essa menina, furacão e mulher,
ondula as águas serenas do meu fogo.
O inesgotável prazer não nos
assusta e sim completa-nos.
Tudo lindo nesse instante,
Onde os amantes se procuram.
Quando os beijos se completam,
Nossas mãos se entrelaçam,
nossas línguas se enroscam.
No ápice do amor,
Eu acordo para a realidade de nossa
distância.
434
Flávio Sátiro Fernandes
Paisagem de Guima
O pássaro,
em vôo sereno,
conquista, do alto,
o quanto existe
de luz e de esperança
nesse verd’água sublime.
em vôo sereno,
conquista, do alto,
o quanto existe
de luz e de esperança
nesse verd’água sublime.
885
Fernando Guedes
A Flor
Intercepção globular
No ponto infinitamente repetido
a existência cessa
em cada instante.
Aqui. No caule ou na folha,
no golpe da enxada,
em mim ou em ti,
no lento mover da roda, no fruto,
construí a cidade.
Ceifaras no campo todo o dia
e de noite vieste ao meu encontro.
Entre o que foi e o que será
alterou-se o número
e a posição do movimento.
Nas ruas desertas
furtivos espreitam os velhos
pelos óculos das portas.
Viram-te chegar,
sabem a cor dos teus olhos
e vão dizer que és pura,
quando for meio-dia,
junto à porta grande da cidade.
Não importa que sejas estrangeira
— sou eu tua nação.
Procurei-te entre as casas,
na roda movente,
entre os grãos de milho torturado;
passei o bosque, o rio,
adormecida te encontrei
no espaço absoluto,
no vazio sempre pronto a mais vazio,
e, crescidos, teus cabelos eram um rebanho de cabras
deixando a planície.
Sete rosas marcam tua vida,
dispostas em losangos, dois losangos:
seis flores úmidas, uma de bondade,
brancas, flores brancas.
Quem te encontrar saberá
que existe um corpo existindo na distância,
fora de nós,
para lá de Andrômeda,
contemporâneo do passado,
permanente na sucessão ilimitada e necessária,
uniformemente transeunte.
No ponto infinitamente repetido
a existência cessa
em cada instante.
Aqui. No caule ou na folha,
no golpe da enxada,
em mim ou em ti,
no lento mover da roda, no fruto,
construí a cidade.
Ceifaras no campo todo o dia
e de noite vieste ao meu encontro.
Entre o que foi e o que será
alterou-se o número
e a posição do movimento.
Nas ruas desertas
furtivos espreitam os velhos
pelos óculos das portas.
Viram-te chegar,
sabem a cor dos teus olhos
e vão dizer que és pura,
quando for meio-dia,
junto à porta grande da cidade.
Não importa que sejas estrangeira
— sou eu tua nação.
Procurei-te entre as casas,
na roda movente,
entre os grãos de milho torturado;
passei o bosque, o rio,
adormecida te encontrei
no espaço absoluto,
no vazio sempre pronto a mais vazio,
e, crescidos, teus cabelos eram um rebanho de cabras
deixando a planície.
Sete rosas marcam tua vida,
dispostas em losangos, dois losangos:
seis flores úmidas, uma de bondade,
brancas, flores brancas.
Quem te encontrar saberá
que existe um corpo existindo na distância,
fora de nós,
para lá de Andrômeda,
contemporâneo do passado,
permanente na sucessão ilimitada e necessária,
uniformemente transeunte.
1 031
Francisco José Rodrigues
Primavera Interior
O tempo que aí vai não é o mesmo tempo
Que no fundo abissal desta minha alma mora.
Se outono e inverno passam, velhos, lá por fora,
Aqui dentro em minha alma habita a primavera.
Estou sempre a sorrir enquanto os outros choram
E estou sempre a chorar quando riem dos outros.
Assim, o tempo fora não é o mesmo tempo
Que no fundo abissal desta minha alma mora.
Mas quando é primavera lá fora, também
Se torna primavera cá dentro em minha alma,
Pois que dentro em minha alma a primavera habita,
Embora que nem sempre possa despontar
O seu perene verde, pois que os maus olhados
Queimariam vigores que me minha alma existem.
Que no fundo abissal desta minha alma mora.
Se outono e inverno passam, velhos, lá por fora,
Aqui dentro em minha alma habita a primavera.
Estou sempre a sorrir enquanto os outros choram
E estou sempre a chorar quando riem dos outros.
Assim, o tempo fora não é o mesmo tempo
Que no fundo abissal desta minha alma mora.
Mas quando é primavera lá fora, também
Se torna primavera cá dentro em minha alma,
Pois que dentro em minha alma a primavera habita,
Embora que nem sempre possa despontar
O seu perene verde, pois que os maus olhados
Queimariam vigores que me minha alma existem.
890
Fernando Guedes
O Fruto
Nos caminhos da aldeia
germina a lama que o Inverno semeou.
Soltos, cabelos grossos cobrem corpos mortos.
Faminta, a criança trinca inutilmente
a murcha flor do cardo.
No lagar, homens sem vindima
esmagam grainhas ressequidas.
Pelos montes, uma recordação tênue
agita o feno levemente;
a mulher mais velha
guarda na memória a imagem de uma avó,
um coração ardendo na lareira.
Acendem-se as lâmpadas ao escurecer,
antes da primeira estrela.
Para lá de janelas abertas
desconhecidos encontram-se nos leitos.
Os carros de bois passam vazios no caminho,
sem ruído, na lama.
Paz sem espada.
Só na torre a torre,
uma rosa mantendo seu perfume.
Pela porta inviolada
escapam-se as palavras,
uma a uma,
formando o discurso,
o canto, o cântico da flor
possuída no princípio dos caminhos:
Firmei minhas raízes
sobre a tua cabeça
e elevei-me,
oliveira a florir no campo,
plátano junto ao rio.
Cedo ao discurso, ao canto,
para encaminhar teu ardor
para o meu perfume
forte, sedutor como a canela.
Sou a torre e a porta,
sou a rosa.
E coloca um sinal sobre o teu coração:
por ti nasceu a novilha
entre o tojo rapado.
Efigênia fugiu mas eu fiquei
— em breve terás vento,
apresta teus navios prá batalha.
No golpe mais forte de uma espada,
na lama que o teu ódio levantar,
na hora do saque, tu me encontrarás:
sou mais ágil do que o teu movimento
e todas as riquezas estão em minhas mãos.
Repousa na vitória deste encontro.
Trago comigo as tuas sete feridas:
vou levar-te para a tua tenda,
cobrir o teu sono com os meus cabelos.
Passados os três dias e as noites,
ao acordar, ver-me-ás no centro da luz,
sentada à tua porta.
Não procures a torre
nem a flâmula da rosa:
eu estou
como sempre fui,
e a minha formosura
te deslumbrará.
germina a lama que o Inverno semeou.
Soltos, cabelos grossos cobrem corpos mortos.
Faminta, a criança trinca inutilmente
a murcha flor do cardo.
No lagar, homens sem vindima
esmagam grainhas ressequidas.
Pelos montes, uma recordação tênue
agita o feno levemente;
a mulher mais velha
guarda na memória a imagem de uma avó,
um coração ardendo na lareira.
Acendem-se as lâmpadas ao escurecer,
antes da primeira estrela.
Para lá de janelas abertas
desconhecidos encontram-se nos leitos.
Os carros de bois passam vazios no caminho,
sem ruído, na lama.
Paz sem espada.
Só na torre a torre,
uma rosa mantendo seu perfume.
Pela porta inviolada
escapam-se as palavras,
uma a uma,
formando o discurso,
o canto, o cântico da flor
possuída no princípio dos caminhos:
Firmei minhas raízes
sobre a tua cabeça
e elevei-me,
oliveira a florir no campo,
plátano junto ao rio.
Cedo ao discurso, ao canto,
para encaminhar teu ardor
para o meu perfume
forte, sedutor como a canela.
Sou a torre e a porta,
sou a rosa.
E coloca um sinal sobre o teu coração:
por ti nasceu a novilha
entre o tojo rapado.
Efigênia fugiu mas eu fiquei
— em breve terás vento,
apresta teus navios prá batalha.
No golpe mais forte de uma espada,
na lama que o teu ódio levantar,
na hora do saque, tu me encontrarás:
sou mais ágil do que o teu movimento
e todas as riquezas estão em minhas mãos.
Repousa na vitória deste encontro.
Trago comigo as tuas sete feridas:
vou levar-te para a tua tenda,
cobrir o teu sono com os meus cabelos.
Passados os três dias e as noites,
ao acordar, ver-me-ás no centro da luz,
sentada à tua porta.
Não procures a torre
nem a flâmula da rosa:
eu estou
como sempre fui,
e a minha formosura
te deslumbrará.
1 268
Fernanda Benevides
Visita da Solidão
Eis que a solidão me visita.
Recebo-a feliz.
Ficamos a sós.
Um brinde a nós!
Há uma perfeita simbiose
entre mim e a solidão.
Sempre que chega,
saúdo-a alegre,
feliz assim...
A sensação é inexplicável!
Algo parecido com voar, soltar, libertar...
Um indescritível bem-estar,
satisfação plena.
Um clima de pureza,
paz,
algo mais...
Vivo-a intensamente.
Convivemos de forma salutar,
sobretudo quando junto ao mar,
perto do céu,
sol,
sal,
crepúsculo,
luar...
Respiro o ar despoluído da simplicidade,
simplesmente,
como sou.
( in, POEIRA DA ESTRADA)
Fortaleza - Ce, 1984
Recebo-a feliz.
Ficamos a sós.
Um brinde a nós!
Há uma perfeita simbiose
entre mim e a solidão.
Sempre que chega,
saúdo-a alegre,
feliz assim...
A sensação é inexplicável!
Algo parecido com voar, soltar, libertar...
Um indescritível bem-estar,
satisfação plena.
Um clima de pureza,
paz,
algo mais...
Vivo-a intensamente.
Convivemos de forma salutar,
sobretudo quando junto ao mar,
perto do céu,
sol,
sal,
crepúsculo,
luar...
Respiro o ar despoluído da simplicidade,
simplesmente,
como sou.
( in, POEIRA DA ESTRADA)
Fortaleza - Ce, 1984
769
Fernanda Benevides
Encontro com a Solidão
Eis que me deparo com a solidão
de estar só comigo.
Ninguém ao redor.
Apenas a noite, escassas estrelas
e o mar a murmurar...
A música envolve o ar,
ocupa o espaço,
preenche a lacuna
- lacuna?
Neste momento basto-me.
Solitária e distante,
brindando o estar sozinha,
canto a alegria
de nada ter a lamentar,
assim sorrindo
Por não ter o que chorar.
de estar só comigo.
Ninguém ao redor.
Apenas a noite, escassas estrelas
e o mar a murmurar...
A música envolve o ar,
ocupa o espaço,
preenche a lacuna
- lacuna?
Neste momento basto-me.
Solitária e distante,
brindando o estar sozinha,
canto a alegria
de nada ter a lamentar,
assim sorrindo
Por não ter o que chorar.
780
Fernanda Benevides
O Plantador de Sonhos
O lavrador prepara a terra, lentamente.
Cultiva o solo com amor.
Alimenta o chão com carinho e devoção.
Cuidadoso, escolhe a semente.
E faz a plantação.
Semeia o trigo e nasce o joio.
Paciente, reinicia.
Planta roseira e brota baobá.
Cauteloso, extirpa-o.
E recomeça.
A vegetação viça.
Súbito, vem o estio.
As plantas secam.
E continua...
A flor renasce.
E vem a inundação.
Não desiste.
Rega a poesia.
Na certeza de um dia,
colher a flor tardia.
(in, A ROSA - FÊNIX)
Fortaleza - Ce, 1997
Cultiva o solo com amor.
Alimenta o chão com carinho e devoção.
Cuidadoso, escolhe a semente.
E faz a plantação.
Semeia o trigo e nasce o joio.
Paciente, reinicia.
Planta roseira e brota baobá.
Cauteloso, extirpa-o.
E recomeça.
A vegetação viça.
Súbito, vem o estio.
As plantas secam.
E continua...
A flor renasce.
E vem a inundação.
Não desiste.
Rega a poesia.
Na certeza de um dia,
colher a flor tardia.
(in, A ROSA - FÊNIX)
Fortaleza - Ce, 1997
1 101
Fábio Afonso de Almeida
Noite
Que noite, minha cara!
Nas horas mais cruas
Infinitos desejos se escondem
Nas dobras quentes de meu leito
E queimam como brasas.
Desejo-conflito, próximo e contido
Poreja a pele de suor frio
E a garganta dói, num espasmo
Quer ceder e não cede.
Segura com força esta noite
Aperta nas mãos esta dor.
Mas não vai, não vai...
Ouço tua respiração
Rítmica, serena e falsa.
Um vazio enorme derrama
No quarto, nas paredes
Mas, não vai, não vai...
Que noite solitária essa
O mundo é sem volta
A vontade não importa
Não posso ir, eu já sei
Não existe mais nada além:
São cacos que machucam
E ferem no abraço angustiante
Dos braços apertados no próprio peito!
Nas horas mais cruas
Infinitos desejos se escondem
Nas dobras quentes de meu leito
E queimam como brasas.
Desejo-conflito, próximo e contido
Poreja a pele de suor frio
E a garganta dói, num espasmo
Quer ceder e não cede.
Segura com força esta noite
Aperta nas mãos esta dor.
Mas não vai, não vai...
Ouço tua respiração
Rítmica, serena e falsa.
Um vazio enorme derrama
No quarto, nas paredes
Mas, não vai, não vai...
Que noite solitária essa
O mundo é sem volta
A vontade não importa
Não posso ir, eu já sei
Não existe mais nada além:
São cacos que machucam
E ferem no abraço angustiante
Dos braços apertados no próprio peito!
754
Fernando Batinga de Mendonça
As Palavras
1.
nas pedras gerais
no centro da praça,
reúno as palavras
sentado no chão.
procuro um sentido
de ferro e cimento,
na mesma palavra
um outro vestido:
2.
um novo momento.
nas pedras gerais
no centro da praça,
reúno as palavras
sentado no chão.
procuro um sentido
de ferro e cimento,
na mesma palavra
um outro vestido:
2.
um novo momento.
866
Fábio Afonso de Almeida
Sebastiana e a Pedrap
Todo o dia que amanhece
Com chuva ou com sol, sempre acontece
Sebastiana devagarinho, como um anjo
Chega `a nascente da água mineral
Rác, rác, rác, rác
Sebastiana raspa o pé na pedra
O pé raspa a pedra de Sebastiana
(Será que a pedra tem espírito?)
Sebastiana, sim, tem a pedra preferida
Áspera, redonda e oferecida
Pedaço de rocha primitiva e úmida
De uma razão qualquer que desconheço
Testemunho o encontro todos os dias
Nas brumas das manhãs tão frias
E fico cismando, como de hábito
Sobre fatos pretéritos e misteriosos
Quando na terra primeva do planalto central
Entre raios e abalos sísmicos de força brutal
Feios dinossauros passearam pelo parque
E a água fria brotou da rocha
Cristalina e pura, correu por milhões de anos
No santuário mágico do poço dos anjos
Alvoradas e arrebóis sem conta se sucederam
O tempo hipnotizado se liquefez em eras...
No fundo do poço desde sempre e agora
A pedra, fico pensando, esperou a hora
De passar a magia destas eras
A quem, no fundo, sempre soubesse
Alguém como Sebastiana, de outras vidas
(Imagino que tão antigas e sofridas)
Para trazer a manhã sempre calma
Deste suceder infinito, presente para mim
Sebastiana rala o pé na pedra
O pé rala a pedra de Sebastiana
O tempo vira água pura e pedra
Como se não existisse
Ou como se fosse Sebastiana...
Rác, rác, rác, rác....
Com chuva ou com sol, sempre acontece
Sebastiana devagarinho, como um anjo
Chega `a nascente da água mineral
Rác, rác, rác, rác
Sebastiana raspa o pé na pedra
O pé raspa a pedra de Sebastiana
(Será que a pedra tem espírito?)
Sebastiana, sim, tem a pedra preferida
Áspera, redonda e oferecida
Pedaço de rocha primitiva e úmida
De uma razão qualquer que desconheço
Testemunho o encontro todos os dias
Nas brumas das manhãs tão frias
E fico cismando, como de hábito
Sobre fatos pretéritos e misteriosos
Quando na terra primeva do planalto central
Entre raios e abalos sísmicos de força brutal
Feios dinossauros passearam pelo parque
E a água fria brotou da rocha
Cristalina e pura, correu por milhões de anos
No santuário mágico do poço dos anjos
Alvoradas e arrebóis sem conta se sucederam
O tempo hipnotizado se liquefez em eras...
No fundo do poço desde sempre e agora
A pedra, fico pensando, esperou a hora
De passar a magia destas eras
A quem, no fundo, sempre soubesse
Alguém como Sebastiana, de outras vidas
(Imagino que tão antigas e sofridas)
Para trazer a manhã sempre calma
Deste suceder infinito, presente para mim
Sebastiana rala o pé na pedra
O pé rala a pedra de Sebastiana
O tempo vira água pura e pedra
Como se não existisse
Ou como se fosse Sebastiana...
Rác, rác, rác, rác....
792
Fabrício Augusto Souza Gomes
Parte Da Minha Vida(ou Olhos da Noite)
PARTE DA MINHA VIDA
Passa com o tempo
que me reduz
a um só verso . . .
a uma só rima.
A grande aventura da vida
reside no fato
de deixá-la fluir
naturalmente.
São poetas atraídos
pela singela arte
de escrever
coisas da vida,
do passado,
do presente,
do futuro . . .
coisas do coração.
Apesar de tudo,
não tem explicação.
É complicado traduzir
meus leitores . . .
Agora,
tento escrever
parte da minha vida
Mas não é fácil!
A inspiração quer "rabiscar"
minha percepção!
Erro!
Fracasso!
Se não tento,
não experimento o sucesso!
Desconheço a decepção!
Enfim,
minha angústia
é o elo
que me motiva a escrever . . .
Escrever
esperando que alguém
num mundo distante
ainda se emocione
ao me ler
Para ti, leitor,
Torno-me seu cúmplice.
Aquele misterioso amigo,
que não tem rosto,
nem voz,
tampouco corpo!
Sou um pensamento abstrato
que você cria
pura imaginação!
Não tem jeito!
Não consigo falar
o que penso.
As palavras morrem
e meus lábios,
enquanto minha mente viaja
querendo dizer algo
às pessoas que ainda
se interessem em ler . . .
Mas tudo é questão de tempo!
O tempo que seduz o poeta . . .
. . . é o mesmo que dá o ponto ( final?)
a seus sonhos e inspirações.
Sou vítima de uma relação
extremamante intimista
com você,
que me lê agora.
Quero estar com você
o tempo todo.
Com você,
posso dizer tudo que sou,
tudo que penso,
tudo que acredito!
Posso falar das estrelas!
Do belo e triste brilho delas.
Posso falar do som do mar (que se ouve nas conchas!)
Posso falar de poesia . . .
Posso falar do meu coração
Certa vez,
escrevia sobre o dia
em plena escuridão da noite.
Tornei-me cada vez mais confuso . . .
pois a noite estava adormecida
no fundo de um rio
e não conseguia enxergá-lo!
O rio que guardava a noite
era rebelde, agressivo, inesperado.
Mas sincero.
Ele nasceu em mim
e morreu nos meus olhos.
Era a lágrima
que inundava
de tristeza e alegria
PARTE DA MINHA VIDA.
Passa com o tempo
que me reduz
a um só verso . . .
a uma só rima.
A grande aventura da vida
reside no fato
de deixá-la fluir
naturalmente.
São poetas atraídos
pela singela arte
de escrever
coisas da vida,
do passado,
do presente,
do futuro . . .
coisas do coração.
Apesar de tudo,
não tem explicação.
É complicado traduzir
meus leitores . . .
Agora,
tento escrever
parte da minha vida
Mas não é fácil!
A inspiração quer "rabiscar"
minha percepção!
Erro!
Fracasso!
Se não tento,
não experimento o sucesso!
Desconheço a decepção!
Enfim,
minha angústia
é o elo
que me motiva a escrever . . .
Escrever
esperando que alguém
num mundo distante
ainda se emocione
ao me ler
Para ti, leitor,
Torno-me seu cúmplice.
Aquele misterioso amigo,
que não tem rosto,
nem voz,
tampouco corpo!
Sou um pensamento abstrato
que você cria
pura imaginação!
Não tem jeito!
Não consigo falar
o que penso.
As palavras morrem
e meus lábios,
enquanto minha mente viaja
querendo dizer algo
às pessoas que ainda
se interessem em ler . . .
Mas tudo é questão de tempo!
O tempo que seduz o poeta . . .
. . . é o mesmo que dá o ponto ( final?)
a seus sonhos e inspirações.
Sou vítima de uma relação
extremamante intimista
com você,
que me lê agora.
Quero estar com você
o tempo todo.
Com você,
posso dizer tudo que sou,
tudo que penso,
tudo que acredito!
Posso falar das estrelas!
Do belo e triste brilho delas.
Posso falar do som do mar (que se ouve nas conchas!)
Posso falar de poesia . . .
Posso falar do meu coração
Certa vez,
escrevia sobre o dia
em plena escuridão da noite.
Tornei-me cada vez mais confuso . . .
pois a noite estava adormecida
no fundo de um rio
e não conseguia enxergá-lo!
O rio que guardava a noite
era rebelde, agressivo, inesperado.
Mas sincero.
Ele nasceu em mim
e morreu nos meus olhos.
Era a lágrima
que inundava
de tristeza e alegria
PARTE DA MINHA VIDA.
970
Fernanda de Castro
Asa no Espaço
Asa no espaço, vai, pensamento!
Na noite azul, minha alma, flutua!
Quero voar nos braços do vento,
quero vogar nos braços da Lua!
Vai, minha alma, branco veleiro,
vai sem destino, a bússola tonta...
Por oceanos de nevoeiro
corre o impossível, de ponta a ponta.
Quebra a gaiola, pássaro louco!
Não mais fronteiras, foge de mim,
que a terra é curta, que o mar é pouco,
que tudo é perto, princípio e fim.
Castelos fluidos, jardins de espuma,
ilhas de gelo, névoas, cristais,
palácios de ondas, terras de bruma,
... Asa, mais alto, mais alto, mais!
Na noite azul, minha alma, flutua!
Quero voar nos braços do vento,
quero vogar nos braços da Lua!
Vai, minha alma, branco veleiro,
vai sem destino, a bússola tonta...
Por oceanos de nevoeiro
corre o impossível, de ponta a ponta.
Quebra a gaiola, pássaro louco!
Não mais fronteiras, foge de mim,
que a terra é curta, que o mar é pouco,
que tudo é perto, princípio e fim.
Castelos fluidos, jardins de espuma,
ilhas de gelo, névoas, cristais,
palácios de ondas, terras de bruma,
... Asa, mais alto, mais alto, mais!
1 794
Fernando Batinga de Mendonça
Soneto
para Carlos Cunha
vi planícies ampliadas
e formas verdes, completas
— nas estradas já traçadas
não mais cor, facões trafegam.
vi enxadas, dinamites
vi balões, os exilados
vi azul das explosões
ouvi céus encarcerados
vi silêncio decomposto
que não sendo lentamente,
mas que é em plano oposto.
vi das coisas se faltando:
o de fora, perfeição
o de dentro, se buscando.
vi planícies ampliadas
e formas verdes, completas
— nas estradas já traçadas
não mais cor, facões trafegam.
vi enxadas, dinamites
vi balões, os exilados
vi azul das explosões
ouvi céus encarcerados
vi silêncio decomposto
que não sendo lentamente,
mas que é em plano oposto.
vi das coisas se faltando:
o de fora, perfeição
o de dentro, se buscando.
1 002
Fernando Batinga de Mendonça
Dois Momentos da Infância
1.
pesquisam o sangue
dentro do seu ventre
remexem a carne
pele nervo e osso.
arrancam o filho
do fundo colo escuro
trazido pelo fio
na ponta das agulhas.
— e em resto os meninos
são pedaços
para quem o silêncio
não rompeu.
2.
no centro das paredes
do ventre vão exato
momentos de pesquisa
meninos que se calam.
instalam serpentina
no leito colo escuro
paredes que se fecham
nas portas de platina.
— e nos muros os meninos
se procuram
nas paredes que se fecham
de metal.
pesquisam o sangue
dentro do seu ventre
remexem a carne
pele nervo e osso.
arrancam o filho
do fundo colo escuro
trazido pelo fio
na ponta das agulhas.
— e em resto os meninos
são pedaços
para quem o silêncio
não rompeu.
2.
no centro das paredes
do ventre vão exato
momentos de pesquisa
meninos que se calam.
instalam serpentina
no leito colo escuro
paredes que se fecham
nas portas de platina.
— e nos muros os meninos
se procuram
nas paredes que se fecham
de metal.
992
Fernanda Benevides
Eu e Brisa
Eis que o ciciar da brisa matinal
acariciou-me o ouvido
- acordou em mim uma melodia.
Ecos vibrantes eclodiram,
plenetraram-me,
invadiram-me...
Ah! Essa brisa matinal
me trouxe um viço,
uma inquietação,
um rebuliço!...
acariciou-me o ouvido
- acordou em mim uma melodia.
Ecos vibrantes eclodiram,
plenetraram-me,
invadiram-me...
Ah! Essa brisa matinal
me trouxe um viço,
uma inquietação,
um rebuliço!...
929
Fábio Afonso de Almeida
Espere
Espere, que na noite mais profunda,
Os furores do anseio tirarão meu sono
E aflito, correrei sem rumo
Na busca frenética de mim mesmo.
As horas, desfiando em silêncio,
Irão esfriar meu corpo cansado, a sofrer
Os tremores convulsos da ausência da carne,
Transformados, na dor, em gozo estranho.
A alma solitária, em vôo sem rumo,
Estará confusa pelo nada do ato estéril,
E se debaterá como um manto incontrolado,
Estendido ao fragor da tempestade.
Nessas noites incontroláveis de solidão,
O Espirito, como uma criança abandonada,
Procura perdidamente o corpo que o abriga
E juntos, cristalizam uma lágrima mansa.
Que rola sem rumor, enquanto quente
E única. Mas ao multiplicar-se sem controle
Em gigantescas torrentes de estrépida revolta
Tornará também impossível seu sono de pedra.
Os furores do anseio tirarão meu sono
E aflito, correrei sem rumo
Na busca frenética de mim mesmo.
As horas, desfiando em silêncio,
Irão esfriar meu corpo cansado, a sofrer
Os tremores convulsos da ausência da carne,
Transformados, na dor, em gozo estranho.
A alma solitária, em vôo sem rumo,
Estará confusa pelo nada do ato estéril,
E se debaterá como um manto incontrolado,
Estendido ao fragor da tempestade.
Nessas noites incontroláveis de solidão,
O Espirito, como uma criança abandonada,
Procura perdidamente o corpo que o abriga
E juntos, cristalizam uma lágrima mansa.
Que rola sem rumor, enquanto quente
E única. Mas ao multiplicar-se sem controle
Em gigantescas torrentes de estrépida revolta
Tornará também impossível seu sono de pedra.
868
Fernanda Benevides
A Flor das Ruínas
Eis que uma flor despontou nas ruínas
de um templo desmoronado
e te enterneceu.
Era uma rosa pálida
que não queria fenecer
e tímida
gritava para sobreviver...
Transportaste-a ao solo fértil
do teu coração
e ela renasceu rubra
em tuas mãos...
de um templo desmoronado
e te enterneceu.
Era uma rosa pálida
que não queria fenecer
e tímida
gritava para sobreviver...
Transportaste-a ao solo fértil
do teu coração
e ela renasceu rubra
em tuas mãos...
891
Fernanda Benevides
Afagando Sonhos
Meu coração afaga sonhos.
Sonhos despedaçados.
Coisas do passado
acariciam o presente.
Abraço ilusões vãs.
Lembranças fazem cócegas na
memória,
até quando, não sei...
Afagando sonhos, alimento a alma.
Sacio a sede das madrugadas...
Sonhos despedaçados.
Coisas do passado
acariciam o presente.
Abraço ilusões vãs.
Lembranças fazem cócegas na
memória,
até quando, não sei...
Afagando sonhos, alimento a alma.
Sacio a sede das madrugadas...
832
Fernanda Benevides
Voz do Olhar
Quando teus olhos feriram o silêncio,
ouviram os meus...
( in, LUZES DO SILÊNCIO)
Fortaleza - Ce, 1 Fortaleza - Ce, 1988
ouviram os meus...
( in, LUZES DO SILÊNCIO)
Fortaleza - Ce, 1 Fortaleza - Ce, 1988
908
Fahed Daher
Acróstico
Bandos passaram, de ilusões variadas,
A se esbater e a procurar abrigo,
Ri-me de todas, nãos lhes fui amigo
Bondoso e terno, foram-se estioladas.
Algumas trago ,ainda, mal guardadas,
Rotas e tristes a seguir comigo,
Astros sem luz no vasto, infindo e antigo
Firmamento brutal das madrugadas.
Emerge, agora, em minha solidão,
Límpida, bela e pura ,outra ilusão
Indicando-me a vida desejada;
Passam-se os dias e ela não decresce,
Projeta-se, se eleva e me enternece,
Obrigando-me a ver que és minha amada.
Apucarana, 1.956 4221589
A se esbater e a procurar abrigo,
Ri-me de todas, nãos lhes fui amigo
Bondoso e terno, foram-se estioladas.
Algumas trago ,ainda, mal guardadas,
Rotas e tristes a seguir comigo,
Astros sem luz no vasto, infindo e antigo
Firmamento brutal das madrugadas.
Emerge, agora, em minha solidão,
Límpida, bela e pura ,outra ilusão
Indicando-me a vida desejada;
Passam-se os dias e ela não decresce,
Projeta-se, se eleva e me enternece,
Obrigando-me a ver que és minha amada.
Apucarana, 1.956 4221589
887
Fernanda Benevides
Das Escadarias do Templo
Um dia fincarei,
qual astronauta, em altos píncaros
o marco do mais puro,
do mais sublime do mais...,
o ideal acalentado.
Assim,
lanço-me nos degraus do templo...!
(Inédito)
qual astronauta, em altos píncaros
o marco do mais puro,
do mais sublime do mais...,
o ideal acalentado.
Assim,
lanço-me nos degraus do templo...!
(Inédito)
952
Fábio Afonso de Almeida
Estética
Formas coleantes, uma nuca distante
Pano de fundo de uma paisagem patética
Liquidez perfeita e impressões cotidianas
Nas ruas, nos carros, nas mesas.
Caminho só, passo a passo
Mão nos bolsos, cabeça no céu
Sorriso fraco, assobio distante
Intenção lenta no andar, a esperar
Como espero, sem medo e sem pressa
Mensagens sutis de um querer por querer
Mas querer somente o belo, se possível
O sonho e a visão de uma forma estética.
Se não der, volto amanhã e depois
Assobio mais baixo, a cabeça ironiza
As formas que fogem, quase sem ética (sorrio):
Às vezes são uns olhos, uma boca, umas pernas.
Pano de fundo de uma paisagem patética
Liquidez perfeita e impressões cotidianas
Nas ruas, nos carros, nas mesas.
Caminho só, passo a passo
Mão nos bolsos, cabeça no céu
Sorriso fraco, assobio distante
Intenção lenta no andar, a esperar
Como espero, sem medo e sem pressa
Mensagens sutis de um querer por querer
Mas querer somente o belo, se possível
O sonho e a visão de uma forma estética.
Se não der, volto amanhã e depois
Assobio mais baixo, a cabeça ironiza
As formas que fogem, quase sem ética (sorrio):
Às vezes são uns olhos, uma boca, umas pernas.
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