Poemas neste tema
Consciência e autoconhecimento
Angela Santos
Existencialismo
Cerra
os ouvidos
às palavras dos profetas
segura nos olhos o horizonte
o tempo renova-se
e tu és senhor de ti
Esquece a promessa
nosso sonho perdido
a vida é irmã da morte
da angústia e desta sede
sem nome…
E contaram tantas lendas
pra amainar o desespero,
gritaram aos sete ventos
espalharam pelas cinco partidas
o milenar sonho perdido,
sonhado ser infinito..
Simples sopro é a vida…
e pode deixar de o ser!
os ouvidos
às palavras dos profetas
segura nos olhos o horizonte
o tempo renova-se
e tu és senhor de ti
Esquece a promessa
nosso sonho perdido
a vida é irmã da morte
da angústia e desta sede
sem nome…
E contaram tantas lendas
pra amainar o desespero,
gritaram aos sete ventos
espalharam pelas cinco partidas
o milenar sonho perdido,
sonhado ser infinito..
Simples sopro é a vida…
e pode deixar de o ser!
1 047
Angela Santos
Imprevisto
Como
se de repente
se fizesse luz
e os meus olhos sedentos
ali fossem beber
Como se de repente
eu segurasse o fio de Ariadne
e mergulhasse no azul do dia
deixando para trás as sombras dos
labirintos
Como se de repente
eu visse um caminho
e soubesse
porquê, para quê
e cada manhã anunciasse
uma razão renovada.
De imprevisto,
assim, tão de repente
tudo era claridade
e eu via
qual era o caminho
enquanto caminhava.
se de repente
se fizesse luz
e os meus olhos sedentos
ali fossem beber
Como se de repente
eu segurasse o fio de Ariadne
e mergulhasse no azul do dia
deixando para trás as sombras dos
labirintos
Como se de repente
eu visse um caminho
e soubesse
porquê, para quê
e cada manhã anunciasse
uma razão renovada.
De imprevisto,
assim, tão de repente
tudo era claridade
e eu via
qual era o caminho
enquanto caminhava.
1 262
Angela Santos
Signos
Emergem
em sobressalto do fundo,
onde quedos e adormecidos permanecem
subterrâneos seres
desnudos revelam-se à plena luz da poesia,
signos interpelando mudos
a chave nas palavras contida
olhos que em segredo incitam
ao gesto de abrir comportas à torrente do sentido
que se adivinha no rosto
sereno e impassível
das palavras que nos fitam.
em sobressalto do fundo,
onde quedos e adormecidos permanecem
subterrâneos seres
desnudos revelam-se à plena luz da poesia,
signos interpelando mudos
a chave nas palavras contida
olhos que em segredo incitam
ao gesto de abrir comportas à torrente do sentido
que se adivinha no rosto
sereno e impassível
das palavras que nos fitam.
1 111
Angela Santos
Fontes
No
remurejar da água corrente
oiço a voz límpida
das entranhas da terra,
telúrica voz
em ressonâncias de cristais
Fito a inteira nudez da natureza
despindo-se sem pudor
ante meus olhos lavados
e abraço a terra toda num só pedaço de chão.
No gesto de dar te reconheço, terra mãe
no corpo nu e languido
eu me vejo a mim mulher,
e das fontes como mãos abertas
as aguas límpidas que brotam bebemos
e assim lavamos a alma
a minha e a da terra.
Sorvo os aromas e ébria de cores
olho a visão ressurgida
na placidez vespertina
de um recanto transfigurado
pelos raios de um sol furtivo…
e um não sei quê me ilumina
Na emergente claridade
regresso à matriz de tudo
sinto que sou só compasso
e que o átomo e o infinito pulsam no seio do todo
saber que sou já me basta
que me leve aonde for
o meu simples descompasso,
basta-me saber que vou.
remurejar da água corrente
oiço a voz límpida
das entranhas da terra,
telúrica voz
em ressonâncias de cristais
Fito a inteira nudez da natureza
despindo-se sem pudor
ante meus olhos lavados
e abraço a terra toda num só pedaço de chão.
No gesto de dar te reconheço, terra mãe
no corpo nu e languido
eu me vejo a mim mulher,
e das fontes como mãos abertas
as aguas límpidas que brotam bebemos
e assim lavamos a alma
a minha e a da terra.
Sorvo os aromas e ébria de cores
olho a visão ressurgida
na placidez vespertina
de um recanto transfigurado
pelos raios de um sol furtivo…
e um não sei quê me ilumina
Na emergente claridade
regresso à matriz de tudo
sinto que sou só compasso
e que o átomo e o infinito pulsam no seio do todo
saber que sou já me basta
que me leve aonde for
o meu simples descompasso,
basta-me saber que vou.
1 032
Angela Santos
Poiésis
Vinhas
e eu não sei donde
nem porque vinhas
mas à tua chegada
alguma coisa se iluminava
e crescia
Revelação,
interminável afã de quem se busca
na imensidão dos estilhaços
que de si dispersos
vogam por aí
Vinhas e trazias
dores de punhais e mel
e cada sílaba carregava
o gosto a verdade
Silenciada a fonte,
de quando em vez se sente ainda,
hoje
menos cismo e mais corrente.
Só por vires
abençoada sejas
e eu não sei donde
nem porque vinhas
mas à tua chegada
alguma coisa se iluminava
e crescia
Revelação,
interminável afã de quem se busca
na imensidão dos estilhaços
que de si dispersos
vogam por aí
Vinhas e trazias
dores de punhais e mel
e cada sílaba carregava
o gosto a verdade
Silenciada a fonte,
de quando em vez se sente ainda,
hoje
menos cismo e mais corrente.
Só por vires
abençoada sejas
1 032
Angela Santos
Oikos
Oiço,
quedo-me serena
buscando decifrar as vozes
que emergem do fundo da terra
dos abismos do mar
O mistério …o obscuro
na transparência possível
vozes que emergem…
de onde?
Terra-mãe
mar, berço original
arvore sagrada verde serenidade
serena e erecta matriz do ser
na vertical.
quedo-me serena
buscando decifrar as vozes
que emergem do fundo da terra
dos abismos do mar
O mistério …o obscuro
na transparência possível
vozes que emergem…
de onde?
Terra-mãe
mar, berço original
arvore sagrada verde serenidade
serena e erecta matriz do ser
na vertical.
1 171
Angela Santos
Sentidos
Cheiro,
provo, toco
Terra,
sal,
fogo,
desejo e cismo
a indomável força
do cosmos em mim
vivo.
provo, toco
Terra,
sal,
fogo,
desejo e cismo
a indomável força
do cosmos em mim
vivo.
1 330
Angela Santos
Cifra
Regresso
à minha forma
de ser
inscrita nas palavras
às palavras regresso
como a um espelho…
profano o silencio,
quem sabe, a verdade
no regresso indevido
ou inexacto às cifras
que não dizem.
à minha forma
de ser
inscrita nas palavras
às palavras regresso
como a um espelho…
profano o silencio,
quem sabe, a verdade
no regresso indevido
ou inexacto às cifras
que não dizem.
1 029
Angela Santos
Além-Limite
Partir
rumo ao
ser secreto
que espera
viagem sempre adiada…
Seguir…
reter rostos e vozes
embriagar os sentidos
a tragos de vida.
e partir…
Navegar…
oceanos que nuns olhos inventar,
descobrir
na terra passos irmãos
entender
da vida os sinais
e seguir…
Ousar…
ir além-limite
num golpe de asa que ousando
chega a tocar o infinito
rumo ao
ser secreto
que espera
viagem sempre adiada…
Seguir…
reter rostos e vozes
embriagar os sentidos
a tragos de vida.
e partir…
Navegar…
oceanos que nuns olhos inventar,
descobrir
na terra passos irmãos
entender
da vida os sinais
e seguir…
Ousar…
ir além-limite
num golpe de asa que ousando
chega a tocar o infinito
709
Angela Santos
Desnorte
Irrompe
à força
este sentir que não sei,
não domino,
e em canto brota em mim
o grito
meus passos agitam-se
nas sombras do caminho,
meus braços animam-se
ensaiando gestos,
amputados na busca
contorcidos na forma de abraçar
meus olhos,
silenciados mares
drenaram torrentes,
esgotaram seu sal.
e a besta acoitada em mim
rasga o que esperei
e em pedaços me devolve
a vida.
à força
este sentir que não sei,
não domino,
e em canto brota em mim
o grito
meus passos agitam-se
nas sombras do caminho,
meus braços animam-se
ensaiando gestos,
amputados na busca
contorcidos na forma de abraçar
meus olhos,
silenciados mares
drenaram torrentes,
esgotaram seu sal.
e a besta acoitada em mim
rasga o que esperei
e em pedaços me devolve
a vida.
1 152
Angela Santos
Do Poeta
A
palavra do Poeta é um canto
arrancado à raiz do ser,
cifra encontrada
na opaca fundura do tempo
contínuo e sem medida…
Chão secreto é o ser do Poeta
onde o sentido germina
tempestade de clarões
que atravessa e torna prenhe
a palavra solta .. sibilina
Uma dor de punhais cresce
quando o silencio é rasgado
mas a alma do Poeta,
renascida a cada golpe fundo,
transfigurada revela
a própria dimensão
do mundo!
palavra do Poeta é um canto
arrancado à raiz do ser,
cifra encontrada
na opaca fundura do tempo
contínuo e sem medida…
Chão secreto é o ser do Poeta
onde o sentido germina
tempestade de clarões
que atravessa e torna prenhe
a palavra solta .. sibilina
Uma dor de punhais cresce
quando o silencio é rasgado
mas a alma do Poeta,
renascida a cada golpe fundo,
transfigurada revela
a própria dimensão
do mundo!
1 071
Angela Santos
Inscrição
Por
todos os sinais
por desvendar
gestos, palavras, caminhos
pelo obscuro ventre da verdade
por tudo o que somos,
ou ainda não…
por todas as noites
grávidas de luzes subtis,
auroras, alvoradas
ansiadas…
por aquilo que faremos,
caminhos reinventados,
por aquilo que ainda é sonho
e é urgente cumprir…
do fundo em nós se erguerão
gritos rasgando silêncios
lanças guerreiras
de encontro ao que nega
a ousadia a vida,
o devir, o crer.
Transfigurados os olhos,
volta-se à raiz de tudo
e a singular forma Humana,
no âmago do ser inscrita,
emergirá lá do fundo
noutra imagem reflectida.
todos os sinais
por desvendar
gestos, palavras, caminhos
pelo obscuro ventre da verdade
por tudo o que somos,
ou ainda não…
por todas as noites
grávidas de luzes subtis,
auroras, alvoradas
ansiadas…
por aquilo que faremos,
caminhos reinventados,
por aquilo que ainda é sonho
e é urgente cumprir…
do fundo em nós se erguerão
gritos rasgando silêncios
lanças guerreiras
de encontro ao que nega
a ousadia a vida,
o devir, o crer.
Transfigurados os olhos,
volta-se à raiz de tudo
e a singular forma Humana,
no âmago do ser inscrita,
emergirá lá do fundo
noutra imagem reflectida.
688
Angela Santos
Escravo e Senhor
Vem
ao meu castelo
Senta-te à mesa
com os fantasmas que o habitam,
ergue a taça e brinda
à vida
que não se sabe ainda
Vai pelos corredores,
labirintos
olha os retratos antigos
as paredes decaídas,
mas não te detenhas diante
daquela moldura vazia
Vem!
Senta-te no trono destruído
sente a força do que servi
e diz-me se é senhor
o que é escravo de si.
ao meu castelo
Senta-te à mesa
com os fantasmas que o habitam,
ergue a taça e brinda
à vida
que não se sabe ainda
Vai pelos corredores,
labirintos
olha os retratos antigos
as paredes decaídas,
mas não te detenhas diante
daquela moldura vazia
Vem!
Senta-te no trono destruído
sente a força do que servi
e diz-me se é senhor
o que é escravo de si.
1 076
Angela Santos
Vozes
Dos
confins se ergue a voz
ouvidos e mente
cerrei ao apelo
Ergue –se um grito
no fundo de mim…
que verdade fala,
onde está o tempo
que a vai cumprir?
confins se ergue a voz
ouvidos e mente
cerrei ao apelo
Ergue –se um grito
no fundo de mim…
que verdade fala,
onde está o tempo
que a vai cumprir?
1 215
Angela Santos
Invés
Diante
do espelho
não damos conta de nada:
os sulcos, a ausência do sorriso
a face petrificada…
o espelho devolve o rosto
sem denunciar a máscara
Diante dos outros
erguemos muralhas
e a hipocrisia faz
bem ou mal o seu papel
simulados jogos
onde o vazio é senhor.
do espelho
não damos conta de nada:
os sulcos, a ausência do sorriso
a face petrificada…
o espelho devolve o rosto
sem denunciar a máscara
Diante dos outros
erguemos muralhas
e a hipocrisia faz
bem ou mal o seu papel
simulados jogos
onde o vazio é senhor.
1 062
Angela Santos
Além
E
disse o coração ao Homem:
que te não canse o olhar
que te não canse o sentir
que te não canse o andar
é sempre mais além
que te vais descobrir.
disse o coração ao Homem:
que te não canse o olhar
que te não canse o sentir
que te não canse o andar
é sempre mais além
que te vais descobrir.
709
Angela Santos
Conjugação
Sonhei
que era esta
que sou
e sendo esta
era ainda outra
que também sou
vi-me desdobrada
e una
e sonhei um tempo único
pretérito e espera
saber e adivinhação
Sonhei
tudo podia ser
a negação de limites
e a mutação contínua.
Sou, sendo
o conjugado verbo
do meu ser condicional imperfeito!
que era esta
que sou
e sendo esta
era ainda outra
que também sou
vi-me desdobrada
e una
e sonhei um tempo único
pretérito e espera
saber e adivinhação
Sonhei
tudo podia ser
a negação de limites
e a mutação contínua.
Sou, sendo
o conjugado verbo
do meu ser condicional imperfeito!
1 198
Nauro Machado
Cosa Mentale
Pode-se
viver de pensar?
Saber-se coisa dentre um corpo
Como animal de pensamento?
Do pó não pode haver nada:
Apenas mãos, do pó nascidas,
No pó se chamam mãos...Ó Nada!
Ó esplendoroso Nada em ti
na luz do ser após nascido
para a grande noite depois:
teu corpo é um quarto mobilado
sobre quem dispo o pensamento
de todas as suas gavetas.
Minha memória te destrói
- prego por prego - nos ferrolhos,
para tirar-te inteira ao dentro.
Pode-se viver de pensar:
a matéria atrapalha tudo
pelo hábito de acabar-se.
viver de pensar?
Saber-se coisa dentre um corpo
Como animal de pensamento?
Do pó não pode haver nada:
Apenas mãos, do pó nascidas,
No pó se chamam mãos...Ó Nada!
Ó esplendoroso Nada em ti
na luz do ser após nascido
para a grande noite depois:
teu corpo é um quarto mobilado
sobre quem dispo o pensamento
de todas as suas gavetas.
Minha memória te destrói
- prego por prego - nos ferrolhos,
para tirar-te inteira ao dentro.
Pode-se viver de pensar:
a matéria atrapalha tudo
pelo hábito de acabar-se.
1 341
Nauro Machado
IF
Há um se
na vida de cada um,
Um se de depois do fóceps
(no tempo em que a dor cumpria a Bíblia)
e um se de depois da cesariana
(no tempo em que apodrece o fruto
no gozo da emurchecida árvore).
Ah! Se o se negasse o se, e tudo
Fosse um único sim, certeza
De aceitarmos o ser e o fato
E o espelho reflita a imagem caída
Das mãos de imponderável Deus.
na vida de cada um,
Um se de depois do fóceps
(no tempo em que a dor cumpria a Bíblia)
e um se de depois da cesariana
(no tempo em que apodrece o fruto
no gozo da emurchecida árvore).
Ah! Se o se negasse o se, e tudo
Fosse um único sim, certeza
De aceitarmos o ser e o fato
E o espelho reflita a imagem caída
Das mãos de imponderável Deus.
1 219
Angela Santos
Ausência
Falta-me
O norte
Uma estrela
O caminho
Faltam-me os olhos
Com que me olhe
Falta-me a razão
De saber razões
Falta-me o instante
A mão que rasgue
semeie
Falta-me o quê?
O norte
Uma estrela
O caminho
Faltam-me os olhos
Com que me olhe
Falta-me a razão
De saber razões
Falta-me o instante
A mão que rasgue
semeie
Falta-me o quê?
1 113
Carlos Nejar
Livro do Sol - 1
As coisas
existem além delas,
não padecem, nem sofrem
mas existem
e projetam a sombra nas janelas.
Penetrar a substância que as anima
como a noite as embala no seu ventre,
como a noite as concentra e precipita,
não tem asas, nem plumas,
só silêncio
sonoro como as algas,
só silêncio
de astros
na caverna.
As coisas
nos prendem
junto a elas,
nos contemplam,
nos amam
mas nos prendem
e ficamos calados
na amurada
vendo as coisas
pensarem
no que somos.
existem além delas,
não padecem, nem sofrem
mas existem
e projetam a sombra nas janelas.
Penetrar a substância que as anima
como a noite as embala no seu ventre,
como a noite as concentra e precipita,
não tem asas, nem plumas,
só silêncio
sonoro como as algas,
só silêncio
de astros
na caverna.
As coisas
nos prendem
junto a elas,
nos contemplam,
nos amam
mas nos prendem
e ficamos calados
na amurada
vendo as coisas
pensarem
no que somos.
1 051
João Cabral de Melo Neto
Camarada diamante!
Não sou um diamante nato
nem consegui cristalizá-lo:
se ele te surge no que faço
será um diamante opaco
de quem por incapaz do vago
quer de toda forma evitá-lo,
senão com o melhor, o claro,
do diamante, com o impacto:
com a pedra, a aresta, com o aço
do diamante industrial, barato,
que incapaz de ser cristal raro
vale pelo que tem de cacto.
nem consegui cristalizá-lo:
se ele te surge no que faço
será um diamante opaco
de quem por incapaz do vago
quer de toda forma evitá-lo,
senão com o melhor, o claro,
do diamante, com o impacto:
com a pedra, a aresta, com o aço
do diamante industrial, barato,
que incapaz de ser cristal raro
vale pelo que tem de cacto.
4 109
Armindo Trevisan
Uma Mulher
Tem os
olhos escondidos
no meio das pedras.
Ali o regato
brota de cerejas envelhecidas.
Suas mãos apanham o ar.
Caminha de leve
sobre as palavras.
É exata.
Ninguém lhe adivinha a nudez.
Muitos, muitos a amam.
a ninguém deu o amor.
Em seu corpo ela permanece,
a alma lhe exige um corpo tão diferente
que não sabe onde esperá-lo.
olhos escondidos
no meio das pedras.
Ali o regato
brota de cerejas envelhecidas.
Suas mãos apanham o ar.
Caminha de leve
sobre as palavras.
É exata.
Ninguém lhe adivinha a nudez.
Muitos, muitos a amam.
a ninguém deu o amor.
Em seu corpo ela permanece,
a alma lhe exige um corpo tão diferente
que não sabe onde esperá-lo.
1 204
Cruz e Sousa
Mundo Inacessível
Tua alma
lembra um mundo inacessível
Onde só astros e águias vão pairando
Onde se escuta, trágica, cantando,
A sinfonia da amplidão terrível
Toda a alma que não seja alta e sensível
Que asas não tenha para as ir vibrando,
Nessa região secreta penetrando,
Falece, morre, dum pavor incrível!
É preciso ter asas e ter garras
Para atingir aos ruídos de fanfarras
Do mundo da tua alma augusta e forte.
É preciso subir ígneas montanhas
E emudecer entre visões estranhas,
Num sentimento mais sutil que a morte!
lembra um mundo inacessível
Onde só astros e águias vão pairando
Onde se escuta, trágica, cantando,
A sinfonia da amplidão terrível
Toda a alma que não seja alta e sensível
Que asas não tenha para as ir vibrando,
Nessa região secreta penetrando,
Falece, morre, dum pavor incrível!
É preciso ter asas e ter garras
Para atingir aos ruídos de fanfarras
Do mundo da tua alma augusta e forte.
É preciso subir ígneas montanhas
E emudecer entre visões estranhas,
Num sentimento mais sutil que a morte!
2 198