Poemas neste tema
Corpo
Goulart Gomes
Soneto do amor impuro
Já te comi com os olhos e com as mãos
antropofagia étnica, incesto de irmãos
sei que não raspas teus púbicos pêlos
corta-os baixinhos, aparas os cabelos
Conheço cada ondulação da tua bunda
onde teu ventre se alarga e onde se afunda
qual dos teus seios tem maior volume
e como a tua ira de gozo se assume
Ao banho, onde primeiro tocas o sabonete
a quantas fricções respiras em falsete
deixando a água ser um outro, teu
E se em tua corte fui só mais um bobo
trago comigo um real consolo:
quem mais te possuiu fui eu
antropofagia étnica, incesto de irmãos
sei que não raspas teus púbicos pêlos
corta-os baixinhos, aparas os cabelos
Conheço cada ondulação da tua bunda
onde teu ventre se alarga e onde se afunda
qual dos teus seios tem maior volume
e como a tua ira de gozo se assume
Ao banho, onde primeiro tocas o sabonete
a quantas fricções respiras em falsete
deixando a água ser um outro, teu
E se em tua corte fui só mais um bobo
trago comigo um real consolo:
quem mais te possuiu fui eu
961
Charles Baudelaire
AS PROMESSAS DE UM ROSTO
Amo, ó pálida beleza, os teus cenhos curvados
Que dão às trevas todo o império;
Teus olhos, embora negros, me inspiram cuidados
Que não têm nada de funéreos.
Teus olhos, que imitam a negrura dos cabelos
Da tua longa crina elástica,
Teus olhos langues me dizem: Amante, se o apelo
Queres seguir da musa plástica
Que infundimos no teu ser, ou tudo que contigo
Em matéria de gosto trazes,
Poderás ver, desde as nádegas até o umbigo,
Que nós te fomos bem verazes;
Encontrarás, sobre dois belos seios pontudos,
Dois grandes medalhões de bronze,
E sob o ventre liso, macio como veludo,
Amorenado como bronze,
Um rico tosão que á tua enorme cabeleira
Copia no negrume e na espessura;
De tão sedoso e encrespado, ele te iguala inteira,
Noite sem astros, Noite escura!
(Tradução
José Paulo Paes)
Que dão às trevas todo o império;
Teus olhos, embora negros, me inspiram cuidados
Que não têm nada de funéreos.
Teus olhos, que imitam a negrura dos cabelos
Da tua longa crina elástica,
Teus olhos langues me dizem: Amante, se o apelo
Queres seguir da musa plástica
Que infundimos no teu ser, ou tudo que contigo
Em matéria de gosto trazes,
Poderás ver, desde as nádegas até o umbigo,
Que nós te fomos bem verazes;
Encontrarás, sobre dois belos seios pontudos,
Dois grandes medalhões de bronze,
E sob o ventre liso, macio como veludo,
Amorenado como bronze,
Um rico tosão que á tua enorme cabeleira
Copia no negrume e na espessura;
De tão sedoso e encrespado, ele te iguala inteira,
Noite sem astros, Noite escura!
(Tradução
José Paulo Paes)
3 315
Goulart Gomes
Corponauta
Como se tuas mãos não fossem duas
E o meu corpo apenas o universo
Nos teus olhos flutuam outras luas
E a tua pele permeia os meus versos
Fosse a tua bunda o meu descanso
E o meu falo te servisse de guarida
O guerreiro, de voraz, iria manso
Se renderia, entregaria a própria vida
Que se espera, então, de fêmea e macho
Senão o orgasmo profundo e infiel
De amar mais o outro que a si?
Se entre tuas coxas eu me encaixo
É o teu gozo, purgatório, inferno e céu
Imortalidade que podemos possuir
E o meu corpo apenas o universo
Nos teus olhos flutuam outras luas
E a tua pele permeia os meus versos
Fosse a tua bunda o meu descanso
E o meu falo te servisse de guarida
O guerreiro, de voraz, iria manso
Se renderia, entregaria a própria vida
Que se espera, então, de fêmea e macho
Senão o orgasmo profundo e infiel
De amar mais o outro que a si?
Se entre tuas coxas eu me encaixo
É o teu gozo, purgatório, inferno e céu
Imortalidade que podemos possuir
1 131
Natália Correia
Cosmocópula
I
Membro a pino
dia é macho
submarino
é entre coxas
teu mergulho
vício de ostras
II
O corpo é praia a boca é a nascente
e é na vulva que a areia é mais sedenta
poro a poro vou sendo o curso da água
da tua língua demasiada e lenta
dentes e unhas rebentam como pinhas
de carnívoras plantas te é meu ventre
abro-te as coxas e deixo-te crescer
duro e cheiroso como o aloendro.
Membro a pino
dia é macho
submarino
é entre coxas
teu mergulho
vício de ostras
II
O corpo é praia a boca é a nascente
e é na vulva que a areia é mais sedenta
poro a poro vou sendo o curso da água
da tua língua demasiada e lenta
dentes e unhas rebentam como pinhas
de carnívoras plantas te é meu ventre
abro-te as coxas e deixo-te crescer
duro e cheiroso como o aloendro.
3 935
Gaio Petrónio Árbitro
FOEDA EST IN COITUS
Brutal na posse e é breve uma volúpia,
Quanto a que a Vénus a exaustão persegue.
Não bestas somos, ao precipitá-la,
Na rapidez final a que corremos
(O amor se queima em sua própria chama).
Mas lá, oh, lá, nas férias sempiternas,
Nos possuiremos de oscular perene.
Lá cansaço não há, nem carne triste.
Lá só de gozo o gozo gozará.
Lá não acaba o que começa sempre.
Quanto a que a Vénus a exaustão persegue.
Não bestas somos, ao precipitá-la,
Na rapidez final a que corremos
(O amor se queima em sua própria chama).
Mas lá, oh, lá, nas férias sempiternas,
Nos possuiremos de oscular perene.
Lá cansaço não há, nem carne triste.
Lá só de gozo o gozo gozará.
Lá não acaba o que começa sempre.
994
Goulart Gomes
Ensaio 5
sonho
sobre a cama
um monte assoma
gigante
perfeito, reto
relva baixa
cerrada
gramíneas negro-ruivas
paralelas;
ao meio o mar
vermelho
pernas, peitos
hipérboles em profusão
inexatas
com o colchão
a reta
irá se perder
no infinito
ao último grito
afogado em leite e mal
duvido que haja
travesseiros mais bonitos
sobre a cama
um monte assoma
gigante
perfeito, reto
relva baixa
cerrada
gramíneas negro-ruivas
paralelas;
ao meio o mar
vermelho
pernas, peitos
hipérboles em profusão
inexatas
com o colchão
a reta
irá se perder
no infinito
ao último grito
afogado em leite e mal
duvido que haja
travesseiros mais bonitos
875
Goulart Gomes
Abstract[a
Você corria
e eu até
já me esquecia
da beleza de
um corpo de mulher
em movimento.
Sem haver tempo, espaço
ou qualquer
coisa dessas, vagas
você vagava
num interlúdio
num entreatto
e eu navegava.
Apenas havia
coxas, braços, seios
vários cabelos
e devaneios.
Pensei ter visto
areia, mar
e nuvens:
miragem
era só a passagem
do teu corpo
de um ponto a outro.
Você corria
e eu podia
recordar como é bonito
um corpo de mulher
em movimento
alheia a outros
alheia ao tempo.
e eu até
já me esquecia
da beleza de
um corpo de mulher
em movimento.
Sem haver tempo, espaço
ou qualquer
coisa dessas, vagas
você vagava
num interlúdio
num entreatto
e eu navegava.
Apenas havia
coxas, braços, seios
vários cabelos
e devaneios.
Pensei ter visto
areia, mar
e nuvens:
miragem
era só a passagem
do teu corpo
de um ponto a outro.
Você corria
e eu podia
recordar como é bonito
um corpo de mulher
em movimento
alheia a outros
alheia ao tempo.
880
Wanderley da Costa Júnior
Título IV
O amor
Este moleque
Que tanto faz
Traz junto ao prazer
A segurança do látex
Que a mim reveste
E só assim
Posso entregar
Meu corpo
Ao te moleque
Este amor
Que me dá tanto prazer
E assim não me contamino
E não te corrompo
Apenas
Meu amor
Se reveste sempre de látex
Com carinho
Naturalmente
Seguramente
Confortavelmente
Este moleque
Que tanto faz
Traz junto ao prazer
A segurança do látex
Que a mim reveste
E só assim
Posso entregar
Meu corpo
Ao te moleque
Este amor
Que me dá tanto prazer
E assim não me contamino
E não te corrompo
Apenas
Meu amor
Se reveste sempre de látex
Com carinho
Naturalmente
Seguramente
Confortavelmente
560
Douglas Mondo
Soneto do passaralho
Moça, venha para o rio.
Tire a saia. Deixe sua
vergonha escondida entre
as folhas de samambaia.
A água límpida, como
minha intenção, vai
apenas lhe refrescar
do forte calor de verão.
Se porventura ou descuido
encostar meu corpo ao seu
não se assuste, ele sou eu.
Feche os olhos e segure
com carinho. Acaricie e
sentirá nágua o passarinho.
Tire a saia. Deixe sua
vergonha escondida entre
as folhas de samambaia.
A água límpida, como
minha intenção, vai
apenas lhe refrescar
do forte calor de verão.
Se porventura ou descuido
encostar meu corpo ao seu
não se assuste, ele sou eu.
Feche os olhos e segure
com carinho. Acaricie e
sentirá nágua o passarinho.
854
Simone Barbariz
Soneto à luz de velas
Velas iluminavam o ambiente
E nossos olhos brilhavam
Diante nossos corpos nus e incandescentes
Impressão que as chamas davam
Começamos um jogo de exploração
Mãos percorrendo dorso
Causando inebriante sensação
Trazendo à mente um novo universo
Olhos ardendo em desejo
Bocas entre-abertas...
Meu corpo em seus braços despejo
Rolamos pelas cobertas
Pelo mundo temos desprezo,
Pois nossas almas somente para o nosso amor estão abertas...
E nossos olhos brilhavam
Diante nossos corpos nus e incandescentes
Impressão que as chamas davam
Começamos um jogo de exploração
Mãos percorrendo dorso
Causando inebriante sensação
Trazendo à mente um novo universo
Olhos ardendo em desejo
Bocas entre-abertas...
Meu corpo em seus braços despejo
Rolamos pelas cobertas
Pelo mundo temos desprezo,
Pois nossas almas somente para o nosso amor estão abertas...
1 175
Virna G. Teixeira
Visita
criado-mudo:
bíblia e
rosário de contas
na cama, ao lado
a nudez
sem nome
bíblia e
rosário de contas
na cama, ao lado
a nudez
sem nome
359
Camila Sintra
Tu e eu
eu entro
entro
entro
entro dentro
dentro
dentro
dentro de ti
de ti
ti ti ti ti ti
tiro
ponho
tiro ponho, ponho, ponho
ponho tudo
tudo, tudo, tudo,
em toda tu,
boca, boceta e cu,
olhos, nariz e alma,
coração, veias e vida
vida, minha vida,
não sei mais quem sou
nem quem és,
pois sou tu e sou eu
eu e tu
tu e eu
entro
entro
entro dentro
dentro
dentro
dentro de ti
de ti
ti ti ti ti ti
tiro
ponho
tiro ponho, ponho, ponho
ponho tudo
tudo, tudo, tudo,
em toda tu,
boca, boceta e cu,
olhos, nariz e alma,
coração, veias e vida
vida, minha vida,
não sei mais quem sou
nem quem és,
pois sou tu e sou eu
eu e tu
tu e eu
1 100
Calex Fagundes
Um soneto
Preciso de você todos os dias;
todas as horas, todos os tempos.
Preciso de todos teus momentos
para chegar. de fato, às vias.
Preciso de teu fogo, de teu cio,
Preciso desfraldar os ventos.
Transcender ímpetos, rebentos,
Fazer-me macho, cobrir-te a fio.
Macho abusado, líquida fragrância
escorre de ti, minha fêmea louca.
Sonhos de carne, punhal de ânsia.
Pêndulo vibrante dentro da tua boca
transborda o visgo, última instância,
me tens e levas, oh pérola barroca.
todas as horas, todos os tempos.
Preciso de todos teus momentos
para chegar. de fato, às vias.
Preciso de teu fogo, de teu cio,
Preciso desfraldar os ventos.
Transcender ímpetos, rebentos,
Fazer-me macho, cobrir-te a fio.
Macho abusado, líquida fragrância
escorre de ti, minha fêmea louca.
Sonhos de carne, punhal de ânsia.
Pêndulo vibrante dentro da tua boca
transborda o visgo, última instância,
me tens e levas, oh pérola barroca.
1 644
Simone Barbariz
Crime
Testemunhas: as quatro paredes.
Local do crime: a cama.
Réus: eu e você.
Crime cometido: amor louco e desenfreado,
Amor sem limites,
Amor em todas suas formas possíveis,
Em todas as formas em que éramos compatíveis.
Acoplados com a perfeição de dois módulos espaciais,
Onde qualquer erro milimétrico,
Compromete o sucesso da missão...
Missão cumprida...
A missão foi um sucesso total,
Pois dois corpos tornaram-se um!
Não mais existia eu e você,
Mas, sim, eu-você...
Cometemos um crime perfeito!
Local do crime: a cama.
Réus: eu e você.
Crime cometido: amor louco e desenfreado,
Amor sem limites,
Amor em todas suas formas possíveis,
Em todas as formas em que éramos compatíveis.
Acoplados com a perfeição de dois módulos espaciais,
Onde qualquer erro milimétrico,
Compromete o sucesso da missão...
Missão cumprida...
A missão foi um sucesso total,
Pois dois corpos tornaram-se um!
Não mais existia eu e você,
Mas, sim, eu-você...
Cometemos um crime perfeito!
929
Paulo P. P. Rodrigues da Costa
DNA
Açúcar, arte,
ácido nucleico, feito
sexo, elo.
Prazer reflexo, afeto, affair
em toda parte
o seu corpo belo.
Tal pétala suave,
em terno aperto, acerto para sempre
que por um momento fica
onde a pele excitada se estica,
sobre o púbis, pelve.
Um pênis pica
com sua glande
todo colocado
em sua vulva,
vagina,
boceta,
a pequena caixa
com o brilho líquido dos cristais.
Crisálida, ovo
onde o ego
de novo desliza,
penetra, entre pernas
entreabertas,
esperma
feito estrelas sobre a noite
e desperta
a linda orquídea
sob pêlos,
que em si encerra
a réplica, da réplica, da réplica
do segredo
da vida.
ácido nucleico, feito
sexo, elo.
Prazer reflexo, afeto, affair
em toda parte
o seu corpo belo.
Tal pétala suave,
em terno aperto, acerto para sempre
que por um momento fica
onde a pele excitada se estica,
sobre o púbis, pelve.
Um pênis pica
com sua glande
todo colocado
em sua vulva,
vagina,
boceta,
a pequena caixa
com o brilho líquido dos cristais.
Crisálida, ovo
onde o ego
de novo desliza,
penetra, entre pernas
entreabertas,
esperma
feito estrelas sobre a noite
e desperta
a linda orquídea
sob pêlos,
que em si encerra
a réplica, da réplica, da réplica
do segredo
da vida.
740
C. Almeida Stella
Passeio
Blusa em organza branca
em transparência delicada
insinuando
mostrando tudo... mostrando nada
Botõezinhos perolados... semi-abertos
delicados...
guardam uma fronteira
entre a imaginação e a realidade
de caminhos inexplorados
Tua mão se perde na transparência
dessa diáfana blusinha.
Atravessa timidamente os limites
que os botõezinhos entreabertos deixam ver
e que o teu desejo... adivinha
Tua mão é macia
ela vai brincando,
acarinhando
invadindo a minha geografia
explorando vales, montes, planicies,
detendo-se um pouco aqui
um pouco ali,
desvendando caminhos nunca trilhados
criando atalhos...
Minha pele sente o teu toque,
a tua sedução
e no calor da tua mão
ela vibra
pede mais.
Em seu passeio sensual
tua mão desperta em mim
milhares de sensações
e aquela coisa tão louca
aquele grande desejo
de ter...
não somente a tua mão...
assim...
a me percorrer...
mas também... a tua boca!
em transparência delicada
insinuando
mostrando tudo... mostrando nada
Botõezinhos perolados... semi-abertos
delicados...
guardam uma fronteira
entre a imaginação e a realidade
de caminhos inexplorados
Tua mão se perde na transparência
dessa diáfana blusinha.
Atravessa timidamente os limites
que os botõezinhos entreabertos deixam ver
e que o teu desejo... adivinha
Tua mão é macia
ela vai brincando,
acarinhando
invadindo a minha geografia
explorando vales, montes, planicies,
detendo-se um pouco aqui
um pouco ali,
desvendando caminhos nunca trilhados
criando atalhos...
Minha pele sente o teu toque,
a tua sedução
e no calor da tua mão
ela vibra
pede mais.
Em seu passeio sensual
tua mão desperta em mim
milhares de sensações
e aquela coisa tão louca
aquele grande desejo
de ter...
não somente a tua mão...
assim...
a me percorrer...
mas também... a tua boca!
888
Elisa Grec
De mim, você pode conseguir
De mim,
Você pode conseguir
Tudo que deseja
Tudo que sempre quis ter
Desde um simples
Objeto material
Até prazeres
Prazeres que nunca esquecera
Vá fundo dentro de mim
(entenda isso como quiser)
Descubra meu corpo
Descubra minha mente
Vejamos se consegue
E se depois
Vai gostar do que encontrou
Vai querer algo mais...
Você pode conseguir
Tudo que deseja
Tudo que sempre quis ter
Desde um simples
Objeto material
Até prazeres
Prazeres que nunca esquecera
Vá fundo dentro de mim
(entenda isso como quiser)
Descubra meu corpo
Descubra minha mente
Vejamos se consegue
E se depois
Vai gostar do que encontrou
Vai querer algo mais...
774
Calex Fagundes
Face do desejo
Lume.
A dança da chama,
bailarina esguia.
Pele.
Aceso toque da noite
leve invisível.
Antepercebe-se
a flauta do fauno
invadindo a sala.
A boca percorre
palavras de veludo
sorvidas aos tragos.
Sabe-se nada...
a alma é tomada
e tudo é momento.
Agora.
a noite é hora
neste aposento.
Toca o pêlo
entumescimento
das pontas.
Lambe a aura
da divindade
vaga.
Penumbra.
Chama do fogo,
lenho de carne.
Inebriam-se os lábios.
Frêmito.
Espírito absorvente da noite.
Cabelos
dedos em novelos
nebulosas e redondilhas.
Ilhas.
Crespos.
Águas.
Deitam-se a verter
ao sabor do nascituro,
eremita de fogo.
Gomo de fibras.
Lábio sorve a sede
da água que verte.
Um vaso aberto,
gardênia em chamas,
carmesim do fogo.
Ponto de fêmea.
Ambiente.
Atmosfera.
Hálito.
Perfume.
Máscara.
Sangue
em pele
marfim.
Cambraias
abertas
em pernas de mulher.
Heliocêntricos
raios olhos
fixos no nada.
Músculos tesos.
Úmida.
Tépida.
Abre-se a porta.
Rude o peregrino
chega e faz morada.
Língua molhada
ao encontro
de alvéolos e esponjas.
Água salgada
maresia de fêmea
Sede de nervos
e músculos
a forçar
entranhas.
Brumas
sangüíneas,
cama de ferro.
Fêmea de
pernas
escancaradas.
Cortina de gaze.
Vento marítimo.
Odor de dentro.
Envolvente
o prazer
da mulher deitada.
Faze de mim o tempo.
O simples pulsar
dentro de ti.
Anjo, te faço fêmea.
Mulher, te faço anjo.
Faço-te gozo.
O gozo de meu sangue
é o leite
que te serve.
Na águas de tua
fonte afogas
a minha sede.
A língua percorre
um fio na topografia
de montes e vales.
A fêmea é terra
latente na eterna
espera da semente.
Penumbra do quarto
olhos da noite.
Como me achas?
Como me vês?
Como sabes trazer-me
pra dentro de ti?
O vinho.
A noite.
O silêncio.
Nada além das janelas
Nem mesmo horizontes existem
num quarto de casal.
Deposito em ti a minha
Eternidade.
Sou teu amante.
E deito em ti
minhas surpresas em forma
de farsas adocicadas.
Quando dormes – e acordo
com teus gemidos – persigo
teu gozo com meu pensamento .
Vejo-te outra,
longe de mim,
a se espargir no éter.
Teu corpo é belo
tua mente, insana
quando deitas na cama
e te cobres de pétalas.
A alma da mulher
se esconde num beijo.
A dança da chama,
bailarina esguia.
Pele.
Aceso toque da noite
leve invisível.
Antepercebe-se
a flauta do fauno
invadindo a sala.
A boca percorre
palavras de veludo
sorvidas aos tragos.
Sabe-se nada...
a alma é tomada
e tudo é momento.
Agora.
a noite é hora
neste aposento.
Toca o pêlo
entumescimento
das pontas.
Lambe a aura
da divindade
vaga.
Penumbra.
Chama do fogo,
lenho de carne.
Inebriam-se os lábios.
Frêmito.
Espírito absorvente da noite.
Cabelos
dedos em novelos
nebulosas e redondilhas.
Ilhas.
Crespos.
Águas.
Deitam-se a verter
ao sabor do nascituro,
eremita de fogo.
Gomo de fibras.
Lábio sorve a sede
da água que verte.
Um vaso aberto,
gardênia em chamas,
carmesim do fogo.
Ponto de fêmea.
Ambiente.
Atmosfera.
Hálito.
Perfume.
Máscara.
Sangue
em pele
marfim.
Cambraias
abertas
em pernas de mulher.
Heliocêntricos
raios olhos
fixos no nada.
Músculos tesos.
Úmida.
Tépida.
Abre-se a porta.
Rude o peregrino
chega e faz morada.
Língua molhada
ao encontro
de alvéolos e esponjas.
Água salgada
maresia de fêmea
Sede de nervos
e músculos
a forçar
entranhas.
Brumas
sangüíneas,
cama de ferro.
Fêmea de
pernas
escancaradas.
Cortina de gaze.
Vento marítimo.
Odor de dentro.
Envolvente
o prazer
da mulher deitada.
Faze de mim o tempo.
O simples pulsar
dentro de ti.
Anjo, te faço fêmea.
Mulher, te faço anjo.
Faço-te gozo.
O gozo de meu sangue
é o leite
que te serve.
Na águas de tua
fonte afogas
a minha sede.
A língua percorre
um fio na topografia
de montes e vales.
A fêmea é terra
latente na eterna
espera da semente.
Penumbra do quarto
olhos da noite.
Como me achas?
Como me vês?
Como sabes trazer-me
pra dentro de ti?
O vinho.
A noite.
O silêncio.
Nada além das janelas
Nem mesmo horizontes existem
num quarto de casal.
Deposito em ti a minha
Eternidade.
Sou teu amante.
E deito em ti
minhas surpresas em forma
de farsas adocicadas.
Quando dormes – e acordo
com teus gemidos – persigo
teu gozo com meu pensamento .
Vejo-te outra,
longe de mim,
a se espargir no éter.
Teu corpo é belo
tua mente, insana
quando deitas na cama
e te cobres de pétalas.
A alma da mulher
se esconde num beijo.
1 485
Ronilson Rocha
A metade
Sinto tantos desejos estranhos
quando te vejo tão sensual
olhar no fundo de teus olhos castanhos
e te fazer feliz de modo sem igual....
acariciar-te por inteira
dizer-te bobagens ao ouvido
deitar-te numa esteira
e me sentir totalmente envolvido...
Pois teu cheiro me desperta o olfato...
tua voz me comanda de forma aberta...
quando sinto a tua pele macia, de fato...
é como ter achado a metade que me completa...
quando te vejo tão sensual
olhar no fundo de teus olhos castanhos
e te fazer feliz de modo sem igual....
acariciar-te por inteira
dizer-te bobagens ao ouvido
deitar-te numa esteira
e me sentir totalmente envolvido...
Pois teu cheiro me desperta o olfato...
tua voz me comanda de forma aberta...
quando sinto a tua pele macia, de fato...
é como ter achado a metade que me completa...
878
Paulo Montalverne
Canto de nudez
Dá-me tua nudez,
Tua nudez úmida
Outorgada em pêlos e dobras,
Nas dobras desfeitas
De dez e mil lençóis
Dá-me tua nudez,
Tua nudez traçada,
Declarada em gotas e curvas,
Nas vidas desfeitas
Por uma ou tantas canções.
Dá-me tua nudez,
Tua nudez rasgada,
Marcada em veias e carnes,
Nos pactos esquecidos
De todas e outras juras.
Dá-me tua nudez,
Tua nudez faminta,
Destrancada de almas e corpos,
Nos sonhos destruídos
De meus e teus desejos.
Tua nudez úmida
Outorgada em pêlos e dobras,
Nas dobras desfeitas
De dez e mil lençóis
Dá-me tua nudez,
Tua nudez traçada,
Declarada em gotas e curvas,
Nas vidas desfeitas
Por uma ou tantas canções.
Dá-me tua nudez,
Tua nudez rasgada,
Marcada em veias e carnes,
Nos pactos esquecidos
De todas e outras juras.
Dá-me tua nudez,
Tua nudez faminta,
Destrancada de almas e corpos,
Nos sonhos destruídos
De meus e teus desejos.
1 180
C. Almeida Stella
Descoberta
Um CD
uma música
nós dois
um clima
o amor
Noite de estrelas
perfume de madrugada...
sensualidade
A camisa de botões entreabertos
me dá uma pequena amostra
da tua masculinidade...
eu não resisto
e abrindo botão por botão
deixo cair no chão
este primeiro obstáculo
eu te desnudo...
e te toco
te invado
percorro os teus caminhos,
invento trilhas,
descubro o teu ponto G
eu te sinto...
sem atropelos
eu brinco nos teus pêlos,
ora tímida,
ora ousada...
minhas mãos no teu corpo
fazem a sua "Cavalgada".
Te exploro
te provoco
te causo alvoroço,
brinco no teu cabelo
na tua boca
no teu rosto
te acaricio o peito
tuas costas
teu pescoço.
Passeio na tua cintura...
e pouco a pouco
eu te deixo louco
te acarinho aqui,
ali primeiro,
te toco no corpo inteiro
te encho de desejo
te levo ao delirio
incendeio esse corpo teu.
Então eu te descubro...
Eu te possuo
já não és mais o menino.
És um homem
tão...e somente meu!
uma música
nós dois
um clima
o amor
Noite de estrelas
perfume de madrugada...
sensualidade
A camisa de botões entreabertos
me dá uma pequena amostra
da tua masculinidade...
eu não resisto
e abrindo botão por botão
deixo cair no chão
este primeiro obstáculo
eu te desnudo...
e te toco
te invado
percorro os teus caminhos,
invento trilhas,
descubro o teu ponto G
eu te sinto...
sem atropelos
eu brinco nos teus pêlos,
ora tímida,
ora ousada...
minhas mãos no teu corpo
fazem a sua "Cavalgada".
Te exploro
te provoco
te causo alvoroço,
brinco no teu cabelo
na tua boca
no teu rosto
te acaricio o peito
tuas costas
teu pescoço.
Passeio na tua cintura...
e pouco a pouco
eu te deixo louco
te acarinho aqui,
ali primeiro,
te toco no corpo inteiro
te encho de desejo
te levo ao delirio
incendeio esse corpo teu.
Então eu te descubro...
Eu te possuo
já não és mais o menino.
És um homem
tão...e somente meu!
1 018
Carlos Alberto Pessoa Rosa
Tertúlia erótica
chula
boceta tem o clitóris no b
a uretra no c
e a vagina no a
não
solta nenhum rapé
mas é cheia
de pastilhas e docinhos literários
guloseimas
que somente um poeta aprendeu
a cultuar
boceta tem o clitóris no b
a uretra no c
e a vagina no a
não
solta nenhum rapé
mas é cheia
de pastilhas e docinhos literários
guloseimas
que somente um poeta aprendeu
a cultuar
1 005
Eliana Mora
O caminho das nuvens
Senti na pele
os dedos teus
colando em mim
um surfe estranho
a voltejar
em minhas ondas
olhando enfim para as
paisagens tão
redondas
ouvindo o som
do que de longe
já conheces
E tomas posse
do terreno
demarcado
que amanhece
todo dia
em cama fria
Porém que túmido
servil
e orvalhado
sabe mostrar das noites
frias
resultado
Terreno morno
que se tranca a esperar
que possas vir
[de alguma nuvem
despencar]
Para sorver na noite
a fonte
do esplendor
Colhermos juntos
tão sentido
e doce
amor
os dedos teus
colando em mim
um surfe estranho
a voltejar
em minhas ondas
olhando enfim para as
paisagens tão
redondas
ouvindo o som
do que de longe
já conheces
E tomas posse
do terreno
demarcado
que amanhece
todo dia
em cama fria
Porém que túmido
servil
e orvalhado
sabe mostrar das noites
frias
resultado
Terreno morno
que se tranca a esperar
que possas vir
[de alguma nuvem
despencar]
Para sorver na noite
a fonte
do esplendor
Colhermos juntos
tão sentido
e doce
amor
767
Maria do Carmo Lobato
Veneno sagrado
Tu és uma puta,
Saudável,
Invejável,
Desejável,
Adorável.
Não és uma puta de bordel
E a cascavel que te habita
Possui um veneno muito especial,
Que, por incrível que pareça, não faz mal
E extasia os teus amantes de uma forma tal,
Que eles contigo se comprazem tal qual
Feras soltas na floresta
E contigo fazem a festa
De te quererem
Por apenas uma noite de seresta,
Pois o prazer que a eles propicias
Nas tuas noites de orgia
Os assusta
E por isso eles fogem de ti,
Pois a eles custa
A degusta deste prazer inexóravel.
Saudável,
Invejável,
Desejável,
Adorável.
Não és uma puta de bordel
E a cascavel que te habita
Possui um veneno muito especial,
Que, por incrível que pareça, não faz mal
E extasia os teus amantes de uma forma tal,
Que eles contigo se comprazem tal qual
Feras soltas na floresta
E contigo fazem a festa
De te quererem
Por apenas uma noite de seresta,
Pois o prazer que a eles propicias
Nas tuas noites de orgia
Os assusta
E por isso eles fogem de ti,
Pois a eles custa
A degusta deste prazer inexóravel.
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