Poemas neste tema
Corpo
Manuela Amaral
O espírito do sexo
Hoje acordei debaixo de mim
e senti o orgasmo do mundo
no corpo dos outros.
e senti o orgasmo do mundo
no corpo dos outros.
2 057
1
José Honório
Comer cu, chupar bocetatem homem que aprecia
Glosa:
No campo da sacanagem
enquanto uns dão outros comem
entre a mulher e o homem
quem mais goza tem vantagem
o prazer é uma viagem
que não precisa de guia
a mulher que não é fria
chupa, dá, toca punheta
COMER CU, CHUPAR BUCETA
TEM HOMEM QUE APRECIA.
No campo da sacanagem
enquanto uns dão outros comem
entre a mulher e o homem
quem mais goza tem vantagem
o prazer é uma viagem
que não precisa de guia
a mulher que não é fria
chupa, dá, toca punheta
COMER CU, CHUPAR BUCETA
TEM HOMEM QUE APRECIA.
2 295
1
Regina de Fontenelle
A cor da paixão
Em desejo possuída
se joga,
se rasga,
se estraga
contra os móveis,
sobre as plantas,
entremuros,
se vê fera,
se faz cadela,
se morde serpente,
ferida em seu desvario
no mais escondido recanto do seu bem-querer,
no seu coração perple o e ávido
que ela desfibra devagar.
se joga,
se rasga,
se estraga
contra os móveis,
sobre as plantas,
entremuros,
se vê fera,
se faz cadela,
se morde serpente,
ferida em seu desvario
no mais escondido recanto do seu bem-querer,
no seu coração perple o e ávido
que ela desfibra devagar.
1 200
1
Henry Corrêa de Araújo
Olho a olho
procuro
onde teu corpo
no escuro
frente a frente
concentro
onde melhor
te adentro
palmo a palmo
penetro
onde animal
te adestro
corpo a corpo
te sugo
onde mulher
o teu suco
pouco a pouco
retorno
à condição
vegetal.
onde teu corpo
no escuro
frente a frente
concentro
onde melhor
te adentro
palmo a palmo
penetro
onde animal
te adestro
corpo a corpo
te sugo
onde mulher
o teu suco
pouco a pouco
retorno
à condição
vegetal.
1 217
1
Helga Holtz
Uma tarde
Banho os pés em águas derramadas
na tarde em que você chorou em mim.
De todos os seus líquidos diários
só me faltava sentir suas lágrimas...
Sobrevivo agora de vento e escuro,
de muros, sonos, torpores, das tinas
com seu choro, suor, tanto esporro.
Largo as estrelas, recordo resoluta
os vapores sentimentais liberados
naquele exato momento do adultério:
você partindo, o Morrer chegando...
na tarde em que você chorou em mim.
De todos os seus líquidos diários
só me faltava sentir suas lágrimas...
Sobrevivo agora de vento e escuro,
de muros, sonos, torpores, das tinas
com seu choro, suor, tanto esporro.
Largo as estrelas, recordo resoluta
os vapores sentimentais liberados
naquele exato momento do adultério:
você partindo, o Morrer chegando...
972
1
Jaci Bezerra
Para te ver é longa toda espera
Há uma serra no teu peito
feita de sonho e de distância.
É nessa serra que me deito
com tua luminosa infância.
Ao te esfolhar, na tarde branca,
me extravio nas tuas ancas.
Habitando a paisagem branca
na curva dessa serra deito.
Assim, montando as tuas ancas,
cavalgo os sonhos do teu peito.
Depois, retido na distância,
na cama acendo a tua infância.
Nos veludos da tua infância
qualquer montanha é pura e branca,
claro verão que, na distância,
cintila sobre tuas ancas.
É minha a serra do teu peito
quando à sombra do teu corpo deito.
Sobre os lençóis, quando me deito,
meu coração é a tua infância.
Eu, pelas serras do teu peito,
sou um menino na distância,
cavalgando, na tarde branca,
os girassóis das tuas ancas.
Nos extremos das tuas ancas
cavalgo as serras do teu peito.
O teu corpo, na tarde branca,
é o meu lençol quando me deito.
Uma criança, na distância,
sou a serra da tua infância.
Quero galgar serra e distância
nas tuas mãos de nuvens brancas,
do mesmo modo quero a infância
e os girassóis das tuas ancas.
A mim me basta, se me deito,
morrer nas serras do teu peito.
feita de sonho e de distância.
É nessa serra que me deito
com tua luminosa infância.
Ao te esfolhar, na tarde branca,
me extravio nas tuas ancas.
Habitando a paisagem branca
na curva dessa serra deito.
Assim, montando as tuas ancas,
cavalgo os sonhos do teu peito.
Depois, retido na distância,
na cama acendo a tua infância.
Nos veludos da tua infância
qualquer montanha é pura e branca,
claro verão que, na distância,
cintila sobre tuas ancas.
É minha a serra do teu peito
quando à sombra do teu corpo deito.
Sobre os lençóis, quando me deito,
meu coração é a tua infância.
Eu, pelas serras do teu peito,
sou um menino na distância,
cavalgando, na tarde branca,
os girassóis das tuas ancas.
Nos extremos das tuas ancas
cavalgo as serras do teu peito.
O teu corpo, na tarde branca,
é o meu lençol quando me deito.
Uma criança, na distância,
sou a serra da tua infância.
Quero galgar serra e distância
nas tuas mãos de nuvens brancas,
do mesmo modo quero a infância
e os girassóis das tuas ancas.
A mim me basta, se me deito,
morrer nas serras do teu peito.
1 908
1
Caetano Veloso
Tigresa
Uma tigresa de unhas negras e íris cor de mel
Uma mulher, uma beleza que me aconteceu
Esfregando sua pele de ouro marrom do seu corpo contra o meu
Me falou que o mal é bom e o bem cruel
Enquanto os pelos dessa deusa tremem ao vento ateu
Ela me conta, sem certeza, tudo que viveu
Que gostava de política em mil novecentos e setenta e seis
E hoje dança no Frenetic Dancing Days
Ela me conta que era atriz e trabalhou no "Hair"
Com alguns homens foi feliz, com outros foi mulher
Que tem muito ódio no coração, que tem dado muito amor
E espalhado muito prazer e muita dor
Mas ela ao mesmo tempo diz que tudo vai mudar
Porque ela vai ser o que quis, inventando um lugar
Onde a gente e a natureza feliz vivam sempre em comunhão
E a tigresa possa mais do que um leão
As garras da felina me marcaram o coração
Mas as besteiras de menina que ela disse não
E eu corri para o violão, num lamento, e a manhã nasceu azul
Como é bom poder tocar um instrumento
Uma mulher, uma beleza que me aconteceu
Esfregando sua pele de ouro marrom do seu corpo contra o meu
Me falou que o mal é bom e o bem cruel
Enquanto os pelos dessa deusa tremem ao vento ateu
Ela me conta, sem certeza, tudo que viveu
Que gostava de política em mil novecentos e setenta e seis
E hoje dança no Frenetic Dancing Days
Ela me conta que era atriz e trabalhou no "Hair"
Com alguns homens foi feliz, com outros foi mulher
Que tem muito ódio no coração, que tem dado muito amor
E espalhado muito prazer e muita dor
Mas ela ao mesmo tempo diz que tudo vai mudar
Porque ela vai ser o que quis, inventando um lugar
Onde a gente e a natureza feliz vivam sempre em comunhão
E a tigresa possa mais do que um leão
As garras da felina me marcaram o coração
Mas as besteiras de menina que ela disse não
E eu corri para o violão, num lamento, e a manhã nasceu azul
Como é bom poder tocar um instrumento
2 349
1
Chico Buarque
Caçada
Não conheço seu nome ou paradeiro
Adivinho seu rastro e cheiro
Vou armado de dentes e coragem
Vou morder sua carne selvagem
Varo a noite sem cochilar, aflito
Amanheço imitando o seu grito
Me aproximo rondando a sua toca
E ao me ver você me provoca
Você canta a sua agonia louca
Água me borbulha na boca
Minha presa rugindo sua raça
Pernas se debatendo e o seu fervor
Hoje é o dia da graça
Hoje é o dia da caça e do caçador
Eu me espicho no espaço feito um gato
Pra pegar você, bicho do mato
Saciar a sua avidez mestiça
Que ao me ver se encolhe e me atiça
Que num mesmo impulso me expulso e abraça
Nossas peles grudando de suor
Hoje é o dia da graça
Hoje é o dia da caça e do caçador
De tocaia fico a espreitar a fera
Logo dou-lhe o bote certeiro
Já conheço seu dorso de gazela
Cavalo brabo montado em pêlo
Dominante, não se desembaraça
Ofegante, é dona do seu senhor
Hoje é o dia da graça
Hoje é o dia da caça e do caçador
Adivinho seu rastro e cheiro
Vou armado de dentes e coragem
Vou morder sua carne selvagem
Varo a noite sem cochilar, aflito
Amanheço imitando o seu grito
Me aproximo rondando a sua toca
E ao me ver você me provoca
Você canta a sua agonia louca
Água me borbulha na boca
Minha presa rugindo sua raça
Pernas se debatendo e o seu fervor
Hoje é o dia da graça
Hoje é o dia da caça e do caçador
Eu me espicho no espaço feito um gato
Pra pegar você, bicho do mato
Saciar a sua avidez mestiça
Que ao me ver se encolhe e me atiça
Que num mesmo impulso me expulso e abraça
Nossas peles grudando de suor
Hoje é o dia da graça
Hoje é o dia da caça e do caçador
De tocaia fico a espreitar a fera
Logo dou-lhe o bote certeiro
Já conheço seu dorso de gazela
Cavalo brabo montado em pêlo
Dominante, não se desembaraça
Ofegante, é dona do seu senhor
Hoje é o dia da graça
Hoje é o dia da caça e do caçador
2 990
1
Fernando Correia Pina
Colchão eléctrico
Que noite, Serafim. Que noite memorável!
Vinte vezes me vim e tu sempre prestável,
sempre em cima de mim, o cu a dar a dar
e eu num gozo sem fim, com ganas de gritar.
Que noite, Serafim. Foi assim como um choque
sempre a correr por mim, a cona num bitoque,
a pedir mais chinfrim, gulosa do caralho -
fogoso berbequim em ardente trabalho.
Que noite, Serafim. Electrizante estado
de volúpia atingi até que te vieste
de cabelos em pé, ofegando ao meu lado
dizendo em confissão
com ar triste de fado -
a merda do colchão
estava mal isolado.
Vinte vezes me vim e tu sempre prestável,
sempre em cima de mim, o cu a dar a dar
e eu num gozo sem fim, com ganas de gritar.
Que noite, Serafim. Foi assim como um choque
sempre a correr por mim, a cona num bitoque,
a pedir mais chinfrim, gulosa do caralho -
fogoso berbequim em ardente trabalho.
Que noite, Serafim. Electrizante estado
de volúpia atingi até que te vieste
de cabelos em pé, ofegando ao meu lado
dizendo em confissão
com ar triste de fado -
a merda do colchão
estava mal isolado.
1 271
1
Age de Carvalho
Vermelho
Tua,
de seda e feno
no transe da metáfora
a fenda soletrada-sol,
vala de luz, vocabulário
Tua, folhagem. O
olho
alcança o Olho,
desce aos infernos:
sonha o cabelo da urna,
o vermelho
da cifra, a ferida
no centro da fogueira
Tua, tua
de seda e feno
no transe da metáfora
a fenda soletrada-sol,
vala de luz, vocabulário
Tua, folhagem. O
olho
alcança o Olho,
desce aos infernos:
sonha o cabelo da urna,
o vermelho
da cifra, a ferida
no centro da fogueira
Tua, tua
745
1
Leila Mícollis
Poema para o namorado
Teu lado feminino me erotiza:
são belos, sensuais e muito caros
certos instantes gostosos, em que te encaro
menos como homem e mais como menina:
quando passas teus cremes para a pele,
ou pões o avental pra cozinhar,
ou quando em mim te esfregas
até gozar os teus gozos sem fim,
ou quando tuas mãos, leves e lésbicas,
desabam como plumas sobre mim.
são belos, sensuais e muito caros
certos instantes gostosos, em que te encaro
menos como homem e mais como menina:
quando passas teus cremes para a pele,
ou pões o avental pra cozinhar,
ou quando em mim te esfregas
até gozar os teus gozos sem fim,
ou quando tuas mãos, leves e lésbicas,
desabam como plumas sobre mim.
1 503
1
Rosy Feros
Dedos do silêncio
Vem...
Me toma à beira da noite,
caminha por mim
com seus passos molhados,
despeja seu rio no meu cálice
– pois minha emoção é só água.
Vem...
Que eu lhe dou um trago
deste meu vinho guardado,
destas minhas uvas
frescas de inverno...
Que eu derramo em gotas meu perfume
pelos quatro cantos do seu corpo,
vestindo sua pele com a camurça
da nudez e do silêncio.
Vem...
Deita e me canta,
sente meu desejo
se esgueirando pelos seus dedos,
veleja sem bússola
pelos meus sentidos,
me olha como quem pede lua...
Deixa eu sussurrar minhas folhas,
soprar minhas pétalas
pelo seu peito de relva,
pelo seu solo macio.
Vem... Não volta,
esquece a hora morta
do cotidiano de sempre.
Me toca feito música
e deixa eu cantar meu bolero
pelas suas curvas de carne...
Sinto-me inocência
passeando por suas alturas,
por seus andares cheios
da mais noturna noite densa.
Desvenda essa face molhada
e me mostra a sua vertente original
de emoção-fêmea pura...
Que eu o espero na branca paz
do meu ventre adormecido,
dos meus braços plenos
de fogueiras e cantigas.
Vem...
Que eu desfolho
toda essa sua vontade nua,
que eu desperto
todo esse seu lado cigano...
pois o meu leite é morno
e é rosa franca meu sorriso.
Deixa seu barco
navegar pelo meu leito,
que eu carrego no peito a ânsia
de hastear a bandeira do infinito...
Vem...
Deita... Me namora...
Me afoga no espelho de luz
dessa madrugada afora,
me diz que no nosso tempo
não há tempo nem hora,
que eu não agüento
a flor do sexo que arde
nas entranhas de mim...
Deixa que eu amanheça
na espuma dessa sua onda quente,
deixa sua emoção fluir
da garganta num repente...
Que eu carrego nos olhos de relento
a voz que lhe pede a terra
e que lhe entrega o mar.
Me toma à beira da noite,
caminha por mim
com seus passos molhados,
despeja seu rio no meu cálice
– pois minha emoção é só água.
Vem...
Que eu lhe dou um trago
deste meu vinho guardado,
destas minhas uvas
frescas de inverno...
Que eu derramo em gotas meu perfume
pelos quatro cantos do seu corpo,
vestindo sua pele com a camurça
da nudez e do silêncio.
Vem...
Deita e me canta,
sente meu desejo
se esgueirando pelos seus dedos,
veleja sem bússola
pelos meus sentidos,
me olha como quem pede lua...
Deixa eu sussurrar minhas folhas,
soprar minhas pétalas
pelo seu peito de relva,
pelo seu solo macio.
Vem... Não volta,
esquece a hora morta
do cotidiano de sempre.
Me toca feito música
e deixa eu cantar meu bolero
pelas suas curvas de carne...
Sinto-me inocência
passeando por suas alturas,
por seus andares cheios
da mais noturna noite densa.
Desvenda essa face molhada
e me mostra a sua vertente original
de emoção-fêmea pura...
Que eu o espero na branca paz
do meu ventre adormecido,
dos meus braços plenos
de fogueiras e cantigas.
Vem...
Que eu desfolho
toda essa sua vontade nua,
que eu desperto
todo esse seu lado cigano...
pois o meu leite é morno
e é rosa franca meu sorriso.
Deixa seu barco
navegar pelo meu leito,
que eu carrego no peito a ânsia
de hastear a bandeira do infinito...
Vem...
Deita... Me namora...
Me afoga no espelho de luz
dessa madrugada afora,
me diz que no nosso tempo
não há tempo nem hora,
que eu não agüento
a flor do sexo que arde
nas entranhas de mim...
Deixa que eu amanheça
na espuma dessa sua onda quente,
deixa sua emoção fluir
da garganta num repente...
Que eu carrego nos olhos de relento
a voz que lhe pede a terra
e que lhe entrega o mar.
1 623
1
Patrícia Clemente
Seios
Sofia, eu no teu rosto busco espelho,
Enquanto beijo os nós dos teus artelhos,
Enquanto tocas com teus pés meus seios.
E o corpo sabe: sou-te assemelhada,
E leva o pé à tua coxa amada,
Sou presa seduzida por teus cheiros.
E o corpo sabe o quanto é aquecido
Meu pé que sobe dentro do vestido,
Sorrindo do macio dos teus pentelhos.
E o corpo sabe: sou-te parecida,
Toco a mim mesma ao te tocar, amiga,
Se pouso, enfim, os dedos nos teus seios.
E o corpo sabe bem que sou-te gêmea
Me fazes louca, lúcida ou boêmia,
No gesto em que se unem nossos seios.
Sofia, no meu rosto tens espelho,
De quanto bem me faz amar teus seios
Enquanto beijo os nós dos teus artelhos,
Enquanto tocas com teus pés meus seios.
E o corpo sabe: sou-te assemelhada,
E leva o pé à tua coxa amada,
Sou presa seduzida por teus cheiros.
E o corpo sabe o quanto é aquecido
Meu pé que sobe dentro do vestido,
Sorrindo do macio dos teus pentelhos.
E o corpo sabe: sou-te parecida,
Toco a mim mesma ao te tocar, amiga,
Se pouso, enfim, os dedos nos teus seios.
E o corpo sabe bem que sou-te gêmea
Me fazes louca, lúcida ou boêmia,
No gesto em que se unem nossos seios.
Sofia, no meu rosto tens espelho,
De quanto bem me faz amar teus seios
1 388
1
Paulo Netho
Seus seios
Seus seios são o caminho que todos anseiam
eles são fartas tetas por onde a existência se fortifica
seus seios não são a loucura plus
eles não são nada mas são tudo
firmes e belos eles apontam
para o sol de todos os dias
criatura do criador
obra prima no oásis
de nós mesmos
seus enlouquecem
quando desatam da alça do sutiã
eles são como a aurora
surgindo para além do previsível
e irremediável
seus seios eis a lírica mais perfeita
num tempo de imperfeições.
eles são fartas tetas por onde a existência se fortifica
seus seios não são a loucura plus
eles não são nada mas são tudo
firmes e belos eles apontam
para o sol de todos os dias
criatura do criador
obra prima no oásis
de nós mesmos
seus enlouquecem
quando desatam da alça do sutiã
eles são como a aurora
surgindo para além do previsível
e irremediável
seus seios eis a lírica mais perfeita
num tempo de imperfeições.
1 202
1
Fernando Correia Pina
Talvez por ler demais filosofia
Talvez por ler demais filosofia
aquela adolescente graciosa
ficou feia, ficou triste, ficou fria,
perdeu o fresco encanto de uma rosa.
Afundou-se-lhe o peito em agonia
na arca das costelas de onde a prosa
deu ordem de despejo à poesia
para viver da fama palavrosa.
A vagina se cobriu de estéreis teias,
secamente fodida por ideias,
rejeitando do Amor as ternas artes
e hoje ao vê-la sombria quando passa,
sem cu nem mamas, eu maldigo a raça
dos Kants, Lockes, Hobbes e Descartes.
aquela adolescente graciosa
ficou feia, ficou triste, ficou fria,
perdeu o fresco encanto de uma rosa.
Afundou-se-lhe o peito em agonia
na arca das costelas de onde a prosa
deu ordem de despejo à poesia
para viver da fama palavrosa.
A vagina se cobriu de estéreis teias,
secamente fodida por ideias,
rejeitando do Amor as ternas artes
e hoje ao vê-la sombria quando passa,
sem cu nem mamas, eu maldigo a raça
dos Kants, Lockes, Hobbes e Descartes.
1 225
1
Asta Vonzodas
Sinto em meu corpo
Sinto em meu corpo
sua língua.
Que me arde
Como se fosse
um chicote
de
fogo.
E mesmo que
eu não queira
me induz
a jogar
o seu
jogo.
Me entorpece
os sentidos,
abafa-me
os gemidos
até provocar
o meu
gozo.
Que poder
é esse?
Que sedução
devassa,
é essa
que sinto
sempre
que você
me abraça?
Só de lhe ver
me arrepia
a pele, em
choques
térmicos.
E me rendo
pacífica
aos seus
desejos
hipotéticos.
Me excita e
me choca
a sua ousadia.
Mas sempre
mais e mais,
como num
crescendo,
embarco
na sua
fantasia.
E quando
entregue
aos nossos
devaneios
sentindo
em meu
corpo
os seus
meneios,
nada mais
importa.
Abrimos do desejo
as portas,
simplesmente
porque
você é
meu homem
e eu...
sou sua
mulher...
sua língua.
Que me arde
Como se fosse
um chicote
de
fogo.
E mesmo que
eu não queira
me induz
a jogar
o seu
jogo.
Me entorpece
os sentidos,
abafa-me
os gemidos
até provocar
o meu
gozo.
Que poder
é esse?
Que sedução
devassa,
é essa
que sinto
sempre
que você
me abraça?
Só de lhe ver
me arrepia
a pele, em
choques
térmicos.
E me rendo
pacífica
aos seus
desejos
hipotéticos.
Me excita e
me choca
a sua ousadia.
Mas sempre
mais e mais,
como num
crescendo,
embarco
na sua
fantasia.
E quando
entregue
aos nossos
devaneios
sentindo
em meu
corpo
os seus
meneios,
nada mais
importa.
Abrimos do desejo
as portas,
simplesmente
porque
você é
meu homem
e eu...
sou sua
mulher...
1 259
1
José Honório
João doido, cacete, rolatudo é nome do caralho
Glosa:
Peia, cipó, mandioca,
carabina, prego e talo,
estaca, pica, badalo,
sarrafo, pomba, biloca,
pinto, manjuba, piroca,
vergalhão, também mangalho,
lingüiça, cajado, malho,
nervo, trabuco, bilola,
JOÃO DOIDO, CACETE, ROLA...
TUDO É NOME DO CARALHO.
Peia, cipó, mandioca,
carabina, prego e talo,
estaca, pica, badalo,
sarrafo, pomba, biloca,
pinto, manjuba, piroca,
vergalhão, também mangalho,
lingüiça, cajado, malho,
nervo, trabuco, bilola,
JOÃO DOIDO, CACETE, ROLA...
TUDO É NOME DO CARALHO.
1 676
1
Artur Ferreira
Esses hábitos que tens
Hoje acordei e ainda sonhando,
naqueles instantes entre sonhar e acordar,
senti tua perna se roçar entre as minhas...
Esse hábito doce que tens
de me acordar...
Ouvi muito longe, o teu respirar,
suave e pausado, murmurando
coisas sem nexo...
Esse hábito doce que tens
de me saudar de manhã...
Semi-adormecida, pegaste minha mão
e a puseste entre os seios
meu pouso diário...
Esse hábito lindo que tens
de me excitar...
E viajei nos meus sonhos, não querendo acordar,
amando o teu corpo, vezes sem conta...
e então despertei, sentindo saudades
desses hábitos antigos
que tinhas comigo...
naqueles instantes entre sonhar e acordar,
senti tua perna se roçar entre as minhas...
Esse hábito doce que tens
de me acordar...
Ouvi muito longe, o teu respirar,
suave e pausado, murmurando
coisas sem nexo...
Esse hábito doce que tens
de me saudar de manhã...
Semi-adormecida, pegaste minha mão
e a puseste entre os seios
meu pouso diário...
Esse hábito lindo que tens
de me excitar...
E viajei nos meus sonhos, não querendo acordar,
amando o teu corpo, vezes sem conta...
e então despertei, sentindo saudades
desses hábitos antigos
que tinhas comigo...
1 073
1
Dois Santos dos Santos
Sobre corpos e ganas
Se a mulher caminhava
a saia dela
se abria e se fechava
Um olho via
o que saia mostrava
enquanto se abria
E desejava
o que a saia escondia
quando se fechava
E rezava
para que se movesse
se a mulher parava
Se ela se movia
a longa saia
se fechava e se abria
E revelava
o que o olho mais queria
a alma mais ansiava
Na fenda aberta
o relâmpago
da perna exposta
Era mancha de sol
limpando a carne
de todo mal
Um olho comia
a mulher anônima
e ela nem sabia
a saia dela
se abria e se fechava
Um olho via
o que saia mostrava
enquanto se abria
E desejava
o que a saia escondia
quando se fechava
E rezava
para que se movesse
se a mulher parava
Se ela se movia
a longa saia
se fechava e se abria
E revelava
o que o olho mais queria
a alma mais ansiava
Na fenda aberta
o relâmpago
da perna exposta
Era mancha de sol
limpando a carne
de todo mal
Um olho comia
a mulher anônima
e ela nem sabia
1 608
1
Clément Marot
A bela teta
Teta mais branca do que um ovo,
Teta de cetim branco e novo,
Teta que faz inveja à rosa
E mais do que tudo é formosa,
Teta dura, nem teta, sim
Pequena bola de marfim,
Bem no meio da qual aflora,
Rubra, uma cereja ou amora,
Que, aposto com vossa mercê,
Ninguém apalpa, ninguém vê.
Teta de bico cor de sangue,
Teta que nada tem de langue
E, indo ou voltando, não balança,
Quer em corrida, quer em dança.
Teta esquerda, pequenininha,
Sempre distante da vizinha,
Teta que dás fiel imagem
Do restante da personagem,
Quem te vê, que tentação
De te conter dentro da mão
E comprimir-te e apalpar-te;
Mas é melhor deixar-se de artes
E não o fazer, pois prevejo
Que lhe viria outro desejo!
Teu bom tamanho não engana,
Teta madura que dás ganas,
Teta que um só anelo expressa:
"Casai comigo bem depressa!"
Teta que incha e quer ir além
Do corpete que ora a detêm.
Oh! felizardo quem te encher
De leite para te fazer,
De ti que és teta de donzela,
Teta de mulher plena e bela.
Teta de cetim branco e novo,
Teta que faz inveja à rosa
E mais do que tudo é formosa,
Teta dura, nem teta, sim
Pequena bola de marfim,
Bem no meio da qual aflora,
Rubra, uma cereja ou amora,
Que, aposto com vossa mercê,
Ninguém apalpa, ninguém vê.
Teta de bico cor de sangue,
Teta que nada tem de langue
E, indo ou voltando, não balança,
Quer em corrida, quer em dança.
Teta esquerda, pequenininha,
Sempre distante da vizinha,
Teta que dás fiel imagem
Do restante da personagem,
Quem te vê, que tentação
De te conter dentro da mão
E comprimir-te e apalpar-te;
Mas é melhor deixar-se de artes
E não o fazer, pois prevejo
Que lhe viria outro desejo!
Teu bom tamanho não engana,
Teta madura que dás ganas,
Teta que um só anelo expressa:
"Casai comigo bem depressa!"
Teta que incha e quer ir além
Do corpete que ora a detêm.
Oh! felizardo quem te encher
De leite para te fazer,
De ti que és teta de donzela,
Teta de mulher plena e bela.
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Adélia Prado
Entrevista
Um homem do mundo me perguntou:
o que você pensa de sexo?
Uma das maravilhas da criação, eu respondi.
Ele ficou atrapalhado, porque confunde as coisas
e esperava que eu dissesse maldição,
só porque antes lhe confiara: o destino do homem
[é a santidade.
A mulher que me perguntou cheia de ódio:
você raspa lá? perguntou sorrindo,
achando que assim melhor me assassinava.
Magníficos são o cálice e a vara que ele contém,
peludo ou não.
Santo, santo, santo é o amor, porque vem de Deus,
não porque uso luva ou navalha.
Que pode contra ele o excremento?
Mesmo a rosa, que pode a seu favor?
Se “cobre a multidão dos pecados e é benigno,
como a morte duro, como o inferno tenaz”,
descansa em teu amor, que bem estás.
o que você pensa de sexo?
Uma das maravilhas da criação, eu respondi.
Ele ficou atrapalhado, porque confunde as coisas
e esperava que eu dissesse maldição,
só porque antes lhe confiara: o destino do homem
[é a santidade.
A mulher que me perguntou cheia de ódio:
você raspa lá? perguntou sorrindo,
achando que assim melhor me assassinava.
Magníficos são o cálice e a vara que ele contém,
peludo ou não.
Santo, santo, santo é o amor, porque vem de Deus,
não porque uso luva ou navalha.
Que pode contra ele o excremento?
Mesmo a rosa, que pode a seu favor?
Se “cobre a multidão dos pecados e é benigno,
como a morte duro, como o inferno tenaz”,
descansa em teu amor, que bem estás.
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1
António Lobo de Carvalho
Soneto VIII
A uma freira que se fazia sangrar para lenitivo das comichões que sofria nos antípodas da boca
Põe-se a toalha, chega-se a bacia,
A lanceta na mão, pé na água quente,
Assustado o barbeiro, e reverente
Para a freira voltado assi dizia:
Se dá licença, vossa senhoria...
Pico?... ‹Sim, Ihe diz ela, e tão valente
Que parecia só estar doente
Por pica Ihe faltar naquele dia!
A sangria do barbeiro então se aplica,
E cuidando ao picar a freira morra,
Ela Ihe diz valente: Pica, pica:
E verás nesse sangue quando corra,
Que me fora melhor no que ele indica,
Se em lugar de lanceta fosse porra!
Põe-se a toalha, chega-se a bacia,
A lanceta na mão, pé na água quente,
Assustado o barbeiro, e reverente
Para a freira voltado assi dizia:
Se dá licença, vossa senhoria...
Pico?... ‹Sim, Ihe diz ela, e tão valente
Que parecia só estar doente
Por pica Ihe faltar naquele dia!
A sangria do barbeiro então se aplica,
E cuidando ao picar a freira morra,
Ela Ihe diz valente: Pica, pica:
E verás nesse sangue quando corra,
Que me fora melhor no que ele indica,
Se em lugar de lanceta fosse porra!
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Bocage
Levanta Alzira os olhos pudibunda
Levanta Alzira os olhos pudibunda
Para ver onde a mão lhe conduzia;
Vendo que nela a porra lhe metia
Fez-se mais do que o nácar rubicunda:
Toco o pentelho seu, toco a rotunda
Lisa bimba, onde Amor seu trono erguia;
Entretanto em desejos ardia,
Brando licor o pássaro lhe inunda:
Co dedo a greta sua lhe coçava;
Ela, maquinalmente a mão movendo,
Docemente o caralho embalava:
"mais depressa" – lhe digo então morrendo,
Enquanto ela sinais do mesmo dava;
Mística pívia assim fomos comendo.
Para ver onde a mão lhe conduzia;
Vendo que nela a porra lhe metia
Fez-se mais do que o nácar rubicunda:
Toco o pentelho seu, toco a rotunda
Lisa bimba, onde Amor seu trono erguia;
Entretanto em desejos ardia,
Brando licor o pássaro lhe inunda:
Co dedo a greta sua lhe coçava;
Ela, maquinalmente a mão movendo,
Docemente o caralho embalava:
"mais depressa" – lhe digo então morrendo,
Enquanto ela sinais do mesmo dava;
Mística pívia assim fomos comendo.
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