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Poemas neste tema

Corpo

Charles Bukowski

Charles Bukowski

Cortina Baixada

o que eu gosto em você
ela me contou
é que você é cru –
veja só você sentado aí
uma lata de cerveja na sua mão
e um charuto na sua boca
e veja
sua barriga peluda e suja
saindo pra fora
por baixo da camisa.
você tirou os sapatos
e tem um buraco
na sua meia direita
com o dedão
saindo pra fora.
você não faz a barba há
4 ou 5 dias.
seus dentes são amarelos
e as suas sobrancelhas
despencam
totalmente retorcidas
e você tem cicatrizes
suficientes
para deixar qualquer um
cagado de medo.
há sempre
um anel
na sua banheira
seu telefone
está coberto de
gordura
e
metade do lixo na
sua geladeira está
podre.
você nunca
lava o seu carro.
você tem jornais
de uma semana atrás
no chão.
você lê revistas
de sacanagem
e você não tem
tv
mas você pede
entregas da
loja de bebidas
e dá boas
gorjetas.
e o melhor de tudo
você não força
uma mulher a
ir pra cama
com você.
você mal parece
interessado
e quando falo com você
você não
diz nada
você só
olha em volta
pela sala ou
coça o seu
pescoço
como se não
me ouvisse.
você tem uma toalha
velha e molhada
na pia
e uma foto
de Mussolini
na parede
e você nunca
reclama
de nada
e você nunca
faz perguntas
e eu
conheço você há
6 meses
mas não faço
a menor ideia
de quem você é.
você é como
uma espécie de
cortina baixada
mas é disso
que eu gosto
em você:
sua crueza:
uma mulher pode
cair
fora da sua
vida e
esquecer você
bem depressa.
uma mulher
não pode ir a lugar algum
a não ser UM LUGAR MELHOR
depois de deixar você,
querido.
você só pode
ser
a melhor coisa
que jamais
aconteceu
a
uma garota
que está entre
um cara
e o seguinte
e não tem nada
pra fazer
no momento.
a porra deste
scotch é
uma maravilha.
vamos jogar
palavras cruzadas.
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Charles Bukowski

Charles Bukowski

Ah, Eu Era o Terror da Mulherada!

você
se pergunta sobre
quando
você corria por entre as mulheres
como um maníaco
em campo aberto
com sua total
desconsideração por
calcinhas, panos de prato,
fotos
e todos os outros
apetrechos –
como
o emaranhamento das
almas.
o que
você estava
tentando
fazer
estava tentando
ir atrás
do quê?
era como uma
caçada.
quantas você
conseguiu
ensacar?
partir
pra cima?
nomes
sapatos
vestidos
lençóis, banheiros,
quartos, cozinhas,
salas
da frente,
cafés,
animais de estimação,
nomes de animais de estimação,
nomes de crianças;
nomes do meio, sobrenomes,
nomes
inventados.
você provou que era
fácil.
você provou que
podia ser feito
sempre
de novo,
aquelas pernas erguidas
alto
por trás de quase
você todo.
ou
elas ficavam por cima
ou
você ficava
por trás
ou
ambos
de lado
além de
outras
invenções.
canções em rádios.
carros estacionados.
vozes telefônicas.
bebidas sendo
servidas.
as conversas
sem sentido.
agora você sabe
você não passava de um
maldito
cão, ou
de uma lesma enrolada
numa lesma –
conchas pegajosas na luz
do sol, ou nas
noites enevoadas,
ou no escuro
escuro.
você era
o idiota da
natureza,
não provando mas
sendo
provado.
não um homem mas um
plano
se desenrolando,
não empurrando mas
sendo
empurrado.
agora
você sabe.
naquele tempo
você se achava
um belo de um
espertalhão
um belo de um
cafajeste
um belo de um
machão
um belo de um
transgressor
sorrindo acima de seu
vinho
planejando sua próxima
jogada
que
perda de tempo
você era
seu grande
cavaleiro
seu Átila das
primaveras e
tudo mais
você poderia ter
dormido esse tempo
todo
e ninguém nunca teria
sentido sua
falta
nunca teriam
sentido sua
falta
em
absoluto.
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Charles Bukowski

Charles Bukowski

Metendo Até As Bolas

metendo até as bolas
metendo como o burro
metendo como o boi
metendo metendo metendo
metendo como os pombos
metendo como os porcos
como alguém se torna uma flor
polinizada pelos ventos e pelas abelhas?
metendo até as bolas à meia-noite
metendo às quatro da manhã
metendo na terça-feira
metendo na quarta-feira
metendo como um maldito touro
metendo como um submarino
metendo como uma bala puxa-puxa
metendo como a cavidade sem sentido da perdição
metendo metendo metendo,
eu mergulho meu chicote branco
sentindo os olhos dela se revirarem em glória,
ó bolas, ó trombeta e bolas
ó chicote branco e bolas, ó
bolas,
eu poderia ficar metendo até as bolas pra sempre
por cima
por baixo
de lado
bêbado sóbrio triste feliz irritado
metendo até as bolas,
uma intensidade de mistura:
2 almas grudadas
jorrando...
meter torna tudo melhor.
os que não metem não sabem.
os que não podem meter são semimortos.
os que não conseguem encontrar alguém para meter estão no inferno.
eu durmo com as minhas bolas na mão para que ninguém as roube.
que o ar todo esteja limpo com flores e árvores e touros.
que parte da justiça de como vivemos nossas vidas seja a canção do corpo.
que cada uma de nossas mortes e semimortes seja tão tranquila quanto
possível agora.
enquanto isso, ó bolas, ó bolas, ó belas, ó belas bolas, bolas
belas, ó bolas metidas bolas ó metidas bolas minhas e
suas e deles e nossas para todo o sempre
esta noite e terça-feira quarta-feira da sepultura em lágrimas, eu amo
vocês
mulheres, eu amo vocês.
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Charles Bukowski

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O Banho

nós gostamos de tomar banho depois
(gosto da água mais quente do que ela)
e o rosto dela é sempre macio e calmo
e ela me lava primeiro
espalha espuma pelo meu saco
levanta o saco
aperta os colhões,
então lava o pau:
“ei, essa coisa ainda está dura!”
então pega os pelos todos ali embaixo –
a barriga, as costas, o pescoço, as pernas,
eu abro sorriso sorriso sorriso,
e então a lavo...
primeiro a xota, eu
fico atrás dela, meu pau em suas nádegas
vou ensaboando suavemente os pelos da xota,
lavo ali com um movimento relaxante,
me demoro talvez mais do que o necessário,
então pego a parte de trás das pernas, a bunda,
as costas, o pescoço, eu a viro, eu a beijo,
ensaboo os peitos, pego eles e a barriga, o pescoço,
a frente das pernas, os tornozelos, os pés,
e então a xota, mais uma vez, pra dar sorte...
outro beijo, e ela sai primeiro,
atoalhada, às vezes cantando enquanto eu permaneço
ligando a água no mais quente
sentindo os bons momentos do milagre do amor
e então saio...
geralmente é a calmaria do meio da tarde,
e nos vestindo nós conversamos sobre o que mais
pode haver para fazer,
mas estarmos juntos resolve a maior parte,
na verdade, resolve tudo
pois enquanto essas coisas permanecerem resolvidas
na história da mulher e do
homem, é diferente para cada um
melhor e pior para cada um –
para mim, já é bastante esplêndido recordar
a passagem dos exércitos em marcha
e os cavalos que percorrem as ruas lá fora
a passagem das memórias de dor e derrota e infelicidade:
Linda, você o trouxe para mim,
quando levá-lo embora
faça-o devagar e sem esforço
faça-o como se eu estivesse morrendo no meu sono em vez de na
minha vida, amém.
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Charles Bukowski

Charles Bukowski

Lixo

eu tinha tomado uma surra tremenda,
eu tinha escolhido um verdadeiro touro, e por causa das
garotas e dele mesmo e só por sua
brutal energia esquiva
ele quase tinha me assassinado:
eu soube depois
que mesmo quando eu já estava apagado
ele havia chutado minha cabeça repetidas
vezes
e então havia esvaziado várias latas de lixo
em cima de mim
e então haviam me deixado ali
naquele beco.
eu era o cara de fora da cidade.

foi por volta das 6 da manhã num
domingo que eu voltei
a mim.
meu rosto era um amontoado de
feridas, crostas, coágulos, galos, calombos, meus lábios
engrossados e dormentes, meus olhos quase fechados de tão
inchados
mas eu me botei de pé e comecei
a caminhar;
eu via indícios do sol, casas, a calçada
trêmula enquanto eu
avançava na direção do meu quarto
então escutei sons arrastados vindos do
centro da rua
e forcei meus olhos para
focalizar e vi um
homem cambaleando
suas roupas rasgadas e ensanguentadas
ele cheirava a morte e escuridão
mas continuava andando em frente
pelo meio da rua
como se já tivesse caminhado
quilômetros
desde algum acontecimento tão horrível que
a própria mente poderia se recusar a aceitá-lo
como parte da vida.
meu impulso era ajudá-lo
e saltei do
meio-fio
e avancei ao encontro dele.
ele não conseguia me ver, ele avançava
procurando algum lugar para ir,
qualquer lugar, e
eu vi um dos olhos dele pendurado
fora da órbita,
balançando.
eu recuei.
ele era como uma criatura não pertencente à
terra.
deixei o homem
passar.
dava para ouvir os pés se afastando
atrás de mim
aqueles passos cegos
oscilando, em
agonia,
insensivelmente
solitários.

voltei à
calçada.
voltei ao meu
quarto.
subi na
cama.
caí com o rosto para cima
o teto no alto em cima de mim,
eu esperei.
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Charles Bukowski

Charles Bukowski

Carta Para Um Amigo Com Um Problema Doméstico:

Olá Carl:
não se preocupe por sua esposa ter fugido de você
ela simplesmente não te entendia.
um pneu me furou hoje na autoestrada
e tive que trocar a roda com uns cheira-
dores voando em seus Maseratis soprando vento na minha
bunda.
o principal é você simplesmente tocar sua vida
e seguir fazendo aquilo que você precisa fazer, ou melhor –
aquilo que você quer fazer.

eu estava no consultório do dentista esses dias
e li uma publicação médica
e ela dizia
que você só precisa
viver até o ano 2020 d.C. e aí
se você tiver dinheiro suficiente
quando seu corpo morrer será possível transplantar seu
cérebro num corpo sem carne que te dá
visão e movimento – tipo você pode pedalar uma
bicicleta ou qualquer coisa do tipo e você também
não perderá tempo urinando ou defe-
cando ou comendo – você só ganha um
tanquinho de sangue no alto da cabeça pra encher
mais ou menos uma vez por mês – é uma espécie de óleo
pro cérebro.
e não se preocupe, tem até sexo, dizem,
só que é um pouco diferente (haha) você pode
ficar metendo até ela implorar pra você parar!
(ela só vai te largar por não aguentar mais
em vez de querer mais.)
esse é o lance do transplante sem carne.

mas tem outra alternativa: eles podem
transplantar o seu cérebro num corpo vivo
cujo cérebro foi retirado de modo a
abrir espaço para o seu.
só que o custo para isso será mais
proibitivo
pois eles terão de localizar um corpo,
um corpo vivo em algum lugar
num hospício digamos ou numa prisão ou
nas ruas em algum lugar – talvez um sequestro –
e embora esses corpos venham a ser melhores,
mais realistas, eles não vão durar tanto quanto
o corpo sem carne que pode funcionar por uns
500 anos antes de exigir troca.
então é tudo uma questão de escolha, daquilo que
você gosta, ou daquilo que você pode bancar.

quando você entra no corpo ele não vai
durar tanto assim – eles dizem uns 110 anos lá por
2020 d.C. – e aí você terá de encontrar
uma reposição de corpo vivo (de novo) ou optar por um
dos trecos sem carne.
em geral, como dão a entender nesse artigo que eu li
no consultório do meu dentista, se você não for tão rico
você pega o treco sem carne mas
se continuar muito bem de capital você
vai pegando o corpo-vivo repetidas vezes.
(os modelos de corpo-vivo têm certas vantagens
pois você será capaz de enganar a maioria do pessoal
da rua e também
a vida sexual é mais realista embora
mais curta.)

Carl, não estou passando a coisa exatamente como
estava escrita mas estou traduzindo todo aquele
lero-lero médico em algo que nós
possamos entender,
mas você acha que dentistas deveriam ter esse tipo de
merda
repousando em suas mesas?
de todo modo, provavelmente quando você receber esta carta
a sua patroa estará de volta com você.

de todo modo, Carl, continuei lendo
e o cara depois dizia que
em ambos os transplantes de cérebro no
corpo vivo e no corpo sem carne
outra coisa ocorreria com as pessoas que
tivessem dinheiro suficiente pra fazer os truques de transferência:
o computadorizado conhecimento dos séculos seria
introduzido no cérebro – e pra onde quer que você quisesse ir
você poderia ir – você seria capaz de pintar como
Rembrandt ou Picasso,
conquistar como César. você poderia fazer todas as coisas
que esses e outros como eles haviam feito
só que melhor.
você seria mais brilhante do que Einstein –
haveria pouquíssimo que você não poderia fazer
e talvez o corpo mais próximo de você
pudesse fazê-lo.

nesse ponto a coisa fica um tanto desconcertante –
o cara prossegue
ele é tipo um daqueles caras em seus
Maseratis cheirados; ele prossegue dizendo
numa linguagem um tanto técnica e obscura que
isso não é Ficção Científica
isso é a abertura de uma porta de horror e assombro
nunca antes especulada e ele diz que a
Última Guerra do Homem se dará entre os ricos
transplantados computadorizados e os não ricos que são
os Muitos
que afinal se ressentirão da sacanagem de terem sido excluídos da
imortalidade
e os ricos vão querer proteger o que é deles
para sempre
e
que
no final
os ricos computadorizados vão ganhar a última
Guerra do Homem (e da
Mulher)

depois ele diz que a subsequente Nova
Guerra tomará forma com os
Imortais lutando contra os Imortais
e o que sucederá será um
acontecimento
exemplar
de modo que o Tempo tal como o conhecemos
entrega os pontos.

mas que bela loucura, não é mesmo,
Carl?
eu gostaria de dizer
que à luz de tudo isso
que a sua esposa fugir não significa
grande coisa
mas eu sei que significa
só pensei em te mostrar
como outras coisas poderiam acontecer.

enquanto isso, as coisas não estão boas aqui
tampouco.
seu amigão,
Hank
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Charles Bukowski

Charles Bukowski

Fazendo Cabeças

ela ainda faz.
ela esculpe cabeças de homens
depois vai pra cama com
eles
creio que para equiparar a argila
com a carne.

foi assim que a
conheci.

não fiz objeção
mas em tais casos
você sempre acha que é
você.

mas depois
descobri
que eu não era o
primeiro

e depois de começar a morar com
ela
eu olhava aquelas cabeças esculpidas
de homens
sobre uma mesa
e em cima da tv
e
aqui e ali
e pensava
puxa vida.

e aí ela me dizia
“escuta, você sabe que cabeça eu
gostaria esculpir?”

“hmm hmm.”

“eu gostaria de esculpir o grande Mike
Swinnert... ele tem um crânio interessante...
você já reparou na boca dele, nos
dentes?”

“sim, já...”

“eu gosto da esposa dele também... mas acho que gostaria
de fazer o Mike primeiro... você não ficaria
com ciúme, né?”

“ah, não. eu vou nas corridas ou algo assim
pra você se concentrar...”

“é meio embaraçoso eu
pedir pra ele. ele é seu amigo. você se
importaria de pedir...?”

Mike não tinha carro então fui
pegá-lo e voltei com ele. enquanto estacionávamos
ele disse “seguinte, posso comer ela se eu
quiser, você sabe. você se importaria?”
“bem, acho que me importaria”, falei.
ele me olhou daquele jeito: “tá bom,
por você vou me segurar.”

acompanhei Mike até a argila e então
desci as escadas.

fui de carro para o hipódromo e tive
um dia terrível no
hipódromo...

certa vez caminhei com ela pelo McArthur Park
enquanto ela selecionava homens com
cabeças interessantes e
eu me aproximava deles e perguntava se ela
poderia esculpir suas cabeças. eu até
lhes oferecia dinheiro. todos
recusavam, sentindo que havia algo de
errado. eu também sentia que havia algo de
errado, sobretudo comigo.

não foi muito tempo depois disso que
a escultora e eu
nos separamos.

ela tinha até se mudado de cidade mas
me vi voando para outro
estado pra vê-la – duas vezes. e
a cada vez notando
mais cabeças masculinas espalhadas pelo
apartamento.

“quem é esse cara?”, perguntei
sobre uma delas.

“ah, esse é o Billyboy, o
ginete...”

fui embora 2 ou 3 dias
depois...

as vidas seguiram e 2 ou 3 mulheres depois
meu amigo Jack Bahiah apareceu. nós
falamos disso e daquilo e aí Jack
mencionou que havia voado ao
encontro da escultora.

“ela fez a sua cabeça, Jack?”

“fez, cara, ela fez a minha cabeça mas
não ficou parecido comigo, cara. adivinha com
quem ficou parecido, cara?”

“sei lá, cara...”

“ficou parecido com você...”

“Jack, meu rapaz, você sempre soube dizer
muita sacanagem...”

“sem sacanagem, cara, sem sacanagem...”

Jack e eu bebemos bastante vinho naquela noite, ele
vira os copos muito bem.

“ela estava nos meus braços na cama
e falou ‘Deus, eu amo ele, Jack, sinto
falta dele!’, e aí começou a chorar.”

não odeio Jack nem um pouco por comê-la
por dormir encostado nela quando eu tinha dormido
encostado nela por 5 ou 6 anos, e isso demonstra
a durabilidade dos humanos: sabemos extirpar o
troço e destruí-lo e esquecer.

sei que ela ainda esculpe cabeças
de homens e não consegue parar. ela me disse uma vez
que Rodin fez algo similar de um
modo ligeiramente diferente. tá bom.

desejo a ela a sorte da argila e
a sorte dos homens. tem sido uma longa
noite rumo ao meio-dia, por vezes, para a maioria
de nós.
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