Poemas neste tema
Criatividade e Inspiração
Mário Donizete Massari
O Poeta
Olhou para o céu
Brincou com a lua
Apalpou as estrelas
Subiu nos montes
Alcançou o horizonte
Emergiu na loucura
Saciou a sede
na mais linda e pura
fonte da vida
Esperou amanhecer
e para o orvalho gelado
Disse bom dia
"Nasceu a poesia"
Brincou com a lua
Apalpou as estrelas
Subiu nos montes
Alcançou o horizonte
Emergiu na loucura
Saciou a sede
na mais linda e pura
fonte da vida
Esperou amanhecer
e para o orvalho gelado
Disse bom dia
"Nasceu a poesia"
915
Mário Donizete Massari
A voz do louco I
Ao amigo e artista plástico Laudo
A minha loucura
é sã
brota das feridas
de uma vida consumida.
A minha loucura
é mágoa,
de ver uma terra fértil
sem ser partida.
A minha loucura
é viva,
germina a cada momento,
na lucidez do dia a dia.
A minha loucura
é sã
brota das feridas
de uma vida consumida.
A minha loucura
é mágoa,
de ver uma terra fértil
sem ser partida.
A minha loucura
é viva,
germina a cada momento,
na lucidez do dia a dia.
933
António Manuel Couto Viana
Poesia
Com a mão alada procuroO emocional desenho puro:A linha é frágil; o verso é duro.
A claridade dos cimos!Por alcançar nos desmedimos:Turvam a fonte os humanos limos.
Fique meu gesto suspensoComo o branco sinal dum lençoPor sobre o mundo noturno e imenso.
A claridade dos cimos!Por alcançar nos desmedimos:Turvam a fonte os humanos limos.
Fique meu gesto suspensoComo o branco sinal dum lençoPor sobre o mundo noturno e imenso.
1 462
Sérgio Mattos
Quando Sinto
Quando sinto o desencanto, procuro tuas mãos
que trazem o conforto e me fazem palpitar.
Permaneço disperso, sentindo teu perfume
e tua presença, suspensa nas nuvens da imaginação.
Do papel onde escrevo, tuas curvas tomam formas
e, como sombra, teu corpo nu, eu vejo.
Um sorriso va enche-me o rosto
e na tentativa de acariciar-te ouço longe,
muito longe, passos, vozes e o bater da máquina de escrever.
Teu corpo nu desaparece, enquanto o tempo volta a agir
e minhas mãos a trabalhar.
Um leve tremor invade-me a alma
e uma complacente esperança
consola-me, porque tenho certeza
de ao chegar em casa, sobre a cama,
encontrar teu corpo quente.
que trazem o conforto e me fazem palpitar.
Permaneço disperso, sentindo teu perfume
e tua presença, suspensa nas nuvens da imaginação.
Do papel onde escrevo, tuas curvas tomam formas
e, como sombra, teu corpo nu, eu vejo.
Um sorriso va enche-me o rosto
e na tentativa de acariciar-te ouço longe,
muito longe, passos, vozes e o bater da máquina de escrever.
Teu corpo nu desaparece, enquanto o tempo volta a agir
e minhas mãos a trabalhar.
Um leve tremor invade-me a alma
e uma complacente esperança
consola-me, porque tenho certeza
de ao chegar em casa, sobre a cama,
encontrar teu corpo quente.
938
Marta Gonçalves
O Casaco de Murilo Mendes
São dez horas e este relógio eterno,
vindo de meus avós, bate o mofo do tempo.
O cristal enfeita a mesa e quadros vestem
de linho as paredes. São dez horas de continuidade
de vida. Respiro a alfazema das magnólias. É julho.
Nada importa se dormes em porto distante.
Quero revelar a rotação da alma. Esta alma
aguarda o perfume, a visitação azul da poesia.
Será o relógio que desfaz o silêncio na noite?
Um vulto longo, com brancura nas mãos, veste um casaco
europeu. Me olha como um rebanho de carneiros.
As camélias estão amarelas. Foram meus dedos.
A libertação está na palavra. Elas apartam
a forma que fui. Liberto as tâmaras do tempo.
O vulto me olha e põe poesia solferina em meus dedos.
A sala fica iluminada. O vulto de casaco europeu coloca
o Cometa de Halley em cima da cristaleira. Sorri:
- Escuta, no fim da tarde, o piano de Mariinha.
A poesia chega no vento.
Ela é como o Cometa de Halley.
vindo de meus avós, bate o mofo do tempo.
O cristal enfeita a mesa e quadros vestem
de linho as paredes. São dez horas de continuidade
de vida. Respiro a alfazema das magnólias. É julho.
Nada importa se dormes em porto distante.
Quero revelar a rotação da alma. Esta alma
aguarda o perfume, a visitação azul da poesia.
Será o relógio que desfaz o silêncio na noite?
Um vulto longo, com brancura nas mãos, veste um casaco
europeu. Me olha como um rebanho de carneiros.
As camélias estão amarelas. Foram meus dedos.
A libertação está na palavra. Elas apartam
a forma que fui. Liberto as tâmaras do tempo.
O vulto me olha e põe poesia solferina em meus dedos.
A sala fica iluminada. O vulto de casaco europeu coloca
o Cometa de Halley em cima da cristaleira. Sorri:
- Escuta, no fim da tarde, o piano de Mariinha.
A poesia chega no vento.
Ela é como o Cometa de Halley.
1 051
Marta Gonçalves
Aclive da Encubadeira
À Laene Teixeira Mucci
Ao seu livro Aldelin, feito
no computador (Encubadeira)
A emanação das águas nos arrozais
onde pássaros cansados buscam
a semente. O aclive da linguagem
no oxigênio do tempo guarda tâmaras
de verdes Natais. A colagem dos sóis
traz o mercúrio da virada do século.
São teclas mágicas, duendes da alma.
Vento brando acordando moléculas na tarde.
Será o aclive memória das folhas ou memória
das gaivotas em mares antigos. O poeta aprisiona
anéis na encubadeira e escolhe os dedos. Sopra
o giz das palavras. Aldelin, terra sem dono.
Aldelin, território que Marco Polo não viu.
Ar, água, fogo, no solo bruto da terra.
Ternuras vindas do cerne de outras peles.
Cheiro de figo do pomar do avô.
Arco de cobre em Aldebarã.
Aldelin, aclive na encubadeira.
Ilha do corpo ou mariposa voejando.
Filtro do cosmo em noite de jejum
Onde os insetos banham os olhos.
Aldelin, a palavra morre. Meu canto
é o nada diante de seus símbolos.
Ao seu livro Aldelin, feito
no computador (Encubadeira)
A emanação das águas nos arrozais
onde pássaros cansados buscam
a semente. O aclive da linguagem
no oxigênio do tempo guarda tâmaras
de verdes Natais. A colagem dos sóis
traz o mercúrio da virada do século.
São teclas mágicas, duendes da alma.
Vento brando acordando moléculas na tarde.
Será o aclive memória das folhas ou memória
das gaivotas em mares antigos. O poeta aprisiona
anéis na encubadeira e escolhe os dedos. Sopra
o giz das palavras. Aldelin, terra sem dono.
Aldelin, território que Marco Polo não viu.
Ar, água, fogo, no solo bruto da terra.
Ternuras vindas do cerne de outras peles.
Cheiro de figo do pomar do avô.
Arco de cobre em Aldebarã.
Aldelin, aclive na encubadeira.
Ilha do corpo ou mariposa voejando.
Filtro do cosmo em noite de jejum
Onde os insetos banham os olhos.
Aldelin, a palavra morre. Meu canto
é o nada diante de seus símbolos.
1 065
Maurício Batarce
Sonhos de Um Poeta
Palavras soltas surgem ao vento.
Em um turbilhão confuso de letras
O poeta acompanha o passar do tempo.
O poeta não racionaliza as palavras,
Não raciocina, sente...
Os sonhadores gostariam de escrever neve
Mas não sabem como se escreve.
Sonham com o campo
Para sentir seu aroma;
Imaginam o horizonte
Mas não o encontram no distante...
São narrados nesse momento
Apenas dissentimentos.
Uma voz ecoa ao vento...
O poeta pega carona nas ondas
E envereda-se para o fim do tapete azul...
Em um turbilhão confuso de letras
O poeta acompanha o passar do tempo.
O poeta não racionaliza as palavras,
Não raciocina, sente...
Os sonhadores gostariam de escrever neve
Mas não sabem como se escreve.
Sonham com o campo
Para sentir seu aroma;
Imaginam o horizonte
Mas não o encontram no distante...
São narrados nesse momento
Apenas dissentimentos.
Uma voz ecoa ao vento...
O poeta pega carona nas ondas
E envereda-se para o fim do tapete azul...
731
Sérgio Mattos
Palavra Animada
Um dia animarei
meus sonhos com um sopro
criador.
Um dia moldarei
as palavras e os poemas
só vão tratar de amor.
meus sonhos com um sopro
criador.
Um dia moldarei
as palavras e os poemas
só vão tratar de amor.
1 058
Maurício Batarce
Homenagem ao Poeta
Nos dias em que o pensamento inexiste
E que a Natureza é triste,
Precisamos do imaginário...
O poeta, através de pequenos grãos de sentimento,
Envolvidos por sons que se dissipam ao vento,
Saúda a vida, brindando-a
Com o vinho das palavras...
Consegue decifrar a mensagem divina dos versos
Através da inspiração
E floresce os campos estéreis da tristeza...
Obrigado poeta por nos apresentar
Sua contribuição valorosa,
Obrigado por nos perfumar com suas rosas.
Obrigado poeta...
E que a Natureza é triste,
Precisamos do imaginário...
O poeta, através de pequenos grãos de sentimento,
Envolvidos por sons que se dissipam ao vento,
Saúda a vida, brindando-a
Com o vinho das palavras...
Consegue decifrar a mensagem divina dos versos
Através da inspiração
E floresce os campos estéreis da tristeza...
Obrigado poeta por nos apresentar
Sua contribuição valorosa,
Obrigado por nos perfumar com suas rosas.
Obrigado poeta...
770
Maurício Batarce
Uma História de Amor
A brisa gloriosa da noite
Tocava o rosto daquele que,
Olhando para o céu,
Desmitificava as estrelas...
Uma sensação prazerosa o envolvia
E seus braços em forma de cruz
Determinavam seu estado de vida.
Ao seu lado, a mais bela,
A mais linda estrela da noite...
Cantavam as vozes dos vaga-lumes
E uma idéia em versos
Ia se formando na inspiração oculta...
Tudo era milagrosamente harmônico.
Uma face iluminou a noite
No auge de seu romantismo:
Semblante, rugas, experiência...
Humildade, carinho, amizades...
A peça teatral da vida
Se dividia em infinitos atos
E as cortinas se abriam
Para um público tão amplo
Quanto o amor dos personagens...
A atriz encenava carícias
Tão graciosas quanto a bruma noturna.
Com passos de bailarina,
Seu rosto continha uma expressão
De dó e compaixão que consumiam o ator...
No envolvimento do minuando,
Duas pombas pousaram
E captaram os pensamentos
Do ator no infinito...
Ator...Atriz...Silêncio...
As cortinas se fecham...
Tocava o rosto daquele que,
Olhando para o céu,
Desmitificava as estrelas...
Uma sensação prazerosa o envolvia
E seus braços em forma de cruz
Determinavam seu estado de vida.
Ao seu lado, a mais bela,
A mais linda estrela da noite...
Cantavam as vozes dos vaga-lumes
E uma idéia em versos
Ia se formando na inspiração oculta...
Tudo era milagrosamente harmônico.
Uma face iluminou a noite
No auge de seu romantismo:
Semblante, rugas, experiência...
Humildade, carinho, amizades...
A peça teatral da vida
Se dividia em infinitos atos
E as cortinas se abriam
Para um público tão amplo
Quanto o amor dos personagens...
A atriz encenava carícias
Tão graciosas quanto a bruma noturna.
Com passos de bailarina,
Seu rosto continha uma expressão
De dó e compaixão que consumiam o ator...
No envolvimento do minuando,
Duas pombas pousaram
E captaram os pensamentos
Do ator no infinito...
Ator...Atriz...Silêncio...
As cortinas se fecham...
1 005
Marta Gonçalves
O pássaro de Pedra
(... sucumbiremos para renascer sem calendário e roda de fiar.)
Sérgio Campos
Era dezembro. O anjo vestido de açafrão
voava na Estrada da Bica. O flamboyant
florido. O poeta recolhia o silêncio nos olhos.
Pastorava poemas o rosto perdido no tempo.
Ouvia os pardais na janela. Longe, o sonho derretendo
no último verão. O pássaro se esconde do dilúvio.
Os escorpiões estancam o relógio de marrom glacê.
O sal nas paredes, vultos alastram lembranças.
O poeta sente as vértebras soterradas. A liberdade
da mão forma concha e asas morrem no pórtico da casa.
Era dezembro. O anjo vestido de açafrão sangrou a túnica
do poeta. Levou os pardais. O vento sopra na noite os lábios
de pedra.
Vejo a tocha da poesia no caminho. Coloco âncoras,
os sinos dobram, escuto ladainhas de Ouro Preto.
A clarineta veste a alma e papoulas enfeitam nuvens.
Viaja para o equinócio. Seu corpo é o mito da linguagem.
Coloco o manto de lã repleto de memórias. O vôo leva os pardais.
Sérgio Campos
Era dezembro. O anjo vestido de açafrão
voava na Estrada da Bica. O flamboyant
florido. O poeta recolhia o silêncio nos olhos.
Pastorava poemas o rosto perdido no tempo.
Ouvia os pardais na janela. Longe, o sonho derretendo
no último verão. O pássaro se esconde do dilúvio.
Os escorpiões estancam o relógio de marrom glacê.
O sal nas paredes, vultos alastram lembranças.
O poeta sente as vértebras soterradas. A liberdade
da mão forma concha e asas morrem no pórtico da casa.
Era dezembro. O anjo vestido de açafrão sangrou a túnica
do poeta. Levou os pardais. O vento sopra na noite os lábios
de pedra.
Vejo a tocha da poesia no caminho. Coloco âncoras,
os sinos dobram, escuto ladainhas de Ouro Preto.
A clarineta veste a alma e papoulas enfeitam nuvens.
Viaja para o equinócio. Seu corpo é o mito da linguagem.
Coloco o manto de lã repleto de memórias. O vôo leva os pardais.
1 212
Marta Gonçalves
Lições de Vida
Nos lábios, secura de fome espera
o rio manso das palavras. Ando
soltando pássaros verdes e descubro
nos ninhos lições de vida. O galho
do salgueiro conversa com o vento.
No corpo, marcas de ferro. Nas cavernas,
lembranças embalsamadas.
Tudo o que escrevo está em mim.
o rio manso das palavras. Ando
soltando pássaros verdes e descubro
nos ninhos lições de vida. O galho
do salgueiro conversa com o vento.
No corpo, marcas de ferro. Nas cavernas,
lembranças embalsamadas.
Tudo o que escrevo está em mim.
1 018
Marta Gonçalves
Nuvens Brancas
Cavalos vermelhos voam no espaço
nuvens brancas desenham carneiros
o perfume da terra espera o homem
o homem quer sementes adubadas
plasmando o ar.
O poeta, de sandália azul, cobre a alma
com penas de pássaros.
nuvens brancas desenham carneiros
o perfume da terra espera o homem
o homem quer sementes adubadas
plasmando o ar.
O poeta, de sandália azul, cobre a alma
com penas de pássaros.
999
Marta Gonçalves
Cantata Para Francisco Carvalho
O mar aquece a palma da mão e verdeia a alma.
Singro a água com sentido na barca. Orquídeas
no mastro trazem a força das palavras. Girassóis.
O que somos está nos dedos. Plantamos o trigo e escutamos
o vento. São crônicas das raízes amanhando faces no sono.
Marejamos distância e velamos o arco-íris na praia.
A noite sopra o mistério do Ceará. O som do atabaque
acorda os lábios. O poeta prepara a alquimia. O galope
do Pégaso ronda montanhas e cobre de borboletas a túnica
dos serafins.
Francisco Carvalho compõe sonatas leves como asas de pássaros.
O homem dorme ao som da música. O Aquilão chega, o barco à deriva.
Punhais sangram anjos maus no fim da lua.
O sol nasce, crescem pombas. O poeta veleja imagens e coloca
tâmaras em meus olhos. Sinto a cor da poesia nos poros. Banho
de eucalipto o leito. A chuva é o bálsamo do homem.
Canto o poeta que desfolha nuvens nos dentes:
vive no pêndulo do relógio de Minas. Amadurecendo uvas.
Singro a água com sentido na barca. Orquídeas
no mastro trazem a força das palavras. Girassóis.
O que somos está nos dedos. Plantamos o trigo e escutamos
o vento. São crônicas das raízes amanhando faces no sono.
Marejamos distância e velamos o arco-íris na praia.
A noite sopra o mistério do Ceará. O som do atabaque
acorda os lábios. O poeta prepara a alquimia. O galope
do Pégaso ronda montanhas e cobre de borboletas a túnica
dos serafins.
Francisco Carvalho compõe sonatas leves como asas de pássaros.
O homem dorme ao som da música. O Aquilão chega, o barco à deriva.
Punhais sangram anjos maus no fim da lua.
O sol nasce, crescem pombas. O poeta veleja imagens e coloca
tâmaras em meus olhos. Sinto a cor da poesia nos poros. Banho
de eucalipto o leito. A chuva é o bálsamo do homem.
Canto o poeta que desfolha nuvens nos dentes:
vive no pêndulo do relógio de Minas. Amadurecendo uvas.
1 023
Marco Antônio de Souza
O Som do Poeta
O que foi feito das palavras ?
Quando voltarão a ser versos ?
O poeta perdeu a razão,
ou passou a não usá-la ?
Um ano, ou quase, do último texto !
Último texto ?
Ou último riso ?
Ou último gemido ?
Se a alegria pode ser som
porque não a tristeza... silêncio
Quando voltarão a ser versos ?
O poeta perdeu a razão,
ou passou a não usá-la ?
Um ano, ou quase, do último texto !
Último texto ?
Ou último riso ?
Ou último gemido ?
Se a alegria pode ser som
porque não a tristeza... silêncio
1 051
Majela Colares
O Soldador de Palavras
Fazer poemas é soldar palavras,
fundir o signo - literal sentido -
do verbo frio, transformado em chama,
aceso verso, pensado e medido
sob a moldura da expressão intensa
fingem palavras um som mais fingido
além, no ocaso, da sintaxe extrema,
fuga do verbo não mais definido.
Criado o texto, com idéia e tinta,
forma e figura na linguagem extinta,
quebrando regras de comuns fonemas.
A idéia é fogo. Fogo... o verbo aquece.
A tinta é solda que remenda e tece
versos, metáforas e, por fim, poemas.
fundir o signo - literal sentido -
do verbo frio, transformado em chama,
aceso verso, pensado e medido
sob a moldura da expressão intensa
fingem palavras um som mais fingido
além, no ocaso, da sintaxe extrema,
fuga do verbo não mais definido.
Criado o texto, com idéia e tinta,
forma e figura na linguagem extinta,
quebrando regras de comuns fonemas.
A idéia é fogo. Fogo... o verbo aquece.
A tinta é solda que remenda e tece
versos, metáforas e, por fim, poemas.
2 127
Mário Hélio
45-II-(Cero C C Prevaricator)
ele pensava que era poeta
e o fogo inspirador
comia-lhe as entranhas
e o fogo inspirador
comia-lhe as entranhas
859
Olympia Mahu
Inspiração
Preciso Estar comigo mesma
Me encontrar comigo para por tudo em pratos limpos novamente
Preciso encontrar o tempo que me falta
Que há muito busco, mas não procurei intensamente
Talvez por isso e aridez, a inércia, a inconstância...
Como fazer para te encontrar e te deixar comigo?
Não preciso de nada... de luz, de tempo, de paixão...
Preciso apenas encontrar-te.
Por favor, fica comigo...
Eu nada tenho a te prometer...
Apenas fica...
É tudo do que eu preciso para ser firme.
Quando estás comigo, Sou criativa, altiva, brava
Só de pensar em ti já estou repleta.
Estou livre novamente, gigante...
Feliz por te encontrar... inspiração!
Me encontrar comigo para por tudo em pratos limpos novamente
Preciso encontrar o tempo que me falta
Que há muito busco, mas não procurei intensamente
Talvez por isso e aridez, a inércia, a inconstância...
Como fazer para te encontrar e te deixar comigo?
Não preciso de nada... de luz, de tempo, de paixão...
Preciso apenas encontrar-te.
Por favor, fica comigo...
Eu nada tenho a te prometer...
Apenas fica...
É tudo do que eu preciso para ser firme.
Quando estás comigo, Sou criativa, altiva, brava
Só de pensar em ti já estou repleta.
Estou livre novamente, gigante...
Feliz por te encontrar... inspiração!
895
Mário Hélio
11-I(Formas)
vou deixar de fazer poema
para as estrelas.
hei de cantar as formas duras e abscônditas,
as formas brutas,
a fome e o desespero tão irmãos,
as pequeninas mortes, o imodelável,
as normas brancas.
o poema deve falar à alma e aos sentidos.
nós somos deuses:
deuses não destroem.
o mistério da imensidade não me ofusca,
talvez o mundo nem saiba,
e é isto o que me espanta e me exulta --
a fonte que há dentro de mim.
nós somos deuses, mas ainda não
fizemos a descoberta.
diferente de todos semelhante a todos
sou mais poderoso
todas as coisas me servem eu sou as coisas
a dor não me espanta eu sou a dor.
o homem só é grande quando constrói.
não fiz mais poema para as estéreis estrelas.
desde a última vez que te vi em vaivém com a vida
não sabias da essência forte
que habitava o teu corpo nessas noites
naquelas noites em que te fiz tão minha
que era difícil conjugar quem eu era quem tu eras
já não éramos.
teu sorriso já não encherá as salas.
a palavra resiste a alturas ainda maiores.
mas que eram os ais mulher por quem te calas,
tu sabes que eram sinfonias de amores.
ah sagrada mulher, dorme em meu peito,
talvez o mundo te desperte amanhã.
o que é a vida sem o aroma do teu leito,
sem os hinos de afagos que me entoas no afã?
cantarei simplesmente o momento esgotado
como tributo.
neste mundo jamais conceberemos as formas puras.
são as impurezas que fazem as formas belas,
e as formas são sempre figuras
real ilusão
talvez não haja a negação da negação.
não é a dignidade moral que nos faz deuses,
é o ato de criar, nos lambusar nas formas.
o mundo é maravilhoso, a vida, a criação,
tudo é uma grande massa de modelar
na aparente harmonia que rege cada coisa.
a areia da praia é a parede celular,
o zumbidoecatombe é um sussurrotrovão
e todos são irmãos
nas divisas entrevalux intervalus.
fico pensando na alma das formigas,
nas mais diversas formas do criador.
deus é um grande artista plástico,
poeta músico seresteiro de noites não pensadas.
não farei mais versos às estrelas.
elas têm o seu vate.
cantarei as nossas formas
e mais a mais
existem gritos grifando a multidão,
é preciso perseguir as coisas e alcansá-las
mudá-las moldá-las mandálas acabálas.
nenhum halo se acendera em tua cabeça.
repito que a aparente sensação de vislumbre
é só visão.
através do atrazo destes anos atrozes
são como cem deuses sem ritos sem infinitos
sem eleuses
abaixo todos os mitos.
para as estrelas.
hei de cantar as formas duras e abscônditas,
as formas brutas,
a fome e o desespero tão irmãos,
as pequeninas mortes, o imodelável,
as normas brancas.
o poema deve falar à alma e aos sentidos.
nós somos deuses:
deuses não destroem.
o mistério da imensidade não me ofusca,
talvez o mundo nem saiba,
e é isto o que me espanta e me exulta --
a fonte que há dentro de mim.
nós somos deuses, mas ainda não
fizemos a descoberta.
diferente de todos semelhante a todos
sou mais poderoso
todas as coisas me servem eu sou as coisas
a dor não me espanta eu sou a dor.
o homem só é grande quando constrói.
não fiz mais poema para as estéreis estrelas.
desde a última vez que te vi em vaivém com a vida
não sabias da essência forte
que habitava o teu corpo nessas noites
naquelas noites em que te fiz tão minha
que era difícil conjugar quem eu era quem tu eras
já não éramos.
teu sorriso já não encherá as salas.
a palavra resiste a alturas ainda maiores.
mas que eram os ais mulher por quem te calas,
tu sabes que eram sinfonias de amores.
ah sagrada mulher, dorme em meu peito,
talvez o mundo te desperte amanhã.
o que é a vida sem o aroma do teu leito,
sem os hinos de afagos que me entoas no afã?
cantarei simplesmente o momento esgotado
como tributo.
neste mundo jamais conceberemos as formas puras.
são as impurezas que fazem as formas belas,
e as formas são sempre figuras
real ilusão
talvez não haja a negação da negação.
não é a dignidade moral que nos faz deuses,
é o ato de criar, nos lambusar nas formas.
o mundo é maravilhoso, a vida, a criação,
tudo é uma grande massa de modelar
na aparente harmonia que rege cada coisa.
a areia da praia é a parede celular,
o zumbidoecatombe é um sussurrotrovão
e todos são irmãos
nas divisas entrevalux intervalus.
fico pensando na alma das formigas,
nas mais diversas formas do criador.
deus é um grande artista plástico,
poeta músico seresteiro de noites não pensadas.
não farei mais versos às estrelas.
elas têm o seu vate.
cantarei as nossas formas
e mais a mais
existem gritos grifando a multidão,
é preciso perseguir as coisas e alcansá-las
mudá-las moldá-las mandálas acabálas.
nenhum halo se acendera em tua cabeça.
repito que a aparente sensação de vislumbre
é só visão.
através do atrazo destes anos atrozes
são como cem deuses sem ritos sem infinitos
sem eleuses
abaixo todos os mitos.
936
Mário Hélio
15-V(Evangelho)
quantos poetas prováveis
inventam rimas prováveis
neste instante provável!
muitos disseram milhares de fórmulas,
mas quantos provaram
o simples sem teorias?
é isto escrever poesia?
tecer um camafeu absurdo, relativabsoluto?
morrer de medo no escuro,
escrever cartas de amor,
depois querer que a humanidade beba
esse cauim azedo?
quantos neste minuto improfíquo
gastam três minutos de alegria
num poema gasto
que depois de feito produz que efeito?
quantos tantos morrem de febre de pranto
e querem que a razão dos outros acate
esse momento tão pessoal.
quantos outros abarrotam as gavetas
de papéis manusados plenos de arabescos
a que chamam poesia.
felizmente são poucos os loucos
que cultivam esta arte mal dita poesia.
inventam rimas prováveis
neste instante provável!
muitos disseram milhares de fórmulas,
mas quantos provaram
o simples sem teorias?
é isto escrever poesia?
tecer um camafeu absurdo, relativabsoluto?
morrer de medo no escuro,
escrever cartas de amor,
depois querer que a humanidade beba
esse cauim azedo?
quantos neste minuto improfíquo
gastam três minutos de alegria
num poema gasto
que depois de feito produz que efeito?
quantos tantos morrem de febre de pranto
e querem que a razão dos outros acate
esse momento tão pessoal.
quantos outros abarrotam as gavetas
de papéis manusados plenos de arabescos
a que chamam poesia.
felizmente são poucos os loucos
que cultivam esta arte mal dita poesia.
624
Loyola Rodrigues
Ângelo Monteiro
Subterrânea voz, então desperta
do silêncio da página esquecida,
qual da concha mais íntima, ferida,
áureas cordas vibrando em cada verso
que espadanas das mãos, como os cabelos
longos dos vossos príncipes esguios
aurifluindo, em seus ombros, como rios
de protesto ou em líricos novelos
de sol cristalizado ou, mais ainda,
tal cordas de algum morto violino
há muito sepultado nos teus seios
se secreta mulher ou musa extrema
valsando, sem cessar, seu destino
sem passar dos limites do poema.
do silêncio da página esquecida,
qual da concha mais íntima, ferida,
áureas cordas vibrando em cada verso
que espadanas das mãos, como os cabelos
longos dos vossos príncipes esguios
aurifluindo, em seus ombros, como rios
de protesto ou em líricos novelos
de sol cristalizado ou, mais ainda,
tal cordas de algum morto violino
há muito sepultado nos teus seios
se secreta mulher ou musa extrema
valsando, sem cessar, seu destino
sem passar dos limites do poema.
1 073
Lourdes Cabral
Pensamentos
Meus pensamentos se estendem
além do espaço, além do tempo,
em outros caminhos abertos e luminosos.
E nesses caminhos percorrem
ciclos intensos, ilimitados.
Aproximam-se
do cicio da beleza, fascínio
do artista,
No universo colorido, vislumbram
o efeito do amor
e a sutileza da renúncia,
do sacrifício,
do heroísmo.
E, na libertação dos sentimentos,
atingem a complexidade da Vida,
a riqueza dos sonhos,
a potencialidade do Tempo...
além do espaço, além do tempo,
em outros caminhos abertos e luminosos.
E nesses caminhos percorrem
ciclos intensos, ilimitados.
Aproximam-se
do cicio da beleza, fascínio
do artista,
No universo colorido, vislumbram
o efeito do amor
e a sutileza da renúncia,
do sacrifício,
do heroísmo.
E, na libertação dos sentimentos,
atingem a complexidade da Vida,
a riqueza dos sonhos,
a potencialidade do Tempo...
806
Leopoldo Neto
Boa Vista
A natureza foi para ti bondosa
Desabrochando-te neste lavrado imenso
Pra desfilares, sobre ti mesma vaidosa
Despreocupada com o crescimento intenso!...
És a divina musa, que me faz brotar versos
A dadivosa que abriga toda gente
Acalento das tristezas e dos reversos
A namorada pura, a dona da minha mente !...
És a lira , que dá musicalidade a vidas
Afago dos desiludidos e injustiçados !...
Orquestra sinfônica dos desconsolados !...
Do norte do Brasil és a princesa
De Roraima és a receita da certeza
Que dá sucesso garantido para toda lida !...
Desabrochando-te neste lavrado imenso
Pra desfilares, sobre ti mesma vaidosa
Despreocupada com o crescimento intenso!...
És a divina musa, que me faz brotar versos
A dadivosa que abriga toda gente
Acalento das tristezas e dos reversos
A namorada pura, a dona da minha mente !...
És a lira , que dá musicalidade a vidas
Afago dos desiludidos e injustiçados !...
Orquestra sinfônica dos desconsolados !...
Do norte do Brasil és a princesa
De Roraima és a receita da certeza
Que dá sucesso garantido para toda lida !...
946
Luís Inácio Araújo
As Indefinidas Palavras
Qualquer palavra que eu te diga ou te silencie
é tão sem sentido —
para o meu poema que é só bruma
voz muda esferográfica:
e o que sobre é esse silêncio pesando sobre os corpos,
esse chumbo,
o exaurir do carbono,
o vão dos corpos.
Agora quero inventar um poema
com isso que em mim é aresta,
arpão, fratura exposta,
berro içado sobre setembro,
estilhaço, beijo esgarçado,
grifar minha mudez sem fundo
afundada de tantas palavras.
Solto o poema como uma vertigem,
desse perigo não há fuga:
a nona sinfonia arrebenta num revés de crepúsculo.
Inverter o caos da tarde em melodia
ou aceitar o que um poema fabrica
de naufrágio?
pela página?
Num lapso: me escapam o salto e o grito irisado,
e daqui fotografo o abismo em cores kodak.
Palavras desabam numa catástrofe:
quero agora o vazio das margens,
a intransferível brecha,
o vão da palavra impronunciável.
Em que poema jogar fora
as palavras onde sempre esbarro?
— Vida & Morte
Deus & Sexo —
Escrever é o que se arquiteta
do deserto de uma falta,
infância e cio,
o turvo de alguém,
antro de uma boca.
Mas o que escrevo é noite cava,
emparedamento, poço
e não cabe no estreito de nenhum poema.
É só por afronta e voracidade
que escrevo escavo: indefinidamente
até preencher com o poema
a branca ausência: impreenchível.
é tão sem sentido —
para o meu poema que é só bruma
voz muda esferográfica:
e o que sobre é esse silêncio pesando sobre os corpos,
esse chumbo,
o exaurir do carbono,
o vão dos corpos.
Agora quero inventar um poema
com isso que em mim é aresta,
arpão, fratura exposta,
berro içado sobre setembro,
estilhaço, beijo esgarçado,
grifar minha mudez sem fundo
afundada de tantas palavras.
Solto o poema como uma vertigem,
desse perigo não há fuga:
a nona sinfonia arrebenta num revés de crepúsculo.
Inverter o caos da tarde em melodia
ou aceitar o que um poema fabrica
de naufrágio?
pela página?
Num lapso: me escapam o salto e o grito irisado,
e daqui fotografo o abismo em cores kodak.
Palavras desabam numa catástrofe:
quero agora o vazio das margens,
a intransferível brecha,
o vão da palavra impronunciável.
Em que poema jogar fora
as palavras onde sempre esbarro?
— Vida & Morte
Deus & Sexo —
Escrever é o que se arquiteta
do deserto de uma falta,
infância e cio,
o turvo de alguém,
antro de uma boca.
Mas o que escrevo é noite cava,
emparedamento, poço
e não cabe no estreito de nenhum poema.
É só por afronta e voracidade
que escrevo escavo: indefinidamente
até preencher com o poema
a branca ausência: impreenchível.
879