Poemas neste tema
Saudade e Ausência
Mário Donizete Massari
Fragmento
de estrelas
e o silêncio da noite
há de espargir lágrimas
de meus olhos
Poderei eu ver as estrelas?
Triste será a noite com certeza
pois feriu-me a poesia do amor
Quão belo seria a noite
e as estrelas
se não me faltasse
esse fragmento de vida
e o silêncio da noite
há de espargir lágrimas
de meus olhos
Poderei eu ver as estrelas?
Triste será a noite com certeza
pois feriu-me a poesia do amor
Quão belo seria a noite
e as estrelas
se não me faltasse
esse fragmento de vida
964
Mário Donizete Massari
Sinos
Os sinos batem
e bate em meu peito
uma dor profunda
Outrora, este sinos
me pareciam amigos
anunciando com a morte
o nascimento do mundo
Mas hoje, eles batem
E a minha dor é profunda
a dor de perder,
parte do meu mundo.
e bate em meu peito
uma dor profunda
Outrora, este sinos
me pareciam amigos
anunciando com a morte
o nascimento do mundo
Mas hoje, eles batem
E a minha dor é profunda
a dor de perder,
parte do meu mundo.
946
Mário Donizete Massari
Cais
O cais é o fim
e o início
chegada e ponto de partida.
Abraça as ondas,
recolhe navios
e retém vez ou outra
pedaços de vida
(uma saudade que fica)
Hoje o mar está calmo
E o cais medita
(penso na vida)
refaço os erros
do dia a dia.
Náufrago das horas
sou como o cais,
da eterna reconstrução
da vida.
Um bem estar me habita.
Sou no cais um
porto seguro
e me sinto forte e íntegro.
e o início
chegada e ponto de partida.
Abraça as ondas,
recolhe navios
e retém vez ou outra
pedaços de vida
(uma saudade que fica)
Hoje o mar está calmo
E o cais medita
(penso na vida)
refaço os erros
do dia a dia.
Náufrago das horas
sou como o cais,
da eterna reconstrução
da vida.
Um bem estar me habita.
Sou no cais um
porto seguro
e me sinto forte e íntegro.
966
Mário Donizete Massari
Longa noite curta
O apito de um guarda noturno
O barulho de um cão que ladra à[distância
Um bêbado dizendo asneiras
O grilo entoa seu canto
A coruja desfaz seu encanto
O motor de um carro passando
O vagalume clareia o espaço
A borboleta pousa na flor
Os homens fazem amor
Nessa longa noite curta
Meu pensamento é você
O barulho de um cão que ladra à[distância
Um bêbado dizendo asneiras
O grilo entoa seu canto
A coruja desfaz seu encanto
O motor de um carro passando
O vagalume clareia o espaço
A borboleta pousa na flor
Os homens fazem amor
Nessa longa noite curta
Meu pensamento é você
551
Mário Beirão
Moda Alentejana
A ribeira do Xacafre
Vai rasa dos meus cuidados:
No escuro das águas tristes,
Há laivos ensanguentados…
Ó meus olhos, ó meus olhos,
— Noite e dia — que estais vendo?
A ribeira do Xacafre,
Da minha alma discorrendo!
Na ribeira do Xacafre,
uma voz suspira fundo:
A voz da minha saudade,
A despedir-se do Mundo!
Aldeia de Montes Velhos
Não posso querer-te mais:
És a luz do sol-nascente,
Abrindo, em flor, nos meus ais!
Aldeia de Montes Velhos,
És sempre luz de alvorada,
És sempre rosa do altar
Da chama duma «queimada»!
Eu hei-de florir na urze,
Arder no vento «suão»,
Lá, na Charneca das Naves,
Mar alto da Solidão! —
Vai rasa dos meus cuidados:
No escuro das águas tristes,
Há laivos ensanguentados…
Ó meus olhos, ó meus olhos,
— Noite e dia — que estais vendo?
A ribeira do Xacafre,
Da minha alma discorrendo!
Na ribeira do Xacafre,
uma voz suspira fundo:
A voz da minha saudade,
A despedir-se do Mundo!
Aldeia de Montes Velhos
Não posso querer-te mais:
És a luz do sol-nascente,
Abrindo, em flor, nos meus ais!
Aldeia de Montes Velhos,
És sempre luz de alvorada,
És sempre rosa do altar
Da chama duma «queimada»!
Eu hei-de florir na urze,
Arder no vento «suão»,
Lá, na Charneca das Naves,
Mar alto da Solidão! —
1 354
Max Diniz Cruzeiro
A distância, distanciam-se pensamentos
A distância, distanciam-se pensamentos
Aproximam-se emoções, redescobrem-se pensamentos
Exilar-se é preciso, viver é preciso
Amar é necessário...
Perdem-se e conquistam terras,
ganha-se poder, adquire-se fama
Mas nada pode se comparar
a alegria de tê-la ao lado meu
Exílio da Pátria mãe,
algo doloroso
Exílio de você,
algo penoso,
letal...mortal
Aproximam-se emoções, redescobrem-se pensamentos
Exilar-se é preciso, viver é preciso
Amar é necessário...
Perdem-se e conquistam terras,
ganha-se poder, adquire-se fama
Mas nada pode se comparar
a alegria de tê-la ao lado meu
Exílio da Pátria mãe,
algo doloroso
Exílio de você,
algo penoso,
letal...mortal
720
Marta Gonçalves
Noite
Tenho nos olhos suas mãos
olhando açucenas na jarra.
O tempo vai multiplicar a noite.
olhando açucenas na jarra.
O tempo vai multiplicar a noite.
1 018
Marta Gonçalves
Sutilezas
Brinco com seus lábios
já ausentes de meus olhos.
Imagino o relógio de sol
marcando peles brancas.
Lembranças envolvem sutilezas
que suas mãos ofereciam.
Doçuras carregam água de geleiras
e em cada verso que te oferto vejo
minha morte.
já ausentes de meus olhos.
Imagino o relógio de sol
marcando peles brancas.
Lembranças envolvem sutilezas
que suas mãos ofereciam.
Doçuras carregam água de geleiras
e em cada verso que te oferto vejo
minha morte.
1 015
Marta Gonçalves
O Retrato
(Em memória de Teresinha, minha irmã, em seu aniversário).
Na tarde o perfume da gardênia
os sóis entrando na vidraça.
O retrato navega no oceano
com olhos de tempestade.
Nasce uma rosa em março
nascem passos de ausência
na alma.
Na cristaleira o licor
o licor guardado
na interminável partida.
Vieste alimentar os pássaros
no alpendre
vieste guarnecer de lágrima os olhos.
Há dias preparo as paredes
preparo a cadeira marrom
preparo a carcaça.
Tua figura traz uma mensagem
que se desfaz no espaço
no vento.
O afeto o afeto
devassa os elementos do ser.
Resta o verão o jardim os violinos
o desespero do rosto
que jamais veremos.
Na tarde o perfume da gardênia
os sóis entrando na vidraça.
O retrato navega no oceano
com olhos de tempestade.
Nasce uma rosa em março
nascem passos de ausência
na alma.
Na cristaleira o licor
o licor guardado
na interminável partida.
Vieste alimentar os pássaros
no alpendre
vieste guarnecer de lágrima os olhos.
Há dias preparo as paredes
preparo a cadeira marrom
preparo a carcaça.
Tua figura traz uma mensagem
que se desfaz no espaço
no vento.
O afeto o afeto
devassa os elementos do ser.
Resta o verão o jardim os violinos
o desespero do rosto
que jamais veremos.
1 050
Marta Gonçalves
O canário da Menina
Menina na calçada olhava os passarinhos
Seu Lolô, de gravata borboleta, descia a rua:
Vou trazer um canário pra menina.
Na avenida, o bonde passava, a enxurrada passava.
Tempo de manga, tempo de goiaba, tempo de papagaios.
Menina na calçada, seu Lolô descendo a rua.
No amor, a menina bateu asas.
Voou nos rostos. Beijou faces.
Sonhou com o mar. Descobriu o infinito vôo
da gaivota.
Tanto passarinho tantos vôos tanta saudade.
Seu Lolô, de gravata borboleta, descia a rua:
Vou trazer um canário pra menina.
Na avenida, o bonde passava, a enxurrada passava.
Tempo de manga, tempo de goiaba, tempo de papagaios.
Menina na calçada, seu Lolô descendo a rua.
No amor, a menina bateu asas.
Voou nos rostos. Beijou faces.
Sonhou com o mar. Descobriu o infinito vôo
da gaivota.
Tanto passarinho tantos vôos tanta saudade.
1 109
Marta Gonçalves
Mar Interior
O veleiro se perde no mar. No mastro,
cicatrizes do rosto. Espero a maré.
A volta da vela branca purificando
os olhos.
No horizonte o azul estagnado.
A ternura do tempo das amêndoas.
O beijo ficou além da geografia
e crucificou o lábio seco.
Sou marinheira do cansaço, da aceitação.
O desamor toma conta do mar interior.
Salgo a retina na água verde. O vazio
contorna os dedos. Dedos esquecidos do calor.
O que existe além dos nossos olhos?
Uma flor branca esperando o branco dente.
O exílio se alonga e a vida é cardume.
Há de chegar o vento. A imensidão dos anos.
Pouso da terra.
cicatrizes do rosto. Espero a maré.
A volta da vela branca purificando
os olhos.
No horizonte o azul estagnado.
A ternura do tempo das amêndoas.
O beijo ficou além da geografia
e crucificou o lábio seco.
Sou marinheira do cansaço, da aceitação.
O desamor toma conta do mar interior.
Salgo a retina na água verde. O vazio
contorna os dedos. Dedos esquecidos do calor.
O que existe além dos nossos olhos?
Uma flor branca esperando o branco dente.
O exílio se alonga e a vida é cardume.
Há de chegar o vento. A imensidão dos anos.
Pouso da terra.
1 181
Maria Aparecida Reis Araújo
Domínios da Casa
É esta nitidez abrindo
lentamente as portas
ao encontro das horas.
Cheiro de sol em pomares e vinhos.
Acordes nas bordas de um cálice
desfiando memória no tempo.
Território de vidas a casa
é um canto explícito de ausências.
Reacendendo chamas aquecendo o coração.
lentamente as portas
ao encontro das horas.
Cheiro de sol em pomares e vinhos.
Acordes nas bordas de um cálice
desfiando memória no tempo.
Território de vidas a casa
é um canto explícito de ausências.
Reacendendo chamas aquecendo o coração.
899
Marta Gonçalves
O Adeus de Pituca
Pituca chegou como uma semente de sol. Era mansa, peluda. Os olhos, de ferrugem. Crescia Pituca nas manhãs de chuva. Crescia o riso nos lábios de Gerlanda. Tantas foram as gracinhas de Pituca. Conhecia as mãos de sua dona, o coração, a lágrima. Se a alma era cinza de Gerlanda, a de Pituca suspirava pelos cantos da casa. Havia um olhar sofrido no olho amarelo de Pituca vendo os sonhos desfeitos de sua dona. Pituca amava. Ouvia música. Imaginava um mundo melhor navegado de cardumes vermelhos. Andava claudicando e arranhava as portas. Pituca era a estrela de mercúrio. Pássaro sem asas, borboleta marrom na janela. Carinhos, conversas no adentrado da noite. Companheira de um tempo perdido. O biscoito mordido, brinquedo de Pituca. Segredos marcados no ponteiro do relógio. A melodia do fim amanhou a doença. O amor era verde no coração de Pituca. Amor que só os cães trazem no afago. Gerlanda guardava na concha das mãos o choro, o latido, o andar, o riso, o pelo de Pituca. Foram idades, aniversários, Natais, Pituca.
Abril mês charmoso, cativante. Mês de flores, quaresmeiras, ipês amarelos. Mês em que o sol aquece a face e banha de alfazema a pele. Mês escolhido para a canção de despedida. Em abril Pituca se foi ao país dos duendes. Deixou lembranças, um choro doído, um aperto no coração de Gerlanda. Anjinhos lilases tocavam blues e Pituca levava no corpo o mundo de Gerlanda.
No inverno o vento traz o choro vestido de ausência.
Pituca habita uma estrela azul e sonha
com Gerlanda.
Abril mês charmoso, cativante. Mês de flores, quaresmeiras, ipês amarelos. Mês em que o sol aquece a face e banha de alfazema a pele. Mês escolhido para a canção de despedida. Em abril Pituca se foi ao país dos duendes. Deixou lembranças, um choro doído, um aperto no coração de Gerlanda. Anjinhos lilases tocavam blues e Pituca levava no corpo o mundo de Gerlanda.
No inverno o vento traz o choro vestido de ausência.
Pituca habita uma estrela azul e sonha
com Gerlanda.
1 192
Maria Aparecida Reis Araújo
Distância
Sol de memória
na incógnita das horas.
Ruídos na pele expectante
e olhos transidos de espera.
No ouro das molduras
fios de ausência perdidos
no mosaico de lembranças.
Buscam o rosto distante.
na incógnita das horas.
Ruídos na pele expectante
e olhos transidos de espera.
No ouro das molduras
fios de ausência perdidos
no mosaico de lembranças.
Buscam o rosto distante.
903
Marigê Quirino Marchini
Sonetos Venezianos
Melhora Amor, sorrindo, amor que tenho:
deste resto salino de lembranças
forma lagunas e o molhado lenho,
gôndolas que antecipam as bonanças;
do som e acorde, cores e aláude,
faz um quarteto de perfeita dor,
por onde, navegando em beatitude
de Veneza, em acústico langor
as vibrações nos ares geram paz,
vitrais em claridade bizantina
- abre-se o sol em círculos, refaz,
de lembranças salinas, de saudade,
Amor se espelha nágua cristalina,
dourados picos, rútila cidade.
deste resto salino de lembranças
forma lagunas e o molhado lenho,
gôndolas que antecipam as bonanças;
do som e acorde, cores e aláude,
faz um quarteto de perfeita dor,
por onde, navegando em beatitude
de Veneza, em acústico langor
as vibrações nos ares geram paz,
vitrais em claridade bizantina
- abre-se o sol em círculos, refaz,
de lembranças salinas, de saudade,
Amor se espelha nágua cristalina,
dourados picos, rútila cidade.
1 101
Marcelo Almeida de Oliveira
Viagem
Enxuga o choro, amor
conserva a chama
enxerga a chance
enxagua o olho
no meu retorno
pro seu chamego.
conserva a chama
enxerga a chance
enxagua o olho
no meu retorno
pro seu chamego.
902
Mário Hélio
2 - II (Avis rara)
ser vontade de pássaro,
as asas adejar pelo infinito crocitante
e acenar aos mecenas de saturno
que eu também vôo!
mas é a fala que cala,
resvala no último ogro que há.
força mágica que assassina as estrelas,
riso de fogo que incendeia a alma,
no entanto feroz vejo-te calma,
e me olhas, eu te olho, e nos olhamos
num olhar patético e néscio até.
eu poderia dizer da tua voz doce e mansa
sáltria divina cavatina de delírio
sei porém que inadvertida
pela imagem da força da distância
irá impelida pelo amargor que envolve toda vida,
e tua boca que ora ri e me deleita
se abrirá como em rictus selvagem
sinto e pressinto
que ferirá minhalma
que busca a tua qual orfeu a amada
o teu olhar em negra claridade
ofuscando os sóis.
as asas adejar pelo infinito crocitante
e acenar aos mecenas de saturno
que eu também vôo!
mas é a fala que cala,
resvala no último ogro que há.
força mágica que assassina as estrelas,
riso de fogo que incendeia a alma,
no entanto feroz vejo-te calma,
e me olhas, eu te olho, e nos olhamos
num olhar patético e néscio até.
eu poderia dizer da tua voz doce e mansa
sáltria divina cavatina de delírio
sei porém que inadvertida
pela imagem da força da distância
irá impelida pelo amargor que envolve toda vida,
e tua boca que ora ri e me deleita
se abrirá como em rictus selvagem
sinto e pressinto
que ferirá minhalma
que busca a tua qual orfeu a amada
o teu olhar em negra claridade
ofuscando os sóis.
810
Mário Hélio
6 - VI (Clariluz)
ontem à noite
eu vi teu espírito sobrevoar a cidade
e apagar silenciosamente
todas as luzes.
eu vi teu espírito sobrevoar a cidade
e apagar silenciosamente
todas as luzes.
1 014
Luciano Matheus Tamiozzo
Fim
É o fim...
Eu vim de um sonho
E para este sonho
Eu voltarei.
Não me procures
Pois contigo estarei
Povoando tua mente,
Teus sonhos de rei.
Estou desaparecendo,
Entre brumas e névoas
Eu vou sumir...
Me procure nos sonhos,
Lá sempre estarei,
Lá sempre ficarei.
Eu vim de um sonho
E para este sonho
Eu voltarei.
Não me procures
Pois contigo estarei
Povoando tua mente,
Teus sonhos de rei.
Estou desaparecendo,
Entre brumas e névoas
Eu vou sumir...
Me procure nos sonhos,
Lá sempre estarei,
Lá sempre ficarei.
1 027
Luiz Pimenta
O Jardim de Geralda
O Jardim de Geralda
Para minha querida sogra
Tenho quase certeza que
o van Gogh
conheceu o jardim de Geralda,
antes mesmo
dele ter existido.
O jardim de Geralda
sempre foi uma explosão.
Tem lírio,
tem antúrio...
Tem brinco-de-princesa
plantado
dentro do pneu.
Tem buganvília,
tem até...
amor-perfeito.
Tem tudo,
bem misturado,
assim como
é a vida.
Cadê você Geralda,
para cuidar do nosso jardim?
BH 10/01/97
Para minha querida sogra
Tenho quase certeza que
o van Gogh
conheceu o jardim de Geralda,
antes mesmo
dele ter existido.
O jardim de Geralda
sempre foi uma explosão.
Tem lírio,
tem antúrio...
Tem brinco-de-princesa
plantado
dentro do pneu.
Tem buganvília,
tem até...
amor-perfeito.
Tem tudo,
bem misturado,
assim como
é a vida.
Cadê você Geralda,
para cuidar do nosso jardim?
BH 10/01/97
1 022
Luiz de Aquino
Alguém, se Não Vieres
Alguém, se Não Vieres
Eu preciso que me olhes nos olhos
e decifres a angústia
que te atrai e me tortura.
Eu preciso te dizer certas coisas
que se calaram em mim quando te vi
na manhã imprevista
e indecisa,
mas dizer estas coisas custa ânsias
incontroláveis.
Eu preciso de vez que te chegues a mim
e não me digas bom-dia
e nem me cobres os dias e noites
da nossa ausência.
Eu preciso de alguém
que converse comigo
no amanhecer.
Eu preciso que me olhes nos olhos
e decifres a angústia
que te atrai e me tortura.
Eu preciso te dizer certas coisas
que se calaram em mim quando te vi
na manhã imprevista
e indecisa,
mas dizer estas coisas custa ânsias
incontroláveis.
Eu preciso de vez que te chegues a mim
e não me digas bom-dia
e nem me cobres os dias e noites
da nossa ausência.
Eu preciso de alguém
que converse comigo
no amanhecer.
992
João Linneu
Cana
É o começo da safra o corte na pernabote de jararacaguizo de cascavel.
É o frio da madrugadaa azia da tardecalor dos infernosa garapa gelada.
É o moer da moendaa pinga benditao ganho do donogavião de atalaia.
É a dor nas costasventania no rostorabeira de caminhãoo barranco da estrada.
É no fio do facão bagaço da canatouceira de socaaçúcar mascavo.
É a fumaça nos olhosfuligem no arum golpe de vento cheiro do restilo.
É a menina em casavelando a caçulaa doçura da canao travo da pinga.
É o suor escorrendoa vida vertendoa moenda moendoa cãibra da noite.
É o pouco sonocagando na moitao choro do filhoamando em silencio.
É a cachaça diária o tapa na filhao ranho do netopileque de domingo.
É uma curva de nívelestrepe na mãoum caco de dentepedaços de gente.
É um jeito de corpochuva de ventoo barro vermelho ruflar de lagarto.
É o bicho-de-péo coró da madeirapedra de fogochuva de estrelas.É o olho-dáguaum pé de ventoo fogo de encontro a coivara.
É uma manga de veza broca da canao berne na carneo sol no cangote
É a saudade, é a saudade da lida com porcodo ciscar da galinhada horta de couveda polenta em feta é a saudade, é a saudadeda panceta da porcada canga do boida pamonha na palhada canjica da tardeé a saudade, é a saudadedo leite de éguada curva do rioda prosa da noite do pé-de-molequeé a saudade, é a saudadedo fumo de corda pão de torresmo do borralho do fornoreza e catira.é a saudade , é a saudade.
É o frio da madrugadaa azia da tardecalor dos infernosa garapa gelada.
É o moer da moendaa pinga benditao ganho do donogavião de atalaia.
É a dor nas costasventania no rostorabeira de caminhãoo barranco da estrada.
É no fio do facão bagaço da canatouceira de socaaçúcar mascavo.
É a fumaça nos olhosfuligem no arum golpe de vento cheiro do restilo.
É a menina em casavelando a caçulaa doçura da canao travo da pinga.
É o suor escorrendoa vida vertendoa moenda moendoa cãibra da noite.
É o pouco sonocagando na moitao choro do filhoamando em silencio.
É a cachaça diária o tapa na filhao ranho do netopileque de domingo.
É uma curva de nívelestrepe na mãoum caco de dentepedaços de gente.
É um jeito de corpochuva de ventoo barro vermelho ruflar de lagarto.
É o bicho-de-péo coró da madeirapedra de fogochuva de estrelas.É o olho-dáguaum pé de ventoo fogo de encontro a coivara.
É uma manga de veza broca da canao berne na carneo sol no cangote
É a saudade, é a saudade da lida com porcodo ciscar da galinhada horta de couveda polenta em feta é a saudade, é a saudadeda panceta da porcada canga do boida pamonha na palhada canjica da tardeé a saudade, é a saudadedo leite de éguada curva do rioda prosa da noite do pé-de-molequeé a saudade, é a saudadedo fumo de corda pão de torresmo do borralho do fornoreza e catira.é a saudade , é a saudade.
969
Tânia Regina
Sua Falta
Olhando para o céu
Consigo pensar em você
Com a brisa
Consigo sentir você
A cada dia que passa
A cada hora que voa
Sinto sua falta....
Olhando para o mar
Consigo pensar em você
Com o brilho da lua
Consigo enxergar você
Consigo pensar, enxergar
sentir,...
Só não consigo te tocar....
Olhando para o céu e o mar
Penso em algum dia te encontrar...
E quando meu sonho
Finalmente se realizar
Pretendo com você ficar
Nas alegrias e tristezas
Amando e sendo amada!!!!
Consigo pensar em você
Com a brisa
Consigo sentir você
A cada dia que passa
A cada hora que voa
Sinto sua falta....
Olhando para o mar
Consigo pensar em você
Com o brilho da lua
Consigo enxergar você
Consigo pensar, enxergar
sentir,...
Só não consigo te tocar....
Olhando para o céu e o mar
Penso em algum dia te encontrar...
E quando meu sonho
Finalmente se realizar
Pretendo com você ficar
Nas alegrias e tristezas
Amando e sendo amada!!!!
920
Lúcio José Gusman
O adormecido
Agora tenho sede e meu amor é como água.
Venho do distante de uns olhos escuros.
Agora sou do fundo do reino dos adormecidos;
só lá me reconheço e me encontro com minha alma.
A noite rói a bicadas o que resta do meu coração
e me bebe o sangue o sol escuro dos adormecidos;
ando morto de sede e toco um sino
para chamar a água tênue que me ama.
Eu sou o esquecido. Quero um ramo d’água,
quero uma fresca margem de areia enternecida,
quero esperar uma flor de nome celestial
para me calar com ela apoiada no peito,
as mãos cruzadas e um terno preto,
como se costuma usar...
Ninguém poderá roubar-me, então, um beijo, um olhar!
Nem sequer a morte poderá apagar este perfume.
Irei coberto de desilusões e a fosforescência que se verá,
será a do desespero dos esquecidos...
Venho do distante de uns olhos escuros.
Agora sou do fundo do reino dos adormecidos;
só lá me reconheço e me encontro com minha alma.
A noite rói a bicadas o que resta do meu coração
e me bebe o sangue o sol escuro dos adormecidos;
ando morto de sede e toco um sino
para chamar a água tênue que me ama.
Eu sou o esquecido. Quero um ramo d’água,
quero uma fresca margem de areia enternecida,
quero esperar uma flor de nome celestial
para me calar com ela apoiada no peito,
as mãos cruzadas e um terno preto,
como se costuma usar...
Ninguém poderá roubar-me, então, um beijo, um olhar!
Nem sequer a morte poderá apagar este perfume.
Irei coberto de desilusões e a fosforescência que se verá,
será a do desespero dos esquecidos...
893