Citações neste tema
Literatura e Palavras
Karl Kraus
O homem que não pensa, pensa que só temos um pensamento quando o temos e o vestimos com palavras. Ele não compreende que na verdade só o tem aquele que tem a palavra dentro da qual o pensamento cresce.
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Karl Kraus
Que para o artista e para o pensamento valham o dito de Nestroy: “Fiz um prisioneiro e ele não me larga mais”.
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Karl Kraus
Por que o público é tão insolente em relação à literatura? Porque ele domina a língua. As pessoas se atreveriam exatamente da mesma maneira em relação às outras artes caso se dirigir cantando aos demais, lambuzar-se com tinta ou atirar gesso fossem meios de comunicação. A desgraça está justamente no facto de a arte da palavra trabalhar a partir de um material que passa todo dia pelas mãos da ralé. É por isso que a literatura não tem mais salvação. Quanto mais ela se afasta da compreensibilidade, tanto maior é a impertinência com que o público reclama o seu material. O melhor seria esconder a literatura do público até entrar em vigor uma lei que proíba as pessoas de usarem a linguagem coloquial e apenas lhes permita fazer uso de uma linguagem de sinais em casos de urgência. Mas até que essa lei entre em vigor, elas poderiam ter aprendido a responder à ária “Como vão os negócios?” com uma natureza morta.
65
Karl Kraus
Há imitadores de originais. Quando dois têm um pensamento, ele não pertence àquele que o teve antes, mas àquele que o tem melhor.
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Karl Kraus
Pode-se traduzir um editorial, mas não um poema. É verdade que se pode atravessar a fronteira nu, mas não sem pele, pois ao contrário da roupa, ela não volta a crescer.
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Karl Kraus
Uma obra da língua traduzida em outra língua: alguém que atravessa a fronteira sem sua pele e do outro lado veste o traje típico do país.
77
Karl Kraus
As minhas palavras nas mãos de um jornalista são piores do que aquilo que ele próprio pode escrever. Para que, portanto, o aborrecimento de citar? Eles acreditam que podem oferecer provas de um organismo. Para mostrar que uma mulher é bonita, arrancam-lhe os olhos. Para mostrar que a minha casa é habitável, colocam a minha varanda sobre as suas calçadas.
75
Karl Kraus
Contra isso, a tendência deslocadora de valores do jornalismo nada pode fazer. Ele pode dar certificados de garantia válidos por um século para os relógios aos quais dá corda: eles já estão parados quando o comprador saiu da loja. O relojoeiro diz que a culpa é do tempo, e não do relógio, e gostaria de fazer aquele parar a fim de salvar a reputação do relógio. Ele fala mal da hora ou a condena a um silêncio de morte. Mas o génio da hora segue em frente e faz amanhecer e anoitecer, embora o mostrador queira outra coisa. Quando ele bate dez horas e mostra onze, podemos contar que é meio-dia, e o sol dá risada dos relojoeiros ofendidos.
63
Karl Kraus
O pintor tem em comum com o pintor de paredes o facto de sujar as mãos. Precisamente isso distingue o escritor do jornalista.
68
Karl Kraus
Um folhetinista — um corretor. O corretor também precisa ser rápido e conhecer a língua a fundo. Por que não o incluímos na literatura? A vida possui compartimentos. Aquele pode familiarizar-se com este e este com aquele, todos com todos. A fortuna é cega. Os acasos determinam o homem. Sabemos, por certo, o que somos, mas não sabemos o que poderemos vir a ser. Por que incluímos justamente o folhetinista na literatura?
65
Karl Kraus
Os jornalistas escrevem porque não têm nada a dizer, e têm algo a dizer porque escrevem.
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Karl Kraus
Na linguagem erótica também há metáforas. O analfabeto as chama de perversões. Ele abomina o poeta.
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