Citações neste tema
Literatura e Palavras
Luis Fernando Verissimo
A fruta é um estratagema da árvore para proteger a semente. A fruta é uma etapa, não é o fim. A própria fruta, se soubesse a importância que nós lhe damos, enrubesceria como uma maçã na sua modéstia. (Cf. Banana)
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Luis Fernando Verissimo
Nunca entendi a expressão “papas na língua”. Sempre a achei vagamente anticlerical.
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Luis Fernando Verissimo
A má literatura é a literatura em estado puro, intocada por distrações como estilo, invenção, graça ou significado, reduzida apenas ao ímpeto de escrever.
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Luis Fernando Verissimo
Faz parte da arte de escrever a distribuição sagaz de espaços abertos, como os jardins nas casas. Assim respira o texto e respira o leitor. Toda arquitetura, de pedra ou palavra, deve ter aberturas bem-postas por onde circule o ar e cure-se a opressão. (Cf. Clareza)
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Luis Fernando Verissimo
Nunca um nome descreveu uma coisa tão bem. O próprio comprimento da palavra é descritivo, você vê “espreguiçadeira” no papel e está vendo a cadeira aberta e espichada, você deitado nela com a cabeça para trás e as pernas estendidas.
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Luis Fernando Verissimo
Não sei quem me influenciou. Talvez meu pai, que foi um dos primeiros a escrever com a informalidade que também busco.
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Luis Fernando Verissimo
A morte do livro vem sendo preconizada há tempos, e nunca acontece. É uma das mais longas agonias de que se tem notícia. Só vou aceitar os e-books quando tiverem cheiro de livro.
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Luis Fernando Verissimo
é uma conjunção importantíssima. Sem o E, muitas frases ficariam ininteligíveis, dificultando a comunicação entre as pessoas. Em compensação, não existiriam as duplas caipiras.
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Luis Fernando Verissimo
AH : Interjeição, usada para indicar espanto, admiração, medo. Curiosamente, também são as iniciais de Alfred Hitchcock. (Cf. Hitchcock)
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Luis Fernando Verissimo
Os computadores eliminaram o que o escritor tem de mais pessoal e enternecedor, seus erros de ortografia. O meu não se recusa a aceitar a palavra errada, mas a sublinha em vermelho, escandalizado, e tenho certeza de que precisa se controlar para não apitar ou fazer quá-quá-quá.
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Luis Fernando Verissimo
Escrever bem é escrever claro, não necessariamente certo. Por exemplo: dizer “escrever claro” não é certo, mas é claro, certo? (Cf. Ofício)
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Luis Fernando Verissimo
Lembro-me da decepção que foi ouvir uma gravação do T.S. Eliot declamando seus próprios poemas. Era uma leitura tão diferente da minha, silenciosa, que concluí que ele não entendia o que tinha escrito.
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Luis Fernando Verissimo
A citação falsa dá a impressão de erudição, mas dispensa a erudição. Na frase de Sartre: “A aparência precede a essência. A não ser nos casos em que isto não acontece. Sei lá”.
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Luis Fernando Verissimo
Alguma coisa aconteceu na poética nacional quando, no “Dois pra lá, dois pra cá”, dele e do João Bosco, o Aldir Blanc falou naquela ponta de um torturante band-aid no calcanhar da moça que gostava de uísque com guaraná. O band-aid no calcanhar vale um compêndio de sociologia suburbana. (Cf. Bic)
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Luis Fernando Verissimo
A Bíblia tem tudo para acompanhar uma insônia: enredo fantástico, grandes personagens, romance, o sexo em todas as suas formas, ação, paixão, violência — e uma mensagem positiva.
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Johann Wolfgang von Goethe
Depois de Klopstock nos ter libertado da rima, e de Voss nos ter dado modelos de prosa, será que vamos voltar a fazer versos burlescos como Hans Sachs?
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Johann Wolfgang von Goethe
A arte é um meio que nenhuma língua consegue pronunciar; e assim parece uma loucura tentar transmitir de novo o seu significado por meio de palavras. Mas, ao tentar fazê-lo, a compreensão ganha; e isto, mais uma vez, beneficia a faculdade na prática.
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Johann Wolfgang von Goethe
Esta é a razão pela qual a Bíblia nunca perderá o seu poder; porque, enquanto o mundo durar, ninguém pode levantar-se e dizer: eu compreendo-a como um todo e compreendo todas as suas partes. Mas dizemos humildemente: como um todo, é digna de respeito, e em todas as suas partes é apropriada.
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Johann Wolfgang von Goethe
O valor característico das chamadas baladas populares é o facto de os seus motivos serem extraídos diretamente da natureza. No entanto, esta é uma vantagem da qual o poeta da cultura também poderia beneficiar, se soubesse como o fazer.
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Johann Wolfgang von Goethe
Shakespeare é uma leitura perigosa para os talentos emergentes: ele obriga-os a reproduzirem-no, e eles imaginam que estão a produzir-se a si mesmos.
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Johann Wolfgang von Goethe
Henrique IV, de Shakespeare. Se tudo o que nos foi preservado deste tipo de escrita se perdesse, as artes da poesia e da retórica poderiam ser completamente restauradas a partir desta peça.
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