Citações neste tema
Silêncio
Machado de Assis
Provavelmente o leitor já teve notícia do microfone, um instrumento que dá maior intensidade ao som e permite ouvir, ao longe, muito longe, até o voo de um mosquito. Leram bem: um mosquito. Não tarda outro que nos faça ouvir o germinar de uma planta e até o alvorecer de uma ideia. Talvez cheguemos à perfeição de escutar o silêncio.
43
Luis Fernando Verissimo
Nenhum silêncio é mais denso e opressivo do que o silêncio de um elevador.
41
Johann Wolfgang von Goethe
Da boa sociedade costumava ser dito: o seu discurso instrui a mente, e o seu silêncio os sentimentos.
49
Johann Wolfgang von Goethe
Mantenho o silêncio sobre muitas coisas, pois não quero desconcertar as pessoas; e fico muito contente se gostarem de coisas que me enervam.
31
Padre António Vieira
Assim como o licor precioso, se a boca da redoma não está tapada, exala e evapora o cheiro, e perde a virtude; assim a paciência de nenhum modo se conserva na sua perfeição, se o silêncio constante lhe não tapa e emudece a boca, porque só padecendo e calando há verdadeira paciência.
54
Padre António Vieira
A pintura tem cores e sombras, claros e escuros; e tanto se descobre a soberania do seu espírito no claro do que diz, como no escuro do que cala.
45
Mário Quintana
Quando fazemos tombar a cinza do cigarro sentimo-nos ainda no tempo do cinema silencioso.
48
Mário Quintana
“Aterroriza-me o silêncio eterno desses espaços infinitos...” — escreveu Pascal. Será por isso que fazemos tanto barulho?
46
Mário Quintana
Pousou agora mesmo — precisamente sobre a velha caneta que eu havia erguido um momento à cata de um adjetivo — um insetozinho verde que tem a forma exata de um escudo. Veio da noite, atraído pela luz da minha janela. Sua gentil visita me compensa não sei de quê. Fico a examiná-lo em silêncio: nada posso nem sei dizer-lhe. E assim nos quedamos por um breve instante, frementes, incomunicáveis e juntos... Dois universos dentro do mesmo mundo.
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Mário Quintana
As persianas, entrefechadas, deixam passar uma réstia de sol, onde zumbe uma mosca. Silêncio. Somente, na última prateleira, há um velho boião que diz: “Viva Dom Pedro Segundo!” — única nota exclamativa neste silêncio tecido (e não interrompido) pelo zum-zum da mosca em seu vaivém. Tudo é definitivo, tudo é tão agora que até o relógio, o velho bruxo, está parado.
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