Poemas neste tema
Emoções e Sentimentos
Florbela Espanca
O que tu és...
És Aquela que tudo te entristece
Irrita e amargura, tudo humilha;
Aquela a quem a Mágoa chamou filha;
A que aos homens e a Deus nada merece.
Aquela que o sol claro entenebrece
A que nem sabe a estrada que ora trilha,
Que nem um lindo amor de maravilha
Sequer deslumbra, e ilumina e aquece!
Mar-Morto sem marés nem ondas largas,
A rastejar no chão como as mendigas,
Todo feito de lágrimas amargas!
És ano que não teve Primavera...
Ah! Não seres como as outras raparigas
Ó Princesa Encantada da Quimera!...
Irrita e amargura, tudo humilha;
Aquela a quem a Mágoa chamou filha;
A que aos homens e a Deus nada merece.
Aquela que o sol claro entenebrece
A que nem sabe a estrada que ora trilha,
Que nem um lindo amor de maravilha
Sequer deslumbra, e ilumina e aquece!
Mar-Morto sem marés nem ondas largas,
A rastejar no chão como as mendigas,
Todo feito de lágrimas amargas!
És ano que não teve Primavera...
Ah! Não seres como as outras raparigas
Ó Princesa Encantada da Quimera!...
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Florbela Espanca
O que tu és...
És Aquela que tudo te entristece
Irrita e amargura, tudo humilha;
Aquela a quem a Mágoa chamou filha;
A que aos homens e a Deus nada merece.
Aquela que o sol claro entenebrece
A que nem sabe a estrada que ora trilha,
Que nem um lindo amor de maravilha
Sequer deslumbra, e ilumina e aquece!
Mar-Morto sem marés nem ondas largas,
A rastejar no chão como as mendigas,
Todo feito de lágrimas amargas!
És ano que não teve Primavera...
Ah! Não seres como as outras raparigas
Ó Princesa Encantada da Quimera!...
Irrita e amargura, tudo humilha;
Aquela a quem a Mágoa chamou filha;
A que aos homens e a Deus nada merece.
Aquela que o sol claro entenebrece
A que nem sabe a estrada que ora trilha,
Que nem um lindo amor de maravilha
Sequer deslumbra, e ilumina e aquece!
Mar-Morto sem marés nem ondas largas,
A rastejar no chão como as mendigas,
Todo feito de lágrimas amargas!
És ano que não teve Primavera...
Ah! Não seres como as outras raparigas
Ó Princesa Encantada da Quimera!...
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2
Florbela Espanca
As Quadras D’Ele Iii
[1]
Há em tudo quanto fitas
Pureza igual à dos céus,
Até são belos meus olhos
Quando lá poisam os teus!
[2]
Que filtro embriagante
Me deste tu a beber?
Até me esqueço de mim
E não te posso esquecer!...
[3]
Está tudo quanto olho
Na ’scuridão mais intensa,
Faltou de teus olhos lindos
A luz profunda e imensa...
[4]
Viver sozinha no mundo
É a minha triste sorte.
Ai quem me dera trocá-la
Embora fosse p’la morte!
[5]
Teus lábios cor das papoilas,
Vermelhos como o carmim,
Não são lábios nem papoilas
São pedaços de cetim.
[6]
Quando um peito amargurado
Adora seja quem for,
Por muito infame que seja
Bendito seja esse amor!
[7]
Tenho por ti uma paixão
Tão forte e acrisolada,
Que até adoro a saudade
Quando por ti é causada.
[8]
Às vezes quando anoitece
Cai em meu peito tal mágoa!...
Quero cantar. E num instante
Sinto os olhos rasos d’água!
[9]
Quando me não quiseres mais
Mata-me por piedade!
Deixares-me a vida, sem ti
É bem maior crueldade!
[10]
Queria ser a erva humilde
Que pisasses algum dia,
Pra debaixo de teus pés
Morrer em doce agonia.
[11]
Há beijos na tua boca
Pode colhê-los quem quer.
Só eu não posso. Vê tu
Que desgraçada mulher!
[12]
Quem me dera um coração
Que por mim bata somente.
Dai-me essa esmola, Senhor,
Para que eu morra contente.
[13]
Há no fado das vielas
Notas tão sentimentais,
Tão delicadas, tão belas,
Que não s’esquecem jamais!
[14]
Andam teus olhos de luto;
Sempre eles de negro andaram,
Pelas feridas que fizeram
Pelas mortes que causaram.
[15]
Olhos negros, noite infinda
Sede meu norte, meu guia,
Ó noite escura e bendita
Sê o meu sol, o meu dia!
[16]
Gosto imenso dumas flores
Muito escuras, quase pretas,
Modestas, lindas graciosas
Que se chamam violetas.
Por isso quando eu morrer,
Em prova do teu amor
Inunda de violetas
O caixão aonde eu for.
[17]
Não sei que têm meus versos;
Alegres quero fazê-los
Mas ficam-me sempre tristes
Como a cor dos teus cabelos.
Há em tudo quanto fitas
Pureza igual à dos céus,
Até são belos meus olhos
Quando lá poisam os teus!
[2]
Que filtro embriagante
Me deste tu a beber?
Até me esqueço de mim
E não te posso esquecer!...
[3]
Está tudo quanto olho
Na ’scuridão mais intensa,
Faltou de teus olhos lindos
A luz profunda e imensa...
[4]
Viver sozinha no mundo
É a minha triste sorte.
Ai quem me dera trocá-la
Embora fosse p’la morte!
[5]
Teus lábios cor das papoilas,
Vermelhos como o carmim,
Não são lábios nem papoilas
São pedaços de cetim.
[6]
Quando um peito amargurado
Adora seja quem for,
Por muito infame que seja
Bendito seja esse amor!
[7]
Tenho por ti uma paixão
Tão forte e acrisolada,
Que até adoro a saudade
Quando por ti é causada.
[8]
Às vezes quando anoitece
Cai em meu peito tal mágoa!...
Quero cantar. E num instante
Sinto os olhos rasos d’água!
[9]
Quando me não quiseres mais
Mata-me por piedade!
Deixares-me a vida, sem ti
É bem maior crueldade!
[10]
Queria ser a erva humilde
Que pisasses algum dia,
Pra debaixo de teus pés
Morrer em doce agonia.
[11]
Há beijos na tua boca
Pode colhê-los quem quer.
Só eu não posso. Vê tu
Que desgraçada mulher!
[12]
Quem me dera um coração
Que por mim bata somente.
Dai-me essa esmola, Senhor,
Para que eu morra contente.
[13]
Há no fado das vielas
Notas tão sentimentais,
Tão delicadas, tão belas,
Que não s’esquecem jamais!
[14]
Andam teus olhos de luto;
Sempre eles de negro andaram,
Pelas feridas que fizeram
Pelas mortes que causaram.
[15]
Olhos negros, noite infinda
Sede meu norte, meu guia,
Ó noite escura e bendita
Sê o meu sol, o meu dia!
[16]
Gosto imenso dumas flores
Muito escuras, quase pretas,
Modestas, lindas graciosas
Que se chamam violetas.
Por isso quando eu morrer,
Em prova do teu amor
Inunda de violetas
O caixão aonde eu for.
[17]
Não sei que têm meus versos;
Alegres quero fazê-los
Mas ficam-me sempre tristes
Como a cor dos teus cabelos.
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2
Florbela Espanca
As Quadras D’Ele Iii
[1]
Há em tudo quanto fitas
Pureza igual à dos céus,
Até são belos meus olhos
Quando lá poisam os teus!
[2]
Que filtro embriagante
Me deste tu a beber?
Até me esqueço de mim
E não te posso esquecer!...
[3]
Está tudo quanto olho
Na ’scuridão mais intensa,
Faltou de teus olhos lindos
A luz profunda e imensa...
[4]
Viver sozinha no mundo
É a minha triste sorte.
Ai quem me dera trocá-la
Embora fosse p’la morte!
[5]
Teus lábios cor das papoilas,
Vermelhos como o carmim,
Não são lábios nem papoilas
São pedaços de cetim.
[6]
Quando um peito amargurado
Adora seja quem for,
Por muito infame que seja
Bendito seja esse amor!
[7]
Tenho por ti uma paixão
Tão forte e acrisolada,
Que até adoro a saudade
Quando por ti é causada.
[8]
Às vezes quando anoitece
Cai em meu peito tal mágoa!...
Quero cantar. E num instante
Sinto os olhos rasos d’água!
[9]
Quando me não quiseres mais
Mata-me por piedade!
Deixares-me a vida, sem ti
É bem maior crueldade!
[10]
Queria ser a erva humilde
Que pisasses algum dia,
Pra debaixo de teus pés
Morrer em doce agonia.
[11]
Há beijos na tua boca
Pode colhê-los quem quer.
Só eu não posso. Vê tu
Que desgraçada mulher!
[12]
Quem me dera um coração
Que por mim bata somente.
Dai-me essa esmola, Senhor,
Para que eu morra contente.
[13]
Há no fado das vielas
Notas tão sentimentais,
Tão delicadas, tão belas,
Que não s’esquecem jamais!
[14]
Andam teus olhos de luto;
Sempre eles de negro andaram,
Pelas feridas que fizeram
Pelas mortes que causaram.
[15]
Olhos negros, noite infinda
Sede meu norte, meu guia,
Ó noite escura e bendita
Sê o meu sol, o meu dia!
[16]
Gosto imenso dumas flores
Muito escuras, quase pretas,
Modestas, lindas graciosas
Que se chamam violetas.
Por isso quando eu morrer,
Em prova do teu amor
Inunda de violetas
O caixão aonde eu for.
[17]
Não sei que têm meus versos;
Alegres quero fazê-los
Mas ficam-me sempre tristes
Como a cor dos teus cabelos.
Há em tudo quanto fitas
Pureza igual à dos céus,
Até são belos meus olhos
Quando lá poisam os teus!
[2]
Que filtro embriagante
Me deste tu a beber?
Até me esqueço de mim
E não te posso esquecer!...
[3]
Está tudo quanto olho
Na ’scuridão mais intensa,
Faltou de teus olhos lindos
A luz profunda e imensa...
[4]
Viver sozinha no mundo
É a minha triste sorte.
Ai quem me dera trocá-la
Embora fosse p’la morte!
[5]
Teus lábios cor das papoilas,
Vermelhos como o carmim,
Não são lábios nem papoilas
São pedaços de cetim.
[6]
Quando um peito amargurado
Adora seja quem for,
Por muito infame que seja
Bendito seja esse amor!
[7]
Tenho por ti uma paixão
Tão forte e acrisolada,
Que até adoro a saudade
Quando por ti é causada.
[8]
Às vezes quando anoitece
Cai em meu peito tal mágoa!...
Quero cantar. E num instante
Sinto os olhos rasos d’água!
[9]
Quando me não quiseres mais
Mata-me por piedade!
Deixares-me a vida, sem ti
É bem maior crueldade!
[10]
Queria ser a erva humilde
Que pisasses algum dia,
Pra debaixo de teus pés
Morrer em doce agonia.
[11]
Há beijos na tua boca
Pode colhê-los quem quer.
Só eu não posso. Vê tu
Que desgraçada mulher!
[12]
Quem me dera um coração
Que por mim bata somente.
Dai-me essa esmola, Senhor,
Para que eu morra contente.
[13]
Há no fado das vielas
Notas tão sentimentais,
Tão delicadas, tão belas,
Que não s’esquecem jamais!
[14]
Andam teus olhos de luto;
Sempre eles de negro andaram,
Pelas feridas que fizeram
Pelas mortes que causaram.
[15]
Olhos negros, noite infinda
Sede meu norte, meu guia,
Ó noite escura e bendita
Sê o meu sol, o meu dia!
[16]
Gosto imenso dumas flores
Muito escuras, quase pretas,
Modestas, lindas graciosas
Que se chamam violetas.
Por isso quando eu morrer,
Em prova do teu amor
Inunda de violetas
O caixão aonde eu for.
[17]
Não sei que têm meus versos;
Alegres quero fazê-los
Mas ficam-me sempre tristes
Como a cor dos teus cabelos.
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Florbela Espanca
As Quadras D’Ele Iii
[1]
Há em tudo quanto fitas
Pureza igual à dos céus,
Até são belos meus olhos
Quando lá poisam os teus!
[2]
Que filtro embriagante
Me deste tu a beber?
Até me esqueço de mim
E não te posso esquecer!...
[3]
Está tudo quanto olho
Na ’scuridão mais intensa,
Faltou de teus olhos lindos
A luz profunda e imensa...
[4]
Viver sozinha no mundo
É a minha triste sorte.
Ai quem me dera trocá-la
Embora fosse p’la morte!
[5]
Teus lábios cor das papoilas,
Vermelhos como o carmim,
Não são lábios nem papoilas
São pedaços de cetim.
[6]
Quando um peito amargurado
Adora seja quem for,
Por muito infame que seja
Bendito seja esse amor!
[7]
Tenho por ti uma paixão
Tão forte e acrisolada,
Que até adoro a saudade
Quando por ti é causada.
[8]
Às vezes quando anoitece
Cai em meu peito tal mágoa!...
Quero cantar. E num instante
Sinto os olhos rasos d’água!
[9]
Quando me não quiseres mais
Mata-me por piedade!
Deixares-me a vida, sem ti
É bem maior crueldade!
[10]
Queria ser a erva humilde
Que pisasses algum dia,
Pra debaixo de teus pés
Morrer em doce agonia.
[11]
Há beijos na tua boca
Pode colhê-los quem quer.
Só eu não posso. Vê tu
Que desgraçada mulher!
[12]
Quem me dera um coração
Que por mim bata somente.
Dai-me essa esmola, Senhor,
Para que eu morra contente.
[13]
Há no fado das vielas
Notas tão sentimentais,
Tão delicadas, tão belas,
Que não s’esquecem jamais!
[14]
Andam teus olhos de luto;
Sempre eles de negro andaram,
Pelas feridas que fizeram
Pelas mortes que causaram.
[15]
Olhos negros, noite infinda
Sede meu norte, meu guia,
Ó noite escura e bendita
Sê o meu sol, o meu dia!
[16]
Gosto imenso dumas flores
Muito escuras, quase pretas,
Modestas, lindas graciosas
Que se chamam violetas.
Por isso quando eu morrer,
Em prova do teu amor
Inunda de violetas
O caixão aonde eu for.
[17]
Não sei que têm meus versos;
Alegres quero fazê-los
Mas ficam-me sempre tristes
Como a cor dos teus cabelos.
Há em tudo quanto fitas
Pureza igual à dos céus,
Até são belos meus olhos
Quando lá poisam os teus!
[2]
Que filtro embriagante
Me deste tu a beber?
Até me esqueço de mim
E não te posso esquecer!...
[3]
Está tudo quanto olho
Na ’scuridão mais intensa,
Faltou de teus olhos lindos
A luz profunda e imensa...
[4]
Viver sozinha no mundo
É a minha triste sorte.
Ai quem me dera trocá-la
Embora fosse p’la morte!
[5]
Teus lábios cor das papoilas,
Vermelhos como o carmim,
Não são lábios nem papoilas
São pedaços de cetim.
[6]
Quando um peito amargurado
Adora seja quem for,
Por muito infame que seja
Bendito seja esse amor!
[7]
Tenho por ti uma paixão
Tão forte e acrisolada,
Que até adoro a saudade
Quando por ti é causada.
[8]
Às vezes quando anoitece
Cai em meu peito tal mágoa!...
Quero cantar. E num instante
Sinto os olhos rasos d’água!
[9]
Quando me não quiseres mais
Mata-me por piedade!
Deixares-me a vida, sem ti
É bem maior crueldade!
[10]
Queria ser a erva humilde
Que pisasses algum dia,
Pra debaixo de teus pés
Morrer em doce agonia.
[11]
Há beijos na tua boca
Pode colhê-los quem quer.
Só eu não posso. Vê tu
Que desgraçada mulher!
[12]
Quem me dera um coração
Que por mim bata somente.
Dai-me essa esmola, Senhor,
Para que eu morra contente.
[13]
Há no fado das vielas
Notas tão sentimentais,
Tão delicadas, tão belas,
Que não s’esquecem jamais!
[14]
Andam teus olhos de luto;
Sempre eles de negro andaram,
Pelas feridas que fizeram
Pelas mortes que causaram.
[15]
Olhos negros, noite infinda
Sede meu norte, meu guia,
Ó noite escura e bendita
Sê o meu sol, o meu dia!
[16]
Gosto imenso dumas flores
Muito escuras, quase pretas,
Modestas, lindas graciosas
Que se chamam violetas.
Por isso quando eu morrer,
Em prova do teu amor
Inunda de violetas
O caixão aonde eu for.
[17]
Não sei que têm meus versos;
Alegres quero fazê-los
Mas ficam-me sempre tristes
Como a cor dos teus cabelos.
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Luís Gama
Sortimento de Gorras para a Gente do Grande Tom
Se grosseiro alveitar ou charlatão
Entre nós se proclama sabichão;
E, com cartas compradas na Alemanha.
Por mil anos impinge ipecacuanha;
Se mata, por honrar a Medicina,
Mais voraz do que uma ave de rapina;
E num dia, se, errando na receita,
Pratica no mortal cura perfeita;
Não te espantes, ó Leitor, da novidade,
Pois que tudo no Brasil é raridade!
Se os nobres desta terra, empanturrados,
Em Guiné têm parentes enterrados;
E, cedendo à prosápia, ou duros vícios,
Esquecem os negrinhos seus patrícios;
Se mulatos de cor esbranquiçada,
Já se julgam de origem refinada,
E, curvos à mania que os domina,
Desprezam a vovó que é preta-mina:
Não te espantes, ó Leitor, da novidade,
Pois que tudo no Brasil é raridade!
Se o governo do Império Brasileiro,
Faz coisas de espantar o mundo inteiro,
Transcendendo o Autor da geração,
o jumento transforma em sor Barão;
Se estúpido matuto, apatetado,
Idolatra o papel de mascarado;
E fazendo-se o lorpa deputado,
N'Assembléia vai dar seu — apolhado,
Não te espantes, ó Leitor, da novidade,
Pois que tudo no Brasil é raridade!
Se impera no Brasil o patronato,
Fazendo que o Camelo seja Gato,
Levando o seu domínio a ponto tal,
Que torna em sapiente o animal;
Se deslustram honrosos pergaminhos,
Patetas que nem servem p'ra meirinhos,
E que sendo formados Bacharéis,
Sabem menos do que pecos bedéis,
Não te espantes, ó Leitor, da novidade,
Pois que tudo no Brasil é raridade!
Se temos Deputados, Senadores,
Bons Ministros e outros chuchadores;
Que se aferram às tetas da Nação
Com mais sanha que o tigre, ou que o Leão;
Se já temos calçados — mac-lama,
Novidade que esfalta a voz da Fama,
Blasonando as gazetas — que há progresso,
Quando tudo caminha p'ra o regresso:
Não te espantes, ó Leitor, da pepineira,
Pois que tudo no Brasil é chuchadeira!
Se contamos vadios empregados,
Porque são das potências afilhados,
E sucumbe, à matroca, abandonado,
O homem de critério, que é honrado;
Se temos militares de trapaça,
Que da guerra jamais viram fumaça,
Mas que empolgam chistosos ordenados,
Que ao povo, sem sentir, são arrancados;
Não te espantes ó Leitor, da pepineira,
Pois que tudo no Brasil é chuchadeira!
(...)
1 416
2
Florbela Espanca
Noitinha
A noite sobre nós se debruçou...
Minha alma ajoelha, põe as mãos e ora!
O luar, pelas colinas, nesta hora,
É água dum gomil que se entornou...
Não sei quem tanta pérola espalhou!
Murmura alguém pelas quebradas fora...
Flores do campo, humildes, mesmo agora,
A noite, os olhos brandos, lhes fechou...
Fumo beijando o colmo dos casais...
Serenidade idílica de fontes,
E a voz dos rouxinóis nos salgueirais...
Tranquilidade... calma... anoitecer...
Num êxtase, eu escuto pelos montes
O coração das pedras a bater...
Minha alma ajoelha, põe as mãos e ora!
O luar, pelas colinas, nesta hora,
É água dum gomil que se entornou...
Não sei quem tanta pérola espalhou!
Murmura alguém pelas quebradas fora...
Flores do campo, humildes, mesmo agora,
A noite, os olhos brandos, lhes fechou...
Fumo beijando o colmo dos casais...
Serenidade idílica de fontes,
E a voz dos rouxinóis nos salgueirais...
Tranquilidade... calma... anoitecer...
Num êxtase, eu escuto pelos montes
O coração das pedras a bater...
2 510
2
Florbela Espanca
Duas Quadras
Não sei se tens reparado
Quando passeia, o luar
Para sempre à tua porta
E encosta-se a chorar;
E eu que passo também
Na minha mágoa a cismar
Paro junto dele, e ficamos
Abraçados a chorar!
Quando passeia, o luar
Para sempre à tua porta
E encosta-se a chorar;
E eu que passo também
Na minha mágoa a cismar
Paro junto dele, e ficamos
Abraçados a chorar!
3 569
2
Noémia de Sousa
Teias da memória
Na baça melancolia do tecto
bilros de teia bordam solidão
enquanto meigos sussurros de sombra
no brilhante mutismo do espelho
recitam estrofes de poeira.
bilros de teia bordam solidão
enquanto meigos sussurros de sombra
no brilhante mutismo do espelho
recitam estrofes de poeira.
3 391
2
Noémia de Sousa
Teias da memória
Na baça melancolia do tecto
bilros de teia bordam solidão
enquanto meigos sussurros de sombra
no brilhante mutismo do espelho
recitam estrofes de poeira.
bilros de teia bordam solidão
enquanto meigos sussurros de sombra
no brilhante mutismo do espelho
recitam estrofes de poeira.
3 391
2
Luís Gama
Retrato
É renga, magricela e presumida,
Com pele de muxiba engrouvinhada;
O corpo de sumaca desarmada,
A cara de muafa mal cosida;
A perna de forquilha retorcida,
Os ombros de cangalha um tanto usada;
A boca, de ratões grata morada,
Maçante na conversa em mal sofrida;
Senhora de um leproso cão rafeiro,
Que, querendo passar por mocetona,
Se besunta com sebo de carneiro;
Vestida é saracura de japona,
De feia catadura, e de mau cheiro,
Eis a choca perua da Amazona.
Com pele de muxiba engrouvinhada;
O corpo de sumaca desarmada,
A cara de muafa mal cosida;
A perna de forquilha retorcida,
Os ombros de cangalha um tanto usada;
A boca, de ratões grata morada,
Maçante na conversa em mal sofrida;
Senhora de um leproso cão rafeiro,
Que, querendo passar por mocetona,
Se besunta com sebo de carneiro;
Vestida é saracura de japona,
De feia catadura, e de mau cheiro,
Eis a choca perua da Amazona.
2 987
2
Florbela Espanca
Esquecimento
Esse de quem eu era e que era meu,
Que foi um sonho e foi realidade,
Que me vestiu a alma de saudade,
Para sempre de mim desapar’ceu.
Tudo em redor então escureceu,
E foi longínqua toda a claridade!
Ceguei... tacteio sombras... Que ansiedade!
Apalpo cinzas porque tudo ardeu!
Descem em mim poentes de Novembro...
A sombra dos meus olhos, a escurecer...
Veste de roxo e negro os crisântemos...
E desse que era meu já me não lembro...
Ah, a doce agonia de esquecer
A lembrar doidamente o que esquecemos!...
Que foi um sonho e foi realidade,
Que me vestiu a alma de saudade,
Para sempre de mim desapar’ceu.
Tudo em redor então escureceu,
E foi longínqua toda a claridade!
Ceguei... tacteio sombras... Que ansiedade!
Apalpo cinzas porque tudo ardeu!
Descem em mim poentes de Novembro...
A sombra dos meus olhos, a escurecer...
Veste de roxo e negro os crisântemos...
E desse que era meu já me não lembro...
Ah, a doce agonia de esquecer
A lembrar doidamente o que esquecemos!...
4 970
2
Florbela Espanca
Esquecimento
Esse de quem eu era e que era meu,
Que foi um sonho e foi realidade,
Que me vestiu a alma de saudade,
Para sempre de mim desapar’ceu.
Tudo em redor então escureceu,
E foi longínqua toda a claridade!
Ceguei... tacteio sombras... Que ansiedade!
Apalpo cinzas porque tudo ardeu!
Descem em mim poentes de Novembro...
A sombra dos meus olhos, a escurecer...
Veste de roxo e negro os crisântemos...
E desse que era meu já me não lembro...
Ah, a doce agonia de esquecer
A lembrar doidamente o que esquecemos!...
Que foi um sonho e foi realidade,
Que me vestiu a alma de saudade,
Para sempre de mim desapar’ceu.
Tudo em redor então escureceu,
E foi longínqua toda a claridade!
Ceguei... tacteio sombras... Que ansiedade!
Apalpo cinzas porque tudo ardeu!
Descem em mim poentes de Novembro...
A sombra dos meus olhos, a escurecer...
Veste de roxo e negro os crisântemos...
E desse que era meu já me não lembro...
Ah, a doce agonia de esquecer
A lembrar doidamente o que esquecemos!...
4 970
2
Fernando Pessoa
No comboio descendente
No comboio descendente
Vinha tudo à gargalhada,
Uns por verem rir os outros
E os outros sem ser por nada —
No comboio descendente
De Queluz à Cruz Quebrada...
No comboio descendente
Vinham todos à janela,
Uns calados para os outros
E os outros a dar-lhes trela —
No comboio descendente
Da Cruz Quebrada a Palmela...
No comboio descendente
Mas que grande reinação!
Uns dormindo, outros com sono,
E os outros nem sim nem não —
No comboio descendente
De Palmela a Portimão...
Vinha tudo à gargalhada,
Uns por verem rir os outros
E os outros sem ser por nada —
No comboio descendente
De Queluz à Cruz Quebrada...
No comboio descendente
Vinham todos à janela,
Uns calados para os outros
E os outros a dar-lhes trela —
No comboio descendente
Da Cruz Quebrada a Palmela...
No comboio descendente
Mas que grande reinação!
Uns dormindo, outros com sono,
E os outros nem sim nem não —
No comboio descendente
De Palmela a Portimão...
1 999
2
Fernando Pessoa
No comboio descendente
No comboio descendente
Vinha tudo à gargalhada,
Uns por verem rir os outros
E os outros sem ser por nada —
No comboio descendente
De Queluz à Cruz Quebrada...
No comboio descendente
Vinham todos à janela,
Uns calados para os outros
E os outros a dar-lhes trela —
No comboio descendente
Da Cruz Quebrada a Palmela...
No comboio descendente
Mas que grande reinação!
Uns dormindo, outros com sono,
E os outros nem sim nem não —
No comboio descendente
De Palmela a Portimão...
Vinha tudo à gargalhada,
Uns por verem rir os outros
E os outros sem ser por nada —
No comboio descendente
De Queluz à Cruz Quebrada...
No comboio descendente
Vinham todos à janela,
Uns calados para os outros
E os outros a dar-lhes trela —
No comboio descendente
Da Cruz Quebrada a Palmela...
No comboio descendente
Mas que grande reinação!
Uns dormindo, outros com sono,
E os outros nem sim nem não —
No comboio descendente
De Palmela a Portimão...
1 999
2
Florbela Espanca
Velhinha
Se os que me viram já cheia de graça
Olharem bem de frente para mim,
Talvez, cheios de dor, digam assim:
“Já ela é velha! Como o tempo passa!...”
Não sei rir e cantar por mais que faça!
Ó minhas mãos talhadas em marfim,
Deixem esse fio d’oiro que esvoaça!
Deixem correr a vida até ao fim!
Tenho vinte e três anos! Sou velhinha!
Tenho cabelos brancos e sou crente...
Já murmuro orações... falo sozinha...
E o bando cor-de-rosa dos carinhos
Que tu me fazes, olho-os indulgente,
Como se fosse um bando de netinhos...
Olharem bem de frente para mim,
Talvez, cheios de dor, digam assim:
“Já ela é velha! Como o tempo passa!...”
Não sei rir e cantar por mais que faça!
Ó minhas mãos talhadas em marfim,
Deixem esse fio d’oiro que esvoaça!
Deixem correr a vida até ao fim!
Tenho vinte e três anos! Sou velhinha!
Tenho cabelos brancos e sou crente...
Já murmuro orações... falo sozinha...
E o bando cor-de-rosa dos carinhos
Que tu me fazes, olho-os indulgente,
Como se fosse um bando de netinhos...
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2
Rose Ausländer
Ninguém
Eu sou o Rei Ninguém
carrego minha terra-de-ninguém
no bolso
Com passaporte estrangeiro viajo
de mar em mar
Água teus olhos
azuis pretos
os incolores
Meu pseudônimo
Ninguém
é legítimo
Ninguém desconfia
que eu seja rei
e carregue no bolso
minha terra desterrada
Niemand
Ich bin König Niemand
trage mein Niemandsland
in der Tasche
Mit Fremdenpass reise ich
von Meer zu Meer
Wasser deine blauen
deine schwarzen Augen
die farblosen
Mein Pseudonym
Niemand
ist legitim
Niemand argwöhnt
dass ich ein König bin
und in der Tasche trage
mein heimatloses Land
carrego minha terra-de-ninguém
no bolso
Com passaporte estrangeiro viajo
de mar em mar
Água teus olhos
azuis pretos
os incolores
Meu pseudônimo
Ninguém
é legítimo
Ninguém desconfia
que eu seja rei
e carregue no bolso
minha terra desterrada
Niemand
Ich bin König Niemand
trage mein Niemandsland
in der Tasche
Mit Fremdenpass reise ich
von Meer zu Meer
Wasser deine blauen
deine schwarzen Augen
die farblosen
Mein Pseudonym
Niemand
ist legitim
Niemand argwöhnt
dass ich ein König bin
und in der Tasche trage
mein heimatloses Land
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2
Florbela Espanca
A Mulher I
Um ente de paixão e sacrifício,
De sofrimentos cheio, eis a mulher!
Esmaga o coração dentro do peito,
E nem te doas coração, sequer!
Sê forte, corajoso, não fraquejes
Na luta; sê em Vênus sempre Marte;
Sempre o mundo é vil e infame e os homens
Se te sentem gemer hão de pisar-te!
Se às vezes tu fraquejas, pobrezinho,
Essa brancura ideal de puro arminho
Eles deixam pra sempre maculada;
E gritam então os vis: “Olhem, vejam
É aquela a infame!” e apedrejam
A probrezita, a triste, a desgraçada!
De sofrimentos cheio, eis a mulher!
Esmaga o coração dentro do peito,
E nem te doas coração, sequer!
Sê forte, corajoso, não fraquejes
Na luta; sê em Vênus sempre Marte;
Sempre o mundo é vil e infame e os homens
Se te sentem gemer hão de pisar-te!
Se às vezes tu fraquejas, pobrezinho,
Essa brancura ideal de puro arminho
Eles deixam pra sempre maculada;
E gritam então os vis: “Olhem, vejam
É aquela a infame!” e apedrejam
A probrezita, a triste, a desgraçada!
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2
Florbela Espanca
A Mulher I
Um ente de paixão e sacrifício,
De sofrimentos cheio, eis a mulher!
Esmaga o coração dentro do peito,
E nem te doas coração, sequer!
Sê forte, corajoso, não fraquejes
Na luta; sê em Vênus sempre Marte;
Sempre o mundo é vil e infame e os homens
Se te sentem gemer hão de pisar-te!
Se às vezes tu fraquejas, pobrezinho,
Essa brancura ideal de puro arminho
Eles deixam pra sempre maculada;
E gritam então os vis: “Olhem, vejam
É aquela a infame!” e apedrejam
A probrezita, a triste, a desgraçada!
De sofrimentos cheio, eis a mulher!
Esmaga o coração dentro do peito,
E nem te doas coração, sequer!
Sê forte, corajoso, não fraquejes
Na luta; sê em Vênus sempre Marte;
Sempre o mundo é vil e infame e os homens
Se te sentem gemer hão de pisar-te!
Se às vezes tu fraquejas, pobrezinho,
Essa brancura ideal de puro arminho
Eles deixam pra sempre maculada;
E gritam então os vis: “Olhem, vejam
É aquela a infame!” e apedrejam
A probrezita, a triste, a desgraçada!
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Florbela Espanca
A Mulher I
Um ente de paixão e sacrifício,
De sofrimentos cheio, eis a mulher!
Esmaga o coração dentro do peito,
E nem te doas coração, sequer!
Sê forte, corajoso, não fraquejes
Na luta; sê em Vênus sempre Marte;
Sempre o mundo é vil e infame e os homens
Se te sentem gemer hão de pisar-te!
Se às vezes tu fraquejas, pobrezinho,
Essa brancura ideal de puro arminho
Eles deixam pra sempre maculada;
E gritam então os vis: “Olhem, vejam
É aquela a infame!” e apedrejam
A probrezita, a triste, a desgraçada!
De sofrimentos cheio, eis a mulher!
Esmaga o coração dentro do peito,
E nem te doas coração, sequer!
Sê forte, corajoso, não fraquejes
Na luta; sê em Vênus sempre Marte;
Sempre o mundo é vil e infame e os homens
Se te sentem gemer hão de pisar-te!
Se às vezes tu fraquejas, pobrezinho,
Essa brancura ideal de puro arminho
Eles deixam pra sempre maculada;
E gritam então os vis: “Olhem, vejam
É aquela a infame!” e apedrejam
A probrezita, a triste, a desgraçada!
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2
Paulo Leminski
enchantagem
de tanto não fazer nada
acabo de ser culpado de tudo
esperanças, cheguei
tarde demais como uma lágrima
de tanto fazer tudo
parecer perfeito
você pode ficar louco
ou para todos os efeitos
suspeito
de ser verbo sem sujeito
pense um pouco
beba bastante
depois me conte direito
que aconteça o contrário
custe o que custar
deseja
quem quer que seja
tem calendário de tristezas
celebrar
tanto evitar o inevitável
in vino veritas
me parece
verdade
o pau na vida
o vinagre
vinho suave
pense e te pareça
senão eu te invento por toda a eternidade
acabo de ser culpado de tudo
esperanças, cheguei
tarde demais como uma lágrima
de tanto fazer tudo
parecer perfeito
você pode ficar louco
ou para todos os efeitos
suspeito
de ser verbo sem sujeito
pense um pouco
beba bastante
depois me conte direito
que aconteça o contrário
custe o que custar
deseja
quem quer que seja
tem calendário de tristezas
celebrar
tanto evitar o inevitável
in vino veritas
me parece
verdade
o pau na vida
o vinagre
vinho suave
pense e te pareça
senão eu te invento por toda a eternidade
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Paulo Leminski
enchantagem
de tanto não fazer nada
acabo de ser culpado de tudo
esperanças, cheguei
tarde demais como uma lágrima
de tanto fazer tudo
parecer perfeito
você pode ficar louco
ou para todos os efeitos
suspeito
de ser verbo sem sujeito
pense um pouco
beba bastante
depois me conte direito
que aconteça o contrário
custe o que custar
deseja
quem quer que seja
tem calendário de tristezas
celebrar
tanto evitar o inevitável
in vino veritas
me parece
verdade
o pau na vida
o vinagre
vinho suave
pense e te pareça
senão eu te invento por toda a eternidade
acabo de ser culpado de tudo
esperanças, cheguei
tarde demais como uma lágrima
de tanto fazer tudo
parecer perfeito
você pode ficar louco
ou para todos os efeitos
suspeito
de ser verbo sem sujeito
pense um pouco
beba bastante
depois me conte direito
que aconteça o contrário
custe o que custar
deseja
quem quer que seja
tem calendário de tristezas
celebrar
tanto evitar o inevitável
in vino veritas
me parece
verdade
o pau na vida
o vinagre
vinho suave
pense e te pareça
senão eu te invento por toda a eternidade
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2
João Apolinário
É preciso avisar...
É preciso avisar toda a gente
dar notícia informar prevenir
que por cada flor estrangulada
há milhões de sementes a florir
–
É preciso avisar toda a gente
segredar a palavra e a senha
engrossando a verdade corrente
duma força que nada detenha
–
É preciso avisar toda a gente
que há fogo no meio da floresta
e que os mortos apontam em frente
o caminho da esperança que resta
–
É preciso avisar toda a gente
transmitindo este morse de dores
É preciso imperioso e urgente
mais flores mais flores mais flores
dar notícia informar prevenir
que por cada flor estrangulada
há milhões de sementes a florir
–
É preciso avisar toda a gente
segredar a palavra e a senha
engrossando a verdade corrente
duma força que nada detenha
–
É preciso avisar toda a gente
que há fogo no meio da floresta
e que os mortos apontam em frente
o caminho da esperança que resta
–
É preciso avisar toda a gente
transmitindo este morse de dores
É preciso imperioso e urgente
mais flores mais flores mais flores
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2
João Apolinário
É preciso avisar...
É preciso avisar toda a gente
dar notícia informar prevenir
que por cada flor estrangulada
há milhões de sementes a florir
–
É preciso avisar toda a gente
segredar a palavra e a senha
engrossando a verdade corrente
duma força que nada detenha
–
É preciso avisar toda a gente
que há fogo no meio da floresta
e que os mortos apontam em frente
o caminho da esperança que resta
–
É preciso avisar toda a gente
transmitindo este morse de dores
É preciso imperioso e urgente
mais flores mais flores mais flores
dar notícia informar prevenir
que por cada flor estrangulada
há milhões de sementes a florir
–
É preciso avisar toda a gente
segredar a palavra e a senha
engrossando a verdade corrente
duma força que nada detenha
–
É preciso avisar toda a gente
que há fogo no meio da floresta
e que os mortos apontam em frente
o caminho da esperança que resta
–
É preciso avisar toda a gente
transmitindo este morse de dores
É preciso imperioso e urgente
mais flores mais flores mais flores
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