Poemas neste tema
Desejo
Liz Christine
Madrugada
Comer de madrugada
é um ato sublime!
E clandestino.
Como um machão lendo gibi do Cascão
Solitário como masturbação
Nós e estômago
Nós, uma mão
Comer de madrugada
Cair de boca
em comida gelada
À procura de leite condensado
Capuccino com chantilly misturado
Biscoito de morango recheado
Doce-de-leite saboreado
Humm!...
isto dá... tesão...
e nada mais Madrugada
sensação apaixonada
Que a paixão!
é um ato sublime!
E clandestino.
Como um machão lendo gibi do Cascão
Solitário como masturbação
Nós e estômago
Nós, uma mão
Comer de madrugada
Cair de boca
em comida gelada
À procura de leite condensado
Capuccino com chantilly misturado
Biscoito de morango recheado
Doce-de-leite saboreado
Humm!...
isto dá... tesão...
e nada mais Madrugada
sensação apaixonada
Que a paixão!
840
Márcio Jacinto
Corpos
Entre o corpo de uma mulher
E o de um homem
Há mais mistérios do que
O céu, a terra
(E Shakespeare!)
Poderiam imaginar.
E o de um homem
Há mais mistérios do que
O céu, a terra
(E Shakespeare!)
Poderiam imaginar.
888
Mônica Banderas
Útil estima
De suas partes
a que mais gosto
é a que tem vontade própria
a que se levanta em riste
e que, às vezes, obedece à minha vontade:
uso e abuso,
ordenho a haste,
corro riscos,
devoro e devolvo,
e depois
de maravilhosamente gozada,
me encara e dorme.
a que mais gosto
é a que tem vontade própria
a que se levanta em riste
e que, às vezes, obedece à minha vontade:
uso e abuso,
ordenho a haste,
corro riscos,
devoro e devolvo,
e depois
de maravilhosamente gozada,
me encara e dorme.
973
Mônica Banderas
Benditas mães de meus amantes
Marcar com ferro em brasa
as nádegas
das vacas parideiras,
leiteiras,
que amamentam homens
para serem amantes
e jorrarem leite
criando mais homens
para deitar comigo
todos os dias
um para cada dia...
as nádegas
das vacas parideiras,
leiteiras,
que amamentam homens
para serem amantes
e jorrarem leite
criando mais homens
para deitar comigo
todos os dias
um para cada dia...
903
Giuseppe Belli
A embocadura
Que esfregações, gemidos, desbaratos!
Que arremessos a seco, numa enfiada!
Todos no alvo, por Cristo, desde a entrada:
Ficam bufando os dois como dois gatos.
Olhos vidrados, pior que de insensatos:
Pêlo com pêlo, boca a boca atada,
E enfia e empurra e bate sem parada;
Vai e vem, põe e tira num só ato.
Descalabro se um pouco mais durasse!
Chegada a brincadeira ao seu final,
Ficamos feito pedras, inconscientes.
É muito bom foder! Mas o ideal
Seria nos tornarmos realmente
Gertrudes toda cona e eu todo pau.
Que arremessos a seco, numa enfiada!
Todos no alvo, por Cristo, desde a entrada:
Ficam bufando os dois como dois gatos.
Olhos vidrados, pior que de insensatos:
Pêlo com pêlo, boca a boca atada,
E enfia e empurra e bate sem parada;
Vai e vem, põe e tira num só ato.
Descalabro se um pouco mais durasse!
Chegada a brincadeira ao seu final,
Ficamos feito pedras, inconscientes.
É muito bom foder! Mas o ideal
Seria nos tornarmos realmente
Gertrudes toda cona e eu todo pau.
1 017
Julio Ludemir
Escarpas
As minhas mãos escapam
pelas escarpas do seu corpo
e esculpem sensações indecifráveis
quando nos vemos nus em Vênus
ou nas vezes que navegamos até Veneza
descendo lentamente pelas correntezas do orgasmo.
pelas escarpas do seu corpo
e esculpem sensações indecifráveis
quando nos vemos nus em Vênus
ou nas vezes que navegamos até Veneza
descendo lentamente pelas correntezas do orgasmo.
1 114
Jorge de Sousa Braga
Escalada
Chamar-te colibri sussurrar-te
ao ouvido coisas acidas e ternas
Morder-te no pescoço, nos ombros, nas nadegas
Sentir a humidade entre as tuas pernas
Selar-te as palpebras com saliva
enquanto gritas que me odeias e me amas
as minhas mãos numa roda viva
entre as tuas nádegas e as tuas mamas
A minha língua, a tua língua o meu
pénis, o teu clitóris, a minha língua
o teu clitóris, o meu pénis, a tua língua
De joelhos como se implorasse
Enterra-lo bem fundo entre as tuas pernas
Deixar que um raio nos trespasse.
ao ouvido coisas acidas e ternas
Morder-te no pescoço, nos ombros, nas nadegas
Sentir a humidade entre as tuas pernas
Selar-te as palpebras com saliva
enquanto gritas que me odeias e me amas
as minhas mãos numa roda viva
entre as tuas nádegas e as tuas mamas
A minha língua, a tua língua o meu
pénis, o teu clitóris, a minha língua
o teu clitóris, o meu pénis, a tua língua
De joelhos como se implorasse
Enterra-lo bem fundo entre as tuas pernas
Deixar que um raio nos trespasse.
2 246
Paulo Netho
Permuta
Você coloca
seu riso terno
na minha boca
enquanto eu coloco
nas suas coxas
meu gozo fraterno.
seu riso terno
na minha boca
enquanto eu coloco
nas suas coxas
meu gozo fraterno.
1 163
Liz Christine
Chuva
chove
lá fora
me fode
agora
com amor
sem pudor
barulho que cai
a gota me atrai
molhados
chovendo
pelo prazer
apaixonados
continue a fazer
e chove
trovão
e fode
paixão
e chove
na rua
me fode
estou nua
e chove
tira a meia
e fode
me despenteia
e chove molhado
seu pé está gelado
chega de prosa
você me aquece
vai, enlouquece
vem e goza
lá fora
me fode
agora
com amor
sem pudor
barulho que cai
a gota me atrai
molhados
chovendo
pelo prazer
apaixonados
continue a fazer
e chove
trovão
e fode
paixão
e chove
na rua
me fode
estou nua
e chove
tira a meia
e fode
me despenteia
e chove molhado
seu pé está gelado
chega de prosa
você me aquece
vai, enlouquece
vem e goza
1 313
Isabel Machado
Bis
Da base ao topo
deslizantes areias
uma cama de teias
de aranhas
e manhas.
E a manhã escondida
por detrás da cortina
permitiu meia-luz
ante dois corpos nus.
Despidos do dia
entregues à euforia
de fazer chorar
Imersos em bocas
sussurros e roucas
palavras de amar
A língua percorre
o habitat natural
em doses perfeitas
de açúcar e sal
Adentra profundo
arromba as entranhas
teu sexo um mundo
fecundo...
Cravada em teu corpo
como em sonhos te quis
pensamento segreda:
- quero bis...
deslizantes areias
uma cama de teias
de aranhas
e manhas.
E a manhã escondida
por detrás da cortina
permitiu meia-luz
ante dois corpos nus.
Despidos do dia
entregues à euforia
de fazer chorar
Imersos em bocas
sussurros e roucas
palavras de amar
A língua percorre
o habitat natural
em doses perfeitas
de açúcar e sal
Adentra profundo
arromba as entranhas
teu sexo um mundo
fecundo...
Cravada em teu corpo
como em sonhos te quis
pensamento segreda:
- quero bis...
1 146
Isabel Machado
Inevitável
Inevitável foi o toque
a procura
a consumação da loucura
a transformar nós dois
em um.
Nada foi comum
Tudo foi vital
anormal...
dentro da normalidade contida
no ato.
Inevitável foi o tato
e meus seios foram teus
... tudo... o corpo todo
sentiu-te em gula
nas entranhas
nas loucas manhas
da manhã-festim...
Inevitável
tatear-me em falso
pra sentir-te pleno
em mim...
a procura
a consumação da loucura
a transformar nós dois
em um.
Nada foi comum
Tudo foi vital
anormal...
dentro da normalidade contida
no ato.
Inevitável foi o tato
e meus seios foram teus
... tudo... o corpo todo
sentiu-te em gula
nas entranhas
nas loucas manhas
da manhã-festim...
Inevitável
tatear-me em falso
pra sentir-te pleno
em mim...
951
Lui Bucallon
Teu corpo solto
Teu corpo solto
Abandonado ao êxtase de estar
Tuas curvas
Tortuosas
Delirantes
São varridas pelo tecido
Que te envolve a pele
Que desliza em cantiga
Acalanto
Tua carne desnuda
Túrgida
Alva
Trêmula
Palpitar de fruta fresca
Teus olhos; iluminam o quarto
Tua boca tece o silêncio
Teus ouvidos segredam notas
Teus seios macios
Salientes
Calientes
Doces
Que minhas mãos envolvem
A descobrirem
Os róseos medalhões
Que tocam o céu
O céu de minha boca
Faminta
Sedenta
Tuas pernas
Colunas
Arco de flores
Roliças
Se abrem
Feito portais de mistérios
Intemporais
Leutos
Descerram
Imbecilizado vislumbro
Tua corbelha de flores
Flor de lótus
Pérola oculta
Tua Rosa que desabrocha
Tua flor que aflora
Beijo teus vermelhos lábios
Longamente
Vasculho essa mística boca
Entre doces pétalas
Dela
Extraio o néctar
Polinizo assim minha garganta
Mas o desejo
De cobri-la
De conquistá-la
Feito guerreiro
Só e derradeiro...
Numa fusão de corpos
de suor
de carne
de calor
Meu velo de couro
Devagar
Invade tua rubra taça
Tange
dilacera
deflora tua flor que aflora
Possui tuas entranhas
latente pulsa
Impulsa
Entre sussurros desconexos
E imagens a fins
Derramo o leite dos Deuses
E transbordo
Teu cálice de Amor.
Abandonado ao êxtase de estar
Tuas curvas
Tortuosas
Delirantes
São varridas pelo tecido
Que te envolve a pele
Que desliza em cantiga
Acalanto
Tua carne desnuda
Túrgida
Alva
Trêmula
Palpitar de fruta fresca
Teus olhos; iluminam o quarto
Tua boca tece o silêncio
Teus ouvidos segredam notas
Teus seios macios
Salientes
Calientes
Doces
Que minhas mãos envolvem
A descobrirem
Os róseos medalhões
Que tocam o céu
O céu de minha boca
Faminta
Sedenta
Tuas pernas
Colunas
Arco de flores
Roliças
Se abrem
Feito portais de mistérios
Intemporais
Leutos
Descerram
Imbecilizado vislumbro
Tua corbelha de flores
Flor de lótus
Pérola oculta
Tua Rosa que desabrocha
Tua flor que aflora
Beijo teus vermelhos lábios
Longamente
Vasculho essa mística boca
Entre doces pétalas
Dela
Extraio o néctar
Polinizo assim minha garganta
Mas o desejo
De cobri-la
De conquistá-la
Feito guerreiro
Só e derradeiro...
Numa fusão de corpos
de suor
de carne
de calor
Meu velo de couro
Devagar
Invade tua rubra taça
Tange
dilacera
deflora tua flor que aflora
Possui tuas entranhas
latente pulsa
Impulsa
Entre sussurros desconexos
E imagens a fins
Derramo o leite dos Deuses
E transbordo
Teu cálice de Amor.
1 232
Djalma Filho
Entre lençóis
Envoltos pela névoa de linho
os amantes se olham
indescobertos...
Envoltos por sins e temores
os amantes se tocam
cautelosamente...
Envoltos por olhos ardentes...
os amantes se desejam
misteriosamente...
Envoltos... no quarto fechado
há um não sobrar de
espaço para dois
As palavras sussurram delicadamente
prazeres inconfessáveis e não ditos
Mãos espalmadas em busca de espaço
desafiando as leis da física...
Pernas, ora trançadas ora retesadas...
querendo quebrar todos os limites
Bocas em beijos, em cada milímetro...
engolindo toda a possível resistência
Entre lençóis,
os amantes se esquecem
eternamente do tempo ...
Para quê tempo?
se, entre lençóis, eles
vivem tão intensamente?...
E... bem cá entre nós
- Para quê mais os lençóis?...
os amantes se olham
indescobertos...
Envoltos por sins e temores
os amantes se tocam
cautelosamente...
Envoltos por olhos ardentes...
os amantes se desejam
misteriosamente...
Envoltos... no quarto fechado
há um não sobrar de
espaço para dois
As palavras sussurram delicadamente
prazeres inconfessáveis e não ditos
Mãos espalmadas em busca de espaço
desafiando as leis da física...
Pernas, ora trançadas ora retesadas...
querendo quebrar todos os limites
Bocas em beijos, em cada milímetro...
engolindo toda a possível resistência
Entre lençóis,
os amantes se esquecem
eternamente do tempo ...
Para quê tempo?
se, entre lençóis, eles
vivem tão intensamente?...
E... bem cá entre nós
- Para quê mais os lençóis?...
939
Asta Vonzodas
Som de mulher
Os olhos são o espelho da alma.
E se isso, verdade é,
deixe-os serem a janela,
e veja por um instante
minha alma de mulher.
Vê a borboleta
que em doces volteios
acaricia suave, seus cabelos?
São meus dedos.
Feche os olhos e sinta.
Ao som suave da brisa,
minhas carícias que
vão lhe envolvendo.
Sinta o toque na pele,
que traçando seu rosto
vai descendo mansinho
em direção ao seu peito.
São meus beijos.
Sente o roçar pela cintura,
como asas de libélula voejando?
É minha língua.
Vou adentrando.
Das vestes, já liberto,
sinta o tempo de agosto
que vai molhando seu corpo.
Estou provando seu gosto.
Segure de leve, pressionando,
minhas ancas
transformadas em rédeas,
enquanto vou cavalgando.
Fica assim...
Parado a sentir
o veludo úmido lhe envolvendo.
Você está dentro de mim.
Rápido...
Vem comigo!
Vamos chegar ao fim...
Agora abra lentamente seus olhos.
Sinta a vida transformada
em seiva que de seu corpo flui.
Não me procure.
Como a tarde dessa primavera
Eu já fui...
E se isso, verdade é,
deixe-os serem a janela,
e veja por um instante
minha alma de mulher.
Vê a borboleta
que em doces volteios
acaricia suave, seus cabelos?
São meus dedos.
Feche os olhos e sinta.
Ao som suave da brisa,
minhas carícias que
vão lhe envolvendo.
Sinta o toque na pele,
que traçando seu rosto
vai descendo mansinho
em direção ao seu peito.
São meus beijos.
Sente o roçar pela cintura,
como asas de libélula voejando?
É minha língua.
Vou adentrando.
Das vestes, já liberto,
sinta o tempo de agosto
que vai molhando seu corpo.
Estou provando seu gosto.
Segure de leve, pressionando,
minhas ancas
transformadas em rédeas,
enquanto vou cavalgando.
Fica assim...
Parado a sentir
o veludo úmido lhe envolvendo.
Você está dentro de mim.
Rápido...
Vem comigo!
Vamos chegar ao fim...
Agora abra lentamente seus olhos.
Sinta a vida transformada
em seiva que de seu corpo flui.
Não me procure.
Como a tarde dessa primavera
Eu já fui...
1 158
Djalma Filho
Ainda os lençóis
Lençóis abaixo
Lençóis acima
Trocentas diversões
Meu traço risca teu
espaço em voz e direção
Meu corpo encurva
e te submete a mais
uma exploração...
Lençóis abaixo
Lençóis acima
Perco o diapasão
Há um afinar de
corpos pelo ouvido
Quero te ouvir sempre
em movimentos entônicos
de orgasmos
Lençóis abaixo
Lençóis acima
Caio de quatro
Percebo no ato o
penetrar manso
Estou alucinado
pelos movimentos sutis
de descobertas
Lençóis abaixo
e acima...
estou em ti...
como voraz os pés
da cama...
e a teus pés eu
declamo
harmonias loucas
perdidas e lúcidas
já sem lençóis,
sanidade
ou sensatez.
Lençóis acima
Trocentas diversões
Meu traço risca teu
espaço em voz e direção
Meu corpo encurva
e te submete a mais
uma exploração...
Lençóis abaixo
Lençóis acima
Perco o diapasão
Há um afinar de
corpos pelo ouvido
Quero te ouvir sempre
em movimentos entônicos
de orgasmos
Lençóis abaixo
Lençóis acima
Caio de quatro
Percebo no ato o
penetrar manso
Estou alucinado
pelos movimentos sutis
de descobertas
Lençóis abaixo
e acima...
estou em ti...
como voraz os pés
da cama...
e a teus pés eu
declamo
harmonias loucas
perdidas e lúcidas
já sem lençóis,
sanidade
ou sensatez.
824
Liz Christine
Senha
será que um dia
encontro alguém
que ame poesia
e vá além
odeie hipocrisia
será que eu acho
quem adore se divertir
quem goste de sair
mas... diacho!
não encontrei
ainda
apenas sonhei
com alguém
que vai me completar
além
de me fazer gozar
alguém que tenha
a minha senha
a chave perdida
em algum lugar
da minha vida
encontro alguém
que ame poesia
e vá além
odeie hipocrisia
será que eu acho
quem adore se divertir
quem goste de sair
mas... diacho!
não encontrei
ainda
apenas sonhei
com alguém
que vai me completar
além
de me fazer gozar
alguém que tenha
a minha senha
a chave perdida
em algum lugar
da minha vida
871
João dos Sonhos
A arte nobilitante
É preciso fazer do amor
um uso imediato e corrente
a arte nobilitante
de atravessar os dias com a luz
dos corpos enleados,
devorados na lenta florescência
de invisiveis lâmpadas,
ofegantes na lida (na pequisa)
de bocas fulgurantes,
do sabor das ancas contornadas
com dedos de zimbro
e de hortelã,
enfebrecidos sempre
e fascinados
na voragem do púbis levitado
pela língua do fauno
que o levanta.
um uso imediato e corrente
a arte nobilitante
de atravessar os dias com a luz
dos corpos enleados,
devorados na lenta florescência
de invisiveis lâmpadas,
ofegantes na lida (na pequisa)
de bocas fulgurantes,
do sabor das ancas contornadas
com dedos de zimbro
e de hortelã,
enfebrecidos sempre
e fascinados
na voragem do púbis levitado
pela língua do fauno
que o levanta.
970
Nálu Nogueira
Espera
1.
A pele anseia o toque, arrepia,
transbordando desejos. Lábios e
língua antecipam o beijo esperado
olhos semicerrados
boca entreaberta
(delírios!)
Sobre os lençóis em desalinho,
ela espera
(seios que se oferecem,
coxas que se contraem)
espera.
O corpo dela exala as secreções
mais belas
ancas de acasalar
(tortura!)
a mão passeia lânguida no lento
passar das horas, como a confortar
pele, púbis, pêlos,
os dedos procuram consolo, não quer
espera.
Ainda que a noite esteja deixando
seus olhos, espera; ainda que o fogo
da lareira se apague, espera.
2.
Esta noite quer apenas o homem
que espera, entregar-se a ele,
amá-lo por toda a noite como a
ninguém, antes. Olhá-lo do modo
lindo que inventou,
então espera.
(O desejo a consome, o contato
dos lençóis na pele nua, as mãos
tocando displicentemente os
mamilos à luz amarela e frágil
da lareira que ilumina o corpo
em torturante expectativa)
Guarda-se pare ele. Espera.
Porque seu desejo só se realiza
no desejo dele, na cumplicidade dos dois
fundindo-se, ardentes, executando
o mais belo e primitivo ballet
3.
(sôfregos, lindos, dançando
lentos, girando,
bocas, línguas, mãos, suores,
girando
o corpo dela em movimentos
sensuais de amores
ele dentro dela, delírios,
para sempre dentro dela
a alma o corpo, o amor o olhar
lindo que ela inventou
paixão, ternura, naqueles olhos tudo
o corpo dele sobre o dela
o seu beijo
a língua
a pele
as mãos)
imagens que ela inventa
antes de adormecer.
A pele anseia o toque, arrepia,
transbordando desejos. Lábios e
língua antecipam o beijo esperado
olhos semicerrados
boca entreaberta
(delírios!)
Sobre os lençóis em desalinho,
ela espera
(seios que se oferecem,
coxas que se contraem)
espera.
O corpo dela exala as secreções
mais belas
ancas de acasalar
(tortura!)
a mão passeia lânguida no lento
passar das horas, como a confortar
pele, púbis, pêlos,
os dedos procuram consolo, não quer
espera.
Ainda que a noite esteja deixando
seus olhos, espera; ainda que o fogo
da lareira se apague, espera.
2.
Esta noite quer apenas o homem
que espera, entregar-se a ele,
amá-lo por toda a noite como a
ninguém, antes. Olhá-lo do modo
lindo que inventou,
então espera.
(O desejo a consome, o contato
dos lençóis na pele nua, as mãos
tocando displicentemente os
mamilos à luz amarela e frágil
da lareira que ilumina o corpo
em torturante expectativa)
Guarda-se pare ele. Espera.
Porque seu desejo só se realiza
no desejo dele, na cumplicidade dos dois
fundindo-se, ardentes, executando
o mais belo e primitivo ballet
3.
(sôfregos, lindos, dançando
lentos, girando,
bocas, línguas, mãos, suores,
girando
o corpo dela em movimentos
sensuais de amores
ele dentro dela, delírios,
para sempre dentro dela
a alma o corpo, o amor o olhar
lindo que ela inventou
paixão, ternura, naqueles olhos tudo
o corpo dele sobre o dela
o seu beijo
a língua
a pele
as mãos)
imagens que ela inventa
antes de adormecer.
1 095
Roberta Cazal
Não sei
Não sei fazer sonetos
Na dramaturgia do abstrato lírico
Ou mesmo a poesia do momento
Nada me ocorre - nada místico
Não sei fazer amor
Com seu sentimentalismo dolente
Ou mesmo o bruto amor ardente
Nem sei amar lascivamente
Não sei fazer, mas não saber é vão
Dispenso lições de pseudo-sábios
Tão somente a sapiência dos teus lábios
Hão de disciplinar néscio coração
Na dramaturgia do abstrato lírico
Ou mesmo a poesia do momento
Nada me ocorre - nada místico
Não sei fazer amor
Com seu sentimentalismo dolente
Ou mesmo o bruto amor ardente
Nem sei amar lascivamente
Não sei fazer, mas não saber é vão
Dispenso lições de pseudo-sábios
Tão somente a sapiência dos teus lábios
Hão de disciplinar néscio coração
810
Niandra LaDez
Erótico puritano
As pontas dos meus seios apontam para o céu
inchados e duros
pequenos e brancos
reluzem e gritam
enquanto as estrelas queimam e umedecem
meus santos orifícios
com seus toques inesperados.
sou cega, muda, espasmódica.
pernas abertas por um mundo melhor.
inchados e duros
pequenos e brancos
reluzem e gritam
enquanto as estrelas queimam e umedecem
meus santos orifícios
com seus toques inesperados.
sou cega, muda, espasmódica.
pernas abertas por um mundo melhor.
788
Eliane Stoducto
Pororocas
Os prazeres do corpo
adoçam, alegram, cicatrizam.
Abaixo diques, represas!
Sinto o temporal caindo
no deserto. Secreto.
Liberando sumos. Virando Amazonas.
Abaixo a aridez!
Meus fluidos correm livres outra vez!
Quero foz, quero delta, quero muitas pororocas!
Quero muito! Quero mais! Do bom e do pior!
Quero aprender, crescer, evoluir
como a Mocidade na Sapucaí!
abraçando generosamente tudo que me cabe:
o ruim e o melhor! Sem restrições.
E poder finalmente concluir
que tudo depende do ponto de vista,
que são muitos, que são mis.
Abaixo maniqueísmos! Abaixo racismos!
Vivam os quereres! E os amores! E os
desamores!
Mentes míopes, empoeiradas,
hipermétropes e cansadas
pouco podem perceber!
Visão estreita. Mente estreita.
Estreito é o nosso olfato, o nosso tato.
Faixas limitadas. Limitadíssimas.
O corpo é o limite! Socorro!
Quero jogar tanto xadrez quanto porrinha.
Admirar Picasso e Newton Bravo.
Me deliciar com adoçante, sal marinho,
fel e açúcar mascavo.
Quero amar o ateu e a freirinha.
O belo e o feinho.
E amar. E ter prazer. E transcender.
O limite...
adoçam, alegram, cicatrizam.
Abaixo diques, represas!
Sinto o temporal caindo
no deserto. Secreto.
Liberando sumos. Virando Amazonas.
Abaixo a aridez!
Meus fluidos correm livres outra vez!
Quero foz, quero delta, quero muitas pororocas!
Quero muito! Quero mais! Do bom e do pior!
Quero aprender, crescer, evoluir
como a Mocidade na Sapucaí!
abraçando generosamente tudo que me cabe:
o ruim e o melhor! Sem restrições.
E poder finalmente concluir
que tudo depende do ponto de vista,
que são muitos, que são mis.
Abaixo maniqueísmos! Abaixo racismos!
Vivam os quereres! E os amores! E os
desamores!
Mentes míopes, empoeiradas,
hipermétropes e cansadas
pouco podem perceber!
Visão estreita. Mente estreita.
Estreito é o nosso olfato, o nosso tato.
Faixas limitadas. Limitadíssimas.
O corpo é o limite! Socorro!
Quero jogar tanto xadrez quanto porrinha.
Admirar Picasso e Newton Bravo.
Me deliciar com adoçante, sal marinho,
fel e açúcar mascavo.
Quero amar o ateu e a freirinha.
O belo e o feinho.
E amar. E ter prazer. E transcender.
O limite...
301
Liz Christine
Natureza
bissexual
é minha natureza
e é natural
que admire sua beleza
sou passional
mas admiro a frieza
com que você diz
bissexual é coisa de meretriz
bissexual não dá pra confiar
e não é de se admirar
que, ainda assim, você me quis?
não estou sendo irônica
hipocrisia crônica
você teme seus desejos
te provoco com meus beijos
por que não ficar a três?
ou a quatro, cinco, seis
acho que confirmo sua teoria!
Mas é só hipocrisia
minha
Porque é você, só você
que eu quero
tolinha...
é minha natureza
e é natural
que admire sua beleza
sou passional
mas admiro a frieza
com que você diz
bissexual é coisa de meretriz
bissexual não dá pra confiar
e não é de se admirar
que, ainda assim, você me quis?
não estou sendo irônica
hipocrisia crônica
você teme seus desejos
te provoco com meus beijos
por que não ficar a três?
ou a quatro, cinco, seis
acho que confirmo sua teoria!
Mas é só hipocrisia
minha
Porque é você, só você
que eu quero
tolinha...
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Isabel Machado
Diz
Sim... pode falar...
fale de paixão
fale de tesão
fale do teu jeito
que não é maldito
fale sussurrando tudo
ao meu ouvido
como um zumbido
de prazer...
Diga... diga que está apaixonado
diga que és o meu amado
desde outra vida
e que nada será violado
além da paixão
e que sempre haverá o cuidado
de nos pertencer...
... proteção...
Diz... diz que desejas o meu último sorriso
diz tudo aquilo que eu preciso
diga o que quer
e o que não quer
teu coração...
é tudo permitido
êxtase de emoção.
fale de paixão
fale de tesão
fale do teu jeito
que não é maldito
fale sussurrando tudo
ao meu ouvido
como um zumbido
de prazer...
Diga... diga que está apaixonado
diga que és o meu amado
desde outra vida
e que nada será violado
além da paixão
e que sempre haverá o cuidado
de nos pertencer...
... proteção...
Diz... diz que desejas o meu último sorriso
diz tudo aquilo que eu preciso
diga o que quer
e o que não quer
teu coração...
é tudo permitido
êxtase de emoção.
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